Pulpit

A Ressurreição de Cristo

Charles W. Nibley

Conferência Geral de Abril de 1926·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1926-04-04

Leio do vigésimo quarto capítulo de Lucas, começando no primeiro versículo:

A Ressurreição de Cristo

"E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas, e algumas outras com elas, ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado.

"E acharam a pedra revolvida do sepulcro.

"E entrando elas, não acharam o corpo do Senhor Jesus.

"E aconteceu que, estando elas perplexas por isso, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes.

"E estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos?

"Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ele ainda na Galileia,

"Dizendo: Convém que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite.

E lembraram-se das suas palavras."

Dupla Garantia do Senhor Ressuscitado

Em todo o mundo cristão, hoje, esse acontecimento é celebrado, o tema é discutido, o pensamento é rememorado, e palavras apropriadas são pronunciadas a respeito desta e de outras escrituras semelhantes referentes à ressurreição de nosso Senhor. Nossas flores aqui, estes lírios da Páscoa, simbolizam esse pensamento, e nós, membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, cremos em cada palavra da escritura que li. Aceitamo-la literalmente. Cremos que o mesmo corpo que o Senhor Jesus teve em sua vida mortal foi ressuscitado e se tornou um corpo glorificado de carne e osso. Temos evidência disso além da contida no Novo Testamento; pois, como Santos dos Últimos Dias, cremos que este mesmo Jesus, que foi crucificado e ressuscitou dos mortos, apareceu e se revelou, nestes últimos dias, ao Profeta Joseph Smith, e o ensinou a lançar o fundamento desta grande obra dos últimos dias.

Assim, temos uma dupla garantia, não apenas a garantia das escrituras que os cristãos em geral aceitam, mas a garantia adicional de que esse mesmo Jesus veio à terra nestes últimos tempos e estabeleceu a mesma Igreja, as mesmas doutrinas, os mesmos princípios de salvação, com o mesmo poder e autoridade que ele instituiu no meridiano dos tempos, antes de sua crucificação e depois dela.

Princípios e Doutrinas Iguais aos que Cristo Ensinou

Ele deu à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nestes dias, a mesma autoridade e os mesmos princípios, e a capacitou a realizar a mesma obra que instruiu seus apóstolos e discípulos a realizar em tempos antigos, a saber, ir a todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura. É a mesma doutrina, sem qualquer alteração. O Salvador ordenou a seus discípulos que fossem e não dependessem de si mesmos, mas do Senhor, e prometeu que os alimentaria, os vestiria e cuidaria deles. Em outras palavras, eles não deveriam perguntar: "Há algum salário associado a isso? Quanto vamos receber?" Antigamente, como se lê nas escrituras, ele nada disse a respeito de salário; pelo contrário, suas instruções eram para que fossem sem bolsa nem alforje, dependendo do Senhor.

A Mesma Doutrina

A mesma doutrina é pregada hoje pela Igreja de Jesus Cristo; e, como ouvimos do Presidente Grant nesta manhã, mais de 2.500 de nossos missionários estão hoje no mundo, fazendo justamente essa obra e fazendo-a exatamente da mesma maneira. Eles se sustentam a si mesmos, dependem de seus próprios esforços. A Igreja não os contrata. Não há contratação na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nesse sentido. É verdade que, quando um homem é chamado a dedicar todo o seu tempo à obra da Igreja, ele deve receber o suficiente para viver. As pessoas entre as quais os élderes trabalham nas missões do mundo, geralmente, cuidam deles quando podem. Se não podem, e os conversos ou amigos não podem ajudá-los, então espera-se que esses homens forneçam os próprios meios e façam esse tanto de sacrifício por pregar, ensinar e entregar essa maravilhosa mensagem ao mundo.

A Obra é Realizada Sem Remuneração

Aqui em nossa terra, nossos bispos são chamados para agir como pais para o povo em suas alas. Recebem eles algum salário? Não. É verdade que lhes é permitido um pequeno valor, cuja média geral chega a 50 centavos por dia, para cuidar dos dízimos e ser responsável pelo dinheiro, mas não para presidir a ala, nem para administrar na autoridade do sacerdócio. É concedido pelo trabalho especial que ele realiza como bispo -- o de receber os dízimos, cuidar do feno, da manteiga, dos ovos, ou de qualquer coisa que seja entregue como dízimo. Para esse trabalho específico, é feita uma parca provisão, que chega a cerca de 50 centavos por dia por bispo; mas nenhum salário é pago a nossos bispos.

Depois há outros, como os homens neste púlpito, e também os presidentes de missão, que são chamados para dedicar todo o seu tempo à Igreja. Não têm tempo para cuidar de seus próprios assuntos temporais; devem trabalhar e ir aonde forem enviados. Estão sujeitos a serem chamados para ir a esta ou àquela missão, mesmo aos confins da terra, a qualquer dia, a qualquer hora, e espera-se que obedeçam, e obedecem. Assim, não têm tempo para prover meios para suas famílias, nem para especular nisto ou naquilo. É necessário, portanto, que a Igreja providencie por eles. Mas mesmo eles não recebem "salários", porque salário é o que um homem recebe quando se aluga a si mesmo. Lá no escritório da companhia Short Line Railroad, ou em qualquer um dos grandes escritórios ou lojas, os homens são contratados por certas quantias, e, se se saem bem, o salário aumenta. Um homem pode passar de um emprego a outro, e fazer o melhor que puder por sua família e por si mesmo, e isso está certo; ele tem o direito de fazê-lo. Isso é trabalhar por remuneração, ou por salário. Mas conseguiriam vocês que algum dos presidentes de missão deixasse a obra da Igreja e se alugasse por dinheiro? Não. Conseguiriam vocês contratar algum destes setentas, o bispado presidente, os apóstolos, a presidência da Igreja? Nenhum, nenhum deles. Por necessidade, quando um homem

não tem os meios para se sustentar, a Igreja deve sustentá-lo, para que possa continuar sua obra.

Tais homens, como os que mencionei, portanto, que dedicam todo o seu tempo à Igreja, recebem uma provisão, ainda que muito modesta em comparação com o que geralmente é permitido a homens desse tipo em outras profissões. Há homens neste púlpito, e por toda a Igreja, que, dedicando todo o seu tempo aos próprios negócios, poderiam dobrar, triplicar ou quadruplicar a pequena provisão que lhes é dada pela Igreja para seu sustento.

Assim, posso dizer com segurança que, nesta Igreja, como na igreja primitiva, não há serviço assalariado. O mesmo espírito de sacrifício que o Senhor então exigia prevalece agora em sua Igreja. Nossos pais se sacrificaram por esta obra ao virem para esta terra e a resgatarem do deserto que era. Nossos missionários saem agora e se sacrificam. É essencialmente uma obra de sacrifício. Eles dão os melhores anos de suas vidas pela obra do Senhor, sem nenhum pensamento de compensação. Há um fluxo contínuo de missionários indo e vindo. Para quê? Para entregar essa mensagem ao mundo, a saber: que o Senhor Deus dos céus -- este mesmo Jesus Cristo de quem li, que foi crucificado e morto, e que obteve, por meio das chaves da ressurreição, poder sobre a morte e o sepulcro; pois ele disse: "Eu sou a ressurreição e a vida" -- estabeleceu o mesmo tipo de Igreja nestes dias, e restaurou o mesmo evangelho que foi pregado em seus dias; e espera que entreguemos essa mensagem tão importante.

A Coisa Mais Importante que o Mundo Precisa Saber

Agora deixem-me dizer a vocês, meus irmãos e irmãs, a coisa mais importante que o mundo precisa saber hoje é que Deus vive, e que Jesus é, de fato, o Cristo, o Filho do Deus vivo, e que ele restaurou sua obra à terra por intermédio de Joseph Smith, o Profeta. A mesma doutrina da fé está aqui hoje, que estava na igreja primitiva. A mesma doutrina do arrependimento está aqui. A mesma doutrina do batismo por imersão para a remissão dos pecados está aqui. A mesma doutrina da imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo está aqui. O mesmo poder do santo sacerdócio está aqui. O poder de Deus para a salvação está aqui hoje, nesta Igreja, tão forte, tão poderoso e tão potente quanto era nos dias de Jesus Cristo, quando ele habitou aqui na carne. Os mesmos princípios são promovidos -- amor, paciência, integridade, sacrifício, tudo o que promove a retidão e o bem-estar da humanidade. Todo princípio, todo ideal, todo pensamento que promove a melhoria e a salvação da humanidade está aqui na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias hoje, tal como estava mil e novecentos anos atrás na igreja primitiva. E a beleza de tudo isso é que vocês sabem disso! Vocês não estão sendo enganados.

A Igreja Edificada Sobre a Rocha da Revelação

Seríamos tolos em tentar nos enganar. Sabemos disso pelo mesmo poder que Pedro sabia; e o que era isso? "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" perguntou o Salvador. E disseram: "Uns, João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas." O Salvador disse: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro respondeu, e lhe disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." E o Salvador respondeu: "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas" [equivalente a dizer que é uma coisa boa ter esse testemunho, esse conhecimento], "porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus * * * e sobre esta pedra" [esta rocha da revelação] "edificarei a minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela."

Estamos edificados sobre a mesma rocha da revelação. Temos o conhecimento de Deus. A chave do conhecimento de Deus está nesta Igreja. O poder do Sacerdócio está aqui, o mesmo poder de antes, para guiar o povo, e o povo o sabe. Está escrito aqui no Livro de Doutrina e Convênios que há de acontecer que o povo de Deus venha a saber quem são os servos do Senhor e quem não são, e julgarão todas as coisas, e assim por diante.

Esse testemunho individual, essa garantia positiva que é dada a cada Santo dos Últimos Dias por meio da revelação, pelo poder do Espírito Santo, é o mesmo testemunho e espírito que nossos pais e mães receberam quando se filiaram à Igreja nos países antigos. E todo homem e mulher em todo o mundo pode recebê-lo, se apenas o quiser. Há aqui um desafio, no último capítulo do Livro de Mórmon, dirigido a todas as pessoas, de que qualquer homem que, com intenção real, não crendo pela metade, mas crendo plenamente, disser em seu coração: "Ó Deus, mostra-me teu caminho, tua verdade, tua luz, o caminho correto, e eu o seguirei, não importa qual seja seu nome ou o quanto seja desacreditado pelo mundo," receberá em seu coração um testemunho, se assim pedir a Deus.

Para Obter um Testemunho, Recorram ao Senhor

Assim, tudo o que dizemos a nossos amigos, a nossos vizinhos, a nossos irmãos e irmãs em toda parte é: levem isso ao Senhor. Vocês não precisam aceitar nossa palavra; recorram ao Senhor em oração, mas no verdadeiro espírito de fé, pois nenhum outro espírito adiantará, e vocês têm minha palavra a esse respeito, e a palavra de dez mil Santos dos Últimos Dias aqui reunidos, de que vocês receberão o mesmo testemunho, pois o Senhor não falha.

Meus irmãos e irmãs, regozijo-me por poder trabalhar nesta grande causa. Estou nela há mais de sessenta anos, e cada vez mais vejo o seu esplendor, a sua glória, o seu poder, a força, a salvação que há nela. Sei que é verdadeira, que é de Deus. Vocês não podem falhar, meus irmãos e irmãs, se apenas depositarem sua confiança nele. E, se erramos ou fizemos algo errado, aquele abençoado princípio do arrependimento, que ele implantou em sua Igreja, está aqui para nos salvar, se apenas corrigirmos nosso erro, abandonarmos o mal e nos apegarmos ao que é bom.

Onde podemos encontrar algo semelhante a isso? Onde mais, em todo o mundo, há uma organização assim? Há dentro dela aquele poder, aquela força impulsionadora que nos traz, a mim e a vocês e aos Santos dos Últimos Dias em toda parte, com alegria, com contentamento, com prazer, a servir ao Senhor. Ela nos leva a respeitar o Sacerdócio -- os apóstolos, os bispos das alas, as presidências de estaca, cada um em sua ordem e em seu lugar, porque o Senhor os chamou, por aquele mesmo poder e espírito de que falei, a saber, pelo poder da revelação. Como havemos de adquiri-lo? Se lerem a oitava seção de Doutrina e Convênios, o Senhor lhes diz isto, se orarem a esse respeito:

"Eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração.

"Ora, eis que este é o espírito de revelação; eis que este é o espírito pelo qual Moisés conduziu os filhos de Israel através do Mar Vermelho, em terra seca."

Este é o espírito que ele deu a todos os seus antigos profetas e apóstolos.

Testifico que este é o mesmo espírito e influência que ele deu ao Presidente Young em seu ministério, e a cada presidente sucessor. É o espírito que ele dá hoje ao Presidente Grant em seu ministério, e ele o recebe da mesma maneira, pela oração, pela fé, por viver retamente, por ser digno de recebê-lo. Isso conta muito, quero que saibam. "Digno és tu, ó Senhor," disse-se dele, "de te assentares no alto."

O Espírito de Sacrifício é o Espírito Desta Obra

O presidente da Igreja hoje nos dá, por conselho, por orientação, pela inspiração do espírito, aquela admoestação que é para nossa salvação. Depois que o presidente falou nesta manhã e depois do esplêndido discurso do Presidente Ivins, eu ia repassando todos esses pontos em minha mente e pensei: "Que homem sensato -- não importa qual seja sua religião, ou se não tem religião alguma -- que homem sensato, em qualquer lugar, poderia objetar aos ensinamentos desses irmãos?" Agora façam essa pergunta a si mesmos, meus irmãos e irmãs e amigos. Não eram bons, não eram sadios, não eram para a melhoria da humanidade, para o melhor que há nos homens, para um bom governo, para uma boa ordem, para uma boa cidadania? O evangelho de Jesus Cristo tem o propósito de me fazer um marido melhor, um pai melhor, um cidadão melhor, se eu apenas obedecer às suas leis.

Sejamos, meus irmãos e irmãs, dispostos a nos sacrificar pelo Senhor, por sua obra. Há ainda uma grande obra a realizar em todo o mundo. Como ouvimos do presidente, missionários são chamados de todos os cantos. Tivemos voluntários, e muitos que foram chamados, que foram e realizaram uma obra esplêndida. Recordo-me agora de um deles, e vou mencionar seu nome: o irmão A. A. Hinckley. Ele escreveu à presidência há algum tempo e disse: "Vejo que houve um chamado para missionários saírem por seis meses." E acrescentou: "O Senhor me tem abençoado muito, devo ser muito grato, e sou muito grato;" e continuou mencionando as bênçãos, pois o espírito de gratidão estava em seu coração. "Agora estou disposto a ir, estou disposto a ficar, estou disposto a fazer o que quer que vocês queiram que eu faça." Com lágrimas nos olhos, escutei enquanto o presidente lia aquela carta, e pensei: "Deus abençoe um homem assim."

O Espírito de Sacrifício

Ali está o espírito desta obra, ali está o espírito que faz esta coisa andar, que me sustenta e sustenta vocês -- o verdadeiro espírito de sacrifício. Dispostos a ir em missões? Sim, ansiosos por ir, por fazer com que todos saibam que Deus falou, que temos o conhecimento de Deus, o testemunho disso, o mesmo Cristo nosso Senhor que foi crucificado, cuja ressurreição as pessoas em todo o mundo celebram hoje. Ele colocou em nossos corações o conhecimento de que a maior coisa que temos a fazer, e que sua Igreja terá para sempre a fazer, até onde sei, é proclamar este evangelho, espalhar esta verdade, trazer as pessoas para a mesma maneira de pensar, o mesmo espírito e poder que há no sacerdócio e na Igreja, a mesma felicidade, a mesma alegria, a mesma bênção, a mesma salvação. Essa é a maior obra que está diante de vocês e de mim, e devemos estar ansiosamente engajados em tal obra, e não esperar até sermos ordenados em todas as coisas; pois aquele que espera até ser ordenado, e nada faz até ser ordenado, esse é um servo negligente e indigno.

Que o Senhor Glorifique Sua Obra

Rogo, meus irmãos e irmãs, que o Senhor magnifique e glorifique sua obra. Nós não podemos fazê-lo; mas ele o fará por meio de nós -- por meio de vocês, por meio de mim, e de homens e mulheres como vocês e eu; pois é a obra dele. É pelo poder dele, como o Presidente Grant leu a vocês, naquela saudação desta manhã. É o Senhor, dizemos, quem fez isso. Como está declarado na Sagrada Bíblia (Salmos 100): "Foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos," assim foi ele que fez esta obra e a realizou, e colocou nela o poder e o espírito, o que nenhum homem pode fazer; mas, com esse espírito em nós, podemos conquistar o mundo para a retidão, para a paz na terra, boa vontade para com todos os homens, o que humildemente rogo que ele apresse, em seu tempo, por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Nibley, “A Ressurreição de Cristo”, Conferência Geral de Abril de 1926, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1926-04-04). Pulpit Vault, 1926-04-03-charles-w-nibley-christs-resurrection. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).