Em uma Grande Presença
Stephen L Richards
Em uma Grande Presença
Estou em uma grande presença. Cercado pela Primeira Presidência e pelas Autoridades Gerais da Igreja, diante daqueles que são designados e separados como administradores da obra do Senhor nas estacas, alas e missões da Igreja, e em meio a outros Santos do Senhor, não é de surpreender que se sinta o peso da responsabilidade de tentar proferir uma mensagem que seja compatível com o Espírito de nosso Pai e aceitável a estes homens e mulheres. Sinto-me sempre reverente neste grande edifício em uma de nossas conferências gerais. Recai sobre nós um senso tão tremendo de responsabilidade, que faz com que se anseie, mais do que sob quase qualquer outra circunstância, pela orientação e pelas inspirações do Espírito Santo, e sinceramente confio que aquilo que eu disser soe verdadeiro a meus irmãos, e em harmonia com os comentários e os testemunhos que já foram dados. ¶
Uma Comparação
Há alguns anos, por cortesia do Irmão Smoot, tive o privilégio de assistir à segunda sessão plenária da grande Conferência de Desarmamento realizada na cidade de Washington, onde representantes das grandes nações da terra se reuniram para considerar planos de limitação dos armamentos e das operações militares. Recordo-me distintamente que, naquela ocasião, fiquei profundamente impressionado com a importância do grande assunto a ser discutido, e com a dignidade dos homens que vieram representar os vários países. Vi homens como Balfour, da Inglaterra, o grande ex-primeiro-ministro, o ex-primeiro-ministro Briand, da França, e o notável Kato, do Japão, e outros dignitários, de pé naquela assembleia, representando e falando por seus povos; e fiquei bastante impressionado com a importância transcendente desses homens e da ocasião. Mas, desde então, tenho pensado que, ao nos reunirmos aqui, nas conferências semestrais da Igreja, tais conferências como aquela a que assisti, e que tanto me impressionou, não têm maior nem mais profundo significado para o povo do mundo do que têm estas assembleias. Aqueles homens se reuniram para representar as nações. Nós nos reunimos para representar Deus e sua obra na terra. Vimos juntos para ouvir a voz de seu profeta e sentir o fluxo de seu Espírito percorrer nosso ser, para nos estimular a mais elevados empreendimentos em seu poderoso serviço, e para nos dar uma visão da grande obra que ele planejou que realizássemos como seus representantes aqui na terra. ¶
Somente Aqui Se Pode Ouvir a Palavra de Deus
Estou ciente de que sempre parece uma coisa altamente presunçosa fazer a declaração de que somente aqui se pode ouvir a palavra de Deus por meio de seus oráculos vivos. De certo modo, é embaraçoso fazer essa declaração, seja a nós mesmos, seja ao mundo. Somos, contudo, constrangidos a fazê-la, porque o próprio Deus assim o disse, e apenas cumprimos nosso dever ao proclamar aos filhos dos homens que aqui, com este povo comparativamente pequeno, se há de encontrar a palavra de Deus, entregue ao povo do mundo, sob a única autoridade existente sobre a terra neste tempo. ¶
Uma Tremenda Responsabilidade
Quando contemplo a tremenda responsabilidade que recai sobre nós como povo, na afirmação e na declaração que assim fazemos, tremo de que não possamos corresponder, no mais alto grau, à plenitude das expectativas do Senhor a nosso respeito. Eu disse que estou em uma grande presença, na presença de meus irmãos do Sacerdócio. Não poderia eu concluir, com segurança, também, na presença de meu Deus vivo? Será irracional pensar que, depois de haver feito estabelecer e organizar sua Igreja no mundo, como fez, ele esteja "escutando" nestas conferências e que, "escutando", igualmente dê inspiração e direção àqueles que se empenham em seu nome em representá-lo e falar sua palavra aos Santos ali reunidos? ¶
A Reverência a Deus É Essencial para a Paz da Humanidade
Há muito tempo estou persuadido de que uma reverência definida, consciente e genuína por Deus é essencial para a paz e a alegria da humanidade, e sei igualmente que jamais haverá uma reverência sadia pelo Senhor a menos que haja compreensão e entendimento a respeito dele. Segue-se, também, que talvez nunca haja pleno entendimento a respeito dele, de sua personalidade, de seus poderes, de seus atributos, a menos que os homens vivam seus mandamentos e façam sua vontade. Para alguns, isso parece uma situação bastante paradoxal, não poder compreender o Senhor sem guardar seus mandamentos, e não poder guardar seus mandamentos sem compreendê-lo. Mas essa é a verdadeira condição sob a qual devemos chegar a uma compreensão e testemunho de sua verdade, de sua supremacia, de sua Paternidade e de seu grande e maravilhoso poder. Não creio que, neste grande país nosso, que tanto foi louvado durante esta conferência, jamais haverá um respaldo satisfatório à Constituição, uma conformidade decente às leis, aos estatutos e às ordenanças, a menos que haja, na base de todo patriotismo e lealdade ao país, uma reverência profundamente enraizada e consciente pelo Deus desta terra. Pode parecer a alguns de meus concidadãos um ponto de vista quase fanático considerar que a religião está tão inseparavelmente associada à origem deste grande governo e à sua existência, a ponto de formar parte integrante da lealdade e da devoção dos verdadeiros cidadãos do Estado; mas eu o afirmo, não obstante. Creio que a América é um país cristão. Creio que os princípios expostos em suas leis fundamentais derivam, conscientemente, do Salvador do mundo. Seus preceitos, seus princípios de verdade e de vida, foram estabelecidos pelos fundadores e pelos pais em nossas leis e estatutos; e a América, a fim de cumprir contínua e satisfatoriamente sua grande missão como nação poderosa, deve conformar-se a essas leis fundamentais e a esses princípios de verdade, em meu humilde parecer. A reverência pelo Senhor não produz a classe de homens e mulheres que hoje atacam as leis fundamentais desta terra. Aqueles que são designados como os Vermelhos, os Anarquistas, aqueles que são hostis às nossas instituições estabelecidas, arrisco-me a dizer que, se todos pudessem ser descobertos e analisados, não seriam homens que amam a Deus, que reverenciam seu nome e que reconhecem seu poder e sua supremacia na terra. Os cidadãos leais deste país, em minha humilde opinião, hão de ser encontrados entre o povo tementes a Deus e que amam a Deus, que ainda confiam nele e o honram, que reconhecem sua grande providência na origem e no crescimento deste poderoso país; e quando a reverência por Deus se desvanecer e ceder, a lealdade, o patriotismo, a devoção ao país, igualmente desaparecerão. ¶
Nosso País e Nossa Igreja Exigem Nossa Lealdade
E este é o pensamento que, primordialmente, eu gostaria de transmitir hoje: que nosso País e nossa Igreja exigem tal lealdade e tal devoção total de nossa alma, que não temos tempo nem energia excedente para dedicar a outros propósitos alheios que, em qualquer sentido, pudessem ser considerados, em menor grau que seja, hostis ao interesse tanto da Igreja quanto do País. Todo Santo dos Últimos Dias encontra dentro da Igreja tantas oportunidades para a expressão de seu serviço, de sua boa vontade e de seu amor por seus semelhantes, que não precisa ir além das organizações e agências da Igreja para encontrar lugares onde possa despender seu tempo, sua energia e seu dinheiro para a edificação da humanidade. ¶
Não pretendo insinuar que certos esforços cooperativos por parte de pessoas engajadas em linhas semelhantes de empreendimento não sejam desejáveis. Creio na cooperação, para o estímulo de nossos mercados e outras vantagens econômicas. Creio na proteção de nosso comércio e na salvaguarda de nossas instituições por meio de formas apropriadas de cooperação; mas sustento que um homem que divide sua lealdade, sua energia e seu empenho por muitas linhas de ação geralmente deixará de realizar algo verdadeiramente significativo em qualquer uma delas. Creio que a antiga mensagem que nos tem chegado por anos e anos, de concentrarmos nosso empenho em difundir o evangelho, em ensinar seus princípios ao povo, em edificar nosso país, em sustentar aquelas grandes instituições que foram inspiradas para resguardar a liberdade, a equidade e a justiça na terra, compreende quase tudo o que um homem pode dar a seu povo, a seu país ou a sua igreja. ¶
Considero lamentável que surjam, em meio ao povo do país, instituição após instituição, reivindicando a lealdade, a devoção e a energia dos cidadãos de nosso país, e, em certa medida ao menos, afastando-os do único verdadeiro objetivo que, em nosso caso, é o estabelecimento da obra do Senhor e a manutenção dos princípios de retidão e justiça no mundo. Todo homem que possui o Sacerdócio de Deus tem o poder de servir a humanidade. De fato, outros que não o possuem também têm poder para servir à humanidade, mas não da mesma forma eficaz. Não podem realizar as ordenanças, as coisas grandiosas e proveitosas tão indispensáveis à felicidade e à alegria dos homens. Mas aqueles que são dotados deste santo Sacerdócio, que são de tal maneira favorecidos por Deus a ponto de compartilhar uma parte do poder pelo qual ele próprio governa o mundo e ministra ao homem, têm o direito de sair em seu nome e realizar sua obra, e essa obra exige todo o seu pensamento, tempo e energia, sua devoção, seu amor e sua lealdade. Estou consciente do fato, ao dizer isto, de que, empenhados como estamos em promover a grande obra do Senhor, temos numerosos deveres seculares — se me é permitido usar essa palavra — a cumprir. Estamos empenhados em empreendimentos e negócios financeiros. Procuramos edificar o país de uma forma e de outra; mas todo verdadeiro Santo dos Últimos Dias faz tudo isso com o olhar fixo na glória de Deus, consagrando, dedicando e devotando todo o seu tempo, talento e energia ao grande propósito de edificar o reino do Senhor. Faz isso mesmo na acumulação de seus próprios bens e propriedades particulares, porque em seu coração existe a disposição de dedicar essa propriedade e, se for necessário, tudo o que vier a possuir, ao estabelecimento da obra de nosso Pai. ¶
Um Apelo por Apoio Indiviso
Meus irmãos, e minhas irmãs também, apelo pelo vosso apoio indiviso à grande obra, que se encontra em condição próspera, conforme relatado pelo Presidente da Igreja, e pelos irmãos que falaram. Temos razão para nos sentirmos encorajados, mas nossa segurança e o progresso eterno da obra dependem de nossa vigilância contínua, de nossa devoção firme e de darmos a esta obra o máximo de nosso talento, pensamento, estudo e reflexão em oração. Sei que a obra receberá esse tipo de consideração. Tenho fé e confiança em meus irmãos. Pessoalmente, sou grato por sua companhia. Quando contemplo o fato de que minha sorte está lançada entre os homens em cujo meio agora me encontro, elevo minha voz a Deus em ações de graças e em gratidão por esse abençoado privilégio. Ao andar entre os Presidentes de Estaca e os Bispos de Ala, sempre digo a mim mesmo: onde mais poderia eu ser lançado em tão boa companhia? Onde poderia eu encontrar homens tão bons, honestos, corretos e nobres, cujo contato com minha vida me eleva e me edifica cada vez que os encontro e ando entre eles? Que Deus abençoe os homens que presidem e dirigem os destinos do povo das estacas, das alas e das missões; e que Deus faça repousar suas bênçãos escolhidas sobre o homem que, sob Deus, dirige os destinos da Igreja. Rogo por ele, sustento-o e o apoio, e sei que Deus dá sua palavra por meio dele. Testifico isto, e apelo, meus irmãos e irmãs, por vosso apoio indiviso, vossa devoção, vossa lealdade de toda a alma às grandes instituições da Igreja e de nosso amado País, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶