Palavras
Andrew Jenson
Tenho ficado muito interessado nas palavras já proferidas nesta reunião extra, e uma das coisas que me impressionou logo no início foi o hino "Vinde, vinde, ó Santos" [no original, "Come, come, ye Saints, no toil nor labor fear"]. Também me interessei muito por um daqueles Ó's dos quais falou o Irmão Bennion -- a Origem do mormonismo. ¶
Foi meu privilégio, durante os últimos dois meses, visitar alguns dos chamados "lugares desolados de Sião", e, somando esses lugares à lista dos que já visitei anteriormente, posso agora dizer que estou mais ou menos familiarizado com quase todos os lugares que se tornaram sagrados para os Santos dos Últimos Dias por causa de sua ligação com os primeiros dias desta Igreja. ¶
Foi uma tarefa agradável para mim visitar Sharon, condado de Windsor, Vermont, onde nasceu o Profeta Joseph Smith, e depois seguir seus passos até a parte oeste do estado de Nova York, e ali entrar naquele bosque sagrado (remanescente de uma extensa floresta), onde o Pai e o Filho apareceram a Joseph Smith e lhe deram certas instruções para que não se filiasse às seitas da época, mas esperasse por revelação adicional. Visitei também a antiga residência da família Smith, ou o próprio local onde o anjo Morôni apareceu a Joseph Smith naquela noite memorável entre os dias 21 e 22 de setembro de 1825, e então segui, por assim dizer, o jovem Profeta até o monte Cumora, onde já estive várias vezes, olhando para o local onde o anjo Morôni mostrou ao Profeta ¶
Joseph onde estavam ocultas as placas que continham um relato dos antigos habitantes desta terra, das quais placas Joseph depois traduziu o Livro de Mórmon. ¶
Depois, em minha última visita, tive ocasião de descer até o rio Susquehanna, na Pensilvânia, para visitar a antiga Harmony, onde o Profeta Joseph, depois de ter sido expulso por turbas do lar de seus pais, traduziu o Livro de Mórmon. O trabalho de tradução foi realizado nos estados da Pensilvânia e Nova York, mas principalmente naquela parte do município de Harmony que hoje está incluída em Oakland, condado de Susquehanna, Pensilvânia. Tive também o privilégio de visitar o local, ou a vizinhança, onde João Batista apareceu a Joseph Smith e Oliver Cowdery, no dia 15 de maio de 1829, e os ordenou ao santo Sacerdócio Aarônico, e, novamente, de visitar a vizinhança onde o Sacerdócio de Melquisedeque foi restaurado, e onde a voz de Pedro, Tiago e João foi ouvida no deserto, às margens do rio Susquehanna, entre Harmony, Pensilvânia, e Colesville, condado de Broome, Nova York. ¶
Foi de fato um privilégio abençoado para mim pisar nesses lugares sagrados, pois assim os considero. Também me foi permitido entrar no Templo de Kirtland, no estado de Ohio, e ficar de pé exatamente no púlpito onde o próprio Salvador apareceu, em 3 de abril de 1836, e falou a Joseph Smith e Oliver Cowdery, dizendo-lhes que havia aceitado o templo que fora edificado ao seu nome pelos Santos nos dias de sua pobreza. Foi nesse mesmo púlpito e na mesma ocasião que Moisés apareceu e restaurou as chaves para a coligação de Israel das terras do norte, das ilhas do mar e de outros lugares para onde Israel foi dispersado há milhares de anos. A entrega dessas chaves a homens mortais significou o cumprimento da profecia de que Deus, que dispersou Israel, tornaria a reuni-lo nos últimos dias. A congregação de Santos neste edifício, e os milhares e milhares de pessoas reunidas hoje neste Bloco do Templo, assistindo a esta Conferência Geral da Igreja, estão aqui como resultado daquelas chaves entregues por Moisés no Templo de Kirtland, naquele memorável dia 3 de abril. No mesmo dia, o profeta Elias, que foi levado ao céu sem provar a morte, apareceu a Joseph Smith e lhe deu as chaves para converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais. E, como resultado da restauração dessas chaves, testemunhamos hoje a obra que se realiza no Templo, para a salvação não apenas de nós mesmos, mas de nossos antepassados que faleceram sem o conhecimento do verdadeiro plano de salvação. Isso trouxe amor ao nosso coração por nossos progenitores, e esperamos que os filhos que vierem depois de nós cumpram seu dever, dando continuidade a esta grande obra vicária. ¶
As visitas à terra desses seres santos e a restauração das chaves do Sacerdócio são a origem do "mormonismo", o seu começo. É fato conhecido que a água nunca sobe acima de sua ¶
fonte. Todos os nossos riachos de montanha nascem lá em cima, nas montanhas e colinas, e continuam a descer, formando riachos e rios; assim, um riacho ou um rio não sobe acima de sua fonte. O mesmo se dá com o "mormonismo"; deve ser traçado até sua fonte. A origem do mormonismo é a revelação vinda do céu. Deus falou de sua morada celestial e restaurou à terra o evangelho de Jesus Cristo, com seu Sacerdócio e sua autoridade. Baseados em tal começo, podemos dizer com ousadia que as doutrinas ensinadas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são verdadeiras e destacam-se em grande contraste com as doutrinas ensinadas pelos homens. A Joseph Smith não foi permitido filiar-se às seitas da época, porque os pregadores dessas seitas ensinavam como doutrinas os mandamentos dos homens; honravam a Deus com os lábios, enquanto seu coração estava longe dele; tinham uma forma de piedade, mas negavam o seu poder. Mas o evangelho que os Santos dos Últimos Dias professam, e que trouxe resultados tão grandiosos e gloriosos, é diferente. Ele também trouxe ao mundo alguns dos melhores homens e mulheres que se podem encontrar em qualquer lugar sobre o estrado dos pés de Deus. Estes são, de fato, os frutos do mormonismo, ou do evangelho restaurado de Cristo. Se não fosse pela origem divina do mormonismo, e pelas verdades que nos foram reveladas do céu -- não pela astúcia engenhosa dos homens, mas reveladas pelo próprio Deus -- nosso sucesso como Igreja teria sido inteiramente diferente. O próprio Cristo revelou aos habitantes da terra, em nossos dias, sua própria religião, e é por isso que afirmamos possuir o cristianismo de Cristo -- não um cristianismo alemão, não um cristianismo americano, não um cristianismo inglês ou holandês, mas o próprio cristianismo de Cristo, que em sua natureza é hoje semelhante às doutrinas defendidas pelo Salvador naquele grandioso e glorioso Sermão da Montanha, mencionado por um orador anterior. ¶
Durante minha recente estada no Leste, foi meu privilégio percorrer a trilha dos Pioneiros. Passei por ela pela primeira vez há cinquenta e nove anos, quando era um menino dinamarquês de cabelos brancos, viajando com juntas de bois, e seguir agora a mesma trilha, e ver Chimney Rock e muitos outros pontos importantes e interessantes, fez meu coração regozijar-se e me trouxe à lembrança os dias de minha juventude. Alegrou-me pensar que eu, que em 1866 caminhei todo o percurso do rio Missouri até Salt Lake City como um rapazinho, tinha agora a oportunidade de percorrer a mesma trilha num automóvel, como um dos historiadores da Igreja, com o propósito de localizar essa trilha com tanta precisão que nossos filhos e todas as gerações vindouras possam saber o que se entende pela antiga "Trilha Mórmon", e, em certa medida, sejam levados a compreender como seus pais e mães, avós e avós, fizeram sacrifícios pela causa do evangelho. Muitos desses peregrinos exaustos repousam em sepulturas desconhecidas. Dificilmente há uma milha entre Nauvoo, Illinois, e Salt Lake City, Utah, que não teria sido marcada por sepulturas de Santos dos Últimos Dias que caíram como mártires à beira do caminho, se um registro do local de seu repouso tivesse sido preservado. ¶
Houve várias categorias de mártires nesta Igreja. Aqueles que foram mortos violentamente por turbas somam cerca de cinquenta, e aqueles que morreram no campo missionário, como o pai do Irmão Abel Evans, somam cerca de quatrocentos; estes últimos sacrificaram suas vidas viajando pelos diferentes campos missionários, pregando o evangelho. E então, mais numerosos do que qualquer outra categoria de mártires, estão aquelas centenas -- sim, milhares -- que morreram na jornada de Nauvoo para o oeste, ou depois, como emigrantes vindos da Europa, morreram na travessia do oceano, na passagem pelos rios Mississippi e Missouri, e nas planícies, ao tentarem alcançar os lares dos Santos dos Últimos Dias nas Montanhas Rochosas. ¶
Visitei Nauvoo -- a bela Nauvoo, como ela foi outrora -- com seu antigo cemitério "mórmon". Isso me fez pensar na Palestina, que outrora foi uma terra que mana leite e mel, figurativamente falando, mas o povo daquele país transgrediu as leis, mudou as ordenanças e quebrou o convênio eterno, e trouxe uma maldição sobre todo o país. Assim, quando visitei a Palestina, muitos anos atrás, mal pude ver algo de interessante ali, exceto lembranças dos bons e velhos tempos que outrora existiram, mas já não existem mais. A maldição do Todo-Poderoso repousou sobre aquela terra desde os dias de Isaías, do que sua atual esterilidade amplamente testifica, embora algumas mudanças para melhor possam ter ocorrido nos últimos anos, desde que o general Allenby, das forças britânicas, tomou posse do país. ¶
Quando vi Nauvoo, outrora uma bela cidade, com um grande templo que custou um milhão de dólares -- uma cidade que cobria quase toda a península sobre a qual foi construída -- senti-me triste ao testemunhar sua desolação. Entre Nova Orleans e as cidades gêmeas (St. Paul e Minneapolis) não há lugar mais belo para a localização de uma cidade do que Nauvoo. Mas o que é Nauvoo hoje? Um deserto! Atravessei o grande rio Mississippi, de Montrose a Nauvoo (que em anos passados havia sido atravessado por tantos de nosso povo). Eu queria ver Nauvoo mais uma vez, embora já a tivesse visto antes; mas nesta, minha última visita, tive ocasião de visitar certos lugares em Nauvoo e ao redor dela que nunca havia visitado antes. Em minha primeira aproximação, perguntava-me onde estaria a cidade, pois vagueei por ruas cobertas de ervas daninhas, uma após outra, e apenas aqui e ali via uma habitação humana cercada de ervas daninhas. Às margens do rio, onde uma das velhas casas de pedra se erguia já em 1839, encontrei milhares de pássaros ferozes que se aglomeravam ao redor de minha cabeça, aparentemente com má intenção. E, além destes, havia milhões e milhões de moscas -- "moscas mórmons", como as chamam -- embora eu ache que os "mórmons" não tiveram nada a ver com sua origem. As pessoas dos arredores não gostam de visitar Nauvoo, por medo de serem devoradas por moscas, corvos e outras aves ferozes que circulam ao redor do visitante, ali onde outrora havia um alto grau de civilização. Nauvoo, a Bela, é hoje um pequeno ¶
vilarejo insignificante. Cheguei à conclusão de que, de fato, uma maldição repousou sobre aquele lugar desde que os Santos foram expulsos dali por turbas perversas e sedentas de sangue, no memorável ano de 1846. Algumas das melhores casas de Nauvoo hoje são aquelas erguidas por nosso povo há oitenta anos, entre elas as antigas residências de Brigham Young, Heber C. Kimball, John Taylor, Parley P. Pratt, Orson Pratt, Edward Hunter, e uma vintena de outros. Poucas casas de qualquer relevância foram erguidas desde então. O belo templo de Nauvoo já não existe mais; não restou pedra sobre pedra daquela grandiosa estrutura, na qual tantos Santos fiéis receberam suas bênçãos antes de partir para as montanhas. ¶
Os "'mórmons' de fachada" ["Jack 'Mormons'"], que sucederam os Santos em Nauvoo, tomaram posse da cidade por quase nada. Vieram depois os icarianos, uma comunidade francesa, que tentaram transformar o templo numa academia, mas não tiveram êxito. Dividiram-se quase por completo como comunidade organizada, ao tentarem fazer de Nauvoo seu lar. Depois, finalmente, veio uma população alemã, os atuais habitantes de Nauvoo. Os alemães são, em geral, bons pioneiros, e prosperaram nos Estados Unidos; costumam ser classificados entre os melhores colonos e cidadãos mais trabalhadores que atravessaram o Atlântico rumo à América, mas nem mesmo eles conseguem florescer em Nauvoo. O sangue dos profetas ali derramado, e o de tantos outros Santos que foram vitimados e mortos por seus inimigos, clama da terra contra seus assassinos e saqueadores. O Senhor se indignou por causa dessas más ações, e fez com que uma praga pesasse sobre aquele país. O mesmo se dá, mais ou menos, com Far West, a região ao redor de Haun's Mill, e a região do Crooked River, no Missouri, onde os Santos dos Últimos Dias já viveram e prosperaram outrora. ¶
Ao seguir a trilha dos Pioneiros a partir de Nauvoo, no rio Mississippi, visitei Sugar Creek, onde várias mulheres deram à luz prematuramente por causa da exposição às intempéries do tempo; Richardson's Point, onde jazem sepultados vários de nosso povo; o rio Chariton, tão conhecido de nosso povo que atravessou as planícies em 1846 e nos anos seguintes; e Garden Grove, fundada pelos Santos em 1846, onde muitos de nosso povo jazem sepultados num "curral de vacas". Isso fez meu coração sangrar. Em Mt. Pisgah, Iowa, foi erguido um monumento, marcando os túmulos de cerca de 250 de nossos mártires, que caíram à beira do caminho por terem sido expulsos de Nauvoo em pleno inverno -- exilados que sofreram como poucos povos sofreram nesta terra do oeste. ¶
Continuando minha jornada, atravessei o rio Missouri até a antiga Florence, ou Winter Quarters, Nebraska, e visitei ali o antigo cemitério "mórmon". O que encontrei ali? Um lugar solitário onde cerca de seiscentos Santos dos Últimos Dias jazem sepultados sob o solo -- homens, mulheres e crianças, que não puderam suportar por mais tempo as privações da jornada. Alguns desses mártires eram exilados de Nauvoo, enquanto outros haviam subido os rios Mississippi e Missouri, ¶
vindos dos países europeus. Adoeceram e morreram de cólera e de outras doenças, provocadas pelo excesso de esforço e pelas privações, e seus ossos repousam no cemitério de Florence até hoje, aguardando aquela gloriosa ressurreição que espera os filhos e filhas fiéis de Deus. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, a origem e o fundamento do "mormonismo" são de tal natureza que podemos edificar sobre eles com segurança. Sejamos, então, fiéis ao nosso Deus e ao evangelho de Cristo, fiéis a nossos pais, aos pioneiros de Utah e aos Santos fiéis que morreram à beira do caminho. Lembremo-nos sempre de que a origem do "mormonismo" é a revelação vinda de Deus, e que não é uma organização temporária, mas antes, como certa vez disse o falecido Patriarca John R. Murdock, de Beaver, ao referir-se ao "mormonismo" como "a maior coisa que existe" ["the greatest thing a-going"]. Sejamos fiéis ao Deus de nossos pais, e a toda verdade que abraçamos, e reconheçamos que está ao nosso alcance obter um testemunho, se ainda não o possuímos, de que Deus é o fundador desta obra, de que ela está organizada da maneira correta, e de que se espera de nós que nos tornemos o sal da terra, e sejamos luz e exemplo para o mundo inteiro. Cristo, dirigindo-se a seus discípulos no monte, disse: "Vós sois a luz do mundo [...] Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." Esta passagem das escrituras também se aplica aos Santos dos Últimos Dias. Que Deus os abençoe, a todos e a cada um; que sejamos fiéis ao nosso Deus, que é o Deus de nossos pais, fiéis à nossa religião, que é o verdadeiro cristianismo, e fiéis a toda obrigação que assumimos, e que também ensinemos nossos filhos a andar nos caminhos da retidão, é minha sincera oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
O quarteto cantou "Que Homem É Este?" ["What manner of man is this?"] ¶