Nossa Obrigação para com os Vivos e os Mortos
George F. Richards
DO CONSELHO DOS DOZE APÓSTOLOS ¶
Antecipando um convite para falar durante esta Conferência, e percebendo que os oradores seriam ouvidos por um grande número de pessoas fora deste edifício, preparei algumas notas das quais poderia falar, mas não sei se as usarei. ¶
gratidão pelas bênçãos do senhor ¶
Quero dizer aos irmãos e irmãs que sou muito feliz em minha condição de membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e nas bênçãos do Evangelho que desfruto em comum convosco. Sou feliz em vossa companhia e associação, e na obra que tenho tido a honra de realizar nesta Igreja. ¶
O Senhor tem sido bom para conosco como povo, e tem sido bom para mim como indivíduo. Ao olhar para trás, sobre minha vida e suas experiências, posso ver onde o Senhor me segurou pela mão, por assim dizer, e me conduziu pelo caminho do dever, protegendo-me do mal e da iniquidade nos quais eu poderia ter-me entregado, para minha tristeza e condenação eternas. Sinto que é o mínimo que posso fazer buscar conhecer qual é a vontade de meu Pai celestial a meu respeito, e fazer sua vontade da melhor forma que puder. Creio que todo membro desta Igreja deveria sentir o mesmo. Se voltarmos nossos pensamentos sobre nossas vidas passadas, tenho certeza de que todos nós teremos ocasião de regozijar-nos no cuidado paternal que nos tem sido dado, e nas muitas bênçãos que sobre nós têm sido derramadas. ¶
testemunho a respeito desta obra ¶
Já passei pelo período de dúvida ou questionamento que sobrevém na vida de muitas pessoas, e sei com certeza, e tenho provado repetidas vezes, a partir das escrituras e pela aplicação da razão e do bom senso, para minha perfeita satisfação, que esta obra é verdadeira, de modo que não temo que qualquer homem consiga refutá-la. Tenho vivido o Evangelho, ao menos em parte, de modo a ter o testemunho do Espírito de Deus, e sei, pelo poder do Espírito Santo, que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Redentor e Salvador deste mundo. ¶
Sei que nosso Pai celestial vive, um ser glorificado e imortal, com todo poder — poder para abençoar e poder para salvar. E sei que esta obra é verdadeira, que nela está o poder salvador de Deus para aqueles que a aceitarem e obedecerem. Sei, por meio da razão, que aquele que foi o instrumento nas mãos de Deus para restaurar este Evangelho à terra deve ter sido, e é, um profeta de Deus. ¶
não aceitos em seus próprios dias ¶
É difícil para as pessoas deste dia e época aceitar Joseph Smith como um Profeta de Deus. Sempre foi assim: os profetas geralmente não eram aceitos pelo povo de sua época. As Escrituras relatam que, quando Jesus pregava na sinagoga de sua própria terra, o povo se admirava, e dizia: ¶
"De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas? ¶
"Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, e José, e Simão, e Judas? ¶
"E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isso? ¶
"E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua pátria e na sua casa." ¶
Muitas vezes desejei que ele tivesse acrescentado, o que penso que poderia ter feito com igual verdade: "salvo no dia e na época em que viveu." ¶
"E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles." (Mateus 13:54-58.) ¶
Creio firmemente que virá o tempo em que todos os homens, tão universalmente quanto aceitam Jesus Cristo como o Salvador do mundo, reconhecerão que Joseph Smith foi um grande profeta de Deus nestes últimos dias, na dispensação da plenitude dos tempos. ¶
Irmãos e irmãs, aquilo que sinto e sei ser verdade, creio que vós também, que viveis vossa religião, sentis e sabeis ser verdade, pelos mesmos meios. ¶
a fé de nossos pais ¶
Um pensamento impressionante veio-me esta manhã enquanto cantávamos o hino "Vinde, Vinde, ó Santos". ¶
"Encontraremos o lugar que Deus para nós preparou, Longe, no Oeste; Onde ninguém virá para ferir ou amedrontar — Ali os Santos serão abençoados. [...] ¶
"E se morrermos antes de nossa jornada terminar, Dia feliz! Está tudo bem! Ficaremos então livres do labor e da tristeza também; Com os justos habitaremos." ¶
Estas palavras expressam o sentimento de nossos pais e mães pioneiros em sua profunda provação, quando seus rostos se voltaram, por assim dizer, da civilização em direção ao grande Oeste inexplorado, trazendo consigo praticamente nada além do Evangelho, que era a coisa mais preciosa que possuíam na terra; e com a esperança de que o Senhor inspiraria seus ¶
líderes para que pudessem encontrar um lugar de refúgio, segurança e liberdade, onde pudessem adorar o Senhor de acordo com os ditames de sua consciência. Suportaram muita tristeza e tribulação, e muitos morreram no esforço de conquistar para nós o que hoje temos aqui. ¶
nossa obrigação ¶
Somos seus sucessores nesta obra. Herdamos as bênçãos que eles finalmente puderam desfrutar. Devemos a esta obra tudo o que temos, tudo o que esperamos obter. Vamos prosseguir a obra com a mesma fidelidade e devoção com que nossos pais pioneiros o fizeram, ou estamos negligentes em nossa tarefa? Estamos desfalecendo pelo caminho? Ou estamos vivendo nossa religião e, ao fazê-lo, dando ao mundo um exemplo digno de ser seguido, tal que os levará a glorificar nosso Pai celestial mediante a investigação daquilo que fez de nós o que somos, digno de louvor, e talvez, ao abraçarem o Evangelho, a se unirem a nós no avanço da obra do Senhor? ¶
Alguma vez consideramos que estamos sob obrigação para com nosso próximo, que estamos sob obrigação para com a Igreja, assim como para conosco mesmos? Consideramos que estamos sob obrigação para com nossos pais e nossas mães, que tanto sofreram e suportaram por nós? Se não vivermos nossa religião pela salvação de nossa própria alma, então devemos fazê-lo pelo bem dos outros, inclusive de nossos filhos e dos filhos de nossos filhos, que virão depois de nós. ¶
a respeito de nossos parentes falecidos ¶
Temos uma responsabilidade para com nossos parentes falecidos. O Profeta Joseph nos diz, e está registrado, que a maior responsabilidade que Deus nos impôs é a de cuidar de nossos parentes falecidos. Até que a Igreja fosse organizada, e templos fossem construídos, e houvesse oportunidade para que os vivos fizessem algo pelos mortos, parecia não haver ocasião para que nossos antepassados olhassem para nós. Não havia nada que pudéssemos fazer por eles. Mas, com a introdução do Evangelho e a construção de templos, o Senhor enviou seu servo Elias, como Malaquias predissera que faria, o qual conferiu a Joseph e a Oliver as chaves de converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais. Desde aquele dia, 3 de abril de 1836, quando, no templo de Kirtland, ocorreu aquela maravilhosa manifestação, tem havido um espírito e um desejo entre os filhos dos homens sobre a terra, não apenas entre os que estão na Igreja, mas também entre os que estão fora dela, de conhecer seus parentes falecidos. Homens e mulheres de instrução e riqueza dispendem suas fortunas e seu tempo na busca de conhecimento de caráter genealógico, e na publicação de histórias de suas famílias. Os governos fizeram provisão para a manutenção de registros, exatamente as estatísticas de que necessitamos para realizar esta obra do templo por nossos mortos. Bibliotecas genealógicas foram estabelecidas por toda a terra, e estas histórias de família, e outras informações genealógicas, estão acessíveis aos Santos dos Últimos Dias. ¶
O Senhor está usando aqueles que não são dos nossos para o avanço de ¶
seus propósitos e para nos ajudar, a fim de que possamos cumprir mais plenamente nosso dever para com nossos parentes falecidos. ¶
servindo a um duplo propósito ¶
Estamos fazendo uso desta informação, e estamos indo aos templos do Senhor para realizar esta obra? Ou, se não podemos ir nós mesmos, estamos gastando parte de nossos meios para empregar outros que vão ao templo por nossos mortos? ¶
Todas as ordenanças administradas nos templos são realizadas sem qualquer cobrança ao indivíduo. Aqueles que ali comparecem podem cuidar desses trabalhos sem cobrança alguma. Se não puderdes comparecer, será necessário, na obra de investidura do templo, que alguém vos represente. ¶
Nestes templos temos alguns de nossos idosos pioneiros que se desgastaram, por assim dizer, ajudando a tornar este país habitável, belo e próspero como o encontramos hoje. Seus corpos estão quebrantados, mas seus espíritos estão vivos e despertos tanto quanto sempre estiveram, e encontram nos templos um trabalho que podem realizar tão bem quanto pessoas mais jovens, mais vigorosas fisicamente. Algumas destas pessoas nada têm de que viver, exceto o mero pouco que lhes é dado em compensação pelo trabalho que fazem por outros nos templos. Se não puderdes ir ao templo vós mesmos, enviai ao templo um pouco de dinheiro com um registro de vossos mortos, e estas boas pessoas farão a obra por vós, e não só estareis redimindo vossos parentes falecidos, mas, ao fazê-lo, estareis ajudando a sustentar os dignos pobres da Igreja. Recebemos, há alguns dias, uma carta de um homem aqui na cidade, interessado em obra genealógica e do templo, que sugeriu que, nestes tempos, quando há tantos de nosso povo desempregados, homens dignos de ir ao templo, seria uma oportunidade de fazer saber ao povo desta Igreja que, se proporcionassem agora alguns meios para que sua obra do templo fosse feita, essas pessoas desempregadas receberiam uma grande bênção ao serem empregadas para realizar aquele trabalho. Isso, penso, é uma sugestão digna de consideração, à medida que buscamos algo a fazer para aliviar esta angustiante condição dos desempregados. ¶
de acordo com nosso conhecimento ¶
Irmãos e irmãs, estamos vivendo nossa religião de acordo com o melhor de nosso conhecimento? Quero dizer-vos que nenhum homem pode ser salvo no reino de Deus sem conhecimento, conhecimento do Evangelho de Jesus Cristo, do caminho da salvação, e nenhum homem pode ser condenado sem o conhecimento deste Evangelho. O Senhor providenciou que todo filho seu que alcance a maturidade na vida ouça e tenha o privilégio de aceitar o Evangelho, aqui ou no futuro. Quando a obra das ordenanças é feita por aqueles que morreram sem conhecimento do Evangelho, ela se torna eficaz para sua salvação mediante a aceitação por eles. ¶
Estamos nós, irmãos e irmãs, que conhecemos a verdade, vivendo de acordo com a luz que recebemos, para que não caiamos sob condenação? Penso poder prometer aos Santos dos Últimos Dias, em verdade e em nome do Senhor, que, se vós, meus irmãos e irmãs, viverdes de acordo com a luz do Evangelho, tal como a recebestes, obtereis uma salvação no reino de Deus. Se ao final ficardes desapontados e condenados, será porque não vivestes de acordo com a luz e o conhecimento que tendes do Evangelho. Pergunto-me se nosso Pai celestial ficará desapontado com alguns de nós, seus filhos, quando voltarmos, tendo tido as oportunidades que o Evangelho nos proporcionou aqui nesta vida. Pergunto-me se ficaremos desapontados conosco mesmos, se nossos pais ficarão desapontados conosco, ou nossos filhos que vierem depois de nós. ¶
Isso é algo, irmãos e irmãs, que penso devermos considerar com a máxima seriedade. Nosso tempo é breve, na melhor das hipóteses, aqui, para nos prepararmos para a vida que há de vir. Não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar nosso tempo. Não podemos dar-nos ao luxo de tratar com leviandade as coisas sagradas e os deveres sagrados. O pecado da negligência é injustificável. "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado perante o Senhor, e aquele que sabe fazer o certo e não o faz peca." ¶
nossa responsabilidade de ensinar aos outros ¶
Nossa obrigação não é apenas para conosco, mas para com nosso próximo aqui no mundo. Não devemos esquecer-nos disso. Se não formos chamados a ir ao exterior e pregar o Evangelho, há bastante a fazer aqui em casa. O espírito desta obra é: cada homem para com seu próximo; aquele que é avisado, avisar seu próximo. Nossa responsabilidade de ensinar o Evangelho a outros está estabelecida em Ezequiel, capítulo 3, versículo 20: ¶
"Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça, e fizer maldade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; porque tu não o avisaste, no seu pecado morrerá, e suas justiças que fizera não virão em memória, mas o seu sangue da tua mão o requererei." ¶
Todo homem e toda mulher que, com sinceridade, recebeu o Evangelho, era, no momento de ingressar na Igreja, um homem ou mulher justo. Temo-los mantido em retidão? ¶
O ministério da Igreja em casa tem a responsabilidade de completar a conversão e manter estes homens e mulheres. Estamos fazendo isso de maneira organizada, com toda a eficácia possível? Estamos, como indivíduos, fazendo nossa parte para com nosso próximo dentro da Igreja? Se vemos homens e mulheres negligenciando seus deveres na Igreja, e sabemos que estão em perigo de perder aquilo que lhes seria mais precioso do que a vida, damos-lhes uma palavra de advertência no espírito de bondade e amor fraternal, e estendemos a mão para ajudá-los, trazê-los de volta e colocá-los no caminho do dever religioso? Estamos cumprindo plenamente nosso dever para com nosso próximo? ¶
Irmãos e irmãs, estas são perguntas que bem podemos fazer a nós mesmos, e depois respondê-las para nossa satisfação, vivendo à altura de nossas obrigações e da luz e do conhecimento do Evangelho que temos. ¶
Não podemos realizar isso sozinhos, mas, se buscarmos o Senhor com o desejo em nossos corações de viver nossa religião e fazer sua vontade, ele nos ajudará para que possamos sair vitoriosos, vencedores de nós mesmos, vencedores do mal, dedicados adeptos e defensores da verdade de Deus. Que ele assim nos abençoe e nos salve em seu reino, oro, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶