Pulpit

O Espírito e o Poder de Deus com a Igreja

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Outubro de 1923·Sessão Matutina do Primeiro Dia·1923-10-05

Eu estava justamente pensando naquela parte do hino que temos cantado, que diz: "O que mais poderia ele dizer, além do que já vos disse? Vós que a Jesus, por refúgio, fugistes." Sinto-me repleto de alegria, satisfação e testemunho a respeito da grande obra em que estamos empenhados, e regozijo-me na força e no poder, física e espiritualmente, possuídos por nosso amado Presidente, Heber J. Grant. Posso dar meu humilde testemunho da verdade e da inspiração do maravilhoso discurso que ouvimos, e, ao dizer isso, apenas expresso debilmente os sentimentos desta grande congregação.

O Espírito e o Poder de Deus com a Igreja

Regozijo-me no Senhor meu Deus. Estou repleto de gratidão em minha alma hoje por todas as suas misericórdias para comigo, e posso ver muitas dessas coisas que existirão no dia em que o "véu sobre a terra" não apenas "começará a romper-se", mas quando se romperá sobre toda a terra, revestida da luz de Deus, abençoada com a presença de seu Redentor e Rei, e todas as coisas serão sujeitas a ele, que é nossa cabeça viva. Louvado seja Deus nesta manhã pelas coisas que ouvimos do líder deste povo. É evidente que o Senhor está com ele, como esteve por muitos e muitos anos, e que o mesmo espírito e poder trazido à terra do alto pela presença do Pai e do Filho, por meio do Profeta Joseph Smith, estão aqui hoje, e estiveram com a Igreja desde o momento de sua organização até o presente momento.

Os Sucessores do Profeta Joseph, Homens de Deus

Aqueles grandes homens que sucederam o Profeta Joseph Smith na presidência desta Igreja foram, de fato, homens de Deus. Conheci todos eles pessoalmente, como o Presidente Grant testificou a respeito de seu próprio conhecimento deles. Eu conhecia esses homens; conhecia seus sentimentos privados, suas almas mais íntimas. Fui intimamente relacionado com cada um deles, e compartilhei a alegria de sua confiança e de sua boa vontade, e das manifestações de Deus a eles em particular, bem como em público. Posso testificar, como estou disposto a fazer perante todo o mundo, que eles eram de fato homens de Deus, revestidos do poder daquele santo Sacerdócio restaurado à terra nos últimos dias por meio de mensageiros divinos enviados do alto para introduzir a obra da última dispensação da plenitude dos tempos. Sou muito grato por estar aqui nesta manhã. É melhor do que qualquer outra coisa que possa imaginar, estar aqui com esta grande congregação e ouvir as palavras de inspiração que nos chegaram hoje. Regozijo-me no passado, sinto-me repleto de felicidade e paz no presente, e minha alma está repleta de alegre expectativa por causa do futuro. Sei que esta é a obra de Deus, e sei também um pouco do que será quando aquele véu de cobertura for retirado, e a luz do Senhor brilhar do alto, do Altíssimo, e a terra for redimida e revestida de sua glória e de seu poder. Sou grato por este testemunho em meu coração. Sei que ele veio, não de nenhum grande esforço meu, de nenhuma grande habilidade ou erudição minha, mas pela palavra do Senhor a mim. Sei que ele esteve comigo em todos os dias de meu ministério nesta Igreja. Fui ordenado élder da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, de acordo com um certificado que carrego comigo, no dia seis de janeiro de 1851, e daquele tempo até o presente senti que sou um Élder em Israel, um servo do Deus Altíssimo, que fui dedicado ao seu serviço em qualquer lugar e em todo lugar e em todos os tempos, sob todas as circunstâncias e estações, em todas as nações da terra; e reconheci as bênçãos do Senhor, sustentando-me em todos os esforços que pude fazer para o avanço desta grande causa divina no mundo. Sei que o Senhor está com este povo, que esteve com ele desde o princípio, que esteve com aqueles que foram chamados para conduzi-lo desde o princípio, e que continuará a fazê-lo. Sei que ele estará conosco, cada um de nós, se cumprirmos as coisas que nos foram ensinadas nesta manhã. Elas não são novas, de modo algum; entregues de uma forma nova, talvez, e de maneira impressionante que chega diretamente a nossas almas, mas são a palavra do Senhor e foram entregues a este povo desde o tempo da organização da Igreja; e a obra tem se desenvolvido gradualmente, tornando-se maior, mais forte, mais poderosa, tendo mais influência na terra.

Satisfação no Progresso da Obra do Templo

Quando ouvimos esses alegres relatos a respeito da propagação da obra em terras estrangeiras, isso nos dá satisfação e nos dá coragem para continuar

avançando e fazer nossa parte na grande causa. A construção desses templos que foram dedicados ao Senhor é uma marca maravilhosa da obra do Senhor, e de sua promessa para conosco. A construção do templo de Alberta — alguns o chamarão de templo de Cardston, ou templo canadense, mas é o templo de Alberta, esse é o seu nome — a construção dessa estrutura em solo inglês é uma indicação para nós do que o Senhor fará. Os templos não se limitarão inteiramente a Sião, ainda que isso possa abranger tanto a América do Norte quanto a do Sul. A obra se estenderá a outras terras à medida que o véu sobre a cobertura continue a romper-se. O espiritual e o temporal, o celestial e o terreno, estarão mais próximos, unidos, e virá o tempo em que teremos bastante trabalho a fazer, na estação milenar, os mil anos, o "dia do Senhor", quando recebermos comunicações do sacerdócio por trás do véu para o sacerdócio na terra, nos templos que serão erguidos. Naquelas santas conversações sobre as quais lemos nas revelações de Deus, a respeito da construção de uma casa para ele, aquele dia não está muito distante, como o Senhor vê as coisas. Pode ser um bom tempo, como nós as vemos, mas são reais, e aquilo que Deus prometeu a respeito delas certamente se cumprirá. A maravilhosa obra que está em andamento nesses templos agora é apenas uma indicação daquilo que há de vir. A construção do templo no Havaí mostra que vamos aos gentios, como fomos convidados a fazer algumas vezes por nossos bons amigos cristãos, indo às ilhas do mar, cumprindo o mandamento do Senhor. Essas coisas serão aumentadas e multiplicadas, e templos serão construídos no norte e no sul, no leste e no oeste, de modo que tudo o que precisa ser feito na grande obra de redenção pelos mortos, bem como pelos vivos, seja realizado e trazido a efeito exatamente como foi revelado pelos profetas.

Nosso Dever Hoje

A grande coisa para nós, Santos dos Últimos Dias, hoje, reunidos aqui em conferência, representando o povo que não pôde vir até aqui — pois este é um corpo representativo em conferência reunido, representando os Santos em todas as estacas de Sião — a coisa que devemos fazer é tomar a palavra do Senhor hoje, fazer aquilo que o Senhor exige de nós, obedecer a seus mandamentos, andar em obediência a seus preceitos, manter-nos na linha do dever, no caminho estreito e apertado, e não desviar para o lado, para a direita ou para a esquerda, e não nos envolvermos naquelas alianças enredantes que alguns de nosso povo desfrutam com as instituições do mundo. Não desejo dizer uma palavra sequer contra essas instituições estabelecidas no mundo, no âmbito da caridade, da literatura, da ciência, da ciência verdadeira, ou da arte, ou de qualquer coisa que se chame religião, ainda que não seja grande coisa como religião, mas seja benéfica em sua esfera; não diria uma palavra contra elas. Mas, quanto a nós, o que devemos fazer, élderes em Israel, servos do Deus vivo, chamados por Deus nos últimos dias para deter esta divina autoridade de pregar o evangelho a todo o mundo, a toda nação, tribo, língua e povo? Isso é o que esses templos significam para mim. Esta foi a palavra do Senhor desde o princípio. O

evangelho foi trazido do céu à terra para todo o mundo, e é nosso dever zelar para que chegue lá, tanto quanto pudermos.

Cremos em Jesus Cristo; Esta É a Sua Igreja

Ora, qual é o nosso dever? Nosso dever é andar no caminho reto, descobrir a vontade do Senhor e fazê-la, na medida de nosso poder, na fraqueza de nossos corpos humanos, ensiná-la a nossos filhos, criá-los no temor do Senhor, mantê-los no caminho. É uma coisa triste quando nosso povo se desvia para organizações que não estão em consonância com a palavra do Senhor e seus caminhos. Não é bom estar enredado com elas, meus irmãos. É bom permanecer nesta Igreja. Quando entramos nela, fomos batizados nela por completo, dos pés à cabeça, todos nós, corpo e espírito. A alma do homem entrou na água do batismo, e assim pertencemos ao Senhor. Tomamos sobre nós o nome de Jesus Cristo, nosso Redentor; pertencemos a ele, e ele nos comprou pelo preço de seu próprio sangue. Dizer que não cremos em Cristo é tão ridículo que não precisamos dizer nada para tentar refutá-lo. Esta é a sua Igreja; ele a começou; ele tem continuado com ela; ele está com ela hoje. O Espírito manifestado hoje no líder da Igreja é o Espírito de Cristo. Não sabeis disso? Tenho certeza de que sim. Não preciso dizer mais nada sobre isso. Sentis isso não apenas "em vossos ossos", mas na alma de vós, no espírito de vós. Está dentro de vós. Sentis que o Espírito de Deus esteve conosco aqui hoje, e esteve com o presidente durante toda a sua administração, e ele está crescendo com os anos. Está se tornando mais jovem em mente e corpo, e está repleto de luz, vida e poder, e tenho orgulho de estar associado a ele. Graças a Deus pelo privilégio. Agradeço a Deus por ser membro desta Igreja. É um privilégio maravilhoso. É uma grande bênção do alto ser batizado em Cristo, tentar revestir-se de Cristo na vida, no trabalho, no espírito, na energia e no poder; estar com ele e sentir que posso aproximar-me de Deus, o Pai, por meio dele, e ter comunhão com ele, bem como com meus irmãos e irmãs na Igreja. É por esse Espírito que o Senhor tem me abençoado e me guiado através dos anos que passaram, e bendigo, louvo e glorifico seu santo nome na congregação hoje.

Sião Prosperará Independentemente dos Esforços de Seus Opositores

Sei que esta obra continuará, e sei que tem prosperado no passado, neste sentido que estou prestes a mencionar, e continuará no futuro. O Senhor prometeu que tudo o que se formar contra Sião não apenas não prosperará, mas será convertido em bem-estar e benefício para Sião. Ora, ficai certos de que assim será; que os esforços atuais feitos por aqueles que não são dos nossos, mas que são contra nós, sejam quais forem, digam o que disserem, serão revertidos, ao final, para a glória de Deus e a salvação dos homens, por meio e através desta Igreja e de seu sacerdócio. Isso é tão certo quanto o sol nascer pela manhã, depois de parecer se pôr à noite. Esta obra continuará e continuará, e a veremos, se vivermos

o suficiente na terra, e suponho que o veremos se partirmos. Não sei quanto veremos quando saírmos do corpo, mas veremos muito mais do que podemos enquanto estivermos no corpo. Mas veremos esta promessa cumprida. Todos esses esquemas, esses planos e conspirações, e todos esses esforços ridículos que estão sendo feitos se mostrarão tão ridículos, tão débeis, tão falsos, que se reverterão para o bem desta obra em que estamos empenhados, para a glória de Deus e a salvação dos homens. Portanto, não vos deixeis desanimar por nada que se diga contra a Igreja ou seus líderes. Isso foi dito desde o princípio, desde o início. Antes mesmo de Joseph Smith receber orientação para organizar a Igreja, foi atacado pelas pessoas mais religiosas de sua vizinhança. Mas as coisas que disseram contra ele acabaram por reverter-se para fortalecê-lo na mente de pessoas decentes, razoáveis e religiosas, e assim será no futuro. Não precisamos nos preocupar com isso. Preocupemo-nos apenas com nossas próprias vidas e trabalhos, e com o cumprimento de nossos deveres.

Não Precisamos Nos Preocupar. Nossos Deveres São Claros.

Eles são muito claros. Estão registrados, a maior parte deles, por escrito. Podemos lê-los na Doutrina e Convênios. Desejo que todos os nossos élderes, sacerdotes, mestres e diáconos se familiarizem plenamente com a Seção 107 da Doutrina e Convênios. Muitos deles não sabem muito a respeito dela. Está ali, no livro que lemos, e todas as revelações nele contidas têm, aos meus ouvidos, o som do evangelho da luz e do amor de Deus, e do poder de Deus para a salvação. Ora, meus irmãos, familiarizemo-nos com o que o Senhor revelou, e tomemo-lo em nossas almas. Reconheçamos e sintamos que somos parte desta obra, uma parte verdadeira, viva e ativamente atuante. Todo homem chamado a deter o Sacerdócio é chamado por Deus a trabalhar nesta grande causa dos Últimos Dias, que Deus revelou, e se tomarmos o conselho que recebemos nesta manhã de nosso Presidente, a quem cabe o direito de nos dirigir, estaremos indo corretamente o tempo todo. Tenho certeza disso.

Celebração do Centenário das Visitas de Morôni

Agradeço ao Senhor pela grande manifestação de seu poder no monte Cumora e no Bosque Sagrado. Estive nesses lugares e senti a importância das coisas que ali aconteceram, na vizinhança do monte Cumora, que os irmãos visitaram, e no cume da qual realizaram uma esplêndida reunião, com a participação de muitas pessoas que não são de nossa fé. Essa reunião comemorava um dos acontecimentos mais maravilhosos já ocorridos neste mundo. A primeira coisa de importância nas revelações de Deus nos últimos dias foi a manifestação do Pai e do Filho naquele Bosque Sagrado ao menino Joseph. A seguinte em importância, e como abertura da obra dos últimos dias, foram as visitas do Anjo Morôni ao Profeta Joseph, em seu quarto. Ao ser lembrado em sua alma da importância da mensagem que já havia recebido, e sentindo que não havia sido fiel e verdadeiro ao espírito dela em sua própria vida, embora

não tivesse feito nada de muito grande consequência que fosse errado, ele humildemente confessou a Deus — e por isso sabereis, diz o Senhor, quando um homem se arrepende, "eis que confessará seus pecados e se afastará deles." Esse é o verdadeiro arrependimento. Joseph se arrependeu, e, nesse estado de espírito, veio essa visitação angélica. Compreendo isso, em certa medida. Tive o que chamo de sonhos, algumas pessoas os chamam por outros nomes. Posso ver aquele acúmulo de luz naquele aposento do Profeta Joseph Smith. Posso ver a forma do Anjo Morôni surgindo bem naquela luz, não de pé sobre o chão, mas acima do chão, de modo que Joseph pudesse vê-lo e à bela glória que envolvia sua personalidade, e dou testemunho de que ele era um ser real, que veio de fato ao Profeta Joseph. O que ele revelou tem, em grande medida, se cumprido, e aquilo que não se cumpriu virá a se cumprir.

Lede o relato dessa visão. O Irmão Ivins a leu aqui no tabernáculo, há um domingo passado. Lede-a vós mesmos. Está publicada na Pérola de Grande Valor, exatamente como Joseph a revelou ao mundo. A visão ou revelação que ele recebeu do Pai e do Filho está ali contada com suas próprias palavras. Segue-se então o relato das visitações do Profeta Morôni, três vezes distintas numa mesma noite. Morôni, sentindo-se impelido a repeti-la para que Joseph não a esquecesse, acrescentando outras coisas que ele próprio não havia pensado quando veio pela primeira vez. Três vezes apareceu ao Profeta. Foram aparições reais, e o que Joseph viu e o que ouviu vinham de Deus. Morôni foi um mensageiro do alto. Houve uma pequena discussão, disseram-me, entre alguns de nossos irmãos que frequentam alguma classe de sacerdócio, a certa distância do centro desta cidade, sobre a maravilhosa questão de saber se foi Morôni ou Mórmon quem selou os registros chamados Livro de Mórmon. Ligaram para um amigo meu às onze horas da noite, depois de discutir por três horas, para saber qual era a resposta certa; e ele respondeu: "Ora, tendes cantado isso nos últimos quarenta ou cinquenta anos: 'Selado pela mão de Morôni, por eras repousou, aguardando a ordem do Senhor, do pó a falar de novo.'" Sim, temos cantado isso, e quanto sabemos, às vezes, do que estamos cantando? Menciono isso apenas para que recordemos o que cantamos, o que oramos, e o que concordamos em fazer, quais são os nossos convênios, para que estamos aqui. Passamos bastante tempo, creio eu, em algumas de nossas aulas, discutindo assuntos que não são de muita importância. Não me importa muito se foi Morôni ou seu pai Mórmon quem selou o registro, embora seja melhor ser preciso e correto em todas as coisas. Cuidai de estar certos, e não acrescenteis ao que Deus revela. Quando falardes sua palavra, dai-a como ela é.

Necessidade da Compreensão Adequada da Escritura

Ora, meus irmãos, aquela foi uma visitação real que veio a Joseph, e, se a lermos com atenção, veremos como maravilhosamente foram abertas

e prefaciadas as coisas que haviam de vir na produção do Livro de Mórmon, em sua aceitação por almas devotas à oração e em sua rejeição pelo mundo. Muitas coisas de grande importância foram reveladas a Joseph naquela ocasião, e estão registradas nessa simples declaração dele, que podeis ler nesta Pérola de Grande Valor, que é um documento preciosíssimo, pois contém revelações dadas a Moisés, o Profeta, sobre as coisas no princípio, quando a terra foi feita, primeiro espiritualmente e depois temporalmente. Muitas coisas estão no Livro de Gênesis, que, historicamente, foram evidentemente tradições entre o povo, durante o tempo desde Adão até Moisés, o que foi mais de vinte e quatro séculos — não vos esqueçais disso — e muitas histórias são contadas a respeito de coisas que ocorreram, e temo que algumas delas estejam misturadas num mesmo capítulo, coisas diferentes ocorrendo, dispostas de tal forma que, às vezes, ficamos um pouco enganados em nossas opiniões a respeito delas. Quanto à manifestação de Deus a Abraão, não há necessidade de dizer que um daqueles três homens de que lemos em Gênesis 18, que vieram a Abraão quando ele estava sentado à porta de sua tenda no calor do dia, e comeram vitela com ele, era Deus Todo-Poderoso. Não há necessidade de supor isso, e, se lerdes o capítulo com atenção, vereis que a conversa de Deus com Sara e Abraão naquela ocasião poderia estar inteiramente separada da história daqueles três homens. Menciono isso apenas porque alguns de nossos élderes têm usado esse capítulo como argumento para provar que nosso Pai celestial é um ser de tabernáculo, e podem prová-lo sem recorrer a essas narrativas ali contadas ou em outro lugar.

Ora, penso que é uma coisa muito importante receber a palavra do Senhor tal como nos chega, tal como podemos lê-la, tal como podemos recebê-la em nossos próprios corações; mas não lhe acrescenteis nem lhe tireis nada. Guardemos a palavra do Senhor e preguemo-la ao mundo. Fomos chamados para isso. Este é o nosso "ofício"; este é o nosso negócio. Todo élder da Igreja, todo homem que detém o Sacerdócio, é chamado a ser um ministro de Deus, entre os povos, para dar o melhor exemplo que puder, considerando as fraquezas da natureza humana. Nenhum de nós é inteiramente perfeito; mas esperamos "avançar rumo à perfeição", guardando a vontade e a palavra do Senhor. Pouco a pouco chegaremos àquela posição em que receberemos nossos corpos, vivificados pelo poder de uma vida sem fim, e eles se tornarão espirituais; e nossos espíritos, que são os filhos e as filhas de Deus, serão neles corporificados, para continuarem — para continuarem, para serem irrestritos em sua existência unida; não por um tempo ou uma estação; espírito e elemento inseparavelmente ligados, recebendo uma plenitude de alegria. E virá o tempo em que receberemos aquela grande glória, uma ressurreição de nossos corpos mortais para se unirem espiritualmente com nossos seres espirituais, os filhos e as filhas de Deus, e toda a eternidade estará diante de nós e nos abrirá glória, honra, poder, domínio e aumento, perpetuamente, para todo o sempre. Isso é o que nos há de vir, e nos compensará por todas as dificuldades e provações pelas quais somos chamados a passar, às vezes, neste estado mortal. Podemos deixá-las passar.

Devemos Pregar o Evangelho em Todo o Mundo

Há uma canção ridícula que se canta popularmente — esqueço-me do título — mas é "Deixe o resto do mundo passar." Bem, não podemos fazer isso. Não podemos deixar o resto do mundo passar; devemos ir a todo o mundo e pregar o evangelho, a toda criatura, a toda tribo, língua, família e pessoa, tanto quanto pudermos alcançá-las, e temos feito muito bem nos cem anos que se passaram entre o tempo em que Morôni veio e o Livro de Mórmon foi trazido à luz, e o dia de hoje. Creio que o Senhor está bastante satisfeito conosco, com todas as nossas enfermidades e todas as nossas fraquezas, nossas deficiências e nossa falta de fidelidade, que se aplica a algumas pessoas, se não a outras.

O Senhor Bem Contente com Seu Povo

Com tudo isso, creio que, em geral, o Senhor está bem contente com este povo, e seu Espírito está com ele, e seu poder está com ele. Creio que a autoridade e o poder do santo Sacerdócio estão sendo manifestados em maior grau do que nunca antes na história da Igreja, e a obra em andamento nos templos é algo surpreendente, quando vimos a ler os relatórios dos presidentes desses templos, o que fizeram e o que estão se preparando para fazer. É algo maravilhoso, e mostra que o Senhor está trabalhando no mundo, assim como nós estamos. Queremos tomar as palavras que Jesus disse a respeito de si mesmo: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho." Sintamos o mesmo. O Senhor está trabalhando por nós e conosco. Ora, trabalhemos e cumpramos nosso dever, e o Senhor estará conosco, e tudo o que foi predito a respeito da glória, da edificação e da prevalência desta grande obra dos Últimos Dias se cumprirá. O Senhor viverá, governará e reinará no Monte Sião e em Jerusalém, e diante de seus antigos, gloriosamente. Ele abençoará a todos os que trabalharem em sua causa com fidelidade e derem bom exemplo a seus semelhantes.

Testemunho

Ora, não desejo ocupar muito tempo. Sou muito grato pelo privilégio de dar meu testemunho. Testifico-vos, meus irmãos e irmãs, que o que ouvimos nesta manhã é verdadeiro, e vós o sabeis em vossos corações. Testifico-vos que sei que Deus vive, que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Filho do Deus Vivo, o Salvador do mundo. É por meio de seu sangue expiatório que obtemos a remissão de nossos pecados, dada a nós nas águas do batismo. É por seu poder que vivemos e nos movemos, e por ele que recebemos esta autoridade que Deus nos deu para trabalhar em sua causa; e ele estará conosco, se estivermos com ele, guardando seus mandamentos e andando em seus caminhos.

Dou testemunho da missão do Presidente da Igreja. O Presidente Heber J. Grant é um grande líder em Israel, e damos ao Senhor a glória de sua obra, assim como ele mesmo faz. Sinto, honesta e sinceramente, em minha alma hoje, que tudo o que pude fazer, ao longo dos anos em que trabalhei, tem sido pela bênção, providência e orientação de Deus Todo-Poderoso, e seu Espírito tem estado comigo, e tive o privilégio de tê-lo e desfrutá-lo com Santos dos Últimos Dias em diferentes países que visitei, não importa qual fosse sua língua, não importa quais fossem seus costumes, não importa quais fossem seus modos ou circunstâncias, o Espírito de Deus, o mesmo Espírito que sentimos aqui em Sião, é, em certa medida, por eles desfrutado, e assim posso dizer de toda a Igreja. Temos um só Senhor, uma só fé, um só batismo, e uma só esperança de nosso chamado. Somos um com os poderes de Deus; e, com o tempo, seremos unidos a eles, e coroados com glória à mão direita de nosso Pai, o que Deus conceda, por amor de Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “O Espírito e o Poder de Deus com a Igreja”, Conferência Geral de Outubro de 1923, Sessão Matutina do Primeiro Dia (1923-10-05). Pulpit Vault, 1923-10-03-charles-w-penrose-remarks-4. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).