Considerando uma Conferência de Quatro Dias
Heber J. Grant
Nunca houve, em toda a minha memória, nada que se comparasse ao maravilhoso derramamento de pessoas em nossas conferências semestrais, como o que tivemos durante estes últimos três dias. ¶
Considerando uma Conferência de Quatro Dias
Penso que, talvez, no futuro seja bom — e vamos considerá-lo seriamente — ter quatro dias de conferência. Vários de nossos oradores se limitaram a dezesseis, dezessete e dezoito minutos, e, como sabeis, apenas dois dos sete presidentes dos setentas tiveram a oportunidade de se dirigir às vastas congregações que compareceram a este edifício, e apenas um do bispado presidente. A sugestão feita há cinquenta e cinco anos, e aprovada por voto do povo, de que continuassem a Conferência por mais um dia, se posta em prática em nossa próxima reunião, daqui a seis meses, daria, com toda probabilidade, a cada um dos irmãos das autoridades gerais, e a alguns de nossos presidentes de missão, a oportunidade de se expressarem sem se sentirem muito limitados quanto ao tempo. Não tenho certeza se os discursos de três ou quatro de nossos irmãos, incluindo os discursos da presidência, que ultrapassaram o breve limite de quinze a vinte e poucos minutos, deram aos irmãos que os proferiram maior liberdade de expressão, e um fluxo mais livre do Espírito, do que gozaram aqueles a quem tive de pedir que abreviassem seus discursos. É justo dizer que muitos dos Santos dos Últimos Dias me expressaram, vez após vez, a ideia de que, se não pudermos todos encontrar tempo para prestar nossos testemunhos e proferir nossas mensagens numa conferência geral, seria melhor que apenas alguns de nós falássemos numa das conferências, e o restante na seguinte. Mas tenho sentido, no coração, uma ansiedade de que cada um dos que presidem nossas missões por todos os Estados Unidos, e cada uma das autoridades gerais da Igreja que votastes hoje para sustentar — os vinte e seis membros que ocupam a autoridade presidente no Sacerdócio — levantasse a voz em cada uma e em todas as nossas conferências, e testificasse da bondade de Deus para com eles. Por essa razão, sempre os fizemos falar, e ocasionalmente ouvimos de alguns outros também. Tenho ouvido muitas pessoas dizerem que não se pode pregar muito bem um sermão em dez minutos, mas alguns dos mais escolhidos, entre todos os sermões mais escolhidos que já ouvi neste edifício, foram proferidos em cinco e em dez minutos. ¶
Agradecimentos Expressos a Todos os Que Tomaram Parte
Quando penso nas dezenas e dezenas de conferências a que tenho assistido em outubro, através de tempestades e neve, sem falar do frio e do tempo tempestuoso que tivemos, tenho me regozijado e agradecido ao Senhor pelo tempo maravilhoso e esplêndido de que desfrutamos durante esta conferência. Estendo aos Santos meus agradecimentos e minha bênção pelo maravilhoso derramamento do povo nestas reuniões de conferência. Sou grato ao nosso coro, e a todos os que tomaram parte em nos apresentar a esplêndida música de que desfrutamos durante nossa conferência. Sou grato a cada um e a todos os oradores que falaram aqui neste edifício, e aos que falaram nas reuniões de transbordamento. Sinto que o Senhor nos tem abençoado abundantemente, e derramado seu espírito sobre nós, e que sairemos desta reunião renovados em espírito, renovados em nossas determinações de servi-lo e guardar seus mandamentos, e de proclamar o evangelho do Senhor Jesus Cristo pela retidão, pela honestidade, pela integridade e pela devoção de nossas vidas. ¶
Os Maiores Oradores São os Que Vivem o Evangelho
Os Santos dos Últimos Dias, como povo, têm o maior número de pregadores em todo o mundo, pela razão de que quase todo membro leigo já esteve em uma ou mais missões, de dois a cinco anos, proclamando o evangelho, sem dinheiro e sem preço. Somos uma nação — uma pequena nação, por assim dizer — de pregadores, mas o maior e mais maravilhoso pregador entre os Santos dos Últimos Dias é o homem ou a mulher que vive o evangelho do Senhor Jesus Cristo. "Mostra-me a tua fé pelas tuas obras" é o que conta. Tiago disse que mostraria sua fé por suas obras, e que a fé sem obras é morta. É como o corpo sem o espírito, e sabeis que isso precisa ser sepultado logo depois que o espírito parte, ou se torna repugnante. É por nossas obras, nossa diligência, nossa fidelidade, nossa energia, que podemos pregar este evangelho, e as pessoas do mundo estão começando a reconhecer, a saber e a compreender o fato de que os frutos do evangelho de Jesus Cristo, tal como ensinado pelos Santos dos Últimos Dias, são bons frutos. Ter a mais baixa taxa de mortalidade, ter a mais alta taxa de natalidade, ter Utah empatado — (há quase vinte anos, quando eu estava na Inglaterra, presidindo a Missão Europeia) — em segundo lugar entre os estados da América, em alfabetização — apenas um estado à nossa frente — mostra que estamos fazendo um registro do qual bem podemos nos orgulhar. Tenho dito às pessoas, em minhas viagens como membro do Conselho dos Doze, durante os últimos quarenta anos, que tudo o que pedimos a qualquer homem ou a qualquer mulher, dentro ou fora do país, que façam pelos Santos dos Últimos Dias, é que os julguem por seus frutos. O grande padrão estabelecido pelo Salvador do mundo foi: "Pelos seus frutos os conhecereis." Por felicidade em seus lares, por contentamento, prosperidade, integridade nos negócios, sobriedade, pela observância das leis de Deus e do homem, eu desafio o ¶
mundo a encontrar qualquer outro povo superior aos Santos dos Últimos Dias. Não estou falando agora dos "mórmons" que não guardam os mandamentos de Deus. ¶
Os Padrões pelos Quais Desejamos Ser Julgados
Nenhum verdadeiro americano deseja ser julgado pelos Benedict Arnolds de nosso país, mas desejam ser julgados por homens como George Washington e Abraham Lincoln, e outros que foram devotados aos princípios sobre os quais este país se assenta, e à Constituição de nosso país, que respeitam essa Constituição, que defendem a obediência às leis do país, e que deram suas vidas, ou as ofereceram, pelo país. Essas são as pessoas cujas vidas desejamos que sejam o padrão pelo qual os Estados Unidos da América sejam julgados — não pelos infratores da lei. Desejamos que os Santos dos Últimos Dias sejam julgados por aqueles que guardam os mandamentos do Senhor, que obedecem à palavra de sabedoria, que obedecem ao mandamento de dar ao Senhor um décimo de tudo o que lhes chegar às mãos, que atendem às suas orações familiares e secretas, que estão prontos e dispostos a ir, sem dinheiro e sem preço, até os confins mais distantes da terra, para proclamar o evangelho do Senhor Jesus Cristo, e que o fazem sob a inspiração do Espírito do Deus vivo. ¶
Um Exemplo Proeminente
Desejamos ser julgados por homens, por exemplo, como o Coronel R. M. Bryce Thomas, que veio a Salt Lake City há cerca de trinta anos, um coronel reformado do Exército britânico. Sua esposa adoeceu, e estavam hospedados no que então se conhecia como o hotel Templeton, e, do outro lado da rua, em frente a esse hotel, ficava então a sede do Deseret News. Sobre a porta da frente havia um letreiro: "Publicações 'mórmons' à venda." Dia após dia ele lia esse letreiro, até que aquilo lhe mexeu com os nervos, e assim ele foi e comprou várias publicações "mórmons", e as leu e estudou. Ao voltar a Londres, compareceu às nossas reuniões, e mais tarde se filiou à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Fez duas viagens, todo o trajeto de Londres a Salt Lake, para realizar ordenanças por seus antepassados falecidos, no templo do Deus vivo, neste quarteirão. Escreveu uma longa carta — imagino que tenha umas cem páginas, senão mais — contando a seus amigos por que havia se filiado à Igreja de Jesus Cristo. Intitula-se Minhas Razões para Deixar a Igreja da Inglaterra e Filiar-me à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Foi escrita com o expresso propósito de esclarecer seus amigos. Recebeu tantas cartas perguntando por que havia se filiado a este povo impopular, que isso o manteve constantemente ocupado, e assim decidiu publicar suas razões, sem a menor ideia de que seu panfleto, ou a carta que enviou a Liverpool para ser publicada por conta própria, viria a ser usada como folheto missionário. Pedimos para ser julgados por homens como o Coronel Thomas. ¶
Já se disse, e creio que com verdade, que a parte mais sensível da anatomia humana, na variedade masculina da espécie, é o bolso, e o Coronel Thomas, desde o dia em que foi batizado, envia ¶
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uma vez por mês, ao escritório de Londres, uma oferta de jejum; uma vez por mês chega um cheque de um décimo de sua remuneração como coronel reformado do Exército britânico. ¶
A Alegria de Converter Almas e Proclamar o Evangelho
Pedimos para ser julgados por aqueles homens que dão tudo — seus talentos e suas vidas — e por aquelas mulheres que fazem o mesmo, pelo avanço do reino de Deus, por aqueles que sentem em seu coração o desejo de proclamar o evangelho de Jesus Cristo, que sentem exatamente como sentiu Alma, de outrora, quando disse (Alma 29): ¶
"Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos! ¶
Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra. ¶
"Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu. ¶
"Não deveria perturbar com os meus desejos o firme decreto de um Deus justo, porque sei que ele concede aos homens segundo os seus desejos, sejam estes para a morte ou para a vida; sim, sei que ele concede aos homens, sim, dá-lhes decretos inalteráveis segundo seus desejos, sejam eles para salvação ou para destruição. ¶
"Sim, e que o bem e o mal se apresentam a todos os homens; e aquele que não distingue o bem do mal não é culpado, mas aquele que distingue o bem do mal, a ele será dado segundo seus desejos, deseje ele o bem ou o mal, a vida ou a morte, a alegria ou o remorso de consciência. ¶
"Ora, uma vez que sei estas coisas, por que desejaria executar mais do que o trabalho para o qual fui chamado? ¶
"Por que desejaria eu ser um anjo, poder falar a todos os confins da Terra? ¶
"Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro. ¶
"Sei o que o Senhor me ordenou e nisso me glorio. Não me glorio de mim mesmo, mas glorio-me naquilo que o Senhor me ordenou; sim, e esta é a minha glória, que talvez possa ser um instrumento nas mãos de Deus para trazer alguma alma ao arrependimento; e esta é a minha alegria. ¶
"E eis que quando vejo muitos de meus irmãos verdadeiramente penitentes e vindo ao Senhor seu Deus, minha alma enche-se de alegria; lembro-me então do que o Senhor fez por mim, sim, ouviu minha oração; sim, então me lembro de seu misericordioso braço, que se estendeu para mim. ¶
"Sim, e lembro-me também do cativeiro de meus pais; porque sei seguramente que o Senhor os livrou do cativeiro e assim estabeleceu a sua igreja; sim, o Senhor Deus, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó livrou-os do cativeiro. ¶
"Sim, lembro-me sempre do cativeiro de meus pais; e o mesmo Deus que os livrou das mãos dos egípcios livrou-os do cativeiro. ¶
"Sim, e aquele mesmo Deus estabeleceu sua igreja entre eles; sim, e aquele mesmo Deus chamou-me com um santo chamado para pregar a palavra a este povo; e permitiu que eu alcançasse grande êxito, com o que muito me regozijo." ¶
Não há alma viva em toda a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que tenha saído a proclamar este evangelho, desde a terra do sol da meia-noite na Escandinávia, onde a mãe de Reed Smoot ouviu o evangelho, até a África do Sul; do Canadá até a América do Sul, que, como Alma de outrora, não tenha tido essa mesma alegria e essa mesma felicidade, quando ele ou ela foi instrumento nas mãos de Deus para trazer alguma alma ao conhecimento da divindade da obra na qual vós e eu estamos empenhados. ¶
"Mas não me regozijo somente com o meu sucesso, porém minha alegria é maior por causa do sucesso de meus irmãos, que subiram à terra de Néfi. ¶
"Eis que trabalharam muito e colheram muitos frutos; e quão grande será a sua recompensa! ¶
"Ora, quando penso no êxito desses meus irmãos, minha alma enleva-se tanto que parece separar-se do corpo, tão grande é minha alegria. ¶
"E agora possa Deus conceder a esses meus irmãos que se assentem no reino de Deus; sim, e também todos os que são os frutos de seus trabalhos, para que não saiam mais e louvem-no para sempre. E conceda Deus que aconteça segundo minhas palavras, de acordo com o que disse. Amém." ¶
Não conheço alegria alguma na terra que se compare àquela que vem ao coração do homem que é instrumento nas mãos de Deus para salvar alguma alma e afastá-la daquele caminho largo que leva à destruição, para aquele caminho estreito e apertado que leva à vida eterna. ¶
Uma Ilustração na Conversão do Irmão do Orador
Ao me colocar aqui hoje, lembro-me do que, para mim, foi o maior de todos os grandes incidentes de minha vida, neste tabernáculo. Vi pela primeira vez, na audiência, meu irmão, que fora descuidado, indiferente e desviado, que não demonstrara nenhum interesse pelo evangelho de Jesus Cristo, e, ao vê-lo pela primeira vez neste edifício, e ao perceber que ele buscava a Deus por luz e conhecimento a respeito da divindade desta obra, inclinei a cabeça e roguei a Deus que, se me fosse pedido para me dirigir à audiência, o Senhor me inspirasse pelas revelações de seu Espírito, por aquele Espírito Santo em quem todo verdadeiro Santo dos Últimos Dias crê, para que meu irmão tivesse de reconhecer diante de mim que eu havia falado além de minha capacidade natural, que fora inspirado pelo Senhor. Percebi que, se ele fizesse essa confissão, eu então poderia mostrar-lhe que Deus lhe havia dado um testemunho da divindade desta obra. O Irmão Milton Bennion estava sentado no púlpito naquele dia, e havia sido convidado a se dirigir à congregação. O Presidente Angus M. Cannon veio até mim e disse: "Antes de o senhor entrar no edifício, Irmão Grant, eu havia convidado o Irmão Milton Bennion a falar, mas ele pode vir em outro dia." ¶
Eu disse: "Deixai-o falar." O Irmão Cannon disse: "Bem, pedirei que fale brevemente, e o senhor, por favor, o seguirá." ¶
O Irmão Bennion falou de sua viagem ao redor do mundo; entre outras coisas, de visitar o sepulcro de Jesus. ¶
Tirei do bolso um livro que sempre carregava, chamado Livro de Referência Rápida, e o coloquei sobre o púlpito diante de mim, ao me levantar para falar. Estava aberto nas passagens que falam da obra vicária pelos mortos, do anúncio de que Jesus foi e pregou aos espíritos em prisão, e proclamou-lhes o evangelho de Jesus Cristo. Pretendia ler sobre o batismo pelos mortos, e pretendia pregar sobre o fato de que o Salvador do mundo não apenas trouxe o evangelho a toda alma sobre a terra, mas que ele alcançava também todos os que haviam morrido sem conhecimento dele, ou em seus pecados, para que tivessem o privilégio de ouvi-lo; que, como eu compreendia e havia lido em Doutrina e Convênios, Jesus veio ao mundo para ser crucificado pelo mundo e morrer pelos pecados do mundo, e que ele salvou a todos, exceto apenas aqueles que negaram o Filho depois de o Pai o ter revelado a eles — tanto os que viveram como os que morreram. ¶
Lembro-me de estar de pé aqui, sentindo que aquele era talvez o maior de todos os grandes temas que nós, como Santos dos Últimos Dias, tínhamos a proclamar ao mundo. Pousei o livro, aberto naquela página; roguei pela inspiração do Senhor, e pela fé dos Santos dos Últimos Dias, e nunca mais pensei no livro, daquele minuto até que me sentei, ao fim de um discurso de trinta minutos. Encerrei minhas palavras aos 12 minutos depois das 3 horas, esperando que o Presidente George Q. Cannon me seguisse. O Irmão Angus veio ao púlpito superior e disse: "George, por favor, ocupe o restante do tempo." ¶
Ele disse: "Não, não desejo falar," mas o Irmão Angus recusou-se a aceitar um "Não" como resposta. ¶
O Irmão Cannon disse, por fim: "Está bem, vá sentar-se, e eu direi algo," e se levantou e disse, em substância: "Há momentos em que o Senhor Todo-Poderoso inspira algum orador pelas revelações de seu Espírito, e ele é tão abundantemente abençoado pela inspiração do Deus vivo que seria um erro qualquer outra pessoa falar depois dele, e uma dessas ocasiões foi hoje, e desejo que esta reunião seja encerrada sem mais palavras," e se sentou. ¶
Dediquei os trinta minutos de meu discurso quase exclusivamente a um testemunho de meu conhecimento de que Deus vive, de que Jesus é o Cristo, e às maravilhosas e admiráveis obras do Profeta Joseph Smith, e a prestar testemunho do conhecimento que Deus me havia dado de que Joseph era, na verdade, um profeta do Deus verdadeiro e vivo. ¶
Na manhã seguinte, meu irmão entrou em meu escritório e disse: "Heber, eu estava na reunião ontem e ouvi você pregar." ¶
Eu disse: "A primeira vez que você ouve seu irmão pregar, suponho?" ¶
"Oh, não," disse ele, "já o ouvi muitas vezes." Eu disse: "Nunca o vi na reunião antes." "Não," disse ele, "geralmente chego tarde e vou para a galeria. Muitas vezes saio antes de a reunião terminar. Mas você nunca falou como ¶
falou ontem. Você falou além de sua capacidade natural. Foi inspirado pelo Senhor." As mesmas palavras exatas que eu havia pronunciado no dia anterior, em minha oração ao Senhor. ¶
Quando ouvi George Q. Cannon, depois de eu me sentar, e antes de o irmão dele lhe falar, dizer a si mesmo: "Graças a Deus pelo poder daquele testemunho," as lágrimas jorraram de meus olhos como chuva, e apoiei os cotovelos nos joelhos e pus as mãos sobre o rosto, para que as pessoas ao meu lado não vissem que eu chorava como uma criança. Soube, ao ouvir aquelas palavras de George Q. Cannon, que Deus havia ouvido e respondido minha oração. Soube que o coração de meu irmão havia sido tocado, e no dia seguinte, quando ele veio e repetiu minhas palavras, disse-lhe: "Você ainda está orando por um testemunho do evangelho?" ¶
Ele disse: "Sim, e estou quase enlouquecendo." ¶
Perguntei: "Sobre o que preguei ontem?" ¶
Ele respondeu: "Você sabe sobre o que pregou." ¶
Eu disse: "Bem, diga você." ¶
"Você pregou sobre a missão divina do Profeta Joseph Smith." ¶
Respondi: "E fui inspirado além de minha capacidade natural; e nunca falei antes — em qualquer ocasião em que você me ouviu — como falei ontem. Você espera que o Senhor pegue um porrete e o derrube? Que testemunho maior você quer do evangelho de Jesus Cristo do que o de um homem que fala além de sua capacidade natural e sob a inspiração de Deus, quando testifica da missão divina do profeta Joseph?" No sábado seguinte, ele me pediu o batismo. ¶
Se hoje me oferecessem toda a riqueza do mundo inteiro, e tivesse meu irmão na condição em que estava — sem conhecimento da divindade desta obra, sei, tão certo quanto sei que vivo, que isso não seria a menor tentação para mim. ¶
Regozijo-me além de todo o poder com que Deus me dotou, na divindade desta obra em que estamos empenhados, e na alegria e felicidade que ela traz a cada um dos Santos dos Últimos Dias que guarda os mandamentos de Deus. ¶
Argumentos Sarcásticos Contra a Lei Seca
Eu tinha aqui várias coisas que ia ler, e já me esqueci de todas, menos uma. Há uma coisa que quero ler e sobre a qual quero chamar a atenção, a hipocrisia de certo artigo na revista Judge, agora combinada com a Leslie's Weekly. É uma amostra desprezível e sarcástica, como a que encontramos aqui num editorial na Improvement Era, que diz: ¶
"Como amostra do argumento sarcástico e desprezível feito pelos antiproibicionistas, a revista Judge, que é uma combinação da antiga Leslie's Weekly com o jornal humorístico Judge, publica este editorial num número recente: ¶
'vinhos leves e cerveja' — 'A Lei Seca Volstead nos afogou em prosperidade, ¶
— resolveu nossos problemas trabalhistas. ¶
— diminuiu os crimes de violência. ¶
— melhorou nossa moral. ¶
— reduziu nossa taxa de divórcios. ¶
— produziu maior respeito pela lei. ¶
— desencorajou a corrupção. ¶
— melhorou nossas relações exteriores. ¶
— diminuiu os privilégios da riqueza. ¶
— aumentou nosso patriotismo. ¶
— nos fez mais felizes.' ¶
"Esta lista contém onze mentiras. Para completar uma dúzia, acrescentaremos que a Judge é proibicionista." ¶
Faltam-me palavras para expressar meu desprezo por um editorial como esse na Judge, portanto não tentarei fazê-lo. O Senhor não me deu esse poder. ¶
Babson Sobre a Lei Seca
Quero ler algo do maior estatístico da América — o Sr. Babson: ¶
"Outro fator otimista em nossa atual situação econômica é a lei seca nacional." ¶
O Sr. Babson, suponho, recebe mais dinheiro pelo que escreve do que qualquer outro homem vivo nos Estados Unidos — arrisco a afirmação de que talvez umas dez vezes mais do que a Judge recebe, com todo o dinheiro do uísque, para escrever coisas como as que li da Judge para vós. ¶
"Antes de a Lei Seca ser aprovada, gastavam-se $3.000.000.000 anualmente com bebida." ¶
O que são $3.000.000.000? Três dólares por minuto, para cada minuto até agora, desde o nascimento do Salvador do mundo — três dólares por minuto — três bilhões de dólares, e nenhum ser humano se beneficia em nada com esse gasto de $3.000.000.000, e centenas, milhares, dezenas de milhares são arruinados física, moral e de toda outra forma, e muitas centenas cometem assassinato por causa do licor que consomem. ¶
"Ora, esses $3.000.000.000 que antes eram gastos com bebida agora vão para a compra de mercadorias, a construção de lares, a mobília dos lares e o início de contas de poupança. Não importa qual interpretação se dê à lei, ou qual nova legislação se promulgue, disto estamos bem certos — que esses mesmos $3.000.000.000 que antes iam para a bebida serão daqui em diante usados para estimular os canais regulares dos negócios. Serão usados para comprar mercadorias, iniciar contas de poupança e fazer aquelas coisas que tendem a tornar as pessoas felizes e prósperas." ¶
Isso aumentará, e já aumentou, em toda terra e em todo clima, de cem a duzentos ou trezentos por cento, a quantidade de leite consumido, e o leite é o melhor alimento que os seres humanos podem ter. ¶
Enxugando a Toalha nos Negócios
"Assim como um comerciante bem-sucedido precisa de carroças de entrega, uma nação bem-sucedida precisa de uma boa marinha mercante. Graças à guerra, os Estados Unidos hoje a têm. ¶
"Finalmente, somos hoje cidadãos do país mais rico do mundo. Onde antes éramos um país devedor das outras nações do mundo, hoje somos um país credor, com o resto do mundo nos devendo. Por esta e outras razões, este país, fundamentalmente, está bem. Mesmo neste momento, esta linha média, que representa as condições fundamentais, está lenta, mas constantemente, subindo. ¶
"Durante 1917-19, contudo, [ele se refere à toalha como representando os negócios] a toalha ficou saturada de água. Foi exatamente isso que aconteceu com os negócios. As gotas de água que caem da toalha quando erguida da água podem ser indicativas dos pedidos de mercadorias que nos chegam nesses tempos de inflação. A toalha saturada representa os negócios quando estávamos no ponto mais alto, em janeiro de 1920, completamente saturados de água. É preciso retirar essa saturação. Precisamos sempre secar a toalha de novo." ¶
Conselho aos Santos para Saírem das Dívidas
Digo aos Santos dos Últimos Dias: tirai a água de vossos negócios o mais cedo possível; chegai até a rocha firme. Lembrai-vos dos maravilhosos ensinamentos de Joseph F. Smith, deste púlpito, anos atrás, que teriam salvado centenas e milhares de Santos dos Últimos Dias da ruína financeira, se lhes tivessem dado ouvidos. Ele disse: "Sai da dívida e mantém-te fora da dívida." Criadores de gado e ovelhas, comerciantes, agricultores e todo mundo, nos dias de prosperidade, que adquiriram mais terra, mais ovelhas, mais gado, mais tudo, endividando-se, agradeceriam ao Senhor Todo-Poderoso se apenas tivessem dado ouvidos ao Presidente Joseph F. Smith. ¶
O Segredo de "Ter Sucesso"
Quero ler uma pequena história. Não creio que me tomará mais de cinco minutos, e depois terminarei. Leio tanto que canso as pessoas, mas o faço na esperança de que a leiam novamente depois de publicada: ¶
"Havia dois meninos de sobrenome Brown; eram irmãos. A mãe morrera de tuberculose quando as crianças eram pequenas. O pai era capitão de navio, um dos melhores da cidade, mas se perdeu no mar quando esses meninos tinham quatorze e dezesseis anos, respectivamente. Viviam, porém, juntos em seus três cômodos, faziam sua própria comida e os trabalhos domésticos, e iam à escola. As pessoas os chamavam de 'machado e cabo', porque estavam sempre juntos. O mais velho, Jimmie, acabou entrando para trabalhar numa loja, mas o mais novo sentia aquele anseio pelo mar que só quem cresce perto do oceano pode compreender, e, aos dezesseis anos, saiu 'para os bancos de pesca' numa viagem de pesca. ¶
"O menino estivera fora apenas duas semanas quando chegou àquela cidade da Nova Inglaterra a notícia de que o navio, com toda a tripulação, havia naufragado. O desastre foi, é claro, um golpe terrível para o irmão mais velho, Jimmie — um golpe terrível. Aconteceu em fevereiro ou março. Veio a primavera; as aves retornaram. Seguiu-se o verão; e de novo as árvores mudaram de cor no outono. Ainda assim Jimmie estava muito triste. Em novembro, correu pela cidade o boato de que uma grande escuna de quatro mastros havia encalhado nas rochas perto da Ponta. Os meninos da cidade, como sempre, foram com a multidão até a Ponta ver o naufrágio. Quando chegaram à praia, o bote salva-vidas já havia partido." ¶
"O Espírito que Faz o Sucesso"
E quero que todo Santo dos Últimos Dias tenha sucesso. "Foi uma tarde terrível; aquele bote salva-vidas subia ao topo ¶
das ondas e depois desaparecia completamente de vista. Todos prendiam a respiração até que voltasse a aparecer. Finalmente, o bote alcançou o navio, retirou a tripulação, e voltou à praia. Assim que aportou, os homens do Serviço de Salvamento e a tripulação naufragada saíram cambaleando, caindo exaustos na areia. Foram levados a uma fogueira que fora acesa com madeira trazida pelo mar, receberam comida quente e foram friccionados. Iam se recuperando aos poucos, quando um boato correu pela multidão de que um rapaz, doente e indefeso, fora deixado a bordo do navio; que, por causa de sua condição debilitada, não conseguiram colocá-lo no bote salva-vidas, já que as ondas estavam severas demais, o mar muito agitado. Bem, isso não agradou ao povo daquela cidade da Nova Inglaterra, e insistiram com a tripulação do bote salva-vidas para que voltasse e salvasse o outro homem. A tripulação respondeu: 'Não, não podemos. É demais tentar de novo, com essas ondas, nesta tarde.' ¶
"Então, para surpresa de todos, o pequeno Jimmie Brown saltou sobre uma rocha e gritou: 'Não tenho nada pelo que viver. Perdi meu irmão. Deixai-me ir, e quero que alguns rapazes venham comigo.' Assim os rapazes formaram uma tripulação voluntária, foram até o navio, e trouxeram o outro homem para a praia. Também caíram exaustos na areia ao voltar. Mas foram friccionados e aquecidos; enquanto o rapaz inconsciente foi levado a outra fogueira para ser cuidado pelas boas mulheres que moravam perto. Finalmente, o inconsciente sorriu e abriu os olhos. Todos ficaram felizes. Aos poucos, um a um, os rapazes da tripulação voluntária foram até a fogueira olhar aquele sujeito que haviam salvado. Por fim, Jimmie Brown chegou e olhou. Eis que era seu irmão mais novo! A tripulação do barco de pesca se perdera toda, exceto esse jovem Brown. Fora recolhido pela escuna de quatro mastros, a caminho de Manila, que, em sua viagem de volta, naufragara na costa da Nova Inglaterra. ¶
"Jovens rapazes e moças que leem este livro: lembrai-vos de Jimmie Brown. Esquecei-vos de vós mesmos. Pensai no próximo. Interessai-vos em fazer o que é certo; em defender a indústria, a integridade, o serviço. Se o fizerdes, vós (como Jimmie Brown) encontrareis o que há de mais precioso em vossos corações, a saber, a PROSPERIDADE. O segredo de ter sucesso é ser bom e fazer o bem." ¶
Nenhum outro povo sobre toda a face da terra fez tanto bem, gastou tanto tempo, gastou tanto dinheiro em proclamar o evangelho e em viver o evangelho, pagando seus dízimos e suas ofertas e fazendo as coisas que Deus ordenou, quanto os Santos dos Últimos Dias. ¶
Deus vos abençoe a todos. Amém. ¶