É conveniente que a igreja se reúna
David O. McKay
"É conveniente que a igreja se reúna amiúde para partilhar do pão e do vinho, em lembrança do Senhor Jesus." ¶
A Alegria da Amizade
Cheguei a esta conferência cerca de dez minutos antes da hora de abertura, e tive o privilégio de cumprimentar muitos amigos, entre os quais estavam pelo menos meia dúzia de amizade de toda a vida, e outros que conheci no campo missionário. Minha alma se alegrou ao apertar as mãos desses queridos amigos. Considero um grande privilégio renovar o calor dessa amizade. Entre esses amigos missionários há um que, em uma única frase, pareceu ligar esta sessão de abertura da conferência àquelas realizadas nos dias pioneiros. Comentando o fato de que havia saído de sua casa no vale de Cache apenas duas horas antes de estar sentado neste tabernáculo, ele disse: "Levei quatro dias para percorrer essa distância a fim de vir à conferência com uma junta de bois." Esse simples comentário despertou em meu coração renovada apreciação pela obra de nossos pioneiros; e fez-me apreciar também o privilégio de viver nesta época tão maravilhosa da história do mundo, em que desfrutamos da bênção de tantas invenções e descobertas maravilhosas, particularmente o rádio, por meio do qual o Primeiro-Ministro britânico saudou hoje pela manhã o povo dos Estados Unidos, e todos os que sintonizaram ouviram sua voz instantaneamente. Com que facilidade o evangelho ainda poderá ser pregado a todos os povos! ¶
Pois bem, é bom encontrar amigos. Esta conferência nos proporciona a oportunidade de fazê-lo; e nossas almas se alegram ao apertarmos as mãos uns dos outros com confiança e fraternidade. Em contraste, minha alma se esfria e minhas faculdades se inibem quando encontro alguém que, penso eu, exagera minhas fraquezas e que parece quase se regozijar com elas — que vira o rosto em vez de apertar minha mão. Um homem assim torna a vida fria. ¶
Encontrando Deus
Na casa de Deus, porém, temos a oportunidade não somente de encontrar amigos e de nos alegrarmos com a força e o encorajamento que advêm desse encontro, mas também de encontrar Deus, nosso Pai, por meio de seu Espírito Santo. Regozijamo-nos com sua presença. Ele está aqui hoje, e inspirou o Presidente Grant. Vocês sentiram o espírito do Presidente Grant em suas palavras de abertura, sentiram sua fé, sua confiança em seus irmãos e nesta obra de Deus; e se não tivéssemos mais nada além dessas bênçãos às quais me referi, poderíamos ir embora com a alma bem alimentada. ¶
Na Fraternidade de Cristo
Pergunto-me se o Senhor não teria em mente um pensamento como este quando disse: "É conveniente que a igreja se reúna amiúde." Reunimo-nos na casa de Deus não como meros conhecidos que desconfiam uns dos outros, mas como irmãos na fraternidade de Cristo. Reunimo-nos na presença daquele que disse: "Amai-vos uns aos outros." Aguardo com expectativa o tempo em que os membros de nossos quóruns se aproximarão de suas reuniões de quórum na expectativa dessa fraternidade e experimentarão aquele sentimento fraternal que fortalece a alma e que inspira todos a prestar maior serviço a seus semelhantes. ¶
Reuniões Sacramentais
Creio nas reuniões. Desejo dizer nesta manhã que me sinto impressionado a enfatizar o que o Senhor designou como a reunião mais importante da Igreja, que é a reunião sacramental. Neste mesmo texto que li, dado a Joseph Smith por revelação, o Senhor se refere a essa reunião especial. "É conveniente que a igreja se reúna amiúde." Não para estes propósitos gerais aos quais fiz breve referência, mas com o propósito específico de participar do sacramento. Ele designou uma oração particular a ser feita nessa ocasião. Ele nos prescreveu apenas algumas poucas orações fixas, uma das quais é a bênção do pão e da água. ¶
A Ceia do Senhor
Consideremos primeiro a importância deste sacramento. Não é o único sacramento na Igreja. É designado particularmente como "A Ceia do Senhor." Mas, se vocês se lembrarem da ocasião em que ele foi dado ou instituído, concordarão comigo que o próprio Senhor, o Salvador, atribuiu-lhe grande importância. Ele se reunira com seus doze discípulos no cenáculo em Jerusalém, naquela noite memorável da traição. Ele apontara o traidor. Havia participado da páscoa com eles, conforme o costume judaico, e então tomou o pão, e o partiu, e disse: "Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós." Tomou o cálice e o abençoou, e disse: "Bebei dele todos, em lembrança do sangue que é derramado por vós, e fazei isto em memória de mim até que eu venha; até que comamos e bebamos no reino do Pai." Isso foi dado apenas algumas horas antes de sua crucificação. Isso, por si só, estabelece sua importância, mas, se dermos a devida interpretação à passagem de Coríntios, capítulo 11, que Paulo usou ao ensinar este princípio aos coríntios, aprendemos ainda que o próprio Senhor revelou a Paulo o significado do sacramento, e Paulo deu instruções específicas à Igreja em Corinto quanto à participação desses importantes e sagrados emblemas. Novamente nesta dispensação o Senhor revelou especificamente como esta parte do culto deveria ser dirigida. Todas as ordenanças e cerimônias de Deus são sagradas, mas parece-me que há mais importância atribuída a esta do que talvez a qualquer outro sacramento ou cerimônia na Igreja de Cristo. Isso quanto à sua importância. ¶
O Significado do Sacramento
Ora, o que ele significa? Vocês descobrirão, em primeiro lugar, que o sacramento é um memorial da vida e da morte de Cristo. Quando pensamos em sua vida, pensamos em sacrifício. Não houve um momento sequer de sua existência na terra em que Cristo pensasse mais em si mesmo do que em seus irmãos e no povo que veio salvar, perdendo-se sempre pelo bem dos outros, e finalmente dando sua vida pela redenção da humanidade. Quando participamos do sacramento em sua presença, nós o recordamos, sua vida de sacrifício e serviço; e somos inspirados por esse pensamento e essa lembrança. Nada se conquista nesta vida sem sacrifício. Sinto-me emocionado quando estudo cuidadosamente qualquer princípio do evangelho de Jesus Cristo e descubro que ele é parte do todo, ou melhor, que compreende o todo. Verdadeiramente, a verdade é a soma da existência. Assim, podemos associar este sacramento a toda verdade, a toda vida. Ele é abrangente em tudo. Nada que valha a pena se obtém nesta vida sem sacrifício, sem esforço. O maligno nos empurra as coisas, mas Deus nos pede que estendamos a mão e obtenhamos aquilo que ele oferece. "Ensinai a abnegação," diz Walter Scott, "e a torneis agradável, e criareis para o mundo um destino mais sublime do que jamais saiu da mente do mais fervoroso sonhador." ¶
O Vínculo da Fraternidade
Um segundo significado, ou um segundo princípio associado à administração do sacramento, é o vínculo de fraternidade que já mencionei. No início do estabelecimento da Igreja de Cristo, os irmãos se reuniam, segundo nos é dito, com frequência ao amanhecer, para participar deste sacramento como que em vínculo de fraternidade, de unidade. Reuniam-se, por assim dizer, sob juramento, de modo comparável a como os soldados romanos eram unidos em uma unidade. Na Igreja em Corinto, quando Paulo lhes escreveu a respeito do abuso deste sacramento sagrado, eles realizavam, antes da administração do sacramento, uma festa de amor na qual ricos e pobres se reuniam. Traziam consigo seus alimentos — os ricos, em fartura, da qual os pobres participavam. Assim era no início, seguindo a páscoa e o sacramento que a ela se seguia. Mas, quando Paulo lhes escreveu, descobriu que os que tinham fartura comiam sozinhos, e os que eram pobres nada tinham. Essa prática ele condenou, dizendo que não fazia parte do sacramento. Disse-lhes que saciassem o apetite e participassem do sacramento em lembrança do corpo e do sangue de Cristo. ¶
Contudo, o elemento da fraternidade sempre esteve associado a ele. Lembro-me de que, quando eu era menino, enfatizava-se ainda mais do que ouvimos hoje a necessidade de que ninguém participasse do sacramento tendo maus sentimentos para com outra pessoa, e ouvi mais de um homem dizer: "Lamento ter magoado os sentimentos do irmão fulano, e peço seu perdão." Ele sentia ser necessário fazer isso antes de se considerar digno de participar do sacramento da Ceia do Senhor. ¶
Reunimo-nos na fraternidade de Cristo, todos no mesmo nível, cada um expressando confiança no outro e todos uns nos outros. Ó, a força da fraternidade! O pecado nos divide. A retidão nos une. ¶
Comunhão com Cristo
A participação do sacramento também indica como a comunhão com Cristo pode ser obtida. Ela não pode ser obtida por meio de retidão aos domingos e indulgência nos dias de semana. Implica que havemos de lembrar-nos de Cristo sempre. "Se mostramos a morte do Senhor na comunhão, devemos mostrar a vida do Senhor no mundo." ¶
Orientação Divina
E o quarto grande significado é a promessa de que ele é um meio de receber orientação divina. "Se um amigo é aquele que nos convoca a sermos o nosso melhor, então não seria Jesus Cristo o nosso melhor amigo? E não deveríamos considerar a comunhão como um dos principais apelos para que sejamos o nosso melhor? A Ceia do Senhor não olha para trás, para o nosso passado, com olhar crítico, mas para o nosso futuro, com olhar auxiliador." ¶
A Oração Sacramental
Gostaria de chamar a atenção para a grande obrigação que todo membro da Igreja assume ao participar do sacramento pela primeira vez no dia do Senhor. Pensem na oração revelada nesta dispensação: "Ó Deus, Pai Eterno." Que invocação! Um reconhecimento de Deus como nosso Criador; o doador de todo bem; aquele que concede todas as bênçãos; em quem está todo poder e toda glória; e, ainda assim, nosso Pai, e nós, seus filhos. A paternidade de Deus e a fraternidade do homem! "Nós te rogamos em nome de teu Filho, Jesus Cristo," que intercede por nós, por meio de quem todas as bênçãos são obtidas — "que abençoes e santifiques este pão para as almas de todos os que partilharem dele." ¶
Abençoa o pão! É apenas pão. Pode haver um mistério a respeito do sacramento, mas esse mistério não consiste na transformação desse pão no corpo real de Cristo. Como disse o Presidente Brigham Young, esse pensamento é repulsivo. Mas é um símbolo, e pedimos a Deus que o abençoe para as almas de todos os que dele partilharem, que testificam — ó, aí está o ponto. Lembrem-se, a esse respeito, do apelo do Presidente Grant, nesta manhã, para que sejamos honestos com o Senhor em todos os nossos tratos. Que virtude fundamental é a honestidade! O alicerce de todo caráter. Diz-se que é a mãe de toda uma família de verdadeiras virtudes. Pois bem, esse princípio está associado a este grande sacramento. Testificamos, isto é, solenemente convencionamos na presença uns dos outros, naquela grande assembleia, "a ti, ó Deus, Pai Eterno" — o quê? ¶
A Palavra de Honra de um Cavalheiro
Antes de especificar, pensem no que significa fazer uma promessa. Sua palavra é mais sagrada do que sua obrigação escrita. Gosto de pensar naquele cavalheiro inglês que, vendo-se em dificuldades financeiras, tomou emprestado de um amigo, a quem deu sua promissória escrita; mas, antes de obter recursos, viu-se novamente em dificuldades financeiras e tomou emprestado de outro amigo, a quem deu apenas sua palavra. Ambos os credores sabiam quando o cavalheiro receberia seu dinheiro, e ambos pediram a devolução de suas quantias. O primeiro, que possuía a promissória do cavalheiro, surpreendeu-se ao ouvi-lo dizer: "Pagarei primeiro ao segundo." O primeiro protestou, dizendo: "Emprestei-lhe esse dinheiro primeiro, vossa senhoria." ¶
"Sim, é verdade," respondeu o cavalheiro inglês, "mas o senhor tem minha promissória. Este amigo tem apenas minha palavra de honra. Cumprirei primeiro minha promessa." ¶
O primeiro cavalheiro, tirando a promissória do bolso, rasgou-a em pedaços, jogou-a na cesta de lixo e disse: "Aqui está, vossa senhoria, agora tenho apenas sua promessa." ¶
"Já que o senhor a coloca nessa base, terá seu dinheiro primeiro." ¶
Um simples incidente que ressalta a importância que um cavalheiro dá à sua palavra de honra. ¶
Nossa Obrigação
Meus irmãos e irmãs, paramos sempre para pensar, naquele sagrado dia de sábado em que nos reunimos para participar do sacramento, que testificamos, prometemos, obrigamo-nos, na presença uns dos outros e na presença de Deus, a fazer certas coisas? Observem-nas. Tenho tempo apenas para mencioná-las. ¶
A primeira: que estamos dispostos a tomar sobre nós o nome do Filho. Ao fazê-lo, o escolhemos como nosso líder e nosso ideal; e ele é o único caráter perfeito em todo o mundo. É algo glorioso ser membro da Igreja de Cristo e ser chamado de cristão no verdadeiro sentido do termo; e prometemos que desejamos sê-lo, que estamos dispostos a fazê-lo. ¶
Em segundo lugar, que sempre nos lembraremos dele. Não apenas no domingo, mas na segunda-feira, em nossos atos diários, em nosso autodomínio. Quando nosso irmão nos magoa, vamos procurar dominar nossos sentimentos e não retribuir no mesmo espírito de ira. Quando um irmão nos trata com desprezo, vamos procurar retribuir com bondade. Esse é o espírito de Cristo, e é isso que prometemos — que faremos o melhor possível para alcançar esses elevados padrões do cristianismo, os verdadeiros princípios cristãos. ¶
A terceira: prometemos "guardar os mandamentos que ele nos deu." Dízimo, ofertas de jejum, a Palavra de Sabedoria, bondade, perdão, amor. A obrigação de um membro da Igreja de Cristo é grande, mas é tão gloriosa quanto grande, porque a obediência a esses princípios dá vida, vida eterna. Por outro lado, o homem que busca viver violando esses princípios é enganado pelo adversário e segue o caminho da morte. ¶
Acrescentando Pecado a Pecado
Participar do sacramento indignamente é dar um passo em direção à morte espiritual. Nenhum homem pode ser desonesto consigo mesmo sem entorpecer a sensibilidade de seu espírito. O pecado pode atordoar a consciência assim como um golpe na cabeça pode atordoar os sentidos físicos. Aquele que promete uma coisa e deliberadamente deixa de cumprir sua palavra acrescenta pecado a pecado. Segundo os princípios naturais, tal homem "come e bebe condenação à sua alma." ¶
Morremos neste mundo antes que nosso coração deixe de bater, assim como vivemos e participamos da vida eterna antes de passarmos para o outro mundo; pois isto é parte da vida eterna, e a verdadeira vida consiste na obediência aos princípios do evangelho. Prometemos, a cada sábado, guardar esses princípios. ¶
A Bênção
E qual é a bênção? "Para que possam ter sempre consigo o seu Espírito." Que orientação divina! E eu testifico a vocês que a inspiração divina é uma realidade. Homens e mulheres que obedecem aos princípios de vida e salvação, que sinceramente se arrependem de seus pecados, e que tão sinceramente se esforçam por viver de acordo com os princípios do evangelho, são guiados e inspirados pelo Espírito Santo, e lhes são mostradas as coisas que hão de vir. Testifico que essa orientação está com esta Igreja e tem estado desde que o Profeta Joseph Smith a estabeleceu. Também testifico a vocês que esta Igreja é o poder de Deus para a salvação, o evangelho de Jesus Cristo. ¶
Em Resumo
Para resumir, então, a operação da lei de causa e efeito é tão constante no âmbito espiritual quanto no mundo material. Vocês obedecem ao princípio e recebem a bênção, e o cumprimento de cada promessa feita em relação ao sacramento traz os resultados e as bênçãos com a mesma certeza com que o sol traz a luz. Ordem, reverência, atenção às promessas divinas — a promessa de entrar no rebanho de Cristo, de cultivar as virtudes mencionadas no evangelho de Cristo, de mantê-las sempre em mente, de amar o Senhor de todo o coração, e de trabalhar, mesmo com sacrifício pessoal, pela fraternidade humana — essas e todas as virtudes correlatas estão associadas à participação da Ceia do Senhor. É bom nos reunirmos, e especialmente renovar nossos convênios com Deus nessa santa eucaristia. "Ajuda-nos, ó Deus, a compreender o grande sacrifício expiatório, o dom de teu Filho Amado, o Príncipe da Paz, o Santo." ¶
Gratidão pela Filiação à Igreja
Meu coração está cheio de regozijo nesta manhã por minha filiação à Igreja, pelo privilégio que tenho de encontrar vocês, meus companheiros de trabalho na Igreja de Cristo. Aprecio o privilégio de conviver com a Primeira Presidência desta Igreja e os Doze Apóstolos, o Primeiro Conselho dos Setenta, o Bispado Presidente e as Presidências de Estaca. Ó, é algo glorioso ser um na fraternidade de Cristo! Que Deus nos fortaleça para que possamos sair e fazer do sacramento, a cada domingo em que dele participarmos, aquilo que Deus pretende que seja — o meio de fortalecer os santos, de erradicar a má vontade, os ressentimentos e as maledicências, de estabelecer unidade, amor e força, e de guardar os mandamentos de Deus, oro, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Élder Joseph W. McMurrin
do Primeiro Conselho dos Setenta e Presidente da Missão da Califórnia ¶
Considero isto um grande privilégio, meus irmãos e irmãs, e, ao mesmo tempo, neste momento, uma grande surpresa. Sou grato, porém, por sentir em minha alma que estou em harmonia com os conselhos já transmitidos nesta conferência e que creio muito sinceramente nas doutrinas que foram apresentadas à nossa consideração. ¶
Venho, meus irmãos e irmãs, do campo missionário da Califórnia, onde tive o privilégio de trabalhar por algum tempo, procurando divulgar a verdade tal como foi revelada nesta dispensação em que vivemos. Tenho a alegria de estar associado aos rapazes e moças designados àquele campo de trabalho. De modo geral, os missionários são todos rapazes ou moças. Ocasionalmente, por meio do sistema introduzido nos últimos anos, alguns homens de experiência e uma ou duas mulheres de experiência vieram para a Missão da Califórnia como missionários de curto prazo. Regozijamo-nos muito com a companhia desses homens e mulheres que tiveram desenvolvimento e experiência por um bom período na obra do Senhor. ¶
Vocês acabaram de saber, pelas palavras do Presidente Heber J. Grant, que a Califórnia foi abençoada com sua presença e seu ministério, tanto nas estacas que foram estabelecidas naquele grande estado quanto nos ramos que pertencem à Missão da Califórnia. O povo se alegra sempre no coração quando tem o privilégio de se encontrar com o Presidente da Igreja, e de ouvir seu testemunho, que sempre foi tão firme e seguro de que a obra que está sob sua direção como Presidente da Igreja foi revelada e estabelecida pelo Senhor nosso Deus. ¶
Fomos abençoados recentemente, por cerca de cinco meses, com a presença do Doutor James E. Talmage, que tem proferido discursos muito notáveis e inspiradores pelo rádio em Los Angeles; e descobrimos que muitas pessoas que não são de nossa fé têm dado atenção a esses discursos. Não somente nos regozijamos com seu ministério, ao proferir a palavra do Senhor e as doutrinas do evangelho pelo rádio, mas também nos regozijamos com sua companhia nas alas e nos ramos que ele visitou tão detidamente por todo o estado da Califórnia. Sentimos que fomos grandemente abençoados por sua presença, por seu conselho e pelas doutrinas que apresentou à consideração do povo, tanto membros quanto não membros da Igreja. ¶
Fomos abençoados também com o ministério do irmão George Albert Smith, do Conselho dos Apóstolos, que foi designado no início do ano para visitar a Missão da Califórnia. Ele deu conselhos que foram de grande proveito para o povo que compõe a filiação da Igreja na missão. ¶
Alegro-me, meus irmãos e irmãs, de que nossa fé na obra de Deus permaneça inabalada, e sentimos, por nossas experiências, que recebemos constantemente evidências renovadas que confirmam a verdade tal como foi revelada. Fiquei impressionado com o caráter maravilhoso da obra estabelecida nesta dispensação ao ler, na coluna editorial do Los Angeles Examiner de domingo, 29 de setembro, ¶
"A grande maioria dos pregadores já não ensina que a terra, tal como a conhecemos, foi criada apenas pela expressão da Vontade Divina em um período de seis dias. Praticamente todos os mestres religiosos agora interpretam os seis dias como significando seis PERÍODOS DE TEMPO, seis 'eras geológicas' que se estendem por períodos inconcebíveis à nossa mente." ¶
Ao ler isto, meus irmãos e irmãs, não pude deixar de sentir quão maravilhosos são os ensinamentos inspirados do Profeta Joseph Smith, que de modo algum professava ter informações científicas, mas que sempre ensinou que transmitia a palavra do Senhor tal como essa palavra lhe fora dada. É realmente maravilhoso que ele tenha declarado, quase no início mesmo desta dispensação, aquilo que agora começa a despontar na mente dos homens a respeito da criação do mundo. O Profeta ensinou esta doutrina com muita clareza, como se pode ler na Pérola de Grande Valor. Não sei exatamente há quanto tempo o Livro de Abraão foi traduzido. Tenho em meu poder um exemplar dessa obra que, creio, foi publicado em Liverpool em 1851, portanto já está impresso há um longo período. Certamente o jovem Joseph Smith, o rapaz agricultor, o homem sem instrução acadêmica, não poderia ter concebido a grande verdade a que me referi, nem tê-la ensinado com tanta correção, se ela não lhe tivesse sido impressa pela inspiração e revelação do Senhor nosso Deus. ¶
Tenho a alegria de dizer, meus irmãos e irmãs, que estamos nos esforçando ao máximo de nossa capacidade para declarar as boas novas de grande alegria que foram reveladas para a salvação da família humana. Cremos mui devotamente na missão do Redentor do mundo; que ele é o próprio Filho de Deus; que ele, em seu tempo, escolheu homens mortais e lhes conferiu a autoridade do sacerdócio, o poder de ministrar em seu próprio grande nome e no nome do Pai Eterno. Ele enviou esses homens a pregar o evangelho, deu-lhes o mandamento de ir a todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura, e fez a promessa de que toda alma que desse ouvidos, que aceitasse a mensagem, encontraria salvação na presença de Deus; e, é claro, aqueles que não a aceitassem sofreriam as consequências da condenação. Cremos, e ensinamos a nossos semelhantes, que nesta última dispensação, em cumprimento das promessas feitas pela boca de santos profetas, esse mesmo Pai Eterno, esse mesmo Redentor do mundo, enviaram santos mensageiros para conferir a homens mortais a autoridade do sacerdócio; e por essa autoridade, tendo-nos sido dada por nova revelação na dispensação da plenitude dos tempos, saímos entre o povo, não por causa da comissão dada aos apóstolos no meridiano do tempo, mas porque o Senhor Deus dos céus disse aos homens nesta dispensação: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura." Tenho grande alegria em dizer que os missionários assim ensinam, embora às vezes seja com palavras hesitantes, e com temor e tremor. Homens e mulheres estão transmitindo esta mensagem e testificando que, pelo poder de Deus, pela inspiração do Espírito do Senhor, sabem do que falam. Agradeço ao Senhor por ter em minha própria alma a confiança de que não estou pregando a doutrina dos homens. Não estou trabalhando pela glória do homem, nem pelos aplausos dos homens. Estou trabalhando no temor de Deus, porque essa autoridade divina me foi conferida, e estou sob a obrigação de clamar arrependimento, com todo o meu poder, entre os filhos dos homens, e de ajudar a conduzir os homens, se possível, das trevas que há no mundo à verdade que foi revelada. Ao fazer isso, com meus companheiros, tenho participado com eles daquela alegria que excede todo entendimento, e sabemos que estamos procurando trazer à humanidade uma mensagem gloriosa que é para seu benefício e salvação. ¶
Que Deus nos ajude a todos a amar a verdade, a crer nela e a mantê-la em nossa conduta aqui e em nossas palavras diante do povo, para todo o sempre, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶