This has been a most glorious conference. I
Charles W. Nibley
Esta tem sido uma conferência gloriosíssima. Tenho vindo a este tabernáculo há sessenta anos. No ano de 1869, cantei com um coral de Brigham City, neste tabernáculo. Nunca, em todos esses sessenta anos, vi tal multidão de pessoas neste edifício e do lado de fora, neste quarteirão, como há hoje. Sião está crescendo. ¶
Temos todos os motivos para nos regozijar na obra do Senhor. Fomos abençoados durante esta conferência com um tempo esplêndido. Na verdade, temos muito bom tempo na época da conferência, mesmo sendo o período tempestuoso do ano. Mas como é belo este dia, e os dois dias anteriores a ele. Poderíeis encontrar em qualquer outro lugar do mundo, meus irmãos e irmãs, um país tão delicioso para se viver, com esta atmosfera rarefeita — três quartos de milha acima do nível do mar, e ainda assim respirando ar do mar salgado? Não existe combinação atmosférica igual em nenhum outro lugar do globo conhecido, pois, se encontrardes ar salgado em qualquer outro lugar do mundo, deveis estar ao nível do mar. Assim, temos aqui uma combinação mais maravilhosa, a melhor para a vida vegetal, para a vida animal e para a vida humana, tornando este o melhor país do mundo inteiro. Aquilo que era um deserto e um ermo há oitenta e três anos — vede o que o Senhor tem feito! ¶
Isto é Sião
O povo tem sido verdadeiramente abençoado do Senhor. Esta cidade é uma maravilha de beleza durante todo o verão. Enquanto percorro esta cidade, contemplo-a com admiração, com espanto. Já disse em meu coração cem vezes: onde, em todo o mundo, há um lugar mais belo do que este? Bela, na verdade, é Sião por sua situação. Esta é Sião, aqui nestas montanhas. Sião, no sentido mais amplo, é talvez a América do Norte e do Sul. Sião está no condado de Jackson, como ouvimos esta manhã, mas aqui também está a Sião de nosso Deus, o monte da casa do Senhor, como o Presidente Ivins leu da profecia de Isaías, a qual repetirei, pois é bom ouvi-la: "E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor" — entendo que isso significa a sede, a parte principal dela, embora não toda a casa do Senhor, pois, no Livro de Mórmon, em Primeiro Néfi, capítulo 14, podeis ler que os santos de Deus seriam espalhados sobre toda a face da terra; mas a maior parte dela, poderíamos dizer, o "monte" da casa do Senhor "se firmará no cume dos montes." E aqui está ele; aqui estamos nós; e as obras que produzimos, penso, são boas, são construtivas. O que o mormonismo tem feito é motivo de honra. ¶
Este edifício, construído aqui antes de haver qualquer ferrovia a centenas de quilômetros daqui, era uma maravilha na época, e é uma maravilha agora. Aquele templo — não é esplêndido? Quer creiais nas doutrinas de nossa fé ou não, deveis admitir que, como construtores, como um povo construtivo, um povo que faz as coisas e as faz corretamente, temos direito a algum reconhecimento. Podeis ver que, de maneira material, nossas obras são boas, não é verdade? Nenhum homem são, a menos que o preconceito o tenha cegado — e então ele não é são —, poderia dizer o contrário. As obras falam por si mesmas; e a doutrina da Igreja, a fé do povo, produziram este tipo de obras. Portanto, aquilo que produz estas boas coisas deve, necessariamente, ser bom em si mesmo, pois uma fonte impura não enviará água pura. A árvore é conhecida por seu fruto. Olhai para este quarteirão. Onde encontrareis algo mais bonito no mundo do que este Quarteirão do Templo, mantido às custas da Igreja? Não pedimos a ninguém que nos ajude a pagar as despesas. A Igreja as paga. Vossos dízimos ajudam a pagá-las, e é uma boa obra. Centenas de milhares de pessoas vêm aqui todos os anos com um sentimento no coração, e dizem: "Podeis, por favor, nos contar algo sobre vossa religião?" Elas vêm e pedem. Ora, eis aqui a oportunidade para o maior serviço missionário do mundo. Não creio que apreciemos plenamente a oportunidade que temos aqui. E aos homens e mulheres que serviram aqui, e que ainda servem, devemos nossos agradecimentos pela boa obra que estão fazendo — homens como o irmão Joseph Peery, que dedicou tantos anos de serviço gratuito — na verdade, tudo aqui é gratuito. Estes recitais de órgão todos os dias — gratuitos. Não há ninguém parado em cada esquina com um chapéu ou uma lata para receber vosso dinheiro, ou para pedir esmolas. Tenho viajado pelo mundo. Vós, missionários, vós que estais aqui às centenas, sabeis o que se encontra no mundo. É pagar, pagar, pagar. Pois bem, aqui é gratuito, gratuito, gratuito; recitais de órgão gratuitos, coral gratuito. Quero agradecer ao irmão Anthony Lund e ao coral por seu esplêndido trabalho. Eles vêm aqui às segundas-feiras à tarde, às 4 horas, e, se ligardes vosso rádio, ouvireis este maravilhoso coral. Ele é ouvido em todos os Estados Unidos. Recebemos cartas de Long Island, de Nova York, de Washington, de toda a região ao redor: "Ouvimos o coral, ouvimos o órgão, e ah, era tão bom." Tudo isso é gratuito. Quero agradecer àqueles que empregam os membros do coral, os comerciantes e outros, que os liberam por tempo suficiente para virem aqui por meia hora às segundas-feiras cantar e realizar uma boa obra missionária. Tudo é gratuito, e é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Tenho orgulho disso. Tenho orgulho do que foi realizado. ¶
Uma Igreja de Pobres
Esta Igreja é exatamente o que o Senhor pretendia que fosse — uma igreja de pobres. É claro que também é para os ricos, se os ricos decidirem vir; mas foi edificada pelos pobres. Esse foi um dos sinais que o Salvador deu. Quando João estava na prisão, e provavelmente bastante desanimado, ele enviou um ou dois de seus discípulos a Jesus, fazendo esta pergunta: aquele era mesmo o que havia de vir, ou deveriam esperar outro? E Jesus disse a esses dois: voltassem e dissessem a João que os enfermos são curados, os coxos andam, e até os mortos são ressuscitados — pois ele tinha poder para ressuscitar os mortos — e, como prova adicional, que aos pobres é anunciado o evangelho. ¶
Assim, nestes dias, dois mil de nossos missionários estão pelo mundo, pregando — a quem? De modo geral, aos pobres, porque os ricos não têm tempo para ouvi-los; estão ocupados demais e seguros demais com seu dinheiro; e é ainda um grande sacrifício ser chamado de "mórmon." Não é tanto quanto era há cinquenta anos, nem de longe, mas ainda é um sacrifício abrir mão das relações familiares e da riqueza para vir lançar sua sorte com os Santos dos Últimos Dias. Os ricos, via de regra, não o farão; mas com os pobres é diferente. Quem foram vossos pais e vossas mães, todos vós? Dificilmente algum que não fosse pobre. Digo que conseguimos mil conversos pobres para cada um rico que conseguimos. No entanto, não esqueçamos que são pobres apenas em bens materiais. São ricos em espírito, ricos em fé. São os pobres do Senhor, e ele os ama. Não vêm dos refugos da sociedade, mas são do mais elevado tipo de homens e mulheres. ¶
Assim, o evangelho, nestes dias, como foi nos dias do Salvador, é pregado aos pobres. Aos pobres é anunciado o evangelho, e é o evangelho de Jesus Cristo. Os pobres, quero dizer-vos, edificaram esta Igreja. Os pobres são mais fiéis em devoção à Igreja do que os ricos, ou os que são relativamente ricos. Aquela pobre viúva em vossa vizinhança, que conheceis, provavelmente lavando roupa para sobreviver, tem um filho em missão, ajudando a sustentá-lo. Ela é do tipo, e outras como ela, que realmente se sacrificam por esta obra. Quanto sacrificais vós? Quanto sacrifício real fazemos nós, que estamos em melhor situação, pela obra? Não muito, porque aquilo que damos não sentimos, e a razão por que não sentimos muito é porque não damos muito, em proporção ao que temos. Mas os pobres — aquela pobre moça imigrante em vossa ala, que está ali na reunião de jejum, prestando seu testemunho, provavelmente em inglês precário, seu dízimo está nas mãos do bispo. Deixai-me dizer-vos que ela está ajudando a edificar a Igreja, ela está se sacrificando. Tiro o chapéu diante de pessoas como essas. Curvo minha cabeça em sua presença, porque são melhores do que ¶
Para Edificar o Reino
Ouvimos do Presidente da Igreja que uma parte considerável da obra está paralisada por falta de missionários. Com o chamado por missionários vem o chamado por casas de reunião. É diferente do que era no mundo há algum tempo. As pessoas agora querem ouvir sobre o mormonismo, e querem um lugar decente para vir ouvir a respeito. Assim, isso exige muito dinheiro, e precisamos de dez vezes mais para essa mesma obra do Senhor — não para mim, não para o Presidente Grant, não para as autoridades da Igreja, mas para a edificação do reino de Deus. Precisamos de dez vezes mais. E deixai-me dizer: se eu, e vós, e todos os demais que estamos bem de vida — se toda a membresia desta Igreja pagasse seus dízimos honestamente, jamais haveria necessidade de outro chamado ao povo por coisa alguma na edificação do reino de Deus. A lei do Senhor proveu tudo o que seria necessário. Mas não observamos plenamente a lei. Não contribuímos com os meios que prometemos, e aos quais estamos obrigados. O irmão McKay, no primeiro dia da conferência, chamou a atenção exatamente para esse ponto: que estais sob convênio, que estou sob convênio, de guardar esse mandamento. Sei que alguns dos irmãos dirão: "Não sei se prometi pagar o dízimo." Ah, sim, prometeste; sim, prometeste. Todo domingo, se fordes à reunião de jejum ou à reunião sacramental, prometeis, clara e definitivamente, ainda que não com alegria. Deveríeis fazê-lo com alegria, pois, antes de comerdes aquele bocado de pão que simboliza o corpo, a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus Cristo, é oferecida uma oração na qual fazeis o compromisso "de que testificaremos a ti, ó Deus, Pai Eterno" — esse é um compromisso bem solene, irmãos e irmãs — "testificar a ti, ó Deus, Pai Eterno, que de fato nos lembramos dele, que estamos dispostos a tomar sobre nós" — dispostos, notai bem — "dispostos a tomar sobre nós o seu nome" — e o que mais? "E guardar os seus mandamentos que ele nos deu." Não é isso um compromisso? Não é essa a vossa promessa? Pois bem, não a temos cumprido. Não a cumprimos. E assim a Igreja não tem meios suficientes para ajudar a prosseguir e edificar a obra do Senhor. ¶
Eis o que o Senhor diz a respeito dos pobres. Está na Doutrina e Convênios, seção trinta e cinco: ¶
"E aos pobres e mansos será pregado o evangelho; e eles estarão esperando a hora de minha vinda, pois está próxima." ¶
E ainda, na seção cinquenta e seis: ¶
"Ai de vós, homens ricos, que não compartilhais vossos bens com os pobres, pois vossas riquezas irão corromper-vos a alma; e esta será vossa lamentação no dia da visitação e do julgamento e da indignação: Passada é a colheita, findo é o verão; e a minha alma não está salva! ¶
"Ai de vós, homens pobres, cujo coração não está quebrantado, cujo espírito não é contrito e cujo ventre não está satisfeito e cujas mãos não cessam de se apoderar de bens alheios, cujos olhos estão cheios de cobiça e que não trabalhais com as próprias mãos! ¶
"Mas bem-aventurados os pobres que são puros de coração, cujo coração está quebrantado e cujo espírito é contrito, pois eles verão o reino de Deus vindo em poder e grande glória para sua libertação; pois deles será a gordura da terra. ¶
"Pois eis que o Senhor virá e, com ele, seu galardão; e recompensará a cada homem e os pobres regozijar-se-ão; ¶
"E suas gerações herdarão a Terra de geração em geração, para todo o sempre." ¶
Nesta Terra Boa
Essas são as promessas feitas aos pobres. Nós, descendentes dos pobres, fomos colocados nesta terra maravilhosa e boa, com riquezas, com abundância; e, no entanto, somos tão mesquinhos, ia dizer eu. Nossos corações não são o que o Senhor gostaria que fossem, pois o Senhor ama a quem dá com alegria, não a quem dá com mesquinhez. Não trará tanta bênção se for dado com avareza. ¶
Lembro-me de ouvir o irmão Golden Kimball contar a respeito de seu pai, que por acaso entrou na posse de um cavalo muito fino, um belo cavalo, e os rapazes acharam que precisavam dele; ao passo que ele, o irmão Kimball, achou melhor pagá-lo como dízimo — pois costumávamos pagar em espécie, naquela época, quando não havia dinheiro neste país; pagava-se em trigo, e manteiga e ovos, gado e ovelhas, e tudo o que era produzido. Pois bem, este era um belo cavalo, e os rapazes achavam que deveriam ficar com ele. Por fim, o irmão Kimball teve de dizer: "Levai esse cavalo já ao bispo, ali no escritório do dízimo, antes que meu coração se encolha." ¶
Pois bem, calculamos quão pouco podemos pagar, e nossos corações se "encolhem", e não cumprimos o convênio, o compromisso que fazemos todo dia de sábado à mesa do sacramento. E, no entanto, não quero repreender. Antes, quero abençoar; está em meu coração abençoar, abençoar os obreiros fiéis, pois, afinal, não somos o melhor povo do mundo inteiro? Não quero estar associado, aqui ou no além, com nenhum outro tipo de povo que não seja o meu próprio. São boas pessoas. ¶
Sinais dos Tempos
Vejo os sinais dos tempos que foram apontados a vós e aos que procuram observá-los. O irmão Young mencionou Ramsay MacDonald, Primeiro-Ministro do império britânico, vindo até aqui para falar de paz, para tentar ajudar a trazer paz ao mundo — bendita paz! Herbert Hoover, filho de fazendeiro, criado desde pobre rapaz que teve de trabalhar para pagar seus estudos, à frente da maior nação da terra, e Ramsay MacDonald, um dos pobres, o pobre exaltado, encontrando-se, neste dia, naquelas colinas da Virgínia e conversando sobre assuntos da maior importância para o mundo inteiro. Abençoo o Senhor por eles. Até onde tenho autoridade para abençoar — e tenho, como élder da Igreja — abençoo Herbert Hoover no grande esforço que agora está fazendo, e abençoo Ramsay MacDonald, e peço a Deus que os abençoe, para que façam o que conduz à retidão. ¶
Bênçãos Invocadas
No gabinete do presidente, outro dia, quando Ramsay MacDonald estava desembarcando no cais de Nova York, ligamos o rádio — maravilhoso rádio — e pudemos ouvir o apito do navio a vapor soar; pudemos ouvir o tumulto e os gritos e tudo o mais, as bandas tocando; e, depois que chegaram à prefeitura, ouvimos a voz rica e escocesa de Ramsay MacDonald; ele arrastava os "erres" ao dizer: "Queremos trazer a paz ao mundo," e apreciei isso. Foi música para minha alma, e disse em meu coração e alma: "Deus te abençoe." Digo-o agora, diante desta congregação. Pelo poder e autoridade do santo sacerdócio que possuo, abençoo o Presidente dos Estados Unidos e o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, para que o Deus Todo-Poderoso lhes dê êxito e bênção do Senhor. ¶
Abençoo-vos, meus irmãos e irmãs, por esse mesmo poder e essa mesma autoridade, para que nossos corações se abram à obra do Senhor, e para que não deixemos de cumprir os convênios que fazemos. ¶
Abençoo meus irmãos aqui na tribuna. Quero dizer aqui que, quanto às Autoridades Gerais da Igreja, não creio que jamais tenha havido, na história desta Igreja, um tempo de maior unanimidade, mais companheirismo, mais esforço real, dentro do que somos capazes de realizar. Pode ter havido homens maiores; sem dúvida houve; mas, quanto a esforço realmente unido, força unida, e o poder de Deus, jamais houve, na história desta Igreja, um bando de irmãos mais unido do que são hoje as Autoridades Gerais da Igreja. Glorio-me nisso. Cito com prazer a profecia feita, creio, por Isaías, quando o Senhor haveria de trazer Sião de volta, e ele a está trazendo agora. ¶
"Uma voz dos teus atalaias se ouve, alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o Senhor tornar a trazer Sião." ¶
Essa é a condição hoje. Dou testemunho disso. Abençoo o Presidente desta Igreja por sua integridade, por sua humildade, mansidão e poder. Abençoo seus conselheiros, para que lhe sejam de ajuda; também os Doze, e o Patriarca. Abençoo o Patriarca de todo o meu coração, para que seja curado. Abençoo os Presidentes dos Setenta, o Bispado Presidente, e todos vós, presidentes de estaca, e bispos de ala, e todo obreiro fiel, homem e mulher. Abençoo-vos, irmãs, que tão nobre e eficientemente dirigis os esplêndidos trabalhos de vossas organizações. Não sois mesquinhas como o são vossos maridos. Falo sério. Não sois desse tipo. Dais com mais liberalidade. Deus vos abençoe. Abençoo-vos a todos em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶