Estou muito feliz, meus irmãos e irmãs
Rey L. Pratt
Estou muito feliz, meus irmãos e irmãs, de comparecer a esta conferência, e de ter a oportunidade de acrescentar meu testemunho aos que já foram prestados e que ainda serão prestados sobre a divindade da obra em que estamos empenhados. ¶
Enquanto ouvia as palavras de abertura do Presidente Grant, minha mente voltou-se à história e às realizações da Igreja nos anos que se passaram desde que foi organizada nesta dispensação em que vivemos. Verdadeiramente, é maravilhoso contemplar a obra, o desenvolvimento e a fé de nosso povo. É maravilhoso notar como a Igreja se estendeu, e com que rapidez a pedra destinada a encher toda a terra, de que falou o profeta Daniel, está rolando adiante. É maravilhoso contemplar o maravilhoso alicerce que foi lançado por meio do Profeta Joseph Smith, sobre o qual a Igreja deveria edificar. Tudo foi traçado e planejado com precisão. Poderia parecer que houvesse algumas coisas instituídas no princípio que precisariam de correção à medida que a obra prosseguisse. Isso certamente teria sido o caso, se esta obra não tivesse sido estabelecida por meio da inspiração de nosso Pai Celestial a seu profeta escolhido. Foi lançado, para a Igreja e este povo, um alicerce sobre o qual eles edificaram sem vacilar, um alicerce de fé que resistiu a todas as provações, tribulações, perseguições e expulsões a que a Igreja foi submetida. O hino que propõe a pergunta, "Que firme alicerce, ó santos do Senhor, foi posto por sua fé em sua excelente palavra", encontra resposta no crescimento, no desenvolvimento e na continuidade da Igreja que foi estabelecida por meio do instrumento de Joseph Smith. Regozijo-me com este alicerce de fé que tem mantido nosso povo unido, e que nos tem sustentado ao longo de todos estes anos que se passaram. Leio com espanto no coração os atos de valor e heroísmo praticados por nossos pais pioneiros, que vieram a esta terra. Estive novamente, outro dia, no local onde Brigham Young fez aquela observação memorável: "Este é o lugar!" Eu havia acabado de atravessar uma região desértica, por terra, desde El Paso, passando por terras ressecadas e áridas, e por trechos que foram mares interiores em anos há muito passados, o solo ressecado e rachado, e, ao estar ali, pensei que podia imaginar como esta terra devia ter sido naquele tempo. No entanto, pela visão que lhe foi dada, por meio da inspiração do Senhor, seu profeta pôde dizer: "Este é o lugar." E o alicerce de fé lançado no coração do povo da Igreja foi suficiente para fazê-los crer nisso e edificar sobre ele, de modo a suportar as privações, as provações e as dificuldades inerentes à conquista desta terra. Que milagre foi realizado! Este é um verdadeiro jardim; uma bela cidade surgiu naquele ermo. ¶
Lembrei-me, esta manhã, de ouvir meu pai contar-me de seus dias de menino, quando o avô estava ausente numa missão, e os parcos rendimentos da avó como costureira não eram suficientes para prover o necessário para comer. Percorriam estas colinas áridas para colher segos, cardos e raiz vermelha, e, com essas coisas, muitas e muitas vezes, faziam sua parca refeição. É maravilhoso contrastar aquelas condições com o que vemos hoje. Mas sustento, meus irmãos e irmãs, que os homens não teriam feito isso sem visão; os homens não teriam feito isso sem um alicerce de fé que os fizesse saber, além de toda dúvida, que esta é a obra do Senhor, e que estavam a seu serviço. Sabiam que de seus trabalhos haveriam de brotar as próprias coisas que nós, seus filhos, testemunhamos aqui hoje. ¶
A pergunta para mim, meus irmãos e irmãs, é: Que firme alicerce está lançado, na obra do Senhor, para minha fé? Serei capaz de perseverar até o fim? Serei capaz de enfrentar as condições mutáveis que encontro em minha vida? Não sou chamado agora a fazer as coisas que tive de fazer quando menino, pois fui para uma terra nova e tive de erguer cercas, abrir valas, matar cobras, percorrer a cavalo os pastos de gado, e fazer muitas coisas que nem eu nem meus filhos somos chamados a fazer agora; mas enfrento condições, meus irmãos e irmãs, que testam e provam minha fé. Serei capaz de viver e manter minha integridade e continuar a edificar sobre a fé de meus pais? Continuarei a edificar sobre o amplo alicerce lançado para nossa fé na obra do Senhor? Vivemos numa era de ceticismo. Vivemos numa era de dúvida. Vivemos num tempo em que homens de todas as partes do país duvidam até mesmo da existência de nosso Pai celestial. As estatísticas revelam o fato de que, nestes Estados Unidos, praticamente metade da população está sem organização de caráter religioso. Não são filiados a nenhuma igreja; não têm nenhuma afiliação específica com qualquer denominação religiosa. Não digo, nem creio, pelo meu contato com eles, que não tenham fé em Deus, mas não estão ancorados, estão vagando, tropeçando, por assim dizer, ao meio-dia, apalpando a parede, como faz o cego. Isso, meus irmãos e irmãs, se deve ao ceticismo que se desenvolveu, ao falso ensino a respeito de Cristo e de sua missão, e a respeito do evangelho que foi estabelecido como o meio de salvação para os filhos de nosso Pai no mundo. Seremos desviados pelos ensinos desses homens que ensinam falsa doutrina, ou poderemos manter nossa fé e nossa integridade neste glorioso evangelho? Temos uma missão maravilhosa, meus irmãos e irmãs, de levar esta obra ao mundo. Há milhares e milhares de pessoas, milhões delas, que não têm familiaridade com os princípios do evangelho. Como já disse, não creem que haja sobre a terra uma religião divina, e ainda assim há algo em seu coração, algo dentro delas que se estende para fora, e anseiam por algo tangível, por algo real, que lhes permita saber onde está a palavra de Deus. Está sob nossa responsabilidade levar-lhes esta grande mensagem do evangelho restaurado. ¶
Testifico a vocês, meus irmãos e irmãs, que temos a verdade. Estou convencido, além de toda dúvida, de que o Livro de Mórmon foi encontrado no Monte Cumora, colina que foi adquirida pela Igreja. Regozijo-me com isso. Eu já sabia, muito antes do verão passado, que o Livro de Mórmon era verdadeiro. Estudei-o, meditei sobre ele, li-o repetidas vezes em duas línguas. Ensinei ao povo entre o qual fui chamado a trabalhar que ele é verdadeiro; mas em julho passado, pela primeira vez em minha vida, tive a oportunidade de estar naquela colina, e procurei visualizar o que ali se passou há cem anos. Em meu coração, orei ao Senhor para que eu pudesse ter, ali, um testemunho de que o livro é verdadeiro, de que o registro fora retirado daquele solo sagrado. Testifico a vocês que sei, tão bem quanto sei que estou olhando para o rosto de vocês, que o anjo Morôni ali esteve com o jovem profeta e lhe entregou aqueles registros. Testifico a vocês que sei que aquele rapaz, pela inspiração do Senhor, traduziu aquele registro, e o temos como testemunho de Deus na terra hoje. O evangelho, em sua plenitude, está contido naquele registro sagrado. Gostaria que o povo da Igreja o estudasse mais do que o faz. Tive ocasião de indagar com frequência, durante o último ano e meio, entre nossos missionários que chegavam ao campo missionário, se haviam lido e estudado aquele livro antes de sair. Descubro, meus irmãos e irmãs, que há um número excessivo deles que não lhe deram consideração séria, e não o estudaram. Regozijo-me com o fato de que há na Igreja agora uma disposição, entre as organizações auxiliares, de levar a juventude de Sião a ler o Livro de Mórmon. Não se pode lê-lo sem crer que é a palavra de Deus, e que nos foi dado com um propósito. Regozijo-me com a oportunidade que me foi dada de trabalhar com o povo cujos antepassados o escreveram. Testifico a vocês que o povo lamanita é de Israel. Testifico a vocês que são descendentes daqueles homens que escreveram aquele livro, e desejo fazer minha parte em seu favor. Desejo ser instrumento, nas mãos do Senhor, para trazer de volta a eles o glorioso conhecimento que me traz tanta alegria — de que o Livro de Mórmon é verdadeiro, de que contém um registro de seus antepassados, de que lhes ensinará os princípios do evangelho eterno, e de que, seguindo esses ensinamentos, poderão ser salvos no reino de nosso Pai. ¶
Temos a Bíblia, um registro maravilhoso que todos apreciamos, assim como o Livro de Mórmon. Mas pergunto-me, como propõe o capítulo 29 de Segundo Néfi, se já refletimos de onde obtivemos a Bíblia. Nós a obtivemos por meio da nação judaica. Foram os judeus que a escreveram, e o Livro de Mórmon faz a pergunta: Que crédito dão os gentios aos judeus pela Bíblia que tanto apreciam? Nós os estimamos como devíamos? Estendemo-nos até eles, como devíamos, num esforço de tornar verdadeiras e de cumprir as gloriosas promessas de restauração para os judeus, contidas na Bíblia? Da mesma forma, percebemos nós, como povo, em toda sua extensão, nossa obrigação para com os filhos daqueles que escreveram o Livro de Mórmon? Sentimo-nos sempre inclinados a estender-nos até eles e a nos empenharmos para tornar possível e para trazer à realidade e ao cumprimento as promessas do Senhor feitas àquele povo, conforme registradas naquele livro? ¶
Regozijo-me com o testemunho que tenho, de que o evangelho é verdadeiro. Meu desejo é servir, à minha humilde e fraca maneira, enquanto o Senhor exigir meu serviço. Desejo que minha família seja encontrada empregada e engajada no serviço a nosso Pai celestial e à sua Igreja. Não há nada mais em todo o mundo que eu ame tanto quanto amo minha família, meus filhos. Para mim, são muito preciosos, e desejo que cresçam num ambiente onde tenham essa mesma fé, e onde tenham esse mesmo testemunho. Desejo que também tenham a oportunidade de servir no reino de nosso Pai. Amo os rapazes e as moças que o Senhor tem enviado para trabalhar comigo, durante os últimos vinte e um anos, no campo missionário. Sinto por eles um parentesco quase igual ao que sinto por meus próprios filhos e filhas. Regozijo-me quando os vejo voltar para casa em fé, e engajar-se ativamente no ministério ali; e regozijo-me, além da medida, ao ter uma experiência como a que tive há poucos dias, quando um jovem entrou em meu escritório, pois eu não havia recebido notícia de que viria, nem por que havia vindo. Quando lhe perguntei: "Por quanto tempo você vai ficar?", ele respondeu: "Vim servir novamente como missionário, por seis meses, nesta missão." Vinte e um anos atrás, ele servira como secretário na missão mexicana. Cresceu e desenvolveu-se durante aqueles vinte e um anos. É mais eficiente hoje do que era então. Regozijo-me ao vê-los voltar, não apenas com o espírito tão vivo quanto quando partiram, mas com renovada energia, com renovada inteligência, e mais bem qualificados para transmitir a grande mensagem do evangelho. ¶
Assumamos as responsabilidades que são nossas, meus irmãos e irmãs, na disseminação do evangelho. Estejamos atentos ao fato de que devemos ensinar tanto pelo exemplo quanto pelo preceito. Que o Senhor nos ajude a fazê-lo, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶