Discurso
E. Wesley Smith
Até agora, durante a conferência, tenho me sentido emocionado, e gostaria que os oradores anteriores tivessem continuado em seu esplêndido empenho de nos dar aqueles pensamentos que edificam a fé. Sinto-me um tanto fraco ao estar aqui de pé. É meu desejo, contudo, ser abençoado com o Espírito de Deus, para que eu possa proferir palavras agradáveis e proveitosas a todos os presentes. Ouvimos atentamente os oradores anteriores a respeito do bom povo da distante Samoa, e dos esplêndidos Santos na terra da Suécia; agora permiti-me trazer-vos de volta à terra do Pacífico, ao Havaí, a terra de meu nascimento. Naturalmente sinto amor pelo bom povo do "Paraíso do Pacífico". Tive a boa sorte de passar praticamente um terço de minha vida no campo missionário, o tempo mais feliz e mais abençoado de minha vida. ¶
Desejo dar apenas um breve relato de quatro anos de trabalho ali, enquanto presidi aquela missão, para que saibais que vossos filhos e filhas chamados ao campo missionário sob a inspiração de Deus estão dando bons frutos no rebanho de Cristo, que sua obra está crescendo e sendo engrandecida entre o povo. Em harmonia com a declaração do Presidente Adams, o "mormonismo" está se imprimindo sobre o bom povo por todo o mundo. "Pelos vossos frutos sereis conhecidos." Podemos pregar com muito mais poder pelo exemplo -- pelo modo como vivemos e agimos -- do que pela palavra falada. ¶
O Dr. Sullivan, um antropólogo de renome no serviço do Governo dos Estados Unidos, tendo passado muitos anos na América e no México entre os índios, visitou as Ilhas Havaianas, estudando o povo, sob a direção do Museu Pauahi, procurando saber de onde vieram os povos polinésios, gastando 50.000 dólares por ano em trabalho de pesquisa nesse sentido. Tive o privilégio de acompanhar o Dr. Sullivan pelas ilhas. Ele fez ao nosso povo um esplêndido elogio. Ao iniciar sua viagem, escreveu-me dizendo: "Não consigo obter dos nativos a informação que desejo; parecem tímidos em fornecê-la." Outros religiosos haviam trabalhado com ele, mas não compreendiam os nativos, não conhecendo sua língua, e assim eu fui com ele e alguns dos élderes. Eles não eram nada tímidos; sabendo que era o desejo dos élderes da Igreja que dessem essa informação, foram livres e abertos, não hesitaram, e ele se maravilhou com a influência que os élderes "mórmons" tinham sobre os nativos. Ele disse: "No momento em que entro numa casa aqui, consigo dizer se pertencem à vossa Igreja ou não." "Como o senhor pode saber?", perguntei. Ele disse: "Porque parecem superiores; sua vida doméstica é melhor, há ali uma atmosfera mais doce. Vós fostes muito sábios, indo entre esta raça gloriosa, selecionando os ¶
melhores dentre o povo; pois considero que o melhor povo na terra do Havaí pertence à vossa Igreja." ¶
O "mormonismo" os fez assim; não foi a obra dos élderes, mas a inspiração de Deus que encheu suas almas. Os princípios da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são o que engrandeceu o povo, tanto ali quanto em Samoa e no restante do mundo. ¶
Muitas vezes li sobre como o evangelho deveria ser pregado, como deveria ser declarado, dos telhados. Eu não conseguia compreender isso. Imaginava-me sobre algum edifício, clamando ao povo. Mas quem poderia ouvir! até a invenção do rádio? Pouco depois de meu retorno da missão havaiana, trabalhei aqui no quarteirão do templo, atendendo aos turistas, um trabalho encantador, garanto-vos. Tive o privilégio de assistir a um culto no Tabernáculo que foi transmitido pelo rádio na ocasião da visita do Presidente Harding aqui, e ao relatar isso aos turistas, para mostrar como, se estivermos em sintonia, podemos ouvir, uma senhora manifestou-se e disse: "Ouvi essa mensagem lá longe, na Louisiana"; outra a ouviu na Califórnia; outra, no México. Uma terceira pessoa disse: "Estávamos passeando de automóvel naquela noite, e voltamos tarde demais para receber essa mensagem, embora tivéssemos um aparelho de rádio em casa"; consequentemente, perderam-na. Um jovem, vários dias depois -- um fuzileiro naval de passagem, vindo da Califórnia -- fez esta declaração: "Ouvimos o coro cantar, ouvimos o órgão, e as palavras do Presidente Harding, lá nas águas do Japão." Ele disse: "Tive o privilégio de estar estacionado com o Esquadrão do Pacífico, e a bordo de nosso navio ouvimos essa mensagem claramente, e como estou feliz hoje de estar de pé neste edifício, perto deste grande órgão, e testificar a vós que a ouvi claramente lá longe, nas águas do Japão!" O Profeta Joseph Smith, quando menino, estando em sintonia, como o delicado aparelho do rádio, e assim, sob aquela influência, saiu para o bosque para orar, e se comunicou com Deus; os céus se abriram e ele conversou com a Divindade. Se o homem é capaz de se comunicar por meio do rádio, clamando dos telhados e fazendo sua voz dar a volta ao mundo várias vezes por segundo, então não é impossível, verdadeiramente, que Deus fale a seus filhos quando ele julgar sábio e necessário. ¶
No Livro de Mórmon, a parábola da figueira transmite um belo pensamento. Amo lê-la, pois está repleta da inspiração de Néfi. Inspirado pela revelação ou visão dada a seu pai, Leí, ele desejou compreender as coisas que seu pai havia visto, crendo que o Senhor era capaz de lhas dar a conhecer -- ele se sentou, ponderando em seu coração, e foi arrebatado pelo Espírito do Senhor a um monte excessivamente alto, e ali lhe foi revelada a obra de Deus, a vinda do evangelho de Jesus Cristo novamente ao Profeta Joseph Smith. Naquela visão ele viu o povo reunido nos cumes das montanhas; viu os missionários saindo pelas ilhas do Pacífico para recolher de novo os frutos daqueles ramos tenros que haviam sido tirados da árvore-mãe, da colônia de Néfi, e plantados numa terra onde não pudessem ser ¶
molestados, onde não pudessem ter convívio com outros povos, onde o verdadeiro sangue de Israel pudesse ser preservado. E assim encontramos, nas ilhas do Pacífico, o povo polinésio, com o verdadeiro sangue de Israel correndo em suas veias. ¶
A civilização dos havaianos, antes da chegada dos brancos, havia atingido um grau elevado, considerando-se as oportunidades limitadas; e quando os missionários chegaram, o povo, em geral, rejeitou a idolatria e aceitou o cristianismo. Hoje, em educação, em virtude, em limpeza, os havaianos comparam-se favoravelmente com muitos povos, tanto do velho quanto do novo mundo, ao passo que em hospitalidade nenhum povo os supera. Eles reconheceram a voz dos pastores. Hoje é impossível encontrar um havaiano que não seja um cristão convicto, embora nem todos pertençam à nossa Igreja, à nossa fé. Os missionários que trabalharam nas ilhas durante os quatro anos em que estive lá realizaram uma obra esplêndida -- e tenho o prazer de dizer que os élderes agora realizam uma obra ainda melhor. Há aproximadamente 13.000 Santos na missão, doze distritos organizados, mais de cinquenta Escolas Dominicais plenamente organizadas; também organizações da Associação de Melhoramentos Mútuos, Sociedades de Socorro e Primárias. Isto vos dará uma ideia de como a missão havaiana se compara favoravelmente com algumas das maiores estacas da Igreja. Durante os quatro anos, batizamos 1.438, abençoamos 1.387 crianças, e ordenamos 457 ao Sacerdócio. No último ano em que estive lá, tínhamos 2.426 pagadores de dízimo. ¶
As tradições das ilhas são belas e estão em harmonia com as escrituras. Encontramos hoje o povo havaiano instruído; duvido que se encontre alguém que não saiba ler ou escrever, e eles amam as escrituras. Assim como os samoanos, são muito hábeis em encontrar passagens das escrituras e em memorizar a palavra do Senhor. O tempo não me permitirá entrar em detalhes, mas gostaria de ler apenas um pequeno trecho tirado da história escrita pelo Rei Kalakaua, mostrando algumas das crenças sobre a criação, o dilúvio e Abraão, mostrando como eles mantiveram nessa tradição, de pai para filho, e assim por diante, através de gerações, a história de seus antepassados, provando, de certo modo, a origem deste povo glorioso. Neste livro, o Rei Kalakaua declara: ¶
"Existe uma trindade de deuses, chamados Kane, Ku e Lono. Estes criaram os céus e a terra, o sol, a lua e as estrelas. De sua saliva criaram uma hoste de anjos ministrantes. Ao criar o homem, Kane formou seu corpo de barro vermelho misturado com saliva, enquanto Lono formou sua cabeça de barro esbranquiçado trazido dos quatro cantos da terra. Então o fôlego de vida foi soprado em suas narinas e ele se tornou alma vivente, e foi chamado Kumuhonua (que significa o alicerce da terra). Depois, de suas costelas foi criada uma mulher chamada Keola-Kuhonua. O casal foi colocado num belo paraíso chamado Paliuli. Entre os anjos havia um, Kanaloa, o Lúcifer, que, quando o homem foi criado, exigiu adoração dele. Isso foi recusado por Kane, ao que Kanaloa resolveu criar ele mesmo um homem, que o adorasse. Ele formou um ser à imagem exata de Kumuhonua, mas não conseguiu soprar vida nele. Repetidas tentativas resultando em fracasso, ele se rebelou, e resolveu destruir o homem criado por Kane. Sob a forma de um Moo, ou lagarto, ele se arrastou para o jardim de Paliuli e ali fez com que Kumuhonua e sua esposa fizessem algo que irou os deuses, e eles foram expulsos. A história de Caim e Abel também se encontra entre os havaianos nos três filhos de Kumuhonua, um dos quais, Laka, matou seu irmão mais novo." ¶
Os havaianos, em sua tradição do dilúvio, disseram que: ¶
"Nuu, por ordem dos deuses, construiu um barco e, com sua esposa e três filhos, entrou nele, levando consigo um macho e uma fêmea de cada criatura viva. Quando as águas baixaram, os deuses vieram e libertaram Nuu e sua família, que, ao sair do barco, descobriram que haviam repousado numa montanha que dominava um belo vale. Nuu ofereceu sacrifício à lua, confundindo-a com Kane. Kane ficou irado com isso e desceu sobre um arco-íris, e ali repreendeu Nuu, e Nuu se arrependeu disso, e, em sinal de que seu espírito arrependido havia sido aceito e ele fora perdoado, Kane colocou o arco-íris nos céus como sinal." ¶
Um homem de nome Ktt Pule, representando Abraão, também é relatado por este rei: ¶
"Ele era dez gerações removido de Nuu. Foi para o sul com sua esposa e sua escrava, Ahu. Ali estabeleceu a prática da circuncisão, e foi avô de Kuni-lau-a-mano, cujos doze filhos se tornaram os chefes de doze tribos, das quais uma deu origem aos Menehune, ou havaianos." ¶
Ora, sabemos, por meio da tradição e por meio da história que nos é dada no Livro de Mórmon, que as gerações de Leí vieram dos lombos de José, por meio de Manassés e Efraim. A tradição fala de como viajaram para a terra prometida sob a influência de Deus, de como povoaram esta terra, cresceram até se tornar um povo admirável, e então, como está registrado no capítulo 63 de Alma, alguns do povo entraram num dos barcos construídos por Hagote, atravessaram e se perderam no mar profundo -- de acordo com o registro dos historiadores no Livro de Mórmon, mas não em harmonia com as tradições do povo havaiano, segundo as quais Deus, em sua misericórdia, plantou aquele ramo tenro nas Ilhas do Pacífico. E agora ele os está trazendo de volta, e eles estão produzindo frutos que alegram sua alma. ¶
Sei que o evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro. Todo o meu ser se emociona com este testemunho, e como estou feliz por ter sido abençoado com bons pais, e por, até aqui em minha vida, ter conseguido caminhar por essa senda estreita e apertada. Confio sinceramente e espero que a influência do céu esteja sobre mim, para que eu possa continuar a serviço de Deus, para que eu possa ser engrandecido em suas boas obras, para que eu possa guardar a fé enquanto me for permitido viver sobre a terra. Sei que o Profeta Joseph foi chamado por Deus mediante inspiração, que ele estava em sintonia com o Espírito de Deus, e sei que todos os que foram escolhidos para conduzir esta grande obra foram inspirados por esse mesmo espírito. Que as escolhidas bênçãos de Deus estejam sobre o Presidente Heber J. Grant, seus conselheiros, e todos os que com eles se associam, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶