Pulpit

Credes nos Profetas?

Anthony W. Ivins

Conferência Geral de Abril de 1925·Sessão da Manhã do Segundo Dia·1925-04-05

Ao ficar de pé diante desta vasta congregação nesta manhã, e contemplar minhas primeiras experiências neste quarteirão, quando os Santos dos Últimos Dias eram poucos em número, com abrigo pobre, e acomodações muito inferiores em comparação com as que hoje desfrutamos, sinto-me tomado de gratidão ao pensar naquilo que o Senhor realizou, pois vejo nesta reunião o cumprimento de sua palavra, e das palavras de seus servos, os profetas, proferidas há mais de quatro mil anos, e chego a compreender minha própria pequenez, minha própria incapacidade, minha total dependência do Senhor meu Deus, pois sem o seu auxílio somos incapazes; foi ele quem o fez. Não tem sido a obra do homem, embora homens e mulheres devotados tenham sido os instrumentos nas mãos do Senhor na realização daquilo que vemos diante de nós nesta manhã. Portanto, dou louvor, glória e honra a Deus por tudo o que sou, tudo o que espero ser, tudo o que somos, tudo o que podemos esperar ser, pois nossa dependência está nele.

Credes nos Profetas?

Desejo, meus irmãos e irmãs, como prefácio às observações que farei, ler brevemente da segunda epístola geral do apóstolo Pedro à Igreja, como segue:

"E temos muito firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia clareie, e a estrela da alva surja em vosso coração. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo."

Na ocasião em que o apóstolo Paulo foi levado perante o rei Agripa, para responder às acusações que haviam sido feitas contra ele, depois de narrar as circunstâncias de sua conversão, voltou-se para Agripa e disse:

"Rei Agripa, crês tu nos profetas? Bem sei que crês." Então disse Agripa a Paulo: "por pouco não me persuades a que me faça cristão." E disse Paulo: "Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo, se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias."

Desejo parafrasear estas palavras da seguinte maneira: Meus irmãos e irmãs, credes nas palavras dos profetas tal como nos foram transmitidas através das santas Escrituras? Sei que credes, e gostaria que todos vós as compreendêsseis, e compreendêsseis sua importância e aplicação para nós, não como eu as compreendo, mas de modo mais completo e abrangente.

A Necessidade de Conhecer os Tratos de Deus com o Homem

Para compreendermos devidamente o grande plano de redenção humana, planejado pelo Pai para a bênção de seus filhos, é necessário que estejamos familiarizados com seus tratos com os povos do mundo, desde o princípio dos tempos, como o contamos, até o presente. Não basta que nos familiarizemos apenas com a dispensação em que vivemos, por mais importante que isso seja. Devemos conhecer algo do passado, tal como a história o registrou, o presente tal como o vemos e compreendemos, e o futuro tal como os profetas o declararam. Sem esse agrupamento do passado, do presente e do futuro, nossa visão será restrita e incompleta.

Olhando Quatro Mil Anos para Trás

Desejo, meus irmãos e irmãs, levar-vos de volta a mais de quatro mil anos, a um período em que ocorreu um acontecimento de transcendente importância para nós, quando uma promessa foi feita pelo Senhor que ainda não se cumpriu plenamente, mas para cujo cumprimento estamos avançando rapidamente.

A Promessa a Abraão

Foi cerca de 122 anos após o dilúvio que o Senhor chamou Abrão, que naquela época tinha setenta e cinco anos de idade, e era descendente direto de Sem, o filho escolhido de Noé, ordenando-lhe que saísse da terra de sua parentela, e da casa de seu pai, para uma terra que prometeu dar-lhe, e à sua posteridade depois dele, como herança perpétua. Em obediência à palavra do Senhor, Abrão partiu de Harã, para onde havia sido levado por seu pai, vindo de Ur dos Caldeus, e armou sua tenda na terra de Canaã. Vinte e quatro anos depois, o Senhor falou-lhe como segue:

"Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito.

"E porei o meu convênio entre mim e ti, e te

multiplicarei grandissimamente.

"Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo,

"Quanto a mim, eis que o meu convênio é contigo, e serás o pai de uma

multidão de nações.

"E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome, porque por pai de uma multidão de nações te pus.

"E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti."

A Promessa de Deus Jamais Falha

Temos aqui uma promessa feita pelo Senhor que, julgada pelos padrões humanos, era impossível de se cumprir. Abraão tinha cem anos de idade, e sua esposa, Sara, noventa anos, uma mulher supostamente estéril, mas o Senhor havia falado, e sua palavra jamais falha. Isaque nasceu, e o Senhor repetiu-lhe a promessa feita a seu pai. Isaque, por sua vez, tornou-se pai de Jacó, por meio de cuja linhagem, e dos doze filhos que lhe nasceram, foi lançado o fundamento das doze tribos de Israel, os progenitores de uma poderosa nação.

A História de Israel e a História de José

Acompanhar em detalhes a história deste interessante povo, desde aquele tempo até o presente, seria impossível no curto tempo de que disponho. Vós que estais familiarizados com a história sabeis que doze filhos nasceram a Jacó, seis dos quais, Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, eram filhos de Lia, sua primeira esposa. José e Benjamim, filhos de Raquel; Dã e Naftali, filhos de Bila, a serva de Raquel; e Gade e Aser, filhos de Zilpa, a serva de Lia.

Estais familiarizados com a história de José, que foi vendido por seus irmãos a ismaelitas que passavam, os quais levaram o menino para o Egito, e o venderam a Potifar, capitão da guarda do rei. Sabeis como foi lançado na prisão, e finalmente libertado e feito vice-regente do rei, a personagem mais poderosa, à exceção do Faraó, em todo o Egito. Sabeis como a fome veio sobre a terra, o que tornou necessário que Jacó enviasse seus filhos ao Egito para obter alimento, onde esses homens descobriram que o governador de toda a terra era o seu irmão mais novo, a quem haviam vendido como escravo, e, depois de retornarem a Canaã, trouxeram seu pai e todos os seus bens para o Egito, e se estabeleceram na terra de Gósen, onde se tornaram um povo numeroso.

Mas o Egito não era a herança de Israel. Naturalmente teriam permanecido ali e sido absorvidos pelos egípcios, mas o Senhor havia decretado de outra forma. Ele lhes havia dado a Palestina como a terra de sua herança, e o retorno a essa terra era inevitável, ainda que fosse contra a sua vontade.

Depois de permanecerem no Egito por mais de duzentos anos — alguns cronologistas dizem quatrocentos —, o Senhor os libertou da servidão dos egípcios, por meio de seu servo Moisés, e, sob a liderança de Josué, entraram novamente e tomaram posse da terra prometida, um grande povo. Das setenta almas que entraram em Gósen com Jacó, saíram 603.500 homens com mais de vinte anos de idade, homens aptos para portar armas, provavelmente não menos de três milhões de pessoas ao todo.

A história do povo israelita, desde o momento em que atravessaram o rio Jordão, sob Josué, e subjugaram Jericó, até o estabelecimento do reino, sob Saul, cerca de quatrocentos anos, é uma história de guerra e contenda quase constantes, que resultou na subjugação de reinos e povos vizinhos, até que Israel, sob Davi, se tornou possuidor da Palestina, desde Dã ao norte até Berseba ao sul.

Foi sob Salomão que Israel atingiu o zênite de seu poder e glória como nação e reino. Cento e vinte anos haviam decorrido desde o estabelecimento do reino, sob Saul, até a divisão da nação, que ocorreu durante o reinado de Roboão, filho de Salomão. Quinhentos anos ao todo, desde o retorno do Egito. Anos de conflito entre si mesmos e com outros povos, anos de infidelidade da parte de Israel, e de sofrimento por causa de sua transgressão e indiferença às palavras dos profetas que o Senhor enviou entre eles para chamá-los de volta ao antigo caminho da retidão, mas eles disseram: não andaremos nele. Quando os vigias que o Senhor colocou nas torres de Sião soaram a trombeta de advertência, eles disseram: não daremos ouvidos.

O Dia dos Profetas

Foi o dia de Isaías, Jeremias, Ezequiel e outros dos profetas antigos, por meio dos quais o Senhor se esforçou para manter o povo no caminho da retidão e da justiça, o único caminho que conduz ao êxito final, pois o triunfo final jamais foi alcançado, nem jamais o será, por uma nação que nega o Deus vivo, e se desvia do caminho que ele traçou para nós seguirmos. Em seu orgulho de conquista, Israel via, na glória que lhes viera, o cumprimento da promessa feita pelo Senhor a Abraão. Ele lhes havia dado a terra da promessa, de norte a sul, e de leste a oeste, estavam de posse dela, e em seu orgulho, criam-se fortes o bastante para retê-la para sempre.

A Dissolução de Israel

A dissolução de Israel, como grande nação, começou quando as dez tribos, sob a liderança de Jeroboão, filho de Nebate, se separaram de Judá e Benjamim e estabeleceram o reino de Israel, tendo Samaria como sua cidade capital, enquanto Judá e Benjamim, com uma parte, ao menos, das tribos de Simeão e Dã, conservaram Jerusalém como a cidade capital de seu reino.

Ambas as nações rapidamente recaíram na idolatria, Israel na adoração do bezerro de ouro dos egípcios, enquanto Judá, em grande parte, voltou-se para a adoração de Bel dos babilônios, e dos deuses idólatras das nações que os cercavam.

Nessa condição Israel permaneceu até cerca de setecentos anos antes de Cristo, quando os exércitos assírios, sob Senaqueribe, venceram os exércitos israelitas, capturaram Samaria, levaram as Dez Tribos cativas para a Assíria, junto às cabeceiras do Eufrates, e trouxeram gente de seu próprio país, que estabeleceram nas cidades do norte da Palestina, e a identidade de Israel como povo distinto foi perdida para o mundo.

Judá continuou a manter uma aparência de poder por mais de cem anos após a queda de Israel, quando sofreu o mesmo destino. A Judeia foi invadida pelos exércitos babilônicos sob Nabucodonosor, Jerusalém foi tomada, o templo profanado e despojado de suas riquezas, e Judá foi levado cativo para a Babilônia, assim como seus irmãos haviam sido levados para a Assíria.

O Início da Era Cristã

Esta revisão apressada e imperfeita nos traz ao início da Era Cristã.

Após a queda do reino babilônico diante dos exércitos da Média e da Pérsia, o rei Ciro permitiu que os judeus retornassem da Babilônia à Palestina e reconstruíssem sua cidade e seu templo, que haviam sido destruídos por Nabucodonosor. Com grande entusiasmo essa obra foi empreendida, e parece que os judeus que retornaram do cativeiro babilônico demonstraram maior fé no Deus de seus pais do que haviam manifestado antes de serem levados cativos.

O Destino da Casa de Israel Predito

O destino que sobreveio à Casa de Israel havia sido claramente delineado pelos profetas que o Senhor enviara para adverti-los de que a pena da desobediência seria a dissolução da nação, e que seriam retirados da terra de sua herança, e espalhados entre as nações estranhas e incrédulas do mundo. O cumprimento final dessa profecia ocorreu quando, cerca de cem anos após o nascimento do Redentor, a Judeia foi pisoteada pelos exércitos romanos sob Vespasiano e seu filho Tito, Jerusalém foi tomada, o templo destruído, e os judeus espalhados entre as nações do mundo, onde permaneceram até o presente dia.

Israel, Não Abandonado do Senhor, Será Novamente Reunido

Não obstante o fato de que o povo israelita havia sido disperso e perdido para o mundo, tornando-se presa de nações estranhas e incrédulas, o Senhor não os havia esquecido nem abandonado. Ele se lembrou do convênio feito com o pai deles, Abraão, e decretou que se cumprisse. O profeta Jeremias, seiscentos anos antes do nascimento de Cristo, falando sobre este assunto, declarou que o Senhor que espalhara Israel voltaria a reuni-lo, nestas palavras:

"Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai-a nas ilhas de longe, e dizei: Aquele que espalhou Israel o congregará e o guardará, como o pastor, o seu rebanho.

"Porque o Senhor resgatou Jacó, e o livrou da mão do mais forte do que ele.

"Assim que virão, e exultarão no alto de Sião, e correrão aos bens do Senhor, ao trigo, e ao mosto, e ao azeite, e aos cordeiros e bezerros; e a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais andarão tristes."

Isaías, setecentos anos antes do nascimento do Redentor, referindo-se a este mesmo assunto, disse:

"E naquele dia [falava ele dos últimos dias] haverá uma raiz de Jessé, posta por estandarte dos povos; a ela recorrerão as nações, e o seu repouso será glorioso. E sucederá naquele dia que o Senhor tornará a estender a sua mão, pela segunda vez, para adquirir os remanescentes do seu povo, que restarem da Assíria, e do Egito, e de Patros, e de Etiópia, e de Elão, e de Sinear, e de Hamate, e das ilhas do mar.

"E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra.

"E a inveja de Efraim se desviará, e os adversários de Judá serão desarraigados: Efraim não invejará Judá, e Judá não oprimirá Efraim."

A Promessa de Cristo a Israel Antes de Sua Crucificação

Durante seu ministério entre o povo nefita, neste continente, depois de sua ressurreição dentre os mortos, o Redentor do mundo, referindo-se a este assunto, usou a seguinte linguagem:

"Lembrar-me-ei do convênio que fiz com meu povo; e com eles fiz o convênio de que os reuniria em meu próprio e devido tempo, que novamente lhes daria a terra de seus pais como herança, a qual é a terra de Jerusalém, terra que lhes foi prometida para sempre, diz o Pai.

"E eis que chegará o dia em que a plenitude do meu evangelho lhes será pregada; e crerão em mim, que eu sou Jesus Cristo, o Filho de Deus; e orarão ao Pai em meu nome."

Este capítulo inteiro trata do assunto a que me refiro, mas não preciso ler mais dele.

Mais definidas e diretas sobre este assunto do que quaisquer outras, e às quais desejo chamar mais particularmente vossa atenção, são as palavras do Redentor, pouco antes de sua crucificação. Ele reuniu seus discípulos e, em resposta às perguntas que lhe fizeram, falou como segue:

"E agora vedes este templo situado em Jerusalém, que chamais casa de Deus; e vossos inimigos dizem que essa casa jamais cairá, mas em verdade vos digo que desolação virá sobre esta geração como um ladrão na noite; e este povo será destruído e dispersado por entre todas as nações.

"E este templo que agora vedes será derrubado, de modo que não ficará pedra sobre pedra."

Isso se cumpriu literalmente por ocasião da tomada de Jerusalém por Tito, filho de Vespasiano.

"E acontecerá que esta geração de judeus não passará sem que se cumpram todas as desolações de que vos falei em relação a eles.

"Dizeis saber que o fim do mundo virá; dizeis também saber que os céus e a Terra passarão; e com isto dizeis a verdade, porque assim é, mas estas coisas de que vos falei não passarão até que tudo se cumpra.

"E isto vos disse concernente a Jerusalém; e quando vier aquele dia, um remanescente será disperso entre todas as nações; mas serão reunidos outra vez; contudo, permanecerão até que os tempos dos gentios se cumpram.

"E naqueles dias se ouvirá de guerras e rumores de guerras, e toda a Terra estará em comoção, e o coração dos homens falhará, e dirão que Cristo retarda sua vinda até o fim da Terra.

"E o amor dos homens esfriará, e a iniquidade será abundante. E quando os tempos dos gentios chegarem, uma luz resplandecerá entre aqueles que se assentam em trevas, e será a plenitude do meu evangelho; mas eles não a recebem, porque não percebem a luz e desviam de mim o coração por causa dos preceitos dos homens.

"E nessa geração se cumprirá o tempo dos gentios."

Que o destino final de Judá era diferente do de José está claramente indicado pela bênção pronunciada sobre ele por seu pai.

As Bênçãos de Jacó

Pouco antes de sua morte, Jacó chamou seus filhos a si e deu a cada um sua última bênção. Sobre Judá ele pronunciou a bênção da liderança, declarando que o cetro do poder não se apartaria de sua casa até a vinda de Siló, a quem os judeus aguardavam como seu rei final.

Quando pôs as mãos sobre a cabeça de José, disse:

"José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até a extremidade dos outeiros eternos; elas estarão sobre a cabeça do que foi separado dentre seus irmãos."

A promessa feita a Abraão deu a ele e à sua posteridade depois dele a terra de Canaã, que seria a terra de sua herança, e essa promessa foi renovada a Isaque, e a Jacó, e o Senhor, por meio deste último, ampliou essa promessa a José: sua herança, como um ramo frutífero junto a uma fonte, cujas raízes são bem regadas, correu sobre o muro, e se estendeu além da herança de Judá até os confins últimos dos Outeiros Eternos, até a América, onde há de ser estabelecida a Sião do nosso Deus.

O Destino de Israel Claramente Indicado

A escritura que acabo de ler indica claramente o decreto imutável do Senhor a respeito do destino do povo israelita. Por mais que tenham sido dispersos e perdidos para o mundo, não estão perdidos para o Senhor, nem ele esqueceu o convênio que fez com o pai deles, Abraão, e que foi reconfirmado sobre as cabeças de Isaque e Jacó.

A Obra Iniciada Nesta Dispensação

Com a abertura da atual dispensação do evangelho, agora há quase cem anos, o Senhor começou a obra destinada a resultar no estabelecimento de Efraim, e de outros descendentes de José, neste continente, onde há de ser estabelecida a Sião do nosso Deus, e na restauração dos judeus à Palestina, a terra de seus pais.

Com a organização da Igreja, o Senhor deixou clara a obrigação de seus membros. Homens detentores do sacerdócio restaurado, com suas chaves de autoridade, foram enviados a todos os países aonde lhes foi permitido ir, proclamando a abertura de uma nova dispensação do evangelho, chamando o povo ao arrependimento, e testificando que o monte da Casa do Senhor haveria de ser estabelecido no cume dos montes, e exaltado acima dos outeiros, onde estamos hoje, e que os povos de todas as nações confluiriam a ele, a fim de que fossem ensinados no caminho do Senhor, e aprendessem a andar em suas veredas.

Os Judeus Serão Restaurados à Terra Prometida

A promessa feita pelo Senhor a respeito da restauração dos judeus à Terra Prometida não foi esquecida. Na conferência da Igreja, realizada em 6 de abril de 1840, agora há oitenta e cinco anos, Orson Hyde, membro do Conselho dos Doze, e John E. Page foram chamados para uma missão especial a Jerusalém, com o propósito de dedicar a Terra Santa para a reunião dos últimos dias do remanescente de Judá. John E. Page não conseguiu cumprir a missão que lhe fora designada, mas Orson Hyde, depois de superar muitas dificuldades, um ano e meio depois ajoelhou-se no Monte das Oliveiras, e dedicou a Palestina como o lugar de reunião do remanescente disperso de Judá, e esse servo do Senhor, movido pelo espírito de profecia, declarou que, assim como fora por poder e influência política que os judeus haviam sido dispersos, seria por poder e influência política que seriam reunidos, e que a Inglaterra estava destinada a ser a nação que tomaria a parte principal na obra de restauração.

Mais de setenta e cinco anos haviam decorrido, quase uma geração, como as escrituras contam o tempo, desde que a luz do evangelho irrompera entre os que se assentavam em trevas, desde que Orson Hyde dedicara a terra da Palestina para a reunião dos últimos dias de Judá disperso, e a Terra Santa ainda permanecia sob o domínio do turco, a estrela e o crescente ainda tremulavam do minarete de uma mesquita muçulmana, onde outrora se erguera o templo de Salomão.

A Grande Guerra e o Protetorado Britânico

Então veio a grande guerra mundial, e a paz final em Versalhes, quando à Grã-Bretanha foi dada a responsabilidade de estabelecer e manter um protetorado sobre a Terra Santa. Os exércitos britânicos, é verdade, já haviam ocupado Jerusalém, mas foi com a assinatura do tratado de Versalhes que se deu o primeiro passo definitivo rumo ao cumprimento das palavras dos profetas, que haviam declarado, milhares de anos atrás, a redenção de Israel, e a restauração de Judá às terras de seus pais.

O Interesse dos Judeus na Restauração

O interesse manifestado pelo povo judeu na restauração da Palestina tem poucos paralelos na história do mundo. Isso nos lembra o zelo que seus pais demonstraram ao retornar da Babilônia a Jerusalém para reconstruir sua cidade e seu templo, quando tanto mulheres quanto homens trabalharam, e deram generosamente de seus bens mais estimados para que a tarefa fosse realizada.

Sociedades judaicas foram organizadas em várias partes do mundo, tendo por propósito a criação de um lar publicamente reconhecido e legalmente adquirido na Palestina, e a edificação do lar judaico na Canaã de seus pais. Muitos milhões de dólares foram subscritos por judeus em todo o mundo, para serem usados na compra de terras, e no desenvolvimento dos recursos adormecidos do país.

O Que Foi Realizado

Das estatísticas que reuni, desejo ler o seguinte, que mostra apenas parte daquilo que foi realizado:

Imigração

No final da guerra havia cerca de cinquenta mil judeus na Palestina. No final de 1924 esse número havia dobrado, e os relatórios mais recentes nos dizem que os judeus estão afluindo à Palestina à razão de mais de dois mil por mês.

Agricultura

No final da guerra não mais de cem mil acres de terra estavam sob propriedade judaica na Palestina; desde então, por meio do movimento sionista, uma quantidade igual ou maior foi acrescentada por compra. Pântanos foram drenados, dunas de areia niveladas, e as exportações agrícolas, que antes da guerra eram praticamente nulas, agora somam mais de vinte e cinco milhões de dólares anualmente. Oitenta e nove colônias agrícolas judaicas estão sendo desenvolvidas.

Escolas

Cento e vinte escolas foram estabelecidas, a saber: 39 jardins de infância, 65 escolas primárias, 5 escolas secundárias, 3 faculdades de formação de professores, 4 escolas técnicas, e 5 escolas de trabalhos manuais. Essas escolas contam com 497 professores, e um grande número de alunos matriculados. Além dessas escolas, várias escolas de formação agrícola foram estabelecidas, e uma Universidade em Jerusalém, dedicada na semana passada por Lord Balfour, foi estabelecida num terreno que custou sessenta mil dólares.

Grandes somas foram despendidas na construção de estradas, usinas hidrelétricas estão em construção, hospitais foram erguidos, e providências foram tomadas para o cuidado dos indigentes e desafortunados. Segundo os relatórios apresentados, foram despendidos, de primeiro de abril de 1921 a 30 de junho de 1924, mais de trinta e cinco milhões de dólares no desenvolvimento desse empreendimento.

Um movimento como este não pode deixar de despertar o interesse e a admiração do mundo civilizado. O povo hebreu tem sofrido, durante os séculos passados, como nenhum outro povo jamais sofreu, tanto quanto meu estudo e observação me permitem julgar. Foram espalhados entre estranhos, onde lhes foi negado o direito de cidadania, e a participação nas atividades comerciais e industriais dos povos. Foram impiedosamente roubados daquilo que honestamente adquiriram pelo trabalho de suas próprias mãos. Pior que tudo, pogroms foram decretados contra eles, quando a proteção da lei foi oficialmente declarada inoperante, e permissão foi dada a homens e mulheres perversos para despojá-los de seus bens, e até mesmo privá-los da própria vida.

O Movimento Deve Suscitar Louvor e Simpatia

O admirável é que sobreviveram e mantiveram sua nacionalidade durante todos esses séculos de aflição, e agora que empreendem estabelecer um lar na terra de seus pais, onde possam viver em paz, e ser uma bênção para o povo pouco progressista que por tanto tempo a dominou, certamente devem suscitar o louvor e a simpatia de todas as pessoas de reto pensar.

A Mão do Senhor Nisto

De um ponto de vista humano é um movimento de grande interesse, mas para mim a característica mais notável é o manifesto trato do Senhor, que vejo nele, e que eles mesmos não percebem plenamente. Virá de modo natural, pode ser a Inglaterra, pode ser alguma outra nação, mas será o Senhor quem dirigirá.

O Senhor Usará as Nações para Realizar Seu Propósito

Quando Ciro conduziu o vitorioso exército medo-persa à derrubada do grande reino babilônico, ele não sabia que estava cumprindo as palavras dos profetas que haviam vivido muito tempo antes, mas fê-lo com maravilhosa exatidão. Quando Alexandre da Macedônia deteve seu exército, depois de atravessar os Dardanelos e vencer a batalha do Granico, e, apesar do protesto de seu general, adiou sua campanha contra a Pérsia, a fim de sitiar e finalmente destruir Tiro, ele não tinha conhecimento de que os profetas haviam declarado que a maior cidade marítima do mundo seria destruída exatamente daquela maneira, mas isso, não obstante, era verdade.

Assim continuará o Senhor a usar as nações para a realização de seus propósitos, até que se cumpram todas as palavras de seus servos, os profetas, até que Sião seja estabelecida, a Judeia redimida, e sua vontade feita na terra, assim como é feita no céu.

Que Deus abençoe os judeus nesta importante obra. Que os olhos de seu entendimento sejam abertos, e que em breve chegue o tempo em que Siló, cuja vinda há tanto tempo aguardam, esteja de pé sobre o Monte das Oliveiras, e reconheçam nele Jesus de Nazaré, o Redentor do mundo, a quem seus pais rejeitaram. E que nós, Santos dos Últimos Dias, nós que somos de Efraim, apreciemos a parte que desempenhamos neste grande drama dos últimos dias, semelhante ao qual nunca houve antes, e nunca haverá novamente, é minha sincera oração, por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAnthony W. Ivins, “Credes nos Profetas?”, Conferência Geral de Abril de 1925, Sessão da Manhã do Segundo Dia (1925-04-05). Pulpit Vault, 1925-04-10-anthony-w-ivins-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).