Pulpit

A Educação Como Fator na Obediência à Lei

John A. Widtsoe

Conferência Geral de Outubro de 1922·Sessão do Segundo Dia Matutina·1922-10-07

Esta conferência tão notável, com sua grande assistência, e suas instruções tão precisas, fez-me pensar seriamente sobre muitos assuntos importantes. Fui levado a refletir, especialmente a respeito da mensagem principal que nos foi dada ontem pelo Presidente Grant. Tenho procurado determinar as causas ou forças em nossa civilização que tornam os homens obedientes à lei, ou que nos tornam relutantes em obedecer às leis de Deus, ou às da terra.

A Educação Como Fator na Obediência à Lei

Tenho pensado, principalmente, creio, sobre a parte que a educação desempenha em treinar nossos cidadãos a obedecer e a sustentar a lei, e a serem leais em todos os aspectos. Há um poder tremendo na educação. Conforme somos ensinados e treinados nas escolas, e por aqueles a quem seguimos, assim nos tornamos. A última guerra nos deu vários exemplos do poder de uma educação longamente continuada para fixar ideais numa nação inteira.

Somos um povo que ama a educação. Fiquei realmente espantado ao notar, pelas estatísticas reunidas pelo Escritório do Bispado Presidente, como um dos frutos desta obra maravilhosa conhecida como "mormonismo," que, de todos os Santos dos Últimos Dias entre 8 e 18 anos de idade, apenas vinte e dois não frequentaram a escola. Duvido que tal registro possa ser igualado por qualquer outro povo, do mesmo número, em todo o mundo. Nossas escolas e colégios estão superlotados. Sou informado de que a Faculdade de Agricultura de Utah e a Universidade são as duas maiores instituições desse tipo nos Estados Unidos, considerada a população. É próprio deste povo buscar o esclarecimento — amar a educação — pois as revelações de Deus declaram que devemos "buscar dos melhores livros palavras de sabedoria; buscar o conhecimento, mesmo pelo estudo, e também pela fé." Também está declarado que "a glória de Deus é a inteligência." Tenho me perguntado até que ponto este amor pela educação, e este uso da educação, pode ser feito para sustentar os ensinamentos que nos foram dados pelo profeta de Deus em seu discurso de ontem. O grande problema diante de nós parece ser como dirigir o tremendo poder que reside em nosso desejo e atividade educacionais, para que nossos filhos possam se tornar homens e mulheres completos, bem informados, não educados em uma só direção, mas educados de tal forma que todas as suas faculdades sejam desenvolvidas e fortalecidas.

A Natureza Espiritual, uma Grande Influência na Educação

Frequentemente imaginamos que podemos colocar a maior parte de nossos encargos, no que diz respeito a nossos filhos, sobre as escolas; contudo, isso não é possível, pois nossas escolas públicas não têm permissão de ensinar tudo o que deveria ser ensinado à humanidade. Como todos sabem, em nossa terra livre há uma disposição na constituição dos Estados Unidos — talvez a mais bela da constituição — que prevê a liberdade religiosa; e em consonância com essa disposição constitucional, a instrução religiosa não é permitida em nossas escolas públicas. Visto que o homem não é meramente fisiológico, ou intelectual, mas também espiritual, nossas escolas não bastam inteiramente para a plena formação do homem. Contudo, é tão natural que um homem deseje educação religiosa quanto deseje educação para seu corpo e sua mente. Esta verdade é confirmada pela experiência humana em tal grau que não preciso me demorar muito nisso aqui; mas ela me chegou de novo, com renovada força, há poucas semanas. Tive o privilégio de visitar, na companhia de dois membros de nossa Igreja e vários que não eram membros, a grande Ponte Rainbow, ou Arco Rainbow, localizada no sudeste de Utah, não muito longe da linha do Arizona. É uma das mais belas de todas as obras conhecidas da natureza — uma gigantesca e perfeitamente formada ponte ou arco de arenito vermelho brilhante, atravessando o cânion simetricamente de um lado a outro. Pelos esforços do Presidente R. D. Young, da estaca de Sevier, foi encontrado, num buraco de esquilo, o livro de registro que, desde 1909, era usado pelos visitantes ocasionais desta ponte. Neste livro, os visitantes haviam escrito seus nomes e os comentários que lhes ocorreram. Alguns nomes bastante distintos foram encontrados neste livro. Theodore Roosevelt e três de seus filhos haviam estado lá, creio que em 1913, e haviam escrito seus nomes no livro. Os nomes de outros homens e mulheres de destaque nacional estavam inscritos no livro. Um homem de renome nacional havia escrito, embaixo de seu nome: "Aqui trabalhou o Mestre com consumada habilidade." Este homem, não primariamente um homem religioso, um cientista bem conhecido, ao se pôr diante desta maravilhosa criação de Deus, esta grande e maravilhosa ponte natural, sentiu-se atraído para Deus, e deixou um testemunho de fé a todos os que viessem depois. Outro homem, sob sua assinatura, escreveu: "Esta é uma obra maravilhosa de Deus. Permanece aqui e adora a Deus em toda a sua glória." Ele também se voltou da beleza física da ponte para a grande beleza espiritual do Criador da ponte. Este é o instinto natural e normal de todos os homens. Somos espirituais, tanto quanto mentais e físicos; e nossa educação, para ser completa, e plenamente satisfatória, deve levar em conta as exigências da natureza espiritual do homem, e prover instrução religiosa. O homem cuja mente e corpo apenas foram treinados não é necessariamente um cidadão seguro, porque tal educação não é garantia alguma contra uma vida criminosa ou uma vida de ilegalidade.

A educação frequentemente ajuda o criminoso em seus atos ilegais. A educação espiritual é o melhor meio conhecido de fazer com que os homens usem seus poderes para o bem humano. Não estamos justificados em enviar nossos filhos a escolas e colégios para serem desenvolvidos mentalmente, com apenas a mais escassa oportunidade de desenvolvimento espiritual durante o período mais crítico de sua vida.

O Lar Não Deve Transferir Suas Responsabilidades à Escola

Uma vez que o treinamento religioso não é permitido nas escolas públicas, por ser contrário à lei da terra, a questão é como devemos suplementar o trabalho feito em nossas escolas públicas, de modo que nossos meninos e meninas possam ser espiritualmente desenvolvidos, e assim se tornarem mais capazes de fazer as coisas que nos foram trazidas à atenção nesta conferência? Estou-me demorando nisto por alguns momentos — sabendo que não há tempo, pois há muitos oradores, para desenvolver este assunto — apenas para chamar a atenção dos Santos dos Últimos Dias para a necessidade de não colocar todo o peso da educação sobre as escolas da terra. Muitas vezes, é claro, os administradores escolares e os professores têm medo de fazer o que realmente poderiam fazer, sob a constituição dos Estados Unidos. Este não é um país abandonado por Deus; este é essencialmente um país temente a Deus, e não há razão para que, em nossas escolas públicas, não devamos ensinar o amor e o temor de Deus. Contudo, uma vez que não podemos fazer isso tão plenamente quanto gostaríamos, devemos buscar ajuda no lar e na igreja — as duas agências restantes para completar a educação.

Aqueles que leram a história do pensamento humano recente lembrarão que, durante os últimos quarenta ou cinquenta anos, os pais e mães de nossa terra, tendo testemunhado o maravilhoso desenvolvimento do sistema educacional dentro deste país, gradualmente colocaram cada vez mais de sua responsabilidade sobre a escola. O lar foi minimizado em importância; a escola foi tornada de maior importância do que jamais pretenderam os pensadores mais claros dentro do campo da educação. O lar ainda retém seu dever — o dever de ensinar, treinar e desenvolver espiritualmente jovens homens e mulheres, preenchendo onde a escola, sob a constituição, é incapaz de cumprir plenamente seu dever. O lar não deve, e não pode, com segurança, transferir suas responsabilidades à escola.

Escolas da Igreja de Tremenda Importância no Treinamento Espiritual

A Igreja deve, igualmente, ser de tremenda importância no treinamento espiritual. Nesta Igreja temos organizações auxiliares de vários tipos, cujo propósito principal, a meu ver, é treinar espiritualmente nossa geração já treinada pela escola. Gostaria de deixar convosco, nesta ocasião, o pensamento de que o propósito primordial das instituições auxiliares desta Igreja é suplementar nossos esforços educacionais, feitos por meio das escolas públicas. A Igreja também providenciou um sistema de escolas da Igreja — em suas possibilidades, a escola ideal, é claro — nas quais a criança, o jovem e a jovem podem receber instrução, não apenas dos livros de aprendizado feitos pelo homem, mas também dos livros de Deus; onde o homem pode ser treinado física, mental e espiritualmente para uma vida completa, e ser assim mais capacitado a obedecer à lei e a fazer todas as outras coisas necessárias para viver de acordo com os ensinamentos que se ensinam neste e em púlpitos semelhantes, por toda esta Igreja, e por outras igrejas. Um número de esplêndidos colégios, colégios juniores e escolas normais são mantidos pela Igreja, para grande vantagem de milhares de estudantes.

Seminários e Aulas de Religião, Ajudas Maravilhosas na Instrução Religiosa

Mas é impossível para a Igreja manter escolas da Igreja que alcancem todo o povo, nem seria sábio ou apropriado manter um sistema educacional competitivo com o sistema de escolas públicas, e, portanto, temos nesta Igreja uma organização maravilhosa, pouco compreendida pelo povo, conhecida como a Aula de Religião, que é uma tentativa definida, sob a lei, de correlacionar a instrução religiosa com o trabalho que a lei permite que se faça dentro das escolas públicas elementares. Tomo a liberdade de chamar vossa atenção para as aulas de religião, deste ponto de vista, na esperança de que todos os Santos dos Últimos Dias dediquem especial atenção ao significado e propósito deste grande movimento na Igreja. Então, continuando a aula de religião, a Igreja provê, para o mesmo propósito — o desenvolvimento do homem espiritual, para que, educacionalmente, ele possa ser plenamente completado — os Seminários, mantidos para o treinamento religioso dos estudantes do ensino secundário, e em estreita proximidade da escola secundária, mas não em conexão com ela. Nestas instituições, os jovens homens e mulheres que frequentam a escola secundária podem receber uma hora por dia, se possível, instrução religiosa apropriada. As Aulas de Religião e os Seminários proveem meios pelos quais o treinamento do menino e da menina pode proceder simetricamente, passo a passo — não em blocos mentais um ano e blocos religiosos noutro — mas de tal forma que, a cada ano, ao longo de todo o curso da educação, possamos ensinar e treinar todas as faculdades do homem.

Uma grande universidade, de sólida e moderna erudição, a Brigham Young University, está à cabeça do sistema de escolas da Igreja, e serve estudantes de nível universitário. Não é capaz de cuidar de todos os estudantes que desejam nela entrar. O estado de Utah mantém uma magnífica universidade estadual, e uma igualmente magnífica faculdade de agricultura estadual, cujos estudantes, sem dúvida, terão acesso, com o tempo, sob a lei, a meios que lhes permitam obter treinamento voltado para Deus, tanto quanto para as coisas materiais.

Este importante assunto tem permanecido em minha mente desde a manhã de ontem, quando ouvi nosso Presidente proferir sua ressonante mensagem em favor da obediência à lei; e, à medida que minha análise prosseguiu, cheguei cada vez mais à conclusão de que, por meio do sistema de escolas públicas, e por meio de nossas auxiliares religiosas, podemos ser capazes de ajudar a realizar aquilo pelo qual o Presidente Grant apelou ontem.

A Educação Espiritual e Mental Produz Inteligência Confiável

Em conclusão, permiti-me dizer novamente que ser apenas mentalmente treinado é ser apenas parcialmente treinado. O homem cuja mente apenas foi treinada pode ser comparado ao navio com grandes máquinas e uma enorme hélice, pronto para impelir o navio adiante, mas sem leme, carta, bússola, ou destino definido. Quando acrescentamos ao homem, assim treinado, o treinamento espiritual, é como se acrescentássemos ao navio, com sua maravilhosa maquinaria, uma bússola, uma carta, um leme, e uma inteligência confiável que controla toda a maquinaria, acima e abaixo do convés, de modo que o navio possa alcançar um porto seguro, de acordo com um propósito definido.

Um Testemunho

Que Deus nos abençoe em nossos esforços educacionais e em todos os nossos esforços. Que ele nos fortaleça, para nos tornar capazes de cumprir nosso grande destino, de sermos o grande povo do mundo em virtude e retidão. Dou-vos meu testemunho de que sei que a obra representada por esta Igreja é a verdade; que Deus vive; que seu Filho veio à terra em obediência a um grande plano, para sofrer e morrer por nós; que Joseph Smith foi um profeta de Deus, que veio aqui para fazer a vontade de Deus, na continuação deste poderoso e eterno propósito, e que a Igreja ainda é dirigida por Deus. É bom ser Santo dos Últimos Dias. Agradeço a Deus pelo privilégio que me foi dado de ser membro desta Igreja, de partilhar dos privilégios do Sacerdócio, e das bênçãos que dele fluem. Louvado seja Deus por ele ter trazido esta verdade a mim, e à minha família, e a vós, e aos vossos. Que Deus esteja sempre conosco, peço-o em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJohn A. Widtsoe, “A Educação Como Fator na Obediência à Lei”, Conferência Geral de Outubro de 1922, Sessão do Segundo Dia Matutina (1922-10-07). Pulpit Vault, 1922-10-11-john-a-widtsoe-remarks-14. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).