Cooperação e o Espírito de Amor
David A. Smith
"Ninguém pode auxiliar nesta obra a menos que seja humilde e cheio de amor, tendo fé, esperança e caridade, sendo temperante em todas as coisas." ¶
Estou certo, meus irmãos e minhas irmãs, de que aqueles de nós que tiveram a fortuna de assistir a esta conferência e de ouvir os testemunhos dos homens que estão na linha de frente desta obra, regozijaram-se com as palavras proferidas, pois suas palavras estiveram cheias de amor e do espírito de verdade e humildade. Manifestaram um desejo de trabalhar de boa vontade e desinteressadamente pelo avanço da verdade e da retidão. Oro sinceramente para que, durante os poucos momentos em que estou diante de vós, eu possa ser abençoado por Deus, para que as palavras que profira sejam guiadas por seu Santo Espírito. ¶
É uma grande responsabilidade estar diante dos Santos dos Últimos Dias reunidos em conferência e tentar instruí-los quanto a seus deveres, ou expor princípios do evangelho. Estive muito preocupado, por algum tempo, e tentei fixar minha mente em algum assunto particular sobre o qual pudesse estar especialmente preparado, caso eu tivesse o privilégio de dirigir-me à conferência. Cada orador me deu algum pensamento, mas somente hoje fiquei plenamente convencido de que, como vosso servo, um daqueles sobre quem recai a responsabilidade de ajudar a cuidar dos assuntos temporais da Igreja, eu deveria falar a respeito destas questões. ¶
Felizmente para mim, sou filho da terra, posto a trabalhar em minha juventude a cultivar o solo para ajudar a prover alimento para uma grande família; uma das maiores experiências que podem acontecer a alguém. As palavras do presidente Hinckley a respeito das muitas oportunidades encontradas na fazenda trouxeram-me à mente um quadro das condições das estacas de Sião, tal como as tenho visto, tendo tido o privilégio de visitar quase todas, com muito poucas exceções. Creio poder ver ali uma oportunidade para maior desenvolvimento, para maior cooperação e para a manifestação, em grau maior, do espírito de amor. ¶
Fico feliz por me encontrar em harmonia com as palavras do presidente Grant. Lembro-me de que aqueles que dedicaram a vida ao estudo da agricultura nos dizem que, em nosso país, especialmente nos vales onde se pode cultivar a beterraba açucareira, temos uma condição ideal para a agricultura. Ainda não tiramos proveito disso. Estamos cultivando terra demais, tirando do solo nossa herança e enviando-a para longe por uma mera ninharia, e, como um homem imprevidente a quem deixaram uma fortuna, esquecemo-nos de que, um dia, ela pode se esgotar, e vamos, dia após dia, consumindo o capital principal. Pensai em enviar feno e outros produtos volumosos para longe de nossas fazendas, reduzindo assim a força do solo. Diz-se que a condição ideal é aquela em que podemos cultivar alfafa, cereais, milho para ensilagem e beterraba. Estas culturas cultivadas e de cobertura, dadas à vaca leiteira, com a polpa da beterraba devolvida, de preferência já seca depois de extraído o açúcar, proporcionam fertilizantes que aumentam estas colheitas ano após ano. O leite e os ovos, vendidos a cada dia, proporcionam renda mensal em dinheiro para sustentar a família, e a beterraba açucareira proporciona meios para os impostos e as despesas gerais. ¶
Muitas vezes fui às fazendas e encontrei a pobre e velha vaca a catar o que sobrava dos cavalos, e lembro-me de uma vez em que entrei em um quintal onde encontrei quatro grandes vacas, e as quatro juntas não davam mais leite do que uma única deveria dar. Perguntei ao dono por que não conseguia uma boa vaca para prover leite à sua família. "Bem, dá muito trabalho cuidar delas. Quando estas secam, posso soltá-las na pastagem e ir buscar outra fresca," foi sua resposta. Aquele homem jamais aprendeu o que significa amar de verdade uma vaca. Elas respondem e recompensam generosamente o bom tratamento, mas, se deixadas em pé na umidade e na lama até os joelhos no inverno, sem abrigo, não podemos esperar que dêem lucro, pois seu alimento precisa manter-lhes o calor e, às vezes, apenas manter-lhes a vida. ¶
Na primavera passada, a caminho de uma conferência de estaca, encontrei no trem um homem que disse ter decidido que nenhuma fazenda poderia ter êxito sem vacas leiteiras, e estava a caminho de meu destino com o propósito de comprar vacas leiteiras. Fiquei surpreso, sabendo que os fazendeiros daquele distrito dependiam em grande parte do gado de pastagem, muito poucos deles ordenhando vacas. Depois da conferência, tive meio dia de espera pelo trem. Visitei o vendedor de implementos, o banqueiro, o comerciante, e descobri que os homens de melhor crédito eram os que ordenhavam vacas. Eram poucos, mas haviam aprendido a lição e não tinham vacas leiteiras à venda. ¶
Pergunto-me se a agricultura não tem sido fácil demais para nós. Ordenhar vacas exige dedicação. Cuidar das aves, para muitos de nós, está abaixo de nossa dignidade, e não gostamos de nos ver presos a isso. A venda de leite, ovos, aves, porcos, quando bem comercializados, traz retorno em dinheiro. Quase todos estes são subprodutos da vaca. Feno, cereais, ensilagem, polpa de beterraba, dados às vacas, cuidadosamente forradas com a palha produzida, proporcionam um fertilizante que, ao voltar ao solo, o enriquece e proporciona força para maiores colheitas. Parece-me que é apenas questão de pouco tempo até que estas condições nos sejam impostas, como o foram em outras partes do país. ¶
Deixemos de enviar nosso feno e outras colheitas que contêm a vida do solo para longe da fazenda. Muitas vezes pela ferrovia, pagando um alto frete, quando esse mesmo produto poderia ser enviado como manteiga, queijo, leite, ovos e açúcar, trazendo um retorno maior e aumentando o capital investido de todos os envolvidos. ¶
O sucesso completo não pode vir por esforços individuais. Precisamos de cooperação. Precisamos trabalhar unidos pelo bem-estar de todos, e não egoisticamente por nossos interesses individuais. Gostaria de ver chegar o tempo em que possamos estar cheios do espírito de amor, cada homem sentindo em sua alma que o sucesso para ele deveria significar sucesso para seu vizinho. O presidente Ivins disse nesta manhã que não podemos cuidar do espiritual, deixando o corpo temporal morrer, nem podemos cuidar apenas do temporal, deixando o corpo espiritual morrer; eles devem caminhar de mãos dadas. A produção média, para esta região intermontanhosa, de beterraba açucareira é de onze toneladas por acre. Vi, há um ano, uma fazenda onde produziram vinte e três toneladas de beterraba açucareira por acre, e, do outro lado da estrada deste local, havia outra onde apenas dez toneladas foram produzidas por acre. Estas são condições que precisam de atenção, se esperamos ter êxito. Se cada fazendeiro que plantou beterraba açucareira no ano passado tivesse aumentado sua colheita em uma tonelada por acre (como poderia ter feito, fertilizando o solo e preparando adequadamente o terreno), isso significaria quase um milhão de dólares para este povo. ¶
Ora, vejo que meu tempo já se esgotou. Oro, meus irmãos e minhas irmãs, para que, quando voltarmos aos nossos lares, não nos contentemos em trabalhar egoisticamente ao nosso próprio modo, mas que olhemos ao redor e averiguemos os desejos e as vontades de nossos vizinhos, que nos reunamos com eles e planejemos com eles e trabalhemos com eles para fazer aquilo que será para o maior bem de todos, lembrando-nos de que, para sermos bem-sucedidos temporal e espiritualmente, devemos ter em nossas almas o espírito de amor, cheios de fé, esperança e caridade; fé em Deus; fé em suas promessas e em suas obras; fé em nós mesmos e fé uns nos outros; esperança no futuro; caridade, não um mero dar de bens, mas aquela caridade eterna e perseverante, aquela "caridade que é sofredora, e benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, não trata com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, porém se alegra com a verdade." ¶
Nestas condições, não nos será difícil conhecer e ser influenciados pelo Espírito do Senhor. Nesta condição, trabalhando de mãos dadas uns com os outros, estaremos em posição de receber as bênçãos de Deus, prometidas a seus filhos. E creio plenamente que muitas bênçãos nos têm sido negadas, como povo, por causa de nossa relutância em trabalhar unidos, tanto pelo nosso bem-estar temporal quanto espiritual. Que Deus nos dê força, sabedoria e amor, para que possamos prosseguir sempre nesta grande obra, naquele companheirismo que se deve encontrar nesta Igreja, peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶