Cumprindo Nossa Responsabilidade
George F. Richards
Até este ponto nesta Conferência Geral, creio que nossas reuniões estiveram à altura das reuniões de conferências gerais anteriores da Igreja, em espírito, instrução e interesse. Eu mesmo fui grandemente edificado e me senti muito grato e agradecido por minha condição de membro da Igreja, pela comunhão que tenho com os santos dos últimos dias, pelo conhecimento que tenho do evangelho e pelo testemunho que tenho de sua verdade; pois sei que esta é a obra de Deus, o evangelho do Senhor Jesus Cristo, e me regozijo grandemente neste conhecimento. ¶
A INTEGRIDADE DOS OBREIROS DE ESTACA ¶
Os irmãos que falaram nesta conferência, exceto o Presidente da Igreja, foram os presidentes de missão, e falaram das condições existentes no mundo, da fidelidade de nossos jovens missionários e da integridade dos santos no campo missionário. Por meu conhecimento, ao visitar as missões, posso dar testemunho do que disseram, e, ao pensar nisso, sou lembrado da integridade e da devoção dos santos dos últimos dias nas estacas de Sião. Nós, como Autoridades Gerais da Igreja, os visitamos com bastante frequência. Somos sempre recebidos cordialmente, e nos dão as boas-vindas com generosidade. Somos tratados, posso dizer, como reis poderiam esperar ser tratados, recebendo o melhor que o povo tem a dar, e há evidências de que sustentam as Autoridades da Igreja, evidências de fé e fidelidade como membros da Igreja. ¶
Grande número de obreiros fiéis trabalha nas estacas de Sião, homens e mulheres que dão um exemplo digno diante do povo, vivendo sua religião, pagando seus dízimos, guardando a Palavra de Sabedoria, fazendo as coisas que lhes são pedidas, e prestando serviço a Deus, à Igreja e ao próximo. Tenho orgulho deste povo, sou grato por ser contado entre eles, por ter convivência e comunhão com eles, e creio que tenho sua confiança e apoio, assim como todos os meus irmãos das Autoridades Gerais da Igreja. ¶
NECESSIDADE DE APERFEIÇOAMENTO ¶
Louvo o Senhor e lhe agradeço por essas bênçãos, mas percebo que há muito em Sião que não deveria existir. Há coisas em que nos envolvemos e que fazemos como membros da Igreja que não deveríamos fazer. Há deveres que deveriam ser cumpridos e que negligenciamos. Não sei se o Senhor está inteiramente satisfeito conosco. Tenho certeza de que ele está satisfeito com a Igreja como igreja, e com muitos dos indivíduos, mas com alguns temo que ele não esteja satisfeito. Temo que haverá decepção por parte de alguns membros da Igreja quando a obra desta vida terminar, quando nossas oportunidades já tiverem passado. A decepção é algo que se deve temer, senão recear. ¶
SATISFAÇÃO EM ESTAR CERTO ¶
Há sempre uma satisfação, meus irmãos e irmãs, em termos estado certos em qualquer questão que tenha ocupado nossa atenção, especialmente se a sabedoria e o julgamento de outros tiverem sido trazidos à baila sobre essa questão e nem todos concordamos. Sabeis como somos propensos a dizer: "Eu bem que disse." Quanto mais importante for a questão envolvida numa consideração desse tipo, maior será a satisfação no final quando descobrirmos que estávamos certos; mas, se por outro lado, se descobrir que estávamos errados, haverá uma decepção correspondentemente grande. A importância da questão envolvida determina o grau de satisfação ou decepção. A maior questão que o homem já considerou, segundo meu julgamento, é a da religião, ou salvação, do que ela consiste e de como pode ser alcançada. Não há, suponho, outra questão que tenha ocupado a atenção de tantas pessoas, ou sobre a qual tenha havido tamanha diversidade de opinião. Isso explica os numerosos credos e denominações religiosas que existem hoje no mundo. ¶
Aqueles de nós que conhecem a verdade do evangelho, tal como foi revelada nestes últimos dias por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith, sabem que há milhões de pessoas que, no final, quando for universalmente conhecido do que consiste a salvação e como pode ser alcançada, ficarão tremendamente decepcionadas, e apenas a decepção dos ímpios, ou daqueles que lutaram contra a obra de Deus, será maior ou suprema. Nós, que conhecemos a verdade e conhecemos a vontade do Senhor e a lei do Senhor, entendemos que devemos amar o Senhor ¶
nosso Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todo o nosso vigor; que este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo é semelhante a ele: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." ¶
CUMPRINDO NOSSA RESPONSABILIDADE ¶
Devemos desejar, acima de tudo, exceto o nosso próprio bem-estar e salvação, o bem-estar e a salvação de nosso próximo. Estamos organizados como Igreja. Recebemos responsabilidades do alto para pregar este evangelho do reino em todo o mundo, como testemunho, antes que venha o fim. Por mais de um século temos tentado, como povo, desincumbir-nos dessa responsabilidade e provar nosso amor a Deus e ao próximo, fazendo sacrifícios na pregação deste evangelho. Vistes os resultados, e, no entanto, há muito poucos dos filhos de nosso Pai, nesta dispensação, que abraçaram o evangelho, mas isso não é de se admirar. Sempre foi assim. Apenas alguns poucos, nos dias de Isaías, como lemos no quinquagésimo terceiro capítulo do livro de Isaías, aceitaram a verdade. O profeta disse: "Senhor, quem creu na nossa pregação?" Apenas alguns poucos. E nos dias da igreja primitiva encontramos esta expressão: ¶
"Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; porque Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?" ¶
Esta dispensação é um tempo de advertência, tanto quanto, entendo, foi um dia de advertência quando Noé, o profeta de Deus, foi ordenado a advertir o povo de seus dias de que, se não se arrependessem de seus pecados e não obedecessem ao evangelho, seriam destruídos. Diz-se que, por cento e vinte anos, o profeta de Deus trabalhou entre aquele povo, mas em vão, exceto pela salvação de algumas almas. Um grande dilúvio foi enviado para destruir o povo. Digo que, por mais de um século, temos pregado este evangelho do reino ao povo do mundo, e o povo do mundo está rejeitando a mensagem em grande medida, com raras exceções. Eles se depararão com a decepção e, em alguns casos, com a condenação, de acordo com a lei que se aplica àqueles que ouviram e rejeitaram o evangelho. ¶
O SACRIFÍCIO TRAZ BÊNÇÃOS ¶
Ora, nestes tempos de dificuldades financeiras e problemas de negócios, suponho que os santos dos últimos dias estejam sentindo essas coisas assim como as demais pessoas. O Senhor faz chover sobre justos e injustos igualmente. Mas os santos dos últimos dias têm mais motivos de encorajamento do que o povo do mundo. Não estamos aqui para acumular riqueza. Esse não é o fim em vista, mas um meio para um fim mais nobre, o de servir a Deus e praticar a retidão, esforçando-nos por salvar nossa própria alma e a alma de outros; e podemos nos dar ao luxo de fazer os sacrifícios que o evangelho nos impõe. ¶
Irmãos e irmãs, sabemos que temos a promessa, e as promessas de Deus nunca falham, de que seremos recompensados abundantemente, no tempo e na eternidade, por todos os sacrifícios feitos para a realização de seus propósitos. Nos últimos anos, mantivemos cerca de dois mil missionários no campo; o relatório de hoje informa que temos mil setecentos e dois missionários em atividade. Ouvistes o relatório desses presidentes de missão, de como os números diminuíram em seus campos missionários. O que faremos para manter nosso registro e realizar a obra que o Senhor exige de nós? Tenho uma recomendação para nossos presidentes de missão. ¶
OS SANTOS LOCAIS COMO MISSIONÁRIOS ¶
Alguns dos presidentes nos disseram, em nossa reunião com eles há poucos dias, que estavam utilizando os irmãos e irmãs locais, alguns de uma forma e outros de outra. Nas palavras finais do Presidente Hinckley, da Missão da Califórnia, que acabou de se dirigir a nós, ele disse que esperava que os ramos de sua missão fornecessem cem pessoas locais para auxiliar nesta obra. Quero relatar-vos uma pequena experiência que tive ao presidir a missão europeia durante a Guerra Mundial. Estive lá de agosto de 1916 até julho de 1919. Durante esse período, na missão britânica, o número de missionários vindos de casa foi reduzido de setenta e cinco para sete, incluindo os que estavam na sede da missão. Tínhamos setenta e cinco ramos que anteriormente eram, quase universalmente, presididos por élderes vindos de casa. Esses ramos passaram então a ser presididos por homens locais. Os homens capazes de portar armas haviam sido recrutados para o serviço militar, e os que não eram entraram nas fábricas de munições de guerra. Restaram muito poucos homens em casa. Chamamos como missionários jovens que ainda não tinham idade para portar armas. ¶
Quando deixei aquela missão, havia vinte e dois irmãos locais trabalhando da maneira mencionada, alguns dedicando parte do tempo, presidindo distritos ou ramos, outros dedicando todo o seu tempo como missionários. Chamamos ao serviço mulheres jovens e casadas, e, em certa ocasião, se bem me lembro, tínhamos trezentas e setenta e cinco dessas boas irmãs trabalhando. Elas prestavam seus relatórios à sede da missão da mesma forma que faziam os missionários vindos de casa. Distribuíam folhetos, realizavam reuniões domésticas, emprestavam livros e faziam todo o trabalho que os missionários regulares faziam. O resultado foi que esses missionários se tornaram mais fiéis do que nunca. Os dízimos da missão britânica praticamente dobraram em três anos. Tivemos quase tantos batismos quantos havia quando tínhamos setenta e cinco ou mais missionários no campo. ¶
Isso mostra o que se pode fazer com esses homens e mulheres locais no mundo. São exatamente o mesmo tipo de pessoas que temos aqui nas estacas e alas. Em toda nação, aquele que teme a Deus e pratica a retidão é por ele aprovado. Não vejo razão para que homens e mulheres no campo missionário não possam trabalhar na Igreja como missionários ou em qualquer outra função em que sejam necessários, tão bem quanto as pessoas nas alas e estacas organizadas. Isso está sendo feito em alguns lugares. Há alguns missionários chamados de uma missão para outra. Por que não a missão fornecer sua cota de missionários e enviá-los a outras missões? Essas missionárias estão realizando um trabalho esplêndido em todas as missões onde são utilizadas. Há mulheres localmente que são tão eficientes ¶
quanto as que vêm das estacas e que estão dispostas e poderiam ser aproveitadas com vantagem, se as utilizássemos. ¶
Lembro-me de, dois anos atrás, quando eu percorria a missão canadense com o Presidente Hart; em Hamilton, convocamos missionárias voluntárias para acompanhar as que estavam ali, vindas de Sião. Em vez de enviar duas missionárias de Sião que ali estavam a grande custo, sugeriu-se que tomássemos uma dessas missionárias e uma missionária local, e tivéssemos dois pares de missionárias onde antes tínhamos apenas um. Várias irmãs se voluntariaram. Abençoamos essas pessoas e as separamos, e temos relatórios de que um trabalho esplêndido foi realizado por essas irmãs locais. Por que não podemos fazer isso e dobrar o número de missionários? Suponhamos que uma mulher não possa dedicar todo o seu tempo; se uma irmã saísse um dia e outra em outro dia, se fossem necessárias sete irmãs para realizar o trabalho de uma semana ao lado de um missionário regular, o trabalho seria realizado. Por que não fazer o mesmo com nossos irmãos? ¶
Ouvi um élder relatando recentemente sua missão, que disse ter experimentado o plano de levar um menino, dar-lhe um folheto e deixá-lo conduzir até as portas das casas, e isso teve um efeito esplêndido. Não fechavam a porta para ele nem o recusavam. Ouviam o que ele tinha a dizer, e sua mensagem servia de introdução para o missionário. Digo que, nesse caso, o menino se equiparava ao élder vindo de casa. Quando entram numa casa, não há necessidade de dois élderes de Sião naquela casa para pregar o evangelho; um pode fazer toda a fala; tudo o que precisa é de um companheiro e de uma testemunha, e aqui temos um. ¶
Há caminhos e meios, e creio que Deus espera que sejamos homens ponderados, encarregados desta obra no campo missionário e em casa. Penso que talvez possamos fazer melhor do que temos feito, e, irmãos e irmãs, tudo isso significa que lavamos as mãos do sangue desta geração, pois somos como sentinelas nas torres. Nossa responsabilidade é advertir os ímpios, chamá-los ao arrependimento e pregar este evangelho do reino àqueles que estão nas trevas espirituais. ¶
Uma obra maravilhosa está sendo realizada. Que Deus seja louvado por isso, e os santos, pela obra que realizaram, e que esta obra prossiga para a inteira satisfação do Senhor, é o que oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶