Pulpit

Nossa Responsabilidade como Cidadãos

Joseph F. Merrill

Conferência Geral de Outubro de 1932·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1932-10-07

Irmãos e irmãs: Há alguns meses, participei de uma conferência em uma das estacas da Igreja, na qual um ex-missionário, ao fazer o relatório de seus trabalhos missionários, disse que o maior obstáculo ao progresso da obra no distrito onde havia trabalhado por último eram os "mórmons" que ali viviam. É claro que essa declaração pareceu estranha, até que ele explicou apressadamente que certas pessoas que haviam sido criadas na Igreja, mas que depois se afastaram de seus ensinamentos, mudaram-se para o distrito e viviam de forma tão ofensiva do ponto de vista da boa moral e da conduta justa que outros, vendo os atos maus desses chamados "mórmons", voltaram-se contra tudo o que fosse "mórmon".

O jovem missionário prosseguiu em seu discurso, enfatizando o valor de uma vida correta por parte dos crentes professos, como meio de ajudar a expansão da obra do Senhor.

ENSINANDO PELO EXEMPLO

É claro que ele tinha razão em sua afirmação de que podemos ensinar mais eficazmente "pelo exemplo do que pelo preceito". Lembramo-nos das palavras de Jesus no Sermão da Montanha, quando disse: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." E, como lemos na Primeira Epístola de Pedro (2:12): "Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós virem."

Sem dúvida, Pedro tinha em mente, ao escrever essas palavras, os ensinamentos de seu Mestre, quando disse: "Pelos seus frutos os conhecereis." Possivelmente os gentios entre os quais o Élder que retornou trabalhou também se lembravam dessas palavras de Jesus e estavam aplicando essa medida aos chamados "mórmons" em seu meio.

Mas não preciso argumentar o ponto. Chamar a atenção de vocês para isso é inteiramente suficiente. Talvez não haja em lugar nenhum um povo que aceite mais literalmente do que nós a doutrina ensinada por João, o Revelador, de "que foram julgados [na ressurreição] cada homem segundo as suas obras." Essa doutrina é um de nossos fundamentos.

NÃO SÃO BONS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS

Mas às vezes me pergunto se não estamos inclinados a esquecê-la, assim como estamos sujeitos a esquecer tantas outras coisas. Ocasionalmente vemos pessoas que parecem ser crentes devotos e sinceros, que professam ser Santos dos Últimos Dias, que leram e conseguem citar muita escritura, mas que, julgadas por seus frutos, ficam muito aquém de um bom padrão cristão. São lentas em "fazer aos outros o que gostariam que os outros lhes fizessem." Não são generosas, não são honestas. Sua palavra não vale tanto quanto seu compromisso. Não são leais aos princípios que professam. Suas vidas, ao menos em certa medida, são apenas uma farsa e uma hipocrisia. Ora, é claro, essas pessoas não são bons Santos dos Últimos Dias.

PESSOAS QUE PODEM PAGAR MAS NÃO QUEREM

Às vezes penso que uma pessoa desonesta não deveria ter comunhão na Igreja até que se arrependesse. Uma pessoa que pode pagar suas contas e não o faz, por exemplo, não pode ser aceita por Deus e, portanto, não pode ter a companhia do Espírito Santo. Sou levado a dizer isso porque, se estamos bem informados, há pessoas entre nós "que podem pagar mas não querem." Elas estão tirando proveito da situação que torna impossível a muitas pessoas honestas pagarem suas dívidas, e, porque estas não podem, as outras ocultam sua própria condição e não pagam. Apresso-me, porém, a dizer que acredito que as falhas de que me queixo de modo algum são gerais. Que elas existem com demasiada frequência, no entanto, todas as pessoas experientes testificarão. Perguntem a médicos, dentistas e outros profissionais em Salt Lake City. Eles tiveram experiências que põem à prova sua fé na honra de muitas das chamadas "boas pessoas." A desonestidade é um dos pecados dos quais os culpados são chamados a se arrepender.

A PALAVRA DE UM "MÓRMON"

Alguns de vocês, talvez, já tenham ouvido o Presidente Grant relatar a história de um industrial do Centro-Oeste que chegou a uma reunião de rua que nossos missionários realizavam em uma cidade de Indiana e deu à multidão um atestado oral de caráter dos Santos dos Últimos Dias. Isso foi há muitos anos. Ele disse à reunião que a palavra de um "mórmon" valia tanto quanto seu compromisso, que sua empresa havia feito negócios de muitos milhares de dólares com os "mórmons" e nunca havia perdido um dólar sequer. Seria extremamente honroso para o nosso povo se hoje se pudesse dizer com veracidade o mesmo a nosso respeito, por todos os que fazem negócios conosco. Mas não hesito em dizer que os verdadeiros Santos dos Últimos Dias têm hoje tanta honra financeira quanto sempre tiveram. Aceitam como verdade a declaração de uma das personagens de Shakespeare, de que:

"Minha honra é minha vida; ambas crescem como uma só: Tirai-me a honra, e minha vida estará terminada."

Todo homem que falha em honra falha na mesma medida em ser um Santo dos Últimos Dias. Sua vida não é como uma luz posta sobre um monte, que atrai outros para as obras de retidão.

Mas que cada pessoa perceba que, por mais humilde ou insignificante que se sinta, ainda assim não está isenta de influência, seja para o bem, seja para o mal. Ela é responsável perante Deus por sua influência. É chamada a ser "honesta, verdadeira, casta, benevolente, virtuosa", e a fazer o bem a todos os homens. Ninguém na Igreja, seja qual for sua condição, está isento de viver esses requisitos. Ninguém na Igreja, portanto, está isento de viver a "regra de ouro."

NOSSA RESPONSABILIDADE COMO CIDADÃOS

Ora, há outro artigo de nossa fé, o 12º, para o qual desejo chamar a atenção de vocês.

"Cremos na submissão a reis, presidentes, governantes, e magistrados; na obediência, honra, e manutenção da lei."

À luz dessa declaração, todo verdadeiro Santo dos Últimos Dias é um bom cidadão. É leal à autoridade civil, observador da lei, apoiador daqueles que fazem e aplicam a lei. Mas isso não é tudo. A boa cidadania exige de uma pessoa algo mais do que ser leal à autoridade e cumpridor da lei.

Vivemos sob formas democráticas de governo. Isso impõe certas responsabilidades sobre os ombros dos cidadãos, sobre aqueles que gozam dos privilégios do voto. Os eleitores elegem os funcionários, aqueles que fazem, interpretam e executam as leis. O governo será, portanto, bom ou mau, dependendo do caráter, da sabedoria, da capacidade e da eficiência de seus funcionários. Para termos um bom governo, precisamos de bons funcionários, e, para termos bons funcionários, os eleitores devem cumprir seu dever. Precisam entrar na política, isto é, tomar parte ativa em todas as formas, processos e funções necessários para eleger, apoiar e sustentar bons funcionários.

O governo não pode ser deixado a políticos profissionais, para que se elejam a si mesmos e governem em seus interesses egoístas. Se isso fosse feito, o povo sofreria com leis injustas, administradas de forma injusta e opressiva. A experiência testifica abundantemente essa verdade.

CONHECEI A VERDADE E SEGUI-A

Ora, se um cidadão há de desempenhar bem a sua parte em assegurar um bom governo, ele precisa estar bem informado sobre as questões e problemas públicos. O Profeta Joseph Smith ensinou que o homem não pode ser salvo na ignorância e que a glória de Deus é a inteligência. Essas são doutrinas fundamentais entre nós. Portanto, para agradar a nosso Pai Celestial, devemos esforçar-nos continuamente pela sabedoria, pelo conhecimento, pela inteligência — devemos continuar crescendo em atributos semelhantes aos de Deus.

Podemos votar inteligente e sabiamente, a menos que estejamos informados sobre as questões e candidatos em jogo? Mas não exige a boa cidadania que votemos dessa maneira? Creio que sim. Devemos, então, fazer um estudo cuidadoso dessas questões, estudá-las com mente aberta e tão completa e profundamente quanto as circunstâncias permitirem. Para isso, não devemos estar presos a um espírito de partidarismo. Princípios e políticas devem nos guiar, e não políticos interesseiros. Devemos seguir a verdade, e não a propaganda enganosa.

Mas como conheceremos a verdade? Aprendendo todos os fatos pertinentes ao caso, interpretando-os com justiça, retidão e veracidade, e com um desejo sincero de sermos sábios e de agirmos pelo melhor bem de todos, ou ao menos da maioria. Então não estaremos longe da verdade. A boa cidadania exige que não nos deixemos arrastar de um ancoradouro seguro pela propaganda enganosa, fomentada por interesses egoístas.

PROPAGANDA ENGANOSA

Permitam-me ilustrar: Durante os últimos meses, e particularmente nas convenções de Chicago, em junho, dos partidos políticos nacionais, a questão do licor ocupou um lugar de destaque. Como vejo, isso foi resultado de uma campanha intensiva pela revogação da Décima Oitava Emenda à Constituição dos Estados Unidos. E, por vários anos, essa campanha vem ganhando força até atingir hoje proporções enormes. Que ela adquiriu o caráter de propaganda enganosa, devo crer. Vocês perguntam as razões pelas quais assim creio? Dar-lhes-ei algumas delas.

Certa noite, em maio passado, quando eu passava por Butte, Montana, li em um jornal vespertino que a chefe da divisão de Montana da organização feminina para a reforma nacional da lei seca "apelou às mulheres de Montana para que se unissem e apoiassem a organização em seus esforços para restaurar a lei e a ordem, para salvaguardar os lares e os laços familiares na nação por meio da revogação da lei seca. * * * Os objetivos diretos desta organização feminina," anunciou a líder estadual, "são o fechamento das tabernas clandestinas, a abolição das casas de bebida e estalagens; tirar o contrabandista do negócio, retirar os lucros do crime, e a restauração do respeito pela lei."

Todos esses são objetivos perfeitamente dignos, e sem dúvida todas as pessoas de bem os defenderão. Mas observem os meios pelos quais se propõe alcançá-los! Já ouviram falar de algo mais enganoso? No entanto, muitos aceitam essa propaganda, convencidos de que os objetivos e os meios estão tão logicamente ligados quanto a causa e o efeito no mundo natural. É claro que essa propaganda em particular leva em conta dois fatos. Primeiro, que as pessoas em geral são muito esquecidas, e, segundo, que milhões de eleitores na América ainda não haviam atingido a idade legal de votar quando a lei seca nacional entrou em vigor. Por observação e experiência pessoal, sabem pouco ou nada dos velhos tempos dos bares e dos males quase intoleráveis ligados e associados ao tráfico de bebidas alcoólicas. E as pessoas são esquecidas, muito esquecidas. Muitas das pessoas mais velhas que agora favorecem a revogação da Décima Oitava Emenda parecem ter esquecido as antigas condições e, sabendo que as condições atuais quanto ao consumo de bebidas alcoólicas não são tão boas quanto deveriam ser, parecem prontas a "pular da frigideira para o fogo" como resultado da propaganda pela revogação.

Entre outras coisas, diz-se que a revogação trará de volta a prosperidade, reduzirá o crime, acabará com a extorsão e fará muitas outras coisas bastante desejáveis. Pessoas experientes, bem como informadas, sabem que a revogação tornará todos esses assuntos piores, muito piores, em vez de melhores. Mas em tempos como estes, qualquer propaganda que prometa alívio dos males presentes parece, a muitos, como um caniço a um homem que se afoga — um apoio seguro ou um ancoradouro seguro. Assim, a condição dos tempos produz a própria atmosfera em que floresce a propaganda desenfreada de vários tipos.

MOTIVADOS PELO EGOÍSMO

Permitam-me dar outra ilustração da tendência dos tempos, a

de cada vez mais pessoas subirem nas costas financeiras do governo ou de alguma outra organização de apoio. Que o auxílio é, e tem sido, absolutamente necessário em milhares e milhões de casos, não temos razão para duvidar. Mas, em alguns casos, devemos crer que os pedidos de auxílio, ao menos na medida em que foram exigidos, eram injustos ou continham elementos de injustiça ou egoísmo. O tesouro federal tem sido o destino de inúmeras investidas inspiradas por motivos egoístas. E, agora mesmo, temos certeza de que o egoísmo não motiva, ao menos em parte, a quantidade de ajuda que está sendo solicitada ao tesouro federal? Mas são empréstimos, dizem vocês, e certamente ninguém tomará emprestado mais dinheiro do que realmente precisa. Bem, o auxílio prestado pelo governo federal no inverno passado, por meio da Cruz Vermelha, não era empréstimo. O egoísmo inspirou algum pedido individual desse auxílio?

Todos sabemos que muitas pessoas estão em dificuldades no momento presente porque tomaram empréstimos, ou ao menos tomaram mais do que realmente precisavam. Estarão algumas pessoas tentando tomar dinheiro federal emprestado hoje com suspeitas ou esperanças secretas de que os empréstimos jamais serão pagos? Serão os motivos para tomar empréstimos inteiramente bons?

Irmãos e irmãs, por muitos anos os Santos dos Últimos Dias foram advertidos, deste mesmo púlpito, contra contrair dívidas, e, se estivessem endividados, foram aconselhados a sair da dívida o quanto antes. Não será que muitos de nós agora sofremos por termos negligenciado esse conselho divinamente inspirado? Continuará algum Santo dos Últimos Dias na prática de tomar empréstimos, a não ser que seja realmente necessário?

BUSCANDO A AJUDA DO GOVERNO

Mas, para voltar ao nosso ponto — o de buscar ajuda do governo, seja ele local ou nacional. Essa busca, é claro, assume muitas formas. Que os governos, em tempos como estes (e, em certos casos, em todos os tempos), devem dar a ajuda necessária para impedir que o povo sofra pela falta do necessário à vida, isso eu não questiono de forma alguma, mas considero inteiramente apropriado. Eu disse que há muitas investidas sobre os tesouros públicos. Vocês acreditam nisso? Se sim, o que vão fazer a respeito? Clamamos: "reduzam as despesas, cortem os impostos." Sim, todos somos a favor de fazer exatamente essas coisas, exceto quando parece que fazê-las nos afetará adversamente. Então mudamos de posição. "Façam isso com os outros, mas não conosco," parece ser a nossa atitude. Muitos exemplos poderiam ser dados, mas o tempo não me permite fazê-lo. Vocês mesmos podem nomeá-los.

"Sovem os ricos" é um clamor popular, que apela às multidões que não refletem e que raramente param para analisá-lo do ponto de vista do certo e do errado, e para raciocinar quais seriam as consequências de tal política. Refiro-me a esse clamor como outra propaganda que um bom cidadão, e certamente um Santo dos Últimos Dias, deveria examinar cuidadosamente antes de aceitá-la ou ter qualquer relação com ela.

VIVEI IRREPREENSIVELMENTE DIANTE DO SENHOR

Nestes breves momentos, refiro-me apenas a algumas das propagandas com que o país está sendo inundado; e faço isso com o propósito de exortar a todos sobre quem eu possa ter influência a viver irrepreensivelmente diante do Senhor. Para isso, creio ser necessário que sejamos verdadeiros e leais aos nossos respectivos governos, bem como à Igreja de Cristo, da qual somos membros. A associação a cada uma dessas organizações traz deveres e obrigações. E, para desempenhá-los satisfatoriamente, para o nosso melhor bem, para o melhor bem de nossos semelhantes e de modo aceitável a Deus, não precisamos ser lúcidos, ponderados, estudiosos, bem informados, justos, retos, desprendidos, e ter em nosso coração amor tanto a Deus quanto ao homem?

NÃO PELA SABEDORIA DOS HOMENS

Vivemos em tempos críticos. Se jamais houve, em toda a minha vida, um período em que precisássemos orar, creio que é agora. Quem é sábio entre nós? Não está escrito que "a sabedoria dos seus sábios perecerá"? A respeito de que povo e de que época fez Isaías esta profecia? Não há sábio entre nós, a não ser que o Senhor o inspire. Não será a sabedoria dos homens que trará de volta a paz e a prosperidade a esta nação, mas a retidão do povo, seguindo a liderança de homens a quem o Senhor graciosamente inspirar. Todos vocês que ouvem estas palavras, por favor, não as esqueçam. E, assim, leiam de novo e de novo, eu lhes rogo, a mensagem que Deus deu a este povo e aos povos do mundo por meio de seus servos, a Presidência desta Igreja, em sua Saudação de Natal, publicada no Deseret News, em 19 de dezembro de 1931.

A todos os que ouvem minha voz e a quem estas palavras chegarem, permitam-me enviar um apelo para que procurem ser leais e verdadeiros para com o seu governo e vivam com retidão diante do Senhor. Que nosso Pai Celestial nos ajude a fazer estas coisas, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Merrill, “Nossa Responsabilidade como Cidadãos”, Conferência Geral de Outubro de 1932, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1932-10-07). Pulpit Vault, 1932-10-joseph-f-merrill-our-responsibility-as-citizens. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).