Palavras
A. William Lund
Sinto profundamente, meus irmãos e irmãs, a posição que sou chamado a ocupar, e peço, com toda humildade, um interesse em sua fé e orações, para que as poucas palavras que eu possa proferir nesta tarde sejam ditas sob a influência do Espírito Santo. Tenho orgulho de ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Tenho orgulho de meu pai e de minha mãe, e dos ensinamentos que me deram em minha juventude, e espero e confio que esses ensinamentos, que sei serem verdadeiros, permaneçam sempre ¶
em primeiro lugar em minha vida, porque percebo que, pela obediência a eles, obterei a vida eterna. ¶
Quando o Irmão Shepherd nos falou a respeito da fé de nossos pais, também tive orgulho, meus irmãos e irmãs, de que meus avós, do lado de minha mãe, foram pioneiros neste vale, que vieram para cá em 1849, e ajudaram a subjugar o deserto, que estiveram entre os primeiros colonizadores de Lehi e ajudaram a construir aquele lugar; que, mais tarde, meu avô foi um dos que ajudaram a erguer o condado de Sanpete e tornou-se presidente da Estaca Sanpete de Sião. Regozijo-me por meu pai ter sido um pioneiro deste estado, por ter vindo nos primeiros dias e ajudado a erguer esta maravilhosa nação. Regozijo-me na fé que ele sempre demonstrou na Igreja de Jesus Cristo, no conhecimento que ele tinha de que esta Igreja ensinava o evangelho, que é o poder de Deus para a salvação. Regozijo-me também na fé que minha mãe sempre demonstrou, junto com outras mães na Igreja, ao sacrificar a companhia de seu marido, o prazer e a amizade de seus filhos, ajudando-os a ir em missões sempre que foram chamados pelo Senhor, nosso Deus. É uma doce lembrança para mim que a fé tenha sido plantada em meu coração por meus pais, pois percebo que homens e mulheres envelhecem e não podem estar sempre conosco. Nossos pais e nossas mães nem sempre podem estar aqui para nos guiar, mas a verdade, o evangelho, que o Irmão Lillywhite mencionou, pode ser nosso guia, pode nos libertar, e a obediência a ele nos conduzirá de volta à presença de nosso Pai celestial. ¶
As mães desta Igreja, nos primeiros dias, sacrificaram-se grandemente pelo avanço desta Igreja e da obra de Deus. Muitas vezes, quando os líderes da Igreja foram chamados a sair pelo mundo para apresentar o evangelho da vida e da salvação às nações, essas mães ficavam para trás, doentes e com filhos pequenos, algumas delas até mesmo de cama com um bebê recém-nascido, sendo minha própria mãe uma delas; mas jamais disseram para não irem, quando seus maridos eram chamados a sair para a obra do Senhor. Homens saíam, nos primeiros dias, pregando o evangelho de Jesus Cristo sem bolsa nem alforje, custeando-se com suas próprias mãos, de Nauvoo a Nova York, ou a qualquer campo para o qual fossem chamados a trabalhar, cortando lenha, fazendo, na verdade, o que pudessem, para conseguir alguns centavos pelo caminho e pagar sua passagem. Jamais hesitaram quando Deus os chamava. Jamais disseram não, não importava quais fossem as circunstâncias em que se encontravam. Não creio que essa fé esteja morta; creio que hoje a fé dos Santos dos Últimos Dias ainda é a do sacrifício, que darão de seu tempo, que sairão e cumprirão a ordem de Deus. Apelo aos rapazes e às moças aqui presentes nesta tarde para que façam o que lhes é pedido pelos bispos de suas alas. Vocês não podem esperar obter uma recompensa a menos que façam o que se exige de vocês. Nunca viram uma máquina a vapor funcionar sem vapor; água morna não faz girar as rodas. Nem tampouco ¶
a morna indiferença na Igreja de Deus lhes trará aquela alegria, aquela felicidade que é nossa se trabalharmos. Devemos amar a obra de Deus. ¶
Conta-se a história do grande violinista Ole Bull, que amava tanto seu violino que o levava para a cama com ele, sempre o tinha consigo. Esse amor foi recompensado quando ele se tornou um dos grandes mestres daquele instrumento. Assim, nosso amor pelo evangelho de Jesus Cristo deveria ser levado conosco sempre, de modo que, sempre que formos chamados, estejamos prontos para fazer e prontos para ir; que possamos ser senhores das inclinações e paixões que existem em nós, como indivíduos, que possamos controlá-las e sair, limpos, doces e puros, para o mundo, para pregar o evangelho de Jesus Cristo. Não há missionário que saia para o mundo sem que as orações de sua mãe e de seu pai se elevem a Deus, para que ele saia em humildade, seja limpo e se mantenha imaculado dos pecados do mundo. O Senhor instituiu uma maneira para que vocês e eu nos mantenhamos limpos, e essa maneira é ir às nossas reuniões sacramentais, ir à casa de Deus, participar do sacramento, lembrando-nos de Jesus Cristo, que expiou por nós, para que pudéssemos voltar à sua presença. Vão ali fielmente, e escutem as palavras dos homens de Deus que são enviados para nos dar o pão da vida. Se fizermos isso, estaremos preparados para enfrentar o mundo, para enfrentar o pecado, para conhecê-lo e vencê-lo. ¶
Este evangelho ao qual obedecemos é o poder de Deus para a salvação; disso não tenho a menor dúvida. Tenho ouvido muitas vezes o Presidente McMurrin, ao dar seu testemunho ao povo no Tabernáculo e em outros lugares, dizer que sabe que o evangelho é o poder de Deus para a salvação; tenho esse mesmo testemunho, e creio que todo missionário que esteve no mundo, que volta para casa e se esforça por fazer a vontade do Senhor, conservará as maravilhosas bênçãos que lhe são dadas no testemunho que recebe, de que Deus vive, de que Jesus é o Cristo, e de que nesta Igreja está o poder de Deus para a salvação, este evangelho no qual cremos e que ensinamos. ¶
Todos nós esperamos, o mundo inteiro, poderia dizer, pela vinda novamente de Jesus Cristo sobre a terra. Esperamos por aquele tempo em que ele governará e reinará, e, se ele viesse enquanto estamos vivos, meus irmãos e irmãs, estaremos preparados para encontrá-lo? É uma pergunta que faço a mim mesmo: "Estou pronto, de modo que estaria preparado para encontrá-lo, se ele viesse?" Devemos fazer um balanço de nós mesmos, especialmente nós, os rapazes e moças mais jovens na Igreja de Deus, e descobrir se estamos vivendo de acordo com seus mandamentos. Se não estivermos, devemos então voltar nossa vida para aquele caminho estreito e apertado que nos conduzirá a Deus; pois ele é misericordioso, ama seus filhos, e nos deu aquele maravilhoso princípio do arrependimento, para que possamos afastar-nos de nossos pecados, afastar-nos de nossos maus caminhos, e obter, por meio da misericórdia do Senhor, o perdão de nossos pecados. É verdade que devemos primeiro ter obedecido à ¶
ordenança do batismo para a remissão dos pecados, feito por alguém com autoridade para realizar essa ordenança, a fim de que possamos entrar no reino de Deus. Mas o Senhor ama seus filhos, e também nos deu o princípio do arrependimento, para que possamos voltar-nos novamente a ele, pois ele deseja que todos nós retornemos. ¶
Irmãos e irmãs, o Senhor poderia sacudir este mundo e colocar vocês e eu de joelhos muito rapidamente, se desejasse nosso retorno a ele dessa maneira. Mas não o faz. Ele nos ama e quer que tenhamos nosso próprio livre arbítrio; ele nos deu isso. Mesmo antes de virmos para cá, ele nos deu nossa liberdade de escolha. Escolhemos, no céu, se o serviríamos ou se seguiríamos aquele que não obedeceria aos mandamentos de Deus. Assim, temos esse livre arbítrio agora. Podemos escolher o bem ou o mal. Deus quer que escolhamos o bem, porque somos seus filhos, e ele deseja que sejamos salvos em seu reino. Por essa razão, ele nos deu estas leis e mandamentos conhecidos como o evangelho, que é o plano de vida e de salvação. Sempre que Deus teve uma mensagem para entregar ao povo desta terra, sempre enviou seus profetas antes. Quando as cidades da planície estavam para ser destruídas, ele enviou seus servos para pregar-lhes e chamá-los ao arrependimento. Assim, nestes dias em que vivemos, Deus novamente enviou a mensagem do evangelho como advertência a todo o mundo, antes que venha o fim. Há um caminho, e apenas um caminho, para voltar à sua presença, e esse caminho, testificamos ao mundo, com toda seriedade, como membros da Igreja de Jesus Cristo, foi aberto por nosso Pai celestial, por meio de Joseph Smith, aquele menino que foi chamado em sua juventude e que permaneceu fiel a seu testemunho de que viu Deus e Jesus Cristo, e de que o Pai lhe falou, dizendo: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" A mais gloriosa visão, creio eu, já concedida na história da humanidade, é esta visão de Deus Todo-Poderoso e de seu Filho Jesus Cristo, mostrando-se a este menino, Joseph Smith. ¶
Mais tarde, anjos vieram a ele, e trouxeram a autoridade do santo Sacerdócio de Deus; porque, meus irmãos e irmãs, sabemos, se pararmos para pensar por um minuto, que, a menos que tenhamos a devida autoridade, nada pode ser feito e ser válido, seja na lei civil, seja na lei religiosa. O Senhor compreendeu isso e enviou, a este Profeta, anjos portando o santo Sacerdócio de Deus. João Batista veio no dia 15 de maio de 1829, trazendo o Sacerdócio Aarônico e conferindo-o a Joseph Smith e Oliver Cowdery, dando-lhes o direito de batizar em nome de Deus para a remissão dos pecados, dando-lhes as chaves do evangelho preparatório, e também o direito de visitação dos anjos. Algumas semanas depois, não sabemos a data exata, Pedro, Tiago e João vieram e deram-lhes o Sacerdócio de Melquisedeque, o poder de Deus para agir em seu nome em todas as ordenanças da vida e da salvação. No Escritório do Historiador, temos, na própria letra de Oliver Cowdery, a declaração que conta a história da vinda de João Batista, de sua ordenação a eles, e de Joseph e Oliver batizando um ao outro, por sua vez, depois de terem recebido o Sacerdócio Aarônico; e, em sua escrita, ele declara que Pedro, Tiago e João vieram e lhes conferiram o Sacerdócio de Melquisedeque. Eis a evidência, se dela precisarmos, de que as palavras deste homem, este profeta que amamos e reverenciamos, são verdadeiras. Outros anjos vieram, trazendo as chaves das diferentes dispensações do evangelho -- porque esta é a dispensação do evangelho da plenitude dos tempos, na qual todas as outras serão reunidas em uma só, e devolvidas a Deus por seu Filho, em plenitude. Para que isso se cumprisse, era necessário que outras chaves fossem dadas. Algumas dessas chaves foram dadas no dia 3 de abril de 1836, apenas uma semana após a dedicação do Templo de Kirtland, dedicação essa que testemunhou ao povo ali presente que Deus aprovava aquele templo. Até mesmo pessoas da cidade vieram e se perguntavam o que estava acontecendo na dedicação daquele templo. ¶
No dia 3 de abril de 1836, Oliver Cowdery e o Profeta Joseph Smith entraram no templo para orar. Como era seu costume, sempre que precisavam de luz, sempre que queriam informação, iam a Deus e a pediam a ele. Entraram no templo naquele dia, e, ajoelhados diante do altar, faziam certas perguntas a Deus a respeito deste reino, quando uma visão gloriosíssima lhes sobreveio: Jesus Cristo, o Filho de Deus, apareceu de pé, por assim dizer, sobre um parapeito de ouro, diretamente acima do altar, e falou-lhes com uma voz que soava como o ruído de muitas águas, dizendo: ¶
"Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou o vosso advogado junto ao Pai. ¶
"Eis que perdoados vos são vossos pecados; estais limpos diante de mim; portanto, erguei a cabeça e regozijai-vos. ¶
"Que se regozije o coração de vossos irmãos e o coração de todo o meu povo, que com sua força construiu esta casa ao meu nome. ¶
"Pois eis que aceitei esta casa, e meu nome aqui estará; e manifestar-me-ei a meu povo com misericórdia nesta casa." ¶
Uma declaração maravilhosa do Redentor do mundo. Depois que aquela gloriosa visão passou, veio então Moisés, o profeta de Deus, detentor das chaves da coligação de todas as Tribos de Israel, e ele deu essas chaves a esses dois homens. Depois que aquela visão se encerrou, veio então Elias (o profeta que, segundo nos é dito, viveu nos dias de Abraão -- distinto do Elias de quem se fala a seguir). Então, quando aquela visão se encerrou, veio a maravilhosa visão de Elias, o profeta de Deus, de quem falou Malaquias, dizendo que ele viria antes do grande e terrível dia do Senhor, o qual veio dar a esses dois homens as chaves do poder selador, as chaves de selar os vivos e também os mortos. ¶
É uma coisa maravilhosa que o Sacerdócio de Deus, e todas as suas chaves, tenham sido restaurados a esses dois homens, e transmitidos, meus irmãos e irmãs, por ordenação, segundo o chamado e a direção de nosso Pai celestial. Meu testemunho a vocês é que todo homem, Brigham Young, e todos os que sucederam a Joseph ¶
Smith, receberam, pela imposição de mãos daqueles com autoridade, essas chaves, e que o Presidente Grant as possui hoje -- toda chave necessária para girar a fechadura que abrirá a porta para o reino celestial de Deus, se apenas obedecermos e guardarmos os ensinamentos deste homem, que foi chamado por Deus diretamente por revelação ao apostolado, e que, creio firmemente, por revelação foi colocado à frente desta Igreja, e sei que detém as chaves deste Sacerdócio. Ó, como devemos regozijar-nos, como rapazes e moças, por podermos crescer sob tão maravilhosa influência, e reconhecer, pelo dom do Espírito Santo, que testifica do Pai e do Filho, que estas coisas são verdadeiras. ¶
Com toda seriedade, deixo com vocês meu humilde testemunho de que sei que Deus vive, que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith foi e é um profeta do Deus vivo, e que todas as chaves necessárias para a vida e a salvação estão nesta Igreja. Que seja nossa feliz sorte, meus irmãos e irmãs, obter a vida eterna, a maior bênção de Deus para o homem, é minha humilde oração, em nome de Jesus, nosso Redentor. Amém. ¶