Discurso
Charles W. Nibley
Meus irmãos e irmãs, suponho que ninguém jamais fica velho o suficiente, ao menos eu nunca espero ficar, para superar completamente o nervosismo de falar em público. Este é o terceiro dia em que estou sentado diante desta congregação, sem saber a que hora poderia ser chamado; e, quando se passa por essa experiência durante dois ou três dias, o nervosismo se acentua. ¶
Conta-se, a respeito de Thomas Carlyle, que não conseguia pensar se houvesse algum grande barulho por perto, que ele tinha uma vizinha, uma senhora, que criava algumas galinhas; e o canto dos galos era para ele fonte de incômodo. Enviou uma gentil carta à sua vizinha e ofereceu-se para comprar as galinhas, a fim de poder matá-las. Ela recusou-se a entregá-las, e disse: "Além disso, não vejo por que isso o incomoda. Os galos cantam apenas em intervalos determinados." Ele respondeu: "Sim, senhora, isso é verdade; mas a senhora não sabe o que eu sofro esperando que eles cantem." ¶
Estou, de fato, tomado de reverência na presença desta grande multidão. Minha alma se sente pequena diante desta maravilhosa reunião, desta esplêndida congregação, composta de homens e mulheres que estão entre os mais escolhidos da terra. Estar diante de vós e tentar aconselhar, advertir ou instruir é uma responsabilidade que faz qualquer um sentir sua própria insignificância. A menos que eu tenha o Espírito do Senhor para me auxiliar, pouco poderei servir nesta posição. Oro, portanto, por vossa simpatia e fé, e pelo auxílio desse mesmo Espírito que tem sido dado aos oradores desta conferência até o presente momento. ¶
Ouvi com profundo interesse o relatório do Presidente Grant sobre as várias atividades e a obra da Igreja — seu crescimento e todos os seus esplêndidos assuntos, dos quais ouvimos na abertura de nossa conferência. A construção de templos, e sua manutenção e operação, consome uma parcela substancial dos recursos da Igreja. Aqui mantemos o Templo e estes belos jardins. Espero que não deixeis de caminhar ao redor deste quarteirão e ver se conseguis obter dele uma emoção como a que tive na última semana, ao contemplar sua beleza e pensar no prazer que deve proporcionar aos visitantes dentro de nossos portões. Tudo isso é mantido às custas da Igreja, e custa uma boa soma de dinheiro. Os recitais gratuitos de órgão, oferecidos todos os dias aos estranhos — e também àqueles do nosso próprio povo que optam por ¶
assistir — são pagos pela Igreja; assim como o cuidado do órgão, a manutenção deste edifício e destes jardins, e tudo isso custa uma quantia considerável de dinheiro. ¶
Além disso, há gastos adicionais com a construção de capelas e casas de reunião, como o Presidente chamou nossa atenção, e como o Irmão Rushton, da Austrália, nos disse ontem. Estão gastando recursos consideráveis para esse fim lá na Austrália; e também nos foi dito pelo Presidente Grant a respeito de grandes somas de dinheiro sendo gastas na construção de locais de adoração na Suécia, na Noruega, em Roterdã, e nas cidades do leste dos Estados Unidos. O Presidente Roberts nos falou das capelas que foram construídas em Baltimore, e em outros lugares de sua missão; e, de fato, por toda a face da terra — em praticamente todo o mundo civilizado, podemos dizer — essas atividades da Igreja estão sendo conduzidas, e é necessária uma grande, uma muito grande quantia para levá-las adiante. ¶
De onde vem todo esse dinheiro? São os dízimos que vós pagais, e que eu pago, que o povo desta Igreja contribui ano após ano. Estou em posição de anunciar-vos, e sinto que é meu dever fazê-lo, que os recursos que pagais, o dinheiro que contribuís como dízimo, tudo o que chega às mãos do Fiduciário, é despendido de maneira criteriosa, sábia e justa; e somente nos interesses, nos melhores interesses, da edificação da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Estou em posição de saber disso, e disso vos testifico nesta manhã. ¶
Meus irmãos e irmãs, a pergunta que quero fazer-vos, e também a mim mesmo, é esta: Nós, vós e eu, temos feito a nossa parte a esse respeito? Estamos cumprindo plenamente o nosso dever, ajudando a edificar esta obra? Estamos ajudando a manter missionários no campo? São os nossos recursos que ajudam a estender esta obra da maravilhosa maneira em que está sendo estendida? Se não, então esse poder espiritual, essa força, ainda não nos tomou, a vós e a mim, o suficiente para nos fazer saber que o nosso dever é pagar os nossos dízimos — o valor integral que o Senhor exige — e fazê-lo quando os recursos chegam às nossas mãos; não esperar até o fim do ano, porque então talvez já não os tenhamos. É verdade que somos instruídos a fazer o acerto anualmente, pagando um décimo do nosso rendimento, e devemos zelar para que seja pago anualmente, e fazer o nosso acerto anualmente; mas o momento de pagarmos os nossos dízimos e de contribuirmos para esta obra, para ajudá-la a crescer e para dela participarmos, não somente em palavras, mas também em obras, é quando temos o dinheiro em mãos, quando ele nos chega. Sei que fui criado com rigor a esse respeito, pois minha boa e velha mãe não esperava fazer dez quilos de manteiga antes que um quilo dela fosse pago ao bispo. Não tínhamos dinheiro naqueles primeiros tempos, mas dávamos manteiga, ovos, batatas, trigo e feno — tudo o que a terra produzia. Ela não esperava obter dez para então pagar um. Não; ela o pagava entre os primeiros, para tirar das mãos a dívida do dízimo. Se havia uma dúzia de ovos, ou duas dúzias, ou cinco dúzias, o dízimo, e um pouco mais do que o dízimo, ¶
iam imediatamente para o bispo. Por isso digo que este é um bom exemplo para mim, e um bom exemplo para vós. Quando os recursos chegam às nossas mãos, paguemos então o nosso dízimo, e não esperemos, talvez, até que os recursos tenham sido dissipados. ¶
Esta Igreja, com suas variadas atividades, tende a edificar as comunidades neste país. Nossa Câmara de Comércio, em Salt Lake City, está pedindo setenta e cinco mil dólares em doações — para quê? Para anunciar Utah. E qual é o propósito de anunciar Utah? Trazer colonos para cá, para construírem lares e edificarem as comunidades. Bem, isso é uma boa coisa. Contribuo para isso, como muitos de vós que aqui vivem. Mas esta Igreja tem dois mil missionários, ou cerca desse número, no campo o tempo todo, pregando este evangelho, o evangelho de Jesus Cristo, e ganhando almas para ele. Embora não encorajem essas pessoas a virem imediatamente para Utah, ou para este país, ainda assim, assim que esses conversos ouvem falar do Templo do Senhor, assim que o Espírito do Senhor e o espírito desta obra entram em seus corações, o espírito de recolhimento ali está, e não podeis contê-los, quer estejam na Alemanha, na Suíça, na Noruega, nos Estados Unidos, ou onde quer que estejam. Eles querem vir para Sião, e a nossa dificuldade é impedi-los de vir depressa demais. Ora, se é uma boa coisa para o país e para a cidade gastarmos dinheiro para trazer pessoas para cá, não é esta Igreja uma das melhores instituições para o comerciante, para o homem de negócios, e para outros interesses? Pois as pessoas que trazemos para cá são de uma classe que deseja construir e possuir seu próprio lar, e que de fato o faz. Em pouco tempo estão estabelecidas na terra, e se tornam os melhores dos cidadãos. ¶
Pode-se afirmar com segurança que os recursos que gastamos todos os anos embelezando este quarteirão contribuem mais para a fama e a glória de Salt Lake City do que quase todo o dinheiro gasto em outros lugares; e este dinheiro é contribuído por vós, Santos dos Últimos Dias; vem de vossos dízimos; e é boa propaganda; é bom trabalho. Não deveríamos ser ridicularizados por isso; deveríamos, antes, ser elogiados e abençoados por isso. Esta reunião de conferência, a cada seis meses, traz milhares de pessoas para cá. Pergunto-me se isso não é uma boa coisa para os comerciantes e para os interesses comerciais desta cidade. Pergunto-me como esses comerciantes gostariam que nossas conferências fossem suspensas por algum tempo. Ouviríeis algo além de crítica se isso acontecesse. Ouviríeis um lamento e um clamor se levantar; por isso aponto a vós, e ao povo deste Estado, e aos nossos amigos que não são da nossa fé, que as atividades em que estamos empenhados contribuem para a edificação das comunidades, e são uma boa proposta comercial, na linha do avanço material e da melhoria das comunidades, além dos benefícios espirituais que sabemos que recebemos. Toda essa riqueza de recursos que contribuís para a Igreja é despendida, como já disse, na edificação da comunidade. Isso é verdadeiramente americano. ¶
Regozijo-me nesta manhã, de todo o meu coração, por ser membro da Igreja — esta Igreja americana que não deve lealdade a nenhuma potência ou potentado estrangeiro, a única verdadeira Igreja americana digna do nome. É americana até a medula. Foi estabelecida por americanos de sangue puro, de estirpe peregrina, os melhores americanos de Vermont, New Hampshire, Massachusetts, e dos estados vizinhos da Nova Inglaterra. Tais homens foram os fundadores de nossa Igreja. É americana em ideais, americana em pensamento, americana em toda atividade a ela ligada, americana em seu desejo de abençoar e beneficiar o povo. Não há nenhuma outra igreja que possa reivindicar algo semelhante. Isso é confirmado pelos homens que aqui estão sentados neste púlpito, o Presidente Grant, George Albert Smith e outros, e por aqueles que vieram antes deles — o Presidente Ivins, o Élder Smoot, e os Clawson e os Whitney, os Richards e os Lyman — todos filhos da Revolução Americana e líderes deste povo. São da mais autêntica estirpe americana que se pode encontrar nesta nação. Gostaria que essas coisas fossem apontadas, e que o mundo soubesse que estamos fazendo algum bem, que estamos edificando o país, e que o dinheiro que entra como dízimo está sendo justa e devidamente despendido para o avanço do Reino de Deus. ¶
Digo novamente: tenho eu feito a minha parte? Tendes vós feito a vossa parte? Só vós podeis responder à vossa parte dessa pergunta. Alguns de nós não a temos feito. Duvido que eu a tenha feito. Podemos fazer um pouco melhor; podemos fazer um pouco mais. Não temos feito o suficiente, pois esta é uma obra grande e boa. Examinai-vos e vede onde estais. Esta obra não pode ser conduzida apenas pela pregação. São necessários recursos para fazer todas essas coisas que o Presidente apontou e que estou tentando repetir-vos, e há muitas, muitas mais, e são necessários recursos para fazê-las todas. O pensamento que desejo deixar convosco é este: temos feito a nossa parte plena? Se não, por que não podemos tentar fazê-la? pois a obra está apenas começando. Em toda verdade, posso dizer que, em seu crescimento e desenvolvimento, ela mal começou ainda. Permiti-me ler do Livro de Mórmon. No capítulo 14 de I Néfi, que não tomarei tempo para ler por inteiro, há uma referência ao próprio hino que cantamos, escrito por Parley P. Pratt. Quando fordes para casa, lede este capítulo 14 de I Néfi. Entre outras coisas que o anjo do Senhor mostrou a Néfi estava isto: ¶
"E aconteceu que eu, Néfi, vi o poder do Cordeiro de Deus que descia sobre os santos da igreja do Cordeiro e sobre o povo do convênio do Senhor, que estava disperso sobre toda a face da Terra; e estavam armados com retidão e com o poder de Deus, em grande glória." ¶
Espalhado por toda parte está este povo, construindo igrejas, como já foi apontado, no leste, no oeste, e nas ilhas do mar. Isso significa permanência para os Santos. Haverá ramos da Igreja por todo o mundo. Em 1906 tive o prazer de ¶
visitar o Velho Continente, em companhia de nosso saudoso e amado Presidente Joseph F. Smith. Na cidade de Berna, na Suíça, realizamos uma reunião do sacerdócio certa noite, na qual o poder de Deus se manifestou rica e verdadeiramente. O Presidente Serge F. Ballif estava presente e é testemunha do que digo. Joseph F. Smith disse: "Não somente teremos igrejas aqui, mas nesta terra da Europa teremos templos do Senhor construídos aqui e ali, por toda a terra." Essa foi a sua predição. Eu creio nela. Creio nesta visão de Néfi; que ele viu o nosso povo espalhado em pequenas comunidades por toda a face da terra. A Igreja de Deus é permanente. Devemos construir estas igrejas. Tenho dito sempre que esta Igreja não pode gastar o seu dinheiro de melhor forma do que na construção de casas de reunião, nas quais o povo possa reunir-se e adorar, pois isso estabelece a Igreja e confere permanência às suas operações. ¶
Vejo que meu tempo expirou. Que o Senhor vos abençoe, irmãos e irmãs, abençoe esta obra, abençoe os seus servos, e que possamos abrir nossos corações e dizer, no mais íntimo de nosso coração, em nossa própria alma: "Sim, farei a minha parte, a minha parte plena. Não devo perder a oportunidade. Esta obra é boa demais, é grande demais. O Senhor me fez participante dela, e agora hei de ser mesquinho e reter o meu auxílio?" ¶
Creio que é o Irmão Golden Kimball quem conta a história de seu pai, que possuía um belo cavalo. O dízimo era pago com cavalos, gado, ovelhas, e tudo o que se podia obter naqueles dias. O cavalo que o Irmão Kimball tinha era muito fino, e ele disse aos meninos: "Creio que vou entregar esse cavalo como dízimo; pagá-lo ao Bispo Hunter." Na manhã seguinte, um dos meninos passeou com o belo animal e quis ficar com ele, mas o Presidente Kimball disse: "Olhe aqui, leve esse cavalo agora mesmo e pague-o como dízimo, antes que meu coração se encolha." ¶
Agora, façamos a nossa parte de boa vontade e lealmente, antes que nossos corações se encolham. Deus vos abençoe. Amém. ¶