Pulpit

A Obra Maravilhosa e o Assombro

Orson F. Whitney

Conferência Geral de Outubro de 1924·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1924-10-03

A Obra Maravilhosa e o Assombro

Setecentos anos antes do nascimento do Salvador, um Profeta de Deus no hemisfério oriental proclamou a vinda de uma obra maravilhosa e um assombro. A razão dessa vinda foi dada pelo Senhor, por meio daquele Profeta, da seguinte forma:

"Porque este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, porém o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído;

"Portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá" — Isaías 29:13-14.

O anjo Morôni, que apareceu a Joseph Smith na noite de 21 de setembro, há cento e um anos, citou esta predição, entre outras, como referente à obra do Senhor nos últimos dias. Ele identificou aquelas palavras de Isaías com o movimento que o mundo hoje chama de "mormonismo".

Fatos Fundamentais

E o que poderia ser mais maravilhoso, mais assombroso, do que os fatos básicos sobre os quais se assenta o "mormonismo"? — a começar pelo aparecimento do Pai e do Filho a um menino de catorze anos, anunciando a abertura de uma nova dispensação do Evangelho; depois a vinda de um anjo para revelar o passado e o futuro ocultos dos continentes americanos, tal como estabelecidos naquele antigo registro, o Livro de Mórmon, que contém também a plenitude do evangelho eterno; a vinda de outro anjo, João Batista, para conferir a Joseph Smith e Oliver Cowdery o Sacerdócio Aarônico, que detém as chaves do ministério dos anjos e do batismo por imersão para a remissão dos pecados; a visitação de três outros mensageiros celestiais, os Apóstolos Pedro, Tiago e João, entregando as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque, o poder de conferir o Espírito Santo aos que forem batizados da maneira certa e pela devida autoridade. Em virtude desses sacerdócios, esta Igreja foi organizada, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (6 de abril de 1830), e assim se ergueu o estandarte para a coligação de Israel disperso, os filhos de Abraão, Isaque e Jacó, para que estivessem prontos a encontrar o seu Deus e Rei, que vem para reinar literalmente sobre a Terra. Depois veio Moisés, para restaurar as chaves da coligação, para autorizar a reunião da Casa de Israel; depois Elias, repetindo a promessa feita a Abraão, de que nele e em sua semente seriam abençoadas todas as nações da Terra — promessa cumprida na vinda de Cristo por meio da linhagem dos patriarcas hebreus, e na dispersão de Israel entre todas as nações, de modo que o sangue que crê, que tem fé no verdadeiro Deus, pudesse ser espalhado pelo mundo, e para que, de toda nação debaixo do céu, pudesse vir, nos últimos dias, alguns do povo escolhido, para edificar Sião nesta boa terra e preparar o caminho diante da gloriosa vinda do Senhor. Finalmente, o Profeta Elias [Elijah], que detém todas as chaves do Sacerdócio, aparece e confere a Joseph e a Oliver "as chaves para voltar o coração dos pais para os filhos, e dos filhos para os pais", a fim de que um elo pudesse ser soldado entre os vivos e os mortos, entre o presente e o passado, e uma obra realizada que, com o tempo, unificará e reunirá todas as coisas em Cristo, tanto no céu como na Terra. O que poderia ser mais assombroso, mais maravilhoso do que isso? E, no entanto, a sabedoria do mundo passa por isso como algo sem valor.

A Atitude da Sabedoria do Mundo

Homens sábios e talentosos virão para o meio do povo de Deus; louvarão a laboriosidade, a economia, a honestidade e a retidão dos Santos dos Últimos Dias; mas parecem não ter nenhuma concepção dos aspectos mais gloriosos da obra do Senhor. Louvam Brigham Young como colonizador, como construtor de cidades, como fundador de uma comunidade; mas nada sabem a respeito de Brigham Young como profeta, vidente e revelador. A agricultura, a mineração e outras coisas temporais, coisas da Terra e do tempo, eles apreciam; mas não tomam conhecimento algum das coisas espirituais, das coisas pertencentes ao céu e à eternidade.

A Visita de Horace Greeley

Muitos anos atrás, uma personagem famosa e proeminente veio a Utah. Era nos dias da diligência e do pônei-expresso, antes de a ferrovia transcontinental cruzar o país, antes mesmo de haver uma linha telegráfica entre o Missouri e o Pacífico. Ele era o fundador e editor de um grande jornal — o New York Tribune. Sua palavra era mais influente do que a do Presidente dos Estados Unidos. Tudo o que Horace Greeley dizia era aceito pelo povo americano quase como a palavra de Deus. Ele veio aqui e passou uma semana ou mais, teve várias longas entrevistas com o Presidente Brigham Young, e, depois de voltar para o Leste, escreveu e publicou um livro intitulado "Através do Continente". Nele, elogiou o povo "mórmon" por sua sobriedade e laboriosidade. Não acreditava que fossem ladrões e assassinos, como lhe haviam dito. Eram sinceros e honestos, disse ele, e haviam realizado uma obra maravilhosa ao povoar o ermo e redimir o deserto. Mas não teve uma só palavra a dizer a respeito das glórias de nossa religião. Por quê?

Um Comentário Católico

Lembro-me de outro visitante notável, um grande erudito, que veio aqui muitos anos depois do advento da ferrovia. Travei boa amizade com ele, e tivemos mais de uma conversa juntos. Admirei sua vasta erudição. Ele parecia saber tudo sobre direito, literatura, ciência, filosofia, e falava uma dezena de línguas com fluência. Disse-me, certo dia: "Vós, mórmons, sois todos uns ignorantes. Nem sequer conheceis a força de vossa própria posição. Ela é tão forte que só há uma outra posição sustentável em todo o mundo cristão, e é a posição da Igreja Católica Romana. A questão é entre o mormonismo e o catolicismo. Se estais certos, nós estamos errados. Se nós estamos certos, vós estais errados. E é só isso. Essas seitas protestantes não têm perna para se sustentar; pois, se estamos certos, nós as cortamos fora há muito tempo, como apóstatas; e, se estamos errados, elas estão erradas conosco, pois faziam parte de nós e saíram de nós. Se temos a sucessão apostólica de São Pedro, como afirmamos, não havia necessidade de Joseph Smith e do mormonismo; mas, se não temos essa sucessão, um homem como Joseph Smith era necessário, e a posição do mormonismo é a única consistente. Ou é a continuação do evangelho desde os tempos antigos, ou é a restauração do evangelho nos últimos dias."

Respondi: "Doutor, concordo convosco em quase tudo o que dissestes; mas não vos enganeis pensando que nós, 'mórmons', não conhecemos a força de nossa própria posição. Nós a conhecemos melhor do que vós; a conhecemos melhor do que qualquer outro povo poderia conhecê-la. Nem todos nós fomos à universidade; nem todos nós falamos as línguas mortas, e podemos ser uns ignorantes, como dizeis, mas sabemos que estamos certos, e sabemos que vós estais errados." Fui tão franco com ele quanto ele havia sido comigo.

Ora, qual era a posição desse homem culto? Ele não conseguia ver o coração do "mormonismo", com toda a sua erudição, suas línguas mortas e vivas, seu conhecimento de ciência, direito e literatura. Ele não conseguia compreender esse grande problema. Por quê? Porque o Deus Todo-Poderoso havia dito a respeito dele e de sua classe: "A sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." Ele pensava que Joseph Smith havia tropeçado em algo cujo verdadeiro valor não conhecia. Nunca se cometeu maior engano, nunca houve erro mais grosseiro. Joseph Smith recebeu seu conhecimento, seu poder e sua sabedoria do Alto. Ele não tropeçou nisso; veio por revelação divina, e ele sabia, melhor do que ninguém, a força da posição "mórmon".

Uma Visão Episcopal

Anos depois, travei amizade com um bispo da Igreja Episcopal, um cavalheiro muito digno e erudito, cuja morte prematura e acidental, nesta cidade, todos lamentamos. Ele me disse, certa ocasião: "Se Joseph Smith, no início de sua carreira, tivesse feito amizade com os episcopais, jamais teria buscado mais nenhuma luz espiritual. Mas, em vez disso, deparou-se com os metodistas, os batistas, os presbiterianos; e seus credos e reivindicações conflitantes confundiram o rapaz, obrigando-o a buscar em outro lugar. Ora, se ele apenas tivesse conhecido o episcopalismo, que tem uma sucessão ininterrupta de autoridade ao longo dos séculos, jamais teria se dado ao trabalho de organizar outra igreja." Tal era a opinião desse homem sábio. O "mormonismo", para ele, era apenas mais um fragmento desprendido da antiga fé cristã. Ele não conseguia compreender a ideia de que fosse a restauração da própria fé cristã antiga.

Uma Teoria Absurda

Mas creio que a tentativa mais rasa e vã de explicar Joseph Smith e o "mormonismo" foi feita por um homem culto que se candidatava a um doutorado pela Universidade de Yale. Ele escreveu uma tese, como base de sua candidatura, tomando Joseph Smith e o "mormonismo" como assunto. E tudo o que ele conseguiu dizer a respeito desta obra maravilhosa e assombrosa foi que um rapaz chamado Joseph Smith, sendo epiléptico, havia caído em uma crise e imaginado que via o Pai e o Filho; imaginado que contemplava anjos; imaginado que os céus se lhe haviam aberto e que ele recebera comunicações do Alto.

Pensai nisso! Eis uma grande organização eclesiástica que desafia a admiração dos homens inteligentes de todo o mundo. Gostaria de ter tempo para descrevê-la, ainda que apressadamente — mas vós já a conheceis. Esta Igreja já foi comparada ao exército alemão, pela excelência e perfeição de sua organização. Isso foi quando a Alemanha tinha um exército — mas, é claro, nenhuma comparação é possível entre a obra de Deus e a obra do homem. Reconhece-se que esta Igreja é uma organização por demais superior, e o "mormonismo", como todos vós sabeis que já a estudastes, está repleto de doutrinas de beleza e sublimidade, incomparáveis em qualquer outro lugar — repleto de ciência, repleto de poesia, repleto de filosofia, repleto de verdade. E, no entanto, este maravilhoso sistema religioso e este incomparável sistema de governo surgiram todos do cérebro desordenado de um rapaz de catorze anos que havia caído em uma crise epiléptica! Há coisas que não precisam de resposta; elas se respondem por si mesmas. Esta é uma delas.

O Espírito que Revela

Há apenas uma maneira de compreender a Deus e as coisas de Deus, e o Apóstolo Paulo deu a nota fundamental quando disse:

"As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.

"Porém Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmo as profundezas de Deus.

"Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus" — 1 Coríntios 2:9-11.

E é por isso que o Espírito de Deus é dado a todo homem, mulher e criança que se une à Igreja de Cristo. Recebemos esse Espírito como dádiva de Deus, porque fizemos a sua vontade. Por isso, "conhecemos a doutrina". Tivemos fé, nos arrependemos de nossos pecados, tivemos nossos pecados lavados pelo batismo, e recebemos o Espírito Santo pela imposição das mãos. Essa é a chave da questão.

Por que Horace Greeley não pôde ver o que vós e eu vemos no "mormonismo"? Por que o Dr. Reiner não pôde vê-lo? Por que o Bispo Spalding ou o Sr. Riley não puderam vê-lo? Porque estavam sem o Espírito que compreende as coisas de Deus. E nós, sem esse Espírito, seríamos igualmente curtos de vista em nossas opiniões, cometeríamos tantos erros quanto os demais homens em relação à obra do Senhor. Não é a nossa esperteza, não é a nossa inteligência nata que nos permite compreender estas coisas. Saímos do mundo gentio. Temos o seu sangue em nossas veias. Não somos mais inteligentes do que eles, naturalmente; mas recebemos algo que eles não possuem; essa é toda a solução. O mérito não é nosso; é do nosso Pai Celestial, que nos deu este precioso dom, o poder de compreendê-lo e a seus propósitos, e de interpretar corretamente a sua palavra.

São João Interpretado

Suponhamos que abríssemos a Bíblia no primeiro capítulo de São João, e lêssemos: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... e o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória." E, então, lêssemos um pouco adiante: "Deus nunca foi visto por ninguém." Quem pode interpretar isso? Evidentemente "o Verbo" significa o nosso Salvador, em quem habitava "corporalmente toda a plenitude da divindade". Ele era Deus na carne, e muitos homens o viram; e, no entanto, João diz, ou é feito dizer: "Deus nunca foi visto por ninguém." Quem pode interpretar isso? Quem pode explicar a aparente contradição?

O Pai e o Filho

É verdade que se poderia mostrar que, quando João disse: "Deus nunca foi visto por ninguém", ele se referia não ao Filho de Deus, mas a Deus, o Pai. Isso é evidente pelo próprio texto (1:14, 18). Mas, mesmo aqui, surge a mesma dificuldade; pois Adão havia visto a Deus, Enoque havia andado com ele, e ele havia aparecido a Abraão, Moisés, Arão e outros, muito antes de "o Verbo se fazer carne" e ser chamado o Filho de Deus "por causa da carne". Joseph Smith viu tanto o Pai como o Filho, mas o mundo sábio rejeita seu testemunho, e a maioria dos crentes na Bíblia se apega à letra morta da declaração de João (que pode ou não ter sido corretamente transmitida), sem atender à admoestação divina: "A letra mata, mas o Espírito vivifica."

A Presença de Espírito de um Rapaz "Mórmon"

Um de nossos rapazes "mórmons", numa missão, foi confrontado com essa questão. Ele acabara de pregar que o Pai e o Filho haviam aparecido a Joseph Smith, quando uma voz gritou: "Deus nunca foi visto por ninguém." O rapaz manteve a presença de espírito. "Claro que não", disse ele, "Deus é um homem de negócios — não se pode vê-lo a qualquer hora; é preciso marcar hora com ele." (Risos.) Ele respondeu a um tolo segundo a sua tolice, mas isso, evidentemente, não é a explicação.

Moisés Explica

Lede o Livro de Moisés. Aquele poderoso homem de Deus teve uma experiência de que a de Joseph Smith foi quase a exata contrapartida. Ele lutou contra Satanás e foi libertado das trevas. Ele viu a Deus, e conta como o viu, nestas palavras:

"Mas agora meus próprios olhos contemplaram Deus; não, porém, meus olhos naturais, mas, sim, meus olhos espirituais, porque meus olhos naturais não poderiam ter contemplado; pois eu teria fenecido e morrido em sua presença; mas sua glória estava sobre mim e eu contemplei sua face, pois fui transfigurado diante dele."

A Visão Espiritual

Foi isso que João quis dizer quando afirmou: "Deus nunca foi visto por ninguém." E foi isso que Paulo quis dizer, ao dizer: "As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu." Significa que nenhum homem, com seus olhos naturais, pode ver a Deus em sua glória. Ele deve usar seus olhos espirituais, os olhos com que "andava por visão" quando era espírito no mundo espiritual, os olhos com que via antes de vir para a Terra e receber seus olhos naturais. Neste segundo estado, em que "andamos por fé", não nos é permitido usar, a todo momento, nossa visão espiritual. Mas, de vez em quando, o Senhor escolhe alguém dentre os homens, e lhe concede esse raro privilégio. O poder de Deus vem sobre esse alguém, transfigura-o, abre seus olhos espirituais, e o constitui vidente no mais alto sentido do termo. Tal homem foi Moisés. Tal homem foi o irmão de Jarede, tal homem foi Néfi, e tal homem foi Joseph Smith. Tem havido muitos homens assim. Eles viram a Deus realmente, literalmente, mas foi com seus olhos espirituais, e não com seus olhos naturais. "O homem natural é inimigo de Deus"; o olho natural não pode contemplá-lo, o ouvido natural não pode ouvi-lo. Mas o olho espiritual pode contemplá-lo, e o ouvido espiritual pode ouvi-lo. Com o Espírito do Senhor sobre nós, podemos ver e compreender a Deus, na medida em que ele escolhe dar-se a conhecer. Esta é a grande característica que diferencia os Santos dos Últimos Dias daqueles que não receberam o dom do Espírito Santo.

Que Deus nos conceda o poder de reter este precioso dom, que compreende todas as coisas, que explica o passado, o presente e o futuro, que nos mostra de onde viemos, por que estamos aqui, e para onde vamos quando deixarmos esta vida, tornando manifestas as coisas de Deus, tanto do tempo como da eternidade. Que possamos manter aceso o fogo, acesa a lâmpada, que o Senhor acendeu dentro de nós, para nos conduzir e guiar a toda a verdade, Amém.

Como citar este discursoOrson F. Whitney, “A Obra Maravilhosa e o Assombro”, Conferência Geral de Outubro de 1924, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1924-10-03). Pulpit Vault, 1924-10-05-orson-f-whitney-remarks-5. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).