Meus queridos irmãos e irmãs, abordo esta
Charles W. Nibley
Meus queridos irmãos e irmãs, abordo esta tarefa com temor e tremor. Isso não é uma gentileza nem uma figura de linguagem; é um fato real. Preciso da simpatia e da fé de vocês, e da influência sustentadora que elas proporcionam. ¶
O Espírito da Verdade
Temos tido, durante nossa conferência, uma excelente e abundante instrução. O Espírito do Senhor tem acompanhado os ensinamentos dos élderes, desde o Presidente da Igreja até toda a lista de oradores. Tenho notado que, ao longo de seus ensinamentos, perpassa este pensamento característico: que é somente pelo Espírito do Senhor que a Igreja pode ser edificada. Gostaria de ler de Doutrina e Convênios algumas palavras a respeito dessa ideia. Numa revelação encontrada na Seção 50, começando no versículo 17: ¶
"Em verdade vos digo: Aquele que é ordenado por mim e enviado para pregar a palavra da verdade pelo Consolador, no Espírito da verdade, prega-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma? ¶
"E se for de alguma outra forma, não é de Deus. ¶
"E também, aquele que recebe a palavra da verdade, recebe-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma? ¶
"Se for de alguma outra forma, não é de Deus. ¶
"Então como é que não podeis compreender e saber que aquele que recebe a palavra pelo Espírito da verdade recebe-a como é pregada pelo Espírito da verdade? ¶
"Portanto, aquele que prega e aquele que recebe se compreendem um ao outro, e ambos são edificados e juntos se regozijam. ¶
"E aquilo que não edifica não é de Deus, e é trevas. ¶
"Aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito." ¶
O Senhor deixa claro, aqui, que, ao trazer conversos para a Igreja, o instrutor deve ter o Espírito do Consolador, o Espírito da verdade, a luz da verdade. E aquele que recebe esse testemunho também deve participar desse mesmo Espírito. Ambos, então, são edificados; ambos são iluminados pelo poder do Espírito do Senhor, tanto o que ensina como o que recebe. ¶
O Espírito do Mal
A ciência praticamente baniu a crença no diabo entre as pessoas pensantes. Os incrédulos do mundo nos dizem que "isso servia bem para assustar crianças, há cem anos ou há quinhentos anos; mas não há, de modo algum, tal poder ou influência no mundo." Mas eles não nos dirão, nem se pode afirmar, que o mal não existe. A origem do mal tem sido discutida pelos pensadores do mundo há muitas centenas de anos; mas o mal ainda está aqui, o espírito do mal que nos tenta e nos afasta da retidão. Isso está aqui, seja do diabo ou não; chamem-no de diabo ou satanás, ou apenas uma influência geral existente por todo o mundo. O espírito do bem também está aqui; o espírito da retidão está aqui; existe por toda a terra, e suponho que em todo o universo. ¶
Influências em Conflito
Assim, estas duas influências em conflito estão aqui. São Paulo disse: "Quando quero fazer o bem, o mal está comigo." Não têm vocês constatado isso? Vocês, élderes, e também vocês, irmãs, ao governarem em seus lares — vocês, irmãos, ao governarem em suas alas, estacas e missões, não têm constatado a presença do espírito do mal, o espírito de Satanás que luta contra Deus? Ele ainda não foi vencido; sê-lo-á com o tempo. Diz-nos a revelação de São João que, quando passarmos a um estado exaltado, não haverá morte, nem tristeza, nem mal, porque Satanás não terá mais poder para tentar os santos de Deus; mas esse dia ainda não chegou. Aquele maligno ainda luta conosco. Vocês o encontram todos os dias. Um homem vai ao bispo acertar seu dízimo. Ele mesmo faz as contas; resolve isso em sua própria mente. Já sentiram a tentação, algo que lhes passa pela mente assim: "Ora, eu dei tal coisa em tal ocasião; não deveria eu descontar isso de meu dízimo?" Se recebem um chamado para servir numa missão, não sentiram: "Bem, já servi numa missão; tenho trabalhado na ala, não sinto que posso ir numa missão agora?" Assim, em todas as atividades da vida e da Igreja, aquele tentador permanece, mais ou menos, conosco, a não ser que o banamos pelo poder do Deus vivo, o poder da verdade pelo qual recebemos a verdade, aquele Espírito que li a vocês, aquele Espírito que conduz à vida, que me faz dizer, ou faz vocês dizerem, se o ouvirmos: "Ora, é claro que pagarei meu dízimo integral. Claro que servirei numa missão, se vocês, irmãos, assim o desejarem. Isso vem sempre em primeiro lugar." ¶
Ainda que Somente para Enganar
Em Los Angeles, há uma semana ou duas, contei, num anúncio de jornal, treze igrejas diferentes onde havia reuniões de espiritualistas; pessoas que creem que somos influenciados, em nossos assuntos, por essas influências espiritualistas. Diz-se que elas têm, com bastante frequência, algum tipo de comunicação com esses agentes invisíveis. Há muitos anos existem tais manifestações no mundo, e muitas pessoas notáveis que nelas creem. Um dos mais distintos entre eles, um grande cientista, Sir Arthur Conan Doyle, palestrou sobre o assunto deste púlpito. Ouvimos o que ele tinha a dizer, mas ele não trouxe nada de novo. Não conheço um único princípio novo, característico ou de valor; não conheço nenhuma verdade que contribua para a edificação, o fortalecimento e o melhoramento da humanidade que tenha vindo dessa fonte. E, no entanto, aqueles espíritos ou aquelas influências podem, por vezes, dizer-nos verdades, ainda que apenas para nos enganar. Carlyle disse de Shakespeare que seu intelecto foi o maior com que este mundo já foi abençoado, em qualquer ser humano; e Shakespeare faz Banquo dizer, a respeito desses espíritos, as bruxas que apareceram a Macbeth: "Mas é estranho, e frequentemente, para nos atrair à nossa própria ruína, os instrumentos das trevas nos dizem verdades" — permitam-me repetir isso para dar ênfase — "os instrumentos das trevas nos dizem verdades — conquistam-nos com ninharias honestas para nos trair nas mais profundas consequências." ¶
Em outra cena da mesma grande peça, diz-se-nos que Macbeth ouviu a voz do maligno por meio dessas mesmas bruxas, que o conduziram, cada vez mais, rumo à sua ruína, até que ele percebeu como estava sendo enganado, e então proferiu estas palavras: "Recolho minha resolução e começo a duvidar da ambiguidade do demônio que mente como a verdade." ¶
Graça Sendo Acrescentada à Graça
Não assim com o Espírito do Senhor, o Espírito da retidão, o Espírito desta obra a respeito da qual li a vocês. Ele nos conduz na direção oposta. Recebemos a verdade, e mais do que a verdade tal como o homem a alcança pela razão. Recebemos a luz e a verdade do Espírito Santo, do Consolador, que conduz a Deus. No entanto, não temos, às vezes, tido alguma experiência com essas influências que procuram nos afastar do Senhor, influências de tal natureza que mentem como a verdade? Contra elas somos constantemente advertidos e devemos estar constantemente em guarda. Elas enganarão até mesmo os eleitos, se possível, se lhes dermos ouvidos. Mas, se dermos ouvidos ao outro poder, então nossa salvação é certa e segura. Tornamo-nos, como já li a vocês, cada vez mais imbuídos daquele espírito que conduz a Deus, graça sendo acrescentada à graça. Em outra seção, sobre o mesmo assunto, estão estas palavras: ¶
"Dou-vos estas palavras, para compreenderdes e saberdes como adorar e saberdes o que adorais, para que venhais ao Pai em meu nome e, no devido tempo, recebais de sua plenitude. ¶
"Porque, se guardardes meus mandamentos, recebereis de sua plenitude e sereis glorificados em mim como eu o sou no Pai; portanto, digo-vos: Recebereis graça por graça." ¶
Inteligência — Luz e Verdade
Podemos então dizer, verdadeiramente: "Recebi aquele testemunho e aquela testificação, de que sei que esta é a obra de Deus"; e participar daquele mesmo espírito de que se fala um pouco mais adiante, na mesma revelação: "A glória de Deus é inteligência" — não meramente inteligência como a compreendemos — mas, "em outras palavras, luz e verdade." Que tipo de luz e verdade? Que tipo de inteligência? Será a inteligência que os homens adquirem e que talvez pensemos estar contida na erudição livresca, ou a inteligência que o homem natural é capaz de adquirir? Não, de modo algum. A glória de Deus é aquela inteligência que compreende luz e verdade. O que essa luz e verdade fazem por nós? "A luz e a verdade rejeitam o ser maligno." É esse o tipo de inteligência; é esse o tipo de luz e verdade que se quer dizer — aquela que abandona o mal e se apega ao bem. E assim, o caminhante, o homem sem instrução, pode receber aquele Espírito de luz e inteligência que pertence à glória de Deus, e ser preenchido por ele. Obedecendo a todos os mandamentos de Deus, ele é mais inteligente do que aqueles que, ainda que instruídos, não participam daquele Espírito. Um homem com essa inteligência pode ser conduzido, cada vez mais, até receber uma plenitude de glória, e tornar-se semelhante a Deus. ¶
De Nenhuma Outra Forma
Agora, quero dizer, ao concluir, que a presidência desta Igreja, os Doze Apóstolos, os Setentas, os irmãos que presidem nas estacas, alas e missões, só podem edificar esta Igreja pelo Espírito a respeito do qual li a vocês. De nenhuma outra forma ela pode ser edificada; certamente não pelo espírito do homem. Igrejas podem ser estabelecidas. Lojas podem ser organizadas, muitas organizações formadas para a ajuda e o benefício do homem — e muitas delas também fazem muito bem, e são louváveis; mas não têm esta característica distintiva que esta Igreja tem, a qual foi revelada desde o início, e é enfatizada, reiterada e reafirmada em todas as revelações, a saber: que, sem aquele Espírito de luz e verdade, aquele Espírito do Senhor, aquele Espírito do Consolador, aquele poder do Espírito Santo, sua Igreja não pode ser edificada. Se se tentar por qualquer outra forma que não seja a que o Senhor menciona aqui, nas passagens que li, então isso não é de Deus. ¶
Assim, meus irmãos e irmãs, tomemos isso a peito; todos nós que trabalhamos por Sião devemos saber e compreender que precisamos manter em nossos corações aquela influência e aquele poder que vêm de Deus, a luz de seu Espírito ardendo em nossas almas. Isso está ilustrado no que o irmão Harris disse ontem à noite, na reunião do sacerdócio, e no que temos ouvido com frequência a respeito do que o Presidente Young disse ao irmão Karl G. Maeser, quando o enviou para assumir a direção da Brigham Young Academy, em Provo. O Presidente Young disse: "Irmão Maeser, não quero que você tente ensinar sequer a tabuada sem o Espírito e a influência do poder de Deus." ¶
Vocês, irmãos, vocês, irmãs — irmãs da Sociedade de Socorro, as que a presidem, e as irmãs da Primária e das Moças — vocês, irmãos, em todos os quóruns do sacerdócio, gravemos isto em nossos corações, mentes e almas: que estamos encarregados da responsabilidade de supervisionar alguma parte da obra do Senhor. Gravemos isto em nossos corações: que apenas pelo Espírito do Deus vivo, e somente por aquele poder e Espírito, pode esta obra crescer, prosperar e se estabelecer. Aquele poder e Espírito não vêm da sabedoria do homem. Pertencem à glória de Deus, que é inteligência, o tipo de inteligência que rejeita aquele maligno. Que possamos manter isso, meus irmãos e irmãs, firmemente em nossa mente; que se enraíze em nossos corações e almas; e então trabalhemos com humildade, com fé, e ele aumentará nosso poder, pelo qual, como já li a vocês, seremos ajudados a ir de graça em graça, até nos tornarmos preenchidos por aquele Espírito, até a plenitude do poder e da glória, cheios do Espírito de poder que rejeita aquele maligno, para andarmos na luz do semblante de Deus, para sua glória e honra. Por aquela influência e aquele poder, e por nenhum outro, esta obra prosperará e seu reino virá. ¶
Que o Senhor nos abençoe a todos, oro, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶