Do Primeiro Conselho dos Setenta e Presidente
Rey L. Pratt
Do Primeiro Conselho dos Setenta e Presidente da Missão Mexicana ¶
Tenho ficado muito impressionado, meus irmãos e irmãs, com o espírito desta conferência até agora, e sinto-me fortalecido e edificado em minha fé por causa das instruções, admoestações e testemunhos que têm sido dados. Sou grato a meu Pai Celestial por ser considerado digno de ser membro da Igreja; por ter sido considerado digno de trabalhar na vinha do Senhor. Meus trabalhos missionários têm sido para mim uma fonte de grande alegria, e continuam a sê-lo. ¶
Regozijo-me com a oportunidade de trabalhar com os nobres rapazes e moças que são chamados das fileiras da Igreja e que agora estão, e há anos têm estado, trabalhando comigo no campo missionário. Eles crescem e se desenvolvem de um modo maravilhoso, em seu contato com o mundo, em seu contato com a oposição, e até mesmo em seu contato com a indiferença que encontram no mundo. Creio que alguém disse ontem que eles parecem nascer com um testemunho, e que, assim que começam a trabalhar, a estudar e a refletir, esse testemunho se converte em vida e atividade real, e eles crescem e se desenvolvem de maneira maravilhosa. O espírito de obediência deles é muito notável, meus irmãos e irmãs. Aqueles que têm trabalhado comigo, em quase todos os casos, não hesitam em ir aonde são orientados a ir, nem em ficar pelo tempo que lhes é pedido que fiquem. Se não tivéssemos outra dificuldade quanto ao regresso dos élderes senão a que nos vem dos próprios élderes no campo, nossas dificuldades seriam, na verdade, poucas. Lamento dizer que temos alguma dificuldade em manter nossos excelentes missionários no campo, por causa da atitude assumida por amigos e parentes e, em alguns casos, por líderes locais, em casa. Gostaria que o povo da Igreja em geral pudesse entender, como nós, presidentes de missão, entendemos — e temos esse entendimento das Autoridades Gerais da Igreja —, que uma missão no mundo não tem duração estipulada. Alguns podem ser honrosamente desobrigados ao fim de um ano, e outros podem permanecer muito além dos dois anos, chegando, em alguns casos, a três e cinco anos em algumas missões. Seria muito mais fácil para os rapazes e moças missionários de vocês se pudessem mantê-los ali pelo tempo que o Senhor exigir que permaneçam; e essa duração será indicada por meio dos servos do Senhor a quem ele confiou a presidência de seus rapazes e moças no campo missionário. ¶
Em nosso campo particular de trabalho, a obra está progredindo de modo muito satisfatório, consideradas as condições e tudo o mais envolvido, até mais satisfatoriamente do que se poderia esperar. Somos gratos ao Senhor por isso e sentimos o desejo de continuar nossos trabalhos e de labutar com zelo pela redenção daquele ramo particular da casa de Israel com o qual estamos trabalhando, a saber, o povo lamanita, que são descendentes de José e que têm residido nesta terra da América. ¶
Fiquei particularmente impressionado, durante esta conferência, com as referências feitas ao Livro de Mórmon. Fez meu coração regozijar-se ouvir os fortes testemunhos dados a favor de sua autenticidade divina, e é uma fonte de alegria saber que os homens de ciência, os arqueólogos, que estão escavando as ruínas do passado, estão descobrindo apenas coisas que corroboram a autenticidade divina do Livro de Mórmon; pois, na verdade, tudo o que vem à luz é a seu favor. No que diz respeito a meus estudos e observações, não encontrei nada que, de qualquer maneira, contradiga a reivindicação que fazemos quanto à divindade do Livro de Mórmon. ¶
Tenho tido o grande prazer, meus irmãos e irmãs, de viajar muitíssimo pelas terras do Livro de Mórmon, e teria sido estranho, de fato, se eu não tivesse me interessado e não tivesse encontrado algumas coisas que, para mim, são evidências da autenticidade divina daquele livro. Não estou entre aqueles que têm procurado situar ou localizar certas cidades, ou mesmo definir com precisão certas terras; mas tenho lido no Livro de Mórmon a respeito de uma poderosa civilização que existiu neste continente num passado remoto — a civilização jaredita, anterior até mesmo à civilização nefita. Tenho lido no Livro de Mórmon a respeito de sua expansão por toda a face da terra. Tenho lido a respeito dos maravilhosos edifícios que deixaram, dos maravilhosos templos que erigiram, da extensão de suas grandes cidades. Tenho estudado os materiais usados na construção daquelas cidades; e tem sido meu feliz prazer, meus irmãos e irmãs, ver verdadeiramente demonstrado diante de mim o fato de que viveu, num passado remoto, neste continente, uma civilização que superava em tudo aquela encontrada até mesmo pelos conquistadores espanhóis no México e pelos conquistadores espanhóis no Peru, os quais conquistaram as nações mais altamente civilizadas encontradas aqui pelos conquistadores europeus. ¶
Fiquei maravilhado com as dimensões imensas das pedras usadas na construção de grandes edifícios no México. Vi, ajustadas como vergas sobre três grandes portais que davam acesso a um grande salão vindo de um pátio, pedras que tinham cinco por seis por vinte e cinco pés de dimensão. O irmão Ballard e eu, ao retornarmos de nossa estada missionária em Buenos Aires, passamos pela grande cidade em ruínas de Tiahuanaco, no extremo sul do Lago Titicaca, à grande altitude de 12.500 pés acima do nível do mar; onde de fato medimos pedras que tinham seis por oito por vinte e cinco pés, e que estavam ajustadas em edifícios, sem argamassa, num sistema de alvenaria seca. Tão bem ajustadas e encaixadas estavam algumas dessas enormes pedras que, mesmo depois de todas as eras que se passaram desde que foram ali colocadas, não se pode inserir a lâmina de uma faca entre as junções. ¶
Tenho visto muitas coisas que demonstram para mim que o Livro de Mórmon é verdadeiro. Não me é difícil acreditar em inscrições em placas de ouro. Quando o irmão Ballard e eu regressávamos da América do Sul, tivemos a oportunidade de desembarcar em Lima, Peru, a capital do governo peruano. Ali tivemos acesso a um museu nacional onde se havia reunido uma grande coleção, a qual estava sendo abrigada em novas instalações ainda não abertas ao público. Conseguimos entrada, pelos bons ofícios de nosso embaixador naquele país, e, depois de contemplar muitas maravilhas arqueológicas, chegamos a uma vitrine de vidro que estava completamente cheia de ornamentos de ouro. Havia copos e o que pareciam castiçais, de trabalho muito curioso. Eram realmente maravilhosos. Eram algumas das grandes coisas que haviam sobrado depois que a cobiça dos conquistadores espanhóis roubara daquele país todo o ouro que se podia encontrar, mas ainda assim algo ficara para trás. Depois de examinar, através da vitrine de vidro, muitos daqueles objetos, nossa atenção foi atraída para uma pilha de folhas de ouro num canto. Pelo que pude calcular suas dimensões, era mais ou menos do tamanho de nosso Juvenile Instructor, e a pilha tinha uma altura equivalente a mais ou menos meia dúzia de exemplares daquela revista. A espessura das folhas, ao que me pareceu, era semelhante à da capa externa daquela revista. Eram de ouro puro em folha. Bastaria inserir um anel pelas bordas delas para se ter um conjunto de placas que conteria pelo menos tanto quanto temos no resumo do Livro de Mórmon que nos foi trazido por meio do profeta Joseph Smith. ¶
Não digo essas coisas para ser sensacionalista ou para me gabar, mas digo-lhes que meus olhos as contemplaram. Não duvido da história do Livro de Mórmon por causa dessas coisas. Tenho me aprofundado bastante na antiga literatura espanhola durante os muitos anos em que resido em países latino-americanos, e tenho conseguido descobrir muitas tradições curiosas a respeito da crença do povo antigo, tal como foram registradas pelos primeiros cronistas que vieram com a conquista do México; coisas que revelam o fato de que aquele povo deve ter tido um conhecimento da criação e do dilúvio que coincidia, em cada particularidade, ou era exatamente igual ao relato dado na Bíblia. A história da criação não é narrada com muitos detalhes no Livro de Mórmon, mas não se pode deixar de compreender, por aquele registro, que o povo tinha conhecimento dela precisamente como o tinham os judeus, pelo fato de que os nefitas trouxeram consigo os primeiros cinco livros de Moisés, nas placas em que talvez, como foi mencionado hoje de manhã pelo élder Talmage, estivessem contidos esses escritos. Tinham este registro precisamente como está na Bíblia. ¶
Tenho em meu poder alguns panfletos dos quais fiz alguns trechos que gostaria de mencionar. Um deles trata do dilúvio. Esses panfletos estão em espanhol, e fiz deles uma tradução apressada para o inglês, mas gostaria de chamar a atenção de vocês para eles. ¶
Vocês se lembram de que está registrado em Gênesis que o Senhor ordenou que as águas de cima fossem separadas das águas de baixo, e o relato prossegue contando como foram dispostas em seus devidos lugares. Existe uma tradição registrada pelo Padre Pedro de los Ríos (Códice Ríos (Vaticano A.), fólio 12, anverso) falando de Quetzalcoatl, um grande ser tradicional entre eles, a quem atribuíam a criação do mundo e muitas outras coisas. E isto é o que o Padre Ríos diz a respeito dele, ao registrar a tradição que encontrou entre os índios: ¶
"Esta é a imagem do primeiro Senhor que o mundo teve, o qual, quando lhe aprouve, respirou e separou as águas dos céus das da terra, que antes estavam juntas, e foi ele quem as dispôs como agora estão." ¶
Vocês verão uma estreita analogia, meus irmãos e irmãs, entre esta tradição e o relato dado em Gênesis, relato que verdadeiramente deve ter existido entre o povo desta terra, se é verdade que o Livro de Mórmon é verdadeiro. ¶
Existe uma tradição entre esse povo a respeito da destruição do mundo pelo dilúvio; e, além disso, contam que, nas tradições do povo nativo, havia um relato da destruição do mundo em outra ocasião. Isso despertou a curiosidade de um certo Diego Muñoz Camargo. Vocês encontrarão esse relato escrito em sua História de Tlaxcala, publicada em 1892, nas páginas 153 e 154. Ele diz: ¶
"Havendo um erro muito grande entre estes nativos, e muito geral por toda esta Nova Espanha, porque diziam que este mundo havia tido dois finais ou dois términos, e que um deles fora causado por dilúvios e águas tempestuosas, e que a terra havia sido virada de cabeça para baixo, e que os que haviam vivido naquele tempo tinham sido gigantes, cujos ossos se encontram nos lugares rompidos. ¶
Vocês se lembrarão, meus irmãos e irmãs, de que o relato de Gênesis também afirma que havia gigantes vivendo naqueles dias. A tradição diz: ¶
"E os que viveram naquele tempo eram gigantes, cujos ossos agora se encontram nos lugares rompidos." ¶
"Dizem também que houve outro final do mundo, e que este foi causado por ventos e furacões tão grandes que tudo no mundo foi destruído, até mesmo as árvores e plantas dos montes; e que os homens daquele tempo foram levantados da terra e desapareceram de vista. E sustentam, além disso, como certo, que haverá ainda outro final do mundo, e que este será pelo fogo." ¶
Se vocês se derem ao trabalho, meus irmãos e irmãs, de procurar essas referências, verão que minha afirmação a esse respeito é verdadeira. Essas coisas atraem grandemente minha atenção, e há inúmeras coisas desse tipo que poderiam ser relatadas, tão maravilhosas quanto estas que mencionei. ¶
Gostaria de relatar apenas mais uma tradição, referente à concepção milagrosa de Jesus Cristo ou de Quetzalcoatl. Nosso relato da concepção e do nascimento de Jesus Cristo e o da concepção e do nascimento de Quetzalcoatl, que era a grande divindade deles, são quase idênticos. Vocês encontrarão isto no Códice Telleriano-Remensis. ¶
"Quetzalcoatl nasceu em Chiuenauiecatl, que é onde está a mão — foi ele que nasceu da virgem chamada Chimalman, nos céus. Este Quetzalcoatl é aquele de quem se diz que 'fez o mundo', porque dizem que este Tonacatecuhtli (o Deus supremo que reside no mais alto dos céus), quando lhe aprouve, respirou e gerou este Quetzalcoatl; e foi ele, (Quetzalcoatl), dizem, quem fez o primeiro homem." ¶
Isto é muito notável, meus irmãos e irmãs, quando considerado em conexão com o relato dado no Novo Testamento sobre a concepção de Jesus Cristo; e se vocês juntarem a isso também o primeiro capítulo de João, onde se diz que o Filho do Deus Altíssimo, que estava com o Pai desde o princípio, foi o Criador da terra, e que por ele, por meio dele e dele procederam todas as coisas que foram feitas, verão que temos ampla razão para aceitar, mesmo a partir dessas evidências externas, o fato de que o Livro de Mórmon é a palavra de Deus. ¶
Agora, para mim, isso é uma realidade. É minha fé e crença neste Livro de Mórmon que me tem sustentado ao longo de todos os anos sombrios de meu serviço missionário no México. Pois parece que não se poderiam ter colocado mais obstáculos no caminho do progresso missionário do que os que houve, por causa das condições que têm reinado naquela terra. Mas o Livro de Mórmon relata a nós que o povo daquela terra, os descendentes daqueles que escreveram estas grandes profecias do Senhor, são um povo do convênio do Senhor e hão de ser redimidos. ¶
Quero ler para vocês algo que me tem dado muita fé e esperança, e, se o livro é verdadeiro, como declaramos que é, estas promessas que ainda não se cumpriram certamente se cumprirão em favor daquele povo. Leio agora para vocês, do capítulo trinta de Segundo Néfi, a partir do terceiro versículo: ¶
"E agora desejo profetizar alguma coisa mais sobre os judeus e os gentios. Porque depois que o livro do qual falei for revelado e for escrito para os gentios e selado novamente para o Senhor, muitos acreditarão nas palavras que estão escritas; e eles levá-las-ão aos remanescentes de nossa semente. ¶
"E então os remanescentes de nossa semente terão conhecimento de nós, de como saímos de Jerusalém; e de que eles são descendentes dos judeus. ¶
"E o evangelho de Jesus Cristo será proclamado a eles; portanto, o conhecimento sobre seus pais lhes será restituído, como também o conhecimento sobre Jesus Cristo, que seus pais possuíam. ¶
"E então se regozijarão; porque saberão que é uma bênção que lhes vem da mão de Deus; e de seus olhos começarão a cair as escamas da escuridão; e antes que se passem muitas gerações, tornar-se-ão um povo puro e agradável." ¶
Creio nessa predição. Estou trabalhando com afinco, meus irmãos e irmãs, por seu cumprimento. Seria quase mais fácil, olhando para a questão de um ponto de vista natural, crer no extermínio do povo do que em que algum deles seria poupado. Mas eles hão de desfrutar desta grande redenção. ¶
Gostaria de referir-me a estatísticas que revelam o fato de que, desde a vinda dos conquistadores espanhóis entre o povo indígena — falando ao menos daqueles ao sul do Rio Grande, passando por todo o México até a América Central e do Sul —, nove décimos deles sucumbiram. Isso num período de cerca de quatrocentos anos. Calculando matematicamente, não levaria muito tempo para que o outro décimo fosse eliminado, pois parece que a mesma condição de conflito, guerra e derramamento de sangue prevalece entre eles. Olhando para isso naturalmente, quase parece que nem mesmo um remanescente deles poderia restar. Mas, a esse respeito, e para que minha fé não vacile, tomo coragem na palavra do Senhor tal como veio a Néfi a respeito desta mesma coisa; pois, na verdade, foi-lhe mostrado exatamente o que aconteceria com este povo, que seu próprio ramo seria destruído pelas mãos de seus irmãos, e que seus irmãos definhariam nas trevas e na incredulidade, e que haveria guerras e conflitos entre eles geração após geração. Mas o Senhor lhe disse algo que deve ter sido muito consolador para ele e, de fato, meus irmãos e irmãs, é muito consolador para mim. Falando da grande nação gentia que seria trazida para subjugá-los e habitar a terra, o Senhor afirma que esta é a terra de herança dos filhos, das filhas e dos descendentes de Leí, a quem ele deu esta terra como herança perpétua. E, a esse respeito, o Senhor diz a Néfi, conforme registrado no capítulo treze de Primeiro Néfi: ¶
"Vês, não obstante, os gentios que saíram do cativeiro e que foram elevados pelo poder de Deus acima de todas as outras nações, na face da terra, que é uma terra escolhida acima de todas as outras terras, que é a terra que o Senhor Deus prometeu a teu pai, por convênio, que seria a terra de herança de seus descendentes; vês, portanto, que o Senhor Deus não permitirá que os gentios destruam completamente a mescla de tua semente que está entre os teus irmãos. Nem permitirá ele que os gentios destruam a semente de teus irmãos." ¶
Assim, entendo, meus irmãos e irmãs, que estas profecias e promessas são válidas. O Senhor pretende redimir aquele povo. Ele pretende redimi-los por meio de nós, que fomos tirados dentre as nações gentias e que, na verdade, cremos nas palavras do livro que nos foi dado. Testifico a vocês, juntamente com os que testificaram antes de mim, que é a palavra de Deus. Foi revelado por meio do maior profeta que já residiu neste mundo, salvo o próprio Filho de Deus; e resistirá à prova do tempo. Resistirá à prova de qualquer investigação que se possa fazer, e, no final, triunfará. Que o Senhor nos ajude a crer nisto e nos ajude a desempenhar bem nossa parte no cumprimento da obra que nos foi designada nesta grande obra do Senhor, peço humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶