Uma Visão Panorâmica de Alguns Pontos Essenciais na História da Igreja
James E. Talmage
Penso que nos é proveitoso, por vezes, olharmos para nós mesmos e fazermos um balanço para determinar o que somos, tanto como indivíduos quanto como organização. Podemos precisar de um espelho para nos mostrar exatamente como somos como indivíduos, e peço-vos que, se usardes um, que seja um espelho correto, não deformado, e que vossos olhos estejam claros, para que possamos ver-nos como realmente somos. E é bom olhar para a Igreja, não porque precisemos separar-nos dela por ocasião disso, mas para olhá-la com imparcialidade e obter sua devida perspectiva em relação a outras organizações. ¶
Uma Visão Panorâmica de Alguns Pontos Essenciais na História da Igreja
Se fosse possível mostrar, por meio de um panorama ou de um filme, os pontos essenciais relacionados à história da Igreja de Jesus Cristo, remontando não mais além da dispensação apostólica antiga, veríamos primeiro uma cena de admirável atividade e sacrifício. Os apóstolos, que haviam sido ordenados pelas mãos de Jesus Cristo, e aqueles que foram chamados posteriormente ao conselho dos apóstolos, e os setentas que haviam sido reunidos para sua obra, e os bispos, os élderes, os sacerdotes, os mestres e os diáconos — a estes vemos trabalhando, andando entre o povo e espalhando o evangelho, espalhando-o tão completamente que Paulo pôde dizer, em seus dias, que praticamente toda alma o havia ouvido, pelo que entendo que ele quis dizer que toda alma tivera a oportunidade de ouvi-lo, de aprender algo a respeito dele. À medida que a cena muda, vemos ali muitos outros que seguiram os passos dos apóstolos, no que diz respeito à sua energia, devoção e autoridade para trabalhar. Então vemos a confusão adentrar a Igreja, em parte por causa da opressão e da quase indescritível perseguição vinda de fora, em parte por causa da ameaçadora ruptura vinda de dentro. ¶
A Grande Apostasia
Houve uma apostasia, e uma grande, de modo algum a primeira na história da humanidade, mas uma grande apostasia, uma apostasia de indivíduos, saindo da Igreja em número incontável, e depois a apostasia da assim chamada igreja em si mesma, afastando-se dos caminhos que haviam sido estabelecidos como governo da igreja, corrompendo as ordenanças estabelecidas por autoridade divina, adaptando-se à assim chamada filosofia do dia, introduzindo elementos de paganismo e idolatria para tornar seu culto mais espetacular e mais atraente, até vermos, ao contemplarmos a cena que muda, que resta apenas a forma exterior da piedade, e nenhum lampejo sequer que nos revele o seu poder. ¶
O Período de Trevas Espirituais
Então, à medida que o panorama avança, vem o período de trevas, espirituais e mentais. Pois, notai bem, a mente é um atributo do espírito; e, à medida que os poderes espirituais minguavam, a mentalidade tornava-se deficiente, e a idade das trevas se aproximava. A sombria nuvem falhou em despertar a fé e a confiança, mas aprofundou a escuridão da incredulidade. Vemos pessoas lutando em meio às trevas, tentando sair da selva. Homens lhes foram enviados para ajudar, homens de Deus, buscando conduzi-las de volta à luz, em certa medida, mas tiveram um tempo difícil. A Igreja havia se tornado apóstata e tirânica. Havia empreendido governar por métodos autocráticos. Reivindicava o direito de dizer aos homens o que fazer e de forçá-los a fazê-lo, sob pena de perda de vida ou de membro, e de confisco de seus bens. Empreendia ditar às nações, aos ¶
reis, o que deveriam fazer, e afirmava absolver os súditos de toda lealdade a seus governantes, se estes deixassem de obedecer aos ditames da assim chamada igreja. ¶
A Luz de Deus na Restauração
Passaram-se os séculos e, aos poucos, apareceu uma luz; irrompeu uma iluminação gloriosa; e a palavra de Deus voltou a ser ouvida, pois Deus, o Pai Eterno — falo-o sem reserva ou modificação — aquele Ser à cuja imagem física, mental e espiritual fomos formados, apareceu sobre a terra ao jovem Joseph Smith. E com o Pai Eterno estava o único Filho que Ele havia gerado na carne, Jesus, o Cristo, que afirmou que a autoridade e o poder de falar e agir em nome de Deus não estavam, naquele momento, sobre a terra. Seguiu-se, então, a promessa de que seriam restaurados; e, com o tempo, assim como os profetas de antigamente haviam previsto, anjos vieram à terra ministrar àqueles que haviam sido escolhidos, conferindo-lhes, pela mesma ordenança exterior observada antigamente, a imposição das mãos, o poder e a autoridade não apenas de falar, mas de agir em nome do Deus vivo, de acordo com a ordem estabelecida. ¶
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não brotou de nenhuma "igreja-mãe". A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não é uma seita; não deve lealdade a nenhuma outra sociedade religiosa, seja qual for o nome que lhe deem, igreja ou outro, sobre a face da terra. Não afirma possuir o Santo Sacerdócio por descendência direta e ininterrupta de Pedro, o antigo, mas afirma que Pedro, acompanhado de seus associados Tiago e João, os três que constituíram a presidência na organização do apostolado antigo, vieram, por instrução do Senhor, e conferiram a homens aqui sobre a terra a autoridade que possuíam e que exerceram na carne antes de seu martírio. Falamos isso claramente. Sei que choca os ouvidos de alguns que talvez não se tenham preparado para recebê-lo; e, contudo, onde está a inconsistência? Proclamamos o fato, e também proclamamos que a apostasia foi uma realidade; e outros o admitem, teólogos, homens eruditos, e até mesmo igrejas. Embora já o tenhais ouvido antes, desejo chamar vossa atenção para aquela solene declaração da principal das igrejas protestantes, a Igreja da Inglaterra, feita pouco depois do tempo de sua criação — pois foi criada por decreto do Parlamento. Mas havia homens sábios e homens bons contados em sua organização, e aquela igreja declarou, por volta de meados do século dezesseis, em sua homilia sobre o perigo da idolatria, o seguinte: ¶
"Leigos e clero, letrados e iletrados, todas as idades, seitas e condições de homens, mulheres e crianças de toda a Cristandade — coisa horrível e assustadora de se pensar — foram de uma só vez afogados em abominável idolatria; o mais detestado de Deus, e o mais condenável para o homem, entre todos os outros vícios; e isso pelo espaço de oitocentos anos e mais." ¶
A Igreja de Deus Estabelecida de Novo
Isso, penso eu, é um bom testemunho quanto à realidade da apostasia. Proclamamos a restauração que os profetas antigos disseram que se seguiria à apostasia. A Igreja de Jesus Cristo foi estabelecida sobre a terra de novo, por meio do instrumento de Joseph Smith, o Profeta, e de seus associados imediatos no ministério. É a Igreja de Jesus Cristo trazida novamente à terra, estabelecida de novo como havia sido predito, repito; e sua missão é a preparação da terra para a grande consumação, a vinda do Senhor Jesus Cristo. ¶
Nesta igreja restaurada foi colocada, por ministração e ordenança divinas, a autoridade do Menor e do Maior — ou seja, o Sacerdócio Aarônico e o Sacerdócio de Melquisedeque, com seus vários ofícios, e as várias funções, responsabilidades e poderes pertencentes a cada ofício, como antigamente. ¶
O Novo e Eterno Convênio
Que era e é algo novo, e ainda assim algo antigo, pois é de fato eterno, foi estabelecido pelo Senhor em uma revelação dada em abril de 1830, logo após a organização da Igreja. Havia pessoas que haviam se filiado a outras igrejas. Muitas delas haviam sido, e eram, devotas. Haviam sido batizadas, algumas delas por aspersão e algumas por efusão, mas a isso chamavam batismo, e algumas delas por imersão; e levantaram a questão de saber se não poderiam tornar-se membros desta Igreja agora apenas por meio de pedido e profissão de fé, afirmando que era injusto exigir-se que fossem batizadas de novo. Nessa reivindicação, esqueciam-se claramente de que a forma exterior do batismo pode ser realizada por qualquer pessoa, mas que o batismo como ordenança aceitável ao Senhor requer o poder e a autoridade do Sacerdócio que Ele deu. Portanto, o Senhor disse: ¶
"Eis que vos digo que todos os convênios antigos fiz eu com que neste fossem invalidados; e este é um novo e eterno convênio, que era desde o princípio. ¶
"Portanto, embora seja um homem batizado cem vezes, de nada lhe aproveita, pois não podeis entrar pela porta estreita por meio da lei de Moisés nem por vossas obras mortas. ¶
"Pois foi por causa de vossas obras mortas que fiz com que este último convênio e esta igreja me fossem edificados, como nos dias antigos. ¶
"Portanto, entrai pela porta, como ordenei." ¶
Li da seção 22 de Doutrina e Convênios. Isso não está em harmonia com a declaração que nosso Senhor fez enquanto falava na carne, o próprio Cristo, conhecido como Jesus de Nazaré, que foi reconhecido como um maravilhoso profeta, cujos ensinamentos estavam cheios de sabedoria? Em certa ocasião, em meio a circunstâncias que o restante do capítulo vos dará, ele pronunciou estas palavras, registradas no capítulo 9 de Mateus, a partir do versículo dezesseis: ¶
"E ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura; ¶
"Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam." ¶
O judaísmo daquele dia era uma paródia da lei que Deus havia dado. Muitos acreditavam em parte do que Cristo dizia, mas queriam adaptá-lo ao judaísmo daquele dia; queriam fazer a palavra de Deus conformar-se à sua filosofia, ou à sua sofística, ou aos seus preceitos feitos pelo homem, e o Senhor os advertiu: não ponhais um pedaço de pano novo sobre a roupa velha, isso a rasgará e fará uma rotura mais hedionda do que havia antes. Não ponhais aquele suco recém-fermentado naqueles odres de couro velho, pois essa era a natureza dos odres daquele tempo. Sabeis quão rapidamente o couro velho se rompe. Não o ponhais em tais odres, pois a fermentação romperá os odres e o bom vinho se perderá, e os odres ficarão totalmente arruinados. Não deveria haver compromisso algum com as doutrinas semipagãs do dia, nem deveria haver compromisso algum entre os princípios do evangelho de Cristo e os ensinamentos dos homens que a eles não se conformassem, as doutrinas dos homens que se desenvolveram na mente dos homens sem a inspiração do Espírito Santo — nenhum compromisso! ¶
Esta Igreja Guiada por Revelação e Inspiração dos Céus
Somos tolerantes, tolerantes em extremo. Concedemos a todo homem o direito de adorar segundo sua própria consciência, tal como o reivindicamos para nós mesmos; mas não fazemos compromisso ao aceitar as opiniões dos homens em uma tentativa de misturá-las com a doutrina de Cristo, e chamar a tudo isso a palavra de Deus. O Senhor falou e está falando. Presto-vos solene testemunho de que, desde o restabelecimento da Igreja em 1830, esta Igreja de Jesus Cristo tem sido guiada por inspiração e revelação dos céus. Este é o dia em que testemunhais tal coisa. O Senhor não está deixando Sua Igreja entregue a si mesma. Ele está falando pelos modos que melhor conhece, e está inspirando e guiando aqueles a quem sustentais como vossos líderes. Segui-os e estareis seguros. Que o Senhor esteja conosco no cumprimento da determinação por uma vida melhor que formamos nesta conferência, oro, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶