Limitação de Armamentos e Paz
B. H. Roberts
(Do Primeiro Conselho dos Setenta) ¶
Desejo chamar vossa atenção, por apenas alguns instantes, para a resolução que tão unanimemente, e a meu ver entusiasticamente, votastes por sustentar. Lamento que não teremos maior oportunidade de aprofundar o tema que essa resolução naturalmente apresenta às nossas mentes. Não sei se a conferência internacional sobre a limitação de armamentos, a ser realizada em Washington, com início no terceiro aniversário da assinatura do armistício que encerrou a grande Guerra Mundial — não sei, digo eu, se essa conferência resultará realmente na limitação de armamentos entre as grandes nações que estarão representadas nessa conferência. Percebo, penso, ao menos em parte, as grandes dificuldades que confrontam tal conferência no atual estado de instabilidade dessas nações; mas, embora não saiba se ela terá êxito ou não, creio, sei que é dever dos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias envidar todo esforço em seu poder para fomentar a probabilidade da limitação de armamentos entre as nações da terra. A antiga teoria era a de que, para preservar a paz, era preciso estar preparado para a guerra. Os anos entre agosto de 1914 e o dia 11 de novembro de 1918 demonstraram a falácia dessa teoria. Estou certo de que, se vier a existir um acordo sobre a limitação de armamentos, um grande passo terá sido dado na direção da paz mundial, e, portanto, ainda que exista apenas uma mera probabilidade de que algo favorável ao interesse da paz mundial possa ser alcançado, torna-se apropriado que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias torne conhecido a todo o mundo que estamos a favor de todo movimento que sequer ofereça uma perspectiva de paz na terra e boa vontade para com os homens. Posso referir-me a apenas um exemplo concreto da loucura daquilo que as nações da terra estão fazendo nesta luta insensata em que estão envolvidas, na competição de armamentos. ¶
O Governo dos Estados Unidos recebeu recentemente dos contratados o couraçado Maryland. É a mais orgulhosa posse de nossa marinha. Requer uma tripulação de mil e quinhentos homens para operá-lo, e cem oficiais, totalizando, para operar aquele único couraçado, mil e seiscentos homens que são, é claro, subtraídos de ocupações produtivas na vida. Foi construído a um custo de quarenta e dois milhões de dólares. Tem como seu principal armamento oito canhões de dezesseis polegadas, a um custo de duzentos e cinquenta e seis mil dólares por canhão. Os canhões podem ser disparados cem vezes, e depois vão para o ferro-velho. Este é um de nossos couraçados. Sua vida útil e eficaz será de oito anos. Depois de oito anos, será preciso ter outro navio do mesmo calibre e qualidade para tomar seu lugar, com ainda mais navios se quisermos manter nossa posição relativa na força naval do mundo. Temos três grandes couraçados como este, isto é, temos outros dois do mesmo tipo, o Colorado e o California. Temos oito outros couraçados em construção, mas as datas de sua conclusão ainda não estão fixadas no momento presente. Se nosso próprio programa naval prosseguir conforme planejado, e a Inglaterra prosseguir com seu programa conforme planejado, ao final desses programas, teremos quase alcançado a grande marinha do império mundial da Inglaterra. O Japão, para acompanhar essa corrida insensata, corre o risco de arruinar seu povo nesse esforço. Ele só pode manter sua posição relativa na luta mediante a continuação de seus métodos predatórios, avançando sobre os direitos e privilégios de outras nações a fim de garantir sua parte em sua alegada luta pela existência, e diz-se que seu programa naval está atrelado a isso. ¶
E assim se poderia continuar a chamar atenção às várias facetas dessa competição inútil que ocorre no mundo, na questão do armamento naval, sem mencionar os programas do exército e o desenvolvimento das forças terrestres nas diversas nações da terra. Chegamos evidentemente ao tempo em que, mediante a limitação de armamentos, virá a segurança da paz mundial, ou continuaremos, e continuaremos, até repetirmos — o que Deus não permita — o terrível cataclismo de guerra e destruição como o que testemunhamos durante a grande guerra mundial recentemente encerrada. ¶
O Senhor deu um mandamento a seu povo, no início da história desta dispensação, na ocasião em que foram expulsos de seus lares no Missouri e indagaram fervorosamente ao Senhor para saber o que deveriam fazer. Ele lhes ordenou que levantassem um estandarte de paz, não apenas em relação àqueles que os haviam maltratado e expulsado de seus lares, mas para levantar um estandarte de paz a todo o mundo, e proclamar a paz: "E também vos digo: Fazei um apelo de paz, não só ao povo que vos afligiu, mas também a todos os povos; e erguei um estandarte de paz e proclamai a paz aos confins da Terra; e fazei propostas de paz àqueles que vos afligiram, segundo a voz do Espírito que está em vós; e todas as coisas reverterão para o vosso bem." (Doutrina e Convênios 105:38-40). Essa é nossa missão, principalmente nossa missão, preparar o caminho para a vinda do próprio Príncipe da Paz, a quem os anjos e os habitantes da terra novamente proclamarão como o doador de "paz na terra, boa vontade aos homens." Esse é nosso programa; e visto que esta conferência internacional se propõe a limitar os armamentos tanto das forças terrestres quanto das navais, eu, por mim, saúdo isso como uma indicação de que o Espírito do Senhor está agindo no coração do povo e dos principais estadistas do mundo para trazer a paz entre as nações, e assim quero o privilégio, por mim, de erguer-me em meio a meus semelhantes e ao menos erguer minha voz de bom ânimo em direção à realização desse nobre fim que a conferência tem em vista. Mas, Santos dos Últimos Dias, se esta resolução que acaba de ser aprovada não for do espírito, e se não for vossa intenção erguer-vos como um só homem em Israel e empenhar vosso sincero esforço, com oração a Deus, pela realização desta coisa, rogo-vos que anuleis o voto que emitistes. Ou não façamos isto, ou o façamos com toda a força e poder que Deus nos der em desejo e em oração. ¶
Concluirei, por mais relutante que seja deixar o tema — concluirei lendo-vos uma oração que talvez, na reunião que haveis de realizar no dia designado, quando vos reunirdes em solene culto de oração por esta grande causa, não seja inoportuna. É uma oração que foi dada por revelação de Deus, há noventa anos, por meio do Profeta desta nova dispensação. Não parece haver condições históricas existentes naquele tempo que particularmente exigissem tal oração. Ela é introduzida na história do Profeta com a simples afirmação de que "na primeira parte de outubro recebi a seguinte oração por inspiração." O cabeçalho da oração na Doutrina e Convênios é o seguinte: ¶
"Revelação sobre a oração, dada por meio de Joseph, o Vidente, em Hiram, Condado de Portage, Ohio, na primeira parte de outubro de 1831." ¶
E esta é a oração; e, como todas as orações dadas por Deus, é breve: ¶
Escutai e ouvi uma voz como a de alguém enviado do alto, que é forte e poderoso, cujas idas chegam aos confins da Terra, sim, cuja voz se dirige aos homens: Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. ¶
As chaves do reino de Deus foram confiadas ao homem na Terra, e dali rolará o evangelho até os confins da Terra, como a pedra cortada da montanha, sem mãos, rolará até encher toda a Terra; ¶
Sim, uma voz clamando: Preparai o caminho do Senhor, preparai a ceia do Cordeiro, aprontai-vos para o Esposo; ¶
Orai ao Senhor, invocai seu santo nome, divulgai suas obras maravilhosas entre o povo; ¶
Invocai o Senhor, para que seu reino siga pela Terra e seus habitantes recebam-no e estejam preparados para os dias que virão, nos quais o Filho do Homem descerá no céu, revestido do esplendor de sua glória, para encontrar o reino de Deus que está estabelecido na Terra; ¶
Portanto, que o reino de Deus vá avante para que venha o reino dos céus, a fim de que tu, ó Deus, sejas glorificado no céu e na Terra; que teus inimigos sejam subjugados; pois tua é a honra, o poder e a glória para todo o sempre. Amém. ¶