Palavras de Charles W. Nibley
Charles W. Nibley
Enquanto me ponho diante de vós esta tarde e procuro dirigir-me a vós, desejo sinceramente que o espírito que caracterizou nossas reuniões e as palavras de nossos oradores continue comigo, e que eu tenha aquilo de que tanto necessito, o Espírito do Senhor, para que as palavras ditas sejam de benefício e serviço à obra do Senhor. ¶
Regozijo-me nos testemunhos dos irmãos, como o que acaba de ser dado pelo Élder McMurrin, pois o conheço como servo fiel do Senhor, alguém que deseja fazer e cumprir a missão para a qual foi chamado, de maneira sincera e aceitável. E permiti-me dizer que a Igreja é abençoada com uma abundância de jovens, bem como de homens de meia-idade e mais idosos, que são tão fiéis, tão sinceros, tão devotados, tão certos de sua posição em relação à obra do Senhor quanto o é o Élder McMurrin. Sabemos muito bem que o Senhor estabeleceu esta obra, e está realizando seus propósitos em relação a ela. Esta é sua obra especial, e a esta Igreja é dado o poder e a autoridade de conduzir o mundo à vida espiritual, de modo que nossa missão realmente é ensinar ao povo como pode passar da morte para a vida. Pois um homem pode estar muito vivo de modo temporal, e ainda assim estar espiritualmente morto. ¶
Há também grandes problemas diante de nossa nação, que exigem solução; são questões urgentes, prementes, que precisam ser resolvidas, e que só podem ser resolvidas sobre os princípios da retidão. Esses princípios ajudarão a ajustar os problemas conflituosos, contenciosos e beligerantes que o egoísmo, em grande parte, produz, e que só podem ser resolvidos por meio dos princípios que o Senhor revelou. Não está no homem que anda dirigir corretamente seus passos. Não está no homem, por seu próprio poder, resolver estes problemas, nem qualquer homem pode fazê-lo sozinho. É apenas com a ajuda do Espírito do Todo-Poderoso que seremos levados ao ponto em que a justiça e a retidão possam, ao menos aproximadamente, ser alcançadas. Tivemos contendas em nossa própria nação, durante os meses recentes, com as greves de ferrovias, greves de carvão, e outras contendas que ameaçaram a própria existência de nosso governo; e também têm crescido em nossa nação organizações secretas, combinações de homens, sem dúvida desejosos de proteger seus próprios interesses egoístas, mesmo que esses interesses entrem em conflito com os estritos princípios da justiça. Algumas dessas organizações, como a Ku Klux Klan, empreenderam administrar o que chamam de justiça, independentemente da lei constitucional e dos direitos dos homens, e tomaram a lei em suas próprias mãos, e trataram certas pessoas de uma forma que só pode resultar em desordem, tumulto, luta, e no colapso da lei constitucional. Pois essas organizações secretas empreendem administrar castigo a homens e mulheres, independentemente das leis da terra. ¶
Tem sido o conselho dos líderes desta Igreja, desde o princípio, observar a lei constitucional da terra, e está declarado nas revelações que tudo o que for mais do que isto, ou menos do que isto, provém do mal. Não precisamos de nada fora desta estrita letra da lei, pois se formos além dela, ou ficarmos aquém dela, corremos o risco de cometer um erro. O arbítrio que o Senhor deu a seus filhos e filhas foi dado a todos — o livre-arbítrio de escolher entre o certo e o errado, e esse arbítrio nos torna livres, pois o Senhor disse: "Se permanecerdes em minha verdade, então sereis verdadeiramente livres." Ora, sempre que um homem entra em qualquer organização, secreta ou não, que lhe tira certo grau desse livre-arbítrio de escolher entre o certo e o errado, e faz dele um servo, para fazer o que lhe é dito em certos assuntos, bastante independentemente da retidão ou justiça do caso, ou do certo ou errado do caso, esse homem entrega tanto de seu livre-arbítrio quanto não deveria, em nenhuma circunstância, entregar. Permiti-me explicar. ¶
No Escritório do Bispado, a questão foi trazida diretamente diante de nós, sobre o direito de um homem de trabalhar em alguma obra que a Igreja estava fazendo, quer pertencesse a um Sindicato, quer não. Decidimos que contrataríamos homens sindicalizados ou não sindicalizados; se fossem bons trabalhadores, não perguntaríamos se pertenciam a algum Sindicato ou não. Mas nos deparamos com esta dificuldade: um de nossos irmãos, que é sindicalizado, recusou-se a trabalhar na obra com um não sindicalizado, um bom membro da Igreja. Neste caso, dissemos: este irmão que não pertence ao teu Sindicato é um bom homem, um bom vizinho, um bom cidadão; encontras-te com ele à mesa do Sacramento e administras o Sacramento aos Santos dos Últimos Dias. Podes ser designado professor de quarteirão e ires ensinar aos Santos seus deveres. Ambos podeis ser chamados a administrar aos enfermos, e ides e ofereceis vossas orações, mas quando se trata de trabalhar juntos, tu, nosso irmão que tem uma carteira do Sindicato e pertence ao Sindicato, não permitirás que este teu bom irmão trabalhe para o seu sustento, nem trabalharás com ele de forma alguma, porque ele não pertence à tua organização. Ora, perguntamos, achas isto certo, ou justo, ou correto? Ele, um bom homem, aceitável em todos os aspectos, um bom trabalhador, ser privado de trabalhar numa obra porque se recusa a entregar qualquer parte de seu arbítrio dado por Deus a qualquer organização, seja qual for, sobre a face da terra? Ou, porque nisto se recusa a se colocar numa posição em que possa ser chamado a fazer um mal; pois é errado dizer que teu próprio irmão não terá o privilégio de ganhar a vida porque não se juntará à tua organização. Por outro lado, chega um homem que não é o melhor tipo de cidadão, que pode ser mais ou menos desonrado, que é mais um descrédito à boa cidadania do que outra coisa, e, no entanto, ele pode mostrar uma carteira do Sindicato, e tu, meu bom irmão Santo dos Últimos Dias, que pertences ao Sindicato, trabalharás com ele; permitirás que ele trabalhe para seu sustento e se junte a ti nesta obra, embora ele não valha um vigésimo do dízimo de um homem como este teu próprio irmão na Igreja, com quem te recusas a trabalhar. ¶
Este irmão sindicalizado reconheceu que era praticamente esse o caso, e, no entanto, sentia-se impotente para remediá-lo. Ora, meus irmãos e irmãs, não vedes que este homem havia entregado tanto de seu livre-arbítrio a este seu Sindicato que não lhe era permitido fazer o que era clara e evidentemente certo para com seu próprio irmão na Igreja? Portanto, digo, o conselho que tem sido dado sempre pelos líderes da Igreja, de nos abstermos de nos juntar a qualquer organização, ou dar nossa lealdade, ou qualquer parte de nossa lealdade, a qualquer sociedade ou Sindicato que interfira, no mínimo grau, com nosso livre-arbítrio, é um conselho bom e sensato. É claro que alguém dirá que tem o direito de se juntar a qualquer organização que lhe apraz. É verdade que tem esse direito, mas seu dever, seu simples e claro dever, é proteger seu irmão e os interesses de seu vizinho. Muita gente se apega a seus direitos, como dizem, e frequentemente se esquece de seus deveres. Nossos deveres para com nosso Deus; para com nossa Igreja; para com nossas famílias; para com nossos vizinhos; estes deveriam vir em primeiro lugar, em vez de tanto falatório sobre nossos direitos. ¶
Nosso Presidente disse esta manhã, em suas palavras de abertura, que cremos na liberdade, na liberdade para um homem trabalhar sem ser ameaçado de morte se trabalhar. Ora, concedo que algumas dessas organizações têm feito muito para trazer uma maior parcela de prosperidade aos trabalhadores do que de outra forma teriam tido, mas diríeis que um homem que trabalha para vós como agricultor, e vós estais em pleno meio de vosso trabalho de outono, colhendo vossa safra de batatas, talvez tenhais um vagão que precise ser carregado; é urgente que este trabalho seja feito, porque vem uma tempestade, e vossas batatas vão gelar, e por aí vai — e justamente então, sabendo de vossa extrema necessidade, este homem, que conhece as circunstâncias em que estais, e o quanto precisais de sua ajuda, ainda assim diz: vou entrar em greve; é meu direito fazer greve, e paro de trabalhar aqui mesmo. Diríeis que este homem estava fazendo a coisa certa, cumprindo seu dever, quando deixa o agricultor naquela situação apenas porque sabe que pode infligir um prejuízo a um homem para quem trabalha? Esse espírito é errado, e sumamente censurável. ¶
O Presidente dos Estados Unidos, numa de suas mensagens, disse que há tanta sacralidade no direito de trabalhar quanto no direito de fazer greve. Bem, pensei, ao analisar essa declaração: Que sacralidade há no direito de fazer greve, se, ao fazer greve, prejudico meu irmão? Não me é ordenado, como Santo dos Últimos Dias, e sempre dirigido pelas revelações do Senhor, amar meu próximo? ¶
Ora, a impressão que gostaria de deixar convosco é esta: que o conselho que tem sido dado sempre pelos líderes da Igreja é um bom, seguro e sábio conselho, e é este: não vos junteis a nenhuma organização que interfira com o fazerdes a coisa certa em quaisquer e todas as circunstâncias. É claro que devemos ser caridosos. Devemos ser perdoadores. O Senhor nos deu alguns ideais muito elevados a este respeito, nestas revelações dos últimos dias, por meio do Profeta Joseph Smith. ¶
Podeis ler, na seção 98 da Doutrina e Convênios, uma revelação que foi dada logo depois dos primeiros ataques de turbas e expulsões no estado do Missouri, como o Senhor instruiu os Santos de que, embora tivessem sido atacados por turbas, saqueados, expulsos e roubados de sua propriedade, o Senhor, ainda assim, lhes propõe, nessa revelação, o elevado ideal de que devem perdoar até mesmo seus inimigos, mesmo que esse inimigo não se tenha arrependido. Se ele se arrependeu, perdoá-lo-eis até setenta vezes sete; mas — "se vosso inimigo" — reparai bem, vosso inimigo — "se vosso inimigo vier sobre vós e não se arrepender, ainda assim vós o perdoareis." Este é o padrão maravilhoso de perdão que o Senhor apresenta a esta Igreja. É do mesmo espírito que lemos ter sido exibido no Calvário, quando o Senhor de todos disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Digo novamente, devemos lembrar nossos deveres, tanto quanto sempre nos lembramos daquilo que chamamos de nossos direitos; o dever do marido para com sua esposa, de amar, honrar e proteger, e muitos de nós, maridos, também aprendemos a obedecer. ¶
Não precisamos nos juntar a nenhuma organização no mundo, fora da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, para sermos absolutamente livres, e esta Igreja tem dado evidência, permiti-me dizer com clareza, de sua determinação de guardar e cumprir as leis da terra, e de as observar, e de as sustentar. Esta Igreja fez isso quanto ao princípio do casamento plural, ao qual renunciou em obediência à lei, mesmo que a Igreja não acreditasse que a lei fosse constitucional. Mas quando foi declarada constitucional, a Igreja se rendeu, e obedeceu à lei. Poderia ser dada evidência mais forte de que esta Igreja é a favor da obediência à lei? ¶
Devemos sustentar todas as leis da terra, quer gostemos delas, quer não; enquanto forem as leis da terra, devemos observar e sustentá-las. A lei da proibição; a lei do cigarro; qualquer lei que seja promulgada; e, enquanto estiver nos livros de estatutos, deve ser obedecida. Se nos lembrarmos do primeiro grande mandamento, "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com todo o teu vigor, mente e força," isso sempre nos manterá dentro da lei, obedecendo à lei, respeitando a lei em qualquer terra ou país em que os Santos possam residir. E se pensarmos mais em nossos deveres, e um pouco menos, talvez, em nossos direitos, sairemos ganhando com isso, e não infringiremos nenhuma lei da terra, pois o Senhor disse: "Aquele que observa a lei de Deus não tem necessidade de infringir a lei da terra." ¶
Meus irmãos e irmãs, espero que voltemos desta conferência determinados, como um grande corpo de pessoas, a defender a lei, a ordem, a retidão, a justiça e a paz na terra, e a boa vontade entre todos os homens. Creio, como escreveu o Profeta Joseph, que viria o dia em que haveria tanta desordem, tantas combinações secretas tomando a lei em suas próprias mãos, pisoteando os direitos constitucionais e as liberdades do povo, que a Constituição penderia por um fio. Sim, mas ela ainda pende; e haverá pessoas boas em número suficiente, muitas que talvez nem pertençam à nossa Igreja, pessoas que têm respeito pela lei, pela ordem, e pelos direitos constitucionais, que se unirão a nós e salvarão a Constituição. Nunca li que aquele fio seria cortado. Ele penderá; a Constituição permanecerá, e esta civilização, que o Senhor fez erguer-se, será fortificada pelo poder de Deus, ao pormos para fora de nosso coração tudo o que é mau, ou que é errado aos olhos de Deus, vivendo como devemos viver, de modo aceitável a ele. ¶
Testifico-vos, meus irmãos e irmãs, que esta é, em verdade, a obra do Senhor. Não apenas tenho certeza disso; tenho a certeza absoluta disso. Estou certo quanto à nossa posição no que diz respeito a esta ser a obra especial de nosso Pai que está nos céus. Estou absolutamente certo de que é o poder de Deus para a salvação de todas as nações, tribos, línguas e povos; de todo aquele que der ouvidos. Estes homens, a presidência desta Igreja, e os demais líderes da Igreja com eles, receberam aquela autoridade que os capacita a dar orientação e direção, de tal modo que a grande expansão do Reino de Deus continuará, avançará, conquistando e para conquistar, até que todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus é o Cristo, para a glória de Deus, o Pai. ¶
Que o Senhor a apresse em seu tempo, e nos prepare para os grandes dias que estão por vir, para que possamos sair e pregar o evangelho de Jesus Cristo em todo o mundo, edificar seu Reino, e dar nossa primeira lealdade, e não uma lealdade dividida, mas nossa primeira e única lealdade, a Deus e à pátria, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶