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Andrew Jenson
Sinto, meus irmãos e minhas irmãs, que será tarefa difícil para mim, como de fato foi para os oradores que me precederam, sustentar-me contra os amplificadores. As pessoas aqui reunidas têm a escolha entre permanecer sentadas aqui e nos ouvir, ou sair ao gramado para ter um lugar em pé e ouvir o que se passa no Tabernáculo, e a menos que sejamos dotados de um grau incomum do Espírito do Senhor, e assim atraiamos vosso interesse, pode ser difícil manter-vos aqui. Mas sinto que os santos reunidos neste Assembly Hall têm direito às bênçãos do Senhor tanto quanto os que estão congregados no Tabernáculo, pois esta reunião foi designada por autoridade própria, e os oradores selecionados, e é nosso privilégio desfrutar do Espírito do Senhor, sendo privilégio tanto dos oradores aqui quanto dos ouvintes receber o pão da vida. ¶
Regozijo-me com meus irmãos pela excelente conferência que temos tido, até agora, e a última reunião, que agora está em curso no Tabernáculo, é sem dúvida tão interessante e instrutiva quanto foram as sessões anteriores, e confio que todos sairemos sentindo que tivemos uma das melhores conferências que a Igreja já realizou. ¶
Nunca antes, desde que a Igreja foi organizada, tantas pessoas compareceram a uma conferência geral como nesta ocasião, e isso me lembra que faz exatamente oitenta anos hoje desde que o Presidente Joseph Smith, o mártir, também teve ocasião de comparecer à maior conferência que a Igreja já havia realizado até então. Foi a memorável conferência realizada em abril de 1844 (a última conferência a que o Profeta compareceu), ocasião em que ele afirmou que toda a América do Norte e do Sul era a terra de Sião. Até então, alguns dos irmãos haviam tido a ideia de que Nauvoo já estava longe demais do Condado de Jackson, Missouri, que era chamado Sião, ou o lugar para a edificação da Cidade de Sião, e alguns deles tinham dúvidas quanto a viver em Illinois, pensando estar longe demais do Condado de Jackson para serem incluídos na terra de Sião. A declaração do Profeta foi, portanto, boa e oportuna, pois hoje estamos muito mais longe do Condado de Jackson do que Nauvoo está, e ainda assim estamos na terra de Sião, representando, como fazemos aqui, noventa estacas de Sião, todas organizadas nesta terra ocidental desde os dias de Nauvoo. ¶
Espera-se de mim, conforme a designação recebida, que vos diga algo a respeito da importância da história e da necessidade de manter registros. Nós, Santos dos Últimos Dias, temos sido excepcionalmente abençoados quanto a esse assunto, pois o Senhor nos revelou nestes últimos dias alguns dos elos perdidos na história do mundo. Quando fazíamos parte do mundo sectário, alguns de nós fomos ensinados que o Senhor criou o mundo do nada; ¶
mas o Senhor, em novas Escrituras, nos revelou a verdadeira história da criação. Em certa ocasião, o Senhor chamou Moisés a um monte excessivamente alto e ali lhe mostrou suas criações -- os muitos mundos que ele havia criado. Mas disse a Moisés que ele não poderia compreendê-los todos, pois havia tantos mundos que o homem mortal não poderia numerá-los, mas que esses mundos são todos numerados para o Senhor. Deus então disse: "E agora, Moisés, meu filho, falar-te-ei a respeito desta Terra na qual estás; e escreverás as coisas que te direi." (Moisés 1:40). O Senhor então revelou a Moisés como veio a existir a terra em que vivemos. Esta pergunta muitas vezes surgiu: onde Moisés, o primeiro historiador reconhecido, obteve suas informações a respeito da criação do mundo, e também a respeito do dilúvio, de Enoque, de Abraão e de outros patriarcas? Que historiadores haviam escrito livros antes dele, dos quais pudesse copiar? A lenda diz que um grande pilar com inscrições históricas havia sido erguido perto do sítio da antiga Babilônia, junto ao rio Eufrates, mas essa afirmação nunca foi verificada. Os fatos são que o Senhor levou Moisés a um monte alto e ali lhe revelou como a terra veio a existir, e também lhe falou de nosso pai Adão no jardim do Éden, como ele caiu da graça, e ainda mais, que o evangelho que pregamos aqui hoje, e no qual nos regozijamos no momento presente, foi pregado a Adão no princípio, e não veio a existir no meridiano do tempo. João não foi o primeiro homem a batizar, mas Adão foi ensinado o princípio do batismo. O evangelho, tal como o recebemos agora, e tal como o entendemos, foi revelado a nosso pai Adão, foi revelado a Enoque e Noé, foi pregado a Abraão, e foi conhecido em parte nos dias de Moisés. Este conhecimento nos chegou pelo trabalho fiel dos historiadores. Os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo do próprio Senhor em tábuas de pedra, e além disso, Moisés escreveu seus livros, que parecem ter existido em forma fragmentária entre os israelitas por gerações, e quando ocorreu o grande cativeiro babilônico o povo foi disperso, assim como seus registros, e os filhos de Israel perderam por algum tempo sua identidade nacional e seus registros; mas quando os israelitas voltaram do cativeiro babilônico houve uma reconstrução geral dos assuntos, sob a direção de Esdras, o sacerdote, e Neemias, que eram os líderes aceitos do retorno a Jerusalém; e está registrado que o povo se interessou muito por seus registros e genealogias. O seguinte é dos escritos de Neemias: ¶
"E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem na praça, diante da porta das águas, e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel. E Esdras, o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres, e de todos os que podiam ouvir com discernimento ¶
... e leu nele... e Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; e Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo... ¶
e abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé: e Esdras louvou ao Senhor, o grande Deus. E todo o povo respondeu, 'Amém, Amém', levantando as suas mãos; e inclinaram-se, e adoraram ao Senhor, com os rostos em terra... E leram no livro, na lei de Deus, claramente, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse... Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei." (Ne. 8:1-9). ¶
Mal podemos perceber o quanto devemos à história do passado que foi escrita para nosso benefício. Voltando à história da criação, temos uma forma duplicada da mesma no que foi escrito por Abraão, há muitos, muitos anos -- revelado de novo em nossa dispensação. Os escritos de Abraão, que vieram à posse de Joseph Smith em 1835, contêm um relato muito belo da criação do mundo, indo lado a lado com o que, um pouco depois, foi revelado a Moisés. Quando, num mundo sectário, alguns de nós fomos ensinados quando crianças que Deus criou a terra do nada, fomos ensinados o que não é verdade. Os escritos de Abraão nos dizem que o Senhor estava no meio daqueles "que estavam com ele." Isso explica o termo "Deuses" ser usado às vezes em vez da forma singular "Deus". Deus estava no meio de seus associados e lhes disse: ¶
"Desceremos, pois há espaço lá, e tomaremos destes materiais, e faremos uma terra onde estes (os filhos de Deus) possam habitar, e assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar; e os que guardarem seu primeiro estado receberão um acréscimo; e os que não guardarem seu primeiro estado não terão glória no mesmo reino que aqueles que guardarem seu primeiro estado; e os que guardarem seu segundo estado terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre." (Livro de Abraão 3:24-26). ¶
Esta é uma revelação belíssima que nos chegou nestes últimos dias por meio do Profeta Joseph Smith. Frequentemente cantamos: "Ó Deus, o Eterno Pai," "Louvado seja o profeta," etc., em gratidão pelos profetas modernos e pelas revelações modernas, porque essas novas revelações servem de chave para as revelações antigas. O mundo cristão em geral tem um livro, a Bíblia, que não compreende, enquanto os Santos dos Últimos Dias têm quatro livros sagrados, que compreendem, pois o Senhor nos deu a chave em nova revelação tanto para as novas quanto para as antigas revelações. ¶
E aqui temos o Livro de Mórmon. Sabeis que importância se dava aos registros nos primeiros dias do Livro de Mórmon? Ocorre-vos que um certo homicídio justificável foi cometido no interesse da família de Leí, que deixou Jerusalém 600 anos antes do nascimento do Salvador? Lembrais o que aconteceu a Labão, que vivia em Jerusalém na época em que Leí e sua família foram ordenados pelo Senhor a deixar aquela cidade para ir ao deserto, confiando que o Senhor os conduziria a uma terra de promissão bem distante? Depois de terem estado no deserto por pouco tempo, perceberam que não tinham registros consigo. Nem sequer conheciam a genealogia de seus antepassados; mas Labão, seu parente, tinha os registros, e Néfi, o filho fiel de Leí, e seus irmãos, foram ordenados a voltar a Jerusalém para obter esses registros de Labão. Reuniram todo o ouro, a prata e as coisas preciosas que a família havia deixado em Jerusalém no momento de seu êxodo, e ofereceram-nos a Labão em troca dos registros. Mas Labão, vendo o tesouro, foi tentado a possuí-lo, e, depois de obtê-lo, enviou seus servos atrás de Néfi e seus irmãos para matá-los, e certamente teriam sido destruídos, não tivessem conseguido escapar de Jerusalém. Labão ficou com seus bens e guardou os registros. Mas Néfi persuadiu seus irmãos a voltar a Jerusalém mais uma vez e tentar de novo. O Senhor certamente não queria que a família de Leí fosse para essa terra de promissão sem o conhecimento de seus antepassados, pois, nesse caso, correriam o risco de perder não apenas sua genealogia, mas também sua língua e sua religião. Quando os filhos de Leí chegaram a Jerusalém e encontraram Labão na posse das riquezas de que havia roubado a herança de Leí, planejaram novos meios de obter os registros, e, para resumir uma longa história, Néfi foi constrangido, ou melhor, ordenado, pelo espírito, a matar Labão. Era melhor que um homem perverso perecesse do que todo o povo que o Senhor pretendia conduzir à terra prometida, distante, degenerasse na ignorância e na incredulidade. Foi assim que os nefitas ficaram de posse das placas de latão, que, entre outras coisas, continham a lei de Moisés, escritos semelhantes àqueles que fizeram os israelitas nos dias de Esdras e Neemias glorificarem a Deus. Naquela ocasião, a lei de Moisés e outras coisas que haviam sido escritas foram preservadas em benefício dos israelitas que voltaram a Jerusalém, depois de seu cativeiro na Babilônia, para reconstruir o templo e recomeçar sua existência nacional. ¶
E assim os filhos de Leí obtiveram as placas de latão e, em devido tempo, atravessaram as grandes águas rumo à terra prometida. Mas as placas de latão não eram suficientes; o Senhor ordenou a Néfi que fizesse placas próprias -- placas de ouro -- sobre as quais pudesse registrar os feitos de seu próprio povo. Assim Néfi fez um registro em suas placas de como sua família saiu de Jerusalém, como viajou pelo deserto, como construiu um navio, como atravessou as grandes águas, e como finalmente desembarcou neste grande continente ocidental, esta terra da América, que se tornou terra escolhida acima de todas as outras terras, depois que o dilúvio devastou a terra nos dias de Noé. Está registrado agora que Néfi foi fiel em guardar os mandamentos de Deus. Fez até dois conjuntos de placas; num conjunto registrou as coisas que pertenciam ao serviço de Deus, e no outro conjunto de placas, que eram as maiores, registrou a história secular de seu povo, incluindo a história dos reis e alguns dos problemas, contendas e guerras que ocorreram entre os nefitas e os lamanitas. Temos no Livro de ¶
Mórmon uma tradução das placas menores de Néfi, e também temos naquele registro sagrado o resumo feito por Mórmon do texto das placas maiores de Néfi. Estas coisas nos são muito preciosas, e que assim seria bem o compreenderam os profetas de outrora, até mesmo Néfi -- aquele mesmo Néfi de quem já venho falando -- e o Senhor lhe prometeu que, se fosse fiel em registrar a história de seu povo, seus escritos seriam preservados em benefício de sua posteridade. Em seu segundo livro, terceiro capítulo, ele escreve: ¶
"Portanto, o fruto de teus lombos escreverá; e o fruto dos lombos de Judá escreverá; e aquilo que for escrito pelo fruto de teus lombos e também o que for escrito pelo fruto dos lombos de Judá serão unidos, confundindo falsas doutrinas e apaziguando contendas e estabelecendo paz entre o fruto de teus lombos; e levando-os nos últimos dias a conhecerem seus pais e também meus convênios, diz o Senhor." (2 Néfi 3:12). ¶
Esta promessa foi repetida mais tarde. Néfi escreve: "Portanto, por causa disto prometeu-me o Senhor Deus que estas coisas que escrevo serão guardadas e preservadas e passadas a meus descendentes, de geração em geração." (2 Néfi 25:21). ¶
Enos, filho de Jacó (irmão de Néfi), escreve: "E eu tinha fé e roguei ao Senhor que preservasse os registros; e ele fez convênio comigo de que os revelaria aos lamanitas em seu próprio e devido tempo." (Enos 1:16). ¶
Helamã relata que muitos registros eram mantidos das ações dos nefitas. Ele diz: "Mas eis que há muitos livros e muitos registros de toda espécie que foram escritos principalmente pelos nefitas." (Helamã 3:15). ¶
O historiador Mórmon escreve, em seu resumo: "Mas eis que existem outros registros que contêm todos os feitos deste povo; e uma narração mais curta, porém verdadeira, foi feita por Néfi." (Essa é parte do registro que agora temos.) "Por conseguinte fiz meu registro dessas coisas segundo o registro de Néfi, que foi gravado nas placas chamadas placas de Néfi. E eis que faço o relato em placas que preparei com minhas próprias mãos." (3 Néfi 5:9-16). ¶
Lerei mais um trecho. Mórmon, ao narrar a história em seu resumo das placas maiores de Néfi, afasta-se da narrativa histórica ao falar do ministério de Jesus Cristo entre os nefitas, e escreve: ¶
"E agora, nem a centésima parte das coisas que Jesus verdadeiramente ensinou ao povo podem ser escritas neste livro [o resumo de Mórmon]; ¶
"Mas eis que as placas de Néfi contêm a maior parte das coisas que ele ensinou ao povo [de Néfi]. -- ¶
"E escrevi estas coisas, que são a menor parte do que ele ensinou ao povo; e escrevi-as com a intenção de que sejam novamente trazidas dos gentios para este povo, de acordo com as palavras que Jesus disse." (3 Néfi 26:6-8). ¶
Citarei mais um exemplo. O escrivão principal naqueles dias era Néfi, não o primeiro Néfi, mas outro que viveu mais tarde. Um profeta chamado Samuel, um lamanita, havia predito que, quando Cristo ressuscitasse dos mortos, alguns dos santos mortos que haviam vivido em tempos anteriores se levantariam e apareceriam a muitos, e o historiador aparentemente havia deixado de registrar esse fato, e quando Jesus visitou os nefitas em outra ocasião (pois os visitou várias vezes), disse: ¶
"Trazei o registro que vós escrevestes. E quando Néfi lhe levou os registros, tendo-os posto na sua frente, ele olhou-os e disse: Em verdade vos digo que ordenei a meu servo Samuel, o lamanita, que testificasse a este povo que no dia em que o Pai glorificasse seu nome em mim, muitos santos se levantariam dentre os mortos e apareceriam a muitos e ministrariam entre eles. E perguntou-lhes: Não foi assim? E seus discípulos responderam-lhe, dizendo: Sim, Senhor, Samuel profetizou de acordo com tuas palavras e todas elas se cumpriram. E Jesus disse-lhes: Por que razão não escrevestes que muitos santos se levantaram e apareceram a muitos e ministraram entre eles? E aconteceu que Néfi se lembrou de que isso não havia sido escrito. E aconteceu que Jesus ordenou que fosse escrito; por conseguinte foi escrito, como ele ordenou." -- (3 Néfi 23:7-13). ¶
Agora, prosseguindo, irmãos e irmãs, já vos ocorreu que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não poderia ser organizada, ou ao menos não foi organizada, até que o Livro de Mórmon tivesse vindo à luz. Somos chamados "mórmons" hoje, e embora o nome, é claro, seja em certo sentido um equívoco, não o é de todo, porque não havia ninguém conhecido como "mórmon" entre os filhos dos homens na América, ou em qualquer outro lugar, até que o Livro de Mórmon aparecesse, e esse livro veio a existir pouco antes de a Igreja ser organizada. Assim, na realidade havia "mórmons" no mundo antes de haver qualquer Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, pois assim que o Livro de Mórmon foi impresso, Joseph Smith e os que a ele se associavam logo passaram a ser conhecidos como "mórmons." ¶
Verificamos que o Livro de Mórmon continha tantas verdades a respeito do evangelho de Jesus Cristo que, quando o colocamos ao lado do Novo Testamento, e especialmente do que foi escrito por Mateus, Marcos, Lucas e João, temos documentos preciosíssimos. Os escritos desses quatro evangelistas, colocados ao lado do que foi escrito por Néfi e pelos outros historiadores neste continente, dão-nos o que às vezes chamamos de plenitude do evangelho de Jesus Cristo. Isso não implica que nesses dois livros temos tudo o que o Senhor quer que saibamos, pois ele ainda revelará muitas coisas que nos farão sábios para a salvação. Contudo, até que o Livro de Mórmon fosse impresso na língua inglesa, Joseph Smith não estava autorizado a organizar a Igreja, mas com o Livro de Mórmon e a Bíblia, lado a lado, ele compreendeu os princípios do evangelho e como organizar a Igreja, sendo auxiliado pelas revelações que de tempos em tempos recebia do Senhor. ¶
O surgimento do Livro de Mórmon é um tema muito interessante para se falar. Frequentemente proferimos discursos sobre o Livro de Mórmon, e não nos cansamos de nos deter na fidelidade do Profeta Joseph, no testemunho das Três Testemunhas do Livro de Mórmon e também no solene testemunho das Oito Testemunhas. Alegra-nos saber que todos esses homens foram verdadeiros e fiéis a seus testemunhos, e alguns deles, em meio a dificuldades e perseguições, arriscaram tudo pelo fato de que o Livro de Mórmon é verdadeiro. ¶
O registro nefita, que, segundo a profecia, viria da terra, jazeu enterrado no Monte Cumora por 1.427 anos. O povo do qual o livro dá testemunho foi destruído da face da terra e o registro foi selado e enterrado por Morôni -- o último profeta e historiador nefita. Quando finalmente veio à luz, foi como uma voz vinda do solo, ou uma mensagem vinda da sepultura. O Monte Cumora foi aberto, as placas entregues por Morôni (que agora aparecia como mensageiro celestial) a Joseph, que traduziu os registros para o inglês, e o povo logo começou a lê-lo. Era o registro de um povo que já não existia, mas que outrora havia florescido neste continente, e entre os relatos mais preciosos nele contidos estava um relato daquilo que Deus, por meio de seu Filho e de seus profetas, realizou neste continente ocidental. ¶
Agora, irmãos e irmãs, chegando aos nossos próprios dias e dispensação, quero observar que nós, Santos dos Últimos Dias, não estamos destinados a passar pela mesma provação que os nefitas; não seremos destruídos; permaneceremos aqui para sempre; portanto, devemos aprender uma lição dos registros da Bíblia e dos registros nefitas quanto à manutenção de nossos próprios registros. E se não tivéssemos historiadores hoje? Que poderíamos fazer, mesmo agora, para escrever a história do Profeta Joseph Smith tantos anos depois de ele sofrer o martírio? Poderia ser feito, talvez, de algum modo, mas não poderia ser feito corretamente de memória; mas temos um bom registro da Igreja desde o começo, escrito no momento em que os eventos ocorreram. Permiti-me lembrar-vos do fato de que o próprio primeiro mandamento que o Senhor deu à sua Igreja quase imediatamente depois de ela ser organizada foi este: "Eis que se manterá um registro entre vós." Encontrareis esta a primeiríssima frase da própria primeira revelação dada à Igreja depois de sua organização, em 6 de abril de 1830. ¶
Oliver Cowdery, que havia auxiliado o Profeta Joseph Smith na tradução do Livro de Mórmon, foi feito o primeiro escrivão da Igreja. Mais tarde, John Whitmer, uma das Oito Testemunhas, foi chamado para ser o escrivão da Igreja, e desde então sempre tivemos escrivães e historiadores da Igreja. ¶
Agora, irmãos e irmãs, quero enfatizar a importância de manter registros. Deveríamos sentir como Parley P. Pratt que, ao escrever o prefácio de seu Voice of Warning, disse: "Caso o autor ¶
seja chamado a sacrificar sua vida pela causa da verdade, terá o consolo de que se dirá dele o que se disse de Abel, a saber: 'Estando morto, ainda fala.'" Parley P. Pratt está vivo hoje. Foi martirizado em 1857 por um homem perverso, perto da cidade de Van Buren, no Arkansas, mas o Élder Pratt ainda está pregando o evangelho; seu Voice of Warning é lido por milhares e dezenas de milhares hoje. Sua Key to Theology e sua Autobiography ainda são lidas pela juventude de Sião, e, se posso julgar por minha própria experiência, a Autobiography de Parley P. Pratt causou uma impressão mais profunda na juventude de Israel do que qualquer outro livro escrito até agora. Ao dizer isso, não desconsidero nenhuma outra produção literária escrita pelos élderes da Igreja, mas a Autobiography de Parley P. Pratt é, em minha estimativa, edificante à fé do primeiro ao último capítulo, e para mim provou ser, de fato, uma inspiração. Devo à existência e à leitura desse livro grande parte do que sou hoje. Depois de ler esse livro, senti um grande desejo de me tornar um servo de Deus, e em minhas reflexões pensei: por que eu não poderia buscar a Deus e receber bênçãos semelhantes às recebidas pelo Irmão Pratt? Assim, comecei ainda jovem a buscar mais fervorosamente a verdade dos céus do que jamais havia buscado antes, e desejei tornar-me missionário. Quis pregar o evangelho, e o Senhor, nesse sentido, respondeu minhas orações, pois cumpri diversas missões para a Igreja. ¶
Mas tenho me interessado mais particularmente pela história de nosso povo. Há pouco tempo, resumi o número de quilômetros que percorri em minha vida. Isso talvez não signifique muito, pois nossa salvação não depende do número de quilômetros percorridos ou da extensão dos sermões pregados. Mas há, ainda assim, algo interessante ligado ao pregar e ao viajar, quando feitos com um olhar único à glória de Deus; e quando descobri que havia percorrido algo como 469.000 milhas, principalmente no interesse da história da Igreja, senti-me um tanto satisfeito com meus esforços e com o cumprimento de meus deveres nesse sentido. ¶
Agora, quero dizer-vos, meus irmãos e minhas irmãs, que ainda somos pioneiros na causa de Cristo. O "mormonismo" ainda não completou cem anos, e de fato apenas começamos a existir como povo. Um pensamento desejo aqui vos deixar. É este: se algum dia tivestes o desejo de viver nos dias do Salvador e de pertencer àquela Igreja que ele e seus apóstolos organizaram há 1.900 anos, teríeis, após decorridos 100 anos, tido a escolha de uma de duas coisas: ou tornar-vos mártir pela causa do evangelho, ou serdes arrastados pela onda da apostasia. Comparai isso com a afirmação feita nesta conferência de que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nunca esteve em melhor condição do que está hoje, e de que sua associação nunca foi mais numerosa ou próspera do que é no presente. Que podemos dizer da Igreja original à luz da história, depois de ela ter existido cem ¶
anos? Muito pouco restava dela. A apostasia que começou a manifestar-se nos dias de Paulo se espalhara a tal ponto que, depois que as grandes luzes da Igreja caíram como mártires, a grande maioria dos santos se havia afastado do evangelho tal como originalmente ensinado pelo Salvador. Assim, agradecemos a Deus pela dispensação da plenitude dos tempos, e estamos escrevendo a história de um povo como nunca antes se escreveu. Não é a história de um povo antigo, ou de uma dispensação passada, como a da primeira era cristã ou a dispensação de Adão, Enoque, Noé, Abraão e Moisés. Todas essas dispensações tiveram seu tempo, e conhecemos algo de sua história. Mas em nosso caso, a obra do Senhor está aqui para permanecer, e nos incumbe permanecer com ela; e nossos filhos depois de nós, confiamos, continuarão a obra ainda com mais fidelidade e êxito do que nós o fizemos. ¶
Minha mensagem para vós, meus irmãos e minhas irmãs, é esta: vós, e particularmente os velhos veteranos aqui sentados diante de mim (e todos vós sereis velhos, com o tempo), escrevei vossas histórias e biografias. Já sou grisalho eu mesmo. Comecei minha experiência missionária quando era o mais jovem de todos os meus companheiros de missão, mas agora sou contado entre os mais velhos, e gostaria de sentir que não vivi em vão. Não desejo morrer, nunca quero morrer. Sei que morrerei quanto à mortalidade, mas de outra forma quero continuar a viver, e quero deixar algo para a posteridade. Tive o privilégio de escrever alguns livros que penso serão lidos com considerável interesse depois que eu tiver passado para o outro lado; já são apreciados por alguns. E ao pensar em mim mesmo, penso em vós -- vós, pais e mães -- que agora estais vivos, mas que dentro em pouco estareis no mundo espiritual, como eu. Não desejais deixar atrás de vós algo para vossos filhos lerem? Não desejais pregar o evangelho depois de estardes mortos quanto à mortalidade? Se desejais, escrevei vossas histórias. Ditai as experiências de vossa vida a vossos filhos e filhas, para que as escrevam, pois temos entre nós muitos jovens talentosos, nossos filhos, filhas e netos, que sabem escrever bem em inglês. Deixai-os, a partir de vosso ditado, registrar algo de vossa obra de vida, e fazei-o sem demora. Aceitai este conselho oportuno de um de vossos historiadores, que passou toda a vida estudando estas questões. Não vos contenteis em viver o curto período de setenta anos, mas vivei para sempre! Registrai o que Deus fez por vós e por meio de vós, e se tendes um testemunho de que esta é a obra de Deus, legai esse testemunho à posteridade. Creio que quase todos os que aqui estão sentados sob o som de minha voz poderiam dar o mesmo testemunho que os que testificaram deste púlpito -- os oradores destas reuniões. Baseando-me em muitos anos de observação, posso afirmar que nossos filhos e filhas pensarão mais em nós depois que os deixarmos do que pensam agora, quando estamos com eles. Os pais, em regra, não são apreciados como deveriam até depois de terem partido para a eternidade. Então, depois que os ¶
filhos ficam órfãos de pai e mãe, passam a apreciar sua ascendência, e se esforçam por lembrar o que seus pais e mães lhes ensinaram, tanto por preceito quanto por exemplo. Não confiemos aos registros públicos fazer-nos justiça, mas dediquemos atenção especial também a nossos registros individuais, que serão de igual importância para os que viverem depois de nós, e particularmente para nossa própria posteridade, através das gerações vindouras. ¶
Que Deus vos abençoe, meus irmãos e minhas irmãs. Meu testemunho é o mesmo daqueles que já foram dados por meus irmãos que já vos dirigiram a palavra. O "mormonismo" é verdadeiro. Joseph Smith é um verdadeiro profeta. Por meio dele, Deus restaurou à terra o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, e eu, por mim, sinto que devo tudo o que sou na vida, espiritual e temporalmente, a esse evangelho, o evangelho de Jesus Cristo. E sinto-me grato ao pai destes rapazes (referindo-se a dois filhos do falecido Apóstolo Erastus Snow, sentados no púlpito) que veio à Escandinávia em 1850 para apresentar o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo aos habitantes do norte da Europa. Eu então estava no mundo espiritual, e imagino que pensei ser hora de entrar na mortalidade, então pedi a Deus que me enviasse para nascer em 11 de dezembro de 1850, já que Erastus Snow e seus irmãos haviam chegado à Dinamarca em 14 de junho anterior. Não me lembro de ter pedido para ser enviado no momento de meu nascimento, mas posso imaginar tal possibilidade, porque no mundo espiritual eu talvez soubesse algo do que se passava na terra e talvez tenha pedido o privilégio de descer para tomar parte nesta dispensação do evangelho. ¶
Que Deus vos abençoe. Que ele nos capacite a todos a cumprir nosso dever, não apenas em fazer história e manter registros, mas em guardar os mandamentos de Deus em geral, até o fim, para que possamos, por fim, ser salvos no reino de Deus. Este é meu desejo e minha sincera oração, em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶