Pulpit

Tenho certeza, meus irmãos e irmãs, de que

Melvin J. Ballard

Conferência Geral de Outubro de 1929·Reunião da Manhã do Segundo Dia·1929-10-05

Tenho certeza, meus irmãos e irmãs, de que todos nós ficamos animados ontem de manhã ao ouvirmos o relatório de nosso Presidente a respeito do crescimento da Igreja. Fiquei particularmente impressionado com ele, porque contrasta fortemente com os relatórios que vêm das estatísticas governamentais a respeito de outras igrejas neste país. A julgar pelos registros de vinte e três igrejas e sua situação entre os anos de 1916 e 1926, seis dessas vinte e três principais denominações dos Estados Unidos sofreram uma perda efetiva em número de membros; e, embora as demais tenham apresentado aumento, não há entre elas nenhuma cuja porcentagem de aumento seja maior do que a da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Força e Crescimento da Igreja

O registro mostra que, no que diz respeito à nossa Igreja, a quantia despendida com casas de reunião durante os últimos nove meses excede a de qualquer período semelhante. Isso contrasta com o registro das igrejas nos Estados Unidos. Somos informados, por boa autoridade, de que há vinte e cinco mil igrejas vazias nos Estados Unidos, sem pastor ou congregação; enquanto aqui há um crescimento como a Igreja jamais teve antes, com aumento e prosperidade acompanhando os membros da Igreja.

É motivo de alegria saber que, numa época em que as igrejas estão sendo postas à prova, experimentadas e abaladas, e em que a dúvida e a incerteza vêm se desenvolvendo, aqui há força, aqui há poder, aqui há solidez; e, na era mais esclarecida que o mundo já conheceu, o fato de esta Igreja estar realizando seu progresso mais rápido é, sem dúvida, motivo de esperança.

Mas não me preocupo tanto com o crescimento material da Igreja ou com o aumento de seu número de membros quanto me preocupo com seu crescimento em boas obras, em retidão. Tenho certeza de que, se os Santos dos Últimos Dias puderem ser levados a viver de acordo com o elevado padrão que Deus estabeleceu para nós, não precisaremos nos preocupar com o crescimento da Igreja em número de membros nem com sua força material.

"Cremos em Ser Honestos"

Quero ler a décima terceira Regra de Fé, porque nela há algo sobre o qual gostaria de falar, pois sinto que a atenção dos Santos dos Últimos Dias precisa ser chamada para isso, devido às condições existentes no mundo que naturalmente nos afetarão.

"Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos."

É dessa primeira declaração do Profeta, ao anunciar os itens da fé dos Santos dos Últimos Dias, que desejo falar: "Cremos em ser honestos."

Falo disso porque estamos numa época de autoindulgência, no que diz respeito ao mundo, e os homens se esforçam para alcançar seus fins nem sempre por métodos honestos. Atalhos estão sendo tomados para assegurar esses fins desejáveis. Os registros dos Estados Unidos do ano passado mostram, por exemplo, que foram roubados dos cidadãos deste país, por assaltos à mão armada, dois bilhões seiscentos e cinquenta milhões de dólares, tudo, é claro, tomado ilicitamente. Nenhum espírito de honestidade aí. Em vendas fraudulentas de ações, nas quais se pratica a desonestidade, por vezes dentro da própria lei, foram tomados do povo dos Estados Unidos mais de seis bilhões de dólares no ano passado. Perderam-se cem milhões de dólares por meio de empregados de confiança que cometeram falsificações e furtos. O total desses três itens em um ano é algo em torno de nove bilhões de dólares. Por quanto tempo poderia essa ordem de coisas continuar a aumentar como tem aumentado, até que esta deixasse de ser uma terra de segurança e proteção e se tornasse de insegurança e desproteção? Se o espírito de desonestidade está no mundo, naturalmente seremos influenciados por seus efeitos, porque vivemos hoje num mundo muito pequeno. O que afeta qualquer parte deste país ou do mundo naturalmente nos afeta. Recentemente, companhias de fiança que garantem a honestidade e a integridade de homens em posições de confiança dobraram suas taxas, devido ao número crescente daqueles que se mostram infiéis à confiança que lhes foi depositada.

Tudo isso me impressiona, meus irmãos e irmãs, com a necessidade de retomarmos aquele elevado padrão da velha e sólida honestidade estabelecido pelos homens que lançaram os alicerces desta obra. Ele ainda está aqui, sim; mas, se quisermos preservá-lo, precisamos ser vigilantes, ou sucumbiremos às influências que existem no mundo para corromper os homens.

O Tributo do Sr. Studebaker

Lembro-me de ter ficado impressionado, anos atrás, com o padrão de honestidade e integridade mórmon, quando, ao final de uma reunião de rua na cidade de South Bend, Indiana, um cavalheiro idoso, usando uma alta cartola de seda, que havia chegado numa carruagem, pediu permissão para falar.

Foi-lhe concedido esse privilégio, e ele disse ao povo daquela cidade: "Quero que vocês sejam gentis com estes élderes mórmons. O povo deles são meus amigos. Conheço-os há muitos anos. Eles têm um lema que me agrada, e descobri que vivem de acordo com esse lema, que é: 'a palavra de um mórmon vale tanto quanto sua garantia.'"

Comentou que havia vendido ao Presidente Young seu primeiro trenó e sua primeira carruagem depois de chegar ao vale, e que havia vendido milhões de dólares em veículos ao povo mórmon. Declarou que não havia perdido um único dólar com um mórmon. Acrescentou ainda: "Não posso dizer o mesmo de nenhuma outra comunidade onde minha empresa faz negócios."

O velho cavalheiro era o Sr. Studebaker, fundador da Studebaker Brothers. Fiquei emocionado ao ouvir seu testemunho, depois de anos de relação com o nosso povo, de que ele havia descoberto que a palavra deles valia tanto quanto sua garantia. Creio que será uma palavra em boa hora pedir aos membros da Igreja que preservem sagradamente esse elevado padrão. Creio que a grande maioria dos Santos dos Últimos Dias assim o faz.

Uma Regra de Conduta

Tenho pensado no que, a esse respeito, eu poderia oferecer como regra de conduta a seguir para preservar esse espírito de honestidade; e o que me impressiona é que Deus, ao estabelecer a lei do dízimo, da qual o Presidente Grant falou ontem de manhã, estava traçando um caminho para os Santos dos Últimos Dias seguirem, que os levaria a ser honestos com Ele em primeiro lugar. E creio que é essencial que sejamos honestos com Deus para que sejamos plenamente honestos com nosso próximo. Creio que o homem que compreende a lei do dízimo e a aceita como a palavra do Senhor, mas não lhe é fiel, achará fácil não apenas roubar o Senhor, mas também ser infiel a seu próximo. Creio que o primeiro passo que os homens dão rumo a desconsiderar as leis dos homens é desconsiderar as leis de Deus.

Quando a França procurou manter seu governo, sua civilização, apelando para o domínio da Razão, deixando Deus fora de questão, logo se viu em dificuldades. Nenhuma nação pode preservar plenamente suas instituições e desconsiderar totalmente a Deus. Este governo, por mais poderoso que seja, e por mais poderoso que venha a se tornar, ainda terá de observar e honrar as leis de Deus, o Deus desta terra, que é Jesus Cristo, segundo os profetas do Livro de Mórmon, ou não poderá subsistir. Assim, creio que uma das melhores práticas para incutir, no próprio íntimo dos homens, a honestidade verdadeira e genuína é ensiná-los a serem honestos diante de Deus. "Roubará o homem a Deus?" Ele perguntou aos filhos de Israel de antigamente, e, no entanto, os acusou de tê-lo roubado em dízimos e em ofertas.

Eis aqui uma oportunidade para os homens desenvolverem a honestidade sem temor de opressão, sem temor de serem processados; pois o Senhor não processará ninguém. Ele dá ao homem o privilégio de praticar o princípio da honestidade a partir dos mais elevados motivos de seu próprio coração, impelido rumo à justiça para com Deus, movido apenas pelos princípios mais elevados, e sem temor do cobrador. Creio, portanto, que os Santos dos Últimos Dias fariam bem em considerar esta lei como o alicerce sobre o qual pode ser edificada a honestidade genuína, não só entre Deus e o homem, mas entre o homem e seu próximo.

O Aluguel de Deus

Certamente esta é uma lei justa. É simplesmente o aluguel de Deus. Um homem que lhe dá o direito de possuir uma propriedade e o privilégio de receber os rendimentos dessa propriedade naturalmente espera um aluguel pelo uso da terra. Mas o que ele garante? Que o sol brilhará; que a umidade virá; que a geada será contida; que o solo germinará? Não, ele não garante nenhuma dessas coisas — apenas o direito e o título sobre a terra. E, mesmo assim, esperamos pagar aluguel por esse direito e título. Quem fornece essas coisas mais essenciais — a umidade, a fertilidade do solo, o brilho do sol, a colheita? Deus Todo-Poderoso, que proveu a própria terra, o proprietário. Ele quer que os homens reconheçam que Ele é o proprietário, por meio da observância da lei do dízimo. Todo homem que deixa de pagar seu justo tributo àquele que provê essas coisas mais importantes e essenciais para a sustentação da vida está roubando o Senhor e não é justo em seus tratos.

Uma Lei Superior

Quando o Senhor deu a esta Igreja os princípios corretos que hão de ser finalmente estabelecidos, conhecidos como a Ordem de Enoque, ou a Ordem Unida, isso era um ideal elevado para o qual mirar, algo para se trabalhar, mas faltava-lhes preparo para isso. Ao introduzir a lei do dízimo, ele a chamou de aio que nos conduz àquela lei superior. Homens e mulheres que puderem viver de acordo com essa lei do dízimo estarão mais bem preparados para aquele dia que há de vir, pois há de vir, quando haverá alguns preparados e prontos para manter aquela lei superior, que será estabelecida na justa economia de Deus, quando Cristo reinar com os homens sobre a terra.

A Lei da Herança

E, além disso, não temos nós esperança e expectativa de ter uma herança no reino celestial, mesmo nesta terra, em seu estado redimido e santificado? Quais são as condições sob as quais podemos obter essa herança? A lei do dízimo é a lei da herança. Ela conduz a essa herança. Nenhum homem pode ter esperança ou expectativa de possuir uma herança neste globo celestial se deixar de pagar seu dízimo. Pelo pagamento honesto de seu dízimo, ele estabelece um direito e um título a essa herança, e não pode obtê-la em nenhuma outra condição senão cumprindo esta e outras exigências justas; e esta é uma das coisas mais essenciais.

Aqueles Que Entram no Reino Celestial

Um de meus irmãos me perguntou recentemente, ao fechar os cofres de um dos grandes bancos para trancar os tesouros, se eu achava que chegaria o dia em que os tesouros pudessem ser, e seriam, preservados sem temor de serem roubados, e não seria necessário trancá-los. Respondi que certamente esse dia chegará, pois todos aqueles que entrarem no reino celestial serão tão honestos que poderiam viver e andar ao alcance da mão daquilo que não lhes pertence, sem nada que os impeça de tomar posse disso, seguindo o elevado padrão estabelecido no evangelho de Cristo, e a retidão de suas próprias intenções sendo posta em prática na vida real. Pois aqueles que entrarem naquele estado serão tão honestos que Deus poderá pavimentar as ruas com ouro e guarnecer os muros com jaspe e diamantes, sem qualquer temor de que sejam roubados. Sim, tal dia há de vir. Por enquanto, porém, estamos sendo provados para ver se somos dignos de entrar nesses elevados e santos privilégios.

Quando Pope disse que "um homem honesto é a mais nobre obra de Deus," ele proferiu uma verdade. Não importa quantos privilégios e bênçãos venham aos homens, quais tenham sido suas ordenações e seus batismos, não há possibilidade de entrarem na presença de Deus por meios desonestos.

Pedro disse aos santos batizados em seus dias que, a seu batismo, deviam acrescentar fé, virtude, conhecimento, temperança, paciência, piedade. O que é piedade? É honestidade, integridade, pureza e virtude. Essas qualidades devem ser acrescentadas se os homens desejarem obter admissão àquela presença elevada. Não podemos, nem por um momento, consentir com as concepções de muitos no mundo, de que meras cerimônias e ordenanças, por mais importantes que sejam, são as coisas mais fundamentais e importantes de todas. Elas são fundamentais, são importantes, mas a coisa mais importante é a vivência do evangelho, a preparação para entrar naquela presença por meio do treinamento necessário e essencial; e uma dessas coisas essenciais é desenvolver em nós o espírito de honestidade, para que sejamos honestos com Deus e honestos com nosso próximo.

A Lei de Falências

Existe uma lei criada para o alívio dos homens que se veem oprimidos por seus credores, e, por meio da declaração de falência, os homens podem ser liberados de suas obrigações. Já me foi perguntado muitas vezes: quem se justifica em declarar falência para evitar uma obrigação? Minha resposta tem sido — e gostaria de fazê-la aqui, e, se estiver errado, estou disposto a ser corrigido — que nenhum Santo dos Últimos Dias, enquanto seus credores lhe derem a chance, ainda que a mais remota chance, de resolver e cumprir suas obrigações, deveria recorrer a acolher-se à lei de falências. Ela é apenas para aqueles que estão oprimidos, aqueles que não têm chance, nem esperança, e nada além da opressão os perseguindo. Estes podem estar justificados, mas certamente ninguém que possa, de alguma forma, resolver seus problemas com seus credores deveria recorrer a esse meio para se livrar de suas obrigações.

Uma Preciosa Herança

Quando meu pai morreu, era um homem pobre, com uma família numerosa, mas deixou-nos um crédito que considero valer mais do que milhões. Nunca soube dele fazer coisa desonesta alguma em toda a sua vida, nem me envergonharia se o mundo inteiro visse seus atos revelados. Confesso-lhes que isso tem sido para mim uma alegria e uma força maiores do que o dinheiro teria sido. Rogo-lhes que deixem esse tipo de herança a seus filhos e filhas, para que eles sejam estimulados e inspirados por sua honestidade, por sua integridade, por sua confiabilidade, a serem honestos com Deus e com seu próximo; para que essa herança lhes seja deixada, capaz de inspirá-los a prosseguir e perpetuar esses elevados padrões, em preparação para as coisas mais gloriosas que hão de vir àqueles que puderem manter ideais tão elevados.

Que Deus abençoe os Santos dos Últimos Dias para que não nos esqueçamos, nesta época de colheita de nossas fartas safras, de acertar contas com o Senhor, e de fazê-lo honesta, justa e plenamente; que possamos ver crescer em nós aquele espírito de honestidade que há de nos apoiar e sustentar durante estes tempos perigosos que estão sobre nós e que ainda hão de vir. Rogo por isso em nome de Jesus Cristo. Amém.

Élder John Wells

do Bispado Presidente

Desejo expressar minha gratidão por ser membro desta Igreja, e como sou grato por o evangelho ter me encontrado em minha juventude; como me alegro por estar a serviço do Senhor, e meu desejo é ser leal a meus irmãos.

O Senhor tem me abençoado com um testemunho da verdade. Sou tão grato por não ser levado de um lado para outro por todo vento de doutrina que sopra. Creio firmemente em meu Deus, o Pai; e em meu Redentor, Jesus Cristo; e na missão divina do Profeta Joseph Smith.

Quero chamar a atenção para um episódio na vida de nosso Mestre. Foi o último dia de seu ministério público. Ele estava em Jerusalém naquela fatídica terça-feira antes de sua crucificação. Ali, perto do tesouro do templo, foi questionado por fariseus, saduceus e escribas. Primeiro, os fariseus lhe fizeram esta pergunta: "É lícito pagar tributo a César?" Depois, um grupo de saduceus o questionou a respeito de uma mulher que tivera sete maridos, e de quem ela seria esposa na ressurreição. Então, veio até ele, dentre a multidão, um doutor da lei ou escriba, que propôs uma pergunta muito importante. Permitam-me citar o décimo segundo capítulo do evangelho de São Marcos:

"E aproximando-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?

"E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

"Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.

"E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

"E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele;

"E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.

"E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus."

Se nosso profundo senso de responsabilidade para com nosso Deus e para com nosso próximo fosse compreendido como nosso Mestre pretendia que fosse, poucas outras leis seriam necessárias. Não haveria ocasião para os estados da União promulgarem treze mil leis por ano, se estivéssemos vivendo as duas grandes leis dadas por Jesus.

Amar o próximo é ser-lhe um irmão no sentido mais amplo, mais profundo e mais sério do termo. Ser bom vizinho é prestatividade, compaixão, bondade e boa vontade, sem qualquer expectativa de recompensa. Esperar uma recompensa frustraria os próprios ideais de boa vizinhança.

Homens e mulheres por todos os Estados Unidos e nesta nossa grande Igreja dos Santos dos Últimos Dias estão procurando aplicar essa lei. Homens ricos estão dispondo de suas riquezas de modo que sejam úteis a seu próximo. Há alguns exemplos maravilhosos, neste país, da distribuição de grandes riquezas para ajudar os menos afortunados.

Entre os Santos dos Últimos Dias, o princípio da boa vizinhança tem prevalecido. Anos atrás, ouvi um discurso do Presidente Anthon H. Lund. Ele enfatizou o fato de que toda a humanidade é nosso próximo, mas particularmente os da família da fé.

A toda pessoa deveria ser dada a oportunidade de viver uma vida normal, e os bispos estão ansiosos para que os membros de suas respectivas alas tenham essa oportunidade. Organizações e sociedades, particularmente a grande Sociedade de Socorro, estão sempre ajudando homens e mulheres a viver uma vida normal. Para viver uma vida assim, é necessário que o indivíduo tenha saúde, uma ocupação, recreação, educação e amor pelo evangelho de Jesus Cristo. O homem sem emprego não está vivendo uma vida normal. Todo homem deveria estar ganhando seu sustento para a manutenção de sua família. Se ele não o fizer, então outra pessoa terá de fazê-lo, e isso frequentemente leva à perda do amor-próprio e à pobreza.

Os primeiros pioneiros chegaram aqui quase destituídos de tudo, mas, com coragem e determinação, arrancaram do solo o necessário para seu sustento. Tomavam a lã das ovelhas; os couros eram curtidos até virarem couro para uso; cultivava-se algodão; e as roupas eram feitas, na maior parte, em casa. Mais tarde desenvolveram-se fábricas. Eram pequenas indústrias comunitárias, mas cumpriam seu propósito e forneciam roupas e outras necessidades ao povo. Depois veio um esforço para estabelecer a Ordem Unida, mas os Santos dos Últimos Dias não estavam preparados para esse sistema de vida. Então aquele grande estadista e profeta, Brigham Young, estabeleceu em muitas das comunidades dos Santos dos Últimos Dias um sistema cooperativo de compra e venda. Algumas dessas lojas ainda estão em funcionamento. Agora estamos numa era ou época competitiva, em que grandes conglomerados de capital, controlando indústrias altamente especializadas, praticamente dominam as vias de produção. Isso tem obrigado homens e mulheres a vender seu ofício e sua capacidade — o que chamamos de trabalho — por salários com os quais vivem. Agora temos o sistema de redes de lojas para compra e venda. O que o futuro reserva para o trabalhador é difícil prever.

Um dos maiores problemas, porém, é o do emprego, especialmente para nossos irmãos e irmãs que já passaram da meia-idade. Outro dia li a respeito de um grande estabelecimento que emprega cinquenta mil homens e mulheres. A idade média desses empregados é de trinta e dois anos. Hoje é a era do jovem. Nossos irmãos mais velhos estão enfrentando bastante dificuldade. Alguns deles criaram famílias, enviaram rapazes e moças ao campo missionário, e não conseguiram acumular meios para se sustentarem em sua velhice. A tragédia entra na vida desses homens quando lhes é comunicado que seus serviços não são mais necessários.

Há um número considerável de nosso povo que fracassou em suas pequenas comunidades. Ficam desanimados e, ao verem anúncios promissores nos jornais, pensam que, se pudessem apenas chegar a Salt Lake City, conseguiriam emprego. Muitos deles sofrem decepção.

Depois há o problema do jovem missionário — quase mil dos quais regressam de suas missões a cada ano — que acham muito difícil estabelecer-se nas comunidades onde antes viviam. Há também o problema da viúva que fica com uma família para criar, cuja única posse talvez seja uma pequena casa e um lote de terra. Ela sente que, se pudesse chegar a Salt Lake, poderia fazer trabalhos domésticos, faxinas, etc. A maioria dessas pessoas se decepciona. Há muitos outros aspectos dessa situação que o tempo não me permite mencionar.

O inverno se aproxima, e muitos que agora estão empregados logo serão dispensados. Eles procurarão os bispos e outros em busca de ajuda. Tudo o que é possível está sendo feito pelo departamento de emprego do Escritório do Bispado Presidente e pela Junta Geral da Sociedade de Socorro, mas isso é, em grande parte, local. Fornece ajuda apenas àqueles que vivem dentro de um pequeno raio. Há milhares de outros que precisam de assistência. Para reduzir esse desemprego, permitam-me fazer algumas sugestões. Primeiro, que os presidentes de estaca e os sumos conselhos, em suas reuniões mensais, discutam a situação local e procurem fornecer emprego às pessoas desempregadas em suas próprias estacas. Segundo, os bispados das alas, em suas reuniões mensais com os professores orientadores, deveriam averiguar quem, nos vários distritos, precisa de emprego. Então, todo membro dessa ala deveria procurar fornecê-lo. Terceiro, na reunião regular do bispado, que deveria ser realizada semanalmente, o bispado da ala deveria discutir e, se possível, providenciar meios e formas de ajudar os que estão procurando emprego. Quarto, os quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque também deveriam ajudar. Suas reuniões deveriam ser algo mais do que a chamada e a discussão de doutrina, por mais importante que esse trabalho seja. Se os cento e três quóruns de sumos sacerdotes, os cem quóruns de setenta e os quase quinhentos quóruns de élderes fizessem questão de cuidar do bem-estar temporal de seus membros, coisas maravilhosas poderiam ser realizadas. Há aproximadamente duas mil classes de sumos sacerdotes, setentas e élderes nas várias alas, algumas dessas unidades bastante pequenas, outras grandes, e, se elas fizessem parte de seu propósito descobrir quem está procurando emprego, sem dúvida muitos poderiam encontrar trabalho. Tudo o que é preciso é um pouco mais de compaixão, um pouco mais de bondade, um pouco mais de prestatividade, para que possamos mostrar a nosso Mestre que estamos procurando amar nosso próximo.

Há outro episódio do Mestre naquela fatídica terça-feira que desejo mencionar. Depois de ter deixado o templo, ele foi com seus discípulos ao monte das Oliveiras e fez esta declaração a respeito do futuro:

"E quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;

"E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas,

"E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes, à esquerda.

"Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

"Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

"Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.

"Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?

"E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?

"Ou quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

"E respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."

O Senhor não abençoou a todos com o mesmo poder e capacidade de adquirir riquezas. Tenhamos compaixão por nossos irmãos menos afortunados. O problema do desemprego não seria sério se os membros desta nossa grande Igreja dessem, todos, uma mão amiga e se esforçassem ao máximo para reter nas alas não apenas as pessoas idosas e as viúvas, mas também os rapazes e as moças que frequentemente deixam a comunidade em busca de emprego, e que fazem tanta falta nas comunidades onde foram criados.

Que o Senhor acrescente suas bênçãos a estes pensamentos. Que possamos refletir seriamente sobre as sugestões que fiz, e que o poder e a força desta grande congregação sejam aplicados conforme o Mestre deseja — a serviço de nosso próximo. Amém.

Como citar este discursoMelvin J. Ballard, “Tenho certeza, meus irmãos e irmãs, de que”, Conferência Geral de Outubro de 1929, Reunião da Manhã do Segundo Dia (1929-10-05). Pulpit Vault, 1929-10-12-melvin-j-ballard-remarks-16. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).