Pulpit

Do Primeiro Conselho dos Setenta

Rulon S. Wells

Conferência Geral de Outubro de 1929·Reunião da Tarde do Primeiro Dia·1929-10-04

do Primeiro Conselho dos Setenta

Há um ditado entre o povo alemão que diz mais ou menos assim: "Todas as coisas boas são três." Temos, de modo material, as três dimensões: comprimento, largura e espessura. Temos as três partes componentes desta esfera terrena: terra, água e ar; também sólidos, líquidos e gases, as três formas da matéria. Temos as três classes de corpos celestes que preenchem o universo sideral: sóis, planetas e satélites. E, de modo espiritual, pode-se também assinalar que temos os três graus de glória — celestial, terrestre e telestial, simbolizados pelo sol, pela lua e pelas estrelas, por causa de seu brilho comparativo. Menciono essas coisas, e poderia mencionar muitas outras, não porque tenham, particularmente, alguma relação com o que vou dizer, mas antes porque tenho outra tríade em mente, à consideração da qual gostaria de dedicar os poucos instantes em que estarei diante de vocês.

Há três coisas que são indispensavelmente importantes para nosso bem-estar e que são naturalmente inerentes a toda a humanidade. Nós as herdamos de nossos pais divinos. São atributos divinos transmitidos a nós como prole da Divindade. São, nisso, como os direitos inalienáveis do homem, outra tríade: vida, liberdade e a busca da felicidade, sobre os quais lemos na Declaração de Independência. Essas três coisas são qualidades emocionais da mente e do coração do homem e de nossa natureza, que podem e devem ser cuidadosamente cultivadas; mas podem existir, e frequentemente existem, em forma muito pervertida e distorcida — e estamos sob a necessidade de escolher entre esses atributos divinos e nobres, tal como são naturalmente inerentes a nós, e suas falsificações ignóbeis e pervertidas, que só podem ser adquiridas por esforço ignóbil e antinatural. É uma questão de escolha entre o bem e o mal.

Essas três a que me refiro são fé, esperança e caridade. Sejam elas virtudes ou vícios depende da forma que assumem. Se assumem sua forma natural e, portanto, divina, são virtudes, mas, se são pervertidas ou falsificadas, tornam-se vícios. Algumas pessoas consideram a fé uma fraqueza, um verdadeiro vício. Acreditar em tudo o que se ouve, que tolice! Confundiram, simplesmente, a credulidade, a falsificação diabólica, com a fé; não são a mesma coisa. A credulidade não se parece mais com a fé do que a luxúria, outra falsificação diabólica, se parece com o amor.

Todas as coisas boas são falsificadas. Nosso governo emite moeda em várias denominações. É conhecida como moeda de curso legal onde quer que a usemos, mas é passível de ser falsificada e passada adiante a um público desavisado, às vezes como algo genuíno, mas é falsificação. Fazem moedas em várias denominações, mas algum trapaceiro obterá um metal mais barato, o dourará por cima e o passará por genuíno. A religião às vezes é falsamente compreendida. Ela também tem sua falsificação. Mas não desprezemos o ouro puro da religião só porque o diabo faz dela uma falsificação em hipocrisia.

O que devemos crer, ou em quem devemos ter fé? são questões vitais se quisermos escolher a fé verdadeira, a genuína, e rejeitar a falsa, a falsificação. Deve ser óbvio para todo aquele que pensa que, se existe um plano de salvação, um plano pelo qual a humanidade possa ser redimida de seu estado decaído e da morte e da sepultura; pelo qual possa ser exaltada a um estado de alegria sem fim, onde não haverá mais pecado, um estado em que haverá continuação das felizes relações entre entes queridos, maridos e esposas, pais e filhos, tal plano deve, necessariamente, emanar do céu, pois somente Deus pode nos dar tal salvação. Certamente isto é algo que ansiosamente esperamos, ou, como nos diz o poeta, "um desfecho devotamente almejado."

Esperamos a salvação, ou esperamos apenas pelas coisas sórdidas dos prazeres mundanos e pela satisfação dos desejos sensuais? Aí reside a diferença entre as esperanças boas e as más.

Como, então, podemos conhecer tal plano, se é que existe algum plano? Em resposta, digo: somente à medida que Deus o der a conhecer. Não há outro caminho. E como? Por revelação, o próprio alicerce sobre o qual ele constrói sua igreja. Ele revela seus segredos a seus servos, os profetas.

Ouçamos, pois, esses mensageiros de vida e salvação, esses portadores das boas novas de grande alegria. "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo," pois, como lemos ainda mais adiante nas santas escrituras, "Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Aqui estão combinados esses três atributos: fé, esperança e caridade. Paulo diz: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem;" mas, ainda, lemos: "A fé não é dada a todo homem; é o dom de Deus." Podemos, então, bem dizer que é a garantia que Deus nos dá de que nossas esperanças elevadas se realizarão. Todas as nossas esperanças de uma ressurreição gloriosa, de uma vida futura em glória celestial, baseiam-se em nossa fé nele, a quem Deus enviou a este mundo, o próprio Salvador, e em seus servos e mensageiros, os profetas e apóstolos, por meio de quem ele dá a conhecer o glorioso plano de vida e salvação, que dissipa a escuridão da morte e da sepultura, e enche nosso coração de esperança. Mas alguém diz: não tenho fé em Deus, nem esperança em uma vida futura. Quão antinatural! Como tal pessoa deve ter resistido a todo impulso natural do coração para cair em tal estado anormal da mente! Sem fé, sem esperança. Deformidades espirituais. Contemplar um homem que é deformado ou aleijado para toda a vida — um maxilar deslocado, um nariz quebrado ou um olho arrancado — é naturalmente repulsivo. Que feio e horrendo! Mas não é nem a metade tão hediondo ou repulsivo aquele que é assim fisicamente deformado quanto aquele que é espiritualmente deformado, carente dessas qualidades cristãs tão inerentes e naturais a toda a humanidade. Sem fé: ele não pede e, portanto, não recebe; ele não busca e, portanto, não encontra; ele não bate e, portanto, a porta não lhe é aberta.

Sem esperança. Quão antinatural! Diz Pope:

"A esperança brota eterna no peito humano; o homem nunca é, mas sempre há de ser abençoado."

E outro poeta, depois de nos falar dos prazeres da esperança, exclama:

"Cesse toda alegria de bruxulear em minha mente, mas deixa, ó deixa atrás a luz da esperança."

Moças, filhas de Sião, que se comprazem em se tornar formosas, não hei de censurá-las nem encontrar defeito nisso, pois foram criadas assim; mas, se quiserem ser verdadeiramente belas, então adornem sua mente, seu ser interior, com essas virtudes, com fé, esperança e caridade; e elevem sua alma em grata adoração a Deus, o doador de todo bem. Então essas virtudes permearão todo o seu ser e resplandecerão em uma beleza incomparável, que não pode ser adquirida de nenhuma outra forma. Rapazes, cultivem essas virtudes; então uma nobreza semelhante à de Deus se gravará indelevelmente em seu semblante, e aquela inteligência que é a glória de Deus encherá sua alma de alegria e regozijo até transbordar.

"Agora permanecem estas três: a fé, a esperança e a caridade; porém a maior destas é a caridade." Assim escreve o apóstolo Paulo aos santos coríntios. Então, o que é caridade? É piedade? Compaixão? Esmola? Misericórdia? Sim, tudo isso, mas ainda mais além. O dicionário a define como "amor universal." O Profeta Joseph Smith diz que é "o puro amor de Cristo." O Salvador nos diz que toda a lei e os profetas dependem destes dois mandamentos: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento," e "amarás o teu próximo como a ti mesmo." Esta é, então, a caridade, que é o cumprimento da lei. Esta é a maior de todas as coisas. Alcançá-la nos santificará de toda iniquidade e nos preparará para a glória celestial. Tudo o mais é apenas o meio para este fim desejado. Esta é, então, "o que é perfeito," o resto é "o que é em parte." Ou, como Paulo escreve ainda mais aos coríntios:

"A caridade nunca falha; porém, ainda que haja profecias, desaparecerão; ainda que haja línguas, cessarão; ainda que haja ciência, desaparecerá;

"Porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;

"Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte desaparecerá."

Para a realização deste fim, o evangelho do Senhor Jesus Cristo foi revelado, mediante cuja obediência manifestamos nossa fé nele como o Salvador do mundo e recebemos a garantia de que nossa esperança em uma gloriosa vida futura se realizará. Nenhum outro nome é dado debaixo do céu pelo qual a vida eterna, o maior dom de Deus ao homem, possa ser alcançada, senão o nome do Senhor Jesus Cristo, o próprio Filho de Deus, a quem ele enviou ao mundo para ser nosso Salvador.

Creiamos, pois, nele e cultivemos seus atributos divinos, tal como são naturalmente inerentes a nós, os verdadeiros, os genuínos, e rejeitemos os falsos, as falsificações; então cresceremos no conhecimento de Deus e em boas obras, dia após dia, e por fim receberemos a coroa da vida eterna que o Senhor prometeu àqueles que o amam. Amém.

Élder David A. Smith

do Bispado Presidente

Meus irmãos e irmãs, asseguro-lhes que aprecio o privilégio de estar diante de vocês hoje. Reconheço plenamente que esta é uma posição difícil de ocupar. Não que seja difícil dar testemunho das coisas de Deus, mas aquele que ocupa esta posição, percebendo a grande responsabilidade, teme não fazer justiça a seu tema. Com espírito de humildade, abordo esta tarefa e humildemente oro a nosso Pai Celestial para que me abençoe em minha tentativa de me dirigir a vocês.

Fiquei grandemente impressionado, nesta manhã, com as palavras do Presidente Grant. Um sentimento de alegria tomou conta de mim quando ele prometeu que, se obedecêssemos à lei do dízimo, Deus nos abençoaria. Pergunto-me quantos de nós vão levar esta promessa a sério. O Senhor já fez uma promessa semelhante antes, e também nos lembrou de que temos muitas coisas a fazer e das quais nos arrepender, pois não somos perdoados por buscarmos aconselhar-nos por nosso próprio caminho. (D. e C. 56:13, 14.) Não vale a pena receber essas promessas sinceramente e com fé em seu cumprimento mediante a obediência às leis de Deus? Certamente nenhum de nós duvida de que o Presidente Grant tenha o direito de fazer esta promessa, e não devemos ter dúvida de que ela se cumprirá. Que possamos levar o espírito desta promessa para nossos lares, para que sejamos encorajados e encorajemos outros a se empenharem em guardar os mandamentos do Senhor.

Fiquei contente por ouvir o Presidente Grant ler a Seção 11 de Doutrina e Convênios e comentá-la. Esta seção sempre foi interessante para mim. Fui atraído a ela, a princípio, porque é uma revelação dada por meio do profeta Joseph Smith a meu avô. Para mim, esta revelação contém um sermão maravilhoso que, em minha opinião, não foi destinado somente a ele, mas a todos os que recebem o sacerdócio. Permitam-me explicar por que cheguei a esta conclusão. Desde o início da Igreja, homens têm sido escolhidos e enviados ao campo missionário para pregar o evangelho de Jesus Cristo. Eles não foram escolhidos por causa de suas realizações educacionais, mas por sua humildade e disposição de servir ao Senhor da melhor forma possível. Uma das muitas evidências de que esta é a obra do Senhor é vista nos resultados de seus trabalhos. Muito poucos fracassaram em seu esforço, e não temos registro de nenhum élder que, ao servir como missionário, tenha deixado a Igreja para se unir a outra. Temos considerado essa condição normal e condizente com o plano do evangelho. Ouvi muitas vezes membros da Igreja dizerem, em alguns casos como desculpa para não apoiar os quóruns do sacerdócio, a escola dominical ou o trabalho do Seminário, que o Senhor não exige homens de grande erudição para pregar o evangelho, pois ele prometeu estabelecer o evangelho por meio das coisas fracas do mundo; e apontam para o sucesso de nossos missionários para se justificarem por deixarem de aproveitar as muitas oportunidades que lhes são oferecidas de obter melhor conhecimento do evangelho de Jesus Cristo, o qual, com o espírito de humildade e fé, os qualifica para este serviço. Pois fé, humildade e conhecimento são as armas a serem usadas em defesa da verdade e da retidão. Temos sido culpados de "aconselhar-nos por nosso próprio caminho"? Nesta interpretação, não seria isso uma tentativa de nos justificarmos? Pretendia o Senhor transmitir a seus filhos o pensamento de que deveriam depender totalmente dele? Não lhes é exigido que se preparem, armazenando conhecimento útil? A meu ver, essas perguntas são de vital importância para nós, e creio que um exame cuidadoso das escrituras convencerá aqueles que duvidam de que o Senhor espera muito de seus servos, em termos de preparação de sua parte, para qualificá-los a prestar um serviço eficiente, preparação essa que deve vir por meio de um sincero desejo de obter conhecimento do evangelho mediante diligente pesquisa realizada com espírito de fé e humildade.

Referindo-me à Seção 1:19 e à Seção 35:13 de Doutrina e Convênios, quem são as coisas fracas a que se referem? A resposta dada é aquele que não "aconselha seu próximo, nem confia no braço de carne." Como hão de debulhar as nações? E a resposta: "pelo poder do meu Espírito." Como hão de receber esse poder? As palavras do Senhor a Hyrum Smith, na Seção 11, nos dão a resposta: "Portanto, se me pedires, receberás; se bateres, ser-te-á aberto." "Não busques riquezas, mas sabedoria; e eis que os mistérios de Deus te serão revelados, e então serás enriquecido." (D. e C. 11:5, 7.)

Cerca de oito anos depois de dada esta revelação, o Senhor disse a Joseph Smith: "Em verdade, assim te diz o Senhor, meu servo Joseph Smith: Estou satisfeito com tua oferta e teus reconhecimentos; pois para esse fim te levantei, para mostrar minha sabedoria por meio das coisas fracas da Terra." (D. e C. 124:1.)

Lembremo-nos de que, quando o Profeta Joseph Smith foi chamado pela primeira vez a esta obra, ele era um menino, sem instrução, mas inteligente e capaz de compreender as palavras de Deus. Não era homem de letras e não havia aprendido a "aconselhar seus semelhantes nem confiar no braço de carne." Percebendo que faltava algo nos ensinamentos dos homens, e crendo nas promessas feitas por Deus a seus filhos, tal como registradas nas escrituras, ele foi ao Senhor perguntar. Suas orações foram respondidas. Aquela fraqueza, "falando na linguagem dos homens," tornou-se força, mostrando a sabedoria do Senhor por meio das coisas fracas da terra. E foram necessários anos de estudo paciente, pesquisa inteligente e fé inabalável, para prepará-lo para este grande serviço. E, por meio dele, o Senhor nos deu sua palavra para nos dirigir em nosso esforço de nos prepararmos para seu serviço. A citação a seguir, de Doutrina e Convênios 84:106-110, é um exemplo notável:

"E se houver algum homem entre vós de Espírito forte, que tome consigo aquele que for fraco, para que seja edificado em toda mansidão a fim de também se tornar forte.

"Portanto, levai convosco os que são ordenados ao sacerdócio menor e enviai-os adiante de vós para marcar compromissos e preparar o caminho e cumprir os compromissos que não puderdes cumprir.

"Eis que foi assim que meus apóstolos, na antiguidade, edificaram-me a minha igreja.

"Portanto, que todo homem ocupe seu próprio cargo e trabalhe em seu próprio chamado; e que a cabeça não diga aos pés não ter deles necessidade; porque, sem os pés, como se sustentaria o corpo?

"Também o corpo tem necessidade de todos os membros, para que todos sejam juntos edificados, a fim de que o sistema se mantenha perfeito."

Parece que muitos de nós temos negligenciado seguir esta instrução.

"E dou-vos um mandamento de que vos ensineis a doutrina do reino uns aos outros.

"Ensinai diligentemente e minha graça acompanhar-vos-á, para que sejais instruídos mais perfeitamente em teoria, em princípio, em doutrina, na lei do evangelho, em todas as coisas pertinentes ao reino de Deus, que vos convém compreender."

"E como nem todos têm fé, buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé." (D. e C. 88:77-79; 118.)

Esta citação também nos dá uma melhor compreensão da necessidade de preparação para o serviço em sua grande Igreja.

O tempo é limitado; seria, portanto, imprudente comentar mais demoradamente estas passagens. Permitam-me, então, ler algumas passagens da Bíblia que têm relação com este assunto. Consideremos o conselho de Paulo a Timóteo.

"Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas no Deus vivo, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas desfrutarmos;

"Que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de bom grado, e sejam comunicáveis;

"Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna.

"Ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos, e às oposições da falsamente chamada ciência:

"A qual professando alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém." (I Tim. 6:17-21.)

"Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos;

"Se perseverarmos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará:

"Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.

"Traze estas coisas à memória, exortando-os diante do Senhor a que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam, senão para perversão dos ouvintes.

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.

"Mas opõe-te aos clamores vãos e profanos, porque produzirão maior impiedade." (II Tim. 2:11-16.)

Também as instruções de Paulo aos coríntios, encontradas em I Cor. 1:17-31.

"Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo não se torne vã.

"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

"Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes.

"Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?

"Porque, como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.

"Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;

"Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.

"Porém para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.

"Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

"Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres são chamados.

"Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;

"E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;

"Para que nenhuma carne se glorie perante ele.

"Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual nos foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;

"Para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor."

Salomão chama nossa atenção para a necessidade de tal preparo, pois lemos em Provérbios 1:2-7:

"Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se discernir as palavras do entendimento;

"Para se receber a instrução da prudência, a justiça, o juízo, e a equidade;

"Para dar aos simples sagacidade; e aos moços, conhecimento e bom siso;

"Para o sábio ouvir e crescer em conhecimento, e o que tem discernimento adquirir sábios conselhos;

"Para entender provérbios, e a sua interpretação, como também as palavras dos sábios, e os seus enigmas.

"O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os tolos desprezam a sabedoria e a instrução."

Ora, meus irmãos e irmãs, parece-me que o Senhor nos deu seu plano com clareza, e nosso dever está clara e definitivamente estabelecido. Provisão ampla foi disponibilizada para tal preparo, para todos os que devem se preparar para se engajar na obra do Senhor. Por anos temos insistido para que os rapazes sirvam como professores orientadores da ala, para que tenham a oportunidade de discutir os princípios do evangelho nos lares dos santos, aplicando assim, em serviço real, as informações obtidas por meio do estudo em suas reuniões de quórum e auxiliares. Também temos insistido em que cumpramos o mandamento do Senhor, exigindo que o sacerdote "pregue, ensine, explique, exorte e batize." São essas experiências que dão àqueles que vão ao campo missionário um testemunho ardente do evangelho, e que, às vezes, lamento dizer, alguns perdem após seu retorno, por falta de atividade adequada na Igreja e de alimento espiritual. Quão mais bem-sucedida seria a obra se todos os missionários fossem enviados com o preparo e o testemunho encontrados naqueles que retornam. Em certas regiões, isso já é feito. Por que não em todas? Certamente ficamos sem desculpa quando falhamos, e quão mais fácil seria a tarefa para os presidentes de missão, que constantemente clamam por missionários, bem como para o próprio missionário, se tal interesse fosse tomado por ele antes de sua partida.

"Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação." (II Tim. 1:7.)

Que o Senhor os abençoe. Regozijo-me em sua grande obra. Sou grato a ele por portar seu santo sacerdócio e por ter permissão de trabalhar com vocês nesta grande causa. Que Deus nos abençoe e nos ajude a levar adiante esta grande obra e responsabilidade que ele colocou sobre nós, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoRulon S. Wells, “Do Primeiro Conselho dos Setenta”, Conferência Geral de Outubro de 1929, Reunião da Tarde do Primeiro Dia (1929-10-04). Pulpit Vault, 1929-10-08-rulon-s-wells-remarks-11. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).