Palavras de Joseph W. McMurrin
Joseph W. McMurrin
É certamente um grande privilégio, meus irmãos e irmãs, estar presente nesta Conferência Geral, e ter a oportunidade de ocupar alguns momentos nesta reunião. Espero sinceramente que as palavras que digo sejam impulsionadas pelo mesmo bom Espírito que dirigiu as palavras proferidas pelos irmãos que se dirigiram ao povo até agora nesta conferência. Compreendo, meus irmãos e irmãs, que só se podem ensinar as coisas do reino dos céus pela inspiração do Espírito do Senhor, e que todo homem precisa estar sob a direção e na companhia desse Espírito, se há de magnificar seu chamado e Sacerdócio e cumprir aceitavelmente o dever e a responsabilidade que recaem sobre ele como servo de Deus, que detém autoridade divina. ¶
Tenho grande prazer em dizer ao povo que a missão da Califórnia se encontra em condição muito próspera. Alegra-nos poder relatar que os missionários designados àquele campo de trabalho procuram, de modo geral, cumprir os deveres que sobre eles recaem. Fazem esforços sinceros para entrar em contato com o povo em toda a missão, e para lhe entregar a mensagem do evangelho, e para expor, conforme seu poder e capacidade, as verdades que foram reveladas, e que foram autorizados a ensinar. Os missionários sabem que estes princípios são essenciais à salvação dos filhos dos homens. De modo geral, os missionários são jovens homens e mulheres com pouca experiência na Igreja. Muitos deles vêm para o campo missionário sem qualquer experiência de se apresentarem diante do povo, para tentar dar expressão a seus pensamentos referentes ao evangelho, mas todos vêm com a determinação de cumprir seu dever. Todos manifestam um espírito muito disposto e obediente. De modo geral, estão ansiosos por estudar o evangelho e obter informação pela leitura das Sagradas Escrituras, e por fazer perguntas que os ajudem a se equipar para os deveres que recaem sobre eles como pregadores de retidão. É certamente uma coisa muito maravilhosa observar o espírito e a atenção ao dever manifestados por esses jovens homens e mulheres, e notar o desenvolvimento que fazem e a compreensão a que chegam a respeito da obra de Deus, até que, apesar do sentimento de fraqueza de que todos possuem, em maior ou menor grau, cheguem a sentir e a saber, em sua própria alma, que foram chamados por Deus para pregar o evangelho de seu Filho, e tenham a certeza de que foram abençoados com aquela autoridade que é necessária na pregação do evangelho. Muitas vezes sinto, ao ouvir seus testemunhos, e ao notar o desenvolvimento que fazem, que estão tão certos, em sua própria alma, a respeito da verdade da obra de Deus, quanto o estavam seus pais e mães. Não há indicação, da parte dos missionários que trabalham na missão da Califórnia, de que amem a verdade de Deus um tanto menos do que a geração que os precedeu. Estão tão ansiosos, e estão tão determinados a cumprir os deveres pertinentes ao seu chamado quanto poderiam ter estado seus pais ou seus avós nos dias que se foram. ¶
Temos cerca de dez mil Santos dos Últimos Dias na missão da Califórnia. A maioria destas pessoas está localizada no estado da Califórnia; algumas, provavelmente mil e setecentas, estão no estado do Arizona, e um número muito menor no estado de Nevada. A missão inclui partes do estado do Arizona e partes do estado de Nevada. Houve um crescimento muito maravilhoso na membresia da missão durante os últimos dois anos, não tanto por conversões, embora sempre se encontrem algumas almas honestas pelos missionários, ao irem de porta em porta, ou ao levantarem a voz na proclamação do evangelho nas esquinas, que dão ouvidos à sua mensagem, e são levadas a investigar os princípios do evangelho, e se convencem de sua verdade, e alegremente entram em convênio com o Senhor nosso Deus, descendo às águas do batismo. Algumas centenas de almas, ano após ano, se convencem assim da mensagem que os missionários procuram transmitir ao povo; mas o grande desenvolvimento em número tem vindo de pessoas de casa. Tivemos, provavelmente, nos últimos dezoito meses, ou período semelhante, dois mil ou mais membros da Igreja que vieram para a Califórnia, trazendo seus recomendados, e empreenderam estabelecer lares em várias partes do estado. Muitos outros membros da Igreja vieram para o estado que ainda não se identificaram com a Igreja. ¶
A Califórnia não sofreu, financeiramente, na mesma medida que muitos dos estados ocidentais têm sofrido durante o ano ou dois passados. Tem havido emprego considerável; de fato, penso que houve emprego para todos os que desejaram encontrar trabalho, particularmente aqueles que se dedicam à construção, pois há milhares de residências e muitos grandes hotéis, teatros, edifícios bancários e outras construções de tipo semelhante, que foram erguidas durante o ano ou dois passados. O ano presente é um dos anos notáveis no crescimento do sul da Califórnia. Foi declarado por aqueles que parecem entender e saber do que falam, que há agora mais edifícios sendo erguidos, ou que foram erguidos durante o presente ano, do que em qualquer outro período semelhante na história da Califórnia, e por causa da falta de emprego e das condições de negócios estagnadas em Utah, Idaho e Arizona, e outras regiões, muitos de nosso povo vieram para a Califórnia em busca de emprego. Tenho a felicidade de poder dizer que, de modo geral, têm encontrado emprego, e têm podido se manter confortavelmente. Estes recém-chegados estão fortalecendo, de forma muito maravilhosa, os ramos da missão da Califórnia. Suponho que o maior ramo já conhecido na Igreja se localize em Los Angeles. Este ramo tem uma membresia de cerca de três mil almas. O ramo de Los Angeles está dividido numa série de subdivisões. Não há ramos independentes nestas suborganizações, mas há cinco outras divisões onde se realizam escolas dominicais, onde se conduz um culto de pregação todas as manhãs de sábado, e onde foram organizadas Sociedades de Socorro. Há também outros distritos que estão sendo abertos, onde esperamos que, num futuro próximo, sejam efetuadas outras organizações. ¶
Temos procurado dar atenção às pessoas que vieram dos estados vizinhos. Procuramos efetuar organizações e nos esforçamos para impressionar sobre o povo, à medida que chegam, que estão sempre sob a obrigação de prestar serviço à obra de Deus, e de serem fiéis aos convênios que fizeram com nosso Pai celestial, e estabelecer um exemplo honrado e reto diante do povo. ¶
Procuramos impressionar sobre os missionários que é a solene obrigação de todo homem e mulher que foi chamado a ser pregador de retidão ser um pregador eloquente em conduta. Pode não ser dado a todo homem ou mulher expor as doutrinas do evangelho com eloquência de palavra, mas sentimos que é dado a todo homem e a toda mulher expor o evangelho, mais eloquentemente, pela retidão de suas vidas, vivendo de tal maneira que aqueles que os observam possam sentir em seu coração o desejo de dizer: Este homem, ou esta mulher, é um bom homem, ou uma boa mulher. Sua conduta indica que têm o temor de Deus em sua alma, e que desejam praticar a retidão. ¶
Temos procurado impressionar sobre a mente dos homens os princípios de que se tem falado nesta conferência. Testificamos ao povo que vivemos numa época maravilhosa na história do mundo, e que, nesta grande e última dispensação em que vivemos, o Senhor nosso Deus, em verdade, se revelou a homens mortais; que, pelo envio de santos anjos, a autoridade divina, que se havia perdido dentre os homens por eras, foi restaurada, e que há necessidade desta autoridade; que os homens não podem ser salvos na presença de Deus sem a autoridade do santo Sacerdócio. As ordenanças do evangelho necessárias à salvação dos homens só podem ser legalmente administradas pela autoridade divina, e nenhum homem pode assumir essa autoridade. Se homens pretenderem, em si mesmos — mesmo que possam ter sentimentos sinceros em sua própria alma — que têm autoridade para pregar o evangelho do Senhor Jesus Cristo e para administrar as ordenanças dele, apenas se enganam a si mesmos; pois a administração das ordenanças do evangelho só pode ser propriamente e legalmente executada pela autoridade do santo Sacerdócio. ¶
Procuramos impressionar sobre a mente dos homens o fato de que essa autoridade foi restaurada; que Deus nosso Pai celestial, em verdade, nesta era do mundo, devolveu ao homem o mesmo poder e autoridade exercidos pelos apóstolos de antigamente, e por outros homens que foram escolhidos, legal e propriamente, pelos apóstolos, e enviados a pregar o evangelho do arrependimento. ¶
Não sentimos ser possível a nenhum ser receber esta autoridade das Sagradas Escrituras. Recentemente, numa de nossas reuniões de sacerdócio, uma jovem missionária, que sente a grande responsabilidade que recai sobre ela, e sua própria fraqueza, e procura cumprir seu dever, indo de porta em porta, veio à casa de um ministro do evangelho, e o ministro deu a entender à jovem que era tempo perdido ela vir à sua porta com a mensagem que tinha a entregar. Ele lhe disse que havia sido pregador do evangelho por quarenta anos, e queria saber dela que direito ela tinha de vir à sua casa com a mensagem do evangelho. Ela então quis saber dele onde havia ele obtido sua autoridade. Fez uma pergunta muito simples: "Como obtiveste autoridade para ser ministro do evangelho, e para administrar as ordenanças do evangelho?" E ele respondeu: "Obtive essa autoridade da Sagrada Bíblia." Bem, meus irmãos e irmãs, por mais fraca que a jovem missionária pudesse ter se sentido, ela sabia, em sua alma, que ele jamais havia obtido uma só partícula de autoridade para administrar em nome de Jesus Cristo a partir da Sagrada Bíblia. Ela tinha compreensão e entendimento suficientes para saber que nenhum homem vivente pode encontrar autoridade para falar em nome do Redentor do mundo pela leitura das Sagradas Escrituras, que a autoridade só pode ser recebida pela imposição das mãos e pela voz da revelação e da profecia. ¶
Quando se pergunta aos missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias como obtiveram autoridade, dão uma resposta totalmente diferente. Eu mesmo a tenho dado, quando os homens quiseram saber: "Como recebeste autoridade?" Tenho respondido: "Fui ordenado testemunha especial do Senhor Jesus Cristo, Setenta na Igreja de Cristo, por um homem chamado Royal A. Barney, e Royal A. Barney foi ordenado ao mesmo chamado pelo Profeta Joseph Smith. Joseph Smith foi ordenado por Pedro, Tiago e João, que foram ordenados pelo Senhor Jesus Cristo;" e não tenho pensamento nem receio em minha mente, quando dou este tipo de resposta, de que qualquer homem vivente possa derrubar o alicerce de autoridade que me foi dado pela imposição das mãos de um humilde servo de Deus que foi devidamente autorizado e comissionado pela autoridade assim revelada do céu nestes últimos tempos. Não pode ser derrubado. ¶
Regozijo-me em minha alma ao testificar que esta autoridade divina foi dada. Regozijo-me na oportunidade de convidar os homens a investigar a mensagem do evangelho, e compreendo que fui chamado a pregar os princípios fundamentais do evangelho, que a responsabilidade recai sobre mim, e sobre meus associados, de clamar arrependimento entre o povo, de convidar os homens não apenas a ter fé no Redentor do mundo, mas a se arrependerem do pecado, e compreendemos que, se os homens se arrependerem, se afastam definitiva e inteiramente da maldade. Como disse um dos apóstolos: "Aquele que furtava, não furte mais;" e este ensinamento se aplica a toda outra linha de má conduta. Persuadimos os homens a se arrependerem e a receberem a ordenança que nos foi dada por nosso Pai celestial, pela qual se pode obter remissão dos pecados, por meio da santa ordenança do batismo por imersão. Como isso alegra minha alma; e alegra a alma de meus companheiros, quando descem às águas do batismo e, erguendo as mãos diante do Senhor Deus do céu, e diante de seus associados e testemunhas, podem dizer: "Comissionado por Jesus Cristo, eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Pois é por esse tipo de comissão, e por esse caráter de autoridade, que conduzimos homens e mulheres às águas do batismo, e sabemos que esta autoridade nos foi dada. ¶
Às vezes sinto que os homens pensam ser uma atitude radical e imprópria que jovens homens e mulheres, que se levantam com mais ou menos temor em seu coração, façam a declaração de que sabem que a verdade de Deus foi revelada, e que a autoridade divina foi restaurada. Eu, contudo, regozijo-me quando os ouço dar tal testemunho, pois sei a respeito deste assunto; e, sendo Deus minha testemunha, soube que Deus falou nos dias de minha meninice. Veio a mim quando eu estava longe, trabalhando como missionário menino — a convicção e o conhecimento de que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo, o Redentor do mundo, e que ele revelou, nesta dispensação, os princípios, doutrinas e ordenanças que fui chamado a ensinar. Esse conhecimento entrou em minha alma da forma mais convincente há quarenta e um ou quarenta e dois anos, embora me pareça, ao olhar tão longe no passado, que antes disso, antes que eu jamais sentisse que poderia honesta e verdadeiramente testificar tal conhecimento, quando olho agora para trás, me parece que sempre houve dentro de mim uma certeza permanente de que a religião de meus pais era, em verdade, a religião do Senhor Jesus Cristo. Sei, como sabem meus associados, sejam eles jovens ou velhos, que não assumimos esta autoridade, que não nos enviamos a nós mesmos, mas que fomos chamados por Deus, pelo Redentor do mundo, por meio da autoridade do santo Sacerdócio, para sermos pregadores de retidão; e temos o direito de chamar os homens ao arrependimento e de os advertir dos julgamentos e calamidades que estão vindo sobre os habitantes da terra. O Senhor Deus do céu confirmará o testemunho que é dado por seus servos e servas, sejam eles jovens ou velhos, e os habitantes da terra, no devido tempo, hão de ser levados a compreender e a saber que dizemos a verdade e não mentimos, graças a Deus. ¶
E este é meu júbilo, meu conhecimento e meu testemunho de que estas preciosas coisas que foram ditas pela autoridade presidente da Igreja durante estas reuniões são as verdades de Deus, que foram reveladas, que hão de permanecer, que são, em verdade, o poder de Deus para a salvação. Sinto, repetidas vezes em meu ministério, consagrar e reconsagrar meu tempo e serviço à divulgação desta mensagem alegre entre os habitantes da terra. Sinto que estou sob obrigação ao Senhor Deus do céu, que me deu, das próprias mandíbulas da morte, a minha vida, e, com a ajuda de Deus, testificarei de sua verdade, seja recebido pelos homens com alegria, seja recebido com desprezo. Estou sob obrigação de dar este testemunho e testificar que Deus, em verdade, falou, que seu Sacerdócio e autoridade foram, em verdade, restaurados, que Joseph Smith foi o grande instrumento para reintroduzir o evangelho do Senhor Jesus Cristo, que é o poder de Deus para a salvação, e oro para que, convosco, eu possa ser fiel, firme e constante a este testemunho para todo o sempre, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶