Pulpit

"Se Esta For a Obra dos Homens"

Anthony W. Ivins

Conferência Geral de Outubro de 1923·Sessão de Encerramento·1923-10-07

Meus irmãos e irmãs: sinto minha dependência do Senhor, ao pôr-me diante desta vasta congregação de Santos dos Últimos Dias. Tenho pensado, desde o início da conferência, que, se fosse necessária uma resposta ao mundo, ao povo do mundo que não compreende, para justificar a fé e as obras dos Santos dos Últimos Dias, estas grandes assembleias de pessoas, que se reuniram nesta ocasião, seriam suficientes.

"Se Esta For a Obra dos Homens"

Pouco depois da morte e ressurreição do Redentor do mundo, quando ele havia comissionado seus discípulos a pregar o evangelho a toda criatura, e o ministério deles já havia começado, foram eles, em certa ocasião, presos e lançados no cárcere. Então o povo veio aos sumos sacerdotes judeus e lhes disse: Estes homens que lançamos no cárcere estão pregando entre o povo, curam os enfermos e fazem os cegos ver, e realizam grandes milagres. Assim, os discípulos foram citados a comparecer diante de seus acusadores, e estes tomaram conselho para matá-los. Então nos é dito aqui em Atos que,

"Mas, levantando-se no Sinédrio um certo fariseu chamado Gamaliel, mestre da lei, venerado por todo o povo, mandou que, por um pouco, levassem para fora os apóstolos;

"E disse-lhes: Homens israelitas, acautelai-vos quanto ao que haveis de fazer acerca desses homens.

"Porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; deste se acercou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada.

"Depois desse levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; e também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos.

"E agora digo-vos: Afastai-vos desses homens, e deixai-os, porque, se esse desígnio, ou essa obra, é de homens, se desfará:

"Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la."

Por Que o Orador Pensou Nesta Citação

Tenho pensado nessa escritura, meus irmãos e irmãs, durante as sessões desta conferência, e particularmente por causa de dois recortes que tenho em minhas mãos, retirados de publicações recentes, um deles de uma revista publicada por uma de nossas mais importantes denominações religiosas; o outro, de um jornal diário. Do primeiro desses recortes, leio o seguinte:

Opondo-se à Igreja

"Somente aqueles que tiveram ocasião de viver por algum tempo numa região inteiramente dominada pelos 'mórmons' são capazes de avaliar, com algum grau de exatidão, a força e o perigo da influência 'mórmon' em nossos estados do Oeste. Jamais ouvi pregar a Cristo, nem a necessidade de um Salvador pessoal. Jamais ouço falar de missionários que saem para converter pessoas a Cristo. Falam apenas em convertê-las ao 'mormonismo.' Nas escolas dominicais e nas escolas da Igreja, a ênfase recai sobre o Livro de Mórmon, e não sobre a Bíblia, e, em um dos textos, dizem-lhes explicitamente que o Livro de Mórmon é autoridade superior à Bíblia."

Por Que Responder?

No recorte do jornal diário, se estiver correto — e não tenho dúvida de que esteja — um homem que se diz mestre de retidão, em um discurso público recentemente proferido, referindo-se particularmente às cerimônias do serviço memorial realizado recentemente no monte Cumora, declarou que a Igreja "mórmon" era a mais ignorante igreja do mundo, e que as cerimônias daquela ocasião, quando se comemorava o centésimo aniversário do aparecimento do Anjo Morôni a Joseph Smith, não passavam de pura tolice. Quando o li, pensei nesta escritura que li de Atos dos Apóstolos. Suponho que a esta congregação de Santos dos Últimos Dias pareceria desnecessário — de fato já ouvi usarem a palavra ridículo — dar atenção a declarações como estas que acabo de citar, e de fato isso é verdade; mas, ainda assim, por vezes torna-se necessário que a Igreja responda a declarações desse tipo, pois há pessoas, muitas delas boas pessoas, pessoas que amam a verdade e a desejam, que são enganadas e fortemente preconceituosas por causa de declarações como esta que citei, feitas por homens em quem confiam. Se essas acusações fossem verdadeiras, se fosse verdade que a Igreja ensina doutrinas que afastam homens e mulheres de Cristo, em vez de os aproximar dele, se fosse verdade que a Igreja incentiva ou de algum modo procura manter seus membros em condição de ignorância, nesta era de esclarecimento e inteligência em que vivemos, essas críticas seriam justificadas.

As Doutrinas São a Melhor Evidência

Mas, se por outro lado não são verdadeiras, se não se fundamentam em fatos, aqueles que as fazem assumem uma responsabilidade muito grave, pois ou discutem questões a respeito das quais não estão informados, e a respeito das quais são ignorantes, transmitindo assim impressões incorretas, ou então deturpam deliberadamente a verdade a fim de predispor seus ouvintes. As doutrinas da Igreja são a melhor evidência do que a Igreja ensina. O próprio Livro de Mórmon é a melhor evidência do que ele é. As opiniões dos homens podem divergir a esse respeito, mas, quando tomamos o próprio livro, quando o estudamos cuidadosamente, quando compreendemos seu conteúdo, ali encontramos a evidência de seu valor, ou de sua falta. Sei que declarações abstratas, seja as minhas a favor do Livro de Mórmon, seja as vossas contra ele, não bastariam para convencer mentes ponderadas, pessoas que desejam conhecer a verdade de seu conteúdo; por isso, recorremos ao próprio Livro de Mórmon. Pergunto-me, e muitas vezes me tenho perguntado, por que pessoas que professam ser seguidoras do Senhor Jesus Cristo, pessoas cuja missão é levar outros à fé na divindade de sua missão, converter o mundo à grande verdade de que ele é seu Redentor — tenho-me perguntado por que homens que dão tanta ênfase a isso haveriam de objetar quando surge outro testemunho, quando se produz outra evidência corroborante que justifica sua atitude e confirma a própria coisa que ensinam; e, no entanto, essa condição sempre existiu.

O élder Roberts declarou-nos esta manhã, melhor do que eu poderia dizer, a importância deste registro das escrituras, particularmente para o povo destes Estados Unidos. É importante também para o povo do mundo, pois foi dado ao mundo. É de importância especial para os remanescentes dispersos da casa de Israel. É de importância especial para o judeu, pois também lhe traz uma mensagem; e todo o peso da mensagem que ele traz é aquela grande verdade de que Jesus de Nazaré, nascido da virgem Maria, crucificado no Calvário e ressuscitado dos mortos, é o Redentor do mundo. A própria página de rosto do livro, se a consultardes, meus irmãos e irmãs, estabelece este fato. Essa página de rosto, aliás, não foi escrita por Joseph Smith; estava inscrita nas placas e foi por ele traduzida tal como a encontrou, e dá ao mundo evidência do propósito de sua preservação. "É um resumo do registro do povo de Néfi, e também dos lamanitas — escrito aos lamanitas, que são um remanescente da casa de Israel; e também ao judeu e ao gentio.

"E também um resumo tirado do Livro de Éter, que é um registro do povo de Jarede, o qual foi disperso na época em que o Senhor confundiu a língua do povo, quando este edificava uma torre para alcançar o céu." O propósito especial da preservação das placas, e da vinda a lume deste registro nesta dispensação, é declarado como sendo: "Para convencer o judeu e o gentio de que Jesus é o Cristo, o Deus eterno, manifestando-se a todas as nações." Esse é o seu propósito.

Testemunho do Livro de Mórmon

Num tempo já distante, quando a verdade foi posta em dúvida, o profeta Isaías disse: "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva." Pela boca de duas ou três testemunhas se estabelecerá a verdade. Assim, vou virar-me e ler aqui, primeiro do livro de Mosias, o testemunho que ali se dá sobre esta importante questão:

"Pois eis que o tempo se aproxima e não está muito longe, em que, com poder, o Senhor Onipotente que reina, que era e é de toda a eternidade para toda a eternidade, descerá dos céus no meio dos filhos dos homens e habitará num tabernáculo de barro; e fará grandes milagres entre os homens, como curar os enfermos, levantar os mortos, fazer andar os coxos, dar vista aos cegos. * * *

"E também seu sangue expia os pecados dos que caíram pela transgressão de Adão, que morreram sem conhecer a vontade de Deus acerca de si mesmos ou que pecaram por ignorância. * * *

"E digo-vos ainda mais, que nenhum outro nome se dará, nenhum outro caminho ou meio pelo qual a salvação seja concedida aos filhos dos homens, a não ser em nome e pelo nome de Cristo, o Senhor Onipotente."

E, no entanto, homens inteligentes, por meio das publicações que enviam ao mundo, declaram que jamais ouviram o povo "mórmon" ensinar Cristo como Redentor pessoal.

Outra Testemunha

Estas palavras de Mosias foram proferidas cento e vinte e cinco anos antes de Cristo, antes de seu nascimento no mundo. Eis outra testemunha: um grande ajuntamento de pessoas se reuniu neste continente, discutindo as palavras dos profetas que haviam declarado que Cristo, depois de sua crucificação em Jerusalém, apareceria aqui, quando ouviram uma voz que parecia vir do céu, declarando o Unigênito do Pai. Erguendo os olhos para o céu, contam-nos que viram um homem descendo, vestido de um manto branco. Ele desceu, pôs-se no meio deles, estendeu a mão e disse:

"Eis que eu sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi testificada pelos profetas. E eis que eu sou a luz e a vida do mundo; e bebi da taça amarga que o Pai me deu e glorifiquei o Pai, tomando sobre mim os pecados do mundo."

Mais uma evidência da divindade da missão do Redentor e de seus ensinamentos neste livro.

Passemos agora, muito tempo depois de sua morte, quando já haviam decorrido quatrocentos anos, a Mórmon, que, escrevendo aqui no livro que traz seu nome, dá este testemunho: "E estas coisas foram-me manifestadas pelo Espírito; portanto, escrevo a todos vós" — dirigido a nós, o povo que vive aqui no tempo em que este registro deveria vir a lume:

"E por esta razão vos escrevo, para que saibais que deveis todos comparecer ante o tribunal de Cristo, sim, todas as almas que pertencem a toda a

família humana de Adão; e deveis comparecer para serdes julgados por vossas obras, sejam elas boas ou más;

"E também para que acrediteis no evangelho de Jesus Cristo, que tereis no meio de vós; e também para que os judeus, o povo do convênio do Senhor, tenham outra testemunha, além daquele a quem viram e ouviram, de que Jesus, a quem mataram, era o próprio Cristo e o próprio Deus.

"E quisera persuadir todos vós, confins da Terra, a vos arrependerdes e a vos preparardes para comparecer perante o tribunal de Cristo."

Meus irmãos e irmãs, eu poderia abrir este livro em quase qualquer capítulo, em quase qualquer página, e ler-vos ali o testemunho de um profeta após outro, desde a época em que Leí saiu de Jerusalém, seiscentos anos antes de Cristo, até quatrocentos anos depois de sua vinda, em que todo o peso do apelo que faziam a seu povo, e o peso do testemunho que davam, era que, no meridiano do tempo, o Redentor viria, e que, por meio dele, os laços da morte seriam rompidos, e o povo do mundo seria redimido da transgressão de Adão. É algo maravilhoso que, diante de tudo isso, os homens possam, de algum modo, associar o Livro de Mórmon, como o fazem, a uma publicação que tende a afastar as pessoas de Cristo e do cristianismo, a despeito de seu conteúdo.

Esta É a Igreja de Cristo

O Bispo Presidente chamou nossa atenção, ontem, para o fato de que esta é a Igreja de Cristo; ela traz o seu nome. Ele abriu, sob a direção do Pai, esta dispensação do evangelho. Esta Igreja foi organizada com o propósito de que o mundo conhecesse o Redentor tal como ele é, e fosse levado ao arrependimento, à redenção e à vida eterna, mediante a obediência a seu evangelho. Parece-me que isso deveria pôr fim às declarações tolas feitas nessa publicação a que me referi. Quero que os jovens e as jovens, se aqui estiverem, que não conhecem o livro, e quero que os membros da Igreja que não conhecem seu conteúdo, saibam que não há necessidade de alarme por causa das coisas injustificáveis que as pessoas dizem a respeito da Igreja, pois, como já disse, a Igreja deve ser julgada pelo que é, e não pelo que as pessoas dizem dela. Aquelas palavras de Isaías, proferidas há mais de dois mil seiscentos anos, são tão aplicáveis a nós hoje quanto o eram ao povo a quem ele falou: "Se eles não falarem segundo a lei e o testemunho, é porque não há luz neles."

Quanto à Ignorância

Agora, meus irmãos e irmãs, apenas uma palavra a respeito da declaração feita por esse pretenso mestre de retidão, de que a Igreja "mórmon" é a mais ignorante igreja do mundo. Quero fazer ao povo do mundo esta única pergunta: podem eles apontar, na história do passado, um caso em que a ignorância e a realização e o êxito tenham caminhado juntos? Estou certo de que a resposta seria não. As pessoas não avançam na ignorância. As pessoas não se desenvolvem na ignorância. Até onde sei, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a primeira instituição religiosa a declarar que "a glória de Deus é inteligência," e não a ignorância; a primeira a declarar que "os homens não podem ser salvos na ignorância." Não pretendo aplicar isso à educação secular, mas é somente por meio do devido desenvolvimento da inteligência do homem, auxiliado pelo dom de Deus, nosso Pai, que os homens podem chegar a compreender seus grandes propósitos, o plano de redenção humana que existe desde o princípio dos tempos, e sua aplicação a nós, que vivemos na dispensação da plenitude dos tempos. Tenho pensado nisso ao contemplar estas grandes congregações de pessoas. Olhando cem anos para trás, indicará o êxito da Igreja a obra de um povo ignorante? Ainda não faz cem anos desde que a Igreja veio à existência. Seus membros, à época de sua organização, eram bem poucos. Estava na pobreza, mas, graças ao Senhor, não na ignorância. A partir daquele pequeno começo, perguntai a vós mesmos: quais têm sido as suas realizações? O povo desta grande congregação está aqui, e é apenas uma pequena representação do todo, tendo vindo para estes vales montanhosos, para um lugar considerado indesejável por todos os demais povos, sem ir para a Costa do Pacífico por causa do ouro que ali havia para atrair as pessoas, nem para as grandes planícies e campos do Oregon, onde era evidente que existia uma terra suscetível de alto grau de desenvolvimento agrícola, mas detendo-se aqui, nestes vales das montanhas, a Igreja se congregou em sua pobreza. Reuniu-se de várias nações, gente pobre, e, a partir deste ponto, estendeu-se para o norte e para o sul, e para o leste e para o oeste, até que cidades, vilas e povoados surgiram. Em cada vale produtivo desta região intermontana, o desenvolvimento intelectual acompanhou o desenvolvimento secular que ocorreu. Precisamos apenas referir-nos, e o fazemos com orgulho, à situação educacional do Estado de Utah hoje. Pode haver estados ligeiramente à frente, pode haver estados que tenham realizado um pouco mais, mas nenhum outro povo, em circunstâncias semelhantes, desenvolveu um sistema de educação igual ao que foi desenvolvido pelo povo destes vales intermontanos, pelos Santos dos Últimos Dias que aqui vieram em sua pobreza. Digo-o sem temor de ser desmentido com sucesso.

Quanto ao Patriotismo e à Devoção

O que mostra o registro de sua história passada, seu histórico como cidadãos devotados e patriotas do país em que vivem? A grande Guerra do México — hoje não a consideraríamos uma grande guerra, embora em certo sentido o fosse naquele tempo — sobreveio justamente quando os Santos dos Últimos Dias se deslocavam em sua pobreza, com suas famílias, em busca de um lar aqui no oeste. Quando veio o chamado por homens, eles os deram a serviço de seu país, coisa com que estamos familiarizados, mas que o mundo pouco conhece. Aqueles quinhentos membros do Batalhão Mórmon realizaram uma marcha que, dizem-nos, não tem precedente na história do mundo, consideradas as circunstâncias em que foi realizada.

Sobreveio a Guerra da Rebelião, e os Santos dos Últimos Dias permaneceram fiéis ao governo, oferecendo e prestando seus serviços. Sobreveio a guerra com as Filipinas, e o povo "mórmon" fez plenamente a sua parte no suportar dos encargos dessa guerra.

Sobreveio então a grande Guerra Mundial. O governo pediu a Utah setecentos e quarenta e seis homens para o Exército dos Estados Unidos. Ela forneceu dois mil duzentos e quarenta e quatro homens. O governo pediu cento e vinte e seis homens para o serviço de fuzileiros navais, e o Estado forneceu trezentos e quarenta e seis. Independentemente disso, Utah forneceu uma bateria de artilharia composta de mil e quinhentos homens. O número total de homens pedidos foi de oitocentos e setenta e dois, em todos os ramos do serviço, e o Estado forneceu quatro mil oitocentos e trinta e um homens. A Cruz Vermelha nos pediu trezentos e cinquenta mil dólares, e demos a ela quinhentos e vinte mil dólares. O primeiro Empréstimo da Liberdade nos atribuiu seis milhões e quinhentos mil dólares, e tomamos nove milhões e quatrocentos mil dólares dessa emissão. O segundo Empréstimo da Liberdade pediu-nos que tomássemos dez milhões de dólares, e tomamos dezesseis milhões e duzentos mil dólares. A Associação Cristã de Moços e outras organizações semelhantes nos pediram cem mil dólares, e demos a elas cento e cinco mil dólares. Pediu-se que fornecêssemos dezessete milhões e cem mil dólares, e demos vinte e seis milhões duzentos e noventa e um mil dólares. O terceiro Empréstimo da Liberdade veio depois disso, no qual se deu uma proporção igual. Isso não inclui as generosas contribuições feitas pelas associações auxiliares da Igreja. Não inclui a grande quantidade de trigo que havia sido acumulada pelas Sociedades de Socorro da Igreja, o único incidente dessa natureza ocorrido na guerra, ou que poderia ocorrer no mundo, pois nenhum outro corpo havia reunido assim uma grande quantidade de trigo que pudesse ser entregue em bloco em caso de emergência, como se fez naquela ocasião.

Não São as Obras da Ignorância

Cito estes números, meus irmãos e irmãs, como parte da evidência. A evidência, a lei e o testemunho estão aqui para mostrar que as obras dos Santos dos Últimos Dias não têm sido obras de gente ignorante. Eu mesmo já estive numa terra onde, por trezentos anos, havia existido o que se chamava um alto grau de civilização. Não vi um único arado que não fosse feito de madeira e puxado por bois, com o jugo amarrado aos chifres. Não vi uma carroça moderna, mas as antigas carroças e os antigos arados com que o povo lavrava e carregava seus fardos no vale do Nilo, milhares de anos atrás. Vinte anos depois de estabelecidas oito pequenas colônias "mórmons" no norte do México, elas já haviam realizado mais, no que se refere ao progresso e ao desenvolvimento daquele povo na introdução de métodos modernos de agricultura, maquinário agrícola moderno e variedades aprimoradas de frutas e grãos, do que se havia realizado desde os dias da conquista; evidência suficiente da inteligência, da integridade e da laboriosidade dos Santos dos Últimos Dias. "Pelos seus frutos os conhecereis." Isso sempre me pareceu uma lei definida e certa. Gente ignorante não realiza a obra dos intelectuais, nem vice-versa.

Assim, pergunto-me qual pode ser o processo mental pelo qual um homem chega à conclusão de que os Santos dos Últimos Dias são o povo mais ignorante do mundo. Não é coisa nova; vem acontecendo desde o princípio dos tempos, desde a organização da Igreja, e creio que continuará a acontecer da mesma forma; e isso é outra coisa que o Livro de Mórmon aqui nos diz que ocorrerá, e mais uma das evidências da veracidade deste livro, pois parece prever quase toda crítica que se possa fazer. Morôni, o último a nele escrever, diz:

"O Senhor ordenou aos homens, sim, o próprio Jesus Cristo.

"E eu disse-lhe: Senhor, os gentios farão zombaria destas coisas, em virtude de nossa deficiência na escrita; pois, Senhor, tu nos fizeste poderosos na palavra pela fé, mas não nos fizeste poderosos na escrita; pois fizeste com que todo este povo muito pudesse falar, por causa do Espírito Santo que lhe deste:

"E fizeste com que pudéssemos escrever só um pouco, em virtude da inabilidade de nossas mãos. * * *

"E depois de eu ter dito isto, falou-me o Senhor, dizendo: Os tolos zombam, mas lamentarão; e minha graça basta aos mansos, e eles não se aproveitarão de vossa fraqueza."

Isso tem-se exemplificado muitas vezes na história da Igreja.

Este livro, como já se testificou, é a própria personificação do espírito do americanismo. Ouvimos muito falar disso hoje em dia. Em sua simplicidade, ele estabelece aqueles princípios fundamentais da democracia sobre os quais toda forma republicana de governo deve basear-se e fundamentar-se. Ensina-nos que não deve haver rei a ditar sobre esta terra. Ensina-nos que a vontade do povo, a voz do povo, deve governar, e que as minorias devem submeter-se às maiorias. Ensina-nos também que pode chegar o tempo em que as maiorias se desviarão, "e quando esse tempo chegar," diz o Senhor, "então meus juízos pesarão sobre este povo."

Pés Sobre Terreno Seguro

Ora, meus irmãos e irmãs, onde existem divergências de opinião, seja em relação a nossos assuntos temporais, seja em relação a assuntos espirituais, ou à fé em Deus, pela qual esperamos alcançar a vida eterna em sua presença, deve haver alguma lei básica à qual possamos recorrer e da qual não haja mais apelação, que seja o fim da controvérsia; do contrário, eu poderia afirmar e vós poderíeis negar, e a controvérsia jamais cessaria. No que se aplica a nossos assuntos civis, às coisas temporais e ao seu controle, esse tribunal é a lei civil, a lei que nós mesmos fizemos. No que se aplica a Deus e a seus propósitos, a lei é a sua palavra escrita e falada. Dela não pode haver apelação justa. Assim, nos assuntos civis honramos, respeitamos e sustentamos a lei civil, e nas coisas que pertencem à palavra do Senhor aderimos à sua palavra escrita, tal como está contida aqui na Bíblia e no Livro de Mórmon. O Livro de Mórmon está diante do mundo já há quase cem anos. Ninguém jamais apontou nele um erro de princípio. Os homens podem ridicularizá-lo, podem zombar dele, mas isso não constitui argumento nem evidência. São os últimos argumentos a que sempre recorrem os vencidos — o ridículo, o abuso, a deturpação; e suponho que serão empregados contra nós.

Assim, sinto que nossos pés estão sobre terreno perfeitamente seguro, que tudo o que se tem dito em testemunho da divindade da missão de Joseph Smith, e da vinda a lume do Livro de Mórmon, é verdadeiro. Sei que é verdadeiro, não obstante as opiniões dos homens em contrário. Virá o tempo em que os homens saberão que é verdadeiro — assim como as últimas palavras do livro nos dizem que virá. Permiti-me ler esta última comunicação para concluir meu discurso. São estas as palavras de Morôni:

Um Convite para Vir a Cristo

"Exorto-vos a que recordeis estas coisas; porque se aproxima rapidamente a hora em que sabereis que não minto, pois ver-me-eis no tribunal de Deus; e o Senhor Deus dir-vos-á: Não vos anunciei minhas palavras, que foram escritas por este homem como alguém que clamasse dentre os mortos, sim, como alguém que falasse do pó?

"Eu anuncio estas coisas para cumprimento das profecias. E eis que elas sairão da boca do Deus Eterno; e sua palavra sibilará de geração em geração.

"E Deus mostrar-vos-á que aquilo que escrevi é verdadeiro.

"E novamente desejo exortar-vos a virdes a Cristo e a vos apegardes a toda boa dádiva; e a não tocardes na dádiva má, nem no que é impuro.* *

"Sim, vinde a Cristo, sede aperfeiçoados nele e negai-vos a toda iniquidade; e se vos negardes a toda iniquidade e amardes a Deus com todo o vosso poder, mente e força, então sua graça vos será suficiente; e por sua graça podeis ser perfeitos em Cristo; e se pela graça de Deus fordes perfeitos em Cristo, não podereis, de modo algum, negar o poder de Deus.

"E novamente, se pela graça de Deus fordes perfeitos em Cristo e não negardes o seu poder, então sereis santificados em Cristo pela graça de Deus, por meio do derramamento do sangue de Cristo, que está no convênio do Pai para a remissão de vossos pecados, a fim de que vos torneis santos, sem mácula.

"E agora me despeço de todos. Logo irei descansar no paraíso de Deus, até que meu espírito e meu corpo tornem a unir-se e eu seja carregado triunfante pelo ar, para encontrar-me convosco no agradável tribunal do grande Jeová, o Juiz Eterno tanto dos vivos como dos mortos. Amém."

Como citar este discursoAnthony W. Ivins, “Se Esta For a Obra dos Homens”, Conferência Geral de Outubro de 1923, Sessão de Encerramento (1923-10-07). Pulpit Vault, 1923-10-49-anthony-w-ivins-remarks-53. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).