O Maior de Todos os Milagres
David O. McKay
"Portanto, dentre estes homens * * * é necessário que um seja ordenado testemunha conosco de sua ressurreição." ¶
O MAIOR DE TODOS OS MILAGRES ¶
O maior de todos os milagres está sendo celebrado hoje pelo mundo cristão na festa mundial chamada Páscoa. O élder Whitney referiu-se à razoabilidade dos milagres de Jesus Cristo. Eu digo que o maior de todos os milagres é a sua ressurreição dentre os mortos; seguidores professos do Senhor ressuscitado estão celebrando, ao menos na forma, esse grande milagre. Ouvimos hoje que muitas pessoas rejeitam a realidade da ressurreição do Senhor. Creem, ou professam crer, em seus ensinamentos, mas não creem na concepção imaculada, nem em sua ressurreição literal do sepulcro; contudo, este último fato foi o próprio fundamento da igreja cristã primitiva. A passagem que acabei de ler diante de vocês está contida no primeiro capítulo de Atos, e é aceita como sendo o testemunho de Pedro, o apóstolo-chefe, na ocasião em que os onze se haviam reunido para escolher alguém para tomar o lugar de Judas Iscariotes. Sempre me interessa estudar a respeito da classe de homens que cercava os apóstolos naquela época, dentre os quais os apóstolos escolheram essa testemunha especial. Eram homens que haviam sido "testemunhas" da ressurreição. Somente um assim era considerado elegível e digno de ser escolhido um dos Doze Apóstolos. Leio mais adiante: ¶
"Deus ressuscitou este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. ¶
"De sorte que, já pela destra de Deus exaltado, e recebendo do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis." ¶
Pedro então continua: ¶
"Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis: ¶
"A este, sendo entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos: ¶
"Ao qual Deus ressuscitou, libertando-o das dores da morte." ¶
A REALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO ¶
Não parece ter havido dúvida alguma sobre a realidade da ressurreição de Cristo na mente de Pedro, quando falou justamente àqueles homens, alguns dos quais, pelo menos, haviam sido testemunhas da morte de Jesus. Antes disso, como já disse, Pedro havia declarado aos onze que "devemos escolher, dentre aqueles que são tais testemunhas, um que fique ao nosso lado como testemunha ocular da ressurreição do Senhor." Não há dúvida, no que diz respeito ao primeiro e ao segundo capítulos de Atos, de que a ressurreição de Jesus Cristo foi uma realidade. Nenhum cristão pode lê-lo sem se convencer de que esses primeiros apóstolos estavam firmemente convencidos de que a ressurreição do Senhor era real. Jesus, o Senhor deles, era tão real para eles depois de sua ressurreição quanto havia sido antes de sua crucificação, um homem entre eles, embora divino. ¶
Mais tarde, outro homem testificou da mesma coisa. Era Paulo, conhecido como Saulo de Tarso. Em sua vida jovem, Saulo não acreditava que Jesus Cristo houvesse ressuscitado dentre os mortos. Quando se sentava aos pés de Gamaliel, estudando a filosofia daquele tempo, ele sem dúvida teria ridicularizado a ideia. Nesse sentido, Paulo era um modernista em todo o sentido da palavra. Pouco antes de sua conversão, ele não apenas ridicularizava a ideia, mas obteve documentos que o autorizavam a punir todos os que criam na ressurreição de Cristo, e, no entanto, Paulo era fariseu, seita cujos membros criam na doutrina da ressurreição. Contudo, sobreveio uma mudança maravilhosa na vida desse perseguidor. Este mesmo Jesus, que havia sido crucificado e que havia ressuscitado dentre os mortos, apareceu a Paulo quando ele ia a caminho de Damasco, com documentos no bolso para prender os santos que habitavam naquela antiga cidade. ¶
"Saulo, Saulo, por que me persegues?" disse a voz. "Quem és, Senhor?" "Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões." "Senhor, que queres que eu faça?" "Levanta-te, e entra na cidade, e ali te será dito o que te convém fazer." Mais tarde, Paulo escreveu esse testemunho, e o temos hoje como o mais antigo registro escrito autêntico que testifica da ressurreição literal do Senhor. Esse testemunho mais antigo por escrito não é o que acabei de ler em Atos, não se encontra em Mateus, o primeiro livro do Novo Testamento, não está em Marcos, nem em Lucas, nem em João, mas na primeira epístola aos Coríntios. Se abrirem essa epístola, encontrarão um maravilhoso conjunto de testemunhos da realidade da ressurreição de Jesus Cristo. No décimo quinto capítulo, leio o seguinte: ¶
"Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras, ¶
"E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras, ¶
"E que foi visto por Cefas, e depois, pelos doze. ¶
"Depois foi visto, uma vez, por mais de cinco mil irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. ¶
"Depois foi visto por Tiago; depois, por todos os apóstolos. ¶
"E por último de todos, foi visto também por mim, como por um abortivo. ¶
"Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus." ¶
TESTEMUNHAS DA RESSURREIÇÃO ¶
Alguns podem dizer: "Se soubéssemos que esses testemunhos eram os testemunhos diretos desses homens, então lhes daríamos plena credibilidade." "Mas," dizem os críticos, "não sabemos se o testemunho de Pedro, tal como registrado em Atos, é exatamente como ele o deu, porque não foi ele quem escreveu os Atos dos Apóstolos." É verdade, mas sabemos que Paulo, e Lucas, e Marcos, e outros escritores do Novo Testamento se comunicaram com Pedro como o chefe dos apóstolos. Sabemos, por este registro autêntico do qual li, que Paulo conversou com alguns desses quinhentos homens; ao menos, nossa inferência de que o fez é justificável. Ele os observava tão de perto que, quando uma dessas testemunhas oculares morria, evidentemente ele tomava nota disso, como quem diz: "Ali se foi mais uma das testemunhas oculares do Senhor ressuscitado, para o outro lado." Que outra coisa se pode ler naquela frase, "mas alguns já dormem também"? Marcos, Lucas e Paulo conversaram com Pedro. Temos esse testemunho dos próprios escritos de Paulo; e qual seria a natureza dessa conversa? "Pedro," diria Paulo, "você realmente viu o Senhor ressuscitado?" A resposta de Pedro foi afirmativa, porque aqui Paulo diz: "Foi visto por Cefas," ou Pedro. Paulo, em outro lugar, diz: "Conversei com Tiago," que então presidia o ramo em Jerusalém. Não pode haver dúvida de que Paulo teria dito: "Tiago, você viu o Senhor ressuscitado?" A resposta de Tiago se encontra no décimo quinto capítulo de Coríntios. ¶
O que podemos fazer se não podemos aceitar tal evidência irrefutável? Para mim, esses testemunhos significam apenas uma coisa: que Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria, que pregou o evangelho em seu próprio nome, que buscou os perdidos, cuja vida, como a conhecemos, mesmo pelos relatos fragmentários que dela restam, é uma inspiração e tem sido uma inspiração para milhões de pessoas, por dois mil anos, que foi crucificado em ignomínia e que foi sepultado; que esse mesmo Jesus Cristo ressuscitou do sepulcro literalmente, e que a igreja cristã primitiva foi fundada sobre esse fato divino. ¶
A GRANDE E CONSOLADORA MENSAGEM ¶
Que milagre maravilhoso é este! Mas, ó, que mensagem para a sua alma e para a minha! Se ele, Senhor e Salvador, venceu a morte depois de haver assumido a mortalidade, então temos a garantia divina de que nossos espíritos transcenderão aquilo a que chamamos morte. Temos a garantia de que nossos entes queridos que já partiram agora vivem, pois a morte não pode tocar a prole de Deus, o espírito, que é divino. Essa é a mensagem. ¶
Como foi dito aqui em outra ocasião, temos testemunhas mais próximas de nossos dias do que Pedro, Marcos e Paulo, e os demais. Esta vasta congregação está reunida neste dia de Páscoa por causa de testemunhas, nesta dispensação, da realidade da ressurreição de Cristo, e a integridade desses homens também é inquestionável para todas as pessoas honestas que estudaram o caráter dessas testemunhas. Aqueles que a interpretam mal são aqueles que, por ignorância ou por obstinação, assim o desejam. ¶
UMA TESTEMUNHA DOS ÚLTIMOS DIAS ¶
A testemunha dos últimos dias é esta: que Jesus Cristo, o Senhor ressuscitado, apareceu ao lado de seu Pai Eterno, que o apresentou nesta dispensação da seguinte maneira: ¶
"Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" Assim como a igreja cristã, no meridiano dos tempos, foi fundada sobre a realidade do Cristo vivo -- não meramente sobre os ensinamentos do Grande Mestre -- assim também a Igreja de Jesus Cristo, nesta era, foi fundada sobre a realidade da existência de Cristo e sobre a realidade de sua aparição, nesta dispensação, ao jovem sincero e buscador, Joseph Smith. ¶
OUTRAS TESTEMUNHAS CORROBORANTES ¶
Outras testemunhas corroboram o testemunho da realidade do aparecimento de Cristo, e também da realidade do aparecimento de seres ressuscitados, o que confirma a realidade da ressurreição dentre os mortos. A personalidade de Cristo, assim como sua divindade, persistiu após a morte. Sendo isso verdade, então Deus é, sem dúvida alguma, um ser pessoal ressuscitado. ¶
"É o olho da fé que vê os amplos horizontes, a cor e o brilho. A religião, apoiada sobre a experiência conhecida da raça, faz uma afirmação ousada e gloriosa. Ela afirma que esse poder que produz a verdade, a beleza e a bondade não é menos pessoal do que nós." [E essa é a declaração da Igreja de Jesus Cristo, de que ele não é menos pessoal do que nós, e de que seu Pai, o Pai Eterno, é um Deus pessoal.] "Esse salto de fé se justifica porque Deus não pode ser menor do que a maior de suas obras; a causa deve ser adequada ao efeito. Quando, portanto, chamamos Deus de pessoal, nós o interpretamos pelo mais elevado símbolo que temos. Ele pode ser infinitamente mais. Não pode ser menos. Quando chamamos Deus de espírito, usamos a mais clara lente que temos para olhar o infinito. Como bem disse Herbert Spencer: 'A escolha não é entre um Deus pessoal e algo inferior, mas entre Deus e algo superior.'" ¶
Assim escreveu Charles Dinsmore, de Yale. ¶
ONDE A IGREJA SUD SE POSICIONA SOBRE A QUESTÃO ¶
Assim, os Santos dos Últimos Dias declaram ao mundo que Deus é um Deus pessoal, não apenas um poder, uma força; ele é isso e mais. Ele é tudo isso por causa de sua personalidade divina e eterna, e a Igreja se apoia sobre a realidade da ressurreição de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. ¶
UM APELO À JUVENTUDE DA IGREJA ¶
Companheiros de trabalho, jovens de Israel, presentes nesta tribuna, tendo em nossos corações o testemunho de que Cristo vive, e de que esta é a sua Igreja, pergunto a vocês: como podemos voltar um ouvido indiferente ao apelo feito nesta manhã pelo Presidente de nossa Igreja, para defender e honrar as leis de nossa terra, para trabalhar pelo exemplo e pelo preceito, a fim de estabelecer em todas as nossas comunidades uma determinação de manter as comunidades puras das influências contaminantes das bebidas alcoólicas e do tabaco? Gostaria de ver a aplicação deste testemunho, da realidade da ressurreição de Cristo e da crença em seu evangelho, manifestada numa alta condição moral e espiritual, que irradiasse retidão a partir das vidas individuais e das comunidades daqueles que fazem essa profissão de fé. Santos dos Últimos Dias, foi dada esta manhã uma mensagem em apelo a sustentar a Décima Oitava Emenda à Constituição dos Estados Unidos, e espero que nunca venhamos a ouvir falar de oficiais nas estacas ou nas alas, nem de rapazes, nem de moças, que se deixem desviar pela propaganda que agora se espalha por este país, com a intenção declarada de trazer uma modificação da lei seca. Se vocês têm o testemunho de Jesus Cristo, se sabem que os princípios que ele revelou são verdadeiros, então obedecerão à Palavra de Sabedoria, e também apoiarão as leis de proibição deste país. Sabendo, como sei, que o evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro, rogo a Deus que me ajude, a mim, aos meus e a meus amigos, a sermos fiéis a esses princípios, que todos sabemos que Cristo há de se agradar de vermos incorporados em nossas vidas. Amém. ¶