Pulpit

Uma Forma de Aliviar a Aflição

George F. Richards

Conferência Geral de Outubro de 1932·Sessão da Manhã do Segundo Dia·1932-10-08

Apreciamos vossa presença, meus irmãos e irmãs e amigos, nesta conferência. Damos-vos as boas-vindas. Agradecemos vossa presença e sentimos que precisamos de vossa fé e de vossa ajuda para considerarmos as grandes questões que nos confrontam como povo neste momento particular. Somos gratos pelo belo tempo que o Senhor nos deu para a realização de nossa conferência.

Lamentamos a ausência do Presidente Grant e do Élder Ballard, ambos submetidos recentemente a operações mais ou menos sérias, mas compreendemos que, pela bênção do Senhor, ambos estão bem encaminhados para a recuperação. Confiamos que as orações dos Santos continuarão a ser oferecidas em seu favor e que a misericórdia do Senhor lhes será estendida, para que logo estejam plenamente recuperados.

Uma Forma de Aliviar a Aflição

Penso que talvez algumas pessoas estejam se perguntando: o que será dito ou feito, durante a conferência, para aliviar a condição angustiante do povo neste tempo de depressão financeira. Já foram feitas algumas referências a essas condições e já se deram alguns conselhos e orientações importantes.

Gostaria de contribuir com algo para a solução desta grande questão: o que pode ser feito para ajudar? Lembro-me de que, no discurso do Presidente Ivins na primeira sessão desta conferência, ontem de manhã, ele relatou um aumento na obra que está sendo realizada nos templos, e isso me fez lembrar de uma conversa que tive com um irmão há alguns dias, quando o encontrei na rua. Ele é um homem mais ou menos da minha idade, a quem conheço desde que éramos meninos juntos. Ele mora aqui em Salt Lake e é um homem trabalhador. Ele se dispôs a dizer que, na última conferência, fomos lembrados de que havia muitíssimas pessoas desempregadas; que os templos poderiam acomodar muito mais pessoas do que as que estavam frequentando ali as sessões de ordenanças; que os membros da Igreja que tinham emprego, e que tinham trabalho a ser feito nos templos, fariam bem em empregar alguns desses fiéis membros desempregados da Igreja para trabalharem por eles no templo. Disse que sentiu que essa instrução havia sido dada para ele, e começou a gastar cerca de $5,00 por mês de seus escassos ganhos, e que, até o presente momento, havia gasto cerca de $75,00 com isso.

Enquanto o Presidente Ivins mencionava ontem o aumento na frequência aos templos, perguntei-me até que ponto aquele conselho dado há seis meses havia afetado os Santos dos Últimos Dias, como afetara este bom irmão a quem me refiro, e até que ponto essa ação por parte dos Santos é responsável pelo aumento da obra que está sendo realizada.

Para vossa informação, a fim de ser mais preciso quanto ao aumento da obra do templo, direi que, durante os primeiros seis meses deste ano, a obra de investidura realizada no Templo de Salt Lake excedeu a do mesmo período do ano passado em 22.956 investiduras. O aumento no número de batismos realizados no mesmo período foi de 20.330. Tenho certeza de que isso será um verdadeiro espanto para muitos dos Santos dos Últimos Dias, especialmente aqueles que não são eles mesmos ativos na realização desta obra.

O conselho dado há seis meses é tão aplicável hoje quanto o era então, e espero que, desta maneira, procuremos aliviar a aflição de alguns de nossos irmãos e irmãs, empregando-os para fazer por nós este tipo de trabalho. Essa é uma forma de ajudar tanto os vivos quanto os mortos, e é religião pura.

Por Falha em Observar o Conselho

Há diferentes classes de infortúnio que têm sobrevindo ao nosso povo no que chamamos de depressão financeira. Há uma classe de pessoas que dependem de outros para o emprego. Elas têm tido o hábito de viver de acordo com sua renda, ou um pouco além dela. Agora estão desempregadas por causa desta condição de depressão, e estão desamparadas e sem recursos, muitas delas sem lar próprio.

Temos sido aconselhados e orientados pelas Autoridades desta Igreja, desde o princípio, a procurar viver dentro de nossos meios e guardar algo para um dia de chuva, um tempo de doença ou outras emergências que possam surgir. Se este conselho e orientação tivessem sido plenamente observados pelos membros da Igreja, grande parte da aflição de hoje teria sido evitada.

Há outra classe de pessoas que, alguns anos atrás, prosperavam, tendo grande demanda, a bons preços, por seus produtos, e compraram mais terra a fim de ganhar mais dinheiro, talvez para comprar ainda mais terra. De qualquer forma, muitos de nossos irmãos foram atraídos à compra de fazendas, ranchos e gado que não estavam preparados para pagar. A fim de fazer o que chamariam de uma boa compra, muitos deles hipotecaram sua casa e sua fazenda, que até então estavam livres de ônus e lhes rendiam bom retorno, para levantar o dinheiro com que fazer o primeiro pagamento de

terras ou gado adicionais. Os tempos não continuaram como haviam sido. Os produtos não estavam trazendo os preços que antes traziam. Em alguns casos houve escassez de água e falta de colheitas, e muitas dessas pessoas ficaram sem saber como cumprir essas obrigações, tendo sua casa e sua fazenda hipotecadas, e a fazenda ou o gado adicionais também hipotecados. Alguns lutaram e foram até o limite de seus recursos num esforço para fazer esses pagamentos, e então, finalmente, descobriram que não conseguiam cumprir suas obrigações, e perderam sua casa, sua fazenda e a propriedade anexada.

Isso representa uma classe, e eles são numerosos entre nós como Santos dos Últimos Dias. Esta condição poderia ter sido evitada se o conselho e a orientação das Autoridades desta Igreja, a quem sustentamos por nosso voto como profetas, videntes e reveladores, tivessem sido seguidos. Eles têm aconselhado e orientado que não nos endividemos; que evitemos a especulação com dinheiro emprestado. Podemos agora ver a sabedoria daquele conselho e daquela orientação.

Há outra classe de pessoas que, pensando em enriquecer rapidamente, especularam em ações, em campos petrolíferos, em filmes cinematográficos, em minas de sonho, e em muitas outras ações e empreendimentos fraudulentos contra os quais foram advertidas, e isso para sua própria tristeza.

O Senhor disse: "Seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo." Esses homens são sustentados, por nosso voto, como profetas de Deus, e, como tais, faríamos bem em seguir seu conselho e sua orientação. Se assim tivéssemos feito como povo, grande parte da aflição que vemos ao nosso redor teria sido evitada.

De um Pequeno Começo

O Senhor, numa revelação ao Profeta Joseph, conhecida como a Seção 64 de Doutrina e Convênios, diz o seguinte:

"Portanto, não vos canseis de fazer o bem, porque estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande."

A interpretação de Daniel para o sonho de Nabucodonosor, conforme o Senhor a deu a ele, foi de que, nos últimos dias — essa expressão é usada —, nos dias de certos reis, o Deus do céu também estabeleceria um reino que jamais seria derrubado nem entregue a outro povo. Foi comparado a uma pedra cortada do monte sem auxílio de mãos, que rolaria até encher toda a terra.

Esta Igreja e o Evangelho constituem o mormonismo, a maior coisa deste mundo, mas teve um começo muito pequeno. Lemos em Atos dos Apóstolos, onde Pedro, dirigindo-se àqueles judeus que foram, suponho, responsáveis pela morte do Salvador, disse:

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, quando vierem os tempos de refrigério pela presença do Senhor;

"E ele enviar Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado: o qual convém que o céu contenha até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio do mundo."

Tudo o que diz respeito a esta Igreja e ao Evangelho é uma restauração.

Jejum e Ofertas Estreitamente Associados

Desejo chamar vossa atenção, irmãos e irmãs, para os dízimos e as ofertas de jejum. O jejum e as ofertas têm estado sempre estreitamente associados. Ler-vos-ei algumas palavras de Isaías sobre este assunto. Ele passa a dizer que o jejum do povo não era aceitável, e diz por quê. Então ele diz:

"Porventura não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as cordas do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e despedaces todo o jugo?

"Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados, e vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?

"Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda.

"Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui."

As ofertas, segundo Isaías, são naturalmente parte do jejum, e ajudam a tornar o jejum aceitável ao Senhor. Devemos gravar bem isso em nossa mente. Malaquias associa as ofertas com os dízimos da seguinte forma (Malaquias, capítulo terceiro):

"Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.

"Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; retornai a mim, e eu retornarei a vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de retornar?

"Roubará o homem a Deus? Porque vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.

"Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, sim, toda a nação.

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, até que não haja mais lugar para a recolherdes."

Jejum e Ofertas Estabelecidos

Dízimos, ofertas e jejum — uma restauração nestes dias. O que isso significa? No início do surgimento desta Igreja, foi estabelecido, como uma restauração, este princípio de jejuar e dar ofertas para os pobres. Um dia de cada mês foi separado. Pedia-se aos membros da Igreja que se abstivessem de comer duas das três refeições a que estão habituados, e que dessem o valor do que economizariam com o jejum, para o sustento dos pobres. Se tivéssemos observado isso plena e fielmente, irmãos e irmãs, teria havido, na Igreja, apenas com esse fundo, o suficiente para cuidar de todos os que precisam de assistência.

Se Estritamente Observado

Vejamos apenas por um momento. A população desta Igreja está próxima de 700.000; digamos 600.000. Se todos os

membros da Igreja tivessem observado plena e fielmente este conselho e orientação desde o princípio, vede o que isso significaria. Calculando o valor médio de uma refeição em quinze centavos, duas refeições por dia, trinta centavos; para 600.000 pessoas, $180.000,00 por mês. Pensai nisso! Ou $2.160.000,00 por ano! Nem sempre fomos tão numerosos quanto somos agora, mas se tivéssemos observado essa única obrigação, todos os pobres teriam sido amparados, e teria havido um excedente acumulado para um tempo de emergência como o que estamos vivendo hoje. É uma pequena coisa da qual viriam grandes coisas, se estivéssemos fazendo nossa parte. O Senhor planejou tudo corretamente; a falha está de nossa parte.

Uma Obrigação para Todos

Assim, a partir de agora, irmãos e irmãs, observemos o jejum e as ofertas. Reconheço que, em muitas das alas e estacas, há muito poucos que precisam de ajuda. De fato, um boletim emitido pelo escritório do Bispado Presidente em 30 de junho deste ano informa que setenta e cinco das cento e quatro estacas estão amparando seus pobres com as ofertas. Isso é muito louvável, mas, em muitas dessas estacas, pouco é necessário para fazê-lo.

Instruções foram emitidas pelo escritório do Bispado Presidente, respaldadas pela Primeira Presidência, pedindo aos bispos, nas alas em que as ofertas não são necessárias para os pobres, que encaminhem essas ofertas ao escritório do Bispado Presidente. Suponho que, em muitas das alas onde há muito poucos pobres, ou nenhum, as pessoas tenham sentido que não precisavam dar suas ofertas; talvez não tenham compreendido o plano de que o excedente das ofertas da ala deve ser enviado ao escritório do Bispado Presidente para distribuição entre os membros da Igreja que estão em necessidade. Estou disposto a não culpar o povo por isso. Talvez os bispos não tenham percebido todo o significado deste conselho e não tenham enfatizado, entre seu povo, a importância de pagar suas ofertas. Os bispos deveriam ser mais persistentes em ensinar o povo, e o povo mais cuidadoso em observar esta instrução.

O Bispado Presidente e a Presidência da Igreja têm instruído os bispos de que, onde as ofertas não são suficientes para amparar os pobres, eles têm a liberdade de fazer requisição ao Bispado Presidente para o privilégio de usar parte do dízimo para essa finalidade. Sem dúvida vos surpreenderá, irmãos e irmãs, quando eu vos disser que, no ano passado, segundo os relatórios, $224.556,38 foram retirados dos dízimos da Igreja para fins de caridade. É importante, então, que observemos nosso jejum e nossas ofertas, o que teria evitado qualquer recurso ao fundo do dízimo para ajuda?

Quanto ao Dízimo

Foi relatado aqui pelo Presidente Ivins, ontem, que a Igreja está livre de dívidas. Isso não significa que não haja emergência e que possamos afrouxar no pagamento de nossos dízimos, irmãos e irmãs. Os dízimos estão diminuindo por causa das condições financeiras adversas em geral e da pobreza do povo. Não pedimos àqueles que têm sido e são dizimistas integrais que paguem mais do que um décimo de seus juros e rendimentos. Quando o tiverem feito, terão cumprido plenamente seu dever, no que diz respeito ao dízimo. Mas pedimos que continuem a pagar seu dízimo como antes; e que aqueles que só pagaram dízimo parcial paguem seu dízimo integralmente; e que aqueles que não pagaram dízimo algum se arrependam e paguem seus dízimos ao Senhor. Se quisermos obter uma exaltação no reino de Deus, devemos observar e guardar todas as leis de Deus, e isso inclui a lei do dízimo.

Cumpridores da Palavra

Há muitos entre nós, temo, que são da classe que o Apóstolo Tiago tinha em mente quando disse:

"E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos."

Sinto, irmãos e irmãs, que nós, como povo, precisamos ser impressionados com a necessidade de fazer tão bem quanto sabemos, talvez mais do que precisamos ser ensinados sobre o que devemos fazer. Somos um povo bem instruído e, via de regra, se fizéssemos tão bem quanto sabemos, tudo estaria bem com Sião.

Esta é uma obra grande e gloriosa. O Senhor disse ao Profeta Joseph: "Estou prestes a realizar uma grande e maravilhosa obra." É grande. É maravilhosa. É um prodígio. E, no entanto, irmãos e irmãs, seria muito mais maravilhosa e muito mais prodigiosa se estivéssemos vivendo de acordo com os padrões da Igreja e do Evangelho, e com os ensinamentos que nos são dados pelos líderes desta Igreja. Ao fazê-lo, glorificaríamos os nomes de nosso Pai e de seu Filho, nosso Redentor.

Há, portanto, muito que podemos fazer para ajudar a aliviar a aflição e o sofrimento que existem hoje entre o povo. Deus, graciosamente, fez provisão em sua Igreja para toda condição que possa surgir. Cabe a nós realizar seus propósitos de acordo com seu planejamento; então pereceria a sabedoria dos sábios, e o entendimento dos prudentes se esconderia, à luz da realização desta, a obra de Deus.

Que ele nos ajude a fazer nossa parte fiel e bem, oro, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoGeorge F. Richards, “Uma Forma de Aliviar a Aflição”, Conferência Geral de Outubro de 1932, Sessão da Manhã do Segundo Dia (1932-10-08). Pulpit Vault, 1932-10-george-f-richards-one-way-of-relieving-distress. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).