Responsabilidade da Liderança
Anthony W. Ivins
Esta é a última sessão, meus irmãos e irmãs, da conferência. Fui lembrado da escritura que estou prestes a citar. ¶
Já se passaram mais de 2.000 anos desde que o Senhor chamou o profeta Ezequiel, filho de Buzi, ordenando-lhe que fosse proclamar sua palavra à casa de Israel. O povo de Israel havia se afastado da fé no Deus de seus pais e se voltado para a adoração de ídolos. Ezequiel, em obediência aos mandamentos do Senhor, saiu ao encontro do povo que habitava junto ao rio Quebar e permaneceu com eles sete dias. Ficou espantado com a maldade e a idolatria deles, e hesitou, relutante em entregar a mensagem que o Senhor lhe havia ordenado que lhes levasse. ¶
Ezequiel Repreendido
Ao final daquele tempo, o Senhor o repreendeu e lhe disse: ¶
"A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lha anunciarás da minha parte. ¶
"Dizendo eu, pois, ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não lhe falares, para dissuadir o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, porém o seu sangue eu o demandarei da tua mão. ¶
"Mas, quando tu tiveres dissuadido o ímpio do seu caminho, para que se converta dele, e ele não se converter do seu caminho, ele morrerá na sua iniquidade; porém tu livraste a tua alma." ¶
Responsabilidade da Liderança
Tenho lido frequentemente estas palavras do profeta e me perguntado: Qual é a sua aplicação para vós? Qual é a responsabilidade que recai sobre vós na função que ocupais na Igreja e na nação? A resposta tem sido sempre a mesma. É esta: que, qualquer que seja a minha profissão, seja como cidadão do governo ao qual dei minha lealdade, seja como membro da Igreja à qual sou filiado, torna-se meu dever engrandecer em minha vida, e ensinar outros a fazê-lo, os ideais pelos quais meu país se ergue, e o credo que minha Igreja ensina. Se eu falhar nisso e desviar outros da lealdade ao seu país ou da devoção às verdades da religião, assumo a responsabilidade de ser não apenas um violador das leis feitas para a proteção e o bem-estar temporal dos cidadãos, mas também da lei de Deus, que nos foi dada para a salvação de nossas almas. ¶
Isso impõe sobre mim, se bem o compreendo, e sobre toda outra pessoa que assume a responsabilidade de liderança, seja na Igreja ou no estado, uma tremenda responsabilidade, uma responsabilidade que sempre sinto quando me ponho diante de uma congregação de meus irmãos e irmãs, como faço agora, em ocasiões deste tipo, e sempre sinto a necessidade de depender do Senhor e de vós, meus irmãos e irmãs, para obter ajuda. ¶
Uma Mudança Maravilhosa
Esta é uma congregação de pessoas composta quase exclusivamente por membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comumente conhecidos no mundo como mórmons. Estamos aqui num edifício conhecido em todo o mundo como o Tabernáculo Mórmon. Estamos ouvindo um órgão cujos tons se tornaram conhecidos em todo o mundo. Estamos aqui num ambiente de flores, de árvores, com beleza e paz ao nosso redor. Lembro-me de uma época em que este quarteirão de terra sobre o qual estes edifícios se erguem, onde estas árvores crescem, estas flores desabrocham, era um terreno baldio. Brinquei neste quarteirão quando não havia nele nem um arbusto nem um fio de grama. Era uma parte cascalhenta do leito do Riacho da Cidade (City Creek). Vi-o crescer daquele tempo até agora. Conheci os homens que o construíram. Estamos agora numa cidade que chamamos de Salt Lake, num estado que chamamos de Utah, hoje um dos 48 estados da confederação que constitui os Estados Unidos da América. Apenas ontem não havia tabernáculo, não havia flores, não havia cidade de Salt Lake, não havia estado de Utah; e voltando um pouco mais atrás, apenas ontem, conforme o tempo marca seus momentos, e horas, e dias, e anos, e eras, não havia governo dos Estados Unidos da América. ¶
Os Pioneiros Mórmons
O que foi que trouxe isto? Por que esta grande congregação de homens e mulheres está reunida aqui esta tarde? Homens e mulheres, em sua maioria, anglo-saxões, pessoas cujos antepassados, muitos deles, lançaram ou ajudaram a lançar o alicerce sobre o qual nosso governo se apoia. Conheci esses homens e mulheres como talvez poucos homens hoje vivos os conheceram. Este pioneiro mórmon — eu conhecia sua fé, conhecia sua diligência, conhecia sua integridade, conhecia sua devoção ao governo do qual fazia parte, pois ele acreditava que era um governo dado por Deus. Ele sabia que não fora apenas a obra de homens que o trouxera a esta terra de aspecto inóspito, ainda que, em sua aspereza e aridez, grandiosa além da compreensão. E assim ele trabalhou arduamente. Quando as dificuldades o confrontavam, ele orava ao Senhor pedindo luz e força, e então saía e fazia aquilo que dele se requeria. Profundamente religioso, ele mantinha respeito reverente pela religião de outros homens. Ele sabia que outras pessoas encontravam a Deus em templos feitos por mãos humanas, assim como ele o encontrava aqui, sob as estrelas, onde adorava naqueles primeiros dias. ¶
Penso nesses homens, penso em sua capacidade de estadistas. Eram iguais a quaisquer outros de seu tempo, intelectual e educacionalmente, em grande parte homens que vinham dos estados da Nova Inglaterra de nossa república, descendentes dos Peregrinos que o Senhor trouxe até lá, e foi Ele quem os trouxe até aqui. Eles sabiam disso. ¶
Destino Predito
Não vou tomar tempo para voltar e provar-vos a verdade das observações do élder Talmage de ontem. Esta terra em que vivemos foi declarada pelos profetas, milhares de anos atrás, como tendo sido dada por Deus, nosso Pai, ao povo do convênio de Israel. A vinda de Colombo não foi coisa do acaso. Os profetas predisseram sua vinda eras atrás. Ele veio para cá sob a inspiração, o impulso, talvez desconhecido para ele mesmo, do Espírito do Senhor, assim como somos levados a fazer muitas coisas sem sabermos exatamente o motivo, para a realização de um propósito divino — o estabelecimento, nesta terra, de um governo ao qual os oprimidos de todas as nações viessem em busca de refúgio, de liberdade. Ele declarou que nenhum rei jamais reinaria aqui, séculos antes de Colombo zarpar do porto da Espanha. Ele contou a história desta terra, seu passado, seu presente, e declarou seu destino futuro, com a mesma precisão com que declarou sua história passada. ¶
Qual é esse destino? É que este nosso governo há de persistir; há de continuar; jamais será derrubado; nenhum inimigo que se levante contra ele jamais triunfará — sob esta única condição: que o povo a quem o Senhor deu estas bênçãos abundantes; estes milagres que vieram à terra durante minha vida; este povo que cresceu de um começo extremamente pequeno até se tornar o mais rico, talvez o de maior influência — creio estar justificado em dizê-lo — que existe no mundo — sob a condição de que sirvam ao Senhor da terra, que é Jesus Cristo. ¶
Deus, o Autor Disso
Onde muito é dado, muito se espera. Esta terra, para Deus, nosso Pai, é uma terra escolhida, dedicada, como já disse, ao princípio da liberdade e do livre-arbítrio, não da licenciosidade. ¶
Nossos pais, sob a inspiração dEle, nos deram a constituição de nosso país, a declaração de direitos que define nossos privilégios e estabelece limitações além das quais não podemos ir. A liberdade, quando levada ao extremo, resulta em licenciosidade. Quero impressionar sobre esta congregação, meus irmãos e irmãs aqui presentes, que o Senhor nosso Deus foi o autor de tudo isso. Foi ele quem vos conduziu de vossas terras natais. Vós, povo dos campos verdes e das veredas da Inglaterra, não deixastes vossos lares porque não amáveis vossa terra natal. Havíeis lutado por ela, defendido-a, e estáveis prontos a lutar por ela novamente. Vós, povo da Escócia, vós, povo da Irlanda e do País de Gales, da Alemanha e das ilhas do mar, ah, se eu apenas tivesse tempo para voltar e vos contar, eu poderia mostrar-vos que toda a história de vossas vidas foi escrita pelo dedo de Deus. ¶
Assim, estamos aqui; aqui, graças ao Senhor, cidadãos do melhor governo do mundo. Estamos aqui, membros da Igreja de Cristo nosso Senhor, que foi restaurada por meio de mensageiros celestiais que tinham autoridade para dar aos homens na terra as chaves do santo sacerdócio. Para quê? Para a redenção da família humana. Quer os homens acreditem ou não, essas coisas são verdadeiras, e, por fim, eles acreditarão, e não há poder, nem na terra nem no inferno, que possa deter o progresso da Igreja, a menos que seu povo se mostre infiel aos convênios que fez com nosso Pai que está nos céus. Da mesma forma, não há poder que possa destruir o governo que Deus estabeleceu nesta terra, a menos que seja o próprio povo, e isso eu não espero nem acredito que possa ocorrer. ¶
Pelo Espírito do Senhor
O Senhor, em sua escritura, nos diz que ninguém pode vir a esta terra a menos que seja trazido ou dirigido pelo Espírito do Senhor, e assim ele trouxe este povo para cá. Ele trouxe a fé dos devotos puritanos da Nova Inglaterra; trouxe o patriotismo dos holandeses em Nova York; trouxe a galhardia dos cavaleiros da Virgínia; a energia despreocupada dos franceses de Nova Orleans. Exatamente o tipo de corpo composto de homens para estabelecer um governo que não pudesse ser dominado por nenhuma raça ou língua em particular, mas que fosse composto, para que todos os homens pudessem ser nele acolhidos, viver sob ele e usufruir de seus privilégios. ¶
O Exército Ameaça
E assim o governo tem lutado para seguir adiante. Desde o início, o navio do estado esteve, por vezes, num mar tempestuoso. Com a dispensa do exército após a rendição de Lord Cornwallis em Yorktown, os soldados foram desmobilizados. Não havia dinheiro para pagá-los. Estavam em revolta aberta. Generais do exército acusaram Washington de ser o autor de todos os seus problemas. Teriam feito dele um rei e desconsiderado a confederação de estados que formava a União. Ameaçaram marchar contra o Congresso, que estava reunido na Filadélfia, e tornou-se necessário transferi-lo para Princeton. ¶
Agora, permiti-me ler algo que quero que ouçais. Enquanto esses homens estavam reunidos em conclave secreto, Washington entrou inesperadamente na sala em que estavam sentados. Fiske diz: "Washington entrou repentinamente na reunião e, em meio a um silêncio profundo, irrompeu num discurso da mais eloquente e profunda espécie. Todos foram silenciados por aquela presença majestosa e aquele tom solene. Ele suplicou por tolerância, por paciência, por confiança no governo recém-nascido, que, ao final, lhes pagaria aquilo que lhes devia. Escutaram; os soldados escutaram, hesitaram e cederam à presença irresistível do homem que, mais do que qualquer outro, havia tornado possível o estabelecimento da nação." ¶
Reverencio este homem. Para mim, ele tem sido um homem de destino, um profeta, se é que já tivemos um. Leio frequentemente seu último discurso ao povo americano. É um tesouro de sabedoria, de profecia, de filosofia política. ¶
Situações Perplexas
Nosso governo encontra-se agora numa condição muito semelhante à daquele tempo primitivo. Exigem-se dele demandas extremamente difíceis de atender. Os soldados de nosso país estão num humor desagradável porque seus pedidos não são atendidos. Os recursos do país não são suficientes para atender às exigências que lhe são feitas, apesar do grande aumento de impostos recentemente arrecadado. Os quadros de avisos, enquanto esta conferência está em sessão, anunciaram que o orçamento do governo ainda está quinhentos milhões de dólares abaixo do equilíbrio. Qual será o resultado? Não sei; não quero assumir a responsabilidade de indicá-lo, mas sei que há algumas coisas que ajudarão. Sei que o élder Richards, esta tarde, vos declarou em termos claros algumas das coisas que precisam ser realizadas. Há cerca de dez bilhões de dólares em ouro no mundo. Nossa dívida nacional é de vinte bilhões de dólares. Qual seja a dívida das outras nações do mundo, não sei; não tomei tempo para apurá-lo, mas isto eu sei: que a Guerra Mundial custou cerca de duzentos bilhões de dólares, e isso não leva em conta a quantia paga pela restauração de propriedades destruídas, nem leva em conta o fato de que, segundo creio, quase dez milhões de homens, se me lembro corretamente dos números, foram mortos ou incapacitados permanentemente e retirados das forças que geram as indústrias do mundo. Assim, ao todo, calculo que pelo menos duzentos e cinquenta bilhões de dólares foi o custo daquela grande guerra. Será a dívida algum dia paga? Nunca será. Isso é evidente. Parte dela talvez sim, não sei. Ninguém negará o fato de que o governo, no momento, se encontra diante de situações perplexas, questões de grande importância. Como hão de ser resolvidas, os homens parecem não saber, e eu não sei. Uma coisa, porém, sei: que o povo americano é capaz de resolver esses problemas, se a voz do povo pudesse ser ouvida. Tenho fé na alma deste povo americano que Deus trouxe a esta terra. Ele disse, e estou apenas repetindo suas palavras, que a nação há de persistir, que será capaz de enfrentar qualquer emergência que surgir, se apenas, como já afirmei, tiver fé no Deus da terra, que é Jesus Cristo. ¶
Desrespeito pela Lei
Parece-me que três coisas são mais responsáveis do que qualquer outra por nossa condição atual. A primeira é a inclinação incomum, por parte de muitos cidadãos de nosso país, de desconsiderar a obrigação de obedecer à lei civil. Não preciso citar estas notas que tenho aqui para vos mostrar que, na opinião dos melhores pensadores de nosso país, paira o caos sobre ele, a menos que algo seja feito para conter o crime e a violação aberta da lei que existe hoje nos Estados Unidos. Criminosos sentam-se em júris onde seus próprios amigos estão sendo julgados, enquanto homens de negócios e outros que deveriam estar ali recusam ou evitam tal serviço. Assassinatos são cometidos à luz do dia. Assassinos e ladrões são libertados da prisão ou dos tribunais por habeas corpus muitas vezes antes de o prisioneiro sequer chegar diante da barra da justiça. A desordem está em toda cidade da terra. Homens perversos saem na escuridão da noite como animais de rapina, aqui mesmo em nossa própria cidade, buscando a quem possam devorar, caçando os inocentes e desprotegidos. Os oficiais da lei fazem o melhor que podem para impedi-lo. Nós, que somos cidadãos, damos atenção insuficiente a isso e lhes oferecemos apoio insuficiente. Enquanto homens proeminentes de nossa nação — banqueiros, comerciantes, homens de negócios, congressistas e legisladores — desrespeitarem eles mesmos a lei, como podem esperar que essa condição seja superada? Exagero ao dizer que homens indignos são eleitos para cargos, homens que jamais deveriam ter sido escolhidos? Todo homem que vai para o Congresso dos Estados Unidos levanta a mão e faz um convênio com Deus de que obedecerá à Constituição de nosso país, e depois, frequentemente, sai e a viola. Isso se aplica aos homens enviados à nossa legislatura. Eles fazem esse convênio e depois o desconsideram. Sei como me sentiria se fizesse algo desse tipo. Saberia que era um perjuro e esperaria ser destituído e mandado de volta para onde pertencia. Algum método desse tipo terá de ser adotado antes que nossa faxina esteja completa. ¶
Desrespeito pela Religião e Busca de Riqueza
Para concluir, permiti-me ler algumas citações que fiz deste homem a quem chamamos de pai de nosso país. Eu disse que três coisas eram responsáveis por este espírito de desordem. Outra delas é o desrespeito pela religião que, gradual mas seguramente, vem se manifestando entre o povo. Já se disse o bastante nesta conferência para vos convencer de que esta não é uma afirmação vazia que faço. Estas folhas que tenho diante de mim estão cobertas de estatísticas que corroboram a verdade do que digo. A próxima coisa a evitar é a busca desenfreada e desmedida por riqueza que tem caracterizado o povo dos Estados Unidos desde o término da Guerra Mundial. Suponho que criamos mais milionários — o Senador Smoot saberá dizer se estou afirmando isso corretamente ou não — suponho que criamos mais milionários nos Estados Unidos desde a guerra do que talvez existissem, no total, antes dela (o Senador Smoot confirmou esta afirmação). O que isso significa? Significa que, sempre que se multiplicam milionários, tribulação vem sobre alguém, e, à medida que este desejo egoísta de acumulação de riqueza avançou entre certas pessoas e em certas regiões, outras pessoas foram ficando cada vez mais pobres, até finalmente chegarmos à crise em que hoje nos encontramos. ¶
Cita Washington
Washington, neste discurso ao qual me referi, e desejo que todo membro da Igreja o lesse — não apenas o lesse, mas o fizesse parte da regra que governa sua vida — diz: ¶
"De todas as disposições e hábitos que conduzem à prosperidade política, a religião e a moralidade são apoios indispensáveis. Em vão reivindicaria o tributo do patriotismo aquele homem que trabalhasse para subverter estes grandes pilares da felicidade humana, estes firmes esteios dos deveres dos homens e dos cidadãos. O simples político, tanto quanto o homem piedoso, deveria respeitá-los e estimá-los. Um volume não poderia traçar todas as suas ligações com a felicidade privada e pública. Que simplesmente se pergunte" — e eu vo-lo pergunto — "onde está a segurança para a propriedade, para a reputação, para a vida, se o senso de obrigação religiosa abandonar os juramentos que são os instrumentos de investigação nos tribunais de justiça? E permita-nos, com cautela, considerar a suposição de que a moralidade possa ser mantida sem a religião. Seja qual for a concessão que se faça à influência de uma educação refinada sobre mentes de estrutura peculiar, tanto a razão quanto a experiência nos proíbem de esperar que a moralidade nacional possa prevalecer com exclusão do princípio religioso." ¶
Outro princípio básico: "A base de nossos sistemas políticos é o direito do povo de fazer e alterar sua constituição ou governo. Mas a constituição que a qualquer momento existe, até que seja mudada por um ato explícito do povo, é sagradamente obrigatória para todos. A própria ideia do poder e do direito do povo de estabelecer o governo pressupõe o dever de todo indivíduo de obedecer ao governo estabelecido. ¶
"Todos os obstáculos à execução das leis, todas as combinações e associações, sob qualquer caráter plausível, com o real propósito de dirigir, controlar, contrariar ou intimidar a deliberação e a ação regulares das autoridades constituídas, são destrutivos deste princípio fundamental e de tendência fatal. Servem para organizar facções, para lhes dar uma força artificial e extraordinária; para colocar, no lugar da vontade delegada da nação, a vontade de um partido, muitas vezes uma pequena, mas astuta e empreendedora minoria da comunidade; e, conforme os triunfos alternados de diferentes partidos, para fazer da administração pública o espelho de projetos mal concertados e incongruentes de facção, em vez do órgão de planos consistentes e salutares, digeridos por conselhos comuns e modificados por interesses mútuos." ¶
Responsabilidade da Cidadania
Vou fazer-vos esta pergunta, e fazê-la com franqueza, porque me parece vital, e, se aqui de pé eu expressar um pensamento errado, mas ainda assim crendo-o solenemente correto, então terei me justificado como Ezequiel se justificou quando foi à casa de Israel. Pergunto a mim mesmo: Não há alguma responsabilidade que recaia sobre a cidadania dos Estados Unidos por causa da indiferença que manifestaram, particularmente durante a última década, com relação àqueles que devem representá-los no Congresso de nossa nação, nas legislaturas de nossos estados e nas diretorias dos municípios desses estados e condados? ¶
Creio que vou dizê-lo — creio que, em muitos casos, nos tornamos tão habituados e tão comprometidos com o domínio partidário, com os arranjos feitos por políticos profissionais, independentemente da voz e do desejo reais do povo, que sentimos ser nosso dever segui-los, estejam certos ou errados. Apenas uma palavra de solene advertência: digo-vos, independentemente da política partidária, independentemente de vossas filiações passadas, neste tempo de extrema necessidade — e é um tempo de extrema necessidade —, cuidai para que homens honestos, homens sábios, homens capazes sejam enviados para vos representar nas organizações do país, os órgãos que formulam nossas leis e nomeiam os homens que as administram. Sabeis que a constituição dos Estados Unidos concede ao Congresso certos privilégios e direitos. Há certos outros privilégios e direitos sagrados que ela não lhes confere e que não deveriam ter permissão de ultrapassar. Eles formulam e aprovam as leis que governam nossas vidas, controlam nossa propriedade, proclamam paz ou guerra. A administração dessas leis que aprovam é limitada. A administração cabe aos órgãos administrativos. ¶
Teme um Governo Paternalista
Temo isto: que, nas condições atuais, estamos gradualmente indo à deriva rumo a um governo paternalista, um governo que se entrincheirará de tal forma que o povo se tornará impotente para desfazê-lo, no qual as vidas e a liberdade do povo em geral poderão ficar em risco. Estão despejando milhões de dólares, neste tempo de necessidade, em fontes para o benefício do povo, e isso é um grande benefício e talvez uma salvação, mas isso vai resultar nisto — vou fazer esta afirmação — que, se a política atual continuar, não demorará até que o governo esteja no ramo bancário, esteja no ramo agrícola, esteja no ramo do gado e das ovelhas, pois muitas dessas dívidas jamais serão pagas. Isso significará a nomeação de inúmeras agências. O governo agora está sobrecarregado de comissões e agências, algumas delas administrando as próprias leis que o Congresso decretou. Outra pessoa deveria estar administrando essas leis. Se quiserdes salvar-vos da servidão da dívida e das influências políticas que não são de vossa própria escolha, peço-vos que penseis no que disse. ¶
Legisladores dos Primeiros Dias
Ah, lembro-me daqueles velhos corpos legislativos que se reuniam em Utah. Conheci os homens que os compunham. Eram homens de fé, homens que me ensinaram a fé num Deus vivo, que ele é o mesmo bondoso Pai Celestial que sempre foi e que vigiará e abençoará o povo justo onde quer que esteja. Ensinaram-me a obediência às leis de meu país. Ensinaram-me o patriotismo por meu país e por este governo do qual estou falando; que ele me era mais caro do que a própria vida; que deveria ser defendido; que deveria ser protegido, não apenas dos inimigos de fora, mas dos inimigos de dentro. Estes são os mais perigosos de todos os inimigos. E jamais houve um momento em minha vida em que eu não estivesse pronto a dar-lhe essa proteção. Estou pronto agora, com a idade que tenho, e sempre estive, não apenas para dizer a coisa, mas para fazê-la. Não me deixarei atropelar pelo elemento desordeiro que agora busca tomar o controle deste país. ¶
Dá uma Bênção
Que Deus vos abençoe, meus irmãos e irmãs, que vos conserve no caminho da retidão, que vos conserve fiéis à Igreja, ao estado e uns aos outros, e algum meio virá pelo qual poderemos pagar essas dívidas e nos aliviarmos. Talvez sejamos nivelados por baixo antes disso, e não sei se isso não seria bom. Todos ficaríamos muito parecidos. O profeta Isaías nos diz que será "assim como for o povo, assim será o sacerdote; como o servo, assim o seu senhor; como o comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura." E estamos nos aproximando dessa condição agora. Não sei quem está pior hoje, o banqueiro que empresta dinheiro, ou a pessoa a quem ele empresta. ¶
Que Deus vos abençoe é minha humilde oração, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶