Progresso Centenário e Testemunho
Heber J. Grant
É sempre um prazer para mim reunir-me com os Santos dos Últimos Dias em quaisquer de suas reuniões públicas, e fico especialmente satisfeito em estar presente nas Conferências Gerais da Igreja, tendo tido o privilégio de assisti-las desde a minha infância até o presente. ¶
Estou certo de que se encontram reunidas hoje nesta cidade nada menos de vinte mil pessoas provenientes de diferentes partes da Igreja, desde o Canadá, ao norte, até o México, ao sul, que assistirão a estas reuniões. Além disso, haverá várias centenas de milhares que assistirão às nossas reuniões por meio do maravilhoso rádio. É maravilhoso quantas pessoas têm a permissão de ouvir, aquelas que assim o desejarem, os trabalhos de nossa conferência. Em muitas de nossas alas e estacas, as capelas ficarão repletas de pessoas que ouvirão tão claramente e participarão do espírito, creio eu, quase tão perfeitamente quanto aqueles que estão reunidos neste edifício hoje. ¶
Regozijo-me com as oportunidades que surgiram de pregar o Evangelho por meio do rádio. Certo dia, recebemos quatro cartas da Nova Zelândia, anunciando a recepção perfeita de um programa transmitido pela KSL. ¶
PUBLICIDADE DA CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO ¶
Regozijamo-nos com a maravilhosa Conferência que se realizou aqui há seis meses. Quando pensamos que este edifício ficou lotado durante trinta noites por pessoas que assistiram ao maravilhoso espetáculo que foi apresentado, é outra maravilha contemplar o fato de que a publicidade a respeito daquele grande espetáculo chegou a milhões de pessoas. Tenho aqui em exposição, e desejo mostrar-lhes, o que é apenas uma coleção de recortes de jornal a respeito da nossa celebração do Centenário. Mais de três mil jornais nos deram notícias favoráveis. A grande mudança que ocorreu, desde os dias da minha infância, na atitude geral para com este povo, é quase inconcebível ou inesperada. ¶
Lembro-me de que, quando eu era o membro mais novo do Conselho dos Doze, quarenta e oito anos atrás neste mesmo mês, durante minhas primeiras viagens para fora de casa, quase invariavelmente, onde quer que eu fosse, encontrava oposição. Encontrava má vontade para com os Santos dos Últimos Dias. Encontrei homens tão cheios de amargura contra nós que diziam que, se dependesse deles, os "mórmons" seriam trancados dentro de seu tabernáculo e os canhões do Forte Douglas seriam voltados contra eles. Hoje, onde quer que eu vá, encontro o sentimento oposto; encontro boa vontade; encontro bondade; encontro disposição da parte dos jornais em nos dar notícias públicas favoráveis. Tudo o que desejamos dizer eles estão dispostos a publicar. ¶
ATITUDE DA IMPRENSA ¶
Durante o tempo em que presidi a Missão Japonesa, coisas vis foram publicadas naquele país a nosso respeito; e quando obtive declarações juramentadas, vindas de casa, refutando as afirmações publicadas, não consegui que elas fossem impressas nos jornais que haviam publicado os artigos difamatórios contra nós. Durante minha presidência na Missão Europeia, por três longos anos, jamais consegui que uma única linha de refutação fosse impressa nos jornais da Inglaterra. Alguns artigos muito perniciosos foram escritos a nosso respeito, mas os jornais não publicavam refutações a esses artigos. Hoje, estamos recebendo publicidade muito favorável. Os jornais estão abertos ao presidente da Missão Europeia, o Élder John A. Widtsoe. Lamentamos a sua ausência das reuniões desta Conferência. Ficaríamos encantados se ele estivesse aqui. ¶
Lamentamos também muito a ausência do Élder Stephen L. Richards, por motivo de saúde. ¶
Lembro-me de ter procurado um jornal em Londres que havia publicado umas sete a dez colunas de coisas vis a respeito dos "mórmons", e levei comigo uma carta de apresentação de uma grande firma de transportes marítimos em Liverpool — com a qual fazíamos negócios havia mais de sessenta anos — atestando não só a minha integridade como presidente da Missão Europeia, mas a integridade de todos os meus predecessores, e, ainda assim, não quiseram publicar uma única linha. Disse-lhes que tinha cartas de apresentação de todos os banqueiros não "mórmons" de Salt Lake City, e de banqueiros de Nova York, São Francisco e Chicago, e da maior casa atacadista de tecidos de Nova York, atestando a minha honestidade, e dei-lhes minha palavra de honra de que o que haviam publicado era falso. Ainda assim, não quiseram publicar nada a nosso favor. ¶
FONTE DE GRATIDÃO ¶
Ter mais de três mil jornais; ter a Associated Press; ter os jornais Hearst e ter os jornais do Oeste — especialmente de Utah e de Idaho — os jornais em geral nos darem artigos tão extensos e favoráveis quanto os que este imenso volume contém, é motivo de profunda gratidão de minha parte e da parte de meus colegas Autoridades Gerais da Igreja. Essas notícias e editoriais, bem como os artigos originais que apareceram com ilustrações, são tudo o que poderíamos ter pedido. Raramente se publicou, durante a nossa Conferência do Centenário, algo que não fosse favorável. A Associated Press e representantes especiais de vários jornais enviaram notícias verdadeiras e informativas. Isso é motivo de profunda gratidão de nossa parte. ¶
PELO QUE SOMOS ¶
Anunciei ontem às boas irmãs, em sua Conferência da Sociedade de Socorro, que estamos nos tornando conhecidos pelo que realmente somos: um povo temente a Deus, honesto e reto, que se esforça por servir ao Senhor e guardar os seus mandamentos, levando uma mensagem de boa vontade a todo o mundo. Tudo o que jamais pedimos ou esperamos é que as pessoas nos julguem pelos padrões estabelecidos pelo Salvador do mundo: "Pelos seus frutos os conhecereis." ¶
Temos uma taxa de divórcio mais baixa, temos uma taxa de casamento mais alta, temos uma taxa de natalidade mais alta, temos uma taxa de mortalidade mais baixa, temos uma taxa de criminalidade mais baixa, do que outros povos. ¶
Não conheço nada pelo qual eu seja mais grato do que perceber que estamos alcançando o nosso devido lugar, que estamos sendo aceitos exatamente pelo que somos, um povo temente a Deus e admirável. ¶
NO CUMPRIMENTO DA PROFECIA ¶
As realizações dos Santos dos Últimos Dias estão em absoluta e completa concordância com a profecia proferida na margem oeste do rio Mississippi pelo Profeta Joseph Smith, conforme registrado no diário do profeta sob a data de 6 de agosto de 1842: ¶
"Profetizei que os Santos continuariam a sofrer muitas aflições e seriam expulsos para as Montanhas Rochosas. Muitos apostatariam, outros seriam mortos por nossos perseguidores ou perderiam a vida em consequência da exposição ou de doenças, e alguns de vós vivereis para ir ajudar a fundar povoados e construir cidades, e vereis os Santos tornarem-se um povo poderoso no meio das Montanhas Rochosas." ¶
Isso se cumpriu ao pé da letra, e temos hoje mais de mil alas e ramos, do Canadá, ao norte, até o México, ao sul. A Igreja despendeu, durante os últimos três anos, entre três e quatro milhões de dólares para ajudar a erguer capelas locais. O povo contribuiu com quantia semelhante. Como sabem, construímos aqui um templo de quatro milhões de dólares, e construímos templos em St. George, Manti, Logan, no Canadá, no Arizona e nas Ilhas Havaianas, custando, ao todo, muitos milhões. Cumprimos, de fato, essa profecia, não obstante o fato de que esta região do oeste era considerada sem valor. Quando pensam nesta região árida, quando pensam que era considerada sem nenhum valor, e então percebem o que foi realizado, não há dúvida de que cumprimos aquela predição. ¶
Bem na época em que essa profecia foi proferida, Daniel Webster, um dos mais eminentes estadistas dos Estados Unidos daquele tempo, disse: ¶
"Para que queremos esta vasta área sem valor, esta região de selvagens e animais ferozes, de desertos, de areias movediças e redemoinhos de poeira, de cactos e cães-da-pradaria? Para que uso poderíamos algum dia esperar destinar esses grandes desertos ou essas intermináveis cadeias de montanhas, impenetráveis e cobertas, até a própria base, de neve eterna? O que poderíamos algum dia esperar fazer com a costa oeste, de três mil milhas, rochosa, inóspita, pouco convidativa e sem um único porto? Sr. Presidente, jamais votarei um único centavo do tesouro público para colocar a Costa do Pacífico uma polegada mais perto de Boston do que já está." ¶
RECURSOS MARAVILHOSOS ¶
Quando penso no magnífico porto de Seattle, e no maravilhoso porto do Golden Gate, bem como em outros na Costa do Pacífico, percebo que Daniel Webster não estava muito bem informado. Quando pensamos que esta terra "sem valor" — Utah, Idaho, Arizona, Colorado, Novo México e Califórnia — forneceu mais riqueza, no que diz respeito aos metais preciosos, do que qualquer outra parte, ou mesmo o restante inteiro, creio eu, dos Estados Unidos; quando nos damos conta de que temos aqui uma mina, uma mina de cobre, sendo o cobre extraído de maneira das mais peculiares e maravilhosas, tendo pago, conforme me recordo, mais de cento e cinquenta milhões de dólares em dividendos, trabalhando com sucesso um minério que não chega a um por cento — menos de vinte libras de cobre por tonelada — processando, numa única ocasião, mais de oitenta mil toneladas num dia, o dobro do que era processado num dia durante a construção do canal do Panamá; quando pensamos nos milhões e milhões de dólares em ouro produzidos na Califórnia; quando pensamos nas ricas minas de cobre no Arizona, sem mencionar a prata, o chumbo e o ouro em todas essas regiões, e a imensa riqueza do Colorado, percebemos que Daniel Webster não sabia muito a respeito desta terra. ¶
Mas o único ponto que desejo ressaltar é que nós, como Santos dos Últimos Dias, percebemos e sabemos que Joseph Smith foi e é o representante de Deus e um profeta de Deus, e que suas palavras se cumpriram ao pé da letra. ¶
SINAIS DOS TEMPOS ¶
Sinto-me muito feliz ao contemplar a prosperidade que prevalece hoje, e meu coração se enche de gratidão pela mudança que ocorreu, tanto aqui como no exterior. Embora o mundo esteja em estado de agitação e haja perplexidade entre as nações, os Santos dos Últimos Dias não têm temor algum quanto ao futuro. Os sinais dos tempos indicam a aproximação da vinda do Senhor, e a obra em que estamos empenhados é uma obra preparatória para esse grande acontecimento. ¶
NUNCA ENQUANTO O MUNDO EXISTIR ¶
Falando aqui no mês passado, o Bispo Sylvester Q. Cannon referiu-se a uma declaração feita por um ministro religioso, no sentido de que, a menos que a Igreja "mórmon" consiga resistir à crítica das pessoas inteligentes, ao teste da ciência moderna, etc., ela deverá, nos próximos cem anos, ser incluída na categoria das religiões em declínio, e que então seria necessário transferirmos a nossa fé de Joseph Smith e de suas alegadas revelações. ¶
Nunca, enquanto o mundo existir, será necessário transferirmos a nossa fé. Deus vive, Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo. Ele apareceu a Joseph Smith, a Oliver Cowdery e a Sidney Rigdon, e proclamamos a todo o mundo que sabemos que ele vive e que Deus deu a cada um de nós, individualmente, um testemunho quanto à divindade da missão de Joseph Smith. Temos a verdade, e, assim como o grande jurista disse aos que combatiam o cristianismo, podemos repetir hoje: ¶
"Mas, levantando-se no Sinédrio um certo fariseu chamado Gamaliel, mestre da lei, venerado por todo o povo, mandou que, por um pouco, levassem para fora os apóstolos; ¶
"E disse-lhes: Homens israelitas, acautelai-vos quanto ao que haveis de fazer acerca desses homens. [...] ¶
"E agora digo-vos: Afastai-vos desses homens, e deixai-os, porque, se esse desígnio, ou essa obra, é de homens, se desfará, ¶
"Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus." ¶
DURANTE CEM ANOS ¶
Esta obra é de Deus e vem sendo proclamada há mais de cem anos. Estamos aqui hoje reunidos celebrando a centésima primeira Conferência semestral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Durante todos esses cem anos, o Evangelho de Jesus Cristo, revelado por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith, tem sido proclamado por todo o mundo, onde quer que tenha havido liberdade religiosa. Em toda terra e em todo clima onde foi proclamado, homens e mulheres honestos receberam a mensagem, aceitaram o Evangelho, desceram às águas do batismo, empenharam suas vidas e seus bens para o avanço desta obra. De todas as denominações religiosas debaixo do céu, colhemos conversos. Nunca investiguei além da minha própria experiência de vida, mas não conheço um único missionário que tenha saído para o mundo, nem um sequer, que se tenha convertido a outra religião e voltado para casa anunciar que este Evangelho de Jesus Cristo não é verdadeiro. Mas, por centenas e milhares, durante a minha vida, tenho ouvido os testemunhos dos rapazes e das moças que saíram a proclamar este Evangelho, voltando de seu trabalho missionário e testificando de que tinham obtido maior conhecimento da divindade desta obra, de que seus testemunhos haviam sido fortalecidos. Pensem nisso! Que maravilhoso milagre é que, com este profeta "falso" e estas "supostas" revelações, nossos jovens e inexperientes membros da Igreja saiam e entrem em contato com toda a educação, todo o saber e todas as fés do mundo, e, ainda assim, as igrejas não tenham conseguido converter nenhum deles nem mostrar-lhes o caminho estreito e apertado que leva à vida eterna. ¶
TESTEMUNHO AO MUNDO ¶
Presto o meu testemunho a vocês hoje — e não estou falando apenas às pessoas aqui reunidas, mas também às pessoas que possam estar ouvindo por meio do rádio, em casa ou no exterior, nos Estados Unidos ou em países estrangeiros — presto o meu testemunho de que Deus vive, de que ele é o Pai dos nossos espíritos; de que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo; de que Joseph Smith é um profeta do Deus verdadeiro e vivo, e de que suas palavras contidas na Doutrina e Convênios são as palavras inspiradas de um profeta de Deus. Desejo que todos os homens saibam que a revelação, ou visão, dada a Joseph Smith, contida na septuagésima sexta seção da Doutrina e Convênios, é absolutamente verdadeira. Tenho repetido duas passagens dessa seção vezes e vezes seguidas, e vou repeti-las novamente agora, neste dia de dúvida. ¶
Alguns anos atrás, muitos ministros do evangelho, várias centenas deles, foram indagados com as seguintes perguntas: ¶
"Credes em Deus, o Pai; Deus como pessoa [...] à imagem de quem fostes feitos? ¶
"Credes que Cristo era o Filho do Deus vivo, enviado por ele para salvar o mundo [...] que ele é o próprio Filho de Deus, com uma missão divinamente designada e definida, morrendo na cruz e ressuscitando dentre os mortos? ¶
"Credes que, quando morrerdes, vivereis novamente como uma inteligência consciente, sabendo quem sois e quem são as outras pessoas?" ¶
Essas perguntas foram feitas a ministros religiosos dos estados da Nova Inglaterra, e nenhum deles deu uma resposta inequívoca, Sim, apesar de terem sido solicitados a responder Sim ou Não. ¶
A FÉ DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS ¶
Todas essas três perguntas podem ser respondidas por qualquer Santo dos Últimos Dias. Cremos que Deus apareceu a Joseph Smith, e que proclamou Jesus Cristo como seu "Amado Filho". ¶
E agora, cito a visão dada a Joseph Smith e a Sidney Rigdon: ¶
"E este é o evangelho, as alegres novas, que a voz do céu nos testificou — ¶
"Que ele veio ao mundo, sim, Jesus, para ser crucificado pelo mundo e para tomar sobre si os pecados do mundo e para santificar o mundo e purificá-lo de toda iniquidade; ¶
"Ele que glorifica o Pai e salva todas as obras de suas mãos, exceto os filhos de perdição, que negam o Filho depois que o Pai o revelou." ¶
"E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive! ¶
"Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — ¶
"Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus." ¶
Assim, não há dúvida alguma em nossa mente. Certo homem me disse: "As únicas pessoas religiosas que já conheci em toda a minha vida que têm fé perfeita e certeza absoluta quanto ao seu destino final são os mórmons." E isso é verdade. ¶
EM PROFUNDA GRATIDÃO ¶
Sinto que já ocupei tempo suficiente. Regozijo-me com o avanço da obra de Deus. Meu coração se enche de profunda gratidão para com os membros da comissão que providenciaram aquele magnífico espetáculo. Agradeço aos homens que conseguiram esta maravilhosa publicidade para nós. É algo maravilhoso. ¶
Que o Senhor abençoe todos e cada um que possuem um testemunho da divindade desta obra, para que vivam o Evangelho de tal maneira que sua vida proclame a sua mensagem aos povos do mundo. A promessa é feita de que aqueles que fizerem a vontade do Pai conhecerão a doutrina, se é de Deus ou se é dos homens. Tendo cumprido a lei e recebido o conhecimento de que estamos empenhados na obra do Senhor, oramos para que ele nos ajude a vivê-la. Que ele nos ajude a ser absolutamente honestos no pagamento de nossos dízimos, na observância da Palavra de Sabedoria, e a dar um exemplo que leve homens e mulheres a investigar a mensagem que temos a proclamar. É minha humilde oração que o Senhor abençoe toda alma de coração honesto sobre a face da terra, e o peço em nome de Jesus, nosso Redentor. Amém. ¶