Testemunho
Robert D. Young
(Presidente da Estaca Sevier de Sião.) ¶
Esta congregação inspiradora, a oração inicial e a bela música fazem-nos sentir, como o antigo Pedro, que "é bom estar aqui", embora a parte que cabe a cada um possa ser uma provação difícil. ¶
A Estaca Sevier de Sião não está situada no extremo norte nem no extremo sul. Estamos centralmente localizados; e, até recentemente, ela compreendia o que o Presidente Grant vos comunicou hoje, tanto a Estaca Sevier Norte quanto a Estaca Sevier Sul. Tínhamos uma estaca muito grande, tanto em número de alas quanto em extensão de território a cobrir; por isso, os irmãos julgaram sábio dividi-la em três estacas distintas. Assim, a Estaca Sevier não é hoje tão grande quanto era por ocasião de nossa última conferência. ¶
Alegrei-me com as palavras do Presidente Allen. Em poucas palavras, direi por quê: quando ouço o nome "Allen", ele me traz à memória um incidente em minha vida que sempre foi e sempre será sagrado para mim. Não sei se o Presidente Allen é representante da família Allen a que agora me refiro. Minha mãe era uma menina órfã. Seu lar era em Glasgow, na Escócia. Tinha catorze anos de idade quando recebeu a mensagem da verdade, por meio dos élderes de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Recebeu um testemunho e converteu-se. Fora cuidada, por vários anos, pela família Allen, vizinhos de seu pai e de sua mãe antes de falecerem. Perguntaram-lhe: "Mary, tendes interesse na fé 'mórmon'?" Ao contar a história, as lágrimas brotaram nos olhos da menina, pois ela sabia o que viria, e ela lhes disse ¶
que sim, que tinha grande interesse nela, que acreditava que eles eram verdadeiros servos de Deus, e que aquela era, de fato, a Igreja de Cristo. Perguntaram-lhe: "Insistis em ir às reuniões deles?" Ela respondeu: "Gostaria." O vovô Allen disse: "Muito bem, meu filho John diz que estais envergonhando a família." Visto que eram pessoas de negócios naquela comunidade, ele disse: "Ouço de todos os nossos clientes e das pessoas na rua que a menina que está convosco e a quem tendes cuidado dá atenção contínua a essa gente 'mórmon', e John está muito ofendido; chegou a este ponto, Mary: ou aceitais nosso lar e sua hospitalidade, ou ficais com o 'mormonismo', e ali está a porta." Ela tomou a porta. Graças a Deus pela coragem, pela fé e pela firmeza que o Senhor lhe concedera em sua adolescência. Ela tinha apenas um xelim. Conseguiu o que era conhecido como o salão Townshead; e implorou ao zelador que, pelo único xelim, permitisse aos élderes, que viajavam sem bolsa nem alforje, pregar ali naquela noite. Convenceu-o, e ele permitiu que os élderes falassem. Contou-lhes que estava sem lar, e os élderes a abençoaram. Antes de deixar a reunião, foi-lhe oferecido abrigo em vários lares, por várias pessoas, impressionadas pelo poder do Senhor de conceder-lhe auxílio. Mas a história é esta — não pretendo que o irmão Allen a tome pessoalmente — que o vovô Allen disse a seus filhos e à sua esposa: "Se o 'mormonismo' pode prender a si tão firmemente uma menina como prendeu Mary, conhecendo nós sua vida como conhecemos, conhecendo sua apreciação por nosso lar e nosso conforto, então quero dizer que há algum poder maior do que o do próprio homem nesta grande obra conhecida como 'mormonismo.'" Para resumir uma longa história, o primeiro jantar que minha boa mãe recebeu, depois que deixou o velho país, recebeu-o aqui em Utah, preparado pela família Allen, e, pelo que sei, eles continuaram firmes, constantes e imovíveis na causa de nosso Salvador. ¶
Aqui, esta tarde, cantamos aquele belo hino: "Quão firme alicerce, ó santos do Senhor, está posto para vossa fé em sua excelente palavra." Não é, para todos nós, uma palavra excelente? Não é o alicerce mais seguro que poderíamos imaginar? Existirá outra organização tão segura, tão sólida, tão perfeitamente organizada, quanto A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias? ¶
Ouvimos, esta manhã, o Profeta do Senhor, que nos deu suas bênçãos. Com ele estão seus conselheiros, o Conselho dos Doze, os sete presidentes dos Setenta, e organizações semelhantes, à medida que se desce pela linha do sacerdócio, uma a uma, organizadas em cada estaca e ala de Sião. Ora, eu sei que são homens de Deus. Conheço-os há muitos, muitos anos. Estiveram em meu lar; dormiram e comeram ali. Trabalhei com eles em várias capacidades, alguns deles, e quero testificar que não há homens com quem eu jamais tenha entrado em contato em toda a minha vida que sejam tão absolutamente devotados, de coração e mão, dedicados ¶
ao serviço do Senhor, ao bem-estar de seus semelhantes, banindo o egoísmo e pensando nos outros. Penso no lar, se me permitis, em que fui criado; penso em meu bom e velho pai, de pé, com lágrimas nos olhos, dizendo a seus filhos e filhas: "Ó, como me sentiria mal se um de meus filhos ou filhas, em toda a sua vida, permitisse que os servos de Deus fossem atacados em sua presença." Todos os dias de minha vida ouvi, naquele lar, enquanto meu pai viveu, coragem, boas palavras, palavras de conselho e orientação. Se seguirmos de perto e cuidadosamente o conselho destes homens, e formos diligentes, teremos êxito na vida, e poderemos viver em retidão; e seremos coroados com uma coroa de glória resultante de uma vida bem-sucedida aqui na mortalidade. ¶
Apenas uma palavra a respeito de nossas organizações. Às vezes, nossos rapazes e nossas moças, em certas idades, tornam-se um pouco descuidados, talvez cresçam um pouco em dúvida, céticos em algum grau, e não compreendem com clareza. Penso nas palavras do poeta, em que ele disse: ¶
QUANTO MAIS VELHO FICO ¶
Quanto mais velho fico, mais paciente me torno, ¶
E mais afeiçoado às pessoas pareço me tornar: Encontro muito de real oculto no fundo da farsa, ¶
Sei que os sucos da vida estão sob a escória. As preocupações que antes afligiam agora parecem ninharias: ¶
E as falhas que pareciam enormes nos amigos que conheço, Parecem desvanecer-se num fundo de bondade e alegria. ¶
Quanto mais velho fico. ¶
Houve um tempo em que eu questionava o propósito da vida — ¶
No modo insensato da juventude, eu era pronto em meu ódio: Mas não conhecia a profundidade nem a extensão da luta, ¶
E nada sabia então dos desígnios do destino, Julgava pela superfície e não pela profundeza, ¶
Era pródigo no prazer e destemido diante da dor, Mas percebo que agora anseio mais por guardar minhas alegrias ¶
Quanto mais velho fico. ¶
Escolhi todos os meus amigos com cuidado especial, ¶
E, descuidadamente, feri os mais verdadeiros e os melhores: A muitos deuses falsos elevei uma prece, ¶
Então as coisas reais da vida pareciam motivo de zombaria, E o mau parecia bom, e o bom parecia mau. ¶
Desprezei, em minha pressa, o que era esplêndido aqui embaixo: Mas encontro-me a desejar ter o que tinha. Quanto mais velho fico. ¶
Aprendi que as loucuras dos homens não estão gravadas fundo: ¶
Que muitas, de que a juventude zomba, são esplêndidas e belas: E os jovens dispersam as alegrias que deveriam guardar, ¶
Do mesmo modo como eu certa vez desperdicei as minhas. Sou mais tolerante agora, mais lento para escarnecer, ¶
Pois sofri minhas dores e estremeci sob um golpe: E o dinheiro, percebo, importa cada vez menos aqui, ¶
Quanto mais velho fico. ¶
Do Wall Street Journal. ¶
Pergunto-me, meus irmãos e minhas irmãs, se me é permitido dizer mais uma palavra. Assim como em todas as partes da Igreja vemos manifestar-se, em nossa própria estaca e alas, um crescimento espiritual; vemos um aumento de atividade em todos os ramos da obra, e em todas as organizações da Igreja em nossa estaca. Notamos que há mais empenho e cuidado, que o povo guarda os mandamentos mais fielmente do que nunca antes. Mas, com tudo isso, sinto que nossos lares não recebem toda a atenção que merecem, por causa dos muitos assuntos mundanos com que as bênçãos de Deus nos têm provido. Pergunto-me se estamos lembrando de nossos filhos e filhas, se oramos com eles de manhã e à noite. Pergunto-me se lhes pedimos que façam sua parte, e se agradecemos a Deus por estes lares pacíficos nos vales das montanhas. ¶
Agradecei ao Senhor por nossos líderes, estes homens bons que Deus escolheu; não há melhores; eles guiarão este povo com segurança por todas as tempestades da vida; que nos afeiçoemos a estes homens e os conheçamos como verdadeiramente são: servos de Deus. Boa leitura é boa semeadura, tem-se dito; bom conselho é boa semeadura, e se pudermos trazer e manter nossos filhos e filhas sob uma influência benéfica, então teremos realizado algo bem-sucedido. Caso contrário, à medida que envelhecermos, encontraremos nossos corações a desejar provar o que nos foi oferecido, mas que não apreciamos plenamente quando jovens. À medida que se avança em anos, chegando aos anos de responsabilidade, os ensinamentos da infância permanecem de modo mais específico e claro na vida de cada um; então o jovem vê com mais clareza o que tem a fazer, e, se seus pais foram fiéis, deram-lhe exatamente aquilo que é afim e próprio de sua natureza melhor. ¶
Enquanto tudo isso acontece, enquanto temos um aumento geral em nossas atividades, pergunto-me se estamos vigiando com cuidado o círculo do lar. Falei recentemente com um de nossos missionários especiais, e sei que, certa vez, ele havia sido um tanto obstinado, e eu disse aos irmãos: "Ali está a casa de reuniões; não sou o guardião de meu irmão; se quiserem ir à reunião, que vão à reunião." Ele me disse há poucos dias: "Ó, irmão Young, sinto tanto o que uma vez lhe disse. Se este trabalho missionário não fez mais nada, converteu-me, além de qualquer possibilidade de dúvida, de que eu sou o guardião de meu irmão, e que Deus me responsabiliza por desempenhar, com o melhor de minha capacidade, a obra que ele coloca em minhas mãos." Nossa obra está crescendo. Nunca tivemos, em nossa estaca, outra coisa que tenha realizado tanto bem, ao que parece, com aqueles que andavam desgarrados, descuidados e negligentes quanto a seus deveres, quanto este trabalho missionário especial. ¶
Temos um maravilhoso alicerce lançado para nossa fé, e quero dizer que estas palavras de Cristo são verdadeiras: "As minhas ovelhas conhecem a minha voz, e a um estranho elas não seguirão." Quando eu estava no campo missionário, tive um testemunho maravilhoso. Um irmão escandinavo que foi para a Austrália tinha uma irmã que se convertera ao "mormonismo", e, antes que ele partisse, ela colocou em seu baú um Livro de Mórmon e uma Doutrina e Convênios. Havia dois rapazes luteranos que foram para ¶
a Austrália e que eram muito hostis. Um deles converteu-se lá. Pediu ao outro, seu companheiro, que lesse com ele, pois havia recebido um testemunho de que o evangelho era verdadeiro. Por fim, morreu, e, em seu leito de morte, para desgosto de seu ministro luterano, disse que era "mórmon" e que queria ser sepultado como "mórmon". Mas suas últimas palavras ao companheiro foram: "Ledes o Livro de Mórmon, e pedis ao Senhor que vos guie e vos dirija? E, se não receberdes um testemunho, no que me diz respeito, não vos responsabilizarei mais." Ele morreu; seu companheiro recebeu um testemunho. Por algum tempo, não soube que havia élderes em Queensland, até ouvir a esse respeito vindo de Copenhague. Veio à nossa procura. Os ministros tentaram afastá-lo. Por fim, ao desembarcar em Brisbane, na Austrália, foi recebido por eles e, como estava decidido a encontrar os élderes, disseram-lhe onde encontraria a igreja reorganizada. Como último recurso, pensaram: mandemo-lo para lá. Ele ouviu a história deles. Nunca havia encontrado um élder em toda a sua vida. Seu nome é Peter Christensen, e agora vive em Idaho; nunca havia encontrado um élder, mas ouviu a história deles e disse: "Vós não sois as pessoas que procuro"; e seguiu adiante. Veio à nossa sede. Encontrei-me com ele, conversei com ele, e as lágrimas escorreram por seu rosto, quando disse: "Vós sois o povo." Achei aquilo um testemunho maravilhoso. ¶
Que o Senhor nos abençoe. Que sustentemos, apoiemos, amemos o próximo como a nós mesmos, e nunca sejamos encontrados falando mal dos ungidos de Deus, de nossos irmãos e irmãs, ou de nossos semelhantes, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Leland I. Acomb cantou um solo de tenor, "Consolai o meu povo." ¶