Os Ideais de Sião
Levi Edgar Young
ÉLDER LEVI EDGAR YOUNG ¶
Do Primeiro Conselho dos Setenta e Presidente da Missão do Quarteirão do Templo ¶
Tenho a felicidade de estar presente nesta reunião depois de minhas aulas na Universidade de Utah hoje. Temos matriculados naquela instituição estadual mais de três mil jovens do Estado; e tenho orgulho desses rapazes e moças, pois têm fé na vida; têm seus sonhos e esperanças, e se tornarão bons cidadãos e darão continuidade às instituições da civilização que seus pais e mães fundaram. Aprenderão, como todos nós aprendemos, que não irão longe sem se verem face a face com a figura imponente de Jesus Cristo, o Redentor do mundo. Verão nele o Criador da vida divina; uma verdade que une os povos do mundo em um propósito imortal. ¶
Neste dia de pressa e conflito enlouquecidos; quando o barulho e o brilho influenciam a mente humana; este poderoso vaivém; este choque de tantos conflitos; esta pressa febril rumo a alguma meta desconhecida; Jesus Cristo dá a resposta inteligível ao revelar as infinitas possibilidades da alma humana. O fermento de sua doutrina está sempre atuando no corpo social do qual fazemos parte, e sua influência lidera a vanguarda em todo movimento de avanço em prol do bem-estar da humanidade. É um fato simples da história que a influência de Jesus Cristo sobre o mundo abriu vastos territórios de oportunidade espiritual com os quais os homens mais sábios jamais sonharam. Ele elevou e enriqueceu a vida comum; encheu a alma de esperança imortal. Trouxe paz ao coração desolado; transformou a busca da verdade numa aventura divina. Deu a conhecer a alegria duradoura do serviço aos outros; e, acima de tudo, justificou o anseio ascendente do homem, ao lutar das coisas inferiores para as superiores, o que mostra que Cristo traz vida e luz aos corações dos homens. ¶
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos." Estas são as palavras de nosso bendito Salvador; e, ao pensardes nelas, recordareis o maravilhoso discurso de Jesus com a mulher de Samaria junto ao poço de Jacó. Ele fala à mulher sobre a "água viva", que pode dar a todos os que a pedirem. "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede... mas a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna." Estas palavras são vivificantes para todos nós; e, ao pensar nelas, penso nos ideais que hoje defendemos. ¶
Temos conosco, nesta grande ocasião, a Srta. Ruth Pyrtle, dirigente da Associação Nacional de Educação, que vos será apresentada pelo Presidente Grant. Gostaria de dizer à Srta. Pyrtle que consideramos sagrados, acima de tudo, os nomes de Deus, o Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Foi Jesus quem ensinou: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus." As doutrinas de Cristo são as águas vivas de nossas vidas. Louvado seja Deus por elas. Que possamos apreciá-las. ¶
Ao contemplá-las, penso em muitos dos grandes movimentos históricos do mundo, entre os quais estão o estabelecimento do governo dos Estados Unidos e, mais tarde, a restauração do Evangelho de Jesus Cristo e o estabelecimento de sua Igreja por autoridade divina. Depois, o dom ao mundo do Livro de Mórmon. É uma história do desenvolvimento religioso de Israel antigo no continente americano, e é um livro sagrado. ¶
Primeiramente, quanto ao governo dos Estados Unidos. Nosso governo foi fundado por inspiração, e a constituição dos Estados Unidos foi escrita como expressão da liberdade das eras; uma liberdade que fora conquistada, e por cuja causa se derramara sangue, por um povo que sempre olhava para Deus. ¶
Quando os Pais Peregrinos pisaram pela primeira vez no solo da América, escreveram esta declaração divina a respeito de seu objetivo e seus ideais de governo. ¶
"Em nome de Deus, amém. Nós, cujos nomes estão abaixo assinados, súditos leais de nosso temido Soberano, o Rei Jaime, pela graça de Deus, Rei da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensor da Fé, etc., ¶
"Tendo empreendido, para a glória de Deus, o progresso da fé cristã e a honra de nosso rei e país, uma viagem para plantar as primeiras colônias na parte norte da Virgínia, fazemos, por meio destas, solene e mutuamente, na presença de Deus e uns dos outros, pacto e nos unimos num corpo político civil, para nossa melhor organização, preservação e prosseguimento dos fins acima mencionados; e, em virtude disto, promulgar, constituir e formular tais leis, ordenanças, atos, constituições e cargos justos e equitativos, de tempos em tempos, conforme julgados mais próprios e convenientes para o bem geral da Colônia, aos quais prometemos toda a devida submissão e obediência. Em testemunho disso, subscrevemos aqui nossos nomes, em Cape Cod, aos 17 de novembro, no ano do reinado de nosso soberano senhor, o Rei Jaime da Inglaterra, França e Irlanda, o décimo oitavo, e da Escócia, o quinquagésimo quarto, no ano do Senhor de 1620." ¶
A esses grandes ideais o povo mórmon sempre se esforçou por viver à altura, e apenas recentemente um notável estudioso norte-americano declarou que o povo de Utah — os mórmons — representa os mais nobres ideais de governo livre. ¶
Depois veio a fundação do governo dos Estados Unidos, o acontecimento culminante, em certo sentido, do estabelecimento de instituições livres. Este Governo foi fundado pela inspiração de Deus, pois os fundadores oraram por inspiração, e foram inspirados. Quando os membros do Primeiro Congresso Continental se reuniram em Carpenters Hall, na Filadélfia, voltaram-se para Deus em busca de ajuda divina. O Reverendo Sr. Duché foi chamado para orar numa manhã, e, em suas súplicas a Deus, disse: ¶
"Ó Senhor, nosso Pai Celestial, alto e poderoso Rei dos reis, Senhor dos senhores, que desde teu trono contemplas todos os habitantes da terra, e reinas com poder supremo e incontestado sobre todos os reinos, impérios e governos, olha com misericórdia, nós te suplicamos, para estes Estados americanos que a ti fugiram da vara do opressor, e que se lançaram sob tua graciosa proteção, desejando doravante depender somente de ti. ¶
"A ti apelaram pela justiça de sua causa. A ti agora erguem os olhos, buscando aquele favor e apoio que só tu podes dar. Toma-os, portanto, Pai Celestial, sob teu cuidado protetor. Dá-lhes sabedoria no conselho e valor no campo de batalha. Derrota os desígnios maliciosos de nossos cruéis adversários. Convence-os da injustiça de sua causa, e, se ainda persistirem em seu sanguinário propósito, que a voz de tua própria e infalível justiça, ressoando em seus corações, os obrigue a deixar cair de suas mãos vacilantes as armas de guerra no dia da batalha. ¶
"Está tu presente, ó Senhor da Sabedoria, e dirige o Conselho desta honrada Assembleia. Habilita-os a assentar as coisas sobre o melhor e mais seguro fundamento, para que a cena de sangue possa em breve terminar; para que a ordem, a harmonia e a paz sejam efetivamente restauradas, e a verdade e a justiça, a religião e a piedade, prevaleçam e floresçam entre teu povo. ¶
"Preserva a saúde de seus corpos, o vigor de suas mentes. Derrama sobre eles, e sobre os milhões que aqui representam, as bênçãos temporais que julgares convenientes para eles neste mundo, e coroa-os com glória eterna no mundo vindouro. Tudo isto pedimos em nome e pelos méritos de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Salvador. Amém." ¶
Depois de conquistarmos nossa independência, e mais tarde de termos escrito a constituição dos Estados Unidos, nosso governo foi organizado, com George Washington como presidente da nova República. Com o advento do governo dos Estados Unidos vieram muitos novos movimentos na história da humanidade. Neste continente encontrava-se um povo a quem os europeus designaram como índios. Eles são de interesse para nós porque seus antepassados eram judeus de Jerusalém. Foram um povo grande e esclarecido, e neste continente edificaram uma civilização que hoje é a maravilha do mundo. Segundo Charles Eastman, um índio sioux de sangue puro, temos estas palavras a respeito da religião dos índios: ¶
"A atitude original do índio americano para com o Eterno, o 'Grande Mistério' que nos rodeia e nos envolve, era tão simples quanto elevada. Para ele, era a concepção suprema, trazendo consigo a mais plena medida de alegria e satisfação possível nesta vida. A adoração do 'Grande Mistério' era silenciosa, solitária, livre de interesse próprio. Era silenciosa porque toda fala é necessariamente fraca e imperfeita; por isso as almas de meus antepassados ascendiam a Deus numa adoração sem palavras... Entre nós, todos os homens foram criados filhos de Deus e permaneciam de pé, conscientes de sua divindade... Sendo homem natural, o índio era intensamente poético. ¶
"A comunhão solitária com o Invisível, que era a mais alta expressão de nossa vida religiosa, é em parte descrita pela palavra HAMBEDAY, literalmente 'sentimento misterioso', que tem sido traduzida de diversas formas como 'jejum' e 'sonho'. Talvez seja melhor interpretá-la como 'consciência do divino'. ¶
"O primeiro 'Hambeday', ou retiro religioso, marcava uma época na vida do jovem, que pode ser comparada à confirmação ou conversão na experiência cristã. Tendo primeiro se preparado por meio do banho de vapor purificador, e despojado tanto quanto possível de todas as influências humanas ou carnais, o jovem buscava a altura mais nobre, o cume mais dominante de toda a região circundante. ¶
"Sabendo que Deus não dá valor às coisas materiais, ele não levava consigo ofertas ou sacrifícios, além de objetos simbólicos, tais como tintas e tabaco. Apresentava-se diante do Grande Mistério... Às vezes entoava um hino sem palavras, ou oferecia o cachimbo cerimonial. Nesse transe ou êxtase sagrado, o místico índio encontrava sua mais alta felicidade, e a força motriz de sua existência. ¶
"Depois descia da montanha e novamente entrava no banho de vapor para se preparar e ficar limpo antes de encontrar seus semelhantes. ¶
"Era dever dos pais orientar seus filhos e assumir o poder sacerdotal. O índio era um homem religioso desde o nascimento. Supunha-se que a influência espiritual da mãe contava mais do que tudo. As primeiras lições da mãe eram Silêncio, Amor, Reverência. Mais tarde ela acrescentava generosidade, coragem, castidade. ¶
"'Quando criança', diz Eastman, 'eu sabia dar; esqueci essa graça desde que me tornei civilizado... Os frutos da adoração são o Autodomínio, a Verdadeira Coragem, a Perseverança, a Paciência, a Dignidade e a Reverência. 'Guarda tua língua na juventude', dizia o velho Chefe Wabashaw. ¶
"No momento em que o homem concebeu um corpo perfeito, flexível, simétrico, gracioso e resistente — nesse momento ele lançou o fundamento da vida moral." ¶
A vinda à luz do Livro de Mórmon é um grande acontecimento na história, pois ele conta os ensinamentos religiosos dos antepassados dos índios americanos. É um livro de sagradas escrituras, e contém a palavra de Deus a seu povo. Houve profetas naqueles dias, e o Livro de Mórmon nos diz que esses homens divinamente inspirados ensinaram o Reino de Deus e sua Vinda: a Paternidade de Deus e o valor infinito da alma humana; e a Justiça Superior e a Lei do Amor. Todas essas coisas se obtêm pela obediência às leis e mandamentos de Deus, que são, fundamentalmente, a fé em Deus, o Pai eterno, e em seu Filho Jesus Cristo, e no Espírito Santo; os princípios do arrependimento e do santo batismo por imersão, por alguém que tenha autoridade divina; e a outorga do Espírito Santo pela imposição das mãos por alguém que detenha o Sacerdócio de Deus. ¶
Assim, celebramos hoje grandes acontecimentos na história do mundo. O Evangelho de Jesus Cristo jamais deixará a terra; está firmemente alojado nos corações dos homens. O Evangelho salvará o mundo da degradação e da tristeza; do erro e da ignorância. Nosso Governo dos Estados Unidos também viverá. Já tem sido uma inspiração para o mundo nos ideais de liberdade. Continuará a sê-lo se apenas procurarmos viver à altura dos ideais de seus fundadores. Este governo diz a todos os povos: Vinde, sois filhos de Deus. Aqui está o mundo de Deus. Entrai. Não haverá rei; nem súdito; nem senhor. Não haverá senhor feudal, nem vassalo. Todos são livres para adorar a Deus segundo os ditames da consciência. ¶
Há cem anos, um célebre sábio francês, o Abade Genty, publicou um ensaio sobre o Resultado da Descoberta da América pela Europa. O ensaio termina com as palavras: "A independência dos anglo-americanos é o acontecimento mais capaz de acelerar a revolução que há de renovar a felicidade do mundo. No seio desta nova nação estão os tesouros que hão de renovar o mundo." Ele indica o alívio para a Europa superlotada como uma das bênçãos que hão de vir à humanidade: a emancipação dos escravos, o fim das conquistas; e a conversão do mundo ao cristianismo. ¶
O Abade Genty estava certo. Aqui o mundo encontrará um governo do povo e para o seu bem eterno; aqui as pessoas buscarão a sua Sião — o reino da justiça. O dia pode estar distante; pode estar próximo; mas a Sião do Senhor será estabelecida neste continente, e o reino de Deus reinará nos corações dos homens. Por estes ideais nos esforçamos. Amém. ¶