Esta tem sido uma das mais interessantes
Andrew Jenson
Esta tem sido, para mim, uma das mais interessantes conferências a que já assisti. Talvez eu possa atribuir com propriedade essa impressão ao fato de que tantos acontecimentos históricos têm sido mencionados, e tanto se tem dito a respeito da manutenção de registros, algo que me tocou profundamente; e sinto-me impressionado, depois de ouvir o ¶
discurso histórico e interessante do presidente Samuel E. Woolley, da Missão Havaiana, a dizer algumas palavras a respeito da elaboração da história e da manutenção de registros, e a explicar brevemente, se puder, como todos nós devemos à história aquilo que sabemos a respeito de Deus, nosso Pai eterno, e de seus tratos com a humanidade nos tempos que já passaram. ¶
Tenho em minha mão uma das obras-padrão da Igreja, chamada A Pérola de Grande Valor, e verifico que esse pequeno livro nos dá algumas informações históricas importantes a respeito da criação do mundo e de outras coisas, além do que está contido na Bíblia. No segundo capítulo (no livro de Moisés), leio a respeito da criação do mundo o seguinte: "E aconteceu que o Senhor falou a Moisés, dizendo: Eis que eu te revelo o que concerne a este céu e a esta Terra; escreve as palavras que eu digo." O Senhor então prosseguiu revelando a Moisés a história da terra em que vivemos, e Moisés a escreveu. Por esse meio, não somente Moisés, mas todos nós, a quem é permitido ler as palavras que Moisés escreveu por ditado do próprio Senhor, chegamos a compreender como a terra foi formada ou criada, e mais tarde por que foi formada. Ela nos diz que éramos inteligências ou espíritos vivendo com Deus, nosso Pai, e que o Senhor olhou para o espaço e disse: "Desceremos, pois há espaço lá, e tomaremos destes materiais, e faremos uma terra onde estes [os filhos de Deus] possam habitar; e assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar" (Livro de Abraão 3:24, 25). Esse foi o princípio da terra em que vivemos. ¶
Tomai a Bíblia, tanto o Novo quanto o Velho Testamento, e vereis que é a parte histórica dela que nos torna sábios para a salvação, tanto talvez quanto aquilo que chamamos de Profetas ou os Salmos, ou qualquer outra coisa contida nos livros: por esta razão, que, se não estivéssemos informados historicamente, e não soubéssemos em que circunstâncias essas palavras foram proferidas, jamais as compreenderíamos, e, por conseguinte, elas nos fariam muito pouco bem. Ao ler a história bíblica, aprendemos algo sobre os filhos de Israel, como passaram quarenta anos no deserto, e como finalmente atravessaram o Jordão e alcançaram a terra prometida. Lendo mais adiante, aprendemos algo sobre os estatutos e mandamentos que o Senhor deu aos filhos de Israel, e como prosperaram por uma temporada na terra prometida. Assim, conhecendo sua história, compreendemos o significado das predições de seus profetas e seu cumprimento. ¶
Consideremos em seguida o Livro de Mórmon. Aqui encontramos que a primeiríssima linha escrita naquele sagrado volume é história, começando assim: "Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais", etc. E assim Néfi começa a contar a respeito de sua linhagem e a bela história de seu pai, Léhi, que "habitara em Jerusalém todos os seus dias", e como Léhi foi mandado pelo Senhor a conduzir sua família até esta terra (a América), de onde até os havaianos vieram, do que ouvimos algo hoje. Os historiadores entre os nefitas eram muito diligentes na manutenção de registros. Contudo, em certa ocasião, o próprio Cristo ¶
chamou atenção para uma omissão importante em seus registros. Lerei o seguinte trecho do Livro de Mórmon (3 Néfi, 23, 7 a 13 inclusive): ¶
"E aconteceu que ele [Jesus] disse a Néfi: Trazei o registro que vós escrevestes. ¶
"E quando Néfi lhe levou os registros, tendo-os posto na sua frente, ele olhou-os e disse: ¶
"Em verdade vos digo que ordenei a meu servo Samuel, o lamanita, que testificasse a este povo que no dia em que o Pai glorificasse seu nome em mim, muitos santos se levantariam dentre os mortos e apareceriam a muitos e ministrariam entre eles. E perguntou-lhes: Não foi assim? ¶
"E seus discípulos responderam-lhe, dizendo: Sim, Senhor, Samuel profetizou de acordo com tuas palavras e todas elas se cumpriram. ¶
"E Jesus disse-lhes: Por que razão não escrevestes que muitos santos se levantaram e apareceram a muitos e ministraram entre eles? ¶
"E aconteceu que Néfi se lembrou de que isso não havia sido escrito. ¶
"E aconteceu que Jesus ordenou que fosse escrito; por conseguinte foi escrito, como ele ordenou." ¶
Referindo-nos à revelação moderna dada em nosso próprio tempo, aprendemos que, quando a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi organizada, no dia 6 de abril de 1830, com seis membros, a primeiríssima coisa que Deus disse a seus servos depois da organização foi o seguinte: "Eis que um registro será escrito entre vós" (Doutrina e Convênios 21:130). O Senhor não negligenciou a importância da manutenção de registros. Tenho pensado, algumas vezes, que naquela ocasião ele se lembrava da importante história do passado, e da aparente negligência em registrar os acontecimentos no tempo em que se deram, nos dias de ¶
o Salvador. Não podemos, é claro, dizer exatamente o que foi originalmente escrito por aqueles que estiveram associados a Cristo em seu ministério na Galileia, em Samaria e na Judeia, mas isto sabemos: que Mateus, Marcos, Lucas e João não escreveram as histórias ou evangelhos a eles atribuídos senão quarenta ou cinquenta anos depois de ocorridos os acontecimentos por eles narrados; e, por boas e suficientes razões, homens eruditos do mundo cristão têm, durante os últimos mil e oitocentos anos, tentado harmonizar esses quatro evangelhos, que, em bom número de casos, parecem ser mais ou menos contraditórios ou imprecisos. As narrativas foram aparentemente escritas de memória, muitos anos depois de ocorridos os acontecimentos registrados. Por conseguinte, há, nos evangelhos mencionados, uma falta de datas importantes em relação ao ministério do Salvador e aos primeiros acontecimentos ligados à Igreja Cristã. Ao abrir a Dispensação da Plenitude dos Tempos em nossos dias, o Senhor parece precaver-se contra a repetição do que fora uma aparente negligência séculos antes, pois o primeiríssimo mandamento que o Senhor deu à sua Igreja, como corpo organizado em nossos dias, foi, como já dito, a respeito da manutenção de registros, e Oliver Cowdery foi designado como o primeiro escrivão daquela Igreja que, por mandamento e autoridade divinos, foi estabelecida na terra por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith. Quando Oliver Cowdery foi posteriormente chamado para outra obra, foi dada uma revelação especial por meio de Joseph, o Profeta, chamando John Whitmer, uma das oito testemunhas do Livro de Mórmon, para ser o historiador regular da Igreja. Foi-lhe ordenado escrever e ¶
conservar uma história regular e assistir Joseph Smith na transcrição de "todas as coisas que te serão dadas" (Doutrina e Convênios 47:1-4). E o Senhor disse ainda: "E também te digo que ele será encarregado de continuamente fazer o registro e escrever a história da igreja." Se isso não fosse assunto de grande importância, o Senhor, parece-me, não o teria ordenado. ¶
Se não fosse pelos registros e pelos historiadores, não teríamos Bíblia, não teríamos relato do ministério de João Batista ou de Jesus Cristo. Não teríamos Atos dos Apóstolos. Não teríamos nada, exceto uma vaga tradição a respeito do cristianismo tal como foi estabelecido na terra há 1.800 anos. Se não fosse pelos historiadores, jamais teríamos tido o Livro de Mórmon. Não saberíamos muito do que poderíamos confiar como verdade a respeito de Joseph, o Profeta. Teríamos recebido algo transmitido a nós de forma mais ou menos vaga e pouco confiável. Com todo o respeito a nossos antigos veteranos, de cabelos grisalhos e honestidade inquestionável — aqueles que procuram relatar narrativas interessantes a respeito de Joseph, o Profeta, e dos primeiros dias da Igreja —, não podem, com todo o seu empenho, relatar os fatos exatamente como aconteceram: acham impossível fazê-lo corretamente quando se trata de detalhes. Sua memória não lhes permite contar a história perfeita e exata. Mas podemos usar suas narrativas comparando-as com os registros da Igreja escritos por Oliver Cowdery, John Whitmer, Willard Richards, George A. Smith e muitos outros, até os nossos dias. ¶
Chamo-vos a atenção para isto, meus irmãos e irmãs, porque também em nossos dias tem havido uma aparente negligência na manutenção de registros. O interesse parece ter-se perdido, em grande medida, no presente, quanto à história deste povo maravilhosíssimo, os Santos dos Últimos Dias. Permiti-me aqui interpolar que nunca houve outro povo assim sobre a terra desde que ela foi criada. Não faço exceção alguma a esta afirmação de largo alcance. Lemos a respeito dos israelitas no Velho Testamento, dos primeiros cristãos no Novo Testamento, dos nefitas neste continente no Livro de Mórmon, e de muitos outros povos que habitaram a face da terra em várias eras. Todos esses povos tiveram suas experiências em seus dias e gerações, mas já não existem mais; a história nos diz que suas atividades por fim chegaram ao fim. Mas a dispensação a que pertencemos continuará, segundo a promessa, para sempre. Nós, como organização, permaneceremos em existência por todo o tempo vindouro, e será exatamente como disse o presidente Woolley: que estaremos aqui depois que toda outra denominação religiosa tiver deixado de existir. A própria terra poderá passar, ou sofrer uma mudança radical, ao ser purificada pelo fogo, mas a Igreja de Jesus Cristo não deixará mais de existir, pois desta organização da Igreja há de crescer, eventualmente, o reino de Deus, sobre o qual Cristo reinará como Rei dos reis e Senhor dos senhores. ¶
E agora desejo dizer algumas palavras a respeito dos trabalhos realizados nos últimos anos no Gabinete do Historiador, e dar uma pequena informação adicional sobre o assunto a que o presidente Anthon H. Lund aludiu em seu discurso proferido na primeira sessão desta conferência geral. Temos estado muito ¶
ocupados no Gabinete do Historiador, e também fora dele, reunindo e organizando aquilo que formará a base da história autêntica da Igreja. Alguns de nós temos viajado por todas as partes do mundo, reunindo informações históricas para esse fim, e, durante essas viagens, dados da maior importância têm sido coletados e milhares de registros têm sido examinados. Registros têm sido mantidos desde o princípio, tanto na sede da Igreja quanto nos diversos campos missionários e nas estacas de Sião, mas, em muitos casos, foram mantidos de forma imperfeita. Até mesmo John Whitmer, o primeiro historiador da Igreja, não foi fiel em seu chamado especial por muito tempo. Apostatou, e, ao deixar a Igreja, recusou-se a entregar os registros que mantivera às devidas autoridades da Igreja; por isso, durante vários anos, não tivemos os registros completos a respeito dos dias de Kirtland e do Missouri. Numa de minhas missões especiais ao Leste, senti-me impelido a ir a certo lugar no Missouri, onde encontrei o antigo registro de Whitmer. Consegui obter uma cópia completa dele, que contém alguns dados importantes além daqueles que a Igreja já possuía. O registro de Whitmer não é muito extenso, mas abrange um período da história da Igreja a respeito do qual não podemos aprender demais. Devo acrescentar aqui que obtivemos, de outras fontes de informação pouco usuais, muitas coisas de natureza histórica que desde então se mostraram de grande valor. Por isso sinto-me verdadeiramente grato, porque as fontes dessa informação estão hoje, em alguns casos, fechadas. Muitos dos que estavam vivos há quarenta ou cinquenta anos, e que então poderiam ter-nos dado informações valiosas, já não estão mais entre nós, e, em outros casos, registros de onde colhemos dados há muito tempo desde então foram destruídos ou perdidos. ¶
Temos procurado retroceder ao princípio. Temos vivido o suficiente e trabalhado o suficiente para nos convencermos deste fato: que acontecimentos que originalmente pareciam triviais e sem importância, no momento em que ocorreram, tornaram-se, com o passar dos anos, assuntos da maior importância, devido aos grandes resultados que, em muitos casos, vieram de pequenos princípios. Referindo-me ao princípio, por exemplo, não houve muito alvoroço nos Estados Unidos quando seis homens se reuniram silenciosamente no sótão da casa de toras do Pai Peter Whitmer, na pequena e obscura aldeia de Fayette, condado de Seneca, Nova York, naquele dia hoje memorável, 6 de abril de 1830; mas olhai para esse acontecimento agora, à luz da história. Quantos milhares de pessoas não estão hoje profundamente interessadas naquela pequena reunião em que a Igreja a que pertencemos foi organizada pela primeira vez? Quando a Igreja era muito pequena, mesmo seus primeiros membros não davam muita atenção a vários incidentes corriqueiros que ocorriam. Quando Brigham Young se converteu à missão divina do Profeta Joseph, ninguém, exceto os diretamente envolvidos, deu atenção a isso, mas, à medida que a Igreja crescia e o presidente Brigham Young se tornava um dos maiores pioneiros e líderes que o mundo já conheceu, então passamos a olhar para a conversão do presidente Brigham Young ao "mormonismo" como um assunto de importância incomum, e assim também com muitas outras coisas, por causa dos grandes resultados que se seguiram. Por conseguinte, nós, historiadores de uma época posterior, naturalmente nos aprofundamos mais na história da Igreja do que os historiadores que nos precederam. Temos percorrido o mesmo terreno que foi coberto por Willard Richards, George A. Smith e outros historiadores, e acrescentamos grande número de detalhes que haviam sido por eles negligenciados, ou considerados assuntos de tão pouca importância que não lhes foi dado lugar na história da Igreja. Assim, dos registros mais antigos mantidos nos diferentes ramos e organizações da Igreja, e de milhares de cartas e documentos arquivados, temos recolhido uma vasta quantidade de informações históricas que até então não haviam sido consideradas dignas de registro. Temos revisado repetidamente alguns desses registros antigos, e também nos dedicamos ao estudo dos registros mantidos nas diversas organizações e ramos da Igreja em seus campos missionários, por todo o mundo, e, em alguns casos, tivemos de lançar a própria base histórica de algumas de nossas missões. Por exemplo, quando visitei o Havaí, em 1895, não encontrei absolutamente nada em forma de documentos oficiais pertencentes àquela missão referentes aos seus primeiros dez anos de existência. Todos os registros públicos que haviam sido mantidos antes do episódio Gibson haviam sido perdidos, mas, com muita paciência e trabalho, dedicamo-nos a reunir, a partir de cartas antigas e dos arquivos do Deseret News, material que, uma vez reunido, forma um registro bastante aceitável a respeito da fundação da Missão Havaiana. Temos já, no Gabinete do Historiador, mais de 700 grandes volumes de história manuscrita concluídos. Não esperamos que nenhum de vós venha algum dia a ler todas essas longas histórias manuscritas, mas todas elas são muito importantes como obras de referência. Esses volumes, e os muitos que ainda serão acrescentados, podem apropriadamente ser chamados os "pais" da nova dispensação, e classificados junto aos assim chamados "pais" da Igreja Cristã primitiva. Temos registrado quase tudo o que aconteceu desde a organização da Igreja, em 1830, na devida data; e continuamos registrando os acontecimentos à medida que ocorrem diariamente, tão regularmente quanto o sol nasce e se põe, e, como a Igreja está hoje representada em quase todas as partes do mundo, pode-se dizer que nós, historiadores, fazemos uma viagem ao redor do mundo uma vez a cada vinte e quatro horas, não fisicamente, é claro, mas em nossa mente e em nossas pesquisas. Esta compilação de acontecimentos históricos é o que chamamos de História Diária da Igreja. ¶
Além disso, temos nos dedicado, por assim dizer, ao grande campo mundial, e empreendido escrever uma história separada de cada missão estabelecida em qualquer parte do mundo, juntamente com suas conferências e ramos. Isso significou, para mim pessoalmente, duas voltas completas ao mundo. Certa vez fui pelo oeste e voltei pelo leste, e assim perdi um dia de minha curta existência; e, quando tive ocasião de dar a volta ao globo pela segunda vez, parti pelo leste e voltei pelo oeste, recuperando assim o dia que perdera em minha primeira circum-navegação. Minhas viagens foram, principalmente, no interesse da história da Igreja. Seguindo os passos dos missionários que me precederam, consegui obter muitas informações valiosas de diversas fontes e, além disso, reuni milhares de registros que se haviam acumulado nos diversos campos missionários, e os enviei à sede da Igreja, onde agora estão guardados com segurança no Gabinete do Historiador. Muitos desses registros valem, a meu ver, seu peso em ouro, tanto para os historiadores quanto para a Igreja em geral. ¶
Também temos nos dedicado às diferentes estacas de Sião para fins históricos, e reunimos material para escrever, e escrevemos, a história de cada estaca, mais ou menos completamente, começando com a organização da estaca em Kirtland, Ohio, a estaca no Missouri, a estaca em Nauvoo, Illinois, etc., e temos continuado essa obra até o presente, mas mais particularmente até o final do século dezenove. Até mesmo todas as estacas de Sião, tal como estão hoje organizadas, receberam atenção. E fizemos mais do que isso. Entramos nos detalhes de cada ala episcopal da Igreja e, como temos hoje cerca de oitocentas dessas alas organizadas nas diferentes estacas de Sião, o trabalho é imenso, e temos dado atenção a todas elas, particularmente às mais antigas. Assim, escrevemos a história de todos os povoamentos dos Santos na região das Montanhas Rochosas, que se estendem do México, ao sul, até o Canadá, ao norte. Visitamos cada canto e recanto das montanhas e reunimos e escrevemos algo em forma de história de tudo o que tem existência dentro do sentido das organizações da Igreja. Creio poder dizer com verdade que nenhuma organização que remonte ao século dezenove foi inteiramente negligenciada, ainda que, em alguns casos, tenhamos conseguido escrever histórias muito melhores do que em outros, devido à ¶
diferença nas fontes de onde obtivemos as informações. ¶
Na maioria das alas, também escrevemos as histórias das Sociedades de Socorro, das Escolas Dominicais, das Associações de Melhoramentos Mútuos dos Rapazes e das Moças, da Associação Primária, das Classes de Religião, etc., sem falar dos vários quóruns do Sacerdócio, trazendo o fio histórico até o final do século. Assim, temos podido dar o devido crédito aos membros fiéis da Igreja que trabalharam nos diferentes quóruns e associações auxiliares desde o princípio. Ao realizar este vasto trabalho, nosso principal objetivo tem sido obter dados precisos e escrever histórias absolutamente verdadeiras e confiáveis em todos os seus detalhes. Mas não nos daremos por satisfeitos com nosso trabalho até termos feito mais uma visita a todas as estacas e alas por toda a Igreja, com o propósito de ler aos antigos colonizadores, e a todos os demais interessados, aquilo que escrevemos, a fim de assegurar a exatidão e corrigir todos os possíveis erros que possam ter se infiltrado. Nesta nossa próxima visita, esperamos uma resposta e uma cooperação de todo o coração da parte de todo o povo. Que ninguém, por mais ocupado que esteja com outras coisas, deixe passar a oportunidade, mas se reúna conosco e se convença, tanto quanto possível, a prestar auxílio e assistência, para que as histórias feitas a respeito deles e de seus povoamentos estejam corretas. ¶
Em nosso trabalho de revisão, desejamos precaver-nos particularmente contra erros em nomes. Tenho dito com frequência que meu cabelo ficou grisalho por causa das dificuldades que encontrei em meus trabalhos históricos ao procurar descobrir os nomes corretos dos irmãos e irmãs mencionados nas histórias que eu escrevia. Meu cabelo, desde a infância, sendo de cor um tanto loiro-claro, eu não esperava que algum dia se tornasse grisalho prateado, mas assim aconteceu, e creio que foi em parte devido ao fato de eu ter encontrado, em minhas viagens, tantas pessoas — pessoas inteligentes, também — que pareciam não saber seus próprios nomes. ¶
Permiti-me explicar melhor. Toda a história da Igreja é, naturalmente, baseada nas ações e experiências de homens e mulheres que tomaram parte mais ou menos ativa em assuntos públicos, tanto dentro como fora do país. Temos procurado dar a esses homens e mulheres fiéis o devido crédito em seus próprios nomes, e temos nos esforçado por eliminar apelidos, alcunhas, nomes abreviados ou iniciais, nomes mal grafados, e nomes de estrangeiros que, ao chegarem a este país, anglicizaram seus nomes originais e assim passaram a ser conhecidos como indivíduos diferentes. A mudança e a corrupção de nomes têm sido motivo de muito aborrecimento para os historiadores, pois muitas vezes encontramos homens que, ao cumprirem missões no estrangeiro, eram conhecidos por um nome, e que, ao ocuparem cargos aqui em casa, nas alas e estacas de Sião, eram conhecidos por outro nome. Ora, isso está completamente errado. Uma pessoa deveria procurar que tudo o que faz, tanto em benefício próprio quanto do bem público, seja creditado a seu próprio nome, e não se alienar das obras de sua vida dando o crédito a algum mito ou a algo que não possa ser identificado. Permiti-me sugerir-vos, irmãos, que, ao cumprirdes uma missão, a cumprais em vosso próprio nome. Ao pagardes vosso dízimo ou vossas doações, pagai-o em vosso próprio nome, e, ao ocupardes qualquer cargo ou posição de qualquer espécie, cuidai para que vosso próprio nome receba o crédito por isso. Poderemos precisar de todo o crédito que pudermos obter quando comparecermos perante o justo Juiz de todos. Não deveria haver o menor desvio na escrita dos nomes para fins históricos, e permiti-me dizer a todos: não passeis pela vida com um apelido ou uma alcunha; usai sempre vosso nome verdadeiro, especialmente para fins públicos — o nome que vos foi dado quando fostes abençoados pelos élderes da Igreja, ainda crianças, nome que naquela ocasião indubitavelmente se tornou matéria de registro. Isso significa mais para vós do que talvez imagineis, embora possais pensar que seja mera questão técnica; mas permiti-me assegurar-vos que significa a vossa própria identidade como indivíduos, historicamente. Se insistirdes em passar pela vida com nomes falsos ou corrompidos, certamente vos arrependereis. Para fins históricos, "Harry" jamais deveria substituir "Henry", nem "Lizzie" a "Elizabeth", "Bob" a "Robert", "Dick" a "Richard", "Polly" a "Mary", etc., e os nomes de família deveriam ser escrupulosamente preservados. Não gostamos de ver o belo nome sueco "Soborg" mudado para "Seamountain", nem "Jorgensen" para "Yorgason". Nativos da Alemanha, da Escandinávia, da Holanda e de outros países estrangeiros deveriam conservar a forma original de grafar seus nomes, e também, se possível, a pronúncia; do contrário, sua identidade poderá perder-se e ser excluída inteiramente da história. Não importa quantos cargos tenhais ocupado na Igreja, nem quanto bem tenhais feito na vida, isso não contará a vosso crédito nos registros mantidos na mortalidade, a menos que façais o que fazeis em vosso próprio nome. Não podemos permitir-nos falsificar os registros. No entanto, em alguns casos, isso tem sido feito a tal ponto que às vezes me pergunto se os próprios anjos saberão quem somos. ¶
Para concluir, desejo impressionar-vos com a importância de se manterem registros individuais. Os registros públicos são, em muitos casos, bem mantidos e preservados, mas, em outros casos, são mantidos de forma imperfeita, ou de todo não preservados. Nesses casos, os interessados poderão perder seu crédito, a menos que tenham mantido registros individuais aos quais se possa recorrer. Se fomos chamados pelo Senhor para trabalhar em sua vinha, e assim tivemos o privilégio de tomar parte nesta grande obra dos últimos dias, é apenas próprio e justo que a história nos dê o devido crédito. Sugiro, portanto, a todos vós, irmãos e irmãs, que não tenhais medo nem sejais demasiadamente modestos para fazer vossos próprios registros. Ao dizer isso, apelo a todos vós que já tendes idade suficiente para compreender o que digo. Lembrai-vos do velho ditado: "o que fazeis vós mesmos é certo, mas o que confiais a outros pode revelar-se decepcionante"; também: "se a vida vale a pena ser vivida, seus feitos merecem ser registrados". Portanto, mantenhamos registros individuais. Se não puderdes manter um diário, como alguns de nós, que temos mantido diários quase durante toda a vida, então escrevei ao menos alguns dos acontecimentos mais importantes de vossa vida. Alguns de vós, antigos veteranos que agora vejo diante de mim, partireis, como eu mesmo, dentro de pouco tempo, mas, antes de partirdes para o grande além, escrevei algumas das experiências que tivestes em vossa vida, com boa tinta e em bom papel, para que possam ser deixadas para vossa ¶
posteridade. Isso servirá melhor para perpetuar vossa memória do que um dispendioso monumento de pedra, e, ao fazê-lo, poderá ser dito de vós, como foi dito de Abel antigamente, "ainda depois de morto, fala". ¶
Entre nossos muitos outros deveres, irmãos e irmãs, lembremo-nos, portanto, deste dever essencial da manutenção de registros. No meio de nossas vidas ocupadas, não sejamos demasiadamente modestos nem demasiadamente negligentes para registrar algumas das coisas que o Senhor nos tem permitido fazer em relação à sua grande obra dos últimos dias. Creio que seria perfeitamente correto vencermos nossa modéstia ou negligência a tal ponto que registremos algo a nosso próprio respeito, e não confiemos inteiramente nos anjos acima de nós, "que silenciosamente tomam nota de cada ação", lembrando-nos de que nós, mortais, não temos acesso aos registros feitos lá em cima. ¶
Joseph Smith, o Profeta, numa de suas cartas à Igreja, disse: "Tudo o que registrardes na Terra será registrado no céu e tudo o que não registrardes na Terra não será registrado no céu" (Doutrina e Convênios 128:8). Embora isso tenha sido originalmente escrito com referência ao batismo pelos mortos, pode aplicar-se, penso eu, à manutenção de registros de modo geral. ¶
Portanto, irmãos e irmãs, procurai fazer registros para vós mesmos, e procurai tornar-vos, ao mesmo tempo, historiadores verdadeiros e precisos, não esquecendo que todos deveríamos viver vidas e realizar feitos dignos de serem registrados. Deus vos abençoe. Amém. ¶
Selma Pearson cantou um solo intitulado "Let us have Peace" ("Tenhamos Paz"). ¶