Pulpit

Coisas esplêndidas foram ditas durante esta

Orson F. Whitney

Conferência Geral de Abril de 1929·Third Day Afternoon Session·1929-04-07

Coisas esplêndidas foram ditas durante esta Conferência, e estou feliz por me encontrar em pleno acordo com todas elas. Pode-se supor que diferenças de opinião foram expressas por certos oradores. Mas não reconheço tais diferenças. Parece-me que houve uma maravilhosa unanimidade de pensamento e expressão nas observações daqueles que nos dirigiram a palavra.

Diferenças de Ponto de Vista

O que às vezes parecem diferenças nos ensinamentos dos servos do Senhor não são diferenças de princípio, nem de convicção, mas apenas diferenças de ponto de vista. Todos estamos olhando para o mesmo objeto, mas não pelo mesmo par de olhos. O esplêndido discurso do Élder Ballard e a igualmente interessante palestra do Presidente Harris (esta última na reunião do sacerdócio) me fizeram pensar nessa linha.

Mãe e Filha

Lembro-me de uma viagem à estaca de Rigby que fiz há alguns anos, na companhia de meu parente, Élder J. Golden Kimball. Devíamos participar de uma conferência no sábado e no domingo, mas chegamos a Rigby na tarde de sexta-feira. Estava em andamento uma reunião de mulheres no porão do Tabernáculo, e uma das irmãs discursava para uma grande assembleia de mães, esposas e filhas. Quando entramos, estas palavras saíram de seus lábios: "As moças de hoje são tão boas quanto suas mães eram quando jovens — só que sabem mais." E, para reforçar seu argumento, ela citou um diálogo entre uma mãe e uma filha, no qual a mãe dizia: "Eu nunca pensei em fazer tais coisas quando era moça." "Não," respondeu a filha, "se tivesse pensado, as teria feito."

O Pró e o Contra do Élder Kimball

A conferência começou no devido tempo, e o Irmão Kimball levantou-se para falar. A primeira coisa que ele disse que me interessou foi esta: "Não há um homem em mil que saiba como tratar uma mulher." E as irmãs, por toda a sala, se entreolharam e acenaram com a cabeça em aprovação. Então Golden disparou o outro tiro: "E não há uma mulher em mil que saiba quando é bem tratada." Voltei para casa mais convencido do que nunca de que há dois lados em toda questão.

A Juventude de Sião

Tenho fé nos jovens desta Igreja — não porque os creia sem defeito, nem porque penso que todos caminham pelos caminhos da sabedoria e evitam o caminho descendente. Tenho fé neles por causa do caráter de seus pais, por causa da linhagem de que descendem, e por causa da promessa feita pelo Deus dos Céus, de que "este Reino jamais será derrubado nem entregue a outro povo."

Uma Palavra para os Rebeldes

Vós, pais dos obstinados e dos rebeldes! Não desistais deles. Não os rejeiteis. Eles não estão totalmente perdidos. O Pastor encontrará suas ovelhas. Elas eram dele antes de serem vossas — muito antes de ele confiá-las a vosso cuidado; e não podeis nem começar a amá-las como ele as ama. Elas apenas se desviaram, em ignorância, do Caminho do Certo, e Deus é misericordioso para com a ignorância. Somente a plenitude do conhecimento traz a plenitude da responsabilidade. Nosso Pai Celestial é muito mais misericordioso, infinitamente mais caridoso, do que mesmo o melhor de seus servos, e o Evangelho Eterno é mais poderoso para salvar do que nossas mentes estreitas e finitas podem compreender.

Uma Promessa Preciosa

O Profeta Joseph Smith declarou — e ele jamais ensinou doutrina mais consoladora — que os selamentos eternos de pais fiéis e as promessas divinas feitas a eles por seu serviço valoroso na Causa da Verdade salvariam não apenas a eles próprios, mas também sua posteridade. Ainda que algumas das ovelhas possam vagar, o olho do Pastor está sobre elas, e mais cedo ou mais tarde sentirão os tentáculos da Divina Providência estendendo-se para elas e trazendo-as de volta ao rebanho. Seja nesta vida, seja na vida vindoura, elas retornarão. Terão de pagar sua dívida à justiça; sofrerão por seus pecados; e talvez trilhem um caminho espinhoso; mas, se esse caminho as levar, por fim, como o Pródigo arrependido, ao coração e ao lar de um pai amoroso e perdoador, a dolorosa experiência não terá sido em vão. Orai por vossos filhos negligentes e desobedientes; segurai-os com vossa fé. Continuai esperançosos, continuai confiantes, até verdes a salvação de Deus.

Quem são essas ovelhas desgarradas — esses filhos e filhas rebeldes? São filhos do Convênio, herdeiros das promessas, e receberam, se batizados, o dom do Espírito Santo, que manifesta as coisas de Deus. Poderia tudo isso ser em vão?

Algo que o Presidente Nibley disse me impressionou muito. Pelo que entendi dele, estava nos lembrando de como os Santos dos Últimos Dias são formados, e de como devemos edificar a Igreja e o Reino de Deus.

Uma Cena de Shakespeare

Shakespeare, naquela maravilhosa peça, "O Mercador de Veneza" — presumo que todos vós a conheçais — retrata uma cena de tribunal na qual Shylock, um judeu agiota, processa Antônio, um mercador cristão, a quem odeia e gostaria de destruir. Shylock detém uma nota promissória de Antônio referente a um empréstimo de três mil ducados, nota essa que, se o empréstimo não for pago dentro de certo prazo, permite ao judeu cortar uma libra de carne do corpo do mercador, o mais próximo possível do coração, sendo essa a penalidade da inadimplência. Não sendo o dinheiro pago a tempo — tendo os navios de Antônio se perdido no mar — Shylock exige o cumprimento estrito da nota.

Pórcia, uma dama bela e talentosa, disfarçada de advogado, representa Antônio e roga ao judeu que seja misericordioso. Shylock rejeita a ideia e insiste em sua libra de carne. Pórcia então lhe diz que a tome, mas o adverte a não derramar sangue, sob pena de violar a lei de Veneza, que pune severamente um estrangeiro por atentar contra a vida de um cidadão. "Toma tua libra de carne, mas, se ao tomá-la derramares uma só gota de sangue cristão, ou cortares mais ou menos do que exatamente uma libra de carne, morrerás, e todos os teus bens serão confiscados." Shylock agora tenta recuar, mas a lei ainda o prende. Por conspirar, ainda que indiretamente, contra a vida do mercador, todos os seus bens são confiscados — metade para o Estado e metade para Antônio — e sua vida "está na misericórdia do Duque." Então vem uma decisão das mais maravilhosas — maravilhosa em sua suprema absurdidade. O Duque, que é o Juiz, poupa a vida do judeu sob a condição de que ele "se torne imediatamente cristão."

É difícil para mim crer que Shakespeare escreveu essas palavras — a menos que seu propósito fosse satirizar o Estado de Veneza e seu método de administrar a justiça aos judeus. Shakespeare era notável por seu raro bom senso, e sempre me disseram que boa lei é bom senso. Mas onde estava o bom senso de tentar converter um judeu em cristão por decreto de tribunal? Até esse ponto a lógica é impecável, a sabedoria abundantemente manifesta; depois disso, ela é conspícua por sua ausência. Cristãos, cristãos verdadeiros, não se formam dessa maneira.

Uma Proposta de Colonização

Coloco ao lado deste incidente imaginado uma experiência minha. Eu estava em um trem no Estado de Idaho, e havia acabado de tomar café da manhã e retornado ao meu assento no vagão Pullman, quando um cavalheiro veio sentar-se ao meu lado. Disse ele: "Deduzi, de sua conversa no vagão-restaurante, que o senhor é mórmon." Fiz que sim com a cabeça, e ele continuou: "Há muito desejo conversar com alguns de seus líderes. Conheço apenas um mórmon proeminente" — e citou o nome de Rulon S. Wells. "Interesso-me profundamente por colonização, e considero o povo mórmon o mais bem-sucedido colonizador do mundo. Notei as tentativas vãs feitas pelo Barão Hirsch e outros filantropos hebreus abastados, de colonizar judeus pobres das grandes cidades do Leste em terras áridas do Oeste; um projeto no qual gastaram milhões, e fracassaram devido à total falta de experiência como colonizadores por parte daqueles a quem procuravam beneficiar. Ora, se os líderes mórmons formassem uma sociedade com o Barão Hirsch e seus colegas — eles fornecendo os milhões, os senhores a habilidade como colonizadores — que obra magnífica poderia ser realizada! E notai bem, poderiam estipular no contrato que todo judeu assim colonizado se tornaria mórmon! E vejam só como isso engrandeceria a vossa Igreja!" Permaneci em silêncio, pensando no pobre e velho Shylock e em sua proposta conversão ao cristianismo. Acredita algum Santo dos Últimos Dias, ou pecador dos últimos dias, ao alcance de minha voz, que esta Igreja poderia ser edificada por meio de um contrato de colonização ou qualquer outra coisa de caráter comercial? Não; os "mórmons" não se formam dessa maneira.

Como São Formados

Há apenas um modo de edificar a Igreja de Deus — e esse é o modo de Deus, não o do homem. Fé, arrependimento, batismo por imersão para remissão dos pecados, e o recebimento do Espírito Santo pelas mãos de ministros do Evangelho divinamente autorizados — esses são os elementos essenciais desse processo. Esse dom de Deus que confere um testemunho da Verdade, aliado ao trabalho, ao sacrifício e à obediência contínua à vontade divina — é isso que forma os verdadeiros Santos dos Últimos Dias. A revelação divina é a rocha sobre a qual esta Igreja está edificada, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Como Dickens os Viu

Qual era o caráter dos primeiros conversos ao "mormonismo"? Foram estigmatizados como ignorantes e maliciosos. Foi a ignorância e a malícia que assim os estigmatizaram. "Escória da terra," "refugo da civilização" — esses eram alguns dos apelidos afetuosos que lhes davam seus inimigos. Quão totalmente injustos, quão grotescamente mal aplicados esses epítetos devem parecer a qualquer um que tenha algum conhecimento dos fatos. O grande Charles Dickens, então repórter de um jornal londrino, após visitar um navio de emigrantes ancorado no Tâmisa, um navio carregado de Santos dos Últimos Dias e prestes a zarpar para a América, descreveu-os como sendo "em seu grau, o melhor e mais refinado da Inglaterra." E, se isso é verdade quanto à Inglaterra, é verdade quanto à América, e verdade quanto a todos os países de onde vieram os Santos dos últimos dias. Na verdade, eles estavam entre os melhores homens e mulheres de sua época. Muitos descendiam dos Peregrinos e dos Patriotas que fundaram esta Nação, e em suas veias, como filhos e filhas de Israel, corria o sangue de sacerdotes e reis, ilustres através de mil gerações.

Uma Heroína Inglesa

Alguns anos atrás, discursei no funeral de uma idosa inglesa na cidade de Payson. Ela havia sido, em certa época, membro da Décima Oitava Ala em Salt Lake City, e eu era seu Bispo. Nascida na distante Gloucestershire, ainda menina ela se filiou à Igreja depois de ouvir o primeiro sermão "mórmon" que já havia escutado. Voltou para casa como Santa dos Últimos Dias, e seus pais a expulsaram de casa. Ela os havia desonrado, disseram, ao se associar a um povo que, como os primeiros cristãos, era falado contra em toda parte — os impopulares e desprezados "mórmons." A partir daquela hora, ela ganhou sua própria vida, ganhou-a honestamente, virtuosamente, e, em menos de dez anos, seu pai, sua mãe, seus irmãos e irmãs, pela misericórdia de Deus e influenciados, sem dúvida, por seu exemplo heroico, haviam todos sido reunidos à Igreja. Emigraram para Utah, e ali ela continuou sua boa obra no Templo, redimindo centenas de seus antepassados falecidos e tornando-se literalmente uma salvadora para a casa de seu pai. Não é surpreendente que uma jovenzinha, com apenas dezenove anos de idade, pudesse manifestar tal força de caráter, tal devoção ao princípio? "Escória da terra," pois sim! Prouvera aos céus que houvesse mais como ela! E há muitas como ela nesta Igreja, muitos milhares delas, tão fiéis e firmes quanto ela. Elas são as mães, atuais ou futuras, de nossos meninos e meninas, homens e mulheres do futuro.

"Não Posso Fazer o Sacrifício"

Permitam-me agora citar um exemplo diferente. No Estado de Ohio, no ano de 1877, enquanto estava em minha primeira missão, fiz amizade com uma senhora muito estimável, viúva de um oficial da União que havia caído em batalha durante a Guerra Civil. Ela amava seu falecido marido, reverenciava sua memória, e expressava por ele a mais terna e profunda devoção. Quando lhe falei das doutrinas da salvação para os mortos, do casamento para a eternidade e dos sagrados selamentos que pertencem ao Além — explicando que estes estavam entre os propósitos pelos quais os Santos dos Últimos Dias constroem templos e neles oficiam — ela ficou maravilhosamente interessada. "O senhor quer me dizer," perguntou ela, "que, se eu me tornar uma Santa dos Últimos Dias, poderei ter essa obra feita por meu querido marido, e ser sua esposa na Eternidade?" "Sim," respondi eu, e ela exclamou: "Nunca ouvi algo tão belo, tão sublime. Convença-me de sua verdade, e eu me batizarei, ainda que fosse em um lago de fogo vivo." Foram essas as suas próprias palavras.

"Não posso convencê-la," disse eu, "mas o Senhor pode, e o fará se a senhora lhe pedir." "Eu lhe pedirei," foi sua resposta cordial; e, sem dúvida, ela o fez, pois me escreveu poucos dias depois algo assim: "O Senhor me deu o testemunho que eu desejava, e agora estou pronta para ser batizada." Cheio de alegria, respondi-lhe dizendo que reuniria um pequeno grupo e a encontraria em certo ponto na margem do Lago Erie, e ali a batizaria.

O grupo foi reunido e estava quase pronto para partir, quando recebi outra nota dela, dizendo o seguinte: "Nunca soube antes quão pobre, fraca e frágil criatura eu sou. Julgava-me forte o suficiente, corajosa o suficiente para dar este passo — mas não sou. Se eu me tornasse mórmon, todos os meus amigos me abandonariam, eu perderia minha posição social, e meu nome seria posto de lado como coisa má. Não posso fazer o sacrifício. E, contudo, creio nas doutrinas que o senhor me expôs, e o considero um verdadeiro servo de Deus. Espero que chegue o dia em que possamos estar no mesmo nível, como irmão e irmã na Igreja; mas não posso fazer isso agora."

Não senti raiva alguma — apenas decepção e pena. Como se parece com o impetuoso Pedro, pensei, que disse a Jesus: "Ainda que todos te abandonem, eu não te abandonarei;" e, contudo, quando o perigo ameaçou, negou-o três vezes — negou que conhecia seu Salvador. Mas Pedro se arrependeu, e o Espírito Santo, descendo sobre ele, baniu toda timidez e fez dele um homem corajoso, disposto a morrer pelo Mestre. Diz-se que, quando estava para ser crucificado, pediu como favor que fosse com a cabeça para baixo, não se considerando digno de morrer como seu Senhor havia morrido.

Essa boa mulher — pois era uma boa mulher, uma filha de Israel, sem dúvida, senão por que acreditaria? — se tivesse sido batizada, teria recebido o Espírito Santo, e ele a teria animado e sustentado em toda provação. Ela se julgava corajosa o suficiente para ser batizada em um lago de fogo. Mas, quando pesada na balança, foi achada em falta. Mulheres mais corajosas foram necessárias para edificar a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Os Motivos Impulsionadores

Os motivos que impeliram os fundadores e os primeiros membros desta Igreja eram vastamente diferentes dos motivos geralmente a eles imputados. Não foi por ouro e prata, casas e terras, nem por nenhuma das "boas coisas deste mundo," que abandonaram o lar e a pátria, atravessaram o oceano tempestuoso, arrastaram carrinhos de mão desconjuntados por planícies ressequidas pelo sol e montanhas cobertas de neve, para se estabelecer em um deserto e sofrer privações e dificuldades incontáveis, enquanto redimiam o ermo e o enchiam de fazendas, vinhedos e lares felizes. Não; foi por Deus e por seu Reino — nada menos. Foi o amor à Verdade que os inspirou e impeliu. E não esperaram que a Verdade se tornasse popular antes de abraçar sua causa. O poeta Lowell mal sabia quão admiravelmente estava pintando o retrato deles quando escreveu estes versos incandescentes:

Então ficar ao lado da Verdade é nobre, Quando partilhamos de sua migalha miserável, Antes que sua causa traga fama e lucro, E seja próspero ser justo; Então é o homem corajoso que escolhe, Enquanto o covarde permanece à parte, Duvidando em seu espírito abjeto Até que seu Senhor seja crucificado, E a multidão faça virtude Da fé que havia negado.

Talvez um pequeno verso meu não seja considerado indigno de associação com a heroica estrofe de Lowell. Escrevi-o como inscrição para uma estátua de bronze, "A Família do Carrinho de Mão," obra de nosso talentoso irmão norueguês, Torleif Knaphus, inaugurada há algum tempo pelo Presidente Grant no Bureau de Informações:

Nem ouro, nem glória, sua busca exaltada, Que conquistaram para o Leste o vasto Oeste invicto. Penaram sobre cristas geladas, sobre planícies ressequidas, Riqueza eterna em mundos superiores a ganhar. Para sempre em lembrança sejam eles, Que deram tudo por Verdade e Liberdade!

E semelhante gera semelhante! Não temais pelo futuro de Sião. Os filhos e filhas dos heróis e heroínas que lançaram os alicerces desta obra edificarão sobre eles e levarão o Reino triunfantemente. Quando postos à prova, "mostrarão o têmpera de sua estirpe."

Como citar este discursoOrson F. Whitney, “Coisas esplêndidas foram ditas durante esta”, Conferência Geral de Abril de 1929, Third Day Afternoon Session (1929-04-07). Pulpit Vault, 1929-04-35-orson-f-whitney-remarks-45. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).