O Privilégio de Obedecer ao Evangelho
George F. McCune
No início de nossos serviços, o irmão Badger, servindo de porta-voz por todos nós, pediu ao Senhor, em sua oração, que inspirasse aqueles que houvessem de falar-nos com suas palavras, para nosso conforto e bem-estar. Creio que essa oração foi literalmente respondida até agora, naqueles que falaram, e desejo não dizer nada que diminua esse belo espírito e inspiração que tem sido nossa porção aqui hoje. ¶
Tenho grande prazer em reunir-me com meus irmãos e irmãs, mas acho uma grande tarefa tentar falar-vos. Sinto que os santos talvez saibam tanto a respeito do evangelho quanto eu. Seria um grande privilégio encontrar uma congregação deste tamanho no mundo, e entregar-lhe a mensagem do evangelho; mas sempre sinto minha fraqueza ao me apresentar diante dos Santos dos Últimos Dias. Ainda assim, sei que nosso Pai nos céus não exige nada de nós sem nos dar o poder de magnificar essa exigência ou chamado; por isso respondo alegremente, confiando no Senhor, e o que faço nesta Igreja, faço em nome do Senhor, pois sei, por experiência, que temos o evangelho de nosso Redentor, o verdadeiro evangelho de Cristo, e quanto mais dele conheço, mais o amo, mais querido se torna ao meu coração. ¶
Tantas boas coisas foram ditas nesta conferência que sinto no coração que voltareis para casa com o desejo de deixá-las com os santos, em nossas maravilhosas instituições. ¶
Enquanto o irmão Bennion comparava as reuniões de nossas conferências anual e semestral, um pensamento me veio à mente. Entrei numa convenção há dias, e ao entrar não pude deixar de notar a terrível condição que se manifestava naquela reunião, e soube, tal como aqui estou, que aquele povo estava iludido. Talvez pensassem o mesmo a meu respeito, mas "pelos seus frutos os conhecereis". Nesta reunião aqui, parece que todos se reuniram com um só propósito de coração. Naquela reunião a que me refiro, não havia união, não havia paz, mas havia tudo o que era contrário à união e à paz, e nunca vi tais contorções em minha vida quanto testemunhei naquela pequena reunião. ¶
Testifico que temos o verdadeiro evangelho do Redentor. É um privilégio para nós viver nesta grande dispensação da plenitude dos tempos, quando temos o verdadeiro evangelho de nosso Senhor, e devemos ter prazer em guardar suas leis e mandamentos. É um privilégio que devemos apreciar. É um privilégio, penso, quando compreendemos devidamente nossa posição e as bênçãos prometidas como nossa recompensa, e devemos ser alegremente obedientes aos mandamentos do Senhor, pelas bênçãos que buscamos e que foram prometidas por nosso Pai. Todos queremos felicidade, todos queremos algo que anelamos. Creio que a obediência estrita aos mandamentos de Deus nos trará aquilo que buscamos. Creio que não há outro caminho debaixo do céu pelo qual possamos obter ¶
o que tanto desejamos, senão pela obediência estrita ao evangelho e às leis de Deus. Quando nosso Pai nos céus disse: Não furtarás, não colocou sobre seus filhos um fardo pesado, mas deu-lhes algo que contribuiria para sua paz e salvação. Deu-lhes os mandamentos porque os amava. Assim, em todas as nossas experiências e vicissitudes da vida, devemos aprender a amar a Deus e a guardar seus mandamentos. Nosso povo deve aprender a amar os princípios e as exigências do evangelho, e deve amar conformar-se a eles de acordo com o espírito em que são dados, pois todos são edificantes, mesmo nesta vida, e por meio deles, em sua totalidade, podemos ser exaltados na vida vindoura. ¶
Voltei recentemente da Califórnia. Fiquei ali maravilhado com a devoção e o interesse extraordinários demonstrados por nosso povo no evangelho de nosso Redentor, naquela parte da vinha. Assisti primeiro à nossa escola dominical, nas imediações de Ocean Park. Alegrei-me ao ver que o pequeno salão não conseguia conter inteiramente nossas crianças de escola dominical. Nada menos que 25 crianças tiveram de ficar de pé. No mesmo dia, assisti aos serviços em Los Angeles; e, quando deixei aquele lugar, pouco mais de três anos atrás, sua capela era ampla o suficiente para acomodá-los a todos. Ao voltar, descobri que aquela pequena capela era totalmente inadequada para a reunião de domingo à noite, e todo espaço disponível estava ocupado para ficar de pé. No sábado seguinte, visitei outro ramo, onde a capela fora construída havia cerca de um ano. Nesse tempo, o edifício já se tornara inadequado. No domingo seguinte, assisti aos serviços em nossa pequena capela em Ocean Park. Calcula-se que cerca de 1.200 pessoas compareceram a nossos serviços ali, e a nova capela foi inadequada para acomodar o povo. Vejo que aquele povo está tomando um interesse muito ativo no evangelho, um interesse até mais vivo do que o que tinham aqui em casa. Irmãos e irmãs, glorio-me nisso, mas lamento muito, no que diz respeito a nós, aqui em casa. Deveríamos reconhecer como privilégio cumprir nossos deveres na Igreja, e obedecer às exigências feitas a nós em nossos dias, a dispensação da plenitude dos tempos, e não deveríamos considerar nossos deveres como difíceis de cumprir. Creio que o plano do evangelho que nos foi dado é o plano pelo qual podemos voltar à presença de Deus, trabalhando por nossa salvação nesta vida. Encontremos alegria e satisfação em nosso trabalho nesta vida; não é um sacrifício conformar-se às exigências do evangelho; mas encontraremos verdadeira felicidade em render obediência ao evangelho. ¶
Há tantos princípios no evangelho, tal como o entendemos, e, se conformarmos nossa vida a eles, teremos nossa recompensa nesta vida, e na vida vindoura, mais do que podemos conceber em nosso presente estado, como recompensa por nossa fidelidade. ¶
Os irmãos falaram bastante sobre nosso respeito pela lei e pela ordem. Pergunto-me se é possível que a indiferença que nos acomete seja o resultado de nossas próprias ações no passado. Não diria que creio que nossas ações se refletem na atitude de nossos filhos, ou nas ideias de nossos filhos. Lembro-me de estar num lugar onde queríamos ¶
percorrer certa distância em certo tempo. Os jovens que estavam comigo disseram, na presença de seus superiores e a meus dois filhos, que conseguiríamos, se andássemos depressa. Ora, creio que a violação da lei de velocidade recairá sobre esses homens, que estavam dispostos a sair da lei, apressando-se no automóvel. Creio que os homens tirarão proveito, e creio que rapazes e homens que transgridem a lei tirarão proveito e licença das ações de outros que lhes são trazidas à lembrança. Assim, creio que devemos resolver em nosso coração cultivar o respeito pela lei, e assim, onde quer que estejamos, usar nossa influência para que as leis sejam obedecidas e produzir respeito pela lei na mente de todos, não apenas pela autoridade eclesiástica, mas por toda autoridade. Não é trabalho algum atender às exigências do presidente destes Estados Unidos, e creio que devemos ter prazer em atender a toda exigência da lei e da ordem, não apenas do presidente, mas de todos, inclusive do menor funcionário que age sob suas ordens. E, deste modo, creio que devemos ensinar a nossos próprios filhos o respeito pela autoridade. Ora, que tenhamos respeito e confiança na autoridade que o Senhor colocou sobre nós; e creio que encontraremos verdadeira alegria e satisfação em honrar o diácono em seu lugar. Creio que ele deve ser honrado por portar o Sacerdócio de Deus. Sinto que gostaria de honrar todo homem que age com autoridade, seja de nosso país, seja da Igreja de Deus na terra, e ensinar meus filhos a fazer o mesmo. E isso ensinarei a todos a quem cabe a mim ensinar, conforme a oportunidade se apresentar. ¶
Não pretendia tomar tanto de vosso tempo. É um privilégio maravilhoso o que temos, de nos reunirmos e participarmos das bênçãos espirituais que Deus tem para este povo, nestas conferências; gostaria que pudéssemos apreciá-las plenamente, pois tão certo como estais sentados diante de mim neste sábado, Deus vive, e Jesus é o Cristo, o Salvador do mundo, e Joseph Smith foi seu instrumento escolhido, por meio de quem o evangelho foi restaurado à terra, e é nosso privilégio honrar sua memória e ter respeito e render obediência a todos os princípios e leis revelados por meio dele para nossa felicidade terrena e salvação eterna. Que também rendamos obediência a todos os que sucederam o Profeta Joseph. Meus irmãos e irmãs, abençoo-vos pela autoridade que meu Pai me deu, em nome de Jesus Cristo, nosso Redentor. Amém. ¶