Pouco antes de Cristo ascender ao céu
Andrew Jenson
Pouco antes de Cristo ascender ao céu, ele se dirigiu a seus apóstolos da seguinte maneira: "É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado." (Mateus 28:18-20.) ¶
Em obediência a esse mandamento, os apóstolos antigos e outros pregaram o evangelho, primeiro na Palestina, e mais tarde nos países vizinhos. Paulo, o apóstolo dos gentios, foi o primeiro missionário, tanto quanto a história nos diz, a testificar do Redentor ressuscitado na Síria, na Ásia Menor, na Grécia, na Itália, etc. Não se sabe em quantos países os missionários da Igreja cristã primitiva estenderam suas operações, mas é fato estabelecido que pregaram na maioria, senão em todos, os países que margeiam o Mediterrâneo. Algumas lendas, ao menos, atribuem a Tomé e a outros a pregação do evangelho na Inglaterra, bem como na distante Índia. É preciso lembrar que o mundo não era conhecido pelas pessoas daqueles dias como é hoje. Por exemplo, a América talvez não fosse conhecida pelo povo do mundo oriental, nem a parte sul da África era conhecida pelas nações do norte, até séculos mais tarde. ¶
O anjo destinado a restaurar o evangelho novamente em nossos dias é anunciado por João, o Revelador, nestas palavras: "E vi eu [João] outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." (Apocalipse 14:6.) ¶
Embora a profecia diga que o anjo teria o evangelho eterno para pregar aos que habitam a terra, não se deve supor que ele mesmo tivesse de proclamá-lo pessoalmente, com sua própria voz, ou pelo próprio esforço, a todos. A conclusão natural é que homens na mortalidade seriam chamados, como havia sido o caso em todas as dispensações anteriores, para realizar a obra missionária entre seus semelhantes. Foi assim que Joseph Smith foi escolhido como instrumento nas mãos do Senhor para inaugurar uma nova dispensação, e mal havia sido agraciado ¶
com uma gloriosa visão, no início da primavera de 1820 (na qual viu o Pai e o Filho), quando já testificava do que havia visto e ouvido. Depois recebeu diversas visitas do Anjo Morôni, em cuja aparição os Santos dos Últimos Dias veem o cumprimento da profecia de João. Passaram-se vários anos durante os quais outros santos mensageiros restauraram o Sacerdócio à terra por meio de Joseph Smith e Oliver Cowdery, e assim que a Igreja foi organizada, os trabalhos missionários começaram a sério. E, embora se atribua a Oliver Cowdery a pregação do primeiro sermão do evangelho já proferido por qualquer élder da Igreja em nossa dispensação, é justo que o Profeta Joseph Smith seja chamado o primeiro missionário Santo dos Últimos Dias, pois desde que recebeu sua primeira visão, em 1820, ele, mesmo em meio a severas perseguições e sofrimentos, não cessou de testificar que havia conversado com anjos e havia sido escolhido pelo Senhor para introduzir uma nova dispensação do evangelho. ¶
Mediante um cuidadoso estudo dos primeiros documentos históricos da Igreja, pudemos apurar que a Igreja enviou pelo menos dezesseis missionários em 1830, incluindo Joseph Smith e Oliver Cowdery, já mencionados. Além destes, David Whitmer, Samuel H. Smith, Joseph Smith Sr., Don Carlos Smith, Parley P. Pratt, Hyrum Smith, Newel Knight, Richard Ziba Peterson, Peter Whitmer Jr., Sidney Rigdon, Frederick G. Williams, John Murdock e Orson Pratt realizaram todos trabalhos missionários em vários dos estados em 1830. O registro também mostra que cinquenta e oito missionários foram enviados da sede da Igreja para pregar o evangelho restaurado em 1831, setenta e dois em 1832, quarenta e um em 1833, cento e onze em 1834, e assim por diante. ¶
Até 1837, a pregação dos élderes limitou-se aos Estados Unidos e ao Canadá, mas em 1837, Heber C. Kimball e outros abriram a grande obra missionária que, desde então, tem sido realizada continuamente nas Ilhas Britânicas. Em 1843, os primeiros missionários foram chamados para pregar o evangelho restaurado a um povo que não entendia o idioma inglês. Refiro-me à missão das Ilhas da Sociedade, aberta no início de 1844 por Noah Rogers, Addison Pratt e Benjamin F. Grouard, chamados como missionários para as ilhas do Pacífico em 1843. Dois ou três mil nativos de Tubuai, das Ilhas Tuamotu e de grupos adjacentes logo se identificaram com a Igreja. ¶
Durante o êxodo dos Santos de Nauvoo, em 1846 e 1847, os trabalhos missionários ficaram um tanto paralisados, pois muitos dos jovens irmãos que anteriormente estavam engajados nos campos missionários foram escolhidos como pioneiros, ou como soldados do Batalhão Mórmon, mas depois que os Santos encontraram um lar mais permanente nos vales das Montanhas Rochosas, os trabalhos missionários foram realizados com vigor e muito sucesso. Foi então que os primeiros missionários foram chamados para a Europa continental, e também para as Ilhas Havaianas; logo se ergueram ramos da Igreja em vários países europeus, e missões foram estabelecidas, a maioria das quais existe até hoje. Ao todo, a Igreja estabeleceu cerca de quarenta missões distintas, conhecidas pelos seguintes nomes: Estados Unidos, Canadense, Palestina, Taitiana, Francesa, Italiana, Escandinava, Suíça, Islandesa, Sul-Americana, Alemã, Maltesa, Antilhas Ocidentais, Gibraltar, Sul-Africana, Chinesa, Nova Zelândia, Sião, Holandesa, Samoana, Austríaca, Finlandesa, Mexicana, Turca, Belga, Tonganesa, Japão, Armênia, etc. ¶
Os trabalhos missionários nos Estados Unidos foram agrupados em várias missões distintas, cada uma abrangendo vários estados, tais como os Estados do Leste, os Estados do Norte, os Estados do Sul, o Território Indígena, os Estados Centrais, os Estados do Oeste, os Estados do Noroeste, a Califórnia e os Estados do Centro-Norte. A missão escandinava original também foi dividida nas missões Sueca, Dinamarquesa e Norueguesa. Também a missão britânica foi, por vezes, segregada em grupos menores, conhecidos sob diferentes títulos, tais como a Inglesa, a Galesa, a Escocesa e a Irlandesa. Ao reconhecer essas subdivisões gerais, verificamos que a Igreja, desde sua organização em 1830, estabeleceu cerca de quarenta missões distintas e separadas, das quais vinte e sete ainda existem. ¶
Após um estudo minucioso da história da Igreja, e reunindo informações de todas as fontes possíveis, podemos agora declarar, por contagem real, que a Igreja, desde sua primeira organização em 1830 até o final do ano de 1926, enviou aproximadamente 35.275 missionários a partir da sede da Igreja para pregar o evangelho em muitas terras e climas. Mas esse número não representa, de modo algum, todos os missionários que trabalharam pela difusão do evangelho. Pois, embora os élderes delegados e enviados da sede da Igreja costumassem abrir as diversas missões pelo mundo, milhares de élderes locais (isto é, conversos que, nos diferentes estados e países, foram ordenados ao ministério) trabalharam com igual zelo e sucesso; e particularmente em países onde o idioma inglês não é universalmente falado, esses élderes locais, ou nativos, tiveram, em muitos casos, ainda mais sucesso do que alguns dos enviados da sede. Nos primeiros tempos, havia talvez vinte missionários locais para cada élder americano nas Ilhas Britânicas, nos países escandinavos, e mesmo na Alemanha e na Suíça. Essa proporção, porém, inverteu-se em anos posteriores, quando a maior parte da obra missionária passou a ser realizada por élderes americanos. Mas, lançando um olhar retrospectivo sobre as operações missionárias da Igreja, durante os noventa e sete anos de sua existência, podemos afirmar com segurança que pelo menos 70.000 élderes e irmãs missionárias, chamados e apartados regularmente para o ministério, estiveram engajados em trabalhos missionários reais no mundo, ao considerarmos que os élderes locais, ou nativos, igualaram em número os missionários enviados da sede da Igreja. ¶
Diante desses fatos, pode-se, com razão, deixar ao bom julgamento de pessoas justas e interessadas na grande obra dos Últimos Dias, iniciada pelo Profeta Joseph Smith sob orientação divina, decidir se os élderes e missionários da Igreja têm sido fiéis ¶
ao seu chamado de pregar o evangelho, como lhes foi ordenado, a toda nação, tribo, língua e povo. E especialmente quando se considera que esta grande hoste de trabalhadores na vinha de Deus pregou e trabalhou, em sua maioria, sem bolsa nem alforje, ou pelo menos realizou sua obra às próprias custas, ou às custas de pais, parentes e amigos. ¶
Se há países no mundo que ainda não foram alcançados por missionários Santos dos Últimos Dias, certamente não é por culpa da Igreja, nem se deve atribuir a qualquer negligência da parte de seus missionários. Deve-se, em grande parte, ao fato de que a liberdade religiosa não existe em todas as nações, e que, em muitos casos, nossos élderes têm sido impedidos, por leis rigorosas, de cumprir o mandamento divino. Em vários países, chegaram até a ser proibidos de desembarcar, e em outros países, onde conseguiram desembarcar, foram presos e banidos. Estou convencido de que as autoridades da Igreja sempre estiveram dispostas, e ainda estão dispostas, a enviar élderes a toda nação debaixo do sol, cujos governos e habitantes estivessem dispostos a recebê-los. Que Deus conceda que os élderes do Israel moderno possam em breve desfrutar do privilégio de pregar o evangelho, sem impedimento, em todo o mundo. Amém. ¶