Pulpit

Economia e poupança, e uma conservação de material

David O. McKay

Conferência Geral de Outubro de 1917·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1917-10-05

A essência da mensagem dirigida aos Santos dos Últimos Dias durante esta conferência tem sido uma exortação sentida a guardar os mandamentos de Deus, a viver em harmonia com o seu sacerdócio. Desejo, em minha alma, que todo homem, mulher e criança na Igreja tivesse ouvido esses apelos dos servos de Deus a Israel para que guardasse os seus mandamentos. Há um mandamento que me sinto impelido a ler esta tarde:

"E também, se em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado; pois isto será uma lei para os habitantes de Sião ou em qualquer de suas estacas que estejam organizadas."

Temos ouvido, durante o último ano, muito a respeito da necessidade da conservação. Temos sido admoestados, dos púlpitos e pela imprensa, a conservar os nossos recursos, e, em certa medida, o povo tem respondido nobremente a esse apelo. Em toda parte podeis ver evidências do desejo, por parte do povo, de conservar os produtos da terra, e de utilizá-los para a bênção daqueles que se encontram em aflição. Há mais cuidado na fazenda para colher a safra com que Deus abençoou o povo; há mais reflexão na cozinha, e os gêneros alimentícios estão sendo conservados e usados com mais economia, talvez, do que nunca antes; e, no entanto, a economia e a poupança são fundamentais na organização social e nos ensinamentos desta Igreja. Mas a guerra trouxe a necessidade disso para bem perto de nós, como talvez nada mais no mundo o tenha feito.

Ao meio-dia de hoje, alguns de nós vimos uma

maravilhosa demonstração do resultado de uma faceta desta conservação e deste serviço. Refiro-me à exposição que a Junta Geral das Associações Primárias mantém em exibição no prédio do Bispado. Centenas de produtos úteis — resultado da diligência de vossos pequenos meninos e meninas — feitos de roupas velhas, ternos descartados e outros materiais, foram agora postos nas mãos da Junta Geral para serem enviados à Associação da Cruz Vermelha, em benefício e alívio dos soldados na frente de batalha. Aprovo isso como um exemplo dos mais louváveis do que se pode realizar por meio de um esforço organizado e bem dirigido.

Esta conservação e este cuidado estão em harmonia com o exemplo que Jesus deu a seus discípulos. Recordai-vos de que, em certa ocasião, ele alimentou a multidão e ordenou que se assentassem sobre a relva, e, com cinco pães de cevada e dois peixes, alimentou os cinco mil; depois do que disse: "Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca."

Toda esta conservação das coisas materiais, digo eu, é muitíssimo louvável e agradável a Deus, mas a maior conservação em que a humanidade pode empenhar-se é a conservação da juventude, a conservação da virilidade e a proteção da feminilidade. Apelo hoje aos Santos dos Últimos Dias para que dediquem mais atenção à proteção, à consideração, do bem mais precioso que possuís — vossos filhos e filhas. No dia seguinte àquele em que Cristo ensinou a lição da economia no cuidado das coisas da terra, ele disse a alguns daquela mesma multidão que se reunira ao seu redor em Cafarnaum: "Não me buscais porque vistes os sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece,

mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará." E disseram: "O que é isso?" — em essência: "Mestre, onde havemos de obter isto?" E ele disse: "Esta é a obra de Deus, que creiais naquele que ele enviou." A fé em Cristo é um dos princípios que devemos ensinar a nossos meninos e meninas. O Profeta Joseph Smith, por meio de revelação, recebeu esta admoestação, e a transmitiu ao mundo, e ela é agora uma lei permanente nas estacas: que é dever dos pais e das mães ensinar a seus filhos os princípios da vida e da salvação, baseados na fé no Senhor Jesus Cristo, e que sobre aqueles que não têm essa responsabilidade posta sobre os ombros recai o mesmo dever.

Oh, louvo a Deus pelas instruções que ele deu ao seu povo a respeito da sacralidade, da santidade e da permanência do relacionamento familiar. Que imprimamos estas instruções em nossos filhos. Primeiramente, ensinemos-lhes que o lugar próprio para começar o relacionamento familiar é na Casa de Deus, ajoelhados dignamente junto ao seu sagrado altar. Isto significa que o jovem é tão puro e íntegro em sua vida — e o tem sido durante a adolescência e o início da idade adulta — quanto aquela cuja mão ele segura na sua, e que lhe dá uma vida de pureza e virtude, digna da maternidade, digna de quem, no sagrado ofício da maternidade, se une ao Criador para trazer à terra almas eternas. Não estamos conservando algo que há de perecer com o tempo quando protegemos e guiamos espíritos eternos vindos de Deus. "As estrelas podem desvanecer-se", diz o poeta, "o próprio sol pode escurecer com a idade, e a natureza pode sucumbir aos anos, mas o homem há de florescer em juventude imortal, ileso em meio à guerra dos elementos, ao naufrágio da matéria e ao colapso dos mundos."

O pequeno bebê vem ao lar como parte eterna dele, quando o pai e a mãe se comprometem mutuamente, para o tempo e toda a eternidade. Ensinemos, pois, à juventude que o relacionamento matrimonial é uma das mais sagradas obrigações conhecidas pelo homem, ou que o homem pode contrair. Ensinai-lhes que a família é a primeira instituição ordenada por Deus, e instituída entre os homens. Se cada casal sentisse a sacralidade desta obrigação, haveria menos lares desfeitos por desavenças que levam aos divórcios. A segurança, a perpetuidade de nosso governo, ou de qualquer forma republicana de governo, depende da segurança e da permanência do lar. Nisto vislumbramos algo em que este povo pode ser, de certo modo, o salvador desta grande nação. O lar é o lugar onde a perpetuação dos princípios de liberdade, bem como as instruções do Evangelho de Jesus Cristo, devem ser transmitidas aos filhos. Quando o lar se desfaz, então os filhos começam a desgarrar-se para o pecado. Então a lei precisa intervir para trazê-los de volta e tentar ensinar-lhes alguns princípios de serviço e princípios de verdadeiro governo; mas, oh, quão impotente, quão impotente é o Estado, quando o lar falhou!

Tenho aqui, pela gentileza de um agente estadual de liberdade condicional, um relatório sobre alguns desses infelizes meninos e meninas cujas vidas não foram devidamente conservadas, e é instrutivo notar as causas da delinquência encontradas entre eles. Eles não são maus por natureza. Creio que meninos e meninas não são iníquos por natureza. Somos propensos a

fazer o mal, é verdade, mas também somos propensos a fazer o bem, e os filhos dos Santos dos Últimos Dias têm direito a essa propensão para o bem ainda mais do que quaisquer outras crianças no mundo, particularmente se os pais tiverem irradiado no lar, desde a infância e ao longo da meninice e da vida adulta, o espírito do evangelho de Jesus Cristo, conforme esta revelação exige.

Em nossa Escola Industrial, no mês de novembro de 1910, havia 110 meninos matriculados. Sessenta por cento desses meninos vinham de lares desfeitos; 7 por cento desses 60 por cento vinham de lares onde os pais eram divorciados; 18 por cento, onde os pais haviam falecido; 10 por cento, onde as mães haviam falecido; 7 por cento, onde ambos os pais haviam falecido; 8 por cento, de crianças abandonadas por um ou ambos os pais. Dos 40 por cento restantes de meninos, as condições do lar foram destruídas pelo uso de bebidas alcoólicas, como segue: pais viciados no uso de bebidas alcoólicas, 22 por cento; mães viciadas, 4 por cento.

A inspiração de Deus se manifesta em exigir que os Santos dos Últimos Dias mantenham seus lares intactos, e ensinem a seus filhos os princípios do evangelho de Jesus Cristo. Ora, não quero dizer com isso que devamos tornar tal ensino formal ou de algum modo desagradável. Quero dizer que o evangelho de Jesus Cristo deve irradiar em cada lar; que a oração, à noite e pela manhã, deve ser oferecida com sinceridade; que os filhos percebam diariamente que desejamos em nosso lar a presença de Deus. Se pudermos convidar o Salvador para ali estar, poderemos saber que os anjos estarão não apenas dispostos, mas ansiosos por proteger nossos meninos e meninas. Creio que, na maioria dos lares, meninos e meninas são ensinados a orar

antes de se recolherem para a noite. Creio, contudo, que, de modo geral, as orações matinais são negligenciadas. Quando paramos para pensar nisso, porém, é durante as horas de vigília que nossos meninos e meninas necessitam da proteção de Deus, e da orientação de seu Espírito Santo, ainda mais do que quando estão dormindo. Os perigos que cercam hoje nossos meninos e meninas são os perigos que lhes sobrevêm lá fora, na sociedade, na escuridão da noite, quando estão longe da influência dos pais. Suplico aos pais da Igreja que saibam onde estão seus meninos e meninas à noite, entre a hora do pôr do sol e a hora de se recolherem. Suplico-vos que saibais onde eles estão durante o dia. Mantende neles vossos pensamentos. Que vossos pensamentos os acompanhem. Trabalhai não tanto por aquilo que há de perecer, mas por aquilo que perdura eternamente, pelas vidas que Deus vos deu para proteger neste mundo; para que o pecado de seu fracasso, o pecado de sua degradação, talvez, não recaia sobre vossos ombros.

Os lares se tornam permanentes por meio do amor. Oh, que o amor, então, abunde. Se sentis que não tendes o amor desses pequenos meninos e meninas, esforçai-vos por conquistá-lo. Ainda que negligencieis parte do gado, ainda que deixeis de produzir boas colheitas, esforçai-vos por reter o amor de vossos filhos. A lealdade é outro elemento do lar permanente. A lealdade que mais tarde quereis que eles demonstrem ao Sacerdócio de Deus deve manifestar-se no lar — amor, lealdade, virtude. Estimai estes princípios, como estimais e preservais a vossa própria vida. Dai aos filhos o exemplo apropriado. É tolice dizer a um menino que não fume, quando vós mesmos tirais o cachimbo da boca para lhe dizer

isso. Santos dos Últimos Dias, guardemos os mandamentos de Deus. Procuremos ensinar esses mandamentos aos filhos. As associações auxiliares estão fazendo muito para nos ajudar. A Igreja, em todas as suas organizações, está empenhando esforços para formar homens ideais em comunidades ideais; mas, afinal, a responsabilidade de formar esses homens ideais, esses meninos e meninas ideais, recai sobre os pais, e, em seguida, sobre os irmãos e irmãs mais velhos. A responsabilidade é da família, a unidade de Deus no tecido social da humanidade. Jamais dela nos livraremos.

Ao falar da necessidade de orientar a juventude e conservar suas forças, desejo elogiar da forma mais efusiva a admoestação final do Presidente Grant, quando se referiu ao apelo que está sendo feito ao povo aqui no oeste para que envie tabaco aos nossos rapazes soldados. A nação hoje necessita de virilidade, e qualquer apelo ou ação que tenda a deteriorar a virilidade deve ser considerado antipatriótico. A nação hoje designou médicos em toda parte para testar a força física e a força mental de vossos filhos e irmãos, antes que tenham direito de ingressar no exército. O tabaco, o cigarro em particular, é uma ameaça à virilidade. Ele solapa a virilidade. Enfraquece o corpo. Ele desequilibra os homens, justamente onde precisam ter nervos firmes. Deus não permita que de nossos rapazes, que se alistaram numa das mais nobres causas que uma nação já buscou servir, se possa jamais relatar verdadeiramente que algum deles foi considerado incapaz de servir a seu país por causa de sua indulgência nesses hábitos perniciosos, ou pela indulgência na paixão. Deus não permita que se possa jamais dizer verdadeiramente de nossos rapazes que vão para a frente de batalha, como já se relatou de homens na linha de combate hoje, que um terço deles foi tornado incapaz para o serviço por terem sido infiéis aos ideais da vida! Tal acusação certamente nunca poderá ser feita, com verdade, contra um soldado Santo dos Últimos Dias. Tenho fé em nossos rapazes, porque a maioria deles sai de lares que irradiam os princípios da vida e da salvação. Rapazes que, até então, haviam sido um tanto indiferentes antes de se alistarem, disseram: "Pai, vou receber uma bênção do Patriarca", enchendo assim o coração do pai de alegria, pois ele sabia que, naquela bênção, seria renovada a admoestação para que ele conservasse sua virilidade guardando a Palavra de Sabedoria, e mantendo o corpo livre de males mais grosseiros. Ora, não é tolice, quando se pensa nisso, que homens estejam iniciando uma campanha para enviar tabaco aos nossos soldados, quando, em 1900, a nação do Japão aprovou uma lei proibindo o uso do tabaco entre os jovens, principalmente porque a América havia comprovado seus efeitos nocivos sobre a juventude? Por que o parlamento de Tóquio aprovou tal lei e a enviou como um decreto do imperador? Porque, cerca de doze anos antes disso, o Professor Seaner, da Universidade de Yale, havia realizado alguns exames interessantes entre seus alunos. Ele havia medido a altura deles quando chegaram; havia medido a circunferência do tórax, e tomado o peso. Perguntou-lhes a idade e descobriu, o mais importante de tudo, quantos deles usavam tabaco, e quantos não usavam. Depois, acompanhou o desenvolvimento deles, e, após nove anos, publicou os resultados. Em primeiro lugar, verificou que os fumantes tinham cerca de quinze meses a mais que os não fumantes. Em segundo lugar, apesar dessa idade mais avançada,

a altura média dos não fumantes era cerca de um terço de polegada maior que a dos fumantes. Então, ao fim de nove anos, ele tabulou o seguinte, com base em suas observações entre três classes: (1) os fumantes que haviam fumado um ano ou mais, (2) os que haviam fumado irregularmente, e (3) os que não haviam usado tabaco. Em peso, os que não haviam usado tabaco pesavam 10,4 por cento mais do que os que o haviam usado por um ano ou mais; 6,6 por cento mais do que os que o haviam usado irregularmente; em altura, os não fumantes haviam ganhado 24 por cento a mais que os que fumaram um ano ou mais; 11 por cento a mais que os que fumaram irregularmente. Em circunferência, 26,7 por cento a mais que os que fumaram um ano ou mais; 22 por cento a mais que os que fumaram irregularmente. Quanto à capacidade pulmonar, um aumento de 77 por cento em relação aos que fumaram um ano ou mais; 49 por cento a mais em relação aos que fumaram irregularmente. Esses foram os ganhos físicos. Quanto ao ganho intelectual, ele descobriu que, de cada cem alunos que haviam ficado em primeiro lugar em suas turmas, apenas cinco eram fumantes, noventa e cinco eram não fumantes, embora 60 em cada cem usassem tabaco. Isso está em consonância com os testes feitos em Harvard, onde o exame dos registros de cinquenta anos comprovou que, durante esses cinquenta anos, nenhum fumante havia ficado em primeiro lugar em sua turma, embora 83 por cento dos rapazes que ingressaram em Harvard se entregassem ao uso do tabaco. Oitenta e três por cento no grupo dos fumantes, e 17 por cento no grupo dos não fumantes, e, durante esses cinquenta anos, os primeiros lugares das turmas foram escolhidos dentre o grupo dos 17 por cento.

Tais fatos foram suficientes para influenciar os membros do Parlamento do Japão a aprovar uma lei, em março de 1900, com vigência a partir de 1º de abril de 1900, nos seguintes termos: "É proibido o uso do tabaco por menores de vinte anos."

Um dos cavalheiros, discursando a respeito deste projeto de lei, disse: "Eu queria guardar silêncio, mas, ao ouvir o cavalheiro falar contra este projeto, senti que devia dizer algumas palavras a seu favor. Ouvi de um cavalheiro americano que, em seu país, um grande número de voluntários para o serviço militar foi rejeitado por causa da fraqueza do coração, e a principal razão apontada para esse defeito era o uso habitual do tabaco. Não preciso dizer mais nada do ponto de vista educacional, mas, se nossos jovens vierem a se tornar incapazes para o serviço militar pelo uso do tabaco, isso é alarmante. Por todos os meios, cessemos o uso do tabaco entre os jovens."

Ora, alguns estão pedindo que enviemos aos nossos soldados, que necessitam de sua força, que necessitam de seus nervos, que necessitam de sua inteligência como nunca antes necessitaram, aquilo que há de esgotar sua virilidade e solapar suas forças. Digo-vos que isso não é patriótico. Nossa nação necessita de homens, homens verdadeiros, que se levantem e lutem pelos gloriosos princípios de liberdade que esta nação representa.

Que Deus nos ajude a conservar as forças de nossos meninos e meninas. Que Deus nos ajude a implantar em seus corações os princípios da vida e da salvação. Que tenham um testemunho imperecível da verdade do evangelho de Jesus Cristo. Sei que é verdadeiro. Sei que os princípios do evangelho de Jesus Cristo são os princípios da vida eterna. Dou-vos o meu testemunho de que os homens que estiveram à frente desta Igreja têm

sido profetas de Deus; que Joseph F. Smith é um profeta de Deus; que seus conselheiros são inspirados, e que a unidade entre as autoridades da Igreja hoje, tanto quanto sei, pela leitura e pelo testemunho ouvido de homens mais velhos, é superior ao que jamais foi na história da Igreja. Creio que esta unicidade é característica do Sacerdócio. Amo estes presidentes de estaca aqui presentes, que presidem os Santos. Eles são unos pela verdade, e dariam a vida por ela. Que Deus nos ajude a incutir nos corações dos jovens esse mesmo desejo, e a manter nossas moças livres e sem mácula do convívio de homens que têm em seus corações algo pior do que assassinato, e que privariam essas moças e esses rapazes dos ideais de pureza do "mormonismo", em nome de Jesus Cristo. Amém.

Um solo sacro, "Sempre a Salvo com Deus" ("Ever Safe with God"), foi cantado por James Moncarr.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “Economia e poupança, e uma conservação de material”, Conferência Geral de Outubro de 1917, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1917-10-05). Pulpit Vault, 1917-10-15-david-o-mckay-remarks-15. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).