Pulpit

Revelação e a Divindade da Obra do Senhor

George F. Richards

Conferência Geral de Abril de 1930·Reunião da Tarde do Segundo Dia·1930-04-07

ÉLDER GEORGE F. RICHARDS

O SIGNIFICADO DA IMORTALIDADE

Numa ocasião em que Moisés foi arrebatado a um monte excessivamente alto e face a face falou com Deus, cujo relato se encontra no primeiro capítulo do livro de Moisés, na Pérola de Grande Valor, o Deus do céu e da terra empregou esta expressão tão significativa e impressionante:

"Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem."

Imortalidade e vida eterna, tal como empregadas aqui pelo Senhor, entendo significar exaltação no reino celestial. Isso representa o objetivo e o propósito — o fim em vista, para o Senhor, em todas as suas obras. Obter a exaltação foi o fim que tínhamos em vista no princípio. Assim deveria ser conosco agora e por toda a nossa vida.

Parecia compreender este princípio aquele sapateiro que, ao ser perguntado: "Qual é a sua vocação ou ofício?", respondeu: "Meu ofício é servir ao Senhor — conserto sapatos para viver."

O PLANO DE SALVAÇÃO

O propósito de nossa existência nesta vida é, portanto, preparar-nos para a vida eterna no mundo vindouro. O Senhor, no princípio, instituiu o plano pelo qual isso poderia ser realizado. O plano fornecido é o Evangelho do Senhor Jesus Cristo, incluindo a obra de um Salvador, e Jesus Cristo é o Escolhido. Nenhum outro plano o Senhor forneceu para a salvação do homem; e qualquer outro plano que viesse a ser apresentado, de qualquer fonte que fosse, seria rejeitado pelo Senhor, e deveria sê-lo também por nós, assim como o foi o plano proposto por Lúcifer no princípio.

Logo depois de nossa própria salvação, em importância e interesse para nós, vem a salvação daqueles que o Senhor nos deu — nossa própria carne e sangue; e depois a salvação dos outros — os vivos e os mortos.

O maior serviço que se pode prestar ao próximo é o de ajudá-lo a obter a salvação. Tal é a natureza, direta ou indiretamente, de toda a nossa obra eclesiástica, incluindo o trabalho do ministério em casa e o do ministério no exterior. É a religião pura e imaculada. Sua importância exige de nós os melhores esforços, como indivíduos e como igreja.

PERSEGUIÇÕES DOS PRIMEIROS DIAS

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem vivido um século de experiências variadas, e tem passado por muita tribulação. Ela construiu cidades e templos dos quais seus membros foram expulsos por turbas impiedosas — autoproclamadas inimigas do povo mórmon. Nosso Profeta Joseph e seu irmão Patriarca, Hyrum, foram assassinados a sangue-frio por uma turba brutal, por causa de sua religião. Muitos dos santos sofreram a morte às mãos de seus inimigos e pela exposição aos elementos inclementes, ao serem expulsos de seus lares antes pacíficos e felizes.

O irmão de meu pai, George Spencer Richards, aos quinze anos de idade, foi literalmente trucidado juntamente com cerca de vinte outros membros da Igreja — homens, mulheres e crianças — em Haun's Mill, Missouri, em 30 de outubro de 1838, e seus corpos foram lançados num poço para sepultamento. Nenhuma palavra ou pena pode retratar adequadamente a angústia e o sofrimento físico e mental vividos pelos Santos dos Últimos Dias no início do século, enquanto representavam o Senhor no estabelecimento de sua Igreja e na restauração do Evangelho. Mas o mormonismo subsiste e sempre subsistirá, pois Deus está ao leme.

As realizações da Igreja e de seu povo durante o primeiro século de sua existência são maravilhosas e admiráveis. O espetáculo apresentado em conexão com esta conferência do centenário está retratando de maneira impressionante algumas das características principais de nossa obra e realizações. Mas, apesar de tudo o que a Igreja e seus membros realizaram durante o primeiro século de sua existência, para o qual nossas mentes estão sendo direcionadas durante esta conferência, há muito do que empreendemos que não conseguimos realizar. Contudo, de forma alguma estamos desanimados.

OS SACRIFÍCIOS EXIGIDOS PELO EVANGELHO

Mal poderíamos esperar ter mais êxito num esforço de converter o mundo do que teve o povo do Senhor em dispensações evangélicas anteriores. O mormonismo é hoje praticamente tão popular quanto era o cristianismo na Igreja primitiva. O Profeta mórmon, Joseph Smith, é aceito hoje de modo tão geral quanto o foram Jesus e seus discípulos em seus dias, ou os profetas que os precederam. A verdade do Evangelho jamais foi aceita de modo geral. É um padrão de vida elevado demais para que a maioria das pessoas o viva. Jesus Cristo é a única pessoa que, ao longo de toda a vida, viveu à altura dos padrões do Evangelho em todos os aspectos e em todos os momentos. Os melhores dos santos apenas se esforçam por seguir as pisadas do Mestre. Muitos não têm coragem de empreender essa tarefa e, por isso, não abraçam o Evangelho.

O Evangelho de Jesus Cristo é um evangelho de sacrifício e abnegação, de tal modo que muitos preferem arriscar suas chances de salvação a receber o Evangelho e fazer os sacrifícios necessários. A salvação é um dom de Deus, dado livremente aos seus filhos que estão dispostos a pagar o preço — o preço a ser pago é a aceitação do Evangelho e a obediência a seus preceitos. Certos princípios devem ser aceitos, ordenanças devem ser recebidas, mandamentos devem ser guardados, leis devem ser obedecidas, serviço deve ser prestado, males devem ser evitados e sacrifícios devem ser feitos.

Não é pouca coisa dar à sua igreja, ano após ano, um décimo de seus rendimentos e de sua renda, e cumprir com as demais obrigações financeiras da condição de membro da igreja. Não é pequeno o sacrifício feito por muitos milhares de nosso povo ao deixarem o lar e entes queridos e irem para o exterior dedicar-se ao ministério e à obra missionária, de dois a quatro anos de cada vez, e, em muitos casos, cumprindo duas ou mais dessas missões. O ministério doméstico da Igreja também exige tempo e esforços importantes de seus membros. Nossa fé nas palavras do Salvador é absoluta, e ele declarou com a maior ênfase que, a menos que estejamos dispostos a entregar nossas vidas por sua causa, somos indignos de sermos seus discípulos. Desejamos ser discípulos dignos do Mestre, e, se o formos, estaremos dispostos a entregar nossas vidas por sua causa; e, se assim formos seguidores dispostos de nosso Senhor, não há exigência que se possa fazer a nós, visando ao avanço de sua obra, à qual não responderemos de bom grado.

PREGANDO O EVANGELHO POR UM SÉCULO

Nosso atual corpo de missionários é composto de cerca de dois mil homens e mulheres, espalhados pelas várias nações da terra e pelas ilhas dos mares. Em dinheiro e tempo, isso custa à Igreja e a seus membros cerca de três milhões de dólares por ano. Durante cem anos, temos realizado esta obra missionária no cumprimento de um dever e uma obrigação religiosa sagrada de pregar este Evangelho do Reino em todo o mundo, como testemunho a todas as nações antes que venha o fim; com vistas a prestar à humanidade um serviço, o maior que uma pessoa pode prestar a outra. Fazer tais sacrifícios requer fé, conversão e coragem como poucos possuem.

Por cem anos, temos procurado convencer o mundo da verdade de que há um Deus nos céus; de que ele é o Criador de todas as coisas, o Doador de todo o bem; de que ele é o Pai dos espíritos de todos os homens; de que Jesus Cristo é o primogênito do Pai no espírito e o unigênito do Pai na carne; de que, sob a direção do Pai, o Filho é o Criador de todas as coisas, e de que ele é o Salvador e Redentor do mundo, o próprio Messias.

Por um século, temos dito ao mundo que Deus, o Pai, e seu Filho Jesus Cristo, são seres distintos, imortais e glorificados, cada um possuindo um corpo de carne e ossos e espírito tão tangível quanto o corpo do homem, e que todos nós fomos criados e feitos à sua imagem e semelhança; que todos os seus atributos se manifestam em nós, seus filhos, tendo sido por nós herdados por meio de nosso nascimento espiritual; que, ao aperfeiçoarmos esses atributos semelhantes aos de Deus, tornamo-nos semelhantes a ele tanto em caráter quanto em forma.

Por um século, temos procurado convencer o mundo do fato de que Deus, nosso Pai Celestial, e seu Filho Jesus Cristo, revelaram-se novamente nesta Dispensação da Plenitude dos Tempos a, e por meio de, um rapaz com menos de quinze anos de idade; que, em resposta a uma oração sincera e ansiosa, tanto o Pai quanto o Filho o visitaram e falaram com ele, e lhe deram a conhecer o fato de que houvera um afastamento universal da fé, e que o Evangelho estava prestes a ser restaurado, e que ele, Joseph Smith, se fiel, se tornaria o representante deles na realização da restauração.

Por um século, temos procurado mostrar ao mundo que as escrituras ensinam a verdade a respeito de Deus, o Pai, e de seu Filho, Jesus Cristo, tal como foi revelada a Joseph Smith por sua presença celestial.

Ao dirigir-se a uma turma de estudantes universitários que se preparavam para o ministério, sobre o tema da Divindade, Henry Ward Beecher disse:

"Sou obrigado a dizer que preciso formar um ideal de Deus por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Cristo me é indispensável. Minha natureza precisa moldar o pensamento de Deus, embora eu saiba que ele é um espírito, em algo que represente, de perto ou de longe, aquilo que conheço. Tenho, portanto, diante de minha mente, uma forma glorificada; mas, depois de toda a glória, seja qual for o nimbo e o resplendor ao seu redor, ela é para mim a forma de um homem glorificado. E assim moldo para mim, a partir do espírito, algo que é para mim, por assim dizer, uma presença divina e um ser divino — a saber, um homem divino." (Lectures on Preaching, página 129.)

Se Henry Ward Beecher e os Santos dos Últimos Dias encontram nas escrituras evidências de que Deus é um homem divino e glorificado, por que não podem, e por que não fazem, outros religiosos o mesmo? Permanece o fato de que, apesar de nossos esforços, a maior parte do mundo cristão sectário prefere crer que Deus seja algo diferente do que ele realmente é.

Por um século, temos procurado convencer o mundo do fato de que houvera um afastamento geral da verdade antes de 1820, quando o Pai e o Filho apareceram a Joseph Smith; de que a autoridade para administrar as ordenanças do Evangelho fora retirada da terra, em cumprimento da profecia; e de que o Evangelho em sua plenitude, com todas as suas ordenanças, dons e bênçãos, foi desde então restaurado, com autoridade para administrar suas ordenanças ao crente arrependido.

Por um século, temos procurado mostrar ao mundo, a partir das escrituras, que o batismo é necessário para a salvação do homem; que o batismo significa imersão, e que a imersão foi a única forma de batismo conhecida e praticada na Igreja primitiva até vários séculos depois de Cristo; e que a mudança do modo de batismo, de imersão para aspersão ou derramamento, carece de autoridade e cumpre a predição de Isaías a respeito dos últimos tempos: "Porque a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno." (Isaías 24:5.)

Por um século, temos ensinado que as crianças que morrem antes de atingir a idade da responsabilidade, oito anos, têm vida eterna, sendo redimidas desde a fundação do mundo por meio do sangue expiatório de Jesus Cristo; e que, para elas, o batismo não é necessário, nem aprovado pelo Senhor.

Por um século, temos denunciado o pedobatismo — ou batismo de crianças — como não escriturístico, irracional e em conflito com a verdade revelada; contudo, a prática de aspergir crianças continua. Há certos requisitos que os candidatos ao batismo devem possuir, conforme prescrito nas escrituras, os quais somente aqueles dotados de entendimento podem possuir. Ainda que o modo de batismo deles fosse correto, e seus candidatos dignos e elegíveis, sem a autoridade necessária, que se encontra somente na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, suas administrações não teriam nenhuma virtude quanto à salvação dos candidatos.

A MESMA EXPERIÊNCIA DOS DIAS ANTIGOS

Nossa experiência não tem sido diferente da dos profetas e santos de outras dispensações do Evangelho. Encontramos Isaías dizendo:

"Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do Senhor?" (Isaías 53:1.)

E o autor da epístola aos Romanos:

"Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; porque Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?" (Romanos 10:16.)

E as palavras do Salvador:

"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e vós não quisestes!" (Mateus 23:37.)

Então Jesus lhes disse:

"A luz ainda está convosco por um pouco de tempo; andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai.

"Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Essas coisas disse Jesus; e retirando-se, escondeu-se deles,

"E ainda que tivesse feito tantos sinais diante deles, não criam nele:

"Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? e a quem foi revelado o braço do Senhor?" (João 12:35-40.)

Se não creram em Jesus, que realizou milagres tão poderosos entre eles, e os ensinou como nenhuma outra pessoa poderia fazer, não ficaremos desanimados ainda que poucos creiam em nossa pregação.

É uma satisfação ter estado certo, e uma decepção ter estado errado, em qualquer questão que possa ter ocupado nossa atenção; e quanto mais importante a questão, maior a satisfação ou a decepção, conforme o caso.

O SIGNIFICADO DA SALVAÇÃO

A questão mais importante que jamais ocupou a atenção do homem é a da salvação — em que ela consiste e como pode ser obtida. Talvez não haja outra questão sobre a qual tenha havido tal diversidade de opinião e de entendimento.

Tão certo quanto há vida além da sepultura e que a alma do homem é imortal — e não há nada mais certo do que isso —, virá o tempo em que se saberá universalmente quem estava certo e quem estava errado em seu entendimento da salvação. Então a satisfação e a alegria dos que estiveram certos serão supremas; e a decepção e a tristeza dos que estiveram errados serão terríveis de suportar.

Nós que aceitamos o verdadeiro evangelho do Redentor e, ao fazê-lo, conhecemos a doutrina, desejamos que nossos semelhantes também o aceitem, e assim evitem as terríveis consequências de uma concepção equivocada da questão de suprema importância da salvação.

Temos a responsabilidade de pregar este Evangelho do reino em todo o mundo, como testemunho a todas as nações, antes que venha o fim; e, como Igreja e como membros dela, estamos procurando desincumbir-nos desta importante e sagrada obrigação.

AS PALAVRAS INSPIRADAS DO PROFETA JOSEPH

Nas palavras do Profeta Joseph:

"Irmãos, não prosseguiremos em tão grande causa? Ide avante e não para trás. Coragem, irmãos; e avante, avante para a vitória! Regozije-se vosso coração e muito se alegre. Prorrompa a Terra em canto. Entoem os mortos hinos de eterno louvor ao Rei Emanuel, que estabeleceu, antes da fundação do mundo, aquilo que nos permitiria redimi-los de sua prisão; pois os prisioneiros serão libertados.

"Que as montanhas gritem de alegria e todos vós, vales, clamai em alta voz; e todos vós, mares e terras secas, contai as maravilhas de vosso Eterno Rei! E vós, rios e riachos e ribeiros, fluí com alegria. Que as matas e todas as árvores do campo louvem ao Senhor; e vós, pedras sólidas, chorai de alegria! E que o sol, a lua e as estrelas da manhã cantem juntas e que todos os filhos de Deus gritem de alegria. E que as criações eternas proclamem seu nome para todo o sempre. E torno a dizer: Quão gloriosa é a voz que ouvimos do céu, proclamando a nossos ouvidos glória e salvação e honra e imortalidade e vida eterna; reinos, principados e poderes!

"Eis que o grande dia do Senhor está perto; e quem suportará o dia de sua vinda e quem subsistirá quando ele aparecer? Pois ele é como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros; e assentar-se-á como um fundidor e purificador de prata e purificará os filhos de Levi e refiná-los-á como ouro e como prata, para que façam ao Senhor uma oferta em retidão. Que nós, portanto, como igreja e como povo e como santos dos últimos dias, façamos ao Senhor uma oferta em retidão; e apresentemos em seu templo santo, quando estiver terminado, um livro contendo os registros de nossos mortos, que seja digno de toda aceitação." (Doutrina e Convênios 128:22-24.)

Que possamos fazer isso e estar preparados para sua segunda e gloriosa vinda, que está próxima, é minha humilde oração.

Como citar este discursoGeorge F. Richards, “Revelação e a Divindade da Obra do Senhor”, Conferência Geral de Abril de 1930, Reunião da Tarde do Segundo Dia (1930-04-07). Pulpit Vault, 1930-04-richards-george-f-revelation-and-the-divinity-of-the-lords-work. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).