Os Caminhos Antigos e o Bom Caminho
Anthony W. Ivins
Os Caminhos Antigos e o Bom Caminho
"Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele, e achareis descanso para a vossa alma. Mas dizem: Não andaremos por ele. ¶
"Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos à voz da buzina. Mas dizem: Não escutaremos. ¶
"Portanto, ouvi, vós, nações; e informa-te tu, ó congregação, do que se faz entre eles! ¶
"Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, a saber, o fruto dos seus pensamentos, porque não estão atentos às minhas palavras, e rejeitam a minha lei."— Jeremias 6:16-19. ¶
Meus irmãos e irmãs, estou diante de vós esta manhã, como disse o Élder Stephen L. Richards que estava ontem, tomado de reverência na presença desta grande congregação de Santos dos Últimos Dias, e na presença de Deus, nosso Pai, que sei estar aqui por meio de seu Espírito. Sinto-me dependente dele, dependente de vós, e do exercício de vossa fé em meu favor, para me ajudar durante os poucos momentos que espero ocupar. ¶
Os Caminhos do Senhor
O caminho, ou senda, ao qual se refere a escritura que li, é o caminho, ou estrada, no qual o Senhor deseja, e sempre desejou, que o seu povo ande. ¶
As Trilhas e os Caminhos dos Homens
As estradas feitas pelos homens entrelaçam o mundo. Têm muitos começos, e algumas delas apresentam curvas intrincadas e tortuosas antes de se alcançar o fim. Algumas são largas e fáceis de seguir, e convergem para outras estradas semelhantes, pelas quais multidões viajam constantemente, multidões que parecem lutar pelo mesmo objetivo, um destino que a história do passado mostra que poucos alcançam. No princípio, essas estradas eram meras trilhas. Os homens sabiam a direção em que desejavam viajar, o destino que desejavam alcançar, mas ninguém havia percorrido a estrada antes deles, nenhuma trilha havia sido aberta, não havia marcos a seguir, e eles seguiam cegamente adiante, muitas vezes rumo ao desastre, e às vezes rumo à morte. ¶
Em seu esforço para alcançar a costa do Pacífico, há menos de cem anos, pessoas pereceram de sede, quando havia água em abundância por perto. Ninguém havia percorrido a estrada antes deles, e pereceram nos desertos de areia, porque não havia trilha a seguir. ¶
Hoje nenhum homem tentaria chegar a Utah partindo de Santa Fé pela rota percorrida por Cárdenas há mais de trezentos anos; aprendemos que o Grande Cânion do Colorado interpõe uma barreira intransponível, uma barreira que não pode ser cruzada, mas sabemos que há outras trilhas que tornam possível a passagem pelo grande cânion e rio. Nenhum grupo de viajantes tentaria chegar à Costa do Pacífico pela rota seguida pela companhia de emigrantes que pereceu no Vale da Morte, em 1849. ¶
As barreiras intransponíveis e as implacáveis armadilhas mortais tornaram-se conhecidas, as estradas e trilhas foram mapeadas, e o viajante, conhecendo o seu perigo, as evita. ¶
As estradas construídas pelo homem são feitas para satisfazer as exigências do seu ambiente. Por elas leva o seu comércio, elas aproximam comunidades distantes e contribuem grandemente para o seu prazer, conveniência e conforto. Tornaram-se tão bem definidas que podem ser percorridas com perfeita segurança e confiança, pois, do ponto de partida ao nosso destino, o caminho está claramente marcado, ainda que nos leve ao outro lado do mundo. ¶
Um Caminho que os Homens Não Têm Desejado Seguir
Há um caminho que a grande maioria da humanidade jamais, até agora, se importou em seguir, apesar do fato de que o destino ao qual ele conduz é mais desejável do que qualquer outro. Desde o período mais remoto da existência do homem, até onde temos registro de sua existência, o caminho tem estado claramente marcado, e o destino ao qual conduz bem compreendido, mas os homens têm dito: não andaremos nele. ¶
Desde o princípio dos tempos, como os contamos, os homens têm demonstrado, por suas obras, que, a partir das influências e ensinamentos do passado remoto, prevaleceu a convicção de que o nascimento para esta vida não é o começo da existência do homem, nem a morte é o seu fim. O povo do mundo, seja civilizado ou selvagem, até onde minha observação e estudo pessoais me permitem julgar, sempre encontrou algum meio exterior de expressão, pelo qual demonstra a sua fé no invisível. Pode ser pela adoração das forças da natureza, o sol, a lua ou as estrelas, ou podem curvar-se diante de imagens de madeira, pedra ou ouro. Seja qual for a forma, essa adoração não é senão a expressão da fé nas forças intangíveis em que o homem crê, e às quais reconhece sua dívida de lealdade e serviço. ¶
A Perpetuidade dos Povos e dos Governos Depende da Fé Religiosa
Não conheço nenhuma grande nação da Antiguidade que não tivesse, em conexão com o seu sistema de governo civil, um código de ética que abrangesse, em suas doutrinas, e tivesse por propósito, os fins que nós, modernos, buscamos nas várias formas de religião em que cremos e que praticamos. A perpetuidade das várias formas de governo que prevaleceram dependia, como dependem todos os governos, inteiramente da fé e da prática ética, ou religiosa, do povo, pois, se havemos de julgar pela história do passado, sem os mais elevados ideais de vida ética, aplicados na administração dos assuntos civis, nenhuma nação pode sobreviver por muito tempo. ¶
A terra em que habitamos foi projetada pelo Criador para ser o lar do homem; e, para o benefício e a bênção de seus filhos, o Senhor marcou claramente o caminho, ou senda, pela qual deveriam viajar. Ensinou-lhes que, sendo ele o Formador do universo, e Pai dos espíritos de todos os homens, detendo domínio sobre a terra, e tudo o que ¶
a ela pertence, nós, em apreço pelas bênçãos de que desfrutamos, devemos reconhecer nossa obrigação para com o Doador, mediante a obediência à sua vontade e reverência às suas leis. ¶
Sabemos que a nossa peregrinação nesta vida é apenas transitória, que devemos passar desta mortalidade, e o Senhor nos ensinou que, pela observância de certas leis simples que ele deu, ou percorrendo o caminho que ele traçou, podemos encontrar o caminho de volta à sua presença, onde, se a nossa conduta na mortalidade o justificar, seremos coroados de glória, imortalidade e vida eterna. ¶
Temos apenas conhecimento limitado do trato do Senhor com o povo antediluviano, mas o suficiente foi preservado para mostrar que, apesar de ele ter enviado profetas entre eles, que os advertiram dos julgamentos vindouros por causa de sua transgressão, eles se recusaram a ouvir, resultando em que, quando veio o dilúvio, pereceram em seus pecados. ¶
Poder-se-ia supor que a terrível experiência pela qual esse povo passou teria sido suficiente para impressionar os filhos de Noé, que estavam entre os sobreviventes, de modo que jamais a esquecessem, mas foi pouco tempo depois de se estabelecerem às margens do Eufrates e do Tigre que já haviam esquecido tanto a sua obrigação para com o Senhor, seu Pai e libertador, que, em sua ira, ele confundiu a sua língua e os espalhou sobre a face da terra. ¶
Um Grande Acontecimento, e um Poderoso Propósito Predito
Foi nesta época que ocorreu um acontecimento de grande importância para nós, o povo a quem é permitido viver nesta, a maior dispensação da história do mundo, nesta terra que é escolhida acima de todas as outras terras. Prevendo que o povo de Babilônia e Nínive não se arrependeria de sua maldade, nem voltaria ao seu serviço, o Senhor tomou uma pequena companhia da grande torre que estava em construção e, sob a liderança de homens inspirados, trouxe-os a esta terra que agora ocupamos. ¶
Que o conhecimento da redenção que viria à família humana por meio da expiação infinita que seria realizada por Jesus Cristo foi possuído desde o princípio pelo povo do mundo é claramente demonstrado pela escritura, e é particularmente enfatizado nas revelações que vieram à Igreja em nossos dias. Para que essa grande verdade não fosse esquecida, o Senhor tem, em várias ocasiões e em diversos lugares, manifestado aos seus servos, seja por sonho ou visão, seja por aparição pessoal, a importância e a necessidade indispensável da fé nela. Naturalmente se seguiu que, com a renovação do antigo convênio, com o pequeno grupo de pessoas que ele designou trazer a um novo mundo, ele devesse novamente esclarecer-lhes essa grande verdade, pela qual suas vidas haveriam de ser governadas, seja ¶
para sua bênção ou condenação, e isso ele fez ao irmão de Jarede, nas seguintes circunstâncias: ¶
A Grande Verdade Esclarecida pela Revelação
Enquanto estava em oração, a voz do Senhor veio a ele, como segue: ¶
"Crês nas palavras que eu direi? ¶
"E ele respondeu: Sim, Senhor, eu sei que falas a verdade, porque és um Deus de verdade e não podes mentir. ¶
"E, tendo ele dito estas palavras, eis que o Senhor mostrou-se a ele, e disse: Porque sabes estas coisas, estás redimido da queda; portanto, és trazido de volta à minha presença; portanto, mostro-me a ti. Eis que eu sou aquele que foi preparado desde a fundação do mundo para redimir o meu povo. Eis que eu sou Jesus Cristo. Em mim terá toda a humanidade luz, e isso eternamente, sim, aqueles que crerem em meu nome; e eles se tornarão meus filhos e minhas filhas. ¶
"E jamais me mostrei ao homem que criei, pois jamais homem algum creu em mim como tu tens crido. Vês que fostes criados à minha própria imagem? Sim, até mesmo todos os homens foram criados, no princípio, à minha própria imagem. ¶
"Eis que este corpo, que agora contemplas, é o corpo do meu espírito; e o homem criei eu segundo o corpo do meu espírito; e assim como te apareço a ti em espírito, aparecerei ao meu povo na carne." ¶
Resultados de uma Antiga Advertência Não Atendida
Por isso vemos, meus irmãos e irmãs, que mais de dois mil anos antes de se manifestar na carne, Cristo mostrou-se a este homem, para que houvesse entre o povo uma testemunha de sua existência e futuro ministério entre os homens. Antes de este povo alcançar o continente americano, o Senhor os advertiu das consequências da desobediência, e deu a conhecer as condições das quais dependeriam, para o êxito ou o fracasso, após a sua chegada aqui. Permiti-me ler: ¶
"E o Senhor não permitiu que se detivessem do outro lado do mar, no deserto, mas fez com que viessem para a terra da promissão, que fora escolhida entre todas as outras terras e que o Senhor Deus preservara para um povo justo. ¶
"E em sua ira havia jurado ao irmão de Jarede que todos os que habitassem esta terra da promissão, daquele tempo em diante e para sempre, deveriam servir a ele, o verdadeiro e único Deus, ou seriam varridos quando sobre eles caísse a plenitude de sua ira. ¶
"E agora podemos ver os decretos de Deus relativos a esta terra, que é uma terra de promissão; e toda nação que a habitar deverá servir a Deus ou será varrida quando a plenitude de sua ira cair sobre ela. E a plenitude de sua ira cairá sobre ela quando houver amadurecido em iniquidade. ¶
"Porque eis que esta é uma terra escolhida entre todas as outras terras; portanto, aquele que a habitar deverá servir a Deus ou será varrido, porque este é o eterno decreto de Deus. E não serão varridos até que a iniquidade entre os filhos da terra chegue à plenitude. ¶
"E isto chega a vós, ó gentios, para que conheçais os decretos de Deus, para que vos arrependais e não continueis em vossas iniquidades até que venha a plenitude; para que não chameis a plenitude da ira de Deus sobre vós, como os habitantes da terra têm feito até agora. ¶
"Eis que esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo." ¶
Basta, neste momento, afirmar que, apesar dessa admoestação, e das muitas manifestações do poder e da misericórdia do Senhor havidas entre eles, os jareditas se recusaram a andar no caminho que o Senhor havia traçado, entraram em transgressão e, finalmente, por meio de guerras e contendas, deixaram de existir como nação. ¶
Mais de mil anos depois de os jareditas terem sido afastados da torre de Babel, o Senhor novamente trouxe uma pequena colônia de pessoas do velho mundo, desta vez de Jerusalém, e os estabeleceu na América, um povo conhecido, e referido nos registros que mantiveram, como os nefitas. ¶
A eles o Senhor repetiu a promessa que havia feito aos jareditas: que os conduziria a uma terra escolhida, que seria a sua herança, e que grande prosperidade os acompanharia sob uma condição, a saber, que fossem devotados ao Deus da terra, que é Jesus Cristo. A doutrina da expiação lhes foi revelada, e, depois de sua ressurreição, o Redentor apareceu e organizou a sua Igreja entre eles. Por duzentos anos após a organização da Igreja, o povo nefita desfrutou de um grande grau de paz, prosperidade e felicidade, mas, como os jareditas antes deles, recusaram-se a andar nos caminhos antigos, e, quando os profetas que o Senhor levantou os advertiram de que o caminho pelo qual seguiam levaria ao desastre, e que o caminho do Senhor estava tão claramente marcado que um viajante, ainda que insensato, não precisaria errar, disseram: Não andaremos nele. Quando os atalaias disseram: Ouvi o som da buzina, que vos chama de volta ao caminho antigo, disseram: Não escutaremos. A desobediência resultou, como sempre resulta, na perda do direito de primogenitura que o Senhor lhes havia dado, e na destruição de outra nação que poderia, se obediente, ter perdurado até o presente. ¶
A Descoberta Moderna da América
Isso nos traz a outra época, ou dispensação, de maior importância para nós, e para o mundo em geral, do que qualquer outra que a tenha precedido. Outro período de mil anos havia decorrido. Quando o Senhor inspirou Colombo a partir da Espanha, e o dirigiu às praias do Novo Mundo, o primeiro passo havia sido dado na abertura da maior dispensação do evangelho que o mundo já conheceu, uma dispensação aguardada pelos profetas antigos, na qual o Senhor disse que consumaria a sua obra, e podaria a sua vinha pela última vez, quando o trigo seria recolhido, e o joio atado em molhos e queimado. ¶
Por meios naturais, como o Senhor sempre opera para a realização de seus propósitos, meios tão simples que os irrefletidos e des- ¶
-crentes não veem a manifestação do seu poder, ele trouxe os puritanos do velho mundo para a Nova Inglaterra, os holandeses para Nova York, os cavaleiros ingleses para a Virgínia e os franceses para Nova Orleans, uma combinação de raças que, por paradoxal que pareça, foi exatamente calculada para nos dar a América composta que fez dos Estados Unidos da América o que são, a maior nação do mundo hoje. ¶
Homens inspirados foram levantados, que nos deram a nossa forma de governo, e o código de leis pelo qual somos regidos, o melhor já concebido pelo homem, até onde podemos julgar. O Senhor tem fortalecido os braços dos patriotas que nos defenderam contra os ataques de todos os que se levantaram contra nós, e nos livrou, até hoje, daqueles que nos teriam despedaçado. Contra toda oposição, às vezes penso que quase contra nós mesmos, o Senhor nos trouxe à nossa condição atual, até que esta nação, como uma cidade posta sobre um monte, se tornasse a luz do mundo. ¶
Havemos de Nos Beneficiar das Experiências Passadas?
Percorri apressadamente a história do passado, que nos traz ao presente, para nós o período mais importante da história do mundo, porque é o nosso dia, o dia em que a condução dos assuntos do mundo, com os quais estamos diretamente associados, nos foi confiada, quando havemos de provar se nos beneficiaremos, ou não, das experiências do passado, evitando as armadilhas em que caíram os nossos predecessores, e aproveitando os marcos que eles colocaram ao longo do caminho que conduz à felicidade e ao êxito, ao mesmo tempo em que evitamos aqueles que a experiência do passado nos ensina que inevitavelmente conduzem à decepção e ao fracasso. ¶
Todas as Instituições e Interesses Dependem da Estabilidade do Governo
O bem-estar da Igreja, e todo outro interesse e instituição do nosso país, depende da estabilidade do nosso governo civil, pelo qual todos os nossos interesses são controlados. Não há nada que chamemos de nosso, nem mesmo a nossa vida, que não esteja sujeito às suas exigências. Por mais que resistamos, ou digamos que não o faremos, ele compele à submissão. ¶
O nosso governo não pode ser melhor do que a sua cidadania, visto que os homens que elaboram e executam as leis são escolhidos dentre o corpo do povo, e, consequentemente, refletem o caráter da maioria do eleitorado. ¶
É Hora de Atentarmos para as Placas de Sinalização da História
Terá chegado o momento em que vale a pena pararmos e nos examinarmos cuidadosamente, em que devemos atentar para as placas de sinalização que a história colocou ao longo do caminho que percorremos? Vale a pena indagar aonde leva este caminho? Ouvir os ¶
apelos daqueles que o percorreram antes de nós, e conhecer as armadilhas mortais espalhadas por todo o caminho, ou havemos de seguir cegamente adiante, ignorando as experiências do passado, até que o caos venha sobre nós, como veio sobre aqueles que ocuparam esta terra escolhida antes de nós? ¶
Retrocedi pelo caminho que leva a Babilônia e Nínive, a Tebas e Mênfis, a Tiro e Sidom, à Grécia e a Roma, e por todo o caminho vi estas palavras de advertência marcadas nos troncos das árvores, e talhadas na face das rochas — Cuidado com a falta de fé num Deus vivo. Cuidado com o egoísmo, com a ambição pessoal, com o orgulho, com o amor ao poder e ao domínio, com o desrespeito à honra dos homens e à virtude das mulheres, pois o fim deste caminho é a decepção e a morte. ¶
Creio que cada alma presente deseja a perpetuidade do nosso governo. Seria motivo de tristeza saber que há aqui alguém que não esteja disposto a dar tudo o que tem para que esse fim desejado seja alcançado. Se isso há de ser realizado, devemos evitar o caminho que aqueles que nos precederam seguiram. Temo, ao contemplar a nossa condição atual, que alguns dos caminhos que estamos trilhando, se continuarmos a segui-los, nos conduzirão à larga estrada da qual poucos retornam, uma vez nela adentrados. ¶
Nossas Negligências e Graves Transgressões
A nossa reverência para com o nosso Pai e Deus não se manifesta em nossa vida como deveria. Em vez de honrarmos o seu santo nome, como deveríamos, nós o profanamos aberta e descaradamente, apesar do fato de ele nos ter dito que não deveríamos tomar o seu nome em vão, e que aquele que assim o faz não será considerado inocente. ¶
Diz-se que apenas os ingênuos e os desinformados creem, ou praticam, a doutrina da oração, e este mandamento antiquíssimo do Senhor, este princípio que abre as portas do céu e nos põe em comunhão com o Pai, por meio de seu Filho Unigênito, tem sido quase inteiramente eliminado do lar americano, e já não é considerado parte necessária, ou sequer apropriada, do nosso sistema de escolas públicas. ¶
Aclamamos ruidosamente a nossa devoção e o nosso amor pelos ideais americanos, e nos apresentamos como cidadãos patriotas e cumpridores da lei, enquanto os próprios homens que promulgam as nossas leis, e são designados para fazê-las cumprir, com demasiada frequência violam a lei, e a confiança neles depositada, como se estivessem isentos daquilo que exigem que outros obedeçam. Nossos agentes de confiança, que têm a gestão dos nossos assuntos públicos, com demasiada frequência se revelam patifes e vigaristas, unindo-se aos homens que professam detectar e processar, para nos roubar daquilo que são empregados para proteger. ¶
Homens versados no conhecimento da lei, com demasiada frequência usam a sua grande erudição, não para sustentar e engrandecer a lei, mas para pervertê-la, e encontrar meios pelos quais possamos escapar de suas justas exigências. Criminosos ¶
confessos, culpados dos crimes mais hediondos, premeditados em sua execução, são soltos sobre comunidades indefesas e cumpridoras da lei, para continuarem suas práticas criminosas contra aqueles que a lei se destina a proteger. ¶
Nestas Transgressões Estamos Percorrendo as Trilhas Marcadas para a Morte
Estamos rapidamente convertendo o dia de sábado, que deveria ser observado como um dia de descanso e devoção, num dia de prazer, em vez de adoração. Estamos nos tornando amantes do prazer, em vez de amantes de Deus? Se assim é, estamos percorrendo uma dessas trilhas marcadas que conduzem à morte, em vez de à vida. ¶
Deus Revelou o Seu Caminho; Andaremos Nele?
Dou este testemunho: que, na época em que vivemos, o Senhor novamente se revelou ao homem. Ele novamente marcou o caminho pelo qual devemos andar. É o caminho antigo, e a voz dos profetas do Senhor tem sido ouvida, clamando ao povo que ande nele, por quase cem anos. O som da buzina tem sido ouvido, mas os homens têm dito: Não andaremos no caminho traçado, nem escutaremos o som da buzina que nos chama de volta da larga estrada que estamos seguindo. ¶
O Caminho, o Decreto e a Vontade de Deus Revelados. O Povo Escutará?
O decreto do Todo-Poderoso a respeito desta terra está em vigor hoje, como estava nos dias dos jareditas e dos nefitas. É um decreto eterno, e nós, como outros povos que ocuparam esta terra escolhida, devemos ser governados por ele, ou sofrer as consequências. Permiti-me concluir as minhas palavras lendo brevemente do Livro de Mórmon. Esta é a escritura do continente americano; o destino desta terra está nela delineado como em nenhum outro livro. O caminho, ou senda, está claramente marcado, ninguém precisa errar se seguir a trilha aberta. É um caminho estreito e apertado, mas fácil de seguir, apesar dos muitos cruzamentos que o interceptam. Todos os pontos de perigo foram mapeados, e o caminho de segurança claramente mostrado. ¶
O homem que selou este registro, e por meio de quem ele nos chegou, disse: ¶
"E agora falo a todos os confins da Terra — se chegar o dia em que o poder e os dons de Deus desaparecerem do meio de vós, será por causa de incredulidade. ¶
"E ai dos filhos dos homens, se for esse o caso. * * * Exorto-vos a que recordeis estas coisas; porque se aproxima rapidamente a hora em que sabereis que não minto, pois ver-me-eis no tribunal de Deus; e o Senhor Deus dir-vos-á: Não vos anunciei minhas palavras, que foram escritas por este homem como alguém que clamasse dentre os mortos, sim, como alguém que falasse do pó? * * * E Deus mostrar-vos-á que aquilo que escrevi é verdadeiro. ¶
"E novamente desejo exortar-vos a virdes a Cristo, e a vos ¶
"apegardes a toda boa dádiva, e a não tocardes na dádiva má, nem no que é impuro. * * * ¶
"E agora, despeço-me de todos vós. Logo irei descansar no paraíso de Deus, até que meu espírito e meu corpo tornem a unir-se, e eu seja carregado triunfante pelo ar, para encontrar-me convosco perante o agradável tribunal do grande Jeová, o Juiz Eterno tanto dos vivos como dos mortos. Amém. ¶