Revelação e a Divindade da Obra do Senhor
George F. Richards
ÉLDER GEORGE F. RICHARDS ¶
O SIGNIFICADO DA IMORTALIDADE ¶
Numa ocasião em que Moisés foi arrebatado a um monte excessivamente alto e face a face falou com Deus, cujo relato se encontra no primeiro capítulo do livro de Moisés, na Pérola de Grande Valor, o Deus do céu e da terra empregou esta expressão tão significativa e impressionante: ¶
"Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." ¶
Imortalidade e vida eterna, tal como empregadas aqui pelo Senhor, entendo significar exaltação no reino celestial. Isso representa o objetivo e o propósito — o fim em vista, para o Senhor, em todas as suas obras. Obter a exaltação foi o fim que tínhamos em vista no princípio. Assim deveria ser conosco agora e por toda a nossa vida. ¶
Parecia compreender este princípio aquele sapateiro que, ao ser perguntado: "Qual é a sua vocação ou ofício?", respondeu: "Meu ofício é servir ao Senhor — conserto sapatos para viver." ¶
O PLANO DE SALVAÇÃO ¶
O propósito de nossa existência nesta vida é, portanto, preparar-nos para a vida eterna no mundo vindouro. O Senhor, no princípio, instituiu o plano pelo qual isso poderia ser realizado. O plano fornecido é o Evangelho do Senhor Jesus Cristo, incluindo a obra de um Salvador, e Jesus Cristo é o Escolhido. Nenhum outro plano o Senhor forneceu para a salvação do homem; e qualquer outro plano que viesse a ser apresentado, de qualquer fonte que fosse, seria rejeitado pelo Senhor, e deveria sê-lo também por nós, assim como o foi o plano proposto por Lúcifer no princípio. ¶
Logo depois de nossa própria salvação, em importância e interesse para nós, vem a salvação daqueles que o Senhor nos deu — nossa própria carne e sangue; e depois a salvação dos outros — os vivos e os mortos. ¶
O maior serviço que se pode prestar ao próximo é o de ajudá-lo a obter a salvação. Tal é a natureza, direta ou indiretamente, de toda a nossa obra eclesiástica, incluindo o trabalho do ministério em casa e o do ministério no exterior. É a religião pura e imaculada. Sua importância exige de nós os melhores esforços, como indivíduos e como igreja. ¶
PERSEGUIÇÕES DOS PRIMEIROS DIAS ¶
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem vivido um século de experiências variadas, e tem passado por muita tribulação. Ela construiu cidades e templos dos quais seus membros foram expulsos por turbas impiedosas — autoproclamadas inimigas do povo mórmon. Nosso Profeta Joseph e seu irmão Patriarca, Hyrum, foram assassinados a sangue-frio por uma turba brutal, por causa de sua religião. Muitos dos santos sofreram a morte às mãos de seus inimigos e pela exposição aos elementos inclementes, ao serem expulsos de seus lares antes pacíficos e felizes. ¶
O irmão de meu pai, George Spencer Richards, aos quinze anos de idade, foi literalmente trucidado juntamente com cerca de vinte outros membros da Igreja — homens, mulheres e crianças — em Haun's Mill, Missouri, em 30 de outubro de 1838, e seus corpos foram lançados num poço para sepultamento. Nenhuma palavra ou pena pode retratar adequadamente a angústia e o sofrimento físico e mental vividos pelos Santos dos Últimos Dias no início do século, enquanto representavam o Senhor no estabelecimento de sua Igreja e na restauração do Evangelho. Mas o mormonismo subsiste e sempre subsistirá, pois Deus está ao leme. ¶
As realizações da Igreja e de seu povo durante o primeiro século de sua existência são maravilhosas e admiráveis. O espetáculo apresentado em conexão com esta conferência do centenário está retratando de maneira impressionante algumas das características principais de nossa obra e realizações. Mas, apesar de tudo o que a Igreja e seus membros realizaram durante o primeiro século de sua existência, para o qual nossas mentes estão sendo direcionadas durante esta conferência, há muito do que empreendemos que não conseguimos realizar. Contudo, de forma alguma estamos desanimados. ¶
OS SACRIFÍCIOS EXIGIDOS PELO EVANGELHO ¶
Mal poderíamos esperar ter mais êxito num esforço de converter o mundo do que teve o povo do Senhor em dispensações evangélicas anteriores. O mormonismo é hoje praticamente tão popular quanto era o cristianismo na Igreja primitiva. O Profeta mórmon, Joseph Smith, é aceito hoje de modo tão geral quanto o foram Jesus e seus discípulos em seus dias, ou os profetas que os precederam. A verdade do Evangelho jamais foi aceita de modo geral. É um padrão de vida elevado demais para que a maioria das pessoas o viva. Jesus Cristo é a única pessoa que, ao longo de toda a vida, viveu à altura dos padrões do Evangelho em todos os aspectos e em todos os momentos. Os melhores dos santos apenas se esforçam por seguir as pisadas do Mestre. Muitos não têm coragem de empreender essa tarefa e, por isso, não abraçam o Evangelho. ¶
O Evangelho de Jesus Cristo é um evangelho de sacrifício e abnegação, de tal modo que muitos preferem arriscar suas chances de salvação a receber o Evangelho e fazer os sacrifícios necessários. A salvação é um dom de Deus, dado livremente aos seus filhos que estão dispostos a pagar o preço — o preço a ser pago é a aceitação do Evangelho e a obediência a seus preceitos. Certos princípios devem ser aceitos, ordenanças devem ser recebidas, mandamentos devem ser guardados, leis devem ser obedecidas, serviço deve ser prestado, males devem ser evitados e sacrifícios devem ser feitos. ¶
Não é pouca coisa dar à sua igreja, ano após ano, um décimo de seus rendimentos e de sua renda, e cumprir com as demais obrigações financeiras da condição de membro da igreja. Não é pequeno o sacrifício feito por muitos milhares de nosso povo ao deixarem o lar e entes queridos e irem para o exterior dedicar-se ao ministério e à obra missionária, de dois a quatro anos de cada vez, e, em muitos casos, cumprindo duas ou mais dessas missões. O ministério doméstico da Igreja também exige tempo e esforços importantes de seus membros. Nossa fé nas palavras do Salvador é absoluta, e ele declarou com a maior ênfase que, a menos que estejamos dispostos a entregar nossas vidas por sua causa, somos indignos de sermos seus discípulos. Desejamos ser discípulos dignos do Mestre, e, se o formos, estaremos dispostos a entregar nossas vidas por sua causa; e, se assim formos seguidores dispostos de nosso Senhor, não há exigência que se possa fazer a nós, visando ao avanço de sua obra, à qual não responderemos de bom grado. ¶
PREGANDO O EVANGELHO POR UM SÉCULO ¶
Nosso atual corpo de missionários é composto de cerca de dois mil homens e mulheres, espalhados pelas várias nações da terra e pelas ilhas dos mares. Em dinheiro e tempo, isso custa à Igreja e a seus membros cerca de três milhões de dólares por ano. Durante cem anos, temos realizado esta obra missionária no cumprimento de um dever e uma obrigação religiosa sagrada de pregar este Evangelho do Reino em todo o mundo, como testemunho a todas as nações antes que venha o fim; com vistas a prestar à humanidade um serviço, o maior que uma pessoa pode prestar a outra. Fazer tais sacrifícios requer fé, conversão e coragem como poucos possuem. ¶
Por cem anos, temos procurado convencer o mundo da verdade de que há um Deus nos céus; de que ele é o Criador de todas as coisas, o Doador de todo o bem; de que ele é o Pai dos espíritos de todos os homens; de que Jesus Cristo é o primogênito do Pai no espírito e o unigênito do Pai na carne; de que, sob a direção do Pai, o Filho é o Criador de todas as coisas, e de que ele é o Salvador e Redentor do mundo, o próprio Messias. ¶
Por um século, temos dito ao mundo que Deus, o Pai, e seu Filho Jesus Cristo, são seres distintos, imortais e glorificados, cada um possuindo um corpo de carne e ossos e espírito tão tangível quanto o corpo do homem, e que todos nós fomos criados e feitos à sua imagem e semelhança; que todos os seus atributos se manifestam em nós, seus filhos, tendo sido por nós herdados por meio de nosso nascimento espiritual; que, ao aperfeiçoarmos esses atributos semelhantes aos de Deus, tornamo-nos semelhantes a ele tanto em caráter quanto em forma. ¶
Por um século, temos procurado convencer o mundo do fato de que Deus, nosso Pai Celestial, e seu Filho Jesus Cristo, revelaram-se novamente nesta Dispensação da Plenitude dos Tempos a, e por meio de, um rapaz com menos de quinze anos de idade; que, em resposta a uma oração sincera e ansiosa, tanto o Pai quanto o Filho o visitaram e falaram com ele, e lhe deram a conhecer o fato de que houvera um afastamento universal da fé, e que o Evangelho estava prestes a ser restaurado, e que ele, Joseph Smith, se fiel, se tornaria o representante deles na realização da restauração. ¶
Por um século, temos procurado mostrar ao mundo que as escrituras ensinam a verdade a respeito de Deus, o Pai, e de seu Filho, Jesus Cristo, tal como foi revelada a Joseph Smith por sua presença celestial. ¶
Ao dirigir-se a uma turma de estudantes universitários que se preparavam para o ministério, sobre o tema da Divindade, Henry Ward Beecher disse: ¶
"Sou obrigado a dizer que preciso formar um ideal de Deus por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Cristo me é indispensável. Minha natureza precisa moldar o pensamento de Deus, embora eu saiba que ele é um espírito, em algo que represente, de perto ou de longe, aquilo que conheço. Tenho, portanto, diante de minha mente, uma forma glorificada; mas, depois de toda a glória, seja qual for o nimbo e o resplendor ao seu redor, ela é para mim a forma de um homem glorificado. E assim moldo para mim, a partir do espírito, algo que é para mim, por assim dizer, uma presença divina e um ser divino — a saber, um homem divino." (Lectures on Preaching, página 129.) ¶
Se Henry Ward Beecher e os Santos dos Últimos Dias encontram nas escrituras evidências de que Deus é um homem divino e glorificado, por que não podem, e por que não fazem, outros religiosos o mesmo? Permanece o fato de que, apesar de nossos esforços, a maior parte do mundo cristão sectário prefere crer que Deus seja algo diferente do que ele realmente é. ¶
Por um século, temos procurado convencer o mundo do fato de que houvera um afastamento geral da verdade antes de 1820, quando o Pai e o Filho apareceram a Joseph Smith; de que a autoridade para administrar as ordenanças do Evangelho fora retirada da terra, em cumprimento da profecia; e de que o Evangelho em sua plenitude, com todas as suas ordenanças, dons e bênçãos, foi desde então restaurado, com autoridade para administrar suas ordenanças ao crente arrependido. ¶
Por um século, temos procurado mostrar ao mundo, a partir das escrituras, que o batismo é necessário para a salvação do homem; que o batismo significa imersão, e que a imersão foi a única forma de batismo conhecida e praticada na Igreja primitiva até vários séculos depois de Cristo; e que a mudança do modo de batismo, de imersão para aspersão ou derramamento, carece de autoridade e cumpre a predição de Isaías a respeito dos últimos tempos: "Porque a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno." (Isaías 24:5.) ¶
Por um século, temos ensinado que as crianças que morrem antes de atingir a idade da responsabilidade, oito anos, têm vida eterna, sendo redimidas desde a fundação do mundo por meio do sangue expiatório de Jesus Cristo; e que, para elas, o batismo não é necessário, nem aprovado pelo Senhor. ¶
Por um século, temos denunciado o pedobatismo — ou batismo de crianças — como não escriturístico, irracional e em conflito com a verdade revelada; contudo, a prática de aspergir crianças continua. Há certos requisitos que os candidatos ao batismo devem possuir, conforme prescrito nas escrituras, os quais somente aqueles dotados de entendimento podem possuir. Ainda que o modo de batismo deles fosse correto, e seus candidatos dignos e elegíveis, sem a autoridade necessária, que se encontra somente na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, suas administrações não teriam nenhuma virtude quanto à salvação dos candidatos. ¶
A MESMA EXPERIÊNCIA DOS DIAS ANTIGOS ¶
Nossa experiência não tem sido diferente da dos profetas e santos de outras dispensações do Evangelho. Encontramos Isaías dizendo: ¶
"Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do Senhor?" (Isaías 53:1.) ¶
E o autor da epístola aos Romanos: ¶
"Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; porque Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?" (Romanos 10:16.) ¶
E as palavras do Salvador: ¶
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e vós não quisestes!" (Mateus 23:37.) ¶
Então Jesus lhes disse: ¶
"A luz ainda está convosco por um pouco de tempo; andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. ¶
"Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Essas coisas disse Jesus; e retirando-se, escondeu-se deles, ¶
"E ainda que tivesse feito tantos sinais diante deles, não criam nele: ¶
"Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? e a quem foi revelado o braço do Senhor?" (João 12:35-40.) ¶
Se não creram em Jesus, que realizou milagres tão poderosos entre eles, e os ensinou como nenhuma outra pessoa poderia fazer, não ficaremos desanimados ainda que poucos creiam em nossa pregação. ¶
É uma satisfação ter estado certo, e uma decepção ter estado errado, em qualquer questão que possa ter ocupado nossa atenção; e quanto mais importante a questão, maior a satisfação ou a decepção, conforme o caso. ¶
O SIGNIFICADO DA SALVAÇÃO ¶
A questão mais importante que jamais ocupou a atenção do homem é a da salvação — em que ela consiste e como pode ser obtida. Talvez não haja outra questão sobre a qual tenha havido tal diversidade de opinião e de entendimento. ¶
Tão certo quanto há vida além da sepultura e que a alma do homem é imortal — e não há nada mais certo do que isso —, virá o tempo em que se saberá universalmente quem estava certo e quem estava errado em seu entendimento da salvação. Então a satisfação e a alegria dos que estiveram certos serão supremas; e a decepção e a tristeza dos que estiveram errados serão terríveis de suportar. ¶
Nós que aceitamos o verdadeiro evangelho do Redentor e, ao fazê-lo, conhecemos a doutrina, desejamos que nossos semelhantes também o aceitem, e assim evitem as terríveis consequências de uma concepção equivocada da questão de suprema importância da salvação. ¶
Temos a responsabilidade de pregar este Evangelho do reino em todo o mundo, como testemunho a todas as nações, antes que venha o fim; e, como Igreja e como membros dela, estamos procurando desincumbir-nos desta importante e sagrada obrigação. ¶
AS PALAVRAS INSPIRADAS DO PROFETA JOSEPH ¶
Nas palavras do Profeta Joseph: ¶
"Irmãos, não prosseguiremos em tão grande causa? Ide avante e não para trás. Coragem, irmãos; e avante, avante para a vitória! Regozije-se vosso coração e muito se alegre. Prorrompa a Terra em canto. Entoem os mortos hinos de eterno louvor ao Rei Emanuel, que estabeleceu, antes da fundação do mundo, aquilo que nos permitiria redimi-los de sua prisão; pois os prisioneiros serão libertados. ¶
"Que as montanhas gritem de alegria e todos vós, vales, clamai em alta voz; e todos vós, mares e terras secas, contai as maravilhas de vosso Eterno Rei! E vós, rios e riachos e ribeiros, fluí com alegria. Que as matas e todas as árvores do campo louvem ao Senhor; e vós, pedras sólidas, chorai de alegria! E que o sol, a lua e as estrelas da manhã cantem juntas e que todos os filhos de Deus gritem de alegria. E que as criações eternas proclamem seu nome para todo o sempre. E torno a dizer: Quão gloriosa é a voz que ouvimos do céu, proclamando a nossos ouvidos glória e salvação e honra e imortalidade e vida eterna; reinos, principados e poderes! ¶
"Eis que o grande dia do Senhor está perto; e quem suportará o dia de sua vinda e quem subsistirá quando ele aparecer? Pois ele é como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros; e assentar-se-á como um fundidor e purificador de prata e purificará os filhos de Levi e refiná-los-á como ouro e como prata, para que façam ao Senhor uma oferta em retidão. Que nós, portanto, como igreja e como povo e como santos dos últimos dias, façamos ao Senhor uma oferta em retidão; e apresentemos em seu templo santo, quando estiver terminado, um livro contendo os registros de nossos mortos, que seja digno de toda aceitação." (Doutrina e Convênios 128:22-24.) ¶
Que possamos fazer isso e estar preparados para sua segunda e gloriosa vinda, que está próxima, é minha humilde oração. ¶