Testemunho da Missão da Nova Zelândia
James N. Lambert
Regozijo-me convosco, meus irmãos e minhas irmãs, pelo privilégio que nos é concedido de adorar nosso Pai Celestial nesta bela manhã. ¶
Faz agora um pouco menos de cem anos desde que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi estabelecida. Pouco depois de a Igreja ser organizada, nesta época, o Senhor disse que estava prestes a começar uma obra maravilhosa, uma obra que talvez não fosse compreendida por alguns. Pouco depois de nossa Igreja se tornar uma igreja, no estado de Nova York, nosso povo — vosso povo e o meu — foi obrigado a deixar aquele estado por causa da perseguição que sobre ele se abateu. Foram do estado de Nova York para Ohio, e de Ohio para o Missouri, e do Missouri de volta para Illinois. E então veio o movimento rumo ao oeste, para os vales das montanhas. Alguns que eram fracos, que sentiam que não podiam suportar o calor e o fardo do dia, caíram pelo caminho. O Senhor, contudo, abençoou aqueles que tinham a tenacidade, a vontade, o desejo. ¶
Está registrado que, mesmo na primeira companhia de pioneiros que chegou aqui em 24 de julho de 1847, havia alguns que não conseguiam ver as bênçãos do Senhor que acompanhariam o povo nos povoados deste vale. Estavam dispostos a arriscar quanto ao que havia além, entre aqui e o oceano Pacífico; lembraram ao presidente Young que haviam visto muitos lugares, desde o rio Missouri até este vale, que pareciam mais convidativos ao olhar humano do que o que viram quando avistaram pela primeira vez este vale. A observação do presidente Young a eles, contudo, visto que seu olhar profético podia ver o que estava reservado no futuro para o povo que aqui se estabelecesse, foi: "Este é o lugar." E, quando lhe lembraram que isto era parte do Grande Deserto Americano, ele disse que ainda o faríamos literalmente florescer como a rosa. Meus irmãos e minhas irmãs, podeis testificar da veracidade desta profecia do presidente Brigham Young. Certamente o Senhor tem nos abençoado; certamente o Senhor está nos abençoando. Onde quer que nosso povo se tenha estabelecido, do Canadá ao México, da Califórnia aos estados a leste de nós, o Senhor tem abençoado nosso povo e abençoado seus esforços. ¶
Pergunto-me se todos nós estamos nos esforçando para fazer o que se exige de nós como Santos dos Últimos Dias. O irmão Shepherd, ao nos lembrar de uma das maiores bênçãos que nos vieram, um dos maiores dons que o Senhor nos conferiu — casar-nos nos templos de nosso Deus, sermos selados a nossos cônjuges, não apenas para esta vida, mas para a vida vindoura —, perguntou-se se todos nós que estamos aqui esta manhã estamos fazendo o máximo para viver à altura dessa bênção. Estamos ensinando a nossos filhos as bênçãos que nos vieram e das quais nos temos aproveitado? ¶
Sabeis que já fomos acusados muitas vezes de sermos um povo adquirido, peculiar em nossos costumes. Nos primeiros anos da existência de nossa Igreja, fomos acusados de crer num Deus que tem corpo, partes e paixões, de crer num Deus que podia ouvir e responder a nossas orações, de crer que podíamos pedir-lhe que nos dirigisse no caminho em que deveríamos andar, e que ele o faria. Fomos expostos ao ridículo, não apenas neste país, mas em todo o mundo, onde quer que o evangelho tenha sido pregado. Mas creio que a maré está mudando; creio que o povo do mundo está começando a nos admirar e, talvez, a cantar nossos louvores. ¶
Deveis lembrar que está registrado nas escrituras que o Senhor disse que deveríamos ter cuidado quando as pessoas começassem a falar toda espécie de coisas boas a nosso favor, mas que nos regozijássemos e nos alegrássemos sobremaneira quando o mundo falasse falsamente contra nós. Foi meu privilégio, há poucas semanas, conversar com um médico proeminente desta cidade, um homem que não professa ser Santo dos Últimos Dias; e, quando soube que eu havia recentemente voltado de uma missão em que pregara o evangelho por alguns anos, ele disse: "Este sistema que vós, 'mórmons', tendes de enviar vossos missionários pelo mundo é algo maravilhoso; as outras seitas religiosas da atualidade não o têm; as outras organizações religiosas não o farão; fica inteiramente ¶
a cargo do povo 'mórmon' fazê-lo. Pergunto-me como começastes tal coisa." Eu lhe disse que, lá no princípio de nossa Igreja, o Profeta Joseph Smith recebeu uma revelação para enviar nossos élderes dois a dois, para pregar o evangelho sem temor nem favor, para transmitir a mensagem que haviam recebido, para avisar seu próximo, assim como eles próprios haviam sido avisados, e que saímos sem esperança nem pensamento de recompensa no que diz respeito a esta vida, quando nos chega um chamado, seja a um homem ou a uma mulher, para sair e pregar o evangelho, e fomos designados para essa obra em particular; que o Senhor nos abençoa, e muitos voltam para cá vendo os frutos de seus trabalhos, e aqueles que nem sequer tiveram esse privilégio, mais tarde veem outros colherem da semente que semearam. ¶
Foi-me lembrado, ao conversar com esse médico, do comentário feito há alguns anos por um proeminente morador de Salt Lake, um homem que viera para cá e se casara com uma mulher de Salt Lake depois de ter visitado todas as partes dos Estados Unidos e outras partes do mundo. No Clube Comercial de Salt Lake City, aqui, ele afirmou que nunca, em suas viagens, encontrara um povo tão pronto a responder, tão pronto a conversar e discutir as coisas, e a dar razão da esperança que há em si. Disse que se pode ir ao menor povoado e encontrar ali homens e mulheres capazes de fazê-lo, e que ele se maravilhava com isso. Um homem que o ouviu fazer essa afirmação estava bastante ansioso por descobrir exatamente por que ele pensava ter encontrado tal condição. Este irmão queria saber se tinha a ideia certa a respeito, e assim, ao final da reunião no Clube Comercial, perguntou a esse cavalheiro a que ele atribuía essa capacidade que encontrara tão peculiar em nosso povo. Ele disse: "Isso não é segredo algum; é este maravilhoso sistema missionário que vós, 'mórmons', tendes, de enviar vossos rapazes e vossas moças pelo mundo, às diversas partes do mundo, para pregar o evangelho. Eles voltam transbordando de novas ideias. Trazem de volta as melhores coisas que veem, quer vão ao Japão, quer à Austrália, à África do Sul, a várias partes da Europa, ou a vários estados desta União." ¶
Nada há no mundo, meus irmãos e minhas irmãs, que beneficie tanto uma pessoa quanto a comparação, a viagem, a educação. Admirai-vos, portanto, do alto padrão mantido por nosso povo aqui neste estado? Comparamo-nos muito favoravelmente, quando medidos pelos diversos estados da União ou pelos diversos países do mundo, no que diz respeito à educação. Sempre buscamos a educação. Nossos élderes, que vão aos diversos campos missionários e voltam com essas excelentes ideias colhidas de povo em povo, disseminam essas coisas boas entre o restante de nós. Sempre nos esforçamos por aquilo que é bom, saudável e puro, a partir das próprias coisas que nos foram ensinadas na história inicial da Igreja, de que "A glória de Deus é inteligência", que tudo o que aqui buscamos, todas as coisas boas e excelentes que aqui obtemos, e que lembramos e compreendemos, ¶
ressuscitarão conosco no mundo vindouro, e, ao alcançarmos, ao realizarmos e compreendermos essas coisas, nosso poder se tornará muito maior no outro mundo. Admirai-vos, então, da ambição, admirai-vos do desejo que há no coração de cada Santo dos Últimos Dias? De modo algum. Admirai-vos, então, de que cada pai empregue seus melhores esforços para ensinar a seu filho ou a sua filha as coisas que lhe são mais caras, o evangelho da vida eterna, o dom da vida eterna, que tem sido tão incompreendido pelo povo do mundo? Vós, élderes, e vós, irmãs, que estivestes no exterior pregando o evangelho e ouvistes ministros e outros afirmarem que o dom da vida eterna no reino de Deus é o dom de Deus sem esforço algum de nossa parte, já o ouvistes, e já vos admirastes e maravilhastes com o equívoco que algumas pessoas têm. ¶
Permiti-me apontar uma comparação que já fiz em muitas ocasiões, quando esses argumentos foram levantados. Não há estado na União, não há país no mundo, que proporcione uma educação a um jovem ou a uma jovem mais do que o estado de Utah. Nossos meninos e meninas, ao crescerem aqui, são obrigados a ir à escola. Livros lhes são fornecidos; lápis, papel, tinta lhes são dados. Podem ir à escola, e, se moram a grande distância, algum meio de transporte lhes é providenciado. Este "dom" da educação é deles. Não é deles apenas por pedirem, porque lhes é imposto; são obrigados a aceitá-lo; um menino ou menina, em condições normais, deve ir à escola e receber educação; são obrigados a isso. Diria alguém que a educação não é gratuita? Ora, não; nós nos orgulhamos disso; falamos disso, cantamos a esse respeito; nossos missionários, ao irem às partes mais remotas do mundo, contam das coisas esplêndidas que realizamos, e como, quando somos comparados a nossos estados irmãos nesta União, nos comparamos bem com eles. E, no entanto, quereis dizer-me que algum menino ou menina jamais passará de uma série para outra sem esforço próprio? Já ouvistes falar de alguém que se formasse da oitava série para o ensino médio sem esforço da parte de quem recebe esse esplêndido dom, sem preço, da educação? Ora, não, e pensais que uma pessoa pode ser admitida na universidade sem ter os créditos que lhe deem direito a isso? De forma alguma. E, no entanto, essa educação é gratuita. Ninguém teria a temeridade de dizer que essa educação não é gratuita. Ela É gratuita; sim, para aqueles que TRABALHAM por ela. Deus Todo-Poderoso não vai salvar seus filhos na ignorância. Assim como citei a vós há poucos instantes, "A glória de Deus é inteligência"; Deus se regozija em ver seus filhos crescerem, se desenvolverem e se tornarem algo. Ele não olha para nós com qualquer grau de satisfação e alegria quando sabe que somos ignorantes ou permaneceremos na ignorância — seja nos princípios do evangelho, seja em qualquer coisa que nos torne maiores, melhores ou mais grandiosos. Deus Todo-Poderoso se regozijará em nos ver tornarmo-nos maiores, mais grandiosos, melhores. ¶
Regozijo-me convosco, meus irmãos e minhas irmãs, nesta maravilhosa ¶
conferência. Regozijo-me convosco, e presto-vos meu testemunho de que sei que esta é a Igreja de Jesus Cristo, que dentro desta Igreja se encontram as bênçãos do Deus Todo-Poderoso, e que não podemos esperar encontrá-las, nem as encontraremos, fora dela. O Senhor tem sido misericordioso, bondoso, atencioso, longânimo e paciente para conosco. Que possamos apreciar essas bênçãos. Que possamos apreciar as mãos estendidas de nosso Pai, que continuamente nos acenam para que venhamos a ele e recebamos de suas mãos essas maravilhosas bênçãos sobre as quais pregamos, cantamos e contamos em histórias. ¶
Que meu Deus acrescente suas bênçãos, meus irmãos e minhas irmãs; que ele nos sustente e nos ampare em todos os nossos empreendimentos justos, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶