Nosso Dever de Ajudar a Perpetuar a Liberdade
George Albert Smith
Verdadeiramente, aqueles que estão reunidos nesta casa nesta manhã têm razão para ser gratos pelas bênçãos que nos cercam. Dificilmente se poderia desejar uma manhã mais bela, e as condições do tempo são tão agradáveis que todos devemos sentir-nos edificados. O privilégio de nos reunirmos com nossos amigos de todas as partes da Igreja é uma bênção que, tenho certeza, é grandemente apreciada. ¶
Nosso Dever de Ajudar a Perpetuar a Liberdade
Neste dia em que o conflito está por toda parte aparente, quando há contenda entre indivíduos de partidos diversos, é agradável para mim, como membro da Igreja, saber que nosso Pai celestial está interessado em nós e em nosso governo. Somos afortunados por termos nosso arbítrio. O Senhor abençoou cada um de nós com intelecto e ofereceu-se para dirigir nossos pensamentos, se a ele nos aproximarmos de maneira apropriada. A mente do homem é afetada por boas e por más influências, e existem no mundo esses dois poderes que têm estado ativos desde o princípio. Sabendo que podemos ser dirigidos por influências apropriadas como membros desta grande Igreja, e como cidadãos deste maravilhoso governo, certamente não nos afastaremos do conselho e da orientação de nosso Pai celestial para seguir aqueles ensinamentos que nos conduziriam à destruição. Sabendo que o Senhor preparou esta terra para que fosse um refúgio de liberdade para os que nela habitam, e compreendendo que ele deseja a continuação daquelas condições pelas quais lutaram os fundadores desta república, nós, que somos membros de sua Igreja, devemos, de todas as formas possíveis, ajudar a perpetuar aquela liberdade que significa tanto para os filhos dos homens. ¶
A Lei Constitucional da Terra Deve Ser Sustentada
Encontramos na Doutrina e Convênios que o Senhor deu a seu povo uma revelação em 6 de agosto de 1833 (D&C 98), que me parece ter relação com as condições que existem hoje em nosso país: ¶
"Em verdade vos digo, meus amigos: Não temais; que se console vosso coração; sim, regozijai-vos sempre e em tudo dai graças; ¶
"Esperando pacientemente no Senhor, porque vossas orações chegaram aos ouvidos do Senhor de Sabaote e estão registradas com este selo e testamento — o Senhor jurou e decretou que serão atendidas. ¶
"Portanto, ele vos faz essa promessa, com um convênio imutável de que serão cumpridas; e todas as coisas que vos tiverem afligido reverterão para o vosso bem e para a glória do meu nome, diz o Senhor." ¶
Quando essa revelação foi dada, nosso povo estava sendo assediado e importunado por aqueles que não aceitavam as revelações do Senhor a nós, e suas vidas se tornavam quase intoleráveis por causa de seus concidadãos, mas reivindicaram as bênçãos de nosso Pai celestial, e nessa revelação ele lhes assegurou que suas orações haviam sido atendidas, e que o cumprimento de sua promessa para com eles, por sua fidelidade, seria certo. Naquela época viviam em Kirtland, Ohio, onde foi erguido o primeiro templo desta dispensação, para a glória de nosso Pai celestial. Ele lhes disse a respeito das leis da terra: ¶
"E agora, em verdade vos digo com respeito às leis do país: É a minha vontade que o meu povo procure fazer todas as coisas que eu lhe mandar. ¶
"E a lei do país, que for constitucional, que apoiar o princípio da liberdade na observância de direitos e privilégios, pertencerá a toda a humanidade e será justificável perante mim. ¶
"Portanto, eu, o Senhor, vos justifico, vós e vossos irmãos de minha igreja, no apoio à lei que é a lei constitucional do país; ¶
"E quanto às leis dos homens, o que for mais ou menos do que isso provém do mal." ¶
Em outras palavras, se deixarmos de sustentar a lei constitucional da terra, transgredimos a vontade de nosso Pai celestial. ¶
"Eu, o Senhor Deus, liberto-vos; portanto, sois verdadeiramente livres. E a lei também vos liberta. ¶
"Mas quando os iníquos governam, o povo pranteia. ¶
"Deve-se, portanto, procurar diligentemente homens honestos e homens sábios; e homens bons e homens sábios devereis apoiar; pois o que for menos do que isto provém do mal." ¶
Não Devemos Ser Desviados por Falácias
Nestes dias de confusão, quando a Constituição de nosso país é atacada por aqueles que não têm compreensão do propósito de Deus a respeito deste grande país, cabe àqueles que compreendem considerar seriamente e fielmente os benefícios que nos advirão por honrarmos e sustentarmos o governo que foi erigido sob a direção de nosso Pai celestial. ¶
Somos um povo adquirido em muitos aspectos, e particularmente somos peculiares neste: cremos que a constituição dos Estados Unidos foi inspirada por nosso Pai celestial, e ele nos disse que suscitou os próprios homens que deveriam elaborar a Constituição dos Estados Unidos. Sabendo disso, não devemos ser desviados pelas falácias de indivíduos cujo egoísmo os inclina a atacar aquilo que nosso Pai celestial preparou para o povo desta terra. ¶
Uma Declaração de Crença a Respeito de Governos e Leis em Geral
Em época bem antiga da Igreja, nosso povo divulgou sua atitude em relação à lei da terra e ao propósito do governo. Creio que tomarei tempo nesta manhã para lê-la a vós. Ela se encontra na D&C, seção 134, e na História da Igreja, vol. 2, p. 247: ¶
"Uma declaração de crença a respeito de governos e leis em geral, adotada por voto unânime em uma assembleia geral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, realizada em Kirtland, Ohio, em 17 de agosto de 1835, com o seguinte preâmbulo: Para que nossa crença a respeito de governos e leis terrenas em geral não seja mal interpretada nem mal compreendida, julgamos apropriado apresentar, ao final deste volume, nossa opinião a respeito da mesma." ¶
E isto é o que nosso povo subscreveu, reunido em conferência: ¶
"Nós cremos que os governos foram instituídos por Deus em benefício do homem; e que ele considera os homens responsáveis por seus atos em relação aos mesmos, tanto na formulação de leis como em sua execução, para o bem e segurança da sociedade. ¶
"Cremos que nenhum governo pode existir em paz a não ser que tais leis sejam feitas e mantidas invioladas, de modo a garantir a todo indivíduo o livre exercício de consciência, o direito e domínio de propriedade e a proteção da vida. ¶
"Cremos que todos os governos requerem necessariamente representantes e magistrados civis para executar suas leis; e devem-se procurar e apoiar pessoas para administrar a lei com equidade e justiça, pela voz do povo, caso se trate de uma república, ou pela vontade do soberano. ¶
"Cremos que a religião foi instituída por Deus; e que os homens são responsáveis perante ele e somente ele, por seu exercício, a menos que suas opiniões religiosas os levem a infringir os direitos e a liberdade de outrem; não cremos, porém, que as leis humanas tenham o direito de interferir na prescrição de regras de adoração para oprimir a consciência dos homens nem de ditar formas de devoção pública ou particular; cremos que o magistrado civil deve reprimir o crime, mas jamais controlar consciências; deve castigar delitos, mas nunca suprimir a liberdade da alma. ¶
"Cremos que todos os homens têm a responsabilidade de suster e apoiar o governo do lugar em que residem, desde que protegidos em seus direitos inerentes e inalienáveis pelas leis de tal governo; e que o motim e a rebelião são inadequados a todo cidadão assim protegido e devem ser punidos convenientemente; e que todos os governos têm o direito de estabelecer leis que, a seu ver, sejam mais adequadas para assegurar os interesses públicos; ao mesmo tempo, contudo, mantendo sagrada a liberdade de consciência. ¶
"Cremos que todo homem deve ser respeitado em sua posição, governantes e magistrados como tais, sendo nomeados para proteção dos inocentes e punição dos culpados; e que todos os homens devem respeito e deferência às leis visto que, sem elas, a paz e a harmonia seriam suplantadas pela anarquia e pelo terror; as leis humanas foram instituídas com o propósito expresso de regular nossos interesses como indivíduos e nações, entre um homem e outro; e as leis divinas foram dadas pelo céu, para prescrever regras sobre assuntos espirituais, para fé e adoração, devendo o homem dar contas de ambas a seu Criador. ¶
"Cremos que governantes, estados e governos têm o direito e a responsabilidade de promulgar leis para a proteção de todos os cidadãos no livre exercício de suas crenças religiosas; mas não cremos terem eles o direito, por justiça, de privar os cidadãos desse privilégio nem de rejeitá-los por suas opiniões, enquanto mostrarem consideração e reverência pelas leis e suas opiniões religiosas não incentivarem motins nem conspirações. ¶
"Cremos que a perpetração de um crime deve ser punida de acordo com a natureza do delito; que o homicídio, a traição, o roubo, o furto e a violação da paz geral, em todos os aspectos, devem ser punidos de acordo com sua criminalidade e sua má influência entre os homens, pelas leis do governo sob o qual o delito tiver sido cometido; e para a paz e tranquilidade públicas, todos os homens devem usar sua habilidade para entregar os transgressores das boas leis ao castigo. ¶
"Não cremos ser justo misturar influência religiosa com governo civil, o que faz com que uma sociedade religiosa seja favorecida e outra, restrita em seus privilégios espirituais; e os direitos individuais de seus membros, como cidadãos, sejam negados. ¶
"Cremos que todas as sociedades religiosas têm o direito de lidar com seus membros, em caso de conduta inadequada, de acordo com as regras e os regulamentos dessas sociedades; desde que tal ação se limite à participação e posição da pessoa na sociedade a que pertença; mas não cremos ter qualquer sociedade religiosa autoridade para julgar os homens quanto a seu direito a propriedade ou à vida; para confiscar-lhes os bens deste mundo, ou para pô-los em perigo de vida ou de danos físicos ou para infligir-lhes qualquer castigo físico. Podem, apenas, excomungá-los de sua sociedade e negar-lhes participação. ¶
"Cremos que todos os homens devem apelar para as leis civis a fim de conseguir reparação de todas as injúrias e agravos, quando se lhes infligirem maus-tratos pessoais ou infringirem-se seus direitos à propriedade ou reputação, onde existirem leis para protegê-los; mas cremos que todos os homens são justificados por se defenderem e defenderem seus amigos e seus bens e o governo de ataques ilegais e de violações de direitos cometidos por qualquer pessoa, quando não se puder apelar de imediato às leis nem se puder obter auxílio. ¶
"Cremos ser justo pregar o evangelho às nações da Terra e exortar os justos a salvarem-se da corrupção do mundo; mas não cremos ser correto interferir na vida dos escravos nem pregar-lhes o evangelho nem batizá-los contra a vontade e o desejo de seus senhores, nem envolver-se com eles ou influenciá-los de qualquer forma, de modo a torná-los descontentes com sua situação nesta vida, pondo assim em risco vidas humanas; tal interferência cremos ser ilegal e injusta e perigosa para a paz de todo governo que permita a escravidão de seres humanos." ¶
Nenhum É Bom Membro da Igreja Se Recusa a Sustentar a Lei da Terra
Senti que, nesta ocasião e neste momento, quando há tanta inquietação em nossa terra, gostaria de ler para vós aquilo que nosso povo concebeu como seu dever para com o governo sob o qual vivia. Ainda cremos que há apenas uma maneira pela qual podemos desfrutar de paz e felicidade, e é observando a lei constitucional de nossa terra, e sustentando essa lei constitucional que foi inspirada por nosso Pai celestial na origem deste grande governo. Há aqueles que estão equivocados na crença de que podem organizar grupos e tomar em suas próprias mãos o castigo daqueles que diferem deles em suas ideias de religião ou governo. Podemos bem compreender que os homens que fazem isso entram em conflito com o sistema ordenado que nosso Pai celestial decretou deveria governar os filhos dos homens. Assim, como Santos dos Últimos Dias, nestes tempos de inquietação, podemos saber que nenhum homem é membro fiel desta Igreja, em plena comunhão, se recusa a sustentar a lei da terra, e se presta de qualquer forma a derrubar esse sistema organizado de leis que foi preparado para o bem da comunidade. O Senhor determina que busquemos homens bons e grandes homens, e que oremos por eles e os sustentemos, para que as leis promulgadas para nosso governo sejam tais que ele se agradaria de aprovar. Este povo pode continuar exercendo um poder para a bênção dos filhos dos homens nesta terra, que será sentido de costa a costa, e de fronteira a fronteira. Sou grato por pertencer a uma Igreja que foi dirigida por nosso Pai celestial a observar a lei constitucional da terra. Sou grato porque os homens que dirigiram esta Igreja foram inspirados pelo Senhor a ensinar obediência à lei. Sou grato porque, na véspera de uma grande eleição, quando devemos escolher aqueles que presidirão os destinos da nação e dos estados, temos a palavra de nosso Pai celestial de que devemos escolher homens bons e honrados, e que o direito de voto com que somos abençoados seja exercido no interesse do governo ordenado, e no interesse da perpetuação de um sistema de leis que continuará a trazer paz, contentamento e satisfação a todos os que habitam nesta terra. ¶
Grato pelas Bênçãos da Liberdade
Esta é a obra de Deus com a qual estamos identificados. Ele estabeleceu sua Igreja neste último dia. Ele nos abençoou com a oportunidade de buscá-lo em oração, e, se formos humildes, ele nos conduzirá a fazer aquelas coisas que promoverão a retidão e o contentamento na vida. Hoje, ao deixarmos esta agradável conferência, sintamos que nos aproximaremos do Senhor, que o honraremos e honraremos o Governo que ele preparou para nós, sob o qual vivemos e no qual ele tem parte na proteção. ¶
Esta Igreja é a obra de nosso Pai. É a defensora do evangelho de Jesus Cristo, e este governo foi estabelecido pela vontade de Jesus Cristo e é parte de seu plano pelo qual os homens podem desfrutar de liberdade e de franquia, e onde todas as fés, crenças e doutrinas podem desfrutar de liberdade e ser responsáveis perante a lei da terra; e onde nenhum grupo de indivíduos pode se voltar contra os direitos e privilégios de seus semelhantes. Agradeço a meu Pai celestial pelo conhecimento de que ele ama a liberdade. Agradeço-lhe pelas bênçãos de paz e felicidade que nos deu nestas colinas eternas. Sou grato por minha companhia com homens e mulheres como os que estão aqui reunidos hoje, e como os que representais por toda esta grande terra. Que o Senhor nos ajude a sermos dignos de nosso direito de nascença, a vivermos vidas tão puras e santas que o adversário não tenha poder para nos tentar, ou nos dirigir a caminhos maus, e que possamos ouvir os sussurros dessa pequena e suave voz, à qual todos os homens bons têm direito, e reconhecer essa voz quando ela vier a nós, pois ela nos apontará o caminho da paz, da felicidade e da vida eterna, é minha oração, e que Deus possa concedê-la a todos nós, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶