Tolerância e a Missão Maior do Evangelho
Stephen L Richards
Sou muito grato por poder crer em realidades espirituais. Não me é difícil, agora, aceitar as declarações de meus irmãos e irmãs quanto ao seu conhecimento do Evangelho, quanto à bondade do Senhor para com eles. Posso crer que existem poderes além das manifestações materiais do intelecto e da força do homem. Sou grato por Deus ter tornado possível para mim reconhecer a presença de seu Santo Espírito. Não consigo conceber felicidade completa na vida sem esse reconhecimento. ¶
Tolerante para com os Outros
Embora eu seja grato por estas bênçãos concedidas a mim, tenho consciência de que há muitos homens no mundo que não têm bênçãos semelhantes. ¶
Eles não creem em realidades espirituais. Não compreendem a operação do Espírito. Seus corações não respondem às impressões que vêm de fontes divinas. Considero infeliz que assim seja, mas não maltrato os homens que não têm tal percepção. Não tento julgá-los. Desejo ser tolerante e misericordioso em meus sentimentos para com eles. ¶
Influências que Perturbam
Está em meu coração hoje suplicar por tolerância. Nem todos nós fomos criados no mesmo ambiente. Nem toda a humanidade está sujeita às mesmas influências. Nós que fomos suficientemente afortunados para termos nossas almas tocadas pelo testemunho de Jesus, devemos ser muito compassivos para com aqueles que não tiveram tais manifestações. Reconheço que, nos processos educacionais de hoje, encontram-se muitos fatores que militam contra a formação espiritual. Teorias de homens — e não as deprecio, porque frequentemente se fundam nas melhores investigações que os homens são capazes de fazer — são apresentadas para a solução dos problemas da vida, e em resposta a perguntas que perturbam a juventude. Aqueles que estão sujeitos a esses processos educacionais e aos ensinamentos de hoje não devem ser inteiramente culpados por essas ideias os atraírem; e eles acabam por depositar sua confiança nas filosofias, nos sistemas e nas teorias que são apresentadas. ¶
Confiança na Razão
A juventude de hoje é ensinada a raciocinar. Seus intelectos são altamente treinados, e confiam em sua razão. Sei, e vós sabeis, que, se suas mentes puderem ser mantidas abertas à recepção da verdade espiritual, tal verdade pode ser feita para lhes parecer razoável; mas eles exigem razão. Gostaria que tivessem razão. Gostaria que compreendessem as belezas do Evangelho de Jesus Cristo. Gostaria que viessem a sentir as gloriosas impressões que uma verdadeira concepção do Evangelho traz, mas sei que não posso forçá-los a essas impressões. Sei que nossa obra não é uma obra de coerção ou compulsão. Sei que é somente por meio de uma persuasão compassiva e inteligente que as mentes da juventude, a inteligência, a razão, as mentes sofisticadas da juventude podem, em última análise, chegar a compreender as glórias das verdades reveladas do Evangelho de Jesus Cristo. Suplico por alguma tolerância no tratamento dispensado a eles. ¶
Simpatia na Tentação
Reconheço que, nas tentações que lhes são apresentadas, são obrigados a exercer tremenda resistência, se quiserem manter-se limpos e imaculados dos pecados do mundo. Sei que, algumas vezes, não têm a coragem de resistir, e que, infelizmente, muitos caem vítimas de sistemas de sedução, os quais o mundo inteiro jamais conheceu antes. Em sua queda, têm minha simpatia, e confio que possam ter a simpatia da Igreja. ¶
A Missão Maior do Evangelho
Sei que nós inveitivamos — e com razão — contra os males a que estão sujeitos. Instamos que não usem tabaco, chá e café, e bebida alcoólica. Apontamos em termos fortes as consequências que decorrem de uma infração da Palavra de Sabedoria, dada por Deus. Empenhamo-nos numa grande campanha para banir estes males da Igreja, e é bom que o façamos. Mas, em nosso ardor, em nosso empenho entusiástico de evitar que nossa juventude caia nestes pecados, que Deus nos ajude a não expulsá-los do âmbito da Igreja. Que o Senhor nos ajude a não ostracizá-los de nossa companhia e da graça salvadora dos princípios misericordiosos do Evangelho de nosso Senhor e Salvador. Nunca desejo que um jovem que, infelizmente, adquira o hábito de fumar, venha a sentir que não pode entrar, bem-vindo, pelas portas de nossas igrejas e no convívio de nosso povo. Se há um momento em que alguém precisa da influência da Igreja, é quando, na fragilidade de sua natureza humana, transgrediu uma lei de Deus e caiu do padrão de retidão. Sei que talvez seja mal compreendido, mas não posso deixar de dizer que desejo que a juventude desta Igreja venha a saber e a compreender que este grande sistema de retidão, o Evangelho, é algo mais do que uma mera campanha contra o chá, o café e o tabaco — por mais importante que seja a abstinência desses venenos nocivos para a família humana. ¶
Ah, penso tanto na gloriosa luz da verdade que Deus concedeu, na grande exaltação que ele nos oferece, de voltar à sua presença ao viver o Evangelho, que não gostaria que nossa juventude perdesse a essência de tudo isso, os elementos primordiais, as gloriosas esperanças, as recompensas, as promessas que aguardam aqueles que vivem a verdade e conformam suas vidas aos ensinamentos da Igreja. Gostaria que todos soubessem, contudo, que, sempre que alguém deixa de guardar um mandamento, priva-se de tanto das gloriosas bênçãos que Deus prometeu aos fiéis. ¶
Moderação no Julgamento
Esta é uma igreja de livre-arbítrio. O homem pode escolher por si mesmo. Cabe-nos disseminar o conhecimento, para que ele possa escolher sabiamente. Quando tivermos feito isso adequadamente, nosso dever estará cumprido. ¶
"Não julgueis, para que não sejais julgados" são consideradas as palavras mais misericordiosas em todo o mundo. Não fomos constituídos juízes de nossos irmãos, exceto em casos especiais. Deus é o juiz deles. Nem sempre estamos cientes dos sentimentos que os impulsionam. Nem sempre conhecemos as tentações que os cercam. Nem sempre podemos julgar corretamente as lutas que travam. Que sejamos moderados em nossos julgamentos. Às vezes me vejo falhando em distinguir entre o ressentimento pelo pecado e o ódio para com o pecador. Há uma distinção pronunciada. Não devemos comprometer a verdade. Foi-nos dado preservá-la em sua pureza e beleza não diluídas. ¶
Creio nos ensinamentos ortodoxos desta Igreja. Não os contorno, nem tento explicar afastando os requisitos do Evangelho de Cristo. Mas quero que o Senhor me dê simpatia, misericórdia e paciência para com aquele que, nas fraquezas da carne, talvez nem sempre sustente estes padrões e princípios. Assim, aos líderes da Igreja, aos homens e às mulheres que dirigem as organizações desta grande instituição, apelo sinceramente para que sejam considerados e misericordiosos em seus julgamentos, e para que vão, como o Salvador, até aqueles que estão doentes, e os tragam para tratamento, e não confinem as funções e ofícios da Igreja apenas àqueles que estão espiritualmente bem. ¶
Oro para que Deus nos dê a todos sabedoria e inspiração para lidarmos com nossas famílias como devemos, para auxiliar na salvação das famílias de outros, e para sempre mantermos, dentro de nossos próprios corações, assim como dentro dos portais de nossas igrejas, um acolhimento para aquele que caiu, tanto quanto para aquele a quem Deus abençoou com pureza e retidão de vida. Amém. ¶