Discurso de Charles W. Nibley
Charles W. Nibley
Tenho assistido à conferência neste tabernáculo com bastante regularidade desde o ano de 1867. Isso são cinquenta e seis anos. Posso dizer com toda a sinceridade que, em todos esses anos, jamais assisti a uma sessão de abertura de conferência melhor do que a que tivemos ontem de manhã, que foi a sessão de abertura desta conferência. Nunca o poder da presidência, o poder e o espírito do Espírito Santo, o poder de Deus, se manifestaram de forma mais evidente à congregação dos Santos do que naquela reunião de ontem de manhã. Assim também, em cada uma de nossas reuniões, tivemos um rico derramamento do Espírito do Senhor. ¶
Como Santos dos Últimos Dias, de modo algum somos o que deveríamos ser no que diz respeito a viver nossa religião e guardar os mandamentos de Deus; e, no entanto, creio que, em geral, o Senhor aprova a obra e os labores de seus Santos fiéis. Alegra-me relatar que os dízimos do povo aumentaram um pouco em relação ao que eram há um ano atrás nesta época, e que o povo parece estar mais fiel em observar essa lei e pagar seus dízimos enquanto tem os meios para pagá-los, mensalmente, ou em qualquer época, sempre que os meios chegam às suas mãos. Parecem estar mais fiéis em honrar o Senhor contribuindo para esta obra por meio do pagamento de seus dízimos. ¶
Esta obra está crescendo e é um poder na terra; um poder para o bem e não para o mal. É um instrumento de paz e boa vontade. Trabalha comigo e convosco, por meio dos professores das alas e de outras maneiras, para termos paz em nossos lares; paz na família. E isso, digo eu, é uma coisa boa, pois, afinal, o lar é o fundamento da sociedade civil; da própria civilização; e não conheço nenhuma outra organização no mundo que trabalhe tanto com a humanidade, com seus membros individual e coletivamente, para que possamos ter paz e boa vontade e boa ordem e bom governo, quanto esta organização faz. É bastante verdade, como o Élder Stephen L. Richards nos declarou esta manhã, que esta organização chamada "mormonismo" é uma contribuição distinta e adicional para a estabilidade e permanência de nosso governo civil. Não é uma organização em oposição a nenhum governo, nem a nenhuma igreja, aliás, pois nos é ordenado aqui, no livro de revelações dadas por meio do profeta Joseph Smith, não contendermos contra nenhuma igreja, salvo a igreja do diabo, o que significa que devemos contender contra a iniquidade e o pecado e tudo o que os acompanha, mas que não devemos contender, não devemos brigar, não devemos lutar entre nós ou com nossos vizinhos e amigos que não são de nossa fé, nem com qualquer igreja ou qualquer organização, seja qual for. Nossa missão é a paz e a boa vontade; a boa ordem; a segurança da vida e da propriedade e o progresso geral da comunidade. ¶
Surpreende-me, meus irmãos e irmãs, e deve surpreender, penso eu, a todo estudante de história, saber da oposição que uma organização deste tipo enfrenta, com uma intenção tão justa e produzindo resultados tão excelentes, como são evidentes a todo o mundo; que os homens não podem deixar de ver -- as boas obras que foram realizadas por esta organização. É surpreendente, digo eu, que ainda encontre tanta oposição. É verdade que, quando algo assim surge no mundo e se propõe a ser o que o mundo até então não havia recebido: a ser um pouco melhor, por assim dizer, ao menos em pensamento avançado, e também na realização de resultados para o bem que até então não haviam sido alcançados: e algo à frente de tudo o que o mundo já recebeu; é natural, digo eu, que se levante contenda contra isso por um curto período, até que seu significado, propósito e realizações possam ser um pouco mais claramente compreendidos. É verdade que, quando as pessoas vêm até nós e dizem: aqui temos algo melhor do que o que tendes, isso que tendes era bom, em seu tempo, e foi uma sinceridade uma vez, mas "mudastes as leis, transgredistes a ordenança e quebrastes o convênio eterno." Agora vos trouxemos de volta os antigos, verdadeiros e eternos princípios, restabelecidos com autoridade divina. Naturalmente, isso desperta na natureza humana um espírito de ressentimento, pois a natureza humana, sabeis, raramente muda; mas quando a coisa foi posta à prova e demonstrada; quando existiu e cresceu por quase cem anos, e suas obras são evidentes, e seus princípios são conhecidos por todos os homens que os examinarem com mentes sem preconceito, não deveria receber consideração mais favorável? No entanto, mesmo agora, neste século vinte, com meios de informação e comunicação entre países e povos como nunca antes, o conhecimento aumentado até que livros e jornais são publicados aos milhões, muitas pessoas correndo de um lado para outro, pessoas vindo e indo e visitando, aprendendo e conhecendo a nosso respeito; ainda assim, num país tão liberal como a Inglaterra, pôde levantar-se, e levantou-se durante o ano passado, tal clamor, erguendo-se ali na boa e velha Inglaterra liberal, sobre as grandes e terríveis coisas que os "mórmons" estariam fazendo, trazendo navios carregados de moças jovens para serem feitas esposas polígamas, e todo esse tipo de disparate e absurdo que qualquer um que se desse ao trabalho de investigar, qualquer um com inteligência apenas comum, saberia que era absolutamente absurdo e ridículo, e ainda assim foi acreditado por milhões. ¶
Recordo-me de que, há cerca de cinquenta anos, depois que a Estrada de Ferro do Pacífico foi construída através de nosso país, o Governador Stanford da Califórnia, presidente da Central Pacific Railroad, com quem tive ocasião de me relacionar algumas vezes, fez esta declaração, e creio que a fez também ao próprio Presidente Young; mas esta declaração eu ouvi, que ele considerava que os valores das propriedades da Central Pacific Railroad, como então se chamava, estavam mais seguros no território de Utah, em consequência da presença ali da Igreja "mórmon", do que os valores das propriedades de suas linhas em outros estados da União. Isso foi há cinquenta anos. Desde então, temos sido, e estamos sendo, muito melhor conhecidos quanto ao nosso propósito; quanto à nossa intenção; quanto à retidão do povo. Durante estes cinquenta anos, inúmeras vezes, homens que tiveram grandes interesses, grandes investimentos, homens de proeminência, de elevado caráter e grande capacidade, homens que não se deixam contratar por pequenas somas de dinheiro, mas que exigem os maiores salários, disseram repetidamente, e ouvi um deles dizer em substância a mesma coisa nas últimas semanas: "Consideramos vossa organização uma contribuição direta à segurança, à observância da lei e da ordem, àquilo que é permanente, e a apreciamos." Essa é a voz daquela classe de homens; o juízo dos quais, direi, para parafrasear a linguagem de Hamlet, o juízo dos quais deve, em vossa opinião, pesar mais do que uma multidão inteira de outros -- outros que são exaltados, de boca larga, estridentes, difamadores, clamando contra a Igreja, queixando-se da Igreja. Prefiro aceitar o juízo dos homens a quem me referi do que o juízo destes outros. Há alguns entre nós, e sempre haverá, suponho, de vez em quando, um aqui e outro ali, um assalariado estridente e exaltado, aqui e ali, cheio de som e fúria, que se levanta e difama e tenta destruir a Igreja, sem significar nada. Não valem nada. Fazem-me lembrar de uma história que meu amigo católico, Joseph Geoghegan, costumava contar. Contava a história de um irlandês que veio para este país e conseguiu um bom emprego. Escreveu de volta ao seu amigo: "Pat", disse ele, "vem para cá. Consegui um trabalio elegante. Oh, é um trabalio lindo. Estou derrubando uma igreja protestante, e me pagam por isso." Assim é também o caso de alguns destes outros que ganem tão alto contra a Igreja "mórmon". ¶
A Igreja "mórmon", como organização, representa a paz. Foi organizada pelo próprio Príncipe da Paz. Ela subjugará o mundo pelo processo da paz -- não da força. Alegrou-me notar que o Presidente Coolidge, outro dia, e fiquei bastante surpreso com o pensamento avançado que ele expressou, falando da Cruz Vermelha, disse: "Aqui está uma organização que vai fazendo o bem sem qualquer coação; sem qualquer força. Em nosso governo civil, ainda somos obrigados a usar a força, mas a lei superior é assegurar a cooperação e a harmonia da sociedade pela persuasão moral e sem o uso da força." Ora, é exatamente isso que a organização da Igreja "mórmon" está fazendo. Não há força, neste sentido, no evangelho de Jesus Cristo; nenhuma coação, seja qual for. Todo homem e toda mulher são absolutamente livres -- livres para fazer o que quiserem em relação à Igreja; para viver nela; para obedecer a seus princípios e pagar dízimos ou não, como lhes aprouver, mas são persuadidos e constrangidos pelo poder do Espírito do Senhor; são gratos por serem impelidos por um espírito que vem de Deus, e que lhes ensina a render obediência voluntária à retidão de seus princípios. Se há algo amável, ou de boa fama, ou louvável, buscam essas coisas. Esse é um dos artigos de nossa fé, e assim digo a meus descontentes amigos não "mórmons": possuí vossas almas em paciência! A Igreja "mórmon" veio para ficar. A Igreja "mórmon" está aqui para cumprir sua missão, que é uma missão de paz; que contribui para o bom governo; para a boa ordem; para a vida reta; para tudo o que constitui uma civilização superior e melhor. E está alcançando grandes resultados a esse respeito. Não é bom, pensais vós, que uma organização tenha trazido milhares e dezenas de milhares de terras distantes, de todo o mundo, e os tenha implantado aqui? Estão infinitamente melhor aqui. Possuem suas próprias casas; possuem sua própria terra; são homens livres, mulheres livres. Tudo isso não é bom? É isso que todas as nossas Câmaras de Comércio, Clubes Comerciais e outras organizações desse tipo procuram -- trazer pessoas que construam lares; que ajudem a construir o país, cultivem o solo e aumentem a produção das coisas necessárias à vida. Digo que tudo isso é bom. Creio que todos -- até mesmo aqueles amargurados em suas almas mesquinhas contra a Igreja -- devem reconhecer isso. Pois é bom. Então, o que há de errado nisso? Não consigo encontrar nada na disciplina da Igreja que seja errado. Nada nos princípios da Igreja que seja errado. Indivíduos podem, por vezes, errar. Vós e eu, podemos errar, e o fazemos, sem dúvida, às vezes, mas os princípios que governam esta organização; tudo o que esta organização representa, contribui para a retidão e para o bem-estar dos cidadãos deste país, para aquilo que o Élder Richards tão vigorosa e claramente nos apontou esta manhã, o estabelecimento, a sustentação, a manutenção do governo destes Estados Unidos. É para isso que esta organização existe. Repito, é para trazer paz ao mundo, não contenda. Começa, como disse antes, no lar. Espalha-se para a pequena comunidade governada pelo bispo da ala; todos os instrumentos, todos os poderes do Sacerdócio que possam ser usados para promover o bem-estar pela persuasão; pela longanimidade; pela bondade e pelo conhecimento, pelo amor não fingido; nenhuma força, nenhuma coação! Tudo isso é usado para promover o bem-estar da humanidade. Que coisa esplêndida é estar empenhado numa obra deste tipo. Estes são os instrumentos que nossa Igreja usa todos os dias para trazer o estabelecimento do reino de Deus na terra, e digo que isso é uma coisa esplêndida, a melhor em que o homem pode se empenhar. ¶
Outro dia, um cavalheiro muito proeminente de Nova York, que administra grandes interesses neste estado, disse-me: "Por meio de vossa organização, pareceis ter os pés mais firmemente assentados no chão, com mais daquilo que promove segurança e proteção, bem aqui em Utah, do que encontramos em qualquer outra parte do país." ¶
Irmãos e irmãs, permiti-me dizer, ao encerrar, que temos registrado que o profeta Joseph Smith disse que viria o tempo em que, por meio de organizações secretas tomando a lei em suas próprias mãos, não sendo governadas pela lei ou pelo devido processo legal, mas tornando-se lei para si mesmas, quando, por essas atividades desintegradoras, a Constituição dos Estados Unidos seria de tal modo dilacerada e rasgada, e a vida, a propriedade, a paz e a segurança seriam tidas em tão pouco valor, que a Constituição, por assim dizer, penderia por um fio. Mas ele nunca disse, até onde sei, que esse fio seria cortado. Creio, com o Élder Richards, que esta Constituição será preservada, mas será preservada em grande parte em consequência do que o Senhor revelou e do que este povo, ao escutar o Senhor e ser obediente, ajudará a realizar, para estabilizar e dar permanência e efeito à própria Constituição. Essa também é nossa missão. É também para isso que aqui estamos. Glorio-me nisso. Louvo a Deus de todo o meu coração e alma por ser membro dela. ¶
Sei que a obra é verdadeira. O Senhor a estabeleceu. Sabeis isso também, e quando as mãos dos élderes, nas águas do batismo, foram postas sobre vossas cabeças e vos foi dito: "Recebei o Espírito Santo", recebestes e continuastes a receber, até que se desenvolveu em vós um poder, uma potência, um espírito que, quando a ele vos rendeis e por ele viveis, vos torna melhores em todos os sentidos. Sabeis que é o poder de Deus para a salvação, deste povo, desta nação, e de todo o mundo, e virá o tempo, como declarou o profeta da antiga Bíblia, em que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Cristo, para a glória de Deus, o Pai. Mas isso nunca se fará pela força. O joelho se dobrará de bom grado, se dobrará com alegria, e reconhecerá que aqui está o melhor governo; aqui está o melhor que já se produziu na terra em termos de bom governo e boa ordem e segurança e justiça e retidão e misericórdia, assim como os homens agora reconhecem, aqueles homens pensantes e sábios que investigaram este sistema, que aqui está o melhor que se pode encontrar em qualquer lugar. Assim, com o tempo, em todo o mundo, o joelho se dobrará, o reconhecimento será feito, não pela força nem pela coação, mas de bom grado, com lealdade, com gratidão e louvor a Deus, porque ele estabeleceu assim sua obra, para que o homem veja o que ele fez, e glorificarão seu nome e a ela aderirão. ¶
Que o Senhor apresse tudo isso em seu tempo, rogo humildemente, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶