Pulpit

A Verdade e a Prática da Verdade

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Outubro de 1922·Sessão do Primeiro Dia Vespertina·1922-10-06

Mais do que nunca em minha vida, sinto nesta tarde que preciso da ajuda do Senhor ao procurar dirigir-me a uma congregação de seu povo, reunida em conferência.

Espero ser capaz de fazer com que ouçais minhas palavras, e que tudo o que disser seja sob o espírito de inspiração vinda do alto. Tenho sofrido há algum tempo daquilo que popularmente chamamos "um resfriado," embora creia que o contraí no calor. Às vezes, nas ferrovias, sentindo-me oprimido pelo calor do vagão em que viajo, apanho o que se chama um resfriado; mas confio que, com a ajuda do Senhor, e com vossa atenção e fé, poderei superar os efeitos deste incômodo e falar de modo que possais ouvir e compreender.

A Verdade e a Prática da Verdade

Creio em cada palavra do hino que acabamos de cantar. A verdade é uma grande coisa e, ao lado dela, talvez bem no mesmo nível, está a prática da verdade. Jesus Cristo, segundo o Novo Testamento, ofereceu uma oração a seu Pai a respeito de seus discípulos, particularmente seus apóstolos, e disse: "Senhor, santifica-os pela verdade; tua palavra é a verdade." Sempre podemos confiar na palavra do Senhor, pois sua palavra é a verdade, e "a verdade permanece e não tem fim."

Falando da verdade em abstrato, ela não tem princípio. A verdade é eterna, sem princípio de dias nem fim de vida. O poder e a capacidade de receber a verdade é uma grande coisa — é um dom que creio ser largamente concedido aos Santos dos Últimos Dias. Creio que há algo em nossa ligação racial que tem a ver com isso. É evidente para mim que, nestes últimos dias, o Senhor tem operado poderosamente sobre os descendentes da casa de Israel. Temos, na Igreja, o ofício de patriarca, e aqueles que o detêm devem ser especialmente inspirados pelo Senhor para abençoar o povo sobre o qual impõem as mãos, e para revelar-lhes a que tribo pertencem; e as bênçãos que vieram aos Santos dos Últimos Dias têm sido principalmente que são da casa de Israel, e a maioria deles, pelo menos, da tribo de Efraim, e o Senhor disse que eles seriam os primeiros em sua obra nos últimos dias.

Uma Missão Especial para a Casa de Israel

Creio que há uma missão especial destinada à casa de Israel nos últimos dias, reunida das várias nações, e principalmente será da tribo de Efraim, e que, por meio dela, a bênção e o poder de Deus irão ao mundo, e particularmente aos descendentes de Abraão, o pai das nações e o chefe de sua raça.

Tive uma conversa há pouco tempo com um cavalheiro que está ligado, talvez de modo bastante remoto, a esta Igreja, e ele me disse que recebeu uma bênção de um patriarca muitos anos atrás, quando era menino, e que nunca gostou dela, porque nela se lhe disse que era descendente de Abraão, e não gostava da ideia de descender de um judeu. Quando lhe informei que Abraão não era judeu, ele pareceu ficar muito surpreso. Disse: "O quê, Abraão não era judeu!" "Não," eu disse, "ele não era judeu. Estava morto muito antes de nascer qualquer judeu." O nome judeu vem da tribo de Judá. Abraão, o pai de nossa raça, e, como cremos, nosso pai na terra, no que diz respeito à família, era "o amigo de Deus," e Deus o abençoou, e à sua posteridade, porque, disse ele, fariam sua vontade e lhe obedeceriam, e "guardariam o caminho do Senhor."

Ora, penso que nós, os que somos dessa raça, somos naturalmente assim dispostos; que há algo em nós que tende à nossa disposição de aceitar a verdade quando vem de Deus. Não pretendo dizer que isso se limita a nós, mas que, particularmente, os da casa de Efraim estão prontos a receber a palavra e a agir de acordo com ela, conforme o Senhor os dirigir.

Nossa Posição em Relação à Lei Civil

Testifico-vos que tudo o que ouvimos esta manhã de nosso presidente, para nossa orientação, direção e esclarecimento, é verdadeiro e muito bom. As seções da Doutrina e Convênios, e outras coisas que ele apresentou aqui, são a palavra divina da verdade. Estou familiarizado com elas há muitos anos. A seção que trata de nosso relacionamento e posição quanto aos assuntos civis — os assuntos dos governos em geral — tem-me sido familiar, porque, desde os tempos em que eu era menino, quando abracei o evangelho, tenho crido nelas e me regozijado nelas — a declaração simples, direta, mas poderosa, de nossa posição quanto aos assuntos e negócios civis do Governo. Somos ali exortados a sermos obedientes às leis. Uma das revelações de Deus que apoia isso declara que, se obedecermos às leis de Deus, não temos necessidade de infringir as leis da terra. Isso foi qualificado, de certa forma, por uma revelação posterior, de que devemos observar e sustentar todas as leis constitucionais, pois são de Deus. Cremos que ele inspirou os redatores da Constituição dos Estados Unidos, que foram guiados por seu Espírito quando compuseram aquele esplêndido pronunciamento de governo e lei. É claro que temos tido pontos de vista diferentes dos de alguns de nossos amigos quanto ao que deve ser considerado constitucional e o que deve ser considerado inconstitucional, e essas são questões que têm sido levantadas quase desde o início de nossa fundação como nação. Mas há uma disposição na constituição deste país que dá à Suprema Corte dos Estados Unidos autoridade e poder para determinar o que é constitucional. Tivemos algumas ideias quanto ao que considerávamos inconstitucional, que se haviam infiltrado em certas leis. Podemos ter agora exatamente a opinião que julgarmos correta a esse respeito, mas temos de obedecer àquilo que a Suprema Corte dos Estados Unidos decide ser lei constitucional, assim nos dizem as revelações de Deus. Isso temos procurado fazer, e conformar-nos, tanto quanto possível, àquelas leis que foram declaradas as leis constitucionais da terra.

O Senhor nos disse, quanto a assuntos em geral, e à doutrina e ao princípio, e particularmente quanto às leis referentes ao casamento — a união dos sexos — que aquilo que ele não designou, que ele não ordenou, que ele não mandou, "terá fim quando os homens estiverem mortos, e não continuarão nem depois da ressurreição," diz o Senhor, nosso Deus. Ele só aceitará aquelas ofertas, diz ele, que designou; e isso é uma orientação muito boa.

Ordem na Casa do Senhor

Há outra coisa: "Minha casa é uma casa de ordem, diz o Senhor;" e como temos visto exibido na organização desta Igreja, que ele mesmo estabeleceu nos últimos dias, ela é verdadeiramente uma casa de ordem, pois tudo nela está em ordem, de acordo com o que entendemos ser sua vontade divina, quanto às leis, mandamentos, doutrinas e disciplina, e todos os assuntos referentes à sua Igreja e a nosso trabalho nela.

Uma dessas coisas, que é muito importante compreendermos, e que tem sido ensinada desde o próprio início da organização da Igreja, no dia 6 de abril do ano de 1830, é que o chefe da Igreja — um profeta, um vidente e um revelador — será designado por ele para receber os oráculos, para dar os mandamentos, as revelações e as doutrinas na Igreja. Considero isto, e sempre considerei, uma disposição muito sábia. Todos temos permissão, sob as leis dos Estados Unidos, sob a constituição dos Estados Unidos, e sob as revelações de Deus, de crer naquilo que nos parece certo e verdadeiro. Às vezes não sabemos como determinar o que é verdadeiro e o que é falso, mas todos podemos chegar a um conhecimento da verdade se formos humildes e tratáveis, e dispostos a nos colocarmos na ordem que Deus estabeleceu.

A Respeito de Sonhos, Visões e Revelações

Ouvimos bastante, nestes tempos, sobre manifestações a indivíduos. Estas são apropriadas em seu lugar, para os que as recebem. Os dons do evangelho, sobre os quais lemos no Novo Testamento, estão todos restaurados na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O dom de línguas, a interpretação de línguas, o dom de profecia, o dom de cura, o dom de discernir espíritos, etc., etc., sobre os quais lemos na epístola de Paulo aos Coríntios, todos estão nesta Igreja. Tive a bênção de ver e participar da maioria, senão de todos, desses dons sobre os quais lemos, e eles pertencem aos Santos dos Últimos Dias tanto quanto pertenceram aos santos dos dias antigos; e, segundo o profeta Joel, depois que certas maravilhas se cumprirem — as grandes coisas dos últimos dias — o Senhor diz: "Derramarei meu Espírito sobre toda carne, e vossos velhos sonharão sonhos, e vossos jovens verão visões; também sobre meus servos e servas derramarei meu Espírito." Essa é uma grande bênção ainda por vir aos habitantes da terra, pois o resultado será, como declarou outro profeta, que "a terra se encherá do conhecimento de Deus como as águas cobrem o grande abismo."

Ora, todas estas coisas se cumprirão na devida ordem, de acordo com a mente e a vontade de Deus, pois sua Igreja está estabelecida sobre essa base. O homem que está à cabeça da Igreja é o único a receber revelações e mandamentos para a Igreja, e nos é ordenado pelo Senhor não receber "nenhum outro." Não tomarei tempo para ler do livro de Doutrina e Convênios a esse respeito, mas recomendo a meus irmãos que ainda não o fizeram, e a alguns dos que já o fizeram, que gravem isso novamente em suas mentes; que leiam a 43ª seção desse livro, onde esse princípio é claramente estabelecido, sob mandamento, a esta Igreja, de modo que, embora possa ser verdade que o Senhor derramará seu Espírito sobre indivíduos, para seu bem, para seu benefício, para seu conforto, para sua consolação, para seu esclarecimento; embora o Senhor faça isso por sonho, e por visão, e por línguas, e pelo dom de profecia, etc., estas coisas que ele dá ao seu povo são para eles individualmente, mas não para a Igreja como organização. Quando ele tem algo a dar à Igreja, por via de revelação ou mandamento, para o esclarecimento da Igreja, para o governo da Igreja, para guiá-la e dirigi-la pelo caminho certo, no único caminho — pois há apenas um — virá por meio daquele que ele designou — o chefe da Igreja — que preside sobre a Igreja e tem o direito e o privilégio de receber do Senhor inspiração e poder semelhante ao que foi dado a Moisés na antiguidade. Isto é uma orientação para vós e para mim e para todos nós na Igreja.

Há muitos sonhos divinos sobre os quais podemos ler no Velho Testamento, alguns no Novo Testamento, que evidentemente são dados pelo Senhor, e são uma grande bênção na medida em que se destinam a ir, mas não além disso, e devemos ter muito cuidado em distinguir o que o Senhor revela a indivíduos, ou o que eles pensam ser revelação do Senhor, e o que o Senhor positivamente declara nos dar apenas na ordem que ele estabeleceu. "Pois minha casa é uma casa de ordem, diz o Senhor, e não uma casa de confusão." Esta Igreja foi organizada pelo dom e poder de Deus. O Livro de Mórmon foi revelado pelo dom e poder de Deus a um só indivíduo, e ele foi chamado e designado para essa obra, e a realizou, e há evidência abundante para provar que foi uma designação divina, e que a tradução feita por ele, pelo dom e poder de Deus, é verdadeiramente verdadeira, e traduzida de modo a agradar e ser aceita pelo Senhor. Isso é uma boa orientação para nós, assim como o Velho Testamento e o Novo Testamento são orientações, na medida em que nos dão qualquer conselho e recomendação por via de mandamento do alto. E a bênção que o Senhor às vezes concede às pessoas, dando-lhes comunicações por sonho durante a noite, ou visão durante o dia, são para elas mesmas. Posso testificar que o Senhor fez isso por mim, mas não tenho tornado conhecido aquilo que me foi dado para meu próprio conforto, meu conselho e meu benefício. Tive sonhos que devo reconhecer como divinos, porque se cumpriram à risca — claramente dados e claramente manifestados, e claramente trazidos à realidade — mas eram para mim, e para minha orientação e direção, e às vezes eram de natureza tal que me pareciam quase triviais, ao pensar que o Senhor me revelaria certas coisas de muito pouca importância. Afetavam apenas a mim e àqueles com quem eu estava associado no ministério; cumpriram-se em verdade, mas não os fiz registrar, nem os publiquei, nem os espalhei. Não achei que isso fosse certo.

Durante minha experiência, ao suceder ao Presidente Grant como presidente sobre a missão europeia, tive algumas manifestações a respeito de meus deveres e para me guiar naquilo que tinha de fazer quando estava, como vulgarmente dizemos, "num beco sem saída." Estava "encurralado," não sabia que rumo tomar, mas o Senhor me manifestou o que fazer, e eu o fiz, e tudo saiu bem no final. Creio na doutrina de esperar no Senhor, e tenho uma crença especial na doutrina de Paulo, pois a tenho constatado verdadeira em toda a minha vida, quando ele diz: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam o Senhor e são chamados segundo os seus propósitos." Sei que essa doutrina é verdadeira. Aconteceram eventos em minha vida quando eu não sabia dizer qual rumo tomar, e em meus deveres em alguns aspectos; na missão a que me referi, isso foi particularmente assim, e não tomarei o tempo da congregação para explicar mais, senão que sei que a palavra do Apóstolo é verdadeira. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam o Senhor e são chamados segundo os seus propósitos, e podemos confiar no Senhor e obedecer à sua palavra, e podemos confiar naquilo que ele revela ao homem que é colocado à cabeça para declarar e trazer, por via de mandamento e revelação; e se seguirmos aquele pequeno guia que Deus nos deu na seção a que me referi — a Seção 43 — não seremos desencaminhados.

Ora, os sonhos são coisas muito peculiares. Tive alguns recentemente. Foram muito claros e nítidos. Sonhei várias vezes que havia saído do corpo e estava no outro mundo, e vi coisas e ouvi coisas que me pareceram tão claras e nítidas como se eu estivesse realmente fora do corpo, mas quando acordei e ponderei o que havia visto, descobri que era apenas um sonho. Qual foi a causa disso, não sei dizer. Há várias causas para o sonhar. O sábio, como era chamado, Salomão, disse: "Na multidão de sonhos e palavras há muitas vaidades," e eu tenho sonhado muito que não passava de vaidade, seguida de aflição de espírito.

Uma senhora que era grande crente em sonhos veio a mim certa vez, e queria que eu lhe desse a interpretação de um deles. Ela sonhou coisas bastante peculiares. "E, Irmão Penrose," disse ela, "dá-me apenas a interpretação." Não quis ofendê-la. Vi que não havia nada de particular importância neles, então disse: "Irmã, o que comeste na ceia de ontem à noite?" Sabeis que, na Inglaterra (foi na Inglaterra), costumam ter ceias muito tardias. "Bem, Irmão Penrose," disse ela, "comi um pouco de porco frito com cebolas." "Bem," eu disse, "essa é a interpretação." Não quero que infirais disto que, quando o Senhor dá um sonho a alguém, ou pessoas sonham algo que lhes ilumina a alma e conforta o coração, e parece claro e nítido, eu queira atribuir isso a outra coisa senão àquilo que elas mesmas pensam que é; mas digo e repito que nada deve ser recebido nesta Igreja, por via de direção e mandamento, fora da ordem que Deus estabeleceu em sua Igreja, e que é a mais sábia, benéfica e proveitosa. Segui o conselho, a recomendação e o mandamento revelados por meio do chefe da Igreja à Igreja, e não erraremos.

A Obra Prospera Sob a Administração Atual

Apreciei muito a reunião desta manhã. Apreciei aquelas leituras a que fomos brindados pelo presidente. Creio nelas plena e inteiramente. Estou certo de que são verdadeiras e boas, e sei que a obra que agora avança na terra está sendo prosperada sob nossa administração atual. Testifico, não apenas que Joseph Smith foi e é, em verdade, um profeta do Deus vivo, mas que foi levantado propositalmente nesta dispensação para introduzir a dispensação da plenitude dos tempos, sob a direção de Jesus Cristo, o Senhor, a quem Joseph foi mandado escutar e obedecer; e que nossos líderes, desde o profeta Joseph, depois de seu martírio, foram inspirados por Deus e capacitados para a obra que lhes foi confiada. É assim hoje. Tenho o privilégio e a bênção de estar muito próximo de nosso atual presidente. Tenho estado familiarizado com vários que já faleceram, tive sua confiança, tenho orgulho e sou abençoado em dizê-lo, e sua boa vontade. Às vezes eles receberam minhas ideias e meu conselho, às vezes não, mas sei que foram homens de Deus, e sei que todos e cada um deles tinha a alma voltada para fazer o que Deus queria, e para beneficiar o povo; que não buscaram seu próprio engrandecimento nem benefício pessoal, mas buscaram a mente e a vontade de Deus, e eram homens de oração; eram homens de bom coração; eram humildes e dispostos a fazer o que o Senhor lhes exigia e o que lhes era dado a conhecer. Às vezes coisas lhes foram manifestadas com que alguns deles não concordaram em espírito até receberem a manifestação, mas, quando lhes foi esclarecido o que deviam fazer, o fizeram, e o Senhor esteve com eles, e estará com eles, como esteve com seu servo que agora está à cabeça de nossa Igreja, e me regozijo em ter sua confiança e boa vontade, e em poder orar por ele, como o faço todos os dias, para que seja cheio do espírito de seu ofício e chamado; e ele o tem, assim como o têm seus irmãos que estão associados com ele como líderes na Igreja.

O Evangelho é para Todas as Nações

A conferência desta manhã foi uma maravilha. Reuniu-se aqui uma grande congregação. Pensei comigo mesmo, num tom meio humorístico — como isso comprova claramente a afirmação do mundo de que o "mormonismo" está declinando, especialmente que a terceira geração de "mórmons" abandonará sua fé! E enquanto pensava nisso, o Irmão Ivins, que estava sentado ao meu lado, teve, sem dúvida, a mesma ideia, porque fez o mesmo comentário. Pois bem, é maravilhoso! Não é maravilhoso como fomos reunidos aqui esta manhã para demonstrar a falsidade do que se diz sobre o declínio do "mormonismo"? O "mormonismo" está se espalhando e prevalecendo. O "mormonismo," como é chamado, está cumprindo sua missão no mundo. Foi estabelecido pelo Pai e pelo Filho, e anjos vieram deles aos servos de Deus na terra, e trouxeram grandes verdades para o benefício e a salvação dos filhos dos homens, e somos chamados e designados a levar esta mensagem a todo o mundo. Isso não é apenas para os indivíduos, mas, como um pouco tocado pelo Irmão Roberts esta manhã, é para "toda nação, e língua, e povo;" é como Jesus Cristo disse a seus apóstolos, a toda criatura — "Ide por todo o mundo," disse ele, "e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, e quem não crer será condenado; e estes sinais seguirão aos que creem —" Podeis ler quais são, no Novo Testamento. Creio em cada palavra disso; e agora, nestes últimos dias, o Senhor nos repetiu isso. Ele diz que somos seus mensageiros. O que ele revelou a Orson Hyde e a alguns outros élderes, como lemos no livro de Doutrina e Convênios, Seção 42, é para todos nós, para todos os seus servos que são enviados ao mundo; devem ir e pregar isto a todos. Tenho procurado fazer minha parte na boa obra. O Irmão Grant tem tido um vasto campo de trabalho desde que foi ordenado um dos doze apóstolos. Trabalhou em todas as nações sobre as quais falou.

Prontos para Nos Consumirmos no Serviço de Deus

Trago aqui hoje no bolso meu certificado de élder. Fui chamado para sair e pregar o evangelho sem bolsa nem alforje, para levar a mensagem aonde quer que pudesse, e fui ordenado, segundo meu certificado, no dia 6 de janeiro de 1851. Continuei diligentemente nesse trabalho até ser liberado para voltar aqui, pouco mais de dez anos depois, e desde então já voltei lá três vezes, e está tudo bem. Não tenho do que me queixar; regozijo-me nestas coisas, e ainda estou procurando fazer minha parte na obra. Muitos dos Santos antigos aqui presentes se lembrarão do Irmão George B. Wallace, que foi um dos membros da presidência da estaca de Salt Lake de Sião muitos anos atrás. Ele esteve numa missão na Inglaterra com Daniel Spencer, e eram conselheiros do presidente da Missão Europeia. Ele veio a mim, quando eu fui chamado muito inesperadamente, ainda bastante jovem, ao escritório na Jewin Street, em Londres, e fui ordenado élder naquela ocasião, e disseram-me qual era minha missão, e ele olhou para mim como se quisesse me atravessar com o olhar, e disse: "Irmão Penrose, espera-se dos élderes de Israel, nestes últimos dias, que se consumam a si mesmos no serviço de Deus, e é melhor se consumir do que enferrujar." Ora, essa admoestação que me foi dada então tem estado comigo durante todo o meu trabalho na Igreja. Estou pronto a me consumir no serviço de Deus, a tentar cumprir a admoestação de que devemos estar dispostos a fazer todas as coisas, sacrificar todas as coisas, até mesmo entregar a vida, se necessário, por esta grande obra, e vale a pena, vale isso e muito mais. Vale a totalidade do nosso ser, esta obra em que estamos empenhados.

O Trabalho Nesta Grande Causa Deve Ser Feito com Alegria

A ideia de que os homens têm de ser instigados por mestres ou outros oficiais a cumprir seus pequenos deveres na Igreja, e particularmente no Sacerdócio, é para mim motivo de espanto — por que um homem deveria ter de ser instado a se apresentar e ministrar nas coisas de Deus, a se bem informar sobre tudo o que há a fazer, e a cumprir sua parte, é um mistério. Ele deveria estar alegre de coração, animado de espírito, e sempre disposto a fazer sua pequena parte, ou grande parte, se é uma grande parte para ele. Tudo o que temos vem do Senhor. Todos os itens de informação, todo testemunho do Espírito Santo, que temos apreciado tantas vezes ao longo de todos esses anos, vêm de Deus, não dos homens, é assim para mim, e sou grato por toda manifestação de luz, inteligência e compreensão nas coisas de Deus que me tem chegado, e tenho tido essa disposição, e a tenho hoje, para fazer tudo o que estiver ao meu alcance.

Testemunho

Lamento dizer que minha visão está falhando muito rapidamente. Não há doença em meus olhos, nenhuma dor neles, graças a Deus; fui liberto das dores que suportei por algum tempo em meu corpo; minha organização física, pela bênção e dom de Deus, por seu poder inspirador, em resposta a orações. Sou grato hoje por isso, mas gastei minha visão, por assim dizer, trabalhando por esta Igreja e por este povo, e por mim mesmo nisso. Tudo o que tenho podido fazer pela Igreja também tem sido feito por mim; isso me tem abençoado e confortado, e me tem aberto as coisas da eternidade, nas quais me regozijo de todo o coração e alma, e me alegro em poder testificar, mais uma vez, no meio da congregação, que sei que esta é a obra de Deus; sei que ele a começou; sei que ele a está conduzindo agora; sei que ela prevalecerá; sei que ela vencerá todo mal; a verdade vencerá o erro, sob a inspiração de Deus, sob os trabalhos de seus servos; a luz dissipará as trevas; o mau governo passará, e o governo de Deus será estabelecido na terra, e Cristo será nosso rei, tão certo como estamos aqui reunidos neste tabernáculo, esta tarde. E somos os filhos de Deus. Somos da família e da raça certas. Deus nos chamou, a todos, homens e mulheres, homens, mulheres e crianças que nasceram no convênio; todos eles são especialmente sagrados para o Senhor e sua obra. Sob a direção divina, por meio da ordem que ele estabeleceu em sua Igreja, devemos estar prontos e dispostos a ocupar nosso lugar e trabalhar com todo o nosso vigor, e fazer tudo o que pudermos para promover esta grande obra.

Consagração e Liberdade dos Santos

Ora, quanto às liberdades dos Santos dos Últimos Dias, posso dizer isto: que em todas as minhas relações com os líderes da Igreja, passados e presentes, jamais fui coagido, obrigado ou mandado a fazer coisas contrárias a meus próprios sentimentos e boa vontade; o que fiz, fiz voluntariamente, no exercício daquele dom dado por Deus, o dom do arbítrio, que Deus diz ter dado ao homem. Sim, somos devedores a Deus por isso. Quando nascemos pela primeira vez no mundo espiritual, nosso arbítrio nos foi dado — quando fomos gerados, ou organizados, ou criados, como quiserdes chamar — significa tudo o mesmo — fomos gerados para o Senhor, como o presidente leu esta manhã da grande Visão.

Pois bem, devemos estar consagrados a ele e prontos para trabalhar por ele, pois quando trabalhamos por ele, trabalhamos por nós mesmos, com toda a verdade que pudermos reunir para nossas almas, toda a inteligência que nos puder ser comunicada, que recebemos e pomos em ação sob direção divina. Embora possamos morrer e nossos corpos sejam sepultados na terra, ressuscitaremos e receberemos estes dons, ou os teremos conosco, na manhã da primeira ressurreição, e prosseguiremos até aquela glória, poder e domínio e extensão que é incompreensível, que é eterna, que não tem fim. Estas coisas são para nós, para vós e para mim, se nos colocarmos no caminho certo para receber a lei divina e agir de acordo com a comunicação divina, e nos colocarmos na ordem que Deus estabeleceu, e sermos guiados por ela.

Meus irmãos e irmãs, sinto-me bem nesta tarde, em espírito, embora um tanto fraco no corpo, mas estou muito contente — mais do que posso dizer — por ter o privilégio de vos dizer algumas palavras nesta conferência. Tenho comparecido a muitas. Sempre me regozijei nelas. Regozijo-me hoje. O que resta de mim na terra está ao serviço do Senhor e de sua obra, como esteve desde o princípio. Regozijo-me nisso; glorio-me nisso; agradeço a Deus por todos os seus dons e bênçãos para comigo, e pelo pouco de bem que tenho podido realizar. Faz-me bem ouvir os missionários voltarem e dar o testemunho que dão, sobre o qual o Presidente Grant falou esta manhã, e notar a disposição daqueles que agora estão sendo chamados a ir para o campo missionário, e o desejo que têm tido em seu íntimo há anos. Cresceram desde a infância com uma disposição e um desejo de se sacrificarem, por assim dizer, para sair pelo mundo e pregar o evangelho sem paga, sem recompensa terrena. É uma grande bênção, e é um grande sinal de que Deus está trabalhando com a juventude de Israel. São da espécie certa de pessoas; ele os escolheu e enviou seus espíritos para nascerem na terra nestes últimos dias, especialmente para se dedicarem a esta grande obra, e exercerem seu arbítrio.

Livre Arbítrio e Nosso Glorioso Destino

Tudo o que Deus revela é sobre o princípio de que podemos recebê-lo ou rejeitá-lo, se quisermos. Não deveríamos querer rejeitar nada que venha do Senhor, por meio dos canais por ele devidamente designados. Deveríamos alegrar-nos em conhecer a palavra e alegrar-nos em cumpri-la. Ora, se temos essa disposição, esses dons de que se fala — dons espirituais — todos vêm de um só espírito, embora esse espírito tenha diferentes operações e diferentes fases, por assim dizer; diferentes graus, como tem a luz — a luz natural — de modo que a luz que vem de Deus, aquela luz divina, é o Espírito Santo, é o Espírito pelo qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo, como personalidade, atuam. Esse é seu espírito; é o espírito da criação. Deus criou todas as coisas primeiro espiritualmente, e depois temporalmente, mas fez tudo isso, como ele diz, pelo poder de seu Espírito, e seu Espírito permeia todas as coisas, não apenas nesta terra, mas por toda a vasta imensidão do espaço. Deus guiará e dirigirá esta obra, como a começou, para certos propósitos — e ia dizer — trazê-la a um fim, mas ela não tem fim; haverá um fim para nosso trabalho terreno no corpo; não haverá fim para nossa continuação na vida futura, se saírmos com uma coroa no reino do Pai e herdarmos todas as coisas, todas as alturas, todas as profundidades, todas as larguras, toda a eternidade, todo o conhecimento, toda a inteligência, toda a sabedoria, todo o poder, e nosso aumento de família continuará, e não haverá fim para ele, e, portanto, nenhum fim para nossa glória.

Glória a Deus, sinto em meu coração hoje, por toda a sua bondade para comigo, e por aquilo que ele revelou e ainda revelará para a salvação e redenção da raça humana, e nos dê poder para usar o arbítrio com que nos dotou, para o bem, para o benefício da humanidade, a edificação do reino de Deus, e a preparação do caminho para a vinda do Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Que a paz de Deus esteja convosco e conosco todos, e que possamos alcançar a grande salvação, mesmo a coroa no reino do Pai, por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “A Verdade e a Prática da Verdade”, Conferência Geral de Outubro de 1922, Sessão do Primeiro Dia Vespertina (1922-10-06). Pulpit Vault, 1922-10-05-charles-w-penrose-remarks-6. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).