Palavras
John S. Hansen
Meus irmãos e irmãs: Sinto-me muito fraco e constrangido ao me apresentar diante de vocês nesta tarde; mas, como fui chamado a dizer algumas palavras sobre a obra na Dinamarca, assim o farei. ¶
Ponho-me diante de vocês e contemplo estes muitos rostos com um sentimento de temor, mas também de felicidade -- temor de que eu não seja capaz de falar de modo que vocês compreendam o que digo. Mas quando penso em todas estas muitas pessoas que estão aqui hoje e da mesma fé que eu, pertencentes à mesma Igreja, crendo nas mesmas doutrinas que me foram ensinadas e em que creio, e que tenho procurado ensinar a outros, então um sentimento de felicidade percorre-me; e peço ao Senhor que esteja comigo durante os poucos minutos em que permaneço diante de vocês, para que eu possa dar conta de mim mesmo. ¶
Voltei para casa há três semanas, contando a partir de hoje, de minha missão na Dinamarca, onde trabalhei por três anos, e apreciei meu trabalho. Foi minha segunda missão à Dinamarca. Estive lá de 1912 a 1914, e como eu tinha vinte anos quando emigrei, e naquela época não conseguia falar uma palavra de inglês, vocês compreenderão que agora sou mais capaz de falar dinamarquês do que inglês. Espero que vocês consigam me entender, embora nos últimos três anos eu tenha estado pregando e falando principalmente em minha língua nativa. ¶
A Dinamarca é um pequeno país pertencente ao grupo escandinavo. Sua população é pouco mais de três milhões de pessoas. É um bom país, e o povo é um bom povo, e é um prazer trabalhar entre eles. Tivemos, durante os últimos três anos, vários bons irmãos vindos de Sião para nos ajudar em nosso trabalho missionário. Quando cheguei, as condições eram diferentes das de agora. Havia decorrido um longo período em que pouquíssimos élderes de Sião estiveram trabalhando naquele país, e havia apenas seis élderes lá quando cheguei. A maioria dos ramos estava desorganizada. Quando saí, havia vinte e cinco missionários no campo realizando um bom trabalho, e os ramos estavam plenamente organizados. A maioria dos élderes que foram enviados àquele país enquanto eu ali estava eram jovens incapazes de falar o idioma, e foi necessário muito trabalho com eles para ajudá-los a aprender o idioma e colocá-los de modo que pudessem ser úteis enquanto o aprendiam. Mas devo dizer que a grande maioria deles foi muito diligente e aprendeu o idioma rapidamente, e foi capaz de realizar um bom trabalho, e temos visto bons resultados de nossos labores, muitos tendo se filiado à Igreja durante esse tempo. As perspectivas são boas para o futuro. ¶
Percebo que estou falando a pessoas que representam a Igreja das diferentes alas e estacas. A missão Dinamarquesa, assim como as outras missões, precisa de missionários, homens de ampla experiência de vida, e com o idioma que aprendem lá serão capazes de realizar uma grande obra. Há muitas pessoas naquela terra que são do sangue de Israel, e sinto-me seguro de que muitos abraçarão o evangelho num futuro próximo. Mas o evangelho precisa ser levado a eles, e precisa ser pregado a eles em uma linguagem e de uma maneira que possam compreender, porque estão cercados por tantas influências diferentes, todas tentando agir com eles e sobre eles. ¶
A Dinamarca tem plena liberdade religiosa. Qualquer pessoa pode defender ou pregar tudo o que desejar pregar. Havia lá representantes vindos da Índia pregando o budismo e outros "ismos". Espíritas, cientistas cristãos, Estudantes Internacionais da Bíblia, Adventistas do Sétimo Dia, e todas essas diferentes seitas, pregam suas doutrinas, e muitas pessoas não sabem no que acreditar, e chegam à conclusão de que é melhor deixar tudo de lado, o "mormonismo" incluído. E não podemos culpá-las. A maneira de ensiná-las é apresentar a verdade de tal forma que alcance seus corações e cause impressão em suas almas. Para fazer isso, devemos compreender a condição do povo e os ensinamentos que lhes foram dados e que receberam de diferentes fontes. ¶
Várias das seitas às quais me referi não creem na ressurreição literal de Cristo. Não creem na ressurreição do corpo, e uma ressurreição literal é um de nossos testemunhos ao povo. Temos procurado limitar nossas palavras a prestar testemunho da verdade do evangelho de Jesus Cristo, tal como nos foi revelado nestes últimos dias, dizendo-lhes do Deus verdadeiro e vivo, um Deus pessoal, nosso Pai celestial, que tem um corpo, e que pode mostrar-se, e pode falar conosco e estar conosco. Também de seu Filho Jesus Cristo, que ele foi literalmente ressuscitado com o corpo no qual andou e falou enquanto estava sobre a terra. Às vezes, em nossas reuniões, quando prestamos testemunho dessas verdades tal como as entendemos, pessoas vêm até nós e dizem: "Estas são coisas em que costumávamos crer quando éramos crianças, mas agora não sabemos o que pensar, porque nossos ministros e todos esses outros defensores da religião confundiram nossas mentes quanto à questão de saber se o homem será ou não literalmente ressuscitado." ¶
Ministros da igreja estatal da Dinamarca vieram à frente com o ensinamento de que a ressurreição de Cristo foi uma ressurreição espiritual, e que foi uma visão que os apóstolos tiveram quando o encontraram e falaram com ele após sua ressurreição, e também que nossa ressurreição será uma ressurreição espiritual. Se compreendermos o povo e lhe pregarmos a verdade, descobriremos que a verdade os atrairá de muitas maneiras, e causará impressão neles. Descobrimos que a melhor maneira de ter sucesso e de ter acesso aos corações do povo é falar com eles a partir do ponto de vista que eles agora têm, para que possam nos compreender melhor do que se falássemos acima de sua compreensão. Percebo que as criancinhas compreendem os ensinamentos de nossa Igreja a respeito de Deus muito melhor do que os adultos. Em nossas classes da escola dominical podemos explicar às criancinhas a personalidade de Deus, e isso lhes parece natural. As pessoas nos dizem: "Quando éramos crianças, cremos em tal Deus. Quando nossos pais nos falavam sobre Deus, imaginávamo-lo como um Deus pessoal, semelhante ao nosso pai terreno. Foi quando crescemos que nossas ideias se confundiram com essas diferentes noções que agora existem no mundo." O que precisamos fazer é trazer o povo de volta à fé de sua infância, pois não há criança que não tenha essa impressão e esse sentimento a respeito de Deus, e essa compreensão dele, quando ouve falar dele pela primeira vez por seus pais. ¶
Quando eu ia à escola naquele país, ensinavam-me a religião do estado, mas meus sentimentos e minha compreensão de Deus eram os de um Deus pessoal; e quando eu tinha onze anos e me filiei à Igreja "mórmon", mantive essa visão e essa ideia de Deus, que considero verdadeira. Temos procurado ensinar essas doutrinas ao povo. ¶
Ontem foi Páscoa. Hoje também é feriado naqueles velhos países, sendo um dia designado para os cultos da igreja, em que celebram a ressurreição de Cristo. É estranho pensar que esse povo se reunirá e falará da grande e gloriosa verdade de Cristo ter ressuscitado dos mortos, e não crerá que foi uma ressurreição literal. Mas quando leem o evangelho de São João sobre Cristo saindo do sepulcro, e o sepulcro vazio, explicam isso dizendo que foi uma ressurreição espiritual. Quando realizamos nossos cultos de Páscoa, damos testemunho ao povo da verdade do evangelho de Jesus Cristo; que ele ressuscitou dos mortos; que ele levou consigo, ao sair do sepulcro em que fora colocado, o corpo em que fora sepultado; que ele se mostrou a seus discípulos; mostrou-lhes as marcas em suas mãos e em seus pés, e que lhes disse: "Sou eu mesmo: apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne e ossos, como vedes que eu tenho." Cremos também, e temos ensinado ao povo, que todos aqueles que virão à ressurreição primeira ressuscitarão com os corpos que receberam aqui na terra, glorificados e livres do mal, e livres dos resultados do pecado, dos quais, por meio do evangelho de Cristo, seremos capazes de nos purificar. Por isso os ensinamentos referidos pelo Élder Widtsoe nos são naturais. Eles se ajustam a este corpo que possuímos e que recebemos como dom de Deus, para que nosso espírito trabalhe com ele eternamente. Este corpo há de ser nosso por toda a eternidade. Precisamos cuidar dele, porque, se assim fizermos e o usarmos devidamente, será tanto melhor para nós na ressurreição. ¶
Creio que as pessoas no mundo são capazes de aceitar os princípios do evangelho em grande medida, se lhes forem apresentados de uma maneira que possam compreender e assimilar. Tenho constatado muitas vezes, e espero não ofender ninguém ao dizê-lo, que nossos missionários são um tanto rápidos demais em julgar as pessoas, ou julgar sua capacidade de compreensão, e as julgam a partir de seu próprio ponto de vista, em vez do ponto de vista das pessoas. Se é a verdade que levamos ao povo, se é o evangelho de Jesus Cristo, e se o Senhor pretende que o levemos até eles, então é nosso dever trabalhar diligentemente nesse serviço, e não desistir porque as coisas parecem difíceis, ou porque as pessoas não parecem compreender. Talvez a dificuldade seja que não o apresentamos de uma forma que possam compreender, e, se for esse o caso, então procuremos encontrar um modo de alcançar seus corações e suas almas, e apresentá-lo de maneira que possam assimilá-lo e compreendê-lo. Se não conseguirmos fazê-lo de um jeito, talvez possamos fazê-lo de outro. Nunca me afastei com raiva de ninguém que não conseguisse me compreender, ou que ridicularizasse minhas opiniões. Mas sempre disse: "Voltaremos a nos encontrar; conversaremos sobre isso novamente; talvez consigamos nos aproximar mais quanto a este ponto." ¶
É um erro, como alguns fizeram ocasionalmente, dizer à pessoa que não quer compreender, ou que não consegue compreender: "Estás amaldiçoado. Prestei-te meu testemunho e não o recebeste, portanto estás amaldiçoado." Sempre instruí os missionários a não fazer isso, e disse-lhes que estamos no mundo para abençoar e salvar o mundo, e não para condená-lo. Temos procurado pregar e ensinar a salvação, e não a condenação, procurando explicar ao povo que o evangelho está no mundo para edificar e salvar o povo. Ao pregar o evangelho da salvação, constatamos que somos grandemente abençoados e que o Senhor está conosco. Nossos conversos não têm sido muito numerosos, mas temos conseguido trazer para a Igreja diversas almas boas e honestas enquanto estive na Dinamarca durante os últimos três anos. Além disso, conseguimos encontrar e despertar interesse pela obra da Igreja em várias pessoas que estavam praticamente mortas; que durante anos não haviam sido visitadas pelos missionários, e que haviam esquecido que eram membros da Igreja; mas que voltaram novamente à Igreja e retomaram a obra. Recomeçaram a pagar seus dízimos, a frequentar suas reuniões e a trabalhar nas organizações; e consideramos isso uma obra tão grande quanto trazer novos conversos para o rebanho. ¶
Meus irmãos e irmãs, sinto que o tempo é limitado, pois há muitos outros de nossos irmãos que vocês desejam ouvir. Mas desejo, antes de me sentar, sendo esta a primeira vez que tenho o privilégio de estar neste púlpito, prestar-lhes meu testemunho da verdade do evangelho restaurado de Jesus Cristo. Eu o amo. Tenho procurado cumprir meu dever tanto quanto tenho sido capaz de perceber, e tanto quanto meus negócios me permitiram cumpri-lo. Oro ao Senhor para que esteja comigo no futuro, para que eu possa continuar nesta boa obra, e para que todos possamos continuar a fazer a vontade do Senhor; e que Deus nos ajude, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶