Pulpit

A Páscoa Universal

Orson F. Whitney

Conferência Geral de Abril de 1921·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1921-04-03

Durante os últimos quinze anos tenho pregado o Evangelho nas Estacas de Sião, e, depois de viver de "estacas" todo esse tempo, preciso, e parece que vou ter, uma mudança de dieta. Se desejais saber como me sinto quanto ao chamado que me veio, eu vos digo: regozijo-me nele. Vou com o coração alegre e o semblante animado cumprir meu dever — como o tenho feito aqui — do outro lado do mundo.

PRIMEIRAS MISSÕES E DESIGNAÇÕES.

Esta não será minha primeira missão como élder da Igreja. Minha primeiríssima missão foi para os Estados Unidos, de 1876 a 1878; trabalhei cinco ou seis meses na Pensilvânia, e depois fui para Ohio, o estado natal de meu pai, onde a família Whitney abraçou o Evangelho nos primeiros dias. Enquanto eu estava em Ohio, minha mãe me escreveu perguntando por que eu não voltava. Disse ela: "Todos os missionários que foram convosco, ou que foram na mesma época que vós, já voltaram para casa. Por que não vindes?" Respondi: "Porque ainda não fui de-

sobrigado; e permanecerei aqui até receber, sem nenhuma solicitação de minha parte, uma desobrigação honrosa da Presidência da Igreja." Tendo sido honrosamente desobrigado, voltei, e fui feito Bispo de Ala. Servi no Bispado por quase vinte e oito anos, e, em abril de 1906, fui chamado para o cargo que agora ocupo. Enquanto isso, do outono de 1881 até o verão de 1883, cumpri uma missão na Grã-Bretanha, trabalhando a maior parte do tempo como editor assistente do Millennial Star.

SEM LIMITE DE TEMPO.

Nenhum limite de tempo foi estabelecido para minhas missões. Nunca senti que devia pedir desobrigação, ou voltar para casa, até que os servos do Senhor que presidiam sobre mim dissessem: "Basta; estais livre para voltar."

Prevalece agora, nos campos missionários, entre alguns de nossos jovens élderes, a impressão de que foram chamados para trabalhar por um período determinado; e, depois que esse período expira — digamos, dezoito ou vinte meses — parecem pensar que têm direito à desobrigação, e alguns até a solicitam. Isso é contrário às minhas tradições e à minha formação. Nunca me chamei para uma missão; nunca me designei a nenhum cargo; e nunca pensei que fosse meu privilégio renunciar, ou pedir para ser dispensado de qualquer responsabilidade relacionada com a obra do Senhor. Tenho respondido a todo chamado que me foi feito até agora, e espero continuar a fazê-lo enquanto eu viver.

OS TRABALHOS DOS DOZE.

No passado, alguns de nossos irmãos e irmãs têm se preocupado com a questão dos trabalhos dos doze apóstolos. Deram a entender que deveríamos estar por aí pregando o evangelho no mundo — evidentemente ignorando o fato de que os Doze viajam sob a direção da Primeira Presidência; que eles não se chamam a si mesmos para missões, mas têm de esperar até serem enviados. Nunca conheci um dos apóstolos que recusasse, ou sequer hesitasse, em responder a qualquer chamado que lhe viesse da autoridade legítima. Anos atrás, eu disse, deste púlpito, citando um versinho que às vezes cantamos:

"Irei aonde quiseres que eu vá, querido Senhor,

Em monte, em terra ou no mar; direi o que quiseres que eu diga, querido Senhor,

Serei o que quiseres que eu seja."

E eu o parafraseei assim:

Irei aonde quiseres que eu vá, querido Senhor,

Irei quando quer que o digas; mas, até ser enviado, não hei de ir —

Ficarei onde quiseres que eu fique.

Agora que fui designado para ir, vou; e prometo ao Presidente Grant e a seus conselheiros, e a vós, meus irmãos e minhas irmãs, que irei de livre vontade e com alegria no coração, sem nenhum desejo de ser desobrigado ao término de qualquer prazo determinado. Deixo isso com o Senhor. Vou para onde ele quiser que eu vá, e ali permanecerei enquanto ele quiser que eu fique. Esta é a obra de Deus, e eu o sei, e me orgulho e me alegro de estar empenhado nela.

o desejo de alma.

Gostaria de ler-vos alguns parágrafos do Livro de Mórmon. Um profeta chamado Alma, de pé no Continente Americano, setenta e seis anos antes do nascimento do Salvador, proferiu estas maravilhosas palavras:

"Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos;

"Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra.

"Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu.

"Não deveria perturbar com os meus desejos o firme decreto de um Deus justo, porque sei que ele concede aos homens segundo os seus desejos, sejam estes para a morte ou para a vida; sim, sei que ele concede aos homens, sim, dá-lhes decretos inalteráveis segundo seus desejos, sejam eles para salvação ou para destruição.

"Sim, e que o bem e o mal se apresentam a todos os homens; e aquele que não distingue o bem do mal não é culpado, mas aquele que distingue o bem do mal, a ele será dado segundo seus desejos, deseje ele o bem ou o mal, a vida ou a morte, a alegria ou o remorso de consciência.

"Ora, uma vez que sei estas coisas, por que desejaria executar mais do que o trabalho para o qual fui chamado?

"Por que desejaria eu ser um anjo, poder falar a todos os confins da Terra?

"Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro.

"Sei o que o Senhor me ordenou e nisso me glorio. Não me glorio de mim mesmo, mas glorio-me naquilo que o Senhor me ordenou; sim, e esta é a minha glória, que talvez possa ser um instrumento nas mãos de Deus para trazer alguma alma ao arrependimento; e esta é a minha alegria."

A PROVIDÊNCIA ESTÁ SOBRE TUDO.

Muitas belas lições poderiam ser extraídas desta passagem de escritura, mas só tenho tempo para me deter numa delas. Ela me diz que a Providência está sobre tudo, e que ele sustenta as nações na palma de sua mão; que ele está usando não apenas seu povo do convênio, mas também outros povos, para consumar uma obra estupenda, magnífica, e árdua demais para que este pequeno punhado de Santos a realizasse por si só. Alma parece ter pensado, por um momento,

que o homem estava fazendo a obra de Deus por ele, quando, na verdade, é Deus quem faz sua própria obra, usando os homens como seus instrumentos. Tampouco ele está limitado, na escolha de instrumentos, a seu próprio povo. Ele empunha o cetro sobre todas as nações, e todas elas fazem seu jogo, consciente ou inconscientemente. Alma sabia disso, mas o havia perdido momentaneamente de vista.

"em sua própria nação e língua."

Ao longo de todas as eras, homens que portavam a autoridade do Santo Sacerdócio — patriarcas, profetas, apóstolos e outros — oficiaram em nome do Senhor, fazendo as coisas que ele lhes exigia; e, fora do âmbito de suas atividades, outros homens bons e grandes, que não portavam o Sacerdócio, mas possuíam profundidade de pensamento, grande sabedoria e o desejo de elevar seus semelhantes, foram enviados pelo Todo-Poderoso a muitas nações, para lhes dar, não a plenitude do Evangelho, mas aquela porção de verdade que fossem capazes de receber e usar sabiamente. Homens como Confúcio, o filósofo chinês; Zoroastro, o sábio persa; Gautama, ou Buda, dos hindus; Sócrates e Platão, dos gregos; todos estes tinham parte da luz que é universalmente difundida, e da qual hoje ouvimos falar. Eram servos do Senhor num sentido menor, e foram enviados àquelas nações pagãs ou gentílicas para lhes dar a medida de verdade que uma sábia Providência lhes havia designado.

OUTROS AUXILIARES

E não apenas mestres — não somente poetas e filósofos; mas também inventores, descobridores, guerreiros, estadistas, governantes, e outros. Estes também têm sido usados, desde o princípio, para ajudar a levar adiante a obra do Senhor — poderosos auxiliares nas mãos de um Deus Todo-Poderoso, realizando seus propósitos, consciente ou inconscientemente.

"Há uma divindade que molda nossos fins, por mais que os desbastemos à nossa maneira."

O Deus de Israel usou Nabucodonosor, rei da Babilônia, para punir seu povo escolhido por seus pecados. O profeta Jeremias foi enviado com a palavra do Senhor a Zedequias, rei de Judá, ordenando-lhe que se submetesse ao "servo" do Senhor — este mesmo Nabucodonosor. E, porque Zedequias se recusou a obedecer, um destino terrível o alcançou; seu reino foi derrubado, seus olhos foram vazados, e ele e seu povo foram levados cativos para a Babilônia. Nabucodonosor foi um grande rei; construiu os "Jardins Suspensos", uma das sete maravilhas do mundo; mas arrogou para si a glória do que Deus havia feito, e teve de ser humilhado até o pó, e enviado a comer erva como o boi, até que "sete tempos" tivessem passado sobre ele, e ele tivesse aprendido a lição de "que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer."

A Babilônia foi derrubada por Ciro, o persa, um grande e bom monarca, chamado pelo Senhor de "seu ungido", e mencionado por nome em profecia mais de cem anos antes de nascer. Ciro foi instrumental em restaurar os judeus cativos à sua própria terra, para que pudessem reconstruir Jerusalém a tempo do advento do Salvador.

Quando o império Medo-Persa se corrompeu, foi derrubado por Alexandre, o Grande. Alexandre conquistou o mundo e "chorou", diz-se, "porque não havia mais mundos a conquistar". Morreu como um bêbado, ou de uma febre causada pelo excesso de bebida. Mas foi isso tudo o que ele fez? O Deão Farrar diz a respeito dele, e do grande serviço que involuntariamente prestou à causa de Cristo: "O imenso território abrangido pelas conquistas de Alexandre deu ao mundo civilizado uma unidade de idioma, sem a qual teria sido, humanamente falando, impossível aos primeiros pregadores dar a conhecer as boas novas em cada terra que percorreram." "Onde quer que fosse," diz o historiador McCabe, "deixava a língua grega... todo-poderosa em aproximar as nações do velho mundo num contato mais estreito e mais íntimo umas com as outras... Mais tarde, as Escrituras Hebraicas, traduzidas para o grego, tornaram-se acessíveis a todo o mundo, e assim se abriu caminho para a missão daquele de quem essas Escrituras testificam."

Ainda de Farrar: "A ascensão do Império Romano criou uma unidade política que refletia, em todas as direções, as doutrinas da nova fé. O Evangelho emanou da capital da Judeia; foi pregado na língua de Atenas; foi difundido por todo o Império Romano; os pés de seus primeiros missionários percorreram a sólida estrutura das estradas retas pelas quais os legionários romanos — 'aqueles maciços martelos de toda a terra' — haviam endireitado no deserto um caminho para o nosso Deus. Semitas e arianos foram instrumentos inconscientes nas mãos de Deus para a difusão de uma religião que, em seus primeiros começos, ambos igualmente detestavam e desprezavam."

A AMÉRICA, UMA MÃE NUTRIZ.

Descendo a tempos mais recentes, basta abrirmos o Livro de Mórmon para ver como o Espírito do Senhor repousou sobre um homem entre os gentios, impelindo-o através das grandes águas até a Terra de Sião, uma terra reservada pela Providência para o triunfo da verdade e da liberdade nos últimos dias — o lugar para a edificação da Nova Jerusalém e o início da obra de preparação que terá de ser feita antes que o Senhor venha em sua glória. Colombo foi inspirado a descobrir a América para esse propósito, embora não o soubesse. Depois dele vieram os Pais Peregrinos; e depois Washington, Jefferson, Franklin, Hamilton, e outros Patriotas da Revolução, todos movidos pelo mesmo Espírito, para criar a poderosa estrutura desta grande República, uma nação livre, garantindo liberdade a seus cidadãos de todo credo e de credo nenhum, e levantada pelo Todo-Poderoso para desempenhar o papel de mãe nutriz da Igreja restaurada de Cristo.

É verdade que os Santos dos Últimos Dias foram perseguidos sob as Barras e Estrelas em vários estados da União; mas não devemos cometer o erro de supor que foi por causa da Bandeira, ou da Constituição, ou do gênio do governo americano, que esses lamentáveis acontecimentos ocorreram. Não; não foi por causa deles, mas apesar deles. Aquelas perseguições foram infligidas pela força ilegal, pela violência das turbas, sempre a ser execrada e condenada por todo verdadeiro patriota. Reconheçamos ao nosso nobre país o mérito do que tem feito na direção de cumprir sua missão dada por Deus. Em nenhuma outra terra — em nenhuma outra nação desta terra — o povo do Senhor teria sido tratado com o mesmo grau de consideração. Em nenhum outro país da terra esta obra teria tido permissão de vir à luz. Esta nação foi fundada propositalmente, para que a Igreja e o Reino de Deus pudessem ser estabelecidos, e todas as nações pudessem desfrutar de sua luz e partilhar de suas bênçãos.

o triunfo da verdade é inevitável.

Jamais devemos permitir que nos tornemos misantropos ou temerosos quanto ao resultado. O sucesso desta obra está assegurado. O triunfo da Verdade é inevitável. As nuvens podem se acumular, as ondas podem se enfurecer, as tempestades podem irromper com fúria; mas o Piloto infalível está ao leme, e o Navio por ele conduzido há de superar toda tormenta.

"A Verdade, para sempre no cadafalso,

O Erro, para sempre no trono. E, no entanto, aquele cadafalso governa o futuro,

E, por trás do incerto desconhecido, Deus permanece de pé, na sombra,

Vigiando os que são seus."

Como citar este discursoOrson F. Whitney, “A Páscoa Universal”, Conferência Geral de Abril de 1921, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1921-04-03). Pulpit Vault, 1921-04-orson-f-whitney-the-universal-easter. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).