Reminiscências e Testemunho
Seymour B. Young
Meus amados irmãos e irmãs: tenho a honra, mais uma vez, de estar diante de vós na Conferência Geral da Igreja, neste grande edifício que tem testemunhado tantas reuniões dos Santos. Creio que todas as pessoas que compõem esta congregação hoje vieram aqui com uma oração no coração, de que possam receber bênçãos, de que possam receber nova luz e inteligência como guia para seus pés e estímulo para sua consciência, a fim de conduzi-las e dirigi-las no futuro, no caminho da verdade e da retidão. ¶
Fomos favorecidos com discursos de nossos irmãos, e creio ecoar o sentimento de todos, de que recebemos uma bênção do Senhor, e as palavras e os sermões proferidos por nossos irmãos, líderes da Igreja, encontraram lugar pronto em nosso coração, porque necessitamos deste tipo de instrução e, deste modo, impressões apropriadas se formam em nossa vida, de tempos em tempos. Regozijo-me em ser membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Lembro-me muito bem do dia em que fui batizado, aos onze anos de idade. Perdi a oportunidade de ser batizado antes, ou não a tive, pela razão de que, quando a família de meu pai emigrou da cidade de Nauvoo, pouco antes de ele deixar seu lar naquela cidade, levou meu irmão mais velho e minha irmã mais velha até o rio Mississippi e os batizou e confirmou como membros da Igreja. Eu tinha apenas sete anos de idade, e ele me explicou que eu não poderia receber o batismo e tornar-me membro da Igreja até outro ano. Mas eu lhe implorei, e ele finalmente cedeu ao ponto e me levou ao rio Mississippi e me batizou por minha saúde. E isso me satisfez por então. Uma oportunidade de batismo novamente não se apresentou até que eu completasse onze anos de idade. ¶
Lembro-me muito bem do dia e da pessoa que oficiou. O Doutor Orin P. Lee foi quem me administrou aquela sagrada ordenança. Bem perto da margem do riacho onde o batismo ocorreu vivia meu tio, Phineas H. ¶
Young. Voltei para a casa dele depois do batismo, e ali conheci um homem um tanto famoso na história da Igreja, a saber, Oliver Cowdery, uma das três testemunhas do Livro de Mórmon, aquele que escreveu o manuscrito do Livro de Mórmon à medida que a interpretação caía dos lábios do Profeta Joseph Smith. Oliver Cowdery foi contado como o segundo élder da Igreja por ocasião de sua organização, em 1830, no dia 6 de abril. Deixara a Igreja alguns anos depois e passara a exercer a advocacia. Certa ocasião, um advogado da parte contrária disse: "Como pode o senhor dar ouvidos a um homem que proclamou ser seguidor de Joseph Smith, o profeta 'mórmon'? Como pode aceitar seu testemunho, quando ele está tão distante em seus cálculos das coisas que ocorreram da maneira mais natural, e vê as coisas de um ponto de vista espiritual, segundo alega, e foi, em certa época, associado de Joseph Smith, o profeta 'mórmon', e recebeu uma revelação, segundo declara, do Senhor?" Oliver Cowdery, depois que o cavalheiro esgotou sua tirada de escárnio, levantou-se e disse: "Que agrade a Vossa Excelência: fui, certa vez, membro da Igreja 'mórmon'. Fui associado do Profeta Joseph Smith, mas, por minha própria fraqueza, fui desassociado por aquele povo, e lamento que isso tenha ocorrido." E, com as lágrimas escorrendo pelo rosto, declarou que, se a oportunidade jamais se apresentasse, ele novamente se aliaria à Igreja 'mórmon'. Quando veio a Kanesville em visita, na conferência realizada em 1848, sob a direção do Apóstolo Orson Hyde, hospedou-se na casa de meu tio, Phineas Young, e foi ali que o conheci. Oliver Cowdery viera a Kanesville com o propósito de pedir para ser novamente admitido membro da Igreja. Havia se arrependido, segundo declarou, e, no púlpito, no dia seguinte, ao fazer o pedido ao Presidente Orson Hyde, disse: "Não peço lugar, nem poder, nem posição, nem cargo de responsabilidade algum. Tudo o que peço é que eu possa ser novamente admitido membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e morrer com meu registro como membro da Igreja." Seu pedido foi concedido, e ele retornou a Richmond, Missouri, e, em poucos meses, morreu e foi ali sepultado. No início da década de 1870, outra testemunha, também uma das testemunhas principais, Martin Harris, veio ao vale de Salt Lake. Ele também se separara da Igreja. Veio a Utah com o desejo de novamente se identificar com este povo, e fez seu pedido ao Presidente Brigham Young. Ao prestar seu testemunho naquele dia, lembro-me de que fez estas observações: "Tive a honra", disse ele, "de ser o escrivão do Profeta Joseph Smith na tradução de uma parte do Livro de Mórmon, mas, por meu descuido e por minha falta de previdência, o manuscrito que eu havia escrito se perdeu, e nunca foi recuperado, e recebi, com justiça, censura e repreensão do Profeta Joseph Smith. Agora retornei ao seio da Igreja, com a esperança e a oração em meu coração de que eu possa ser novamente admitido membro." Sua súplica também foi atendida. Pouco depois, mudou-se para ¶
Clarkston, no Vale de Cache, e ali morreu, e seu corpo foi sepultado no cemitério daquele lugar. ¶
O testemunho desses dois homens sempre me lembrei, e, ao prestá-los pessoalmente, pareciam tomados de tristeza e pesar ao pensar que haviam perdido sua condição de membros na Igreja, e o posto e a posição que tinham no princípio. Os homens que recebem o testemunho do evangelho, os homens que recebem a testemunha da divindade da missão do Profeta Joseph Smith, os homens que recebem uma testemunha da divindade do Salvador e de sua grande missão, raramente encontram o caminho para se arrependerem depois de terem perdido a fé; mas estes dois homens pareciam ser especialmente favorecidos do Senhor, e o dom do arrependimento não havia sido de todo apagado de seu coração, e, conforme suas orações, foram restaurados novamente como membros da Igreja. ¶
Lembro-me muito bem de que, pouco depois de o Presidente Brigham Young ter retornado a Winter Quarters, de sua visita pioneira ao Vale de Salt Lake, no dia 5 de dezembro de 1847, os Doze se reuniram na casa de Willard Richards, um dos Doze Apóstolos, aquele que foi ordenado em Manchester, na Inglaterra, em 1840. Se vos lembrais da história deste bom homem, ele foi escolhido apóstolo antes de partir para a Inglaterra, na época da missão do Presidente Young àquele país, mas não foi ordenado até que chegassem a Manchester. Havia cinco do Conselho dos Doze reunidos na cidade de Manchester, naquela conferência, e fez-se a proposta de que Willard Richards fosse ordenado apóstolo ali mesmo, tornando-o o sexto membro dos apóstolos naquele antigo país, ao mesmo tempo. Ele foi, portanto, ordenado pelo Presidente Brigham Young, o presidente dos Doze Apóstolos. Neste dia 5 de dezembro de 1847, os Doze se reuniram e escolheram e elegeram Brigham Young para ser o profeta, vidente e revelador de, e presidente de, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em todo o mundo — essa foi a redação exata. Como esta última frase me emocionou! O Presidente Brigham Young escolheu para seus conselheiros os élderes Heber C. Kimball e Willard Richards. Sei que os Santos, universalmente, reconheciam o Presidente Brigham Young como o presidente e líder da Igreja, antes mesmo de ele ser chamado e apartado pelo resto dos apóstolos, pois, quando o Coronel Allen, oficial recrutador dos Estados Unidos, subiu de Fort Leavenworth até Mount Pisgah, havia vários dos Doze acampados naquele ponto. Ele lhes deu a conhecer sua missão e perguntou se lhe seria possível obter o alistamento de quinhentos homens capazes dos acampamentos do povo 'mórmon', para irem ao México lutar nas batalhas de nosso país sob o comando do General Zachary Taylor. Os irmãos ouviram seu pedido e então disseram: "Não podemos decidir esta questão pelo senhor, Coronel Allen. Há apenas um homem que pode decidi-la. Esse homem é o Presidente Brigham Young. Ele está no ¶
presente momento acampado perto de Council Bluffs, à margem do rio Missouri. Se o senhor fizer a viagem conosco, iremos ao seu acampamento, e poderá fazer-lhe essa pergunta e obter dele mesmo a resposta." A questão de recrutar quinhentos homens capazes dos acampamentos dos Santos, deixando assim suas esposas, filhos e pais idosos à mercê do acampamento das planícies, sem provisão de alimento, roupa e abrigo, pareceu terrível a todos; e, pelo que me lembro, a maioria dos apóstolos não recebeu bem o pedido, mas, depois de discutir o assunto, o Presidente Brigham Young disse: "Este chamado precisa ser atendido. Precisamos fornecer os homens. É uma prova de nossa fé. É um teste de nossa lealdade, e propomo-nos a fornecer os homens conforme o Governo requer." ¶
Muitas provas vieram a este povo, muitas provações à sua fé. Na perda do Profeta Joseph Smith e do Patriarca Hyrum Smith, e, por fim, à medida que um líder após outro faleceu, ainda assim esta verdade eterna e este testemunho do Presidente Brigham Young sempre encontraram pronto eco no coração de todo Santo dos Últimos Dias. Ele disse, quando a notícia do martírio o alcançou em Boston: "embora o líder da Igreja, o Profeta Joseph Smith, tenha nos sido tirado pela violência, embora seu sangue tenha sido derramado, embora tenha selado seu testemunho, ele não levou consigo o Sacerdócio do Filho de Deus. Este ainda está na terra; os Doze Apóstolos ainda são os representantes que possuem esse poder e esse Sacerdócio, a eles confiados pelo Profeta do Senhor." ¶
E assim tem sido, de tempos em tempos, e hoje somos novamente honrados por ter uma organização completa da Primeira Presidência da Igreja e do quórum dos Doze Apóstolos. E os Santos sempre reconheceram, à primeira vista, a liderança do homem escolhido para conduzir Israel em cada era da história da Igreja; e hoje, meus irmãos e minhas irmãs, estais reunidos aqui nesta grande conferência, regozijando-vos no fato de que a Igreja está crescendo, está avançando, está aumentando em força e poder, na medida da humildade e da ação firme e decidida e da devoção de seus membros. À medida que se dedicam à causa, assim o Senhor aumenta suas bênçãos sobre eles. Assim, sua recompensa é certa, tão certa quanto trabalharem por ela desinteressadamente. Hoje somos solicitados a promulgar os princípios da verdade em nossas próprias comunidades. Há muitos não "mórmons" vivendo em nosso meio. Pediu-se aos quóruns dos Setenta que fornecessem missionários para levar o evangelho a esses dignos cidadãos que têm vivido em nosso meio, alguns deles já há muitos anos. Encontrei recentemente um de nossos irmãos, que disse: "Vi um cavalheiro que tem sido meu vizinho por anos. Disse ele: estive em vossa reunião esta noite, e eu não sabia antes que os 'mórmons' criam em Jesus Cristo como o Salvador do mundo, e não sabia que tínheis fé alguma em Jesus Cristo, que ensináveis que ele morreu, para que os homens pudessem ¶
viver.' 'Onde tendes estado? Não frequentastes antes nossas reuniões?' 'Não, esta é a primeira vez que compareço a uma reunião 'mórmon' desde que vivo em vossa comunidade.'" A necessidade de pregar o evangelho aqui em casa tornou-se evidente para os oficiais das alas e das estacas de Sião, e agora este movimento de pregar a palavra a todos os nossos vizinhos, e de dar-lhes a oportunidade de conhecer o chamado divino do Profeta Joseph e o resultado de seus labores, e as doutrinas em que cremos, alcançará essas pessoas que vivem em nossas comunidades, e que até agora não a conheciam. E isto, creio eu, é um passo na direção certa, e resultará em muito bem, e muitas pessoas serão ganhas para o conhecimento da verdade sem custo, ou sem grande sacrifício de tempo e de meios. Uma alma aqui em Sião é tão preciosa quanto uma alma salva no exterior, entre as nações da terra, onde são necessárias muitas horas, dias e semanas de tempo, e considerável despesa de dinheiro, para converter cada uma. Os princípios do evangelho são tão aceitáveis para aqueles que são honestos de coração e vivem em nosso meio quanto para os que vivem longe, e os élderes parecem satisfeitos com a obra em que estão engajados, e parecem decididos a levar os princípios do evangelho a seus vizinhos, demonstrando, mais do que nunca, que aceitaram aqueles dois grandes mandamentos que lhes foram dados: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma; e o teu próximo como a ti mesmo." Que este seja continuamente nosso sentimento motivador, que busquemos o bem-estar dos outros, que busquemos servir uns aos outros, que busquemos fazer o bem a nossos semelhantes e ganhar, para o conhecimento da verdade, aqueles que não a conhecem, a qualquer sacrifício que sejamos chamados a fazer, dedicando nosso tempo e nossas melhores energias à divulgação do evangelho do Senhor Jesus Cristo, para que possamos permanecer aprovados e absolvidos o dia todo, e sermos aceitáveis a ele, para que tenhamos continuamente o espírito do evangelho dentro de nós, e o conhecimento de suas grandes verdades ardendo em nosso coração, desejando apenas dar estas evidências a outros, para que se beneficiem delas. Rogo que sejamos fiéis a este fim, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Ralph Jensen, de Heber, e David Cook, de Syracuse, cantaram um dueto. ¶