I Call Your Attention, My Brethren and Sisters
B. H. Roberts
Chamo vossa atenção, meus irmãos e irmãs, para o que designamos como nossa Décima Segunda Regra de Fé, que diz: ¶
"Cremos na submissão a reis, presidentes, governantes, e magistrados; na obediência, honra, e manutenção da lei." ¶
Penso que, ao ler esta Regra de Fé como texto, poderei estar, em meu pensamento, em harmonia com o espírito desta reunião, em razão do que nosso presidente disse, e que esta reunião poderá ser a influência dominante de toda a conferência. ¶
No caminho de volta do Leste, recentemente, ao passar por Scranton, Pensilvânia, peguei o jornal daquele dia, e nele havia uma declaração, baseada nos dados do censo dos Estados Unidos, extraída do Departamento do Censo, em Washington, de que a criminalidade estava aumentando, em proporção, mais depressa do que o crescimento de nossa população, segundo o aumento do número de pessoas enviadas à prisão. Dados completos de trinta e um estados, abrangendo cinquenta e oito das noventa e nove prisões e reformatórios estaduais, registraram 27.018 novos presos recebidos por essas instituições em 1926, em comparação com 21.054 em 1923, o primeiro ano do censo prisional neste país, ou seja, um aumento de 28,3 por cento. Houve 34,1 presos para cada 100.000 habitantes encarcerados no ano passado, contra 27,9 em 1923. ¶
Depois, ao passarmos por Denver, peguei o Rocky Mountain News, e nele encontrei uma coluna dedicada ao crime e ao seu aumento. Não tenho tempo de lê-la, mas seria muito esclarecedor fazê-lo. Ocuparia, porém, tempo demais. Basta dizer que o autor daquela coluna especial rastreou a criminalidade de nosso país desde as mais altas posições da vida política, passando por aqueles que foram considerados culpados de crime no gabinete do Presidente, por governadores de estados e prefeitos de cidades, até as posições mais humildes da vida. Constitui uma acusação bastante severa da situação atual dos Estados Unidos no que diz respeito à observância da lei. Uma das declarações era no sentido de que, segundo o General Lincoln C. Andrews, ex-Subsecretário do Tesouro, não há menos de 40.000.000 de bebedores neste país da proibição, e "a fabricação caseira de bebidas está se tornando um empreendimento de âmbito nacional." ¶
E assim, ao longo de toda a coluna, ele discute a questão da violação da lei e o aumento de seu volume. ¶
Depois, na noite em que cheguei em casa, por acaso peguei um jornal de Salt Lake e observei que o Chefe de Polícia de nossa cidade chamava a atenção para "delinquências juvenis especiais" na cidade, dando instruções especiais aos policiais da cidade para deterem o desenvolvimento dessa espécie de crime. Naquele artigo, há uma lista de crimes de quatro dias que faz o coração doer, crimes cometidos contra jovens e crimes cometidos por jovens, que estou certo de que nenhum homem pode ler sem sentir-se tocado de tristeza diante do espetáculo que representam. ¶
Vereis que, ao entrar em contato com esses episódios, por meio da imprensa pública, em meu caminho de volta para casa, e logo depois de minha chegada aqui, entrei em contato com o assunto que tem sido objeto de discussão nos últimos trinta anos neste país por publicistas, estadistas, juristas e diversas instituições que defendem a lei e a ordem, e que dele me lembrou. ¶
Tenho-me interessado por este assunto há bastante tempo. Aconteceu de me deparar, desde que cheguei em casa, com algumas anotações em que encontrei um discurso que eu mesmo proferi neste tabernáculo, em 1924, no qual apresentei, após elaboradas investigações estatísticas, as evidências que sustentavam uma declaração feita pelo Chefe de Justiça Taft, em 1908, perante a Ordem dos Advogados de Nova York, no sentido de que "a administração da lei em nosso país era uma desgraça para a civilização." Houve muita controvérsia em torno dessa declaração, o que me levou a uma investigação com resultados, para mim, surpreendentes, apenas para me convencer de que nosso Chefe de Justiça estava dentro da verdade ao fazer aquela declaração tão contundente. ¶
Não podemos entrar agora em estatísticas relativas a este assunto, mas vos interessará ouvir esta citação das palavras do Juiz Alfred Talley, do Tribunal de Sessões Gerais de Nova York, ao empossar um novo magistrado, um ano ou dois atrás. Ele lhe disse, ao dar-lhe suas instruções: ¶
"Uma das coisas que aprenderás é que chegaste ao tribunal criminal mais importante do mundo, e o mais antigo tribunal de qualquer espécie nos Estados Unidos, num momento em que este país sofre sob uma acusação que o proclama o mais desordeiro da terra. Descobrirás que os Estados Unidos devem declarar-se culpados dessa acusação. A maioria dos criminosos mais perigosos são meros rapazes." ¶
E isso é, penso eu, uma das coisas trágicas ligadas ao crescimento da criminalidade: que seu aumento se dá principalmente entre a juventude do país. O Juiz Talley continuou: ¶
"Ficarás com o coração partido ao descobrires que a vasta maioria dos réus tem menos de dezenove ou vinte anos, e esse será teu angustiante problema." ¶
Outra declaração que quero ler-vos é um trecho do relatório da Comissão de Aplicação da Lei, apresentado numa reunião da Ordem dos Advogados Americana em São Francisco, vários anos atrás; e as condições não mudaram desde então, apenas pioraram. Esta é a declaração: ¶
"O crime e a ilegalidade nos Estados Unidos têm aumentado continuamente, e de modo desproporcional ao nosso crescimento, e tem havido um desrespeito contínuo e crescente pela lei em nossa nação. Isso não é resultado da guerra." ¶
Sabeis que temos a tendência de atribuir praticamente todo esse espírito de ilegalidade ao efeito da Grande Guerra Mundial. Mas esta autoridade nega isso e oferece esta prova: ¶
"Não constatamos que o aumento proporcional do crime, de 1916 a 1922, seja maior do que de 1910 a 1916 (esse é o ano anterior à nossa entrada na Guerra), e não fomos capazes de descobrir que os crimes de violência tenham aumentado materialmente na França, na Inglaterra ou no Canadá durante ou depois da Guerra, embora o efeito da Guerra naturalmente deva ser mais acentuado naqueles países." ¶
Muito mais poderia ser dito como prova disso, mas talvez seja improveitoso, e impossível, ao menos, discutir agora o óbvio. Os testemunhos são tão avassaladores, a multidão de testemunhas é tão grande, que, como cidadãos americanos, nos encontramos diante do fato de que, em nosso país, vivemos numa época de ilegalidade; e, portanto, considero importante que, tanto para nós mesmos quanto para o mundo, na medida em que possamos alcançá-lo por meio de proclamação, se saiba que, nestas montanhas, na Igreja de Jesus Cristo, existe um povo comprometido com o apoio à lei e à ordem, e penso que os Santos dos Últimos Dias, tanto quanto o mundo, deveriam ter sua atenção voltada para essa importante verdade. ¶
Muitas razões se apresentam à nossa atenção, entrelaçadas com este grande tema, cuja nota fundamental o Presidente Grant tocou em suas observações de abertura nesta manhã. ¶
Tomarei tempo apenas para observar aqui uma delas, mas que representa uma grande causa contribuinte para o crescimento e o aumento da ilegalidade em nosso país. Ela decorre da incerteza na execução da lei. Talvez, na fundação de nosso governo, ao estabelecer a constituição de nosso país e as constituições de nossos estados, o povo daquela geração tivesse estado sob o jugo de férreo de governos opressivos por tanto tempo que se tornou extremamente ansioso por proteger o indivíduo contra as usurpações de uma administração tirânica da lei, e, por isso, superenfatizou os direitos do indivíduo e a proteção desses direitos, tendo menos preocupação com os direitos mais amplos e com a proteção da sociedade contra os criminosos. Nesse espírito tem corrido a legislação em nossos estados e em nossa nação, a saber: proteger e prover todos os meios possíveis para a proteção dos direitos daqueles que são acusados de crimes. E essas leis, que tão fortemente favorecem o criminoso, foram tão bem utilizadas por advogados hábeis de defesa que a administração da lei se tornou uma ciência para proteger o criminoso do justo julgamento e punição de seus crimes. ¶
Temos em mente agora um caso muito notório e de ocorrência recente que ilustra este ponto. Seis anos atrás, dois homens foram condenados, sob o devido processo legal, no estado de Massachusetts, por matarem a tiros e roubarem, em plena luz do dia e em uma via pública movimentada da cidade, dois homens encarregados da folha de pagamento de uma empresa fabril. Dois homens foram presos pelo crime, julgados sob o devido processo legal e considerados culpados. Não tentarei, é claro, fazer qualquer análise desse caso. Mas foram considerados culpados. Contudo, pela habilidade e astúcia de advogados de defesa, mediante atrasos e recursos, baseados em exceções de procedimento e por meios diversos, a execução da sentença foi adiada ano após ano. O elemento radical da comunidade se organizou para resistir à execução da lei. Foram passando de um estratagema a outro, tornando-se, ao que me pareceu, cada vez mais desesperados em sua determinação de frustrar a lei, e a execução da sentença correspondente, e isso por sete anos a partir do momento em que o crime foi cometido. Milhões de pessoas nos Estados Unidos, auxiliados e incentivados por alguns dos principais jornais do país, imploraram e suplicaram por uma mitigação da sentença pronunciada pelo tribunal. Felizmente, como o vejo — felizmente para a estabilidade da administração da lei —, o estado de Massachusetts resistiu a todos esses apelos, e, por fim, a lei foi reivindicada, apesar de sua longa demora. Fiquei eu mesmo impressionado com a magnífica resposta que o Governador Fuller deu ao apelo dramático da esposa e da irmã, respectivamente, desses dois homens condenados. Sua resposta foi, e creio que se tornará histórica: ¶
"Lamento. Meus deveres estão delineados pela lei." ¶
O Governador Fuller recusou-se a interferir na execução final da sentença desses homens condenados. ¶
Temos, neste caso, uma ilustração de um dos grandes defeitos da administração da lei nos Estados Unidos, que é "a demora da lei" e a incerteza da punição. Deixai que essa situação continue, e os criminosos zombarão da lei. ¶
Um toque de sabedoria divina vem a esta questão de um passado distante. Salomão deixou registrada esta notável declaração: "Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal." Eclesiastes 8:11. Todo o consenso da opinião jurídica sobre este assunto vai no sentido de que a incerteza na execução da pena encoraja os homens desesperados ao crime. ¶
Se estivesse em harmonia com os sentimentos dos irmãos — e nada sei do que sejam seus sentimentos sobre este assunto —, parece-me que poderíamos, com propriedade, dar voz aos sentimentos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nesta conferência por meio de uma resolução apropriada, dando a conhecer este nosso grande princípio, anunciando nossa convicção quanto ao dever de sustentar a lei, publicando esta nossa Regra de Fé em tal resolução. Seria ocasião apropriada, diante dessas crescentes ondas de crime, para dar a conhecer a nosso país onde a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se posiciona quanto a essa questão. ¶
Presidente Grant, peço licença para ainda uma coisa, mesmo que invada um pouco de vosso tempo. Não posso deixar este assunto sem chamar a atenção para uma importante declaração no Livro de Mórmon, referida incidentalmente por alguns dos irmãos em suas observações desta manhã. São as palavras do profeta Morôni. Escutai isto, Santos dos Últimos Dias, e gostaria de ver isto também associado à resolução a que me referi, como a mensagem do volume americano de escritura à grande nação gentia que agora controla esta terra, os Estados Unidos, e que exerce grande influência por todo o continente: ¶
"E ele [Deus] jurara em sua ira ao irmão de Jarede que todos os que habitassem esta terra da promissão, daquele tempo em diante e para sempre, deveriam servir a ele, o verdadeiro e único Deus, ou seriam varridos quando sobre eles caísse a plenitude de sua ira. ¶
"E agora podemos ver os decretos de Deus relativos a esta terra, que é uma terra de promissão; e toda nação que a habitar deverá servir a Deus ou será varrida quando a plenitude de sua ira cair sobre ela. E a plenitude de sua ira cairá sobre ela quando houver amadurecido em iniquidade. ¶
"Porque eis que esta é uma terra escolhida entre todas as outras terras; portanto, aquele que a habitar deverá servir a Deus ou será varrido, porque este é o eterno decreto de Deus. E não serão varridos até que a iniquidade entre os filhos da terra chegue à plenitude." ¶
Ora, notai bem: ¶
"E isto chega a vós, ó gentios, para que conheçais os decretos de Deus — para que vos arrependais e não continueis em vossas iniquidades até que venha a plenitude, para que não chameis a plenitude da ira de Deus sobre vós, como os habitantes da terra têm feito até agora." (Éter 2:9-12). ¶
Há apenas três semanas, aproximadamente a esta altura, tive o prazer de estar no cume do monte Cumora em companhia do Presidente Grant. Estando ali, naquela altura, que tão esplendidamente domina toda a paisagem circundante, não pude deixar de recordar o tempo em que Morôni esteve no alto daquele monte com as evidências das ruínas da civilização de seu povo ao seu redor. E este aviso, escrito no Livro de Éter, permiti-me dizer, ao encerrar, vem do profeta de Deus que era também o historiador da grande nação jareditica, ao abreviar e traduzir sua história para a língua nefita. Este aviso vem, então, do historiador de uma civilização que pereceu junto ao monte Cumora; veio também do mesmo homem que foi testemunha da destruição da civilização de seu próprio povo, no mesmo lugar. Considero que ele estava capacitado a falar sobre esta questão, e é bastante apropriado, e é uma das evidências de inspiração neste Livro, que alguém tão capacitado a falar em advertência fosse escolhido para ser o porta-voz de Deus, advertindo esta grande nação gentia, que domina a terra em nossos dias, a que se acautele em seu curso, para que ela também não perca seus direitos ao lugar de orgulho que ocupa entre as nações da terra. Pois, por maior que seja nossa nação, ela não está acima dos poderes de destruição, se não observar as condições sob as quais pode manter sua posição nesta terra. ¶
Que a bênção de Deus venha sobre os gentios de tal forma que não compartilhem do destino das nações que os precederam, é minha oração sincera, em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶